
Segundo informações da delação premiada de Ronnie Lessa, incluída no relatório da Polícia Federal (PF), o delegado Rivaldo Barbosa teria orientado os assassinos de Marielle Franco para evitar que o crime ocorresse na saída da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Isso, segundo Lessa, visava manter as investigações sob a alçada da polícia local e não atrair a atenção da PF.
A delação aponta que Rivaldo Barbosa, que ocupava cargos importantes na Divisão de Homicídios e depois se tornou chefe da Polícia Civil, teria informado aos assassinos que realizar o crime na saída da Câmara dos Vereadores seria mais facilmente caracterizado como um “crime político” e, consequentemente, a investigação seria transferida imediatamente para a PF.
De acordo com Lessa, Edmilson da Silva Oliveira, conhecido como “Macalé” e suposto contratante dos assassinos de Marielle, afirmou que Rivaldo era “um deles”. Essas revelações sugerem uma estreita ligação entre o delegado e os executores do crime.
O relatório da PF ainda destaca que a garantia de impunidade em torno do assassinato de Marielle seria apenas uma das muitas transações ilícitas realizadas pela Divisão de Homicídios na época.
Há alegações de que as delegacias do Rio recebiam pagamentos mensais de propina pelas milícias, sendo que a Divisão de Homicídios teria recebido entre R$ 60 mil e R$ 80 mil por mês. “Isso quando não auferia uma remessa adicional em razão dos crimes que deixavam provas/rastros”, afirma o relatório da PF.
O delegado da Polícia Civil Rivaldo Barbosa, preso neste domingo em ação da Polícia Federal, contou com o aval de militares para avançar na carreira. Barbosa e os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão foram detidos em operação que investiga a morte da vereadora Marielle Franco, onde Domingos e Chiquinho foram os mandantes e Rivaldo apontado como responsável pelo planejamento.
O delegado Rivaldo Barbosa foi militar da Aeronáutica por 15 anos, em boa parte do tempo atuando na área de previsões meteorológicas. Entrou para a reserva em 2002, quando passou no concurso para delegado da Polícia Civil, segundo o jornal O Globo.
O delegado tomou posse como chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro por indicação dos generais Walter Braga Netto e Richard Nunes, respectivamente interventor da Segurança Pública no Rio de Janeiro durante o governo de Michel Temer e o secretário de Segurança durante o período.
Embora sua indicação tenha sido contraindicada pelo setor de inteligência da Polícia Civil, Barbosa teve o aval de Braga Neto para assumir o cargo na véspera do crime. Até então, ele chefiava a Delegacia de Homicídios.
Segundo o site G1, Barbosa foi o responsável pelo plano de inteligência e segurança dos Jogos Pan-Americanos de 2007, realizados no Rio de Janeiro, e em 2008 foi nomeado subsecretário de inteligência da Secretaria de Segurança durante a gestão Sergio Cabral. Ele ficou no cargo por quase três anos. (Com informações do Jornal GGN, Diário do Centro do Mundo, G1 e O Globo)