Trapalhada salva o Papão

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Por Gerson Nogueira

Foi um jogo novamente estragado pelas terríveis condições do campo. Os jogadores tinham que correr desviando das poças, o que exige habilidade extra. Apesar desse transtorno, o time da casa terminou castigado, sofrendo um gol nos acréscimos por responsabilidade exclusiva do goleiro, que saiu errado e deu um presente nos pés do atacante Lima. Oportunista, o artilheiro não perdoou e fez seu sétimo gol em sete jogos.

Pelo costume de jogar na Arena Verde, o time da casa saiu em vantagem, explorando melhor as jogadas e sendo mais agressivo em boa parte do primeiro tempo. O Paissandu, novamente cheio de volantes, encontrava enorme dificuldade para se impor, abandonando a transição normal pelos chutões.

Na prática, apenas em três jogadas o time mostrou a desenvoltura exibida diante do São Francisco no último domingo. Pikachu, investindo com a bola na diagonal em direção à área, foi desde sempre a melhor alternativa, mas o restante da equipe se deixava dominar pela burocracia. Aírton, que vinha bem nos últimos jogos, ficou muito recuado.

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Curiosamente, apesar de três homens vigiando constantemente a linha de zagueiros, o Paissandu passava sufoco quando o PFC chegava em velocidade. A correria imposta pela equipe de Cacaio só não surtia resultado devido à solidão de Lourinho, o mais perigoso dos avantes.

unnamed (89)Mais técnico, o Paissandu tocava a bola lentamente, sem maior inspiração e aparentemente satisfeito com o falso domínio territorial. A história mudou no segundo tempo, quando, resoluto, o PFC se lançou com mais agressividade.

O gol de Paulo de Tárcio aos 25 minutos confirmou a melhor produção do Paragominas e teve o condão de despertar o Paissandu, que acelerou as jogadas, embora mantendo a tática preferida de Mazola quando enfrenta times fechados: jogar bolas na área esperando que alguém aproveite.

Essa aposta no acaso não daria certo, como não deu diante do Independente, mas aí o inacreditável aconteceu, premiando a persistência e o bom posicionamento do goleador. Jogo empatado porque o mau futebol não merecia que alguém cantasse vitória no final.

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Excesso de força no meio

Quando se analisa o Paissandu de Mazola Junior é comum enaltecer a objetividade do time, visível (e decisiva) nas atuações frente ao Remo e ao São Francisco. Ocorre que, diante de times que se posicionam com até oito jogadores atrás da linha da bola, o ritmo muda.

Ontem, em Paragominas, contra um adversário que saía somente em contra-ataques e explorava a saída em velocidade, o Paissandu voltou a sofrer para jogar. Com cinco homens no meio, não havia ninguém capaz de organizar as jogadas por ali.

Falta um meia-armador, um camisa 10 que arrume o setor de meia-cancha e distribua o jogo. Djalma se esforça, corre muito, mas pensa pouco. Pikachu, por ser o mais técnico jogador do time, é também o mais prejudicado. Solitário, pouco pode produzir. (Fotos: ANTONIO CÍCERO/Bola) 

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unnamed (59)A batalha do Parque do Bacurau

O Remo, que festejou ontem seus 109 anos de existência, depende de seus atacantes para sair da crise e manter o técnico Charles Guerreiro. O jogo contra o Cametá tem todos os ingredientes que tornam o futebol dramático e imprevisível.

O tropeço em Paragominas obriga os azulinos a buscarem a vitória. Novo revés provocará mudanças radicais no Evandro Almeida, mesmo que o presidente Zeca Pirão insista em prestigiar Charles.

A noite vai pôr à prova a eficácia de um time que alternou bons e maus momentos no campeonato e tem a folha mais salgada de todas, girando em torno de meio milhão de reais.

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Onde estava Wally?

Botafoguenses do mundo inteiro buscam, desde ontem, descobrir onde se metia esse prodígio de atacante que recuperou a alegria ao vestir a camisa alvinegra. Em três lances, exibindo variedade de repertório, Wallyson acabou com a retranca equatoriana. Um achado. Hábil e veloz, o ex-cruzeirense encaixou bem ao lado de Lodeiro, Jorge Wagner e Hyuri.

Que estreia!

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 06)

15 comentários em “Trapalhada salva o Papão

  1. Uma excelente imagem do jogo, máxime quanto às circunstâncias do gol de empate.

    Quanto ao esquema listrado, nada obstante os três volantes, e a carência de um armador de ofício, é de se admitir que o rival é um time que procura o gol, na maioria das vezes com o Lima, mas, sempre que necessário e possível, se servindo de outras opções.

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  2. Vou esperar o jogo no Mangueirão, pra ver se o PFC é tudo isso… Na minha opinião, achou o gol, numa bobeira do Djalma e, aí sim, após o gol, imprimiu mais correria desenfreada e foi pro abafa… Mas mesmo assim, Papão, mesmo com seu meio campo todo cansado, chegou ao empate… Na verdade, foram 2 trapalhadas, a do Djalma e a do Paulo Wanzeller..

    Penso que o Remo perde em Cametá, e empata no Mangueirão.. É só um palpite..

    É a minha opinião.

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  3. Gerson, confesso que não vi tal domínio doo PFC. Mas, devo concordar que o PSC praticava um futebol apenas burocrático, com seus três volantes. Na verdade, as poucas chances de gol só acorreram após o gol do PFC. Quanto ao PSC, este sequer criou oportunidades, o gol caiu do Céu, ou melhor, das mãos de Paulo Wanzeler.

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  4. Sobre o esquema de Mazola, penso duas coisas:
    1) Série C, e mesmo a B, é mais força do que técnica. Logo, Mazola quer um esquema que explore a objetividade, a famosa uma bola. Particularmente não gosto, mas futebol é resultado. Em síntese, Mazola já está montando um esquema para a Série C (ou B se houver virada de Mesa).

    2) Penso que com jogadores mais qualificados, Mazola possa achar o equilíbrio ideal entre marcação e ofensividade. O PSC carece do meia armador. Isto é fato.

    Em síntese, espero e desejo que dê certo.

    Bom dia!

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  5. Rapaz, mas como esse negócio de um dia após o outro é verdade, né?

    Falaru, falaru, falaru do gol do Alex Juan no Alencar Bau, que era um absurdo, que blá blá blá…

    Foi lá o Wanzeler e fez o que fez….

    Agora vão comer abiu, quer ver?

    Agora, Gérson, você não acha que o script montado pra este ano é requentado do ano passado, só que invertido?

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  6. Gerson, libera o primeiro comentário. E viva a alegria pelo seu Fogo conseguir a vaga na fase principal da libertadores. Bota é famoso por produzir craques, tal qual o Santos, para o futebol brasileiro.

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  7. discordo bastante da coluna pois não tem como criticar o setor de armação, tanto de um time quanto do outro.

    penso que não existe no mundo um meio campo que conseguiria armar o jogo naquele meio de campo alagado de ontem.

    nem o iniesta seria capaz de tamanha proeza.

    conduzir, botar a bola no chão e armar as jogadas naquele meio campo é impossível, por isso a bola passava de uma lado do campo pro outro.

    sem opções o que restou ao papão foi correr pelas laterais do campo o que facilitou muito o trabalho do paragominas que conseguia encurralar os jogadores do paysandu.

    no mangueiraão a conversa vai ser diferente.

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  8. Definitivamente jogar no interior, Cametá, Paragominas e Tucuruí tá dificil, pois a chuva não dá tregua e a qualidade do espetaculo fica comprometida.

    Por isso o papão tem ido na força bruta.

    Aqui no mangueirão o time se solta e tem jogado um futebol mais vistoso, mesmo com 2 ou 3 volantes.

    O que tem funcionado no papão são os dois lados, do meio ainda não podemos esperar muita coisa, mas pra quem tem um Pikachú & Djalma e Helinton & Airton, com o Limatador no ataque, só precisa de um bom gramado, pois o meio tá fechado e a zaga tem feito bem o seu papel, sem falar no goleiro que quando foi cahamdo fechou a sua meta.

    Não estou dizendo que temos um time perfeito, mas pro parazão hoje o papão é um time a ser batido.

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  9. Ontem não tenho muito o que criticar pois com as condições do gramado só no chutão mesmo!
    As bolas alçadas em demasia é que me preocupam principalmente quando pegam a zaga de frente facilitando o trabalho desta.
    Realmente precisamos de uma cabeça pensante no meio campo, mas quando não tem tu, vai tu mesmo, já diziam os meus avós.
    O esquema ensaiado durante o parazão, penso eu, que será o utilizado pelo Paysandú nas demais competições, como futebol é antes de tudo coletividade, nada melhor que entrosar bastante o time mesmo sem peças de qualidade diferenciada.
    O time é guerreiro e e podemos até pensar que os esquemas de 2013 mudaram de lado, apenas vejo que há uma diferença deste Paysandú para o time remista do ano passado, nós não temos jogadores arrogantes no nosso plantel, exemplo bicolor, o artilheiro Lima que mesmo estando isolado na artilharia mantém a simplicidade e busca sempre melhorar mais. Ano passado quando o Paysandú foi derrotado no primeiro rexpa, a arrogância remista era vista pelos gestos de alguns jogadores e a vingança veio a cavalo com a perca do turno , do título e da vaga na série D.
    De fato o Paysandú não é o time dos sonhos mas só o fato de vê-los brigar metro a metro do gramado nos passa o alento de que teremos um time de guerreiros bem diferente do arremedo de time que nos representou na série B do ano passado!
    É a minha opinião!

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  10. Miguel Angelo 1967, tenho a mesma preocupação que manifestas, em se tratando de cruzamentos para os atacantes tentarem as finalizações, nossos jogadores demonstram não conhecer esse fundamento, pois só fazem alçar bolas na pequena área, de forma aleatória, aí ou o goleiro agarra, e ou rebate, então a zaga espana; quando desde os tempos de grade, nós peladeiros, sabemos que os cruzamentos visam colocar a bola nas costas da zaga, eliminando a possibilidade do goleiro de qualquer forma alcançá-la, penso que falta treino

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