POR GERSON NOGUEIRA
Banda representativa do rock Brasil geração 90/2000, época de transição entre a explosão do gênero no país e a fase de decadência. Algumas boas bandas acabaram engolidas pelo viés de baixa do período. O CPM22 é uma delas, com alguns trabalhos decentes e pelo menos um hit de primeira linha: “Um Minuto para o Fim do Mundo” (do disco Felicidade Instantânea, 2005). Letra forte e urgente, rock vibrante, como nos bons tempos.
Formada em 1995 na cidade de Barueri (SP), a banda sofreu mudanças, mas o fundador Badauí segue nos vocais, junto com Luciano Garcia, Phil Fargnoli, Ali Zaher e Daniel Siqueira. Contemporâneo do Charlie Brown Jr., o CPM22 amargou a resistência de quem via no rock sinais de total paralisia. É fato também que a indigência criativa de vários grupos contribuiu para a má fama das novas bandas – como NX Zero, LS Jack e outras bombas, turma famosa pelo excesso de pose e a pobreza de talento.
Um aspecto curioso marca a cena roqueira no Brasil. Quem aprendeu a curtir rock nos anos 80/90 com Legião Urbana, Barão Vermelho, Titãs, Paralamas, Plebe Rude 7 cia. sofre um choque ao ouvir o trabalho das gerações posteriores. Pitty, Los Hermanos, Skank e Raimundos foram honrosas exceções, fazendo discos de qualidade e obtendo sucesso. O CPM22 enfrentou estoicamente o azedume da crítica, mas sobreviveu com certa dignidade.