Bancada da direita na Câmara aprova projeto que reduz pena de Bolsonaro

Em uma sessão marcada por confusão e agressões, inclusive à imprensa, a Câmara aprovou na madrugada de hoje, por 291 votos a 148, o chamado PL da Dosimetria, que reduz as penas dos condenados pela trama golpista que culminou nos atos de 8 de janeiro de 2023 e beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). De autoria do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), o texto, que segue para o Senado, não prevê anistia e determina redução das penas de acordo com o tipo de condenação. Caso os senadores aprovem a proposta, Bolsonaro terá a pena de 27 anos e três meses reduzida, segundo estimativas, para 13 anos, com direito a progressão do regime fechado em dois anos e quatro meses.

A votação da dosimetria, que não havia sido comunicada ao governo, seria parte de um acordo do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para cassar os mandatos de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por faltas, Carla Zambelli (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), ambos condenados pelo STF e Glauber Braga (PSOL-RJ) por agressão a um colega. As punições devem ser decididas até o início do recesso parlamentar, que começa no próximo dia 23. (UOL)

Confira como votou cada deputado. (Poder360)

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) afirmou que o PL da Dosimetria deve ser votado nos próximos dias na Câmara Alta. O anúncio, feito em plenário, provocou reação imediata do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Otto Alencar (PSD-BA). “Se chegar amanhã, amanhã mesmo vou designar um relator para discutir o tema. Mas não para chegar e votar imediatamente”, disse Alencar. Senadores avaliam que a mobilização em torno do tema é pequena, mas Alcolumbre disse ter compromisso de pautar o tema caso a Câmara o aprovasse. “Se a Câmara deliberar, o Senado deliberará. Este ano ainda”, afirmou, antes do fim da sessão na Câmara. (Folha)

A noite de terça-feira foi intensa mesmo antes da votação do PL da Dosimetria. Ameaçado de cassação, Glauber Braga ocupou a cadeira da Presidência da Câmara por mais de duas horas em protesto. A ação interrompeu os trabalhos do plenário e levou Hugo Motta a determinar sua retirada imediata pela Polícia Legislativa. Em nota nas redes sociais, Motta afirmou que a ocupação “desrespeita a Câmara e o Poder Legislativo” e classificou o ato como extremista. (g1)

A Polícia Legislativa impediu o trabalho de profissionais de imprensa que faziam a cobertura da tentativa de Glauber Braga de obstruir os trabalhos da Casa. Depois que Motta exigiu que ele fosse retirado da mesa, agentes resolveram expulsar repórteres do plenário e das galerias para que não houvesse registro do momento em que o parlamentar fosse retirado da cadeira. No momento em que policiais se preparavam para retirar Glauber à força, os sinais da TV Câmara foram cortados e a programação foi interrompida. Nas redes, Motta negou responsabilidade pela agressão aos jornalistas e disse ter determinado a “apuração de possíveis excessos em relação à cobertura da imprensa”. (Globo)

Enquanto isso… A defesa de Jair Bolsonaro apresentou ao STF um pedido para que o ex-presidente passe por uma cirurgia em até uma semana para tratar uma hérnia inguinal unilateral. Os advogados pedem também que, após o procedimento, Bolsonaro seja transferido para prisão domiciliar por “razões humanitárias”. (g1)

CHANTAGEM

O Senado mandou nesta terça-feira “recados” ao STF, com o qual está em atrito desde que uma liminar do ministro Gilmar Mendes alterou as regras para o impeachment de integrantes da Corte. Os senadores aprovaram a inclusão na Constituição do marco temporal para demarcação de terras indígenas — só podem ser demarcadas terras ocupadas de forma permanente em 5 de outubro de 1988. A tese já havia sido considerada inconstitucional pelo Supremo. Paralelamente, a CCJ do Senado começa hoje a discutir a atualização da lei do impeachment.

O relator Weverton Rocha (PDT-MA) deve concordar com Gilmar Mendes e exigir apoio de dois terços do Senado (54 votos), e não de maioria simples, para autorizar a abertura de processo contra ministros do STF, mas autorizar partidos, sindicatos e a OAB a apresentarem denúncias contra os magistrados, o que Gilmar atribui exclusivamente à Procuradoria-Geral da República. (g1)

Do Canal Meio

Glauber: “Perdemos uma batalha, mas não saímos do campo de luta”

Agora, plenário decidirá se o deputado perde o mandato. São necessários 257 votos para cassação

Do Jornal GGN

O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) reagiu com indignação à decisão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que rejeitou nesta terça-feira (29), por 44 votos a 22, o recurso que tentava barrar o avanço do processo de cassação de seu mandato. “Nosso recurso foi rejeitado na CCJ e a matéria agora segue para o plenário. Perdemos uma batalha, mas não saímos do campo de luta. Não vão nos calar. Vou sustentar nossa defesa com firmeza, apresentar todas as razões que nos movem e seguir mobilizando com força! Seguimos firmes!”, escreveu o parlamentar em sua conta na rede X (antigo Twitter).

Com a decisão, caberá ao plenário da Câmara dar a palavra final sobre a cassação. Para que o mandato seja revogado, são necessários pelo menos 257 votos favoráveis entre os 513 deputados. Caso esse número não seja alcançado, o processo será arquivado. O presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a votação não será pautada de imediato e garantiu um prazo de ao menos 60 dias para que Braga apresente sua defesa.

O recurso rejeitado pela CCJ contestava a legalidade do rito adotado pelo Conselho de Ética, que aprovou o parecer do relator Paulo Magalhães (PSD-BA) e recomendou a cassação de Braga por quebra de decoro parlamentar, em razão de um incidente ocorrido em abril de 2024, no qual o deputado empurrou um militante do Movimento Brasil Livre (MBL), após ser xingado nos corredores da Câmara.

Na defesa, Glauber argumentou que houve “inconstitucionalidades, antirregimentalidades, abusos, nulidades e ilegalidades” ao longo da tramitação no Conselho, além de ter questionado a isenção de Magalhães, a quem acusou de conduzir o processo com parcialidade.

Em protesto contra o avanço da ação, o parlamentar realizou uma greve de fome que durou mais de uma semana. Em entrevista à TV GGN 20 Horas, conduzida pelo jornalista Luís Nassif, Glauber afirmou que o processo é uma retaliação orquestrada pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em resposta às denúncias feitas por ele sobre o chamado “orçamento secreto”.

Remo compromete preparação

POR GERSON NOGUEIRA

A demora na contratação de um técnico e, por conta disso, o atraso na busca por novos reforços começam a angustiar a torcida azulina, preocupada com o pouco tempo que resta até a estreia do Remo no Brasileiro da Série A, que começa no dia 28 de janeiro.

Até o momento, o clube renovou com atletas remanescentes da Série B, como Marcelo Rangel, Ygor Vinhas, Marcelinho, Pavani e Sávio. As novidades são o atacante Alef Manga e o volante Patrick de Lucca, confirmados pela diretoria.

Há negociação avançada com o meiocampista Matheus Bianchi, ex-Mirassol, e com outros jogadores de clubes da Série A, cujos nomes não são revelados pela diretoria. É muito pouco para um clube que está de volta à Primeira Divisão após três décadas de espera.

As dificuldades impostas pelo mercado do futebol são de amplo conhecimento. Era previsível que o Remo tivesse que lutar para conseguir reforços de qualidade. A Série A 2025 terminou domingo e até o momento não há informação sobre jogadores garantidos para a campanha azulina.

Torcedores cobram mais agilidade por parte do executivo de futebol, Marcos Braz, profissional experiente que o Remo foi buscar em 2025 e é considerado um dos responsáveis pelo trabalho que conduziu ao acesso.

O problema é que as leis que movem o futebol são dinâmicas e não perdoam os que dormem. Os contratados Alef Manga e De Lucca são jogadores de Série B e, quando muito, irão compor elenco. Manga vem de duas temporadas perdidas, sendo que em 2025 foi terceiro reserva no Avaí.

Todas as expectativas se concentram na movimentação do Remo nas duas próximas semanas, antes da virada do ano. Quando janeiro chegar, é preciso que novos jogadores estejam em Belém para que seja possível iniciar a preparação para o duríssimo desafio do Brasileiro.

O fato mais preocupante é a demora na contratação de um técnico. Guto Ferreira, responsável pelo acesso, foi descartado após divergências nas negociações. Em seguida, o clube mergulhou em sondagens que não resultaram em nada. Renato Gaúcho e Cuca foram procurados, mas não se mostraram interessados.

A partir de agora, a corrida é contra o tempo. 

Começa o lobby para botar Neymar na Copa

A mídia trepidante do Sudeste já se assanha toda com sinais ainda discretos de recuperação de Neymar para o futebol. Fez gols e algumas firulas contra o Sport e o time reserva do Cruzeiro. Nada disso impediu a constrangedora babação de ovo dos canais esportivos em torno do ex-camisa 10 do escrete.

Apesar de resistir à condição de veterano, Neymar sustenta o orgulho e o ego inflado como armas para pressionar Carlo Ancelotti a convocá-lo para o Mundial. Até Tite reapareceu para encher a bola do atacante santista, colocando-o no pedestal dos insubstituíveis.

É óbvio que Neymar passa longe do patamar dos selecionáveis. Antes dele existem pelo menos cinco ou seis jogadores merecedores de convocação. Já há quem veja semelhança com a situação de Romário em 2002, preterido por Luiz Felipe Scolari e ausente da campanha do penta.

Há uma diferença abissal em relação ao clamor em torno de Romário naquela ocasião. Era um jogador pronto para jogar, acima de qualquer discussão sobre qualidade técnica e a fim de entrar em campo.

Faz tempo que Neymar demonstra um certo cansaço, preguiça até, com as exigências que o futebol profissional impõe. Ao mesmo tempo, as lesões se repetem e voltam a assombrar, embora o staff do jogador tenha se apressado em desmentir a possibilidade de nova cirurgia.

Diante dos recentes aplausos ao discreto ressurgimento do jogador, Ancelotti terá que mostrar pulso firme para enfrentar os apelos para incluir o Menino Ney no grupo que vai tentar o hexa.

Gol da virada’ repara injustiça contra Reinaldo

Uma das melhores notícias recebidas pelo mundo do futebol foi a anistia ao craque Reinaldo, com direito a indenização, após décadas de perseguição durante os anos de chumbo. O ídolo atleticano atraiu a fúria dos poderosos pelo posicionamento claro em favor dos desfavorecidos e pelo gesto poderoso de erguer o braço com o punho cerrado em sinal de resistência.

Foi um golaço da democracia, só possível sob um regime plenamente democrático. Reinaldo se emocionou durante a cerimônia na Comissão de Anistia, em Brasília. Lembrou a campanha difamatória que atrapalhou sua carreira porque jamais silenciou ou se curvou ao Estado opressor.

Em sua homenagem, o craque Bobô, deputado estadual na Bahia, fez um vídeo maravilhoso em homenagem ao atleticano. “Sem verdade não existe democracia, sem justiça não existe futuro. Que o gesto de Reinaldo, o punho cerrado, firme e corajoso, continue lembrando ao país que liberdade se conquista e se defende todos os dias”, disse Bobô. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 10)

Perda de artilheiro é duro golpe

POR GERSON NOGUEIRA

Quando desembarcou em Belém no início do ano, Pedro Rocha trazia com ele a aura de incertezas quanto ao rendimento técnico. Jogador que surgiu de forma empolgante no Grêmio, ele não vinha apresentando um histórico positivo nos últimos anos, após passagens pelo Fortaleza e pelo Criciúma. Antes, teve uma experiência no futebol estrangeiro.

A feliz combinação de oportunidade com motivação deu ao jogador a chance de mostrar no Remo o futebol que parecia ter esquecido no tempo. Foi peça importante no Campeonato Paraense, mas se destacou de verdade durante a Série B, marcando gols decisivos, garantidores do acesso à Primeira Divisão e a honra de ser o principal goleador da competição.

Além dos 19 gols marcados – 15 na Série B – com a camisa 32 azulina, Pedro Rocha foi autor de nove assistências. Deixa a imagem de jogador comprometido e extremamente focado no objetivo de vencer. A baixa produção de gols na fase inicial dele no Baenão pode ser explicada por deficiências de condicionamento físico.

Bastou um período de preparação mais adequado, antes da Série B, para que o atacante impetuoso e rápido entrasse campo, adicionando ao repertório a sua capacidade de definição de jogadas e a facilidade para arrancadas com mudança de direção, algo sempre precioso para quem desafia as rígidas marcações defensivas da Segunda Divisão.

Tido como peça indispensável na formatação do time para a Série A, prioridade absoluta na mesa de negociações, Pedro Rocha discutiu durante duas semanas a renovação de contrato. Valores foram discutidos, concessões feitas de parte a parte, mas o entendimento final não aconteceu.

Na noite de sábado (6), ele postou nas redes sociais a sua carta de despedida, com um agradecimento emocionado ao clube e à torcida. Foi carinhoso na revelação de que um novo ciclo vai se iniciar, mas admitindo que sentimento de gratidão pelo Remo é definitivo em sua vida.

O fato é que, aos 31 anos, a valorização de carreira na Série B reabriu o mercado nacional para Pedro Rocha. Clubes como Corinthians e São Paulo manifestaram interesse, mas não puderam avançar por problemas com o Transfer Ban da Fifa. Enquanto isso, o Coritiba entrou no circuito, devendo anunciar o artilheiro da Série B como primeiro grande reforço.

A movimentação de idas e vindas é algo absolutamente natural no mercado da bola e se acentua ainda mais nas principais divisões. A chegada à Série A põe o Remo no olho do furacão, sujeito a perdas importantes – como foi o caso do técnico Guto Ferreira, que também não renovou contrato – na disputa direta com clubes de maior poderio financeiro.

É a nova realidade batendo na porta do Leão Azul paraense, que agora corre contra o tempo em busca de um novo artilheiro. A missão é das mais difíceis – e caras – levando em conta as poucas opções disponíveis.  

Rebaixamentos reconfiguram o mapa da elite

A última rodada do Campeonato Brasileiro da Série A, disputada ontem, reconfigurou o mapa do futebol no Brasil. A principal divisão nacional será disputada no ano que vem por seis clubes paulistas, quatro cariocas, dois mineiros, dois gaúchos, dois paranaenses, dois nordestinos, um catarinense e um paraense. Não há representantes do futebol do Centro-Oeste.  

Do futebol da parte superior do mapa brasileiro, somente o Remo, do Norte, e Bahia e Vitória, do Nordeste. A honrosa presença do Leão Azul é também a confirmação de que a elite da bola tende a ficar ainda mais restritiva com a queda de três clubes nordestinos – Ceará, Fortaleza e Sport. Aliás, o rebaixamento do trio é uma das piores notícias para o futebol do Nordeste nos últimos anos.

Aumenta a responsabilidade e o tamanho do desafio para o clube paraense, que terá pela frente uma competição tecnicamente bem mais difícil do que as três últimas edições. A 50 dias do início do campeonato, redobra a necessidade de montar um elenco forte para resistir às exigências da principal divisão nacional.

Repórter terá carreira digital dirigida por Mauro Neto

A equipe do jornalista paraense Mauro Neto – formada por Camila Alves, Fernanda Palheta e Vinícius Lima – assumiu o gerenciamento de carreira da repórter esportiva Melbya Rolim, revelação da cobertura do futebol paraense pela TV Cultura do Pará e atualmente na ESPN.

Com mais de três décadas de atuação no jornalismo e na comunicação pública, Mauro Neto foi editor executivo do Portal DOL, além de trabalhar no conteúdo jornalístico de campanhas eleitorais no Estado. A última foi a do atual prefeito de Belém, Igor Normando.

A movimentação marca a entrada de Mauro no campo da gestão estratégica de imagem, posicionamento e expansão de carreira de comunicadores.

Melbya Rolim, apesar do pouco tempo de carreira, já é reconhecida por seu trabalho no jornalismo esportivo e ganhou notoriedade com a participação em coberturas nacionais, sempre com linguagem acessível e espirituosa nas transmissões da ESPN.

A parceria com a equipe de Mauro promete fortalecer ainda mais sua presença no mercado e abrir novas frentes profissionais em mídia, conteúdo e projetos especiais. Natural de Moju, Melbya será agraciada em janeiro pela Câmara Municipal com o título de Cidadã de Belém.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 08)

Artilheiro da Série B se despede da torcida do Leão

Pedro Rocha, o artilheiro e destaque azulino na Série B 2025, está de partida. Em mensagem postada em suas redes sociais na noite deste sábado (6), dirigida ao clube e aos torcedores, ele agradeceu à diretoria e aos torcedores – “com o coração cheio de gratidão, muito obrigado Nação Azulina; vocês me marcaram para sempre”. Dirigiu-se “a cada um na arquibancada, a cada criança que gritou meu nome, a cada pessoa que rezou por mim e pediu a intercessão de Nossa Senhora de Nazaré”.

“Agradeço à diretoria, ao presidente Tonhão e a todos dentro deste clube que me trataram como um amigo. E, acima de tudo, agradeço a Deus por ter me permitido viver esse capítulo tão bonito e tão intenso ao lado de vocês. Remo, vocês não foram só parte da minha carreira. Foram parte de mim, e sempre serão”.

Em nota curta, o clube se despediu do jogador “que encerra seu ciclo após uma temporada como artilheiro vestindo o manto azul marinho”. “Foram 44 jogos, 19 gols e 9 assistências, exemplo de entrega, profissionalismo e respeito ao Clube do Remo. Obrigado, Pedro Rocha!”.

As negociações pela renovação de contrato com o atacante foram iniciadas logo após o fim do Brasileiro, mas não chegaram a bom termo. O clube chegou a oferecer salários de R$ 500 mil.

A despedida oficial indica que o jogador já tem acerto encaminhado com outro clube. As especulações indicam que pode ser o Coritiba ou o Mirassol. Os clubes entraram no páreo pela contratação depois que o Corinthians, também interessado inicialmente, desistiu. Seja qual for a escolha, é certo que será um adversário do Remo na Série A. Nesta sexta-feira, Pedro Rocha visitou amigos no Fortaleza, onde atuou em 2023. Sérgio Papellin, executivo do clube, foi quem trouxe o atacante para defender o Remo.

O atacante capixaba também tem proposta do futebol do Oriente Médio, mas deixou claro que a prioridade disputar a Série A do Campeonato Brasileiro, após ter sido o artilheiro da Série B com 15 gols. Corinthians e São Paulo também sondaram os representantes do atleta, mas não oficializaram proposta porque ambos estão com Transfer ban imposto pela Fifa.

Contratado no início de 2025, foi importante na conquista do Campeonato Paraense e decisivo no acesso do Leão à Série A depois de 32 anos.

As dificuldades de acerto com o artilheiro e com o técnico Guto Ferreira indicam o tamanho do desafio que o Remo terá para montar o elenco que disputará a Série A.

Copa começou bem para o Brasil

POR GERSON NOGUEIRA

Boa parte do mundo parou na sexta-feira à tarde para acompanhar o sorteio dos grupos da Copa do Mundo. A apresentação começou meio arrastada, com propaganda trumpista e bocejos de Shaquille O’Neil e dos astros do futebol americano. Com exceção de Rio Ferdinand, quase ninguém parecia entender direito o que estava em jogo ali.

Abertas as bolinhas, uma bela notícia para a torcida brasileira: a velha freguesa Escócia mais uma vez caiu em nosso grupo (pela quinta vez). De quebra, veio junto o time amador do Haiti. Seleção perigosa e em ascensão, Marrocos deve dar trabalho logo no jogo de abertura.

Dos outros grupos, a tetracampeã Alemanha se deu bem no grupo E, tendo apenas o Equador como adversário mais sério. Já o grupo F é o mais próximo daquilo que se poderia chamar de “grupo da morte”. A Holanda terá como adversários o Japão e uma seleção europeia saída da repescagem. A Tunísia é um simples figurante.

Já o grupo H traz a favorita Espanha de Lamine Yamal dividindo holofotes com o imprevisível Uruguai de El Loco Bielsa, sem dar chances para Arábia Saudita e Cabo Verde. No grupo I, França e Noruega são protagonistas contra Senegal e uma seleção vinda da repescagem.

À atual campeã coube um grupo garapa, o J: Áustria, Argélia e Jordânia. Vida mansa para Messi & companhia – embora, em 2022, tenham perdido na estreia para a Arábia Saudita. No grupo K, Portugal e Colômbia devem se garantir, sem maiores problemas.

No L, há a promessa de um jogão logo na abertura: Inglaterra e Croácia se enfrentam em embate encardido. Gana corre por fora, com a dose natural de ousadia e correria que os times africanos costumam mostrar.  

Ancelotti terá dois amistosos para armar o time

Na entrevista pós-sorteio, Carlo Ancelotti valorizou o grupo que coube ao Brasil, não admitiu facilidades e deixou claro que vencer na estreia é obrigação. Boas falas. Times que chegam à Copa como favoritos precisam justificar isso em campo, sem hesitações. Vencer os marroquinos no dia 13 de junho (horários e locais seriam definidos neste sábado, 6), será como um cartão de visitas do escrete canarinho.

O mundo espera isso do Brasil. Ancelotti sabe disso. Isso explica sua preocupação em fazer dois amistosos sérios, contra França e Croácia. Chega daquela embromação de jogar com Senegal e Tunísia.

Os próximos amistosos, em março, são fundamentais para formatar a seleção da Copa, sem direito a novos testes. Não há mais tempo para experiências. É preciso buscar entrosamento para chegar bem preparado ao Mundial mais inchado e desafiador de todos os tempos.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração, a partir das 22h, na RBATV, com a participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, as definições do Parazão e os movimentos de Remo e PSC em direção a 2026. A edição é de Lourdes Cezar e Lino Machado.

Sob especulações, Remo começa a formatar elenco

Duas semanas depois da conquista do acesso à Série A, a diretoria do Remo dá sinais de que está agindo para formatar o novo elenco. Depois de anunciar a renovação de contrato com Marcelo Rangel, a diretoria do Remo avançou mais um pouco, fechando acordo com Ygor Vinhas (goleiro reserva), Marcelinho, Sávio e Pavani.

Ao mesmo tempo, encaminhou a aquisição do volante Patrick De Lucca, de 25 anos, que disputou a Série B pelo Cuiabá, realizando 25 jogos e marcando um gol. De perfil combativo na marcação e com qualidades na reposição de jogo, De Lucca chega para suprir a ausência de Caio Vinícius, que optou por jogar no futebol chinês.  

Foi divulgado também um suposto interesse pelo atacante Emerson Batalla, 24 anos, que jogou a Série A pelo Juventude. O problema é que a Chapecoense também apresentou proposta pelo colombiano, que pertence ao Talleres, da Argentina.

Por fim, há a novela envolvendo a escolha do técnico. Guto Ferreira esteve bem perto de assinar a renovação, mas desde sexta-feira o clube voltou ao mercado em busca de um comandante.

Cuca, pelas ligações com o Remo (foi jogador do clube em 1994 e iniciou como técnico no Baenão em 2001), é um dos nomes mais cotados. O alto custo, na faixa de R$ 1,2 milhão, é o maior empecilho. Por ora, nada sacramentado. 

(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 06/07)

Rock na madrugada – Steve Cropper, “(Sittin’ On) The Dock of the Bay”

Parceiro de Otis Redding na criação de clássicos como os clássicos “(Sittin’ On) The Dock of the Bay”, Steve Cropper construiu uma carreira sólida como guitarrista, servindo de referência para diversas gerações de músicos. Surgiu no período de glória da lendária gravadora Stax, trabalhando diretamente com Otis, que era um dos maiores ídolos da América e começava a conquistar o mundo quando morreu em desastre aéreo, em dezembro de 1967, aos 26 anos de idade.

Cropper terminou o trabalho na canção após a morte de Redding. “Eu não sabia que tínhamos a mesma idade até ler um obituário”, disse o guitarrista em 2024. “Sempre achei que Otis fosse mais velho. Eu o admirava como um irmão mais velho. Por quê? Ele era tão sábio”. Depois da mixagem feita por Cropper, Dock of the Bay foi finalmente lançada, semanas após a morte de Redding.

Músico inscrito no Rock & Roll Hall of Fame, Cropper ajudou no início da carreira a formatar o som conhecido como “soul de Memphis” nas gravações da Stax Records com Otis ReddingWilson Pickett e Booker T. & the M.G.’s. Ele morreu na quinta-feira, 4, aos 84 anos.

Versátil, acompanhou a evolução musical dos anos 60 até meados deste século, conseguindo se manter sempre atualizado. Redescoberto por bandas como o Pearl Jam, era presença constante em festivais e grandes shows das cenas norte-americana e inglesa. Trabalhou no cinema, com uma participação marcante em “Os Irmãos Cara de Pau” (1980), de

Pat Mitchell Worley, presidente e CEO da Soulsville Foundation, responsável pelo Stax Museum of American Soul Music, em Memphis, disse que “sua composição e trabalho na guitarra moldaram a própria linguagem da música soul. Um compositor, produtor e músico talentoso, Cropper ajudou a criar sucessos atemporais que continuam a influenciar artistas e pessoas em todo o mundo. Seu estilo característico ajudou a definir uma era e cimentou seu legado como um dos guitarristas mais importantes da história da música moderna”.

Os editores da revista Rolling Stone afirmaram que “Cropper tem sido o ingrediente secreto em algumas das maiores canções de rock e soul” ao destacá-lo na posição 45 da lista dos 250 Maiores Guitarristas de Todos os Tempos. O estilo econômico de tocar muitas vezes era entrecortado por assomos de fina sensibilidade, como nos espaços preenchidos de “(Sittin’ On) The Doc of The Bay” e nas notas dobradas de “Green Onions”.

Era um operário da guitarra e não curtia ser o frontman. “Não me importo em estar no centro do palco”, disse Cropper certa vez. “Sou membro de uma banda, sempre fui membro de uma banda”.

Sorteio da Fifa põe Brasil em grupo considerado mediano na Copa do Mundo 2026

  • Sorteio final da 26ª Copa do Mundo da FIFA™, o maior evento esportivo da história, aconteceu em Washington, D.C.
  • O sorteio revelou os 12 grupos de quatro equipes cada, que se enfrentarão neste torneio emocionante e revolucionário.

Os grupos e confrontos da Copa do Mundo de 2026 foram anunciados nesta sexta-feira (5) em Washington, capital dos Estados Unidos. O Brasil está no Grupo C e vai enfrentar Marrocos, Haiti e Escócia. A seleção estreia contra Marrocos no dia 13 de junho, sábado, em Boston ou Nova Jersey. O segundo jogo do Brasil será contra Haiti no dia 19, sexta, em Boston ou Filadélfia. E encerra a fase de grupos contra a Escócia, no dia 24, quarta, em Miami. Locais e horários dos confrontos serão divulgados neste sábado (6).

Diante de uma plateia ao vivo de aproximadamente 2.000 convidados internacionais presentes no John F. Kennedy Center for the Performing Arts, e com uma audiência de milhões de telespectadores de todo o mundo, foram definidos os doze grupos de quatro equipes cada, que se enfrentarão na 23ª edição do torneio. A cobertura completa e a análise detalhada do sorteio final da Copa do Mundo 2026 já estão disponíveis em FIFA.com .

A apresentação de todos os locais e horários dos 104 jogos que serão disputados na Copa do Mundo do ano que vem acontecerá no sábado, 6 de dezembro, às 12h (horário de Brasília), com transmissão ao vivo para todo o planeta a partir de Washington, D.C.

Com quase dois milhões de ingressos já vendidos , a expectativa continua a crescer nos três países e nas 16 cidades-sede . A divulgação da tabela atualizada dos jogos marcará mais um passo importante na contagem regressiva para o que promete ser uma edição histórica da Copa do Mundo.

OS GRUPOS DA COPA

  • Grupo A: México; África do Sul; Coreia do Sul; vencedora da repescagem D da Uefa
  • Grupo B: Canadá; vencedora da repescagem A da Uefa; Catar; Suíça
  • Grupo C: Brasil; Marrocos; Haiti; Escócia
  • Grupo D: Estados Unidos; Paraguai; Austrália; vencedora da repescagem C da Uefa
  • Grupo E: Alemanha; Curaçao; Costa do Marfim; Equador
  • Grupo F: Holanda; Japão; vencedora da repescagem B da Uefa; Tunísia
  • Grupo G: Bélgica; Egito; Irã; Nova Zelândia
  • Grupo H: Espanha; Cabo Verde; Arábia Saudita; Uruguai
  • Grupo I: França; Senegal; vencedora da repescagem mundial 2; Noruega
  • Grupo J: Argentina; Argélia; Áustria; Jordânia
  • Grupo K: Portugal; vencedora da repescagem mundial 1; Uzbequistão; Colômbia
  • Grupo L: Inglaterra; Croácia; Gana; Panamá

FICHA TÉCNICA DO GRUPO C

BRASIL

Histórico em Copas: 23 participações (1930, 1934, 1938, 1950, 1954, 1958, 1962, 1966, 1970, 1974, 1978, 1982, 1986, 1990, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026)
Última participação: 2022 (quartas de final)
Melhor resultado: Campeão (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002)
Campanha nas eliminatórias: 8 vitórias, 4 empates e 6 derrotas
Ranking da Fifa: 5º lugar
Destaque: Vinicius Jr. (atacante do Real Madrid)
Técnico: Carlo Ancelotti

A única camisa pentacampeã do mundo e que jamais ficou fora de uma Copa chega bem mais desacreditada do que em outras vezes. Se o time de Tite viajou como um dos favoritos em 2018 e 2022, para voltar à casa mais cedo após cair nas quartas de final, o atual enfrentou um ciclo tumultuado e cheio de problemas, com três técnicos brasileiros (Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior) até a chegada de Carlo Ancelotti. O italiano multivencedor chegou há pouco, resgatou figuras como Casemiro e deu uma cara à seleção em meio às dúvidas sobre o aproveitamento de Neymar. Talento, história e experiência não faltam, mas Carletto será suficiente para colocar nos trilhos uma equipe prestes a completar 24 anos sem ganhar o Mundial?

MARROCOS

Histórico em Copas: 7 participações (1970, 1986, 1994, 1998, 2018, 2022 e 2026)
Última participação: 2022 (semifinal)
Melhor resultado: 4º lugar (2022)
Campanha nas eliminatórias: 8 vitórias
Ranking da Fifa: 11º lugar
Destaque: Achraf Hakimi (lateral do PSG)
Técnico: Walid Regragui

Talvez nem todos se lembrem, mas o Marrocos foi a grande surpresa da última Copa do Mundo. A vaga nas semifinais, interrompida apenas com derrota para a vice-campeã França, consolidou uma geração que, embora saiba que é difícil, vai tentar repetir as boas memórias em 2026. No comando, está Walid Regragui, técnico que dirige o país desde agosto de 2022. No ciclo pré-Mundial, os marroquinos venceram o Brasil em amistoso, passaram com 100% pelas eliminatórias se candidataram a novamente brilhar, agora na América do Norte. Tudo isso antes de ser uma das sedes do torneio de 2030, em conjunto com Espanha e Portugal.

ESCÓCIA

Histórico em Copas: 9 participações (1954, 1958, 1974, 1978, 1982,1986, 1990, 1998 e 2026)
Última participação: 1998 (fase de grupos)
Melhor resultado: fase de grupos (1954, 1958, 1974, 1978, 1982,1986, 1990 e 1998)
Campanha nas eliminatórias: 4 vitórias, 1 empate e 1 derrota
Ranking da Fifa: 36º lugar
Destaque: Scott McTominay (meia do Napoli)
Técnico: Steve Clarke

Adversária do Brasil na abertura da Copa de 1998, quando um gol contra decidiu a vitória suada do time de Zagallo, a Escócia não sabe o que é disputar uma Copa do Mundo justamente desde aqu participação. As derrotas ficaram para trás em uma campanha com quatro vitórias em seis rodadas nas eliminatórias, o que garantiu a liderança de uma chave com Dinamarca, Grécia e Belarus. A geração do lateral Robertson e do meia McTominay, que brilham há tempos na Europa, quer dar um passo a mais e continuar o conto de fadas.

HAITI

Histórico em Copas: 2 participações (1974 e 2026)
Última participação: 1974 (fase de grupos)
Melhor resultado: Fase de grupos (1974)
Campanha nas eliminatórias: 6 vitórias, 3 empates e 1 derrota
Ranking da Fifa: 84º lugar
Destaque: Duckens Nazon (atacante do Esteghlal)
Técnico: Sébastien Migné

Haiti jogou contra todos os prognósticos para voltar a jogar uma Copa do Mundo. Em um grupo com Costa Rica e Honduras, com bem mais experiência internacional, a seleção dirigida pelo francês Sébastien Migné alcançou o improvável e se colocou de novo em um Mundial, o que não acontecia desde o distante 1974. O grande nome da campanha foi o atacante Duckens Nazon, que garantiu pontos cruciais – como o empate por 3 a 3 contra os costarriquenhos – e agora está a cinco gols de se tornar o maior artilheiro da seleção. Será que o recorde virá em 2026?

Bolsa Família: 70% dos adolescentes deixaram o programa em 10 anos

Aumento da escolaridade, do acompanhamento em saúde e inserção no mercado formal de trabalho foram fundamentais para a melhoria de vida dos jovens, como aponta estudo do MDS e da FGV

O Bolsa Família é responsável pela quebra do ciclo da pobreza entre gerações de uma mesma família. Desde 2014, 70% dos adolescentes que estavam em lares que recebiam o benefício, deixaram de depender dele. É o que aponta o estudo “Filhos do Bolsa Família: uma análise da última década do programa”, apresentado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV), nesta sexta-feira (5.12). 

Em média, independentemente da idade, 60,68% dos beneficiários de 2014 deixaram o programa até 2025. A saída mais elevada foi entre os adolescentes: 68,8% na faixa de 11 a 14 anos e 71,25% na faixa de 15 a 17 anos. Presente na divulgação do estudo, no Rio de Janeiro, o ministro Wellington Dias atribuiu a saída das famílias do programa a fatores como as condicionalidades em saúde e educação. 

“As gerações de filhos e filhas de pais que dependiam do Bolsa Família estão saindo da pobreza. Mais de 70% de jovens entre 15 e 17 anos em 2014, agora saem da pobreza quando chegam a uma idade de 20, 25 anos. Por quê? Principalmente por conta dos estudos. A condicionalidade na transferência de renda no Bolsa Família relacionada à educação”, analisou o titular do MDS. 

A pesquisa revelou ainda que 52,67% dos jovens entre 15 e 17 anos, que recebiam o Bolsa Família em 2014, também deixaram o Cadastro Único, que inclui faixas de renda mais elevadas do que a do programa. Desse total, 28,4% tem emprego com carteira assinada em 2025. Entre os jovens de 11 a 14 anos, 46,95% saíram do CadÚnico e 19,10% possuem vínculo formal atualmente. 

O ministro Wellington Dias destacou que os dados comprovam que garantir infraestrutura, educação e emprego formal é decisivo para que as famílias superem a pobreza. “Significa que a meta da inclusão socioeconômica, trabalhar o desenvolvimento social, integrado com o desenvolvimento econômico, como lançou o Presidente Lula, está dando resultado”, reforçou Dias. 

O ministro acrescentou que a pesquisa vai na mesma direção de outros estudos recentes, que também revelaram que os jovens beneficiários deixam o programa, se inserem no mercado formal e melhoram de vida quando adultos. “Ao contrário do preconceito difundido, de que o Bolsa Família desestimula o emprego, temos evidências científicas que o programa atua estimulando o emprego e a superação da pobreza”, enfatizou. 

Os resultados apresentados nesta sexta-feira projetam, ainda, uma tendência de continuidade: a próxima década deverá aprofundar os ganhos de autonomia, trabalho e redução sustentável da pobreza no país. 

Condicionalidades
A mudança de vida dos “filhos do Bolsa Família” é ainda mais evidente quando a proteção de renda se combina com educação, serviços públicos e oportunidades locais. As maiores taxas de saída ocorrem em áreas urbanas, em domicílios com melhor infraestrutura, entre jovens cujos pais tinham emprego formal e famílias com maior escolaridade. Porém, mesmo em contextos de maior vulnerabilidade, mais da metade dos jovens também conseguiu romper a dependência do programa. 

As condicionalidades são compromissos que as famílias beneficiárias devem cumprir para continuar recebendo os benefícios do Bolsa Família. Na área de saúde, as crianças menores de sete anos devem cumprir o calendário de vacinação e realizar acompanhamento do estado nutricional (peso e altura) e as gestantes devem realizar o pré-natal. 

Já na área de educação, as crianças, adolescentes e jovens devem frequentar a escola. A frequência escolar mensal mínima varia de acordo com a idade:

  • Frequência escolar de 60% para beneficiários de quatro a seis anos incompletos de idade;
  • Frequência escolar de 75% para beneficiários de seis a 18 anos incompletos que não tenham concluído a educação básica (ensino fundamental e ensino médio).

Regra de Proteção e Programa Acredita no Primeiro Passo como incentivos 

Os dados mostram que dois mecanismos recentes do Governo do Brasil têm papel decisivo na consolidação dessa mudança:

  • Regra de Proteção: Permite a manutenção parcial do Bolsa Família mesmo quando há aumento de renda per capita, por exemplo, com a conquista de um emprego formal. O mecanismo garante que, durante 12 meses, as famílias que ultrapassarem o limite de renda de R$ 218 por pessoa possam continuar recebendo 50% do valor do benefício, desde que a renda não ultrapasse R$ 706 por pessoa.
  • Programa Acredita: Oferece qualificação profissional, apoio para inserção no mercado de trabalho e incentivo ao empreendedorismo para famílias de baixa renda do CadÚnico. A iniciativa inclui acesso a crédito com juros baixos e orientação especializada. Podem participar pessoas de 16 a 65 anos com cadastro atualizado, com atenção especial a mulheres, jovens, pessoas com deficiência, populações negras e comunidades tradicionais.

Assessoria de Comunicação – MDS

Alcolumbre, o Reizinho candidato a dono do Brasil

Não há poder político que possa manter incólume uma figura com a ficha de Alcolumbre. Que o STF, a PGR e a PF cumpram seu dever.

Por Luis Nassif, no Jornal GGN

O país vive de humilhação em humilhação. Poucas tem o condão de desmoralizar mais ainda a auto-estima nacional do que o poder político de Davi Alcolumbre, presidente do Senado. É inacreditável que o brucutu, sem limites, sem noção de qualquer institucionalidade, pode se arvorar no poder de indicar Ministro do Supremo Tribunal Federal ou de propor pautas-bombas.

Vamos a um pequeno histórico politico do nosso Reizinho, o político que sequestrou o país:

1. A super-rachadinha de RF$ 2 milhões

Segundo uma reportagem da Veja, seis mulheres foram contratadas no gabinete de Alcolumbre como assessoras, com salários entre R$ 4 mil e R$ 14 mil, mas receberam apenas pequena fração, cedendo os cartões e senhas bancárias a pessoas de confiança. A matéria aponta que o esquema teria durado cerca de cinco anos. As beneficiárias afirmam nunca ter trabalhado de fato e recebiam simbólica “ajuda de custo” — enquanto o restante era sacado pelo gabinete.

Parte do suposto esquema coincidiu com a ocupação da presidência do Congresso por ele — quando exercia grande influência institucional.  Ele nega envolvimento pessoal, afirma ser vítima de “campanha difamatória” e diz que contratações eram responsabilidade de seu então chefe de gabinete. Algumas ex-assessoras entraram com ações judiciais pedindo indenização, pagamento de direitos, verbas rescisórias etc. (detalhe citado na reportagem de 2021). 

1. O Programa Mais Visão e as Emendas Parlamentares – Entre 2023 e 2024, Alcolumbre destinou R$ 15 milhões em emendas parlamentares para a Secretaria de Saúde do Amapá, que contratou empresas para executar o Programa Mais Visão. A própria empresa Saúde Link afirma em seu site que o Programa teve início em 2021 com a iniciativa do senador Davi Alcolumbre em parceria com o Governo do Estado do Amapá.

2. A Tragédia Sanitária – Em 4 de setembro de 2023, durante um mutirão de cirurgias de catarata, 104 dos 141 pacientes operados contraíram endoftalmite, uma grave infecção ocular. Pelo menos 40 pacientes tiveram complicações graves, como olhos perfurados, com indicação de transplante de córnea. Alguns casos resultaram na perda irreversível da visão e até na remoção do globo ocular. O fungo Fusarium foi identificado como causador da infecção, e o programa foi suspenso em 6 de outubro de 2023. O Ministério Público do Amapá recomendou a suspensão do termo de fomento com o Centro Capuchinhos, destacando que o espaço físico não possuía condições sanitárias nem licenças para funcionamento.

3. A Aeronave PR-MGD e a Apreensão por Contrabando – Em 22 de julho de 2022, um jatinho da Saúde Link, modelo Hawker Beechcraft 400A com prefixo PR-MGD, foi apreendido pela Polícia Federal em Ponta Porã (MS) na fronteira com o Paraguai. A ocorrência registrou apreensão de mercadoria de origem estrangeira no valor estimado de R$ 50 mil, além de R$ 30 mil em espécie e US$ 20 mil (cerca de R$ 100 mil). O MPF propôs como pena o pagamento de 10 salários-mínimos (cerca de R$ 13,2 mil) ao dono da empresa, Luciano André Goulart, que concordou e o jatinho foi liberado.

4. Uso do Jatinho e Investigação Eleitoral – Documentos da FAB mostram que uma aeronave da Saúde Link (bimotor Raytheon BE58, prefixo PR-BDC) pousou em 16 de agosto de 2022 no Hangar Comandante Salomão Alcolumbre, aeródromo da família do senador na zona rural de Macapá, retornando no dia seguinte. A aeronave apreendida em julho (PR-MGD) foi a mesma registrada pela FAB em Macapá um mês depois, em agosto de 2022, durante a campanha de reeleição de Alcolumbre. O TRE-AP investiga se o senador usou jatos particulares da Saúde Link para deslocamentos entre Brasília e o Amapá durante a campanha eleitoral de 2022. Segundo o processo, há pedido de cassação do mandato do senador.

5. Desdobramentos Processuais – A empresa Saúde Link informou à Justiça que não possui lista de passageiros das aeronaves no período investigado, argumentando que aviões particulares não estão sujeitos a requisitos de documentação e registro de passageiros da Anac. A defesa de Alcolumbre argumenta falta de provas. O MPF apura possíveis atos de improbidade administrativa em relação ao programa Mais Visão, em procedimento sigiloso que segue em curso.

Informações extra-oficiais dão conta de que o verdadeiro proprietário do avião seria o próprio Alcolumbre. Em suas viagens políticas, um dos passageiros preferenciais era o senador Randolphe Rodrigues, principal articulador de sua candidatura à presidência do Senado, nos tempos em que trabalhava pela Lava Jato. Atualmente é líder do PT.

O caso expõe uma teia de relações entre:

• Emendas parlamentares bilionárias direcionadas a programas de saúde

• Uma empresa privada (Saúde Link) beneficiada por essas verbas

• Uma tragédia sanitária com mais de 100 vítimas

• Uso de aeronaves da empresa pelo parlamentar que direcionou os recursos

• Atividades ilícitas envolvendo a mesma aeronave (contrabando). As investigações seguem em andamento tanto na esfera da improbidade administrativa (MPF) quanto na esfera eleitoral (TRE-AP), enquanto Alcolumbre assumiu a presidência do Senado Federal, tornando-se uma das figuras políticas mais poderosas do país.

3. A família Alcolumbre e o histórico de grilarem de terras

A família se estabeleceu no Amapá há cerca de 130 anos — ou seja, ao longo de várias gerações já se enraizou profundamente na região. Os Alcolumbre teriam sido dos primeiros a substituir o sistema de trocas por comércio mercantil, na época da borracha. Com o tempo, diversificaram: postos de combustíveis, comércio, mídia e posse de terras figuram entre os seus ativos. 

Um dos episódios mais graves atribuídos à família data de 1981: segundo relatório da Polícia Federal citado num dossiê recente, dois membros da família (irmãos chamados Salomão Alcolumbre e Alberto Alcolumbre) teriam figurado entre suspeitos de comandar um esquema de contrabando de minérios (ouro e outros metais) no então Território Federal do Amapá — transportando ilegalmente minérios em escala, por aviões particulares, para portos e capitais sem fiscalização. 

A grilagem de terras públicas é outra mancha. A família chegou a declarar à Justiça Eleitoral a posse de áreas pertencentes à União — em especial terras da reserva do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), que deveriam ser destinadas a assentamentos de camponeses. Um primo de Davi, “Salomãozinho”, foi candidato a suplente ao Senado em 2014 e declarou como bens essas áreas. 

Essas propriedades foram alvo de embargo ambiental: uma área de 108 hectares — conhecida como “Fazenda São Miguel” — foi embargada a partir de 2016 por ordem do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por devastação de vegetação nativa. A família teria criado um rebanho de búfalos na área e construído benfeitorias, apesar de o local compor área pública, o que agrava a acusação.

As multas ambientais acumuladas pelos Alcolumbre superam R$ 1 milhão — sinal de múltiplas infrações ambientais registradas ao longo de anos. 

4. Os R$ 500 mil do irmão de Alcolumbre

Três anos atrás, a Polícia Militar de Sâo Paulo parou um carro e encontrou nele R$ 500 mil. O carro pertencia ao irmão de Alcolumbre.

Conclusão

Está em pleno curso a disputa entre a institucionalidade brasileira e o crime organizado. É uma batalha feroz, onde está em jogo o próprio futuro do país, como Nação.

Não há poder político que possa manter incólume uma figura com a ficha de Alcolumbre. O país espera que o Supremo, a Procuradoria Geral da República e a Polícia Federal cumpram com suas responsabilidades.

O perigo das comparações afoitas

POR GERSON NOGUEIRA

Depois que o modesto Mirassol conquistou vaga à fase de grupos da Libertadores, ao vencer o Vasco por 2 a 0 em São Januário, o mundo do futebol vem derramando elogios merecidos ao simpático clube do interior paulista, administrado no sistema associativo e surpreendentemente bem sucedido em sua primeira experiência na Série A.

Em função do êxito do Mirassol, começam as comparações com o Remo, que cumpriu jornada exemplar de dois acessos seguidos até chegar à Primeira Divisão. Penso que as semelhanças entre os dois clubes terminam aí, sem invalidar o exemplo de austeridade dado pelo clube paulista.

Clube fundado em 1925, o Mirassol tornou-se um exemplo de gestão, contando hoje com um centro de treinamento dos mais avançados do país. Tem estádio próprio, com capacidade para 15 mil pessoas (que raramente lotou no Brasileiro), o que dá a medida do tamanho de sua torcida.

Além de ter uma estrutura enxuta, sem gastos excessivos e trabalhando sempre no limite da responsabilidade financeira, o Mirassol não convive com as pressões típicas de um clube de massa, como o Remo.

As cobranças que rondam um clube de grande torcida não fazem parte do cotidiano do Mirassol. É um aspecto que faz muita diferença. O Mirassol teve tranquilidade para manter uma base de jogadores quase desconhecidos (e baratos), procedentes de clubes igualmente modestos.

O maior astro do clube é Reinaldo, ex-jogador de S. Paulo e Grêmio. A folha salarial é de R$ 4,3 milhões, a menor de um clube da Primeira Divisão brasileira, e igual à folha do Remo na Série B.

Em termos de estrutura, o Remo deve ficar atento ao que o Mirassol realiza, mas, quanto ao investimento financeiro, o modelo não se aplica. O Remo terá que montar um time potencialmente mais caro, buscando jogadores que se encaixem nas ambições do clube, cuja meta agora é disputar uma vaga em competições sul-americanas.

Para o Leão Azul, a hora é de construir seu próprio caminho, descobrindo maneiras de ser competitivo na principal competição nacional. À sua maneira, o Leão Caipira mostrou que isso é plenamente possível.

A primeira grande baixa no elenco azulino

De saída para o futebol chinês, Caio Vinícius foi um dos mais importantes jogadores do Remo na Série B. Foi o ponto de equilíbrio no sempre complexo setor de meio-de-campo. Num time que não tinha um grande articulador, o volante assumiu o papel de dar início às ações ofensivas. Evoluiu e tornou-se peça exponencial na arrancada final rumo ao acesso.

Além dos seis gols marcados na temporada (5 na Série B), Caio teve a responsabilidade de carregar a equipe em momentos difíceis de alguns jogos. Foi o caso da partida com o CRB, na estreia de Guto Ferreira.

Através da movimentação de Caio, que passou a sair com rapidez pelo meio, acionando os pontas Diego Hernández e Nico Ferreira, o Remo cresceu e dominou a partida, com direito inclusive a um gol dele.

Em partidas extremamente difíceis, contra adversários que executavam forte marcação, ele funcionou como elemento surpresa na parte ofensiva. Não por acaso, o gol de cabeça diante do Athlético-PR é um dos mais bonitos e importantes de toda a campanha do Remo.

Discreto e forte nos duelos à frente da defesa, de estilo econômico nos passes, Caio se reinventou ao longo da competição e sai como um jogador fundamental, o que irá obrigar o Remo a buscar um substituto que esteja à altura em termos de recursos técnicos. (Foto: Samara Miranda/Ascom CR)

Câmara homenageia os heróis do acesso

Os jogadores do Remo que conquistaram o acesso para a Série A foram distinguidos com o título honorífico de Cidadão de Belém. O projeto, apresentado pelo vereador Bieco (MDB), foi votado e aprovado por unanimidade pela Câmara Municipal de Belém (CBM) na manhã de ontem, 3. Membros da comissão técnica e da diretoria também serão agraciados.

Na mesma sessão plenária, a Câmara aprovou a concessão da Medalha Brasão D’Armas de Belém, maior honraria da Casa, ao presidente do clube, Antônio Carlos Teixeira, ao treinador Guto Ferreira, ao executivo Marcos Braz, aos atletas Marcelo Rangel e Pedro Rocha.

O título de Cidadão Honorífico é dado a pessoas não nascidas na cidade e que prestaram serviços relevantes. Já a Medalha Brasão D’Armas é uma comenda concedida a autoridades civis, militares, públicas e eclesiásticas.

Um recorde que contraria velhas crenças

A recente decisão da Copa Libertadores, vencida pelo Flamengo, foi apenas a quarta em quantidade de público presente. Dois dos clubes mais populares do país, Fla e Palmeiras levaram 45 mil espectadores ao estádio Centenário de Lima (Peru).

Um ano atrás, no estádio Monumental, campo do River Plate em Buenos Aires, a final entre Atlético-MG e Botafogo colocou 72 mil – cerca de 27 mil a mais – nas arquibancadas. É o recorde da competição, desde que foi implantado o sistema de decisão única.

O segundo maior público foi o de Fluminense x Boca, em 2023, no Maracanã: 69 mil pagantes. O terceiro foi o de Flamengo x River, em 2019, também em Lima, que teve 59 mil espectadores.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 4)    

Leão confirma primeiro reforço

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo finalmente assegurou o primeiro reforço para a disputa da Série A. Marcelo Rangel fechou acordo para permanecer no clube, realizando o sonho de disputar a Primeira Divisão com a camisa azulina e é, sem dúvida, um dos que mais merecem essa oportunidade. Foi peça emblemática, com atuações memoráveis, na conquista dos dois acessos – em 2024 (Série C para B) e em 2025 (da B para a A).

As negociações não foram tão amarradas como as de Guto Ferreira e Pedro Rocha, outras duas prioridades do clube para a próxima temporada. Pesou na balança a clara vontade de Rangel em seguir no clube, fato exposto em declarações que deu desde a conquista do acesso.

Caso típico de identificação com o Remo e sua torcida, Marcelo Rangel é visto como um atleta na mais perfeita acepção do termo. Comprometido e dedicado, com grande regularidade de atuações desde que se firmou no gol azulino, é hoje um dos líderes do elenco.

A milagrosa recuperação na reta final do campeonato, quando quase todos avaliavam que ele não iria mais jogar em 2025, foi outro ponto de conexão com a torcida. Não passou despercebido o esforço do jogador em voltar para reforçar o time no momento mais importante da competição.

Com a prestimosa ajuda da equipe do Nasp, o centro de saúde do Remo, Rangel se recuperou em duas semanas de uma lesão no joelho que exigiu cirurgia e fisioterapia intensa. A previsão dos médicos era de uma recuperação em dois meses. O goleiro contrariou a lógica e retornou a tempo de ajudar decisivamente o Leão a conquistar o acesso.

Por isso mesmo, Marcelo Rangel foi um dos jogadores mais festejados na vitória sobre o Goiás, que sacramentou a subida à Série A. Foi carregado em triunfo por torcedores que sabem da importância que um grande goleiro pode ter em campanhas espinhosas como a que o Remo fez. A renovação de contrato consolida sua condição de ídolo da torcida. (Foto: Samara Miranda/Ascom CR)

Papão pode autorizar a volta do filho pródigo

A notícia mais surpreendente desses dias marcados por especulações trata do interesse de Esli García em jogar pelo PSC no próximo ano. Sem espaço no Goiás após a pífia participação na Série B deste ano, o atacante venezuelano pode estar a caminho de uma nova experiência na Curuzu.

É bom lembrar que, no ano passado, Esli foi simplesmente o melhor jogador do PSC na Série B, mesmo sob boicote explícito dos técnicos que passaram pelo clube no período. Hélio dos Anjos chegou a dizer que ele era franzino demais, sem força ou resistência física.

Márcio Fernandes não ficou atrás. Afirmou que Esli não podia ser titular porque não voltava para marcar. É verdade, ele não fazia a marcação, mas era competente em balançar as redes – fez 10 gols e foi o terceiro na tábua de artilheiros, mesmo entrando apenas nos minutos finais das partidas.

O que houve com Esli no Papão de 2024 foi abusivo e irresponsável. Por antipatia ou falta de noção, os técnicos não deram oportunidades ao jogador e acabaram por prejudicar seriamente o próprio time. Adorado pela torcida, Esli vivia um momento inspirado e era garantia de gols, o que torna ainda mais surreal o que fizeram com ele.

Caso volte, de fato, será um recomeço interessante para ambos, clube e jogador. Habilidoso e bom finalizador, pode ser muito útil na Série C.

Enfim, um podcast digno de respeito

A internet é invadida diariamente por vídeos, análises e podcasts que contam (ou tentam contar) a impressionante saga do Remo na Série B 2025. Por mais boa intenção que haja, grande parte desse conteúdo é descartável e ruim. A baixa qualidade técnica e os comentários de pé quebrado afugentam até os torcedores mais empedernidos.

Mas, como tudo na vida, há exceções dignas de registro. O portal NE45 é uma delas. Sustentada por três jornalistas nordestinos – à frente, Fred Figueiroa (Recife), Thiago Minhoca (Fortaleza) e Cascio Cardoso (Salvador) –, a resenha flui calma e sem apelações, como um rio de águas serenas. Sem gritos ou expressões grosseiras, apenas informação e análise.

Coube ao NE45 a melhor das análises feitas sobre o acesso azulino. Ninguém chegou nem perto do que o podcast conseguiu fazer em exposição de ideias, apresentação de gráficos, comparações precisas e preciso conhecimento sobre a história do Remo e do futebol paraense.

Deram-se ao luxo de abordar aspectos culturais que sedimentam a paixão do paraense pelo futebol, sem esquecer de referenciar a tradição religiosa, retratada no culto à Nossa Senhora de Nazaré. Um trabalho jornalístico impecável, acrescido de respeito e carinho pelo Leão Azul.

No deserto criativo que domina a internet nossa de cada dia, o NE45 é um saudável ponto de respiro, um oásis de responsabilidade jornalística. Aconselho uma espiada no trabalho dessa rapaziada. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 03)