Em editorial, NYT condena tentativa de golpe

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Do THE NEW YORK TIMES

Brasil está em frangalhos. A economia enfrenta uma recessão que se aprofunda: na última terça-feira (11), a agência Moody’s rebaixou a nota de crédito do país para praticamente lixo. Um enorme escândalo de corrupção ligado à companhia nacional de petróleo, Petrobras, envolveu dezenas de políticos e empresários.O legislativo está em revolta. O índice de popularidade da presidente Dilma Rousseff, menos de um ano após sua reeleição, caiu para apenas um dígito, e protestos em todo o país no domingo (16) reverberaram com pedidos de impeachment.

Em toda essa turbulência, é fácil não ver a boa notícia: a força das instituições democráticas brasileiras. Ao processar a corrupção na Petrobras, os promotores federais de uma unidade especial anticorrupção do Ministério Público não foram dissuadidos por posições hierárquicas, aplicando um golpe na forte cultura da impunidade entre as elites do governo e empresariais.

Antigos executivos da Petrobras foram presos, assim como o rico executivo-chefe da gigante da construção Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e o almirante que supervisionava o programa nuclear secreto do Brasil. Muitos outros enfrentam escrutínio, incluindo o antecessor e mentor de Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora as investigações tenham criado enormes problemas políticos para Rousseff e levantado questões sobre seu período de sete anos na presidência [do Conselho de Administração] da Petrobras, antes de se tornar chefe de governo, ela, admiravelmente, não se esforçou para constranger ou influenciar as investigações.

Pelo contrário, constantemente enfatizou que ninguém está acima da lei e apoiou um novo mandato para o promotor-geral encarregado do processo da Petrobras, Rodrigo Janot.

Até agora, as investigações não encontraram provas de atos ilegais de sua parte. E embora Rousseff seja sem dúvida responsável pelas políticas e grande parte da má administração que derrubaram a economia brasileira, estas não são ofensas que levem a um impeachment.

Forçar Rousseff a deixar o cargo sem evidências concretas de erros causaria grave dano à democracia que vem se reforçando há 30 anos, sem qualquer benefício compensatório. E nada sugere que os líderes à espreita fariam um melhor trabalho na economia.

Não há dúvida de que os brasileiros enfrentam tempos difíceis e frustrantes, e as coisas provavelmente vão piorar antes de melhorar. Rousseff também deverá sofrer muito mais críticas e problemas. Mas a solução não deve ser minar as instituições democráticas, que, afinal, são as garantias de estabilidade, credibilidade e governo honesto.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

29 comentários em “Em editorial, NYT condena tentativa de golpe

  1. Amigos,

    Não gosto de prospectar o futuro. Até por que o futuro a Deus pertence. Mas, pela caminhada de defenestração dos trabalhadores, penso que, daqui a 2018, teremos apenas uma opção de fuga dos lunáticos do PSDB (em que pese o vacilo do apoio em 2014), Marina

    Ela será a única via de fuga dos escândalos em que parte dos Trabalhadores se envolveram e do golpismo barato PSDBISTA.

    Penso que, apenas o surgimento de um novo messias (novo Collor?), poderá alterar a rota Marina.

    Ps.: Não acredito que Luis Inácio voltará a disputar, perder seria arranhar a sua imagem de presidente. Um dos melhores desde Vargas.

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  2. Ao contrário de você, caro celira, penso que uma via interessante seja o PSOL, determinado a realizar um programa socialista. Ao contrário do que as manchetes divulgam, não são os cortes do governo que causam recessão, mas a mais absoluta apatia da burguesia brasileira, oligarca e retrógrada, que teima em não gerar empregos, que é o maior problema. Ora, como a maior parte dos impostos vem dos mais pobres, como sabemos que esta elite é grande sonegadora, é justo que o governo se empenhe num programa de governo socialista. Um governo neoliberal apenas transferirá renda aos que mais têm dinheiro, para a tão mal falada plutocracia brasileira. Já vimos esse filme. E essa é uma condenação injusta. Marina não tem um projeto consistente para o povo, e por isso mesmo não levou a eleição. Continuar com a proposta socialista para o país, sem dúvida, é o melhor caminho para o povo. Esteja certo de uma coisa, caro celira, não podemos permitir o retorno de um governo neoliberal. Pense na tragédia que seria o PMDB no Planalto…

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  3. Amigo Lopes,

    Concordo que o PSOL é uma alternativa interessante para o Brasil, contudo, sabemos que as chances deste são diminutas neste momento histórico.

    Daí que, diante do quadro político que provavelmente se desenvolverá nos próximos anos (perseguição desleal aos trabalhadores por parte dos tucanos com a finalidade de retomar ao governo), eu, particularmente, só vejo uma alternativa que satisfaça ambos os lados (no caso Marina).

    Por sinal, nunca podemos esquecer que a campanha dos trabalhadores foi extremamente desleal com sua ex-filiada, afinal, mesmo em uma suposta crise, nunca os bancos lucraram tanto neste país.

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  4. Sobre a crise, sim, amigo, concordo que a crise no Brasil é da ordem da burguesia, posto que, são estes que deixam de investir no país, são elesbque buscam meios obscuros de minimizar seus impostos, são eles que optam por serem especuladores ao invés de se tornarem investidores e empreendedores.

    Alguns meses atrás, na History, um interessante documentário mostrou a importância da alta burguesia na transformação de um país (no caso os EUA).

    Claro que eles não são modelos de igualdade, mas se fizeram grandes pois pensaram o país como nação, aqui, a nação são os parentes e afilhados dos grandes cargos que são distribuidos.

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  5. Mas quem disse que há tentativa de golpe? Quem mais menciona essa possibilidade é a Dilma e aliados com espírito de defesa.. Oficialmente a oposição e o povo querem renúncia. Alguns manifestantes ateiam essa tese, mas puro espirito de participação popular nos protestos.

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  6. Como assim “oficialmente”, Ferdinando? Oficialmente, minha vontade não é essa, e sou tão povo quanto você. A vontade nunca é oficial. Oficial é a ação. Oficialmente, a oposição coloca questões de um ponto de vista distorcido para defender o indefensável, a renúncia de Dilma. Basicamente, o problema é que o povo não se interessa por política e nisso reside uma crise de representatividade. Essa crise de representatividade ocorre essencialmente por duas razões, ao meu ver: 1) a despolitização do eleitor e, 2) a tentativa de representação popular pela mídia. A agenda golpista já desistiu do impeachment simplesmente porque não há razões para isso e agora forçará a renúncia. A oposição não é popular, é elitista, é midiática. A mídia pensa e age como um partido político. Mas age pelos próprios interesses. Note, há pelo menos duas formas de golpe. Uma pela força bruta, e outra pela propaganda. Hitler convenceu a Alemanha pela propaganda. Um bom exemplo de golpe pela foça é o de Idi Amin, em Uganda, nos anos 70. Há um filme sobre esse ditador; “O Último Rei da Escócia”… Com toda a certeza, a mídia não pensa por mim e vai precisar de muito mais que suspeita e efeitos especiais e bem mais de que um ou outro ladrão presos para convencer-me de que há culpa exclusiva do PT sobre um esquema montado e ativo desde os anos FHC. Pelo contrário, as notícias me convencem de que há agora, como nunca antes, verdadeira disposição de punir corruptos. Isso, por si só, já é uma diferença substancial entre o governo do PT e o do PSDB. Fique atento, caro Ferdinando, o golpe nunca é dito como golpe até que historicamente se reconheça.

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  7. Prezado celira, voto na esquerda desde sempre porque é uma convicção pessoal. E dificilmente deixarei de anotar essa perspectiva de futuro, principalmente num país onde a experiência capitalista é meramente colonialista. Quando o Brasil se voltou ao seu povo, deu certo. O PT não distribuiu migalhas à população, alavancou um grande salto de qualidade de vida para muitos brasileiros, que até então vivam à míngua. O discurso liberal de que programas sociais são a política de pão e circo se desfaz quando comparados os resultados entre os governos socialistas e liberais desde a redemocratização. Jamais vou basear meu voto na opinião dos outros, quanto mais estas se mostrarem desinteressadas da política. E Marina presidente, para mim, é uma piada.

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  8. Marina presidente é uma piada? Amigo, menos, até pouco tempo a mulher era o Luis Inácio de saia, bastou sair do PT e fazer um oposição até inteligente, já que tem defendido a manutenção da mandatária, para ela se tornar piada? Deve-se lembrar que, uma das premissas básicas para Marina ser uma via interessante para o povo está na sua história de vida… Só o pobre sabe o que é ser pobre, o intelectual sabe conceituar pobreza, mas nunca viveu a pobreza na pele, logo, muitas vezes lhe falta sensibilidade.

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  9. Sobre o PT, devo dizer que de fato eles promoveram a distribuição de renda como nunca antes neste país.

    Concordo plenamente, também, que não foram migalhas, como alguns gostam de bradar, apesar de que, entendo que os bolsas ja deram o que tinham que dar, cabendo ao novo (velho?) governo revolucionar a educação básica deste país (federalização?), somente desta forma poderemos afetar o aumento demasiado da criminalidade e revolucionar a saúde pública (aqui que cabe a pergunta, será que eles darão este passo?)

    Apesar de todos estes avanços sociais, é preciso dizer que foi neste mesmo governo que as empresas, bancos e grandes conglomerados mais lucraram na história do país.

    Em síntese, não existe governo apenas socialistas ou meramente liberais, dizer que é isso ou aquilo, como dizia a poeta, é ilusão.

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  10. Amigos Lopes e Celira, me permitam duas palavras.

    (a) o nyt não é dos mais credibilizados para dizer a favor ou contra o impedimento da presidente. E não é, dentre outros motivos que conhecemos, porque o nyt desconhece, ou finge desconhecer, que o impeachment é previsto na Democrática Constituição Federal Brasileira, dentre outras, em duas oportunidades, as quais hipotética e eventualmente poderiam se aplicar ao caso atual da presidência: improbidade administrativa e ofensa à lei orçamentária, como você podem verificar abaixo:

    Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:

    (…)

    V – a probidade na administração;

    VI – a lei orçamentária;

    Logo, golpe é uma coisa, impeachment é outra coisa totalmente diferente. Um golpe desobedece a Constituição. Um impieachment O outro tem amparo na constituição para se efetivar, tudo ficando na dependência de se demonstrar que ocorreu improbidade ou algum ato que atente contra a lei orçamentária.

    Ocorre que até agora o que se tem são apenas investigações que podem ou não implicar os atos da presidência.

    Assim não se pode falar em golpe! Primeiro porque o processo de impeachment é previsto na Constituição Democrática Brasileira que prevê que os presidentes tem responsabilidades com a nação as quais podem ser cobradas pelo povo através de seus representantes. Segundo porque não existe (e nem se sabe se vai existir) nenhum processo de impeachment cobrando as responsabilidades da presidente.

    Se fosse possível falar em golpe, haveria de ser falado da parte do próprio governo que ao contrário do que se propala vem tomando medidas para impedir que as investigações se concretizem tanto através de seus órgãos oficiais, quanto através de seus órgãos de imprensa, coisa que o nyt também desconhece ou finge desconhecer.

    (b) eu acredito firme que não haverá impeachment, menos por inexistência de razões factuais para tanto, mais pelas medidas de contenção dos efeitos das investigações que vem sendo tomadas pelo governo, tais como o recente acordão celebrado com o Renan Calheiros.

    (c) acho que é cedo para se falar na substituição do pt no comando do governo central, seja agora, seja em 2018. Afinal, se o partido vem acomodando tudo no Brasil da maneira como querem os verdadeiros donos do poder, não há motivo para que estes conspirem para sua deposição. No máximo o que pode ocorrer é alguma pressão para que o partido não vá com muita sede ao pote, mas uma vez controlado o saciamento da sede, vai se deixando que ele fique. Aliás, como tenho feito ultimamente, valho-me de um dos profetas do governismo para sustentar esta minha última e já antiga assertiva:

    (…)

    “É o pano de fundo. Na ribalta, a “guerrilheira” Dilma não é Jango, e seu governo oferta à casa-grande garantias suficientes para pôr em sossego seus inquilinos. Não é por acaso que o diligente bancário Joaquim Levy lá está para executar a lição da própria. Por que intervir, se a vivenda dos especuladores e dos rentistas está em ordem? E, de outro ângulo, porque enfrentar a incógnita do pós-Dilma, se por ora o governo acuado se dispõe a levar em conta, e se possível executar, um pacote de providências pelo Senado, reduto, aliás, de números oligarcas?
    (…)

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  11. A propósito, inadvertidamente, esqueci de aspear e registrar que a transcrição do texto que fiz no post que está sob moderação faz parte de um artigo de autoria do Mino Carta, chamado “A fênix nativa”.

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  12. Amigo Antônio Oliveira,

    Apesar de Gerson ter se utilizado apenas do editorial do NYT. É preciso dizer que quase todos os veículos midiáticos, tantos europeus quantos estadunidenses, destacam que são contra um eventual impeachment, logo, não se trata de desconhecer as leis brasileiras.

    Sobre golpe, bem, penso que, se vier a acontecer, a história dirá se foi ou não golpe. Basta lembrar que 1964 já foi visto como revolução, coisa que, nos dias de hoje soa como uma enorme afronta aos que viveram e morreram no período de chumbo.

    Apesar de entender que a história dirá (golpe ou revolução?), eu tenho uma posição sobre esses acontecimentos que pontuarei rapidamente:

    – Para mim tratasse de uma tentativa forçada de retormada de poder por parte daqueles que habituaram-se a governar o país sozinho desde quando Cabral pintou nestas terras.

    – As falas golpista de FHC é um modo de pressionar tanto a justiça como a própria mídia a posicionar-se pró-oposição (agora a palavra de ordem é: dignidade é renunciar).

    – José Serra, no programa Roda Viva, declarou que dificilmente Dilma terminará o governo (o cara tem uma careca de cristal?) e que o apoio do PSDB para PMDB é possível e provavel (claro sinal de fumaça do tipo: se vocês quiserem tirar a mulher do poder e assumir o cargo, nós os apoiamos até 2018).

    – Aécio reune-se dia sim e dia não com a oposição com a finalidade desestablizar o governo (isto inclui Cunha), reforçando uma crise política.

    – DEM, antigo PFL, já voltou a andar agarrado com o PSDB fazendo o mesmo tipo de discurso.

    – Alguns tucanos já falavam em novas eleições, mas, diante da fragilidade da tese, voltaram atrás, posto que desta forma a palavra golpe seria mais óbvia ainda e, também, por precisarem do PMDB em um eventual mandato.

    Em síntese, Amigo Antônio Oliveria, enquanto não tiver nada contra a mulher – diferentemente de você, penso que a abertura das investigações de combate a corrupção seja o maior legado dela, reconhecido internacionalmente, por sinal – qualquer tentativa de desestabilizar o país, visando a renuncia ou impeachment, é tentativa de golpe.

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  13. Amigo Celira, lhe chamo para refletir sobre os seguintes pontos:

    1. será que o fato dos canais midiáticos alienígenas serem contra o impeachment significa que eles conhecem as regras estabelecidas na Democrática Constituição Brasileira a respeito dos deveres e responabilidades de um presidente da república brasileiro?

    2. Será que o só fato dos canais midiáticos alienígenas serem contra o impeachment transforma em inconstitucional ou ilegítimo a instalação de um processo de impeachment contra a presidente?

    Depois, vale lembrar que examinando a tradução disponibilizada pelo Blog, que é compatível com as demais que circulam nas redes sociais (inclusive com uma publicada no O Cafezinho), não parece que ali esteja dito que o nyt é contra o impeachment mesmo no caso de ficar demonstrado que a presidente violou os seus deveres e responsabilidades constitucionais. Senão, vale conferir um trecho que aborda esta questão:

    (…)

    “Até agora, as investigações não encontraram provas de atos ilegais de sua parte. E embora Rousseff seja sem dúvida responsável pelas políticas e grande parte da má administração que derrubaram a economia brasileira, estas não são ofensas que levem a um impeachment.

    “Forçar Rousseff a deixar o cargo sem evidências concretas de erros causaria grave dano à democracia que vem se reforçando há 30 anos, sem qualquer benefício compensatório. E nada sugere que os líderes à espreita fariam um melhor trabalho na economia.”
    (…)

    Do texto, me parece claro que o nyt considera que até agora não cabe o impeachment, porque “até agora as investigações não encontraram provas de atos ilegais” , não sendo possível, “forçar Rousseff a deixar o cargo”, porque até agora não há “evidências concretas de erros”.

    Logo, se o que entende ou considera o nyt, ou qualquer outro canal midiático alienígena for importante, relevante, decisivo para uma avaliação sobre o que o Estado brasileiro, através de suas instituições democráticas deve, ou não deve fazer, surge então uma última reflexão a fazer:

    3. nesse caso, assim que as autoridades investigativas brasileiras conseguirem alguma prova de ilegalidade cometida pela presidente ou evidência concreta de ilegalidade pela presidente, será possível submetê-la impeachment e que tal providência não será golpe?

    (cont.)

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  14. Prezados, todo discurso apartidário, auto-considerado acima de toda ideologia, é fascismo. E essa é uma característica do discurso anti-Dilma, e, diga-se, também anti-PT, que é o da negação do partidarismo, como se negá-lo fosse uma declaração de inteligência, como quem diz, “yeah baby, você não me engana!”. Mas o engano ocorreu muito antes, na negação da ideologia e do partidarismo. O verdadeiro estelionato eleitoral reside exatamente aí, na conformação apolítica que iguala partidos a quadrilhas, na raiz fascista que sustenta todo esse arraial ignóbil que apenas reproduz o desejo elitista de vingança (vingança, e não punição) sobre o PT. A elite perdeu um pouco de seu poder histórico ao ver a distância entre pobres e ricos um pouco, muito pouco, só uns milímetros, diminuída. Foi o suficiente. O suficiente para dar vazão ao sentimento, golpista sim, de fora Dilma. Os resultados do governo petista mexeram no dinheiro da classe alta, mas, diferentemente de Collor, não com confisco, e sim com distribuição.

    Ocorre que o julgamento moral pode ser um ato falho. E na escorregada que deu Dilma, quando errou a mão no primeiro mandato ao inventar, ao acreditar na própria tese política de que a crise seria facilmente superada, quando acreditou e superestimou os próprios resultados. Manteve muito altos alguns gastos que deveria ter prudentemente reduzido. Previu Dilma, suponho, que uma redução da intensidade das políticas sociais seria um prato cheio para a oposição nas eleições. E seria mas, ao insistir na estratégia de manter altos gastos com as políticas do Estado, armou a própria conjuntura desfavorável. Também acreditei que o Brasil passaria com mais facilidade pela crise internacional do capitalismo, não porque acredite cegamente no PT, mas no povo. O povo brasileiro é incrível e capaz de transformações como qualquer povo da Terra. E o problema é exatamente esse, apenas o povo acredita no povo. O PT acreditou na elite, que a elite investiria no país quando visse o crescimento. Enganou-se. A elite nacional investe em qualquer povo, menos no seu, e de preferência na América do Norte ou Europa.

    Há enganos, de parte a parte, que precisam ser reconhecidos e desfeitos. O PT precisa desfazer o engano de aceitar políticas neoliberais para ter aliados, só porque seus aliados são seus adversários. Não serão, já são, e isso é cristalino como água de nascente. O povo precisa retomar a confiança em políticas sociais e o Brasil precisa se recuperar da total inércia da plutocracia nacional. O Brasil precisa voltar a investir no povo, como fez Lula um dia. E Dilma precisa de apoio para continuar com uma agenda socialista, o que a mídia tem conseguido impedir. Assim, isolada, terá sempre dificuldades e só mesmo com a retomada do apoio popular poderá voltar a governar para o povo.

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  15. (cont.)

    Partindo do princípio que golpe é uma coisa impeachment é outra, completamente diferente, só poderemos dizer se ocorreu um ou outro, se, e somente se, a presidente vier a ser submetida ao processo do impeachment. Afinal, é só a partir daí que poderemos saber quais foram os motivos e avaliar se eles são ou não são factuais, comprovados, evidentes de algum descumprimento dos deveres que a Constituição impõe a um presidente brasileiro.

    E, se realmente acontecer o impeachment (o que acho difícil em face das recentes manobras governistas) talvez nem precisemos esperar tanto pra saber se as acusações são factuais ou não são.

    Exemplo disso é o caso do José Dirceu (preso a meu ver injustamente no caso do petrolão). Ele na época do Mensalão, dizendo que era um sujeito hipossuficiente do ponto de vista financeiro e econômico (pobre mesmo), fez uma coleta entre os militantes do pt para pagar a multa a que foi condenado. E os militantes compareceram e fizerm a coleta e a multa foi paga.

    Ocorre que recentemente, quebrado o sigilo bancário do José Dirceu, surgiram as evidências concretas, foi demonstrado, provado e comprovado, foi descoberto que ao contrário do que dizia, ele é um sujeito milionário, que exatamente naquele período em que passava a sacolinha entre os militantes ele recebia milhões de reais decorrentes das Consultorias empresariais que fazia.

    Quer dizer, se os milhões destas consultorias descobertos agora são ou não legítimos, é situação que ainda se vai investigar e quem sabe até são legitimas mesmo, só o futuro dirá.

    Mas, que ele mentiu quando quis se passar por pobre, por necessitado, por alguém que precisava do auxílio dos militantes, isso é incontestável, é factual, é evidente, é concreto.

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  16. Caro Antônio,

    As mídias alienígenas destacam que não há justificativas para o impeachmant. Logo, quando falo em golpe, falo de tentativa de golpe, posto que, a pressão exercida pelas mídia nacional, pela oposição e pelos eleitores de Aecio visa basicamente desestabilizar para retirar a candidata eleita no grito.

    Isso, de fato, não é golpe. É tentativa de golpe (Reinaldo Azevedo vive bradando que Dilma deve cair).

    Ora, meu amigo, se não existem justificativas para a retirada da mandatária, qual a razão que justifique esta tsunami toda levantada pelos opositores? Por que especular sobre fim de mandato? Por que colocar renúncia como alternativa honrada? Por que reunir dia sim é dia não para conjecturar um processo de impeachment? Por que querer outra eleição?

    Perguntas que podem ser respondidas com uma palavra: golpe (que não foi consolidado).

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    1. Amigo Lira, a situação seria tragicômica, típica de uma republiqueta de bananas, não fossem os exemplos históricos no continente e no próprio Brasil. Já fizeram isso outras vezes, com bons resultados (para eles). Não há qualquer justificativa para a deposição da presidente. Os eventuais erros de natureza econômica são comuns a governos democráticos e, se fosse assim, FH não poderia sequer pisar mais em solo pátrio. Por outro lado, a escaramuça institucional que Aécio e outros retardados tentam fazer parece apenas atitude de quem não se conforma por ter perdido a eleição. Derrota nas urnas não pode jamais ser causa e origem de impeachment.

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  17. Amigo Lopes, quando escrevi o comentário 18 (que ficou até agora na moderação) ainda não tinha conhecimento do seu comentário 17 (acho que ele também estava na moderação). Com efeito, é dizer que meu comentário 18 não foi elaborado para responder o seu comentário 17.

    Pois bem, dito isso, a propósito de seu comentário 17, gostaria de aduzir uma ou duas palavras. Aí vão.

    De minha parte, não me considero, nem nunca me declarei apartidário. Eu tomo partido, e o faço com base em sólidas convicções firmadas com base naquilo que penso captar da realidade que esteja ao alcance da minha percepção.

    Quanto ao fascismo que você refere ali, o que eu digo é que não podendo falar pelos outros, só posso afirmar que o que vai no meu sentimento e proceder, é que inscrevo minhas opiniões e atos no rol das manifestações informadas pelo mais elevado sentimento democrático que me permite, dentro dos limites da nossa Constituição, conhecer, experimentar e avaliar os fatos e expressar a sensação que eles me provocaram. A circunstância e eventualidade destas minhas sensações serem diferentes daquelas que você e outros adeptos do governo experimentam sobre os mesmos fatos me parece que tem um nome, mais de que um nome, um significado muito claro: democracia.

    Noutro giro, de dizer que não me parece assente com a realidade o asserto segundo o qual o governo petista mexeu no dinheiro da classe alta e o distribuiu. O universo fático e o próprio discurso “fanfarrônico” d’alguns expoentes do petismo deixam à cristalina mostra que o dinheiro da elite permaneceu intocado, intacto. Ao contrário ele foi multiplicado. Tudo muito consentâneo com as palavras orgulhosamente proferidas pelo Lula: ‘nunca os banqueiros ganharam tanto, como ganharam com o governo petista’.

    E não são apenas as palavras do petista mor que mostram a tendência do governo que aí está pelas pautas da elite. Todos os apoiadores midiáticos do petismo, eventuais ou permanentes, nos últimos dias (quando vem desembarcando gradativamente da aventura midiática que artificializava o bem estar da população mais carente sob o petismo), estão reconhecendo a opção neo-liberal do governo.

    De fato, todo o dia venho transcrevendo aqui no Blog um artigo, um comentário, uma nota, uma opinião reconhecendo tardiamente os descaminhos ideológicos no governo petista, os quais eu e outros comentaristas vinhamos apontando aqui desde sempre. Hoje dei a palavra ao Mino Carta lá no comentário 12.

    Por último, quero deixar escrito que o governo petista não é vítima da elite, não teve sua confiança traída pelo rentistas, não foi enganado pelos detentores do grande capital.

    Na realidade, o governo desde o seu primeiro dia de gestão fez deliberada opção pelo neoliberalismo, pelos rentistas, pela elite.

    A rigor, transmudou-se ideologicamente desde antes de vencer o pleito em 2002, ainda na campanha, formalizou esta opção quando assinou a Carta ao Povo Brasileiro, onde, dentre outros compromissos, assumiu o de “respeitar os contratos”, o que, na prática, significava conservar, manter, permanecer com todas as práticas de interesse da elite. E tristemente manteve a palavra, cumpriu rigorosamente o compromisso.

    Mas, numa coisa eu estou de acordo com você: o povo brasileiro, nós, merecemos todo o crédito. Mesmo com estes governo e oposição que aí estão, apesar destes governo e oposição que aí estão, nós vamos resolver isso.

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    1. Não discordo do ponto de vista quanto à vida mansa que as elites e oligarquias continuaram a ter ao longo dos governos petistas. Só não entendo é a recusa em admitir que pela primeira vez na história do país os pobres também tiveram direito e vez na forma de projetos de inclusão social.

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    1. Engano seu, amigo, não cultivo ódio em relação a ninguém. Não é pessoal. Entendo apenas que é um agrupamento altamente lesivo ao país e que, por razões que já conhecemos, usufrui de uma impunidade única na histórica republicana. A própria Operação Lava Jato se revestiria de um sucesso total, perfeito e indiscutível, se lançasse um olhar sobre as falcatruas e bandalheiras de políticos do PSDB. Do jeito como o próprio juiz Moro trata o assunto, cheio de cuidados em relação a Aécio & cia., a operação chafurda na injustiça e na parcialidade, perdendo excelente chance de realmente sanear as relações entre empreiteiras, políticos e empresas estatais.

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  18. lopesjunior.

    O povo somos todos nós, mas hoje 71% reprova o governo Dilma, logo o termo “oficialmente” estar bem empregado na linguagem figurada.

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  19. Pois é, caros debatedores do blog, já expliquei porque fascismo e apartidarismo no fundo são a mesma coisa, que o apartidarismo é prova indiscutível do comportamento fascista. E que o próprio mote fascista de criminalização do partidarismo é o passo adiante do golpe contra a democracia. O próximo passo será buscar empoderar o líder messiânico (qual seja, Aécio?, Cunha?)… Não quis dizer, Oliveira, que seu discurso apartidário é fascista e nem quase isso, e quis dizer que Marina, caro celira, tem a forragem messiânica de líder que veio do céu, mas não a clareza necessária a todo líder que teria de ter para explicar o que fazer com o país, com a mesma firmeza e convicção de um Lula, socialista desde as diretas. Marina é só uma imagem construída a partir da desconstrução do PT, uma “vítima”, como a própria Marta Suplicy também quer ser. E poderá até ser, mas sempre entre aspas, como Marina. É um erro, e um erro crasso, apostar em personalismos, já que esse é o caminho de volta ao coronelismo, àquela política messiânica. E um atalho ao surgimento de um modelo latino-americano do fascismo. Em todo esse processo me esmero para defender o PT porque o partido tem relevância histórica para a nação e para a redemocratização. E para o povo. Vejo o PT abaixo do Estado, o que é bom, face à supremacia neoliberal do PSDB-DEM, que se coloca a parte e acima do Estado. Vejo que a punição aos corruptos está ocorrendo e se há penas que o povo considera decepcionantes é porque elas foram elaboradas por muitos daqueles que poderiam ser acusados de serem corruptos um dia. Defendo o PT e Dilma porque é preciso valorizar os princípios partidários porque sem eles resta o fascismo e, com o fascismo, nos despedimos da democracia. A sanha golpista da direita por poder, poder e poder já ultrapassou o limite de tolerância democrática, caminhando a passos largos para um golpe contra o povo. Por último, caro Ferdinando, pesquisas de opinião nunca mais terão credibilidade desde os métodos suspeitos e tendenciosos de realizar as pesquisas, ou, de outro modo, desde que se sabe que as pesquisas são talhadas para dar os resultados que o freguês pede, é fácil manipular os dados para se ter o resultado desejado, e nada isento, que as pesquisas têm que apresentar aos contratantes do serviço. Ou seja, fidelidade à realidade só quando interessar ao cliente. Não importa quantos porcentos reprovem o governo hoje, porque esse número varia com o tempo e terá picos para mais e para menos e é claro que com uma crise e todo esse apoio da mídia tucana ao golpismo, é natural o efeito observado sobre a popularidade do governo.

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