Empate e acomodação

POR GERSON NOGUEIRA

A única boa notícia do empate obtido pelo Papão ontem à noite, dentro de casa, contra um adversário limitado e desfalcado, foi a confirmação matemática da permanência do Papão na Série B. Nenhum outro aspecto do jogo foi agradável ou positivo para o time de Dada Cavalcanti.

O Papão se comportou no primeiro tempo e em boa parte do segundo dando a nítida impressão de que já se despediu dos compromissos com a competição. Foram inúmeros os lances de jogadores correndo para não chegar e de desatenção na cobertura, erro próprio de times acomodados.

O gol de Fernando Caranga, aos 31 minutos, nasceu de um desses muitos descuidos. A bola foi roubada pelo Paraná no meio-campo e lançada em profundidade para o centroavante, que deixou os zagueiros para trás e esperou Emerson sair para chutar para as redes.

Não que o gol fizesse justiça à movimentação dos times. Até aquele momento, o Paraná merecia estar vencendo por diferença mais ampla, tal a distração dos laterais e meio-campistas do Papão. A exceção era o novato Cleyton, o mais lúcido do ataque, rápido e empenhado em buscar jogadas pelo lado esquerdo.

unnamedA situação na tabela, que não representa mais riscos e nem estimula ambições maiores, pode ser um dos fatores a pesar no desempenho da equipe. O problema acabou agravado pelo anúncio feito pela diretoria, ao final do jogo contra o Sampaio Corrêa, passando o bastão para o futuro presidente, Sérgio Serra.

O gesto foi elogiado e é representativo da harmonia existente no clube, mas, ao mesmo tempo, pode ter desencadeado um processo de desligamento por parte dos jogadores.

Grande parte pode ter entendido o posicionamento dos dirigentes como o sinal de que o elenco começaria a ser desmanchado. Como, de fato, foi. Coincidência ou não, a partir do jogo contra o Sampaio, o Papão não venceu mais.

Diante do Paraná, a pasmaceira se manifestou logo de cara. Uma sequência de ataques do visitante quase resultou em gol, obrigando Emerson a três defesas difíceis. A zaga não acertava na saída de bola e os homens de meio pareciam absortos, pensando longe. Nem Tiago Luiz, grande destaque do time no segundo turno, salvou a noite.

Quem iria evitar o mico de perder para Roberto Fernandes em plena Curuzu seria o pouco valorizado Raí, que disparou um chute perfeito em cobrança de falta, já aos 33 minutos da etapa final. A bola entrou na gaveta direita da trave do Paraná. Golaço.

Agora, após bater cabeça nas últimas rodadas, é pouco provável que o Papão siga com as experimentações nos jogos que lhe restam na competição. Por exemplo, é fato insofismável que Rivaldinho, titular nos três últimos confrontos, não pode barrar Leandro Cearense – nem mesmo por força de contrato.

As mudanças seguidas no time têm seu peso no rol de motivos para o mau desempenho diante de Sampaio (mesmo vencendo), Londrina e Paraná. Além do clima geral de fim de festa que baixou na Curuzu, as mexidas feitas por Dado ajudaram a deixar a equipe ainda mais instável e pouco objetiva. Algo precisa ser feito para que a campanha termine de forma menos melancólica.

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URT anuncia ex-azulino como grande reforço

A notícia mais surpreendente do dia vem de Minas. O URT anuncia, com pompa e circunstância, sua mais ambiciosa contratação para a temporada 2017: Allan Dias, o mesmo que passou pelo Remo sem deixar saudades, participando da Copa Verde e da Série C, sempre com atuações muito criticadas.

Segundo a assessoria do clube mineiro, o objetivo é montar um time jovem e cheio de garra. Espantoso é ver Allan Dias como a principal referência do elenco. O comunicado à imprensa destaca que “a contratação vinha sendo feita a portas fechadas, mas hoje foi finalmente anunciada pela diretoria”.

Ao que parece, a diretoria do URT temia que algum outro incauto atravessasse o caminho e lhe roubasse o cracaço Allan Dias. Coisas do futebol.

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Dragão já é campeão e Vasco corre sério risco

A 35ª rodada da Série B, fechada ontem, praticamente garantiu o Atlético Goianiense como campeão e oficializou a queda de Sampaio e Tupi. Ao mesmo tempo, adicionou tempero à acirrada disputa pelas três vagas restantes para o acesso à Primeira Divisão.

Bahia, Vasco e Avaí, com 59 pontos, irão brigar até o último minuto da rodada final, tendo a persegui-los Náutico (57), CRB (55) e Londrina (54). O dado mais surpreendente é a enrascada em que se meteu o Vasco de Jorginho, que ontem se complicou em S. Januário empatando com o Luverdense. Em franco declínio, o Almirante corre sério risco de não subir.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 09)

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