POR GERSON NOGUEIRA
Execução rara de “Lost For Words” ao vivo, na turnê Pulse (1994), com David Gilmour solando de cabo a rabo no violão acústico, um verdadeiro show à parte. O fraseado de cordas torna a canção ainda mais expressiva quando apresentada no palco, símbolo de um período de transição do Pink Floyd, ainda de ressaca pela briga que levou à saída de Roger Waters.
Eu estava gastando meu tempo na crise
Eu fui pego em um caldeirão de ódio
Me senti perseguido e paralisado
Eu pensei que todo o resto iria apenas esperar
Enquanto você está perdendo seu tempo com seus inimigos
Envolvido em uma febre de despeito
Além da sua visão de túnel, a realidade desaparece
Como sombras na noite
Escrita por David e a esposa, Polly Samson, “Lost For Words” (Sem palavras) sempre foi subestimada dentro da rica obra do Pink Floyd, talvez por não ter sido um hit instantâneo. Com o tempo passou a ser vista pelo que de fato é: “apenas” uma belíssima canção reflexiva dentre as melhores já compostas pela banda.
É a penúltima faixa do 14º álbum de estúdio do grupo, The Division Bell, produzido por Bob Ezrin. Os versos são reflexões amargas e profundas, com metáforas sobre o perdão, revisitando a tensa relação entre David e o ex-colega Waters.
Uma curiosidade: é a única canção do Pink Floyd que contém um palavrão – “But they tell me to please go fuck myself/You know you just can’t win” (Mas eles me dizem para, por favor, ir me foder/Você sabe que simplesmente não pode vencer“).
A turbulenta relação dentro da banda se acentuou nos anos 80, principalmente por razões financeiras e divergências quanto ao processo criativo. Roger Waters era o líder e a crise se acentuou com a frustração gerada pelo disco The Final Cut (1983). A separação definitiva viria dois anos depois, em meio a uma briga judicial pela propriedade do nome da banda.
Nos últimos anos, aconteceram momentos de reaproximação, mas de vez em quando o pau quebra de novo, apesar de Waters ter consolidado a carreira solo.
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