A saga do vira-lata boleiro

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Por Gerson Nogueira

Essa mania nacional de dar ares formais e solenes a tudo ainda vai acabar com a graça de coisas tão desimportantes e admiráveis como o futebol. Sempre desconfiei de quem se leva demasiadamente a sério, buscando transformar cada frase em rubrica legal e qualquer bate-boca em debate sisudo. O mesmo vale para as pequenas surpresas do dia-a-dia. Aqueles acontecimentos banais que tornam a vida menos pesada e mais palatável.

unnamed (33)Como aquela invasão serelepe do vira-lata, que penetrou como um raio na grande área do Paissandu e paralisou o Re-Pa por alguns minutos. Seria o cãozinho preto o tal Sobrenatural de Almeida de que falava o genial Nelson Rodrigues? Ou apenas um agente das forças imponderáveis que regem esportes coletivos?

Jogadores, técnicos, trio de arbitragem, torcedores e dirigentes presentes ao Mangueirão reagiram conforme mandam as normas não escritas do futebol: inicialmente com surpresa, depois com risadas e piadas em homenagem ao grande personagem do jogo.

O Re-Pa, disputado 720 vezes até hoje, jamais havia vivido um momento tão surpreendente. O improvisado pocket-show canino vai render histórias sem fim, será contada aos filhos e bisnetos dos torcedores que testemunharam a cena. Será avaliado através do tempo com a importância que situações desconcertantes devem ter.

Nas redes nacionais de TV e na internet, a repercussão foi assombrosa. Corre o mundo, via YouTube, os preciosos segundos que o vira-lata roubou do duelo mais disputado no futebol brasileiro, diante de 22 mil espectadores embasbacados.

Vi, com tristeza, um comentarista de TV a cabo descer a ripa no episódio, qualificando de antiprofissional. Segundo ele, foi uma cena incompatível com o país que vai sediar a Copa do Mundo. O que dirão lá fora? Indagou, à guisa de preocupação com a imagem do país. Ora, não dirão nada. Ou, se disserem, pouco importa. Aconteceu apenas.

O cãozinho foi rápido como um raio na busca ensandecida pela bola, objeto de desejo dos outros 22 atores presentes ao campo de jogo. Que mal há nisso?

Transformar tudo em tese de doutorado é o atalho mais simples para a chatice. Desconfio que, como é próprio do Brasil atual, logo aparecerá um pascácio qualquer fazendo um ensaio sobre a imprevisibilidade dos impulsos caninos.

Estou certo de que o país da Copa corre mais riscos pelas mãos e atitudes de gente supostamente sã e racional do que pela corrida feliz de um cachorro brincalhão solto num campo de futebol. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola) 

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Em defesa do Mangueirão

Duas manifestações pertinentes sobre as más condições do gramado do estádio Jornalista Edgard Proença. “Será que ninguém pensa neste estado? Por que não colocam uma lona sobre o gramado para proteger da chuva, até a hora do jogo? Seria a coisa mais simples, teria baixo custo e já protegeria bastante o gramado. Até no Baenão, há alguns anos, havia lona semelhante”, sugere o leitor Danilo Farias.

Já o baionense Luiz Carlos Barros Henderson e Silva lembra que no começo do ano passado encaminhou e-mail à administração do Mangueirão cobrando providências. “Recebi uma resposta com a promessa de aplicação de recursos que já estavam certos para esse fim, mas o tempo passou e nada foi feito. Hoje o estádio é motivo de vergonha para o nosso Estado. Peço a vocês da imprensa que não deixem que isso fique no esquecimento e questionem o que aconteceu com os recursos que já estavam liberados para as melhorias”, observa.

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A chance de experimentar

unnamed (81)Contra o quase mambembe Náutico roraimense, hoje à noite, o Papão tem a oportunidade única de botar em ação algumas de suas crias. Murilo, Araújo, Gleysinho, Chileno e João Gabriel poderão se apresentar e mostrar se estão realmente aptos a encarar as labutas profissionais. Já exibiram qualidades em outras jornadas, mas a partida válida pela Copa Verde tem todos os ingredientes de um confronto decisivo e importante.

Ocasião mais do que propícia para que os garotos ganhem musculatura emocional para voos mais ambiciosos. Mazola Junior tem ainda a chance de lançar o zagueiro Lacerda, seu mais recente contratado, que ainda não foi apresentado à torcida.

Na verdade, a goleada imposta no jogo de ida transformou a volta num autêntico piquenique, treino de luxo para o clássico Re-Pa do próximo domingo. Os técnicos costumam agradecer aos céus por ocasiões como essa.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 18)

29 comentários em “A saga do vira-lata boleiro

  1. O futebol profissional está se tornando a variedade mais coxinha do esporte bretão.
    Enquanto no showbow o Djalma assa uma picanha depois dos jogos e as partidas de sub-20 terminam empatadas em eletrizantes 3×3, no futebol profissional tudo é levado muito a sério e, por isso, quase tudo também vai parar nos tribunais.
    Quem não lembra dos Corinthianos presos após lançarem rojão na direção da torcida adversária? Do imbróglio envolvendo o meia Héverton, ex Portuguesa, e do tenebroso episódio de racismo envolvendo Tinga? Até os torcedores estão levando o futebol, que já foi uma brincadeira, á sério demais.

    Por isso acho que um cachorro foi pouco na rodada de domingo. Se for pra ter risada e descontração, tem que ter mais cachorro. Por todo Brasil. Quem sabe assim as pessoas se lembrem que nossa paixão nacional já foi uma baita descontração…

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  2. Penso, Gerson e amigos, que na hora que estamos falando de futebol profissional, isso tem que ser cobrado mesmo. Percebam que esse mesmo cachorro já estava dentro de campo, no aquecimento dos goleiros e ali, nenhuma providência foi tomada. Será que se não tiver cobrança, “amanhã” não estarão até escolhendo os melhores cachorros para adentrarem ao gramado de jogo? Eu não duvido.. Virou piada, é verdade, até eu ri de muitas charges e tudo mais, mas estariam Remo e Paysandu rindo, se este mesmo cachorro tivesse contribuído para um gol? Temos que entender que uns conseguem rir e cobrar, outros, apenas rir, outros, apenas cobrar…assim é o ser humano e nenhum está errado, a meu ver.

    É a minha opinião.

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  3. De fato, foi muito infeliz o comentário do pachorrento Lédio Carmona a respeito da cachorrada no Mangueirão. Falou com tanta indignação que dava até a entender que considerou o divertido fato tão grave quanto aquela selvageria proporcionada por gangues no jogo Atlético(PR)xVasco.
    No entanto, é forçoso reconhecer que esse foi o RexPa mais falado nacionalmente dos últimos tempos, justamente por causa do inesperado protagonismo canino o que indica não ser mais o nosso futebol tão digno de atenção como há pouco tempo era.

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  4. De minha parte também não acho que se deva fazer um cavalo de batalha do episódio. Máxime quando se lembra que situação semelhante já ocorreu até em jogo de copa do mundo, onde estavam em campo jogadores como Garrincha e outros do mesmo naipe.

    Aliás, coisa pior já aconteceu e acontece ao redor do mundo, inclusive no Brasil, onde racionais comumente invadem o campo de jogo para abraçar jogador ou tentar agredir a arbitragem. Recentemente, houve um até que valendo-se de sua condição de funcionário de um clube, impediu o gol do adversário.

    Contudo, também creio firme que passado o acesso de riso, inevitável pela comicidade da situação, sem alarde ou promoção midiática, há de tomar providências, as quais passam inclusive pela articulação de críticas, para que episódios como estes, ou de ordem semelhante, não se repitam mais.

    Não foi o caso, mas se o animal tivesse impedido ou favorecido um gol ou mesmo mordido um atleta? A verdade é que, hilário ou não, o fato demonstrou uma falha da organização do evento que permitiu que mesmo antes da partida, o animal já estivesse no campo de jogo. O acidente não teria acontecido se providências realmente eficazes tivessem sido adotadas logo ali.

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  5. Ontem, um repórter da Rádio Clube chamou a atenção para um fato que os profissionais da imprensa que vão trabalhar passam todas as vezes que precisam adentrar nas áreas específicas do Mangueirão, tudo bem que a identificação deste ao seu local de trabalho faça parte de uma rotina dentro de uma instituição, mas o que falar da quantidade de gente que entra no campo de jogo sem pertencerem as equipes envolvidas no embate? O cachorro foi um mero detalhe se comparado a enxurrada de pessoas não autorizadas que deveriam estar nas arquibancadas e jamais no gramado de jogo, banco de reservas ou “escondidas” nos túneis de acesso.
    !

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  6. É amigo Gerson,
    Se fosse nos tempos de Nelson Rodrigues, crônicas sobre o imprevisível estariam sendo redigidas, retratando que no País do futebol até cachorro são o dono bola e amantes do futebol.

    Mas, em um Brasil que teima em querer ser europa no que ela tem de pior (a sissudice de seus cidadãos), escreve-se e fala-se do absurdo que foi a entrada de um cachorrinho no campo de jogo, só por que este simples cão ama futebol… e ama o Papão.

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  7. Sr. Gerson, daqui a alguns anos o neto do Rocildo vai dizer e escrever que o atacante azulino havia passado por toda defesa e quando ia fazer o gol aparece o sobrenatural do Almeida na pele do pretinho e evita que o CR ganhasse o jogo, coisa de remista!
    Quanto ao Mangueirão, o nosso atual governador quando assumiu contratou peritos de tudo que era especialidade dizendo que o Manga estava preste a cair e coisa e tal prometeu uma ampla reforma inclusive no gramado, e o que fez foi colocar um placar fajuto no lugar de um ultrapassado, mas isso não foi só no futebol.
    E uma observação, o Gleissinho está no Gavião.

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  8. Pior do que o cachorro, fez um radialista, deu com o microfone no rosto de um jogador do Paysandu, recebeu uma rasteira e em seguida invadiu o campo correndo atrás de jogador, atrapalhando um gol azulino, o lance foi no meio do campo o juiz paralisou o lance, mas o atacante remista prosseguiu e fez o gol, até hoje o gol é lembrado como sendo surrupiado.

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  9. É, foi um lance engraçado, diferente, mas também tem o outro lado da moeda: nosso futebol estadual anda tão combalido que dá dó. Só um lance esdrúxulo como esse para fazer com que nosso estadual e a dupla Re-Pa aparecerem em rede nacional e acima de tudo servindo de piada para todo mundo.

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  10. Sem dúvida mais um fato para entrar na história dos clássicos, se por um lado o canis familiaris viverá aproximadamente 12 anos, ficará imortalizado em fotos, vídeos e prováveis livros e almanaques do RE X PA. Lédio Carmona sempre foi um cara chato e mala, daqueles que prima por um exacerbado ‘profissionalismo’ do futebol: onde a torcida não xinga ou grita, só aplaude ou vaia… com isso o esporte tende a ficar tão emocionante como assistir uma partida de xadrez, não sou defensor do pandemônio e muito menos de seriedade exagerada e no mais o serelepe cão está bem longe de ser a maior vergonha do país que sediará a copa.

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  11. O Gleissinho está no Gavião;
    O Lobo é Primo do Cão, logo, o encontro foi um evento familiar, nada a contestar ou tentar difamar, quem retornou ao Bicolor foi garoto Caio, lateral esquerdo;
    Quem é Lédio Carmona? ele é tão insignificante, que a maioria dos doNorte, não o conhecem, tremendo Zéruela; por falar em Zéruela, o retro citado, falou o que da garfada sobre o Vasco e qual comentário dele sobre as “medidas” adotada pela CBF, para inibir a repetição de assaltos daquele tipo, em pleno cenário da Copa 2014?

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  12. Tem muito repórter que não pode ver um garoto da base dá um chute, que ele logo considera o cara um craque, um fenômeno do futebol. Esse Caio é um deles, o repórter que cobre o Paysandú, fala maravilhas desse jogador, até na Seleção o repórter já colocou esse atleta. O interessante que ele não joga em lugar nem, vai de onde , não sei pra onde, volta e acaba não jogando nada. Afinal esse Caio joga alguma coisa ou não?

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  13. Amigos do Blog, o post 14, é de minha autoria, desculpem, nem atentei que o endereço não estava gravado.
    Valentin, post 16, no lance que citas, o jogador do Bicolor se jogou tentando antecipar-se ao ratinho, a queda, foi pelo piso escorregadio, não pela finta, mesmo que assim o fosse, não vais querer agora, cantar lorota sobre dribles, vais? ou isso já é mais uma pauta, para as férias que se avizinham?

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  14. O Cláudio “chega das coisas da terra” Santos tem razão. Apesar de o futebol ser a coisa mais importante dentre as menos importantes, como diz um jornalista, o certo é que esse fato de o cachorro adentrar no campo deveria ser evitado.

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  15. Rocildo, o garoto Caio joga bola sim, e muita bola, agora nunca foi aproveitado como se deve, tampouco, foi dado a ele alguma oportunidade no time profissional, exceto aquela partida contra o Sport Recife, onde já rebaixado, escalou um time cheio de garotos, inclusive não se apresentou bem, mas, isso não o desqualifica; o retorno dele, ao qual me referi anteriormente, é que fora emprestado ao Vitória da Bahia, mas, ao chegar lá, ele percebeu que o prometido não seria honrado, então, rasgou de lá, de volta prá casa, no que penso estar certo, afinal, não há porque deixar-se aviltar.
    Quanto ao repórter, ele só divulga o que vê, e a anunciada convocação do Caio para a Seleção sub-17, só não foi efetivada, devido ao mesmo não estar sendo aproveitado nem no banco de reservas do time principal, é o mesmo caso do goleiro Júlio Cézar da Seleção, que corria o risco de não ser convocado para a Copa, e teve que buscar time que está competindo numa primeira divisão do seu país. mesmo ganhando salário menor.

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  16. Essa torcida sem divisão pede pra passar vergonha mesmo. Agora vão dizer que o Emo tem mais dribles que o paysandu??? Parem com issso, não percebem o quanto sao ridículos?

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  17. Na Inglaterra, de vez em quando, um esquilo cruza o gramado durante as partidas e o mundo não acabou por isso. Situações assim são, acima de tudo, engraçadas.

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  18. Parabens pelo comentário sobre o cão no gramado Gerson Nogueira. O que mostra que vc é imparcial ao contrário do que muitos aqui de um lado e de outro dizem. Quanto ao que o reporter da TV a cabo criticou sobre a prensença do cão no jogo, é a opinião dele e ninguém pode mudar. Mas podemos contestar e dizer que comparar o fato do cão no gramado com as selvagerias que vem ocorrendo dentro e fora de nossos estádios, afirmando que ambos são motivos de vergonha para o País la fora é muito equivoco da parte desse senhor, que alguns ja afirmaram tratar-se do chato Lédio Carmona que poderia bem ser tédio carmona. A guerras entre torcidas pode sim manchar nossa imagem, mas o fato do cão no gramado é absolutamente e facilmente solucionável sem qualquer ônus para as autoridades, bastando para isso proibir entrada de animais. Mas acabar com as selvagerias de algumas torcidas, isso sim e dispendioso e difícil. A isso ele deveria se reportar. É evidente que não aprovo cão ou qualquer animal em gramado de jogo, nem mesmo aqueles que ficavam antigamente com os policiais no tempo do Mangueirão das famosas gerais. Mas daí esse senhor fazer disso uma tragédia é precipitação da parte dele por vários motivos: não foi premeditado, foi sim muito engraçado e tem muita gente por aí se divertindo. Rir é bom. E mesmo se fosse premeditado e o treinador bicolor tivesse “treinado o cão” para o jogo como brincou, mereceria ressalva porque foi um fato alem de inusitado pois a logica seria o cão ou qualquer animal que soltassem no gramado como aquele urubu com a camisa do Flamengo que soltaram no Maraca lotado, era o bicho correr aleutoriamente sem rumo e sem direção, mas o cão correr em alta velocidade em direção ao jogador azulino que vinha distante com a bola , também em alta velocidade, alcança-lo e atrapalhar sua situação clara de chute a gol foi realmente incrível. Acredito que esse cão ficou famoso mesmo e deverá pintar nas videos cacetadas do Faustão no domingo. rsrsrsrsrsrsrs. Eu acho que esse Ledio Carmona fala mal agora, mas deve ter se desmanchado em riso quando soltaram no Maracanã um urubu com camisa do mengão em decisão de carioca contra o Bota e o Mengão venceu o jogo, aqui não. foi empate e poderiamos até perder. ja imaginaram se o ratinho chuta, a bola bate no cachorro e entra, o sarro eterno que os azulinos fariam com os bicolores, unico time que teria levado gol de cachorro, ?????kakakak mas com deu certo, foi ao contrário, o cão atrapalhou o gol azulino, o sarro é nosso kakakakakakak. E ja disse;não adianta levarem o Sadam domingo porque ele é primo do lobo, está mordido por passar fome naquele recinto azulino, depois não vão reclamar se o sadam fizer gol contra no goleirão Lar Fabiano de Cristo

    kakakakakakakakakakakakakakakak
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  19. MUITA ATENÇÃO;

    Acabaram de descobrir o motivo da invasão do cão negro ao gramado atrapalhando o ataque azulino: o motivo é que o cão negro ficou emocionado com a apoio anti racista em favor do jogador TINGA feita pelo Paysandu, onde o Paysandu de colocou de listrado em preto e branco, para campanha, e o cão que é negro ficou emocionado com a taitude bicolor, e resolveu dar uma ajudinha ao Papão. Ajudinha não, ajudaçaaa
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