A “ordem” e a Operação Joaquim Barbosa

Por Rodrigo Vianna

Quando o presidente do STF mandou prender os condenados do “Mensalão” (só alguns, claro) no dia 15 de novembro, eu escrevi que ali se iniciava a “Operação Joaquim Barbosa”. Era um lance calculado, era uma ação clara de marketing político, um sinal mais do que evidente de que se preparava uma candidatura. De que candidatura falamos? Alguém que atue (ou finja atuar) ”por fora” dos partidos políticos, com um discurso “justiceiro”, indignado e (falsamente) moralista.

Claro que, para os setores tradicionais da oposição (FHC, PSDB, DEM), uma candidatura dessas a princípio não interessa. FHC já berrou contra. Depois, desistiu. Eles se acertam sempre, por cima. E há mais gente manobrando e articulando na oposição. O consórcio midiático, que opera sob coordenação (inclusive política) de seu núcleo mais forte instalado no Jardim Botânico, pode apostar numa terceira candidatura de oposição.

BarbosaClaro que, para os setores tradicionais da oposição (FHC, PSDB, DEM), uma candidatura dessas a princípio não interessa. FHC já berrou contra. Depois, desistiu. Eles se acertam sempre, por cima. E há mais gente manobrando e articulando na oposição. O consórcio midiático, que opera sob coordenação (inclusive política) de seu núcleo mais forte instalado no Jardim Botânico, pode apostar numa terceira candidatura de oposição.

(se alguém tinha dúvidas sobre a candidatura, a decisão desta terça-feira de Barbosa – suspendendo o despacho de Lewandovski que permitia a José Dirceu ter o pedido de trabalhar fora da cadeia atendido – deixa tudo ainda mais nítido; Barbosa não perde nenhuma oportunidade de fixar-se como o anti-PT, sabe que isso vai garantir-lhe uma avenida aberta junto ao público de classe média, influenciado pela velha mídia)

Os tumultos na rua, o clima de “esfola e mata” que se vai criando em setores da classe média, e – por último – a capa da revista “Veja” (Civilização e Barbárie) apontam nesse sentido. É a pauta da “ordem”! Essa é a pauta que Joaquim Barbosa pode encampar.

Na semana passada, tive a satisfação de participar – como entrevistador – do Programa Contraponto (do Sindicato dos Bancários e do Barão de Itararé – veja aqui, na íntegra), e fiz exatamente essa pergunta ao entrevistado Franklin Martins (ex-ministro da SECOM no governo Lula, estrategista de comunicação de Dilma): “o quadro eleitoral já está definido, com Dilma, Eduardo e Aécio, ou há espaço para um quarto nome?” – foi minha indagação.

Janio-235x178Lembrei o caso das eleições de 1960: depois de apanhar 3 vezes nas urnas, com um discurso moralista e antitrabalhista parecido com a pregação atual de PSDB-DEM-Veja-Globo, a UDN cansou e foi buscar um nome “por fora” do quadro tradicional. Janio, com seu moralismo barato, subiu na vassoura e ganhou no voto. Franklin Martins disse que não acredita numa candidatura como essa em 2014: “Salvadores da pátria só funcionam em momentos de enorme confusão econômica; foi assim em 1960 (governo JK havia terminado com inflação em alta), foi assim com Collor em 89, e foi assim com  cabo Hitler eleito na Alemanha num momento de grave crise“, lembrou o ex-ministro de Lula.

Concordo, em parte, com Franklin Martins. De fato, a oposição teria chances reais se a economia naufragasse. Por isso, segue a torcida contra dos urubulinos na mídia. Mas parece que perderam essa batalha. Aécio seria o candidato para comandar a oposição num momento de crise econômica. Do lado dele, está a turma de economistas que defendem a volta do modelo tucano dos anos 90: cortes, recessão, redução do papel do Estado. Eduardo é uma candidatura mais audaciosa. E pode prosperar numa situação como a atual: a economia não naufraga mas anda de lado. Eduardo reconheceria os avanços sociais de um governo do qual fez parte, mas propondo ajustes.

O problema é que: Eduardo tem um discurso mais coerente para o momento atual, só que não tem palanques regionais; já Aécio tem palanques regionais, mas parece “falar para o passado” – como diz Franklin. Os dois sozinhos não seriam sequer capazes de levar a eleição ao segundo turno. Seria ingênuo imaginar que a oposição (midiática, e que opera em clara parceria com atores internacionais) vai assistir do sofá o lulismo ganhar pela quarta vez. E ainda mais com vitória no primeiro turno. Não. Eles vão para o tudo ou nada.

Prepara-se no país a pauta do “caos”, para que desse caldo de cultura prospere uma candidatura da “ordem”. Militantes experientes, lideranças sindicais e atores políticos com a bagagem de Franklin Martins seguem a apostar que Joaquim Barbosa não será candidato. “Não faria sentido, ele se exporia demais”, disse-me um velho conhecedor da política. Pois, há pelo menos 3 meses, aposto no sentido contrário. Joaquim Barbosa é o tipo do ator que não age pela lógica convencional. Se o fizesse, ficaria quieto no STF. Lula, pelo visto, já percebeu que é preciso tirar Barbosa da toca. Agora. 

Barbosa, tenho insistido desde novembro, pode sair do STF entre abril e maio, dizendo que já cumpriu sua missão moralizadora, e oferecendo seus serviços para os “brasileiros cansados da corrupção e da desordem”. Barbosa terá que se filiar a um partido logo em maio ou junho – mas poderá depois avaliar, esperar, analisar o quadro que brotará das ruas no pós Copa do Mundo. Se as manifestações (por motivos muitas vezes justos, diga-se) forem infladas a ponto de criarem um clima de ”desordem” e “anomia”, o vingador do STF poderá decidir-se pelo salto mais arriscado: a candidatura presidencial. Um plano “B” seria candidatura ao  Senado pelo Rio – mantendo-se na tribuna e sob os holofotes.

A oposição não perde nada se apostar em três candidatos: Aécio (mesmo sem crise econômica) é candidato para ao menos 20% ou 25% dos votos (sairá forte de Minas e vai grudar em Alckmin e Richa para conquistar seus votos entre a oposição tradicional ao petismo); Eduardo corre por fora (tentando recolher os votos dos “descontentes mas nem tanto”) e também é candidato para 15% ou 20% dos votos. Mas para garantir segundo turno seria preciso algo mais. Se a pauta da “ordem” vingar, Joaquim Barbosa virá para o combate. Sim!

Para os tucanos, o ideal seria um Barbosa virulento, mas sob ataque (e ele tem telhados de vidro aos montes). Assim, não cresceria demais, fazendo apenas algum estrago na votação de Dilma, para garantir o segundo turno. A Globo, a Veja e os tucanos (com seus aliados fora do Brasil) não aceitarão Dilma forte a ponto de ganhar no primeiro turno. Nem o PMDB quer isso. A elite quer uma Dilma fraca, que não possa enfrentar bancos nem baixar juros, e que se renda à agenda liberal. Barbosa pode ser uma ferramenta para isso. A Operação segue em vigor. E a capa de “Veja” é mais um sinal.

O perigo é o vingador sair do controle, atropelar a oposição e tornar-se sozinho um fenômeno eleitoral. Não acho impossível. Hoje, eu apostaria que a direita velhaca (sob comando e a reboque da mídia velha) vai avançar com a pauta do “caos” e da barbárie, para deixar uma avenida aberta ao terceiro candidato da oposição. A Democracia brasileira terá que mostrar muita maturidade para enfrentar os golpes que virão da oposição e da imprensa (inclusive internacional)  oferecendo aos eleitores sua “dose diária de fel, ressentimento e raiva” – na definição precisa de Franklin Martins.

9 comentários em “A “ordem” e a Operação Joaquim Barbosa

  1. a ex-senadora marina da silva declarou que será vice na chapa de eduardo campos para concorrer à presidencia do brasil em outubro e será oposição à dilma.

    Logo aparecerão aqui no blog posts detonando a ex-senadora.

    será a próxima vitima dos PTralhas na internet.

    observem q os ataques são sistemáticos e organizados a todos aqueles que ameaçam o projeto de poder da companheirada.

    O PT montou um esquema pesado no mundo digital e tá muito organizado na NET

    Curtir

  2. Os vermelhinhos que são contras as “zelites” , mas que jantam nos melhores restaurantes de Lisboa, que tem sua “presidenta” hospedada em Lisboa com diária ao custo de R$26mil estão nervosos, atiram para todos os lados, e ainda repetem o velho e cansado discurso de que a culpa pelos problemas do Brasil é da direita, é do PSDB, é do FHC, agora atiram em JOAQUIM BARBOSA, outro dia dia quando aconteceu um apagão do sudeste do pais, culparam um raio, e olha que a “presidenta” certa vez mandou GARGALHAR na hipótese de alguém dizer que um raio causou apagão. Eis que o governo Dilma agora diz que… FOI UM RAIO o causador do apagão. Te contar!!!

    Curtir

  3. Interessante que esse articulista NÃO cita os black blocs, agora desmascarado pelo cara que acendeu o rojão que matou o cinegrafista da Band, esses caras são financiados para participar das manifestações e são, inclusive, municiados pelo movimento, agora, SÓ AGORA, sob investigação da PF para identificar os financiadores, como se não soubesem, “me engana que eu gosto PF! não à toa, o primeiro político da lista é o PSOLista Marcelo Freixo, deputado estadual do RJ, e qual é a VERDADE QUE AFLORA? a cumpanheirada financia esse movimento, para desestabilizar aliados (Sergio Cabral/PMDB, governo do RJ), ELES querem o RJ e adversários (Alckmin-PSDB/SP) ELES não abrem mão, querem governar S. Paulo, tanto é, que nesses Estados, as manifestações são tão mais violentas, ou entendem que é só lá que o preço da passagem de ônibus aumenta? Caras, a população brasileira, mudou o perfil, NINGUÉM MAIS É DESLUMBRADO, somos agora, TODOS, cidadãos conhecedores da realidade, sabemos quem é quem, sabemos também, dessa MILITANCIA REMUNERADA, e se o negão quiser se candidatar é direito dêle.
    A peçonha, é uma das características dessa imprensa vermelha, a arrogância é outra, e eles são tão caras de pau, que tentam passar para algum desavisado, que a atuação de Barbosa à frente do STF é uma estratégia da elite endinheirada, se eleito for, É GOLPE, no entanto, eles avisam “Lula, pelo visto, já percebeu que é preciso tirar Barbosa da toca. Agora”.
    Preparemo-nos então Brasileiros, aí vem baixaria de toda sorte, não existe mais nível, aliás, onde reina o PT, tem muita desfaçatez, a moralidade é incompatível!!

    Curtir

  4. Reproduzo aqui a carta de um leitor, publicada em um Jornal do Rio de Janeiro: – ‘Estou cansado de ver oportunistas manipularem pessoas, usando a religião e a política para ganhar dinheiro fácil e poder. De ver tantas mortes e acidentes em estradas esburacadas, perigosas e mal conservadas. De ver políticos jogando pretos contra brancos, empregados contra patrões, pobres contra ricos, incentivando o preconceito e botando lenha na fogueira da luta de classes. De ver ministérios inúteis, criados para acomodar companheiros, no esquema do toma lá dá cá. Estou cansado da carga tributária de 37,5% do PIB, uma das mais altas do mundo, com quase nenhum retorno. De ter medo de sair à rua, apavorado com bala perdida, assalto e arrastões. Do trânsito e do transporte público sempre infernais. De ver políticos e governantes zombarem da nossa inteligência. Da educação cada vez mais desvalorizada. Estou cansado de muitas coisas, mas, principalmente, de ver a mediocridade tomando conta do país. Rubem Paes, Niterói, RJ’ . Esta é a carta que muitos brasileiros escrevem neste momento em Belém,Ananindeua, Fortaleza, São Luis, e tantas outras cidades brasileiras.

    Curtir

  5. Eu fico imaginando se o PSDB e o DEM estivessem no poder até hoje. Na verdade, tenho até medo de imaginar. A extrema direita e parte da classe média medíocre do país não engole o fato dos pobres poderem ter mais acesso a riqueza da nação. Corrupto, é o sistema que contamina os partidos. Não existem santos, mas existem os que ainda se importam com quem realmente precisa de mais atenção na administração pública.

    Curtir

  6. Eu fico me perguntando como está a economia do Brasil ? quando eu vejo uma filha de peixeiro indo para a Disney comemorar 15 anos e um casal de vendedor de Pastel na praça com um Corolla.

    Curtir

Deixar mensagem para cidadão kane Cancelar resposta