Uma reflexão sobre o Super Bowl

Por Erich Beting 
Esqueça o valor do comercial de 30s na televisão. Isso não é, nem de perto, o grande segredo do Super Bowl. Mesmo com a cifra recorde de US$ 4 milhões pelo tempo mínimo de publicidade na TV, a grande final do futebol americano é uma aula em tempo real de como deve ser tratado o esporte para, assim, ser capaz de gerar o segundo mais valioso da publicidade mundial.
Para começar, engana-se quem pensa que a TV fatura horrores com essa publicidade. Porque a conta dela para transmitir o evento é muito mais salgada. A Fox, que foi quem exibiu a decisão deste ano, amealhou cerca de US$ 360 milhões com os comerciais. Para ter os direitos de transmitir a temporada da divisão da NFC e ter a exclusividade sobre o Super Bowl, porém, a emissora desembolsou três vezes mais do que isso: US$ 1,1 bilhão.
O sistema de venda de direitos de transmissão da NFL é, aliás, a primeira aula a ser dada para o mercado pelos americanos. Os direitos pertencem exclusivamente à liga. Não é dos clubes, mas do campeonato. A liga é responsável por produzir todas as imagens dos jogos. As emissoras de TV são meros reprodutores dessas imagens. Elas são, assim, o meio de propagação do futebol americano, e não o fim.
Esse modelo, que é usado pelos principais campeonatos do mundo, permite à NFL duas coisas fundamentais para a promoção de seu torneio. A primeira é ter controle sobre o conteúdo levado ao torcedor, valorizando o evento do qual ela é dona. A segunda, e fundamental, é endurecer a negociação com as emissoras de TV, tornando-se menos dependente delas e lucrando mais nas negociações.
Só para se ter uma ideia, a NFL tem seis diferentes emissoras transmitindo seus jogos para o mercado americano. Isso sem falar nas redes locais e na própria rede própria da NFL, que desde 2006 exibe uma partida às quintas-feiras. A venda dos direitos para emissoras distintas, além de dar mais opção ao consumidor, engorda os cofres da liga. São cerca de US$ 5 bilhões de receita ao ano apenas com os direitos de transmissão. Todo esse dinheiro, aliás, dividido igualmente entre os clubes da liga, com o intuito de manter ao máximo o nível competitivo dos clubes por meio da maior equidade financeira possível.
O valor pago por essas emissoras dá a elas alguns direitos, mas um deles não lhe compete, que é gerar as imagens das partidas. Isso é uma propriedade exclusiva da TV da liga, que dessa forma faz com que a entrega dada aos patrocinadores do evento seja limpa e cristalina (e que permite a ela aumentar o valor cobrado por esse patrocínio). O resultado pode ser visto no último domingo, quando a transmissão aqui no Brasil exibia, a cada espaço de tempo, o MetLife Stadium em sua totalidade, dando clara entrega comercial para o detentor do naming right do estádio. Isso sem falar nas exibições das placas de publicidade dentro do próprio estádio e diversas outras imagens que faziam parte de um acordo que ia além da transmissão jornalística do evento.
Por aqui, a NFL pode ser comparada ao futebol, pela força de mídia, público e atração de patrocínio. Nem mesmo a venda de direitos de transmissão dos eventos no Brasil é feita coletivamente. Desse jeito, é impossível pensar que, algum dia, chegaremos a produzir algo próximo do Super Bowl. Pelo menos pela próxima década…

8 comentários em “Uma reflexão sobre o Super Bowl

  1. Outro dia eu entrei em um fórum do Sport Recife em que os torcedores repeliam ferozmente a intenção do Flamengo em disputar a Copa do Nordeste. Eis que no meio da discussão, alguém ventilou a possibilidade de Remo e Paysandu disputarem essa competição. Ao contrário da rejeição unânime ao time carioca, motivada principalmente pela disputa judicial pelo título brasileiro de 1987, a ideia foi bem aceita por grande parte dos internautas que enalteceram o fanatismo nossa torcida e pelo menos ninguém discordou.
    Acho que os times do Nordeste e do Norte, especialmente Remo e Paysandu, deveriam seguir o exemplo do futebol americano e criar uma liga para co-organizar a Série B e a Série C. Essa liga deveria gerar as imagens e estabelecer os horários das partidas, uma vez que os times nordestinos têm forte apelo popular e não podem aceitar calados tudo que a Globo e a CBF lhes impõe, como jogar em dias e horários desestimulantes aos torcedores, apenas para se adequarem aos horários da televisão. Também acho pouco atraente uma Série B com pontos corridos, recheada de times artificiais e bancados por “Carlinhos Cachoeiras” da vida, em detrimento de times tradicionais.
    Ano passado o Campinense conquistou a Copa do Nordeste e sequer foi para a Série D. Por sorte o seu rival que lhe roubara a vaga, o Botafogo, acabou por conquistar o acesso à Série C, o que prova que o potencial dos times nordestinos é pouco explorado, e o pior, é ignorado. Este ano a Copa do Nordeste já tem uma sensação, o CSA que vem liderando o seu grupo e pode repetir o feito do Campinense. Vale lembrar que a exemplo do Remo, o time alagoano vive há anos, dias muito sombrios, mas ainda é capaz de deixar para trás rivais mais tradicionais e empolgar seus fiés torcedores. Tudo isso prova que a falta visão dos nossos dirigentes é a causa principal do enfraquecimento dos nosso futebol, principalmente do futebol paraense.

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  2. Acho o jogo horroroso. Mas deve-se exaltara mmaneira como eles tratam o esporte. Na liga, pelo visto, os clubes desejam que todas as agremiações sejam forte. No Brasil, trabalha-se para exaltar apenas dois clubes no futuro. Um do Rio e outro de São Paulo. E não é o botafogo amigo Gerson.

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  3. Luiz, penso que os clubes do Norte e Nordeste deveriam unir-se para forma a liga Norte e Nordeste de futebol (podendo convidar até mesmo o centro-oeste).

    Penso também que estes devem se unir no sentido de formar uma nova competição (não a série B, como falaste) e, após o fortalecimento da liga, requisitar espaço nas competições internacionais.

    O primeiro passo poderia ser o confronto em dois jogos do Campeão da Copa Verde com o Campão do Nordeste.

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  4. O Super Bowl está anos luz à frente do futebol jogado com os pés em todos os sentidos, principalmente aqui em nossas vastas terras tupiniquins, mas eu acredito que o futebol jogado com as mãos só dá certo por lá mesmo.
    O autor do artigo só esqueceu de um ponto contra: volta e meia o jogo é cortado para os comerciais. É tanto comercial que chega até a ser chato.

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  5. 39101.
    Penso que o super bowl não está a anos luz. É um esporte diferente do mais amado esporte do mundo, no caso, o futebol.

    A questão é a organização visando o desenvolvimento da liga e dos times. Aqui a Globo trabalha para que em um futuro próximo o Brasil se resuma a três ou quatro super equipes. Destruindo a competitividade e também destruindo as demais equipes.

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