Rock na madrugada – Black Sabbath, “Paranoid”

POR GERSON NOGUEIRA

No vídeo acima, o Black Sabbath com a formação original apresenta “Paranoid” no programa Top of the Tops da TV britânica, em 1970. Um dos hinos definitivos do metal, a canção foi gravada sem maiores pretensões, apenas para completar o segundo disco de estúdio do grupo inglês. O riff apoteótico e envolvente concebido por Tony Iommi transformaria a despretensiosa música no maior sucesso da carreira do Sabbath.

Geezer Butler, baixista e principal letrista da banda, contou à revista American Songwriter que escreveu “Paranoid” em minutos, a partir do ponto de vista de um homem que fuma um baseado e vai ficando paranoico com as pessoas em volta, não conseguindo se conectar com elas. Sem mencionar nenhuma vez a palavra “paranoid” na letra, o baixista admitiu que a música não foi criada para ser um hit.

A gravação original, de fevereiro de 1970, teve a presença dos quatro músicos fundadores do Sabbath: Tony Iommi, Ozzy Osbourne, Butler e Bill Ward (baterista). Com um ritmo pesado e atemporal, “Paranoid” foi composta como uma reflexão tardia.

“Basicamente, precisávamos de uma faixa de 3 minutos para fechar o álbum, e Tony criou o riff de guitarra. Fiz a letra rapidamente e Ozzy a lia enquanto cantava”, contaria Butler em outra entrevista, desta vez à Guitar World. A longevidade da canção pode ser atestada pelo sucesso que faz até hoje: no início deste mês, superou a casa de 1 bilhão de reproduções no Spotify.

De quase enjeitada, “Paranoid” se tornou carro-chefe do Sabbath e a música que eternizou a banda. “A maioria das pessoas nos conhece por causa de ‘Paranoid'”, afirma Tony Iommi, considerado o maior criador de riffs de todos os tempos.

Abaixo, registro da apresentação de 2001 no Jubileu de Ouro da Rainha Elizabeth, em Londres, com Phil Collins na bateria e Pino Palladino no baixo:

Enfim, um desafio de verdade

POR GERSON NOGUEIRA

Líder invicto do Campeonato Paraense, o PSC usa a competição como laboratório para a disputa do Brasileiro da Série B, mas sofre com o nível técnico do Parazão. Não há termo de comparação com os principais campeonatos do país – Paulista, Carioca, Mineiro e Gaúcho. O técnico Hélio dos Anjos recentemente lamentou que alguns clubes da Série B tenham o privilégio de testar forças contra equipes da Série A.

Hélio estava se referindo principalmente a Ituano, Novorizontino, Ponte Preta, Mirassol, Botafogo de Ribeirão Preto e Guarani no Paulistão. Enquanto duelam com Palmeiras, S. Paulo e Corinthians, o Papão joga contra Canaã, Tapajós, Castanhal e Cametá. A diferença é abissal.

Pois hoje à noite, em Caxias do Sul, o PSC tem a oportunidade de encarar um teste de verdade. Desafia o Juventude local pela segunda fase da Copa do Brasil. Uma para difícil e que pode dar ao técnico Hélio dos Anjos as respostas sobre o estágio atual do time.

Para chegar com força máxima à partida de hoje, o PSC poupou cinco jogadores no confronto com o Bragantino, sábado, pelas quartas de final do Parazão. Medida que permitiu um merecido descanso a Nicolas e Robinho, destaques da equipe paraense na temporada.

Diante do Juventude, time que vai disputar a Série A, há a convicção de que o Papão terá que fazer sua melhor apresentação do ano para conquistar a classificação à terceira fase da Copa do Brasil. Caso tenha êxito, vai garantir uma premiação acumulada em torno de R$ 4 milhões.

Nas últimas três partidas, o PSC conseguiu três vitórias, todas pelo placar de 3 a 0 – contra Castanhal e Bragantino, pelo estadual, e contra o Rio Branco (AC) pela Copa Verde. Demonstração clara do excelente momento vivido pela equipe.

Com bom funcionamento do setor defensivo, centrado na dupla Lucas Maia e Wanderson, o time tem opções de qualidade para compor o meio-de-campo. O trio mais utilizado tem sido Val Soares, Gabriel Bispo e Robinho. O ataque tem Nicolas como referência, com Jean Dias e Vinícius pelos lados.

Um time que foi ganhando entrosamento com o passar dos jogos e hoje exala confiança a partir das vitórias convincentes dentro do Parazão. Falta o carimbo de uma atuação consagradora contra um adversário que é da Série A. Chegou a hora de conquistar essa condição.

Mundo sente falta dos goleadores brasileiros

Célebre pela aparentemente inesgotável produção de grandes artilheiros – Pelé, Ronaldo, Romário, Careca, Roberto Dinamite –, o Brasil há muito tempo não frequenta a tábua de goleadores das principais ligas europeias. O último foi Grafite, que brilhou no Campeonato Alemão de 2009.

E olha que era Grafite, um atacante não mais que mediano. Levantamento do site Torcedores.com tenta sem sucesso encontrar uma explicação para a escassez de homens-gol no futebol nacional.

Não dá para encontrar uma explicação apenas, os motivos são diversos. Jovens atletas deixam o Brasil muito cedo, o que por um lado garante rápida adaptação ao estilo europeu de jogar, mas faz com que percam características que distinguem os brasileiros dos concorrentes estrangeiros.

Erling Haaland, norueguês que brilha no Manchester City e deslumbra o mundo, é um centroavante de linhagem essencialmente europeia. Segue o mesmo perfil de atuação do polonês Robert Lewandowski e do inglês Harry Kane. Os três têm pouca habilidade, mas são tecnicamente bem preparados e usam a força física como grande trunfo.

O momento de entressafra no trabalho de formação é outro ponto a ser considerado. Não por acaso, o Brasil vem acumulando insucessos nos torneios sub-17 e sub-20, culminando com a recente eliminação no torneio Pré-Olímpico de Caracas.

As virtudes que antes diferenciavam os atacantes brasileiros hoje são mais valorizadas nos jogadores de meio, orientados desde cedo a atacar e a voltar para marcar. É verdade que o futebol mudou bastante, mas Messi, Cristiano Ronaldo e Mbappé nunca foram obrigados a marcar.

Na aclamada Premier League inglesa, é visível o domínio de meias e pontas, mas a figura do homem de área que sabe fazer gols segue extremamente cultuada. Os esquemas são rígidos, mas os goleadores continuam a existir, mesmo sofrendo dura marcação.

Chato é constatar que nenhum brasileiro se destaca entre os melhores. Richarlyson e Gabriel Jesus, exemplos típicos de atacantes que não funcionam, confirmam a crise de talentos que assola o futebol brasileiro. Sem astros da grande área, o Brasil deixou de ser protagonista.

Racistas precisam ser punidos, pelo bem do futebol

O Águia venceu o Caeté por 2 a 0, no sábado, em Marabá, e um episódio fora do campo acabou ofuscando o triunfo do time da casa. O atacante Fidelis, do time bragantino, foi vítima de ataques racistas por parte de um torcedor do Azulão, de 38 anos, preso em flagrante depois da partida.

O dado importante é que o torcedor racista foi identificado por pessoas que estavam nas arquibancadas do Zinho Oliveira. Conduzido à delegacia da Polícia Civil, ele foi mantido preso e responde a inquérito. O crime de racismo é inafiançável.

Além da manifestação de repúdio por parte do Caeté, o Águia se solidarizou com Fidélis, colocando-se à disposição para colaborar com a apuração dos fatos. “O Águia de Marabá ressalta que ao longo de sua grandiosa história jamais compactuou com tais atos abomináveis e que assim sempre será. Racistas não passarão!”, diz a nota.

A Federação Paraense de Futebol (FPF) informou que acompanha o caso desde o primeiro momento. A investigação corre pela Seccional de Marabá.

Não foi o primeiro caso de racismo no futebol paraense, nem provavelmente será o último, mas a ação imediata é o melhor caminho para extirpar esse ato de desumanidade.

O importante é que todos se conscientizem de que, como disse Angela Davis, não basta repudiar atos racista, é preciso ser antirracista.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 13)

O passado é uma parada

Partida histórica, válida pela final da Taça Brasil de 1966, a vitória do Cruzeiro de Tostão e Dirceu Lopes sobre o Santos de Pelé deixou claro que não havia uma supremacia absoluta de times do eixo Rio-São Paulo. A Raposa tinha um timaço capaz de fazer frente a cariocas e paulistas, e por isso levantou o título. No ano seguinte, foi criado o torneio Roberto Gomes Pedrosa, popularmente conhecido como “Robertão”, abrindo espaço para clubes do Sul e Nordeste. O árbitro do clássico foi Armando Marques e a narração é do consagrado Fiori Giugliotti, da Rádio Bandeirantes. O jogo foi disputado no estádio Paulo Machado de Carvalho (Pacaembu), em São Paulo.

Os gols foram marcados, para o Santos, por Pelé, aos 24, e Toninho, aos 26 minutos do primeiro tempo. Pelo Cruzeiro, marcaram Tostão, aos 18, Dirceu Lopes, aos 28, e Natal, aos 44 minutos do 2º tempo.

SANTOS: Cláudio; Lima, Oberdan, Haroldo e Zé Carlos; Zito e Mengálvio; Amauri (Dorval), Toninho, Pelé e Edu. Técnico: Lula

CRUZEIRO: Raul; Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Wilson Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Tostão, Evaldo e Hilton Oliveira. Técnico: Aírton Moreira.

Aprovado requerimento que autoriza comissão de estudos sobre Áreas de Livre Comércio no Marajó

A Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) aprovou, durante sessão ordinária desta terça-feira (12), por unanimidade, o requerimento de n° 60, de iniciativa da deputada Andreia Xarão (MDB). O documento autoriza a criação de uma comissão estadual de estudos para discutir e tratar sobre a Criação de Área de Livre Comércio na mesorregião geográfica do Marajó e suas microrregiões.

O requerimento propõe que a comissão seja composta por cinco membros e criada em um prazo máximo de 90 dias. A parlamentar do MDB comentou aproveitou para destacar os desafios enfrentados há décadas pela população ribeirinha que vive no arquipélago do Marajó.

”Esse projeto está pronto para ser discutido desde 2020, quando chegou na bancada do congresso nacional, e finalmente conseguimos aprová-lo pelo parlamento paraense. A região do Marajó, além de toda sua riqueza ambiental, natural, e de seu povo, é acompanhada também pelos seus inúmeros desafios, como a falta de geração de emprego e renda para sua população. Muitas das vezes, o que muitas pessoas precisam é de apenas uma oportunidade para uma maior dignidade de vida. Agradeço imensamente ao presidente Chicão pelo apoio dado ao nosso projeto, que com certeza vai beneficiar e muito todo o povo que vive nas cidades do Marajó”, disse a deputada.  

Governo federal lança novas ações para ajudar a população do Marajó

Ao lado do governador Helder Barbalho, o ministro fez a apresentação de uma série de ações que fazem parte do programa Cidadania Marajó; nas últimas semanas, a região tem sido alvo de uma série de fake news bolsonaristas

Silvio Almeida e Marina Silva no lançamento do edital de Assistência Técnica e Extensão Rural do Programa Bolsa Verde. Curralinho, Marajó
Silvio Almeida e Marina Silva no lançamento do edital de Assistência Técnica e Extensão Rural do Programa Bolsa Verde, em Curralinho, no Marajó. Créditos: Flickr/Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania

Por Raphael Sanz

O ministro Silvio Almeida, dos Direitos Humanos e Cidadania, esteve no município de Curralinho, no arquipélago do Marajó, no Pará, onde anunciou nesta segunda-feira (11) uma série de ações do governo Lula em prol da população marajoara. Além do governador Helder Barbalho, a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente e Mudança Climática, também participou da agenda. Nas últimas semanas a região tem sido alvo de uma série de fake news bolsonaristas.

Um dos pontos do evento ficou por conta do lançamento do edital de Assistência Técnica e Extensão Rural do Programa Bolsa Verde. Realizado em parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural e o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o projeto prevê o acesso a políticas públicas destinadas à agricultura familiar e recuperação ambiental.

Ao todo, 62 territórios em 7 Estados – quadro deles amazônicos: Pará, Amapá, Rondônia e Acre – serão beneficiados na primeira etapa do programa. A expectativa é que 15,4 mil famílias sejam beneficiadas. Entre essas famílias, 5,8 mil são marajoaras.

Também foi lançado o edital Cisternas Amazônia e feita a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica entre o MMA, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O principal objetivo da iniciativa é fomentar a implantação de tecnologias que permitam o amplo acesso a água e a realização de modelos de negócio que envolvam a produção sustentável de alimentos e outros produtos de forma que favoreçam as comunidades com a melhoria das condições de vida dos camponeses de baixa renda e de comunidades tradicionais e originárias.

Nessa segunda ação anunciada serão cerca de 4,6 mil famílias em 16 municípios amazônicos beneficiadas. No Marajó vivem 3,3 mil famílias contempladas pelo projeto. Os editais fazem parte de acordo de cooperação técnica celebrado em 2023 com o intuito de elaborar Plano de Respostas Socioambientais, de forma cooperada com os ministérios do Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar (MDA), da Igualdade Racial (MIR) e da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Lilian dos Santos Rahal, além da diretora socioambiental do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Tereza Campello.

No encontro em Curralinho, Helder destacou que a região do Marajó, que tem sido vítima de fake news relacionadas à exploração sexual infantil, precisa de políticas públicas voltadas às oportunidades para sociedade e melhoraria da infraestrutura. “Hoje temos a oportunidade de assinar um acordo que está dialogando diretamente com a qualidade de vida”, ponderou o governador.

“Qualidade de vida requer direitos, requer acesso a bens fundamentais que permitam que as pessoas possam receber aquilo que são absolutamente essenciais à vida. E a água é uma delas. O tratamento de resíduos sólidos, o tratamento de esgoto, o saneamento básico é fundamental para isto”, detalhou o chefe do Executivo Estadual paraense. Para o governador do Pará, as relações institucionais entre Estado e União são essenciais para que haja mudanças quanto as condições de vida da população marajoara.

“Quando os ministros do governo do presidente Lula escolhem o Marajó para lançar este programa junto com o BNDES, já com metas estabelecidas e estruturado, é um avanço para que nós possamos efetivamente ver as intenções se transformando em realidade”, afirmou Helder.

Depois, o ministro Silvio Almeida tomou um avião para Belém, onde participou no fim da tarde da assinatura do decreto de criação do Comitê Integrado para Gestão de Resíduos Sólidos e Economia Circular ao lado de Edmilson Rodrigues, o prefeito da capital paraense. O objetivo é fortalecer os catadores de materiais recicláveis e o consórcio local responsável pela gestão de resíduos. As informações são da Agência Brasil.

Rock na madrugada – Red Hot Chili Peppers, “Dani California/Desecration Smile/Snow (Hey Oh)”

POR GERSON NOGUEIRA

Um show particular e impecável do Red Hot Chili Peppers em 2006 com a formação clássica, no auge da forma e do entusiasmo, nos estúdios Abbey Road, consagrados historicamente como o santuário de gravação dos Beatles. Três grandes canções tocadas em altíssimo nível por uma banda com a configuração roqueira de quarteto, com algumas variações – um cantor carismático (Anthony Kiedis), um virtuose da guitarra (John Frusciante), um baixista encapetado (Flea) e um batera malucão (Chad Smith).

Em 14 minutos, uma exibição de técnica e emoção, entrega total. Este registro em Abbey Road foi fundamental para conquistar minha admiração pelo RHCP, uma banda pós-punk surgida na Califórnia com um talento incrível para fundir ritmos diversos, do rap ao metal, e abraçar alegremente a arte espontânea que vem das ruas, como o grafismo e o skate.

As três canções executadas magistralmente, com direito a solos espetaculares de Frusciante, constituem uma pequena aula do mais puro rock’n’roll, certeiro e sem a ambiência de uma plateia de show, mas com entrosamento admirável. A conexão dos velhos companheiros de estrada se sobrepõe à atmosfera fria do estúdio. Absolutamente magnífico.

A frase do dia

“Jornalistas não podem se comportar como os agentes da ditadura militar, alegando obediência devida. Precisam ter a coragem de se erguer contra ordens violadoras da ética profissional, como ocorre com a cobertura da Globo sobre a questão palestina, na qual apenas um lado tem voz”.

Breno Altman, jornalista

Leão vence e fica perto da semi

POR GERSON NOGUEIRA

Apesar da apatia dos primeiros minutos, o Remo conseguiu achar o caminho do gol e obteve um resultado importante contra o Santa Rosa, ontem, pelas quartas de final do Parazão, no Baenão. O placar de 3 a 0 mostra que, pelo menos ofensivamente, o time soube aproveitar as situações favoráveis. Não que a parte criativa tenha funcionado, mas a determinação compensou os muitos erros de estratégia e posicionamento.

Foi a segunda vitória sob o comando de Gustavo Morínigo – a primeira, também por 3 a 0, foi sobre o Trem-AP pela Copa Verde – e mostrou um time sempre lutador, preocupado em marcar e brigar pela bola.

Os primeiros movimentos mostraram um Santa Rosa ousado. Pedro Sena quase abriu o placar logo a 1 minuto. Dispersivo, o Remo errava passes simples e não chegava com perigo. Os laterais, principalmente Raimar, pouco subiam ao ataque. Echaporã, o ponta mais acionado, avançava pela esquerda, mas demorava a cruzar quando tinha condições para isso.

Ribamar ficava preso entre os zagueiros sem receber uma bola limpa. Na direita, Felipinho mostrava agilidade nos dribles e insistência nas jogadas individuais. Só faltava capricho e apuro nas finalizações.

Aos 27 minutos, as coisas começaram a mudar. O lateral Thalys cruzou na área, encontrando Echaporã, que se atirou na bola e desviou para as redes. O Santa Rosa se abalou com o gol. Aos 33’, outro lance atrapalhado e Felipinho aproveitou a sobra e bateu forte, vencendo Claudio Vitor.

Lesionado no lance, ele foi substituído por Kelvin. Aos 40’, um susto para Marcelo Rangel. A bola foi levantada na área do Leão e Flávio cabeceou no travessão na melhor tentativa do Santa Rosa.

Aos 6 minutos do 2º tempo, sob chuva forte no Baenão, Raimar cobrou escanteio e Ligger subiu mais que a defesa do Santa Rosa e colocou a bola fora do alcance do goleiro. Pedro Sena reapareceu com perigo. Passou pelos defensores e chutou rasteiro, obrigando Marcelo Rangel a espalmar.

Aos 32’, Ribamar recebeu passe de Ronald, entrou na área em velocidade e disparou um chute forte, que passou sobre o travessão. Mesmo inferiorizado no placar, o Santa se manteve no ataque. Rogério cabeceou na gaveta e Marcelo Rangel defendeu espetacularmente.

A vitória tranquilizou o Remo na disputa direta com o Santa Rosa, mas não escondeu os erros coletivos da equipe. Sem meio-de-campo, o time sofre contra qualquer adversário medianamente organizado. Gustavo Morínigo terá uma semana para arrumar a casa antes da partida de volta.

Xodó da Fiel brilha no triunfo em Bragança

O jogo em Bragança era fonte de preocupação para a comissão técnica bicolor, principalmente pelas precárias condições do estádio Diogão. Com a bola rolando, o Papão não deu chance para o azar. Logo aos 4 minutos, Biel recebeu passe de Edinho e abriu o marcador batendo de sem-pulo.

Hélio dos Anjos fez cinco mudanças na equipe e poupou jogadores importantes, como Nicolas e Robinho, para o confronto de quarta-feira contra o Juventude, pela Copa do Brasil. Nem isso diminuiu o poder de fogo e a intensidade do time contra o Bragantino.

O restante da primeira etapa não teve fortes emoções. O PSC controlava o jogo, mas diminui a pressão em busca do gol. Quando o jogo recomeçou no 2º tempo, o Bragantino mostrou-se mais disposto a atacar. Aos 13 minutos, Edicleber arriscou um chute forte e Matheus Nogueira encaixou.

Nos minutos finais, o Papão voltou a marcar presença na área, graças às iniciativas do meia-atacante Esli Garcia. Aos 40’, ele recebeu passe de Vinícius Leite e encobriu o goleiro com um chute colocado.

Três minutos depois, Esli apareceu de novo, desta vez para escorar para as redes um cruzamento de Ruan Ribeiro. O xodó da Fiel estava em tarde inspirada. Aproveitou as chances mesmo tendo entrado já na segunda etapa.

Mesmo sem dar espetáculo, o PSC foi dominante e jamais correu riscos, mostrando entrosamento e encaixe entre os setores. Para a partida de volta, domingo, na Curuzu, é provável que Hélio volte a poupar jogadores, para permitir que descansem do jogo com o Juventude.

São Francisco vence com gol de almanaque

Bebeto e Dennis Bergkamp eram especialistas em voleios. Inspirado neles, Bruno Costa, do São Francisco, fez um belíssimo gol contra a Tuna no sábado à tarde, na Curuzu. O cruzamento partiu da direita e ele se posicionou no segundo pau. Quando a bola chegou, deu um salto no ar e disparou de primeira. Equilíbrio e pontaria. Um golaço.

A jogada garantiu a vitória do São Francisco, abrindo vantagem nas quartas de final e quebrando a invencibilidade da Tuna. Bruno Costa iguala-se a Nicolas, Felipe Gedoz, Ícaro e Edgo na galeria dos gols mais bonitos deste Parazão.

O triunfo deu novo ânimo ao Leão Santareno, que entrou nas quartas de final como franco-atirador e agora parte para a segunda partida dependendo de um empate para chegar às semifinais.

A Tuna fez o habitual jogo de marcação forte, mas cometeu muitos erros na conexão entre meio e ataque. As duas boas chances criadas foram desperdiçadas e a desatenção custou caro no lance do gol. 

Águia dá passo importante para ir às semifinais

Dois gols do atacante Braga garantiram a vitória segura do Águia sobre o Caeté, no Zinho Oliveira, no sábado à noite. O time bragantino não repetiu as atuações anteriores e não exibiu capacidade de reação.

Os gols surgiram de cruzamentos na área. A zaga do Caeté permitiu que Braga cabeceasse livre no primeiro gol. Depois, ele se antecipou à marcação e finalizou sem chances para o goleiro.

O confronto de volta ainda não tem local definido. Para reverter a situação, o Caeté precisa vencer por três gols de diferença. Tarefa complicada.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 11)

Leão derrota o Santa Rosa e impõe vantagem nas quartas de final

Com gols de Echaporã, Felipinho e Ligger, o Remo derrotou o Santa Rosa por 3 a 0 neste domingo à tarde, no Baenão, e estabeleceu vantagem importante nas quartas de final do Campeonato Paraense. O time azulino começou mal, errando passes e tentativas de ataque, mas a partir do gol de Echaporã, aos 27 minutos, começou a controlar a partida. O gol de Felipinho, aos 33′, aumentou a tranquilidade azulina em campo.

No 2º tempo, sob muita chuva no Baenão, o Remo chegou ao terceiro gol logo aos 6 minutos. Em cobrança de escanteio por Raimar, o zagueiro Ligger cabeceou para fechar o placar.

Com a vitória, o Remo tem uma vantagem expressiva para o segundo jogo, marcado para sábado no Baenão. Para se classificar às semifinais, pode perder por até dois gols de diferença.

Rock na madrugada – Nirvana, “About A Girl”

POR GERSON NOGUEIRA

É de impressionar como um power trio clássico como o Nirvana conseguiu elaborar canções de características tão diferentes com um acompanhamento básico, mas competente o suficiente para reproduzir as ideias musicais do cabeça pensante. Kurt Cobain era o cara das letras, da voz e da guitarra. A partir dele, a banda estabeleceu uma sonoridade marcante, que não perdeu atualidade nem 30 anos após o seu fim.

David Grohl, bateria e voz, e Krist Novoselic, baixo, completavam a trindade harmônica do Nirvana. Ícone do movimento grunge – que os músicos do período não assumem como algo planejado -, o grupo viveu da criatividade e do talento de Cobain para compor melodias fortes para letras quase sempre lancinantes e desesperadas.

“About A Girl” (Sobre uma garota) é de 1989 e foi toda inspirada em Tracy Marander, namorada de Kurt à época. O surgimento do grupo foi parecido com o de tantos outros, reunindo jovens que não sabiam tocar, mas buscavam se expressar através da música. Cobain e o baixista Novoselic deram o passo inicial em 1987, chamando depois David Grohl para assumir as baquetas.

Até 1994, quando a banda acabou em função da trágica morte de Cobain, o Nirvana gravou 138 músicas, inclusas em três álbuns de estúdio (Bleach, In Utero e o seminal Nevermind) e três discos ao vivo, que ajudaram a mudar a face do rock contemporâneo.

Aos puristas que reclamavam do som quase simplório da banda, Cobain explicava que sua formação era basicamente punk. Poucos acordes, nenhum virtuosismo no uso da guitarra e zero interesse em evoluir tecnicamente no papel de instrumentista. Sua atitude era intuitiva.

“Não tenho nenhuma noção de saber ser músico, seja qual for. Não sei o nome dos acordes para tocar, não sei fazer acordes maiores ou menores no violão. Todo mundo sabe mais do que eu”, disse, no auge do sucesso.

Em entrevista ao jornalista Edgar Klüsener (do Far Out Magazine), Cobain deixou claro que considerava o esmero técnico um inibidor da originalidade e da pureza. Entendia que a música deve nascer de impulsos absolutamente espontâneos. No jeitão introspectivo que cultivava, talvez quisesse apenas fugir de julgamentos como solista.

Abaixo, a versão acústica de “About A Girl” no MTV Unplugged, de 1993.

Pressão sobre Leão e Morínigo

POR GERSON NOGUEIRA

O Santa Rosa é o segundo adversário do Remo com Gustavo Morínigo no comando técnico do time. O primeiro foi o Trem do Amapá, quinta-feira, pela Copa Verde. A vitória expôs um time ainda desorganizado, mas muito lutador, como o torcedor gosta. Para o confronto desta tarde pelo Parazão, a expectativa é ainda maior – e a pressão também.

Sem mudanças na escalação, o Remo passou pelo Trem com dificuldades, sofrendo para sustentar um jogo estável e propositivo. Fez o primeiro gol, sofreu pressão, cedeu o empate e conseguiu garantir a vitória na segunda etapa, sem superar as falhas coletivas que tanto incomodam a torcida.

A princípio, o novo comandante não fez mudanças de ordem tática, nem teve tempo para isso. Confuso como nos tempos de Catalá, o time teve pelo menos um mérito reconhecido por todos: exibiu gana de vencer.

Para o duelo com o Santa Rosa, um time melhor que o Trem, o Remo de Morínigo precisará mostrar mais que a simples determinação em busca do resultado. Terá que apresentar alternativas de jogo, busca pelo gol e equilíbrio entre os setores.

Não pode conceder tanto espaço à frente da zaga, como na quinta-feira, defeito que o técnico paraguaio deve ter observado. A movimentação dos laterais precisa ser aperfeiçoada, com o suporte de volantes para ajudar a marcar quando o Remo não estiver com a bola.

O setor de meio-campo, com Henrique, Pavani e Jaderson, teve transpiração, mas poucas vezes conseguiu ser criativo como a partida exigia. Diante do Santa Rosa, no primeiro jogo das quartas de final, o Remo terá que se impor.

Talvez seja o maior desafio de Morínigo neste segundo compromisso à frente da equipe. O Remo na atual temporada poucas vezes teve o controle pleno de uma partida, talvez só na estreia contra o Canaã e diante do Águia.

Para seguir com chances reais de brigar pelo título estadual, o Leão terá que se reinventar e a hora de tomar uma atitude é agora.

Textor peita os donos (não assumidos) do futebol no Brasil

É incomum alguém afrontar os podres poderes do futebol brasileiro. Ninguém se atreve, todos temem retaliações. Os clubes, mesmo os que são regularmente assaltados por arbitragens em campeonatos da CBF, não ousam ir além de protocolares protestos que não resultam em nada.

Eis que surge um investidor amalucado, que não rasga dinheiro obviamente, mas com disposição para arranjar briga com gente grande. John Textor, o empresário que comanda a SAF Botafogo, não aceita até hoje a maneira como o clube foi garfado ao longo do Brasileiro 2023.

Sim, para muitos ele apenas reproduz o que virou marca da torcida botafoguense na visão dos adversários: chororô. Está claro que a revolta de Textor vai muito além disso. Quando o campeonato acabou, depois de uma pipocada monumental do Botafogo, ele deu uma guinada inesperada.

Foi ao STJD protestar contra o que considerou privilégios dados ao Palmeiras e parcialidade das arbitragens. Mostrou um relatório encomendado a uma firma de consultoria, mas o tribunal previsivelmente não ligou a mínima para seu esperneio.

Quando não se falava mais no assunto, ele reapareceu nesta semana ainda mais determinado a provar que há corrupção na arbitragem brasileira. Com isso, melindrou a tal Anaf (Associação Nacional dos Árbitros de Futebol), que costuma responder a críticas debochando do acusador.

Com Textor, o buraco parece ser mais embaixo. A Anaf já está pedindo o banimento dele, mesmo sem conhecer em detalhes a denúncia que o dirigente promete encaminhar ao STJD nos próximos dias. Ele avisa que tem áudios de árbitros se queixando de propinas não pagas.

O homem não está para brincadeira. Se estiver certo nas acusações que faz, vai aprontar a revolução que o futebol brasileiro precisa há tempos.

Bola na Torre

Giuseppe Tommaso apresenta o programa, a partir das 22h, na RBATV, com a participação de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Em debate, a rodada de abertura das quartas de final do Campeonato Paraense. A edição é de Lourdes Cezar.

Sobre as vaidades que sacodem o mundo da bola

O ambiente tranquilo que se instalou na Curuzu em face da grande campanha do PSC na primeira fase do Parazão foi ligeiramente abalado pelas declarações do técnico Hélio dos Anjos sobre o meia-atacante venezuelano Esli Garcia, logo depois do jogo contra o Rio Branco.

Hélio, com a eloquência de sempre, afirmou que não tinha gostado de algumas firulas do jogador ao longo do 2º tempo. Quando perguntado a respeito da simpatia que a torcida nutre por Esli, foi ainda mais incisivo.

“O torcedor gosta porque ele é estrangeiro e porque ele é pequenininho. Então ele é ‘bonitinho’, todo mundo acha graça dele. Mas ele fez algumas firulas que eu não gosto. Ele sabe disso”, disse.

Hélio vai de encontro aos sentimentos da torcida, que elegeu Esli como seu novo xodó. O comandante ainda acrescentou que, para ele, o jogador precisa ser frio. “Eu achei ruim com ele porque em duas jogadas ele não fez o que eu gosto que é ir para cima, porque ele tem um contra um muito bom”.

Não será o primeiro treinador a cismar com jogadores queridos pela torcida. Nos tempos de Corinthians, Vanderlei Luxemburgo vivia às turras com Marcelinho Carioca, mesmo quando não tinha motivos para isso.

O Botafogo viu o término do ciclo do ídolo Sebastian Loco Abreu ser apressado pela intransigência de Oswaldo de Oliveira, que só sossegou o facho quando o artilheiro pediu para sair. Nem precisa puxar tanto pela memória para entender quem foi mais importante para o clube.  

Algumas vezes, a pinimba é justificada. Noutras, o confronto de egos é injustificável e nada benéfico para o clube, que paga os salários de ambos. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 10)