O campeonato caminha para a reta decisiva, mas as notícias extra-futebol insistem em brigar por espaço com as informações que realmente interessam ao torcedor. Ao invés de falar sobre times e jogadores, o rádio, a TV e os jornais se ocupam ainda de um incidente ocorrido em Marabá, no sábado à noite, logo depois da derrota do Paissandu para o Águia.
Nem estava a fim de entrar nessa arenga, justamente por entender que episódios tristes e maus exemplos não merecem eco. Ocorre que o assunto continua a repercutir, impondo uma reflexão a respeito.
Vamos aos fatos. Sem motivo justificado, depois de nova derrota no campeonato, o técnico Sérgio Cosme tentou agredir o repórter Dinho Menezes, da Rádio Clube do Pará, nas dependências do hotel onde ambos se encontravam. Normalmente calmo, Cosme parecia descontrolado, querendo briga, que foi evitada pela ação de outras pessoas. Chegou a proferir insultos racistas, abespinhado com supostas críticas que o repórter teria feito durante a transmissão da partida.
Cosme, porém, errou feio ao dar ouvidos a mensageiros aloprados. Ao longo do jogo, Dinho informou sobre o time e a situação de alguns jogadores não utilizados, mas sem dirigir ataques ao treinador. Caso esteja insatisfeito com críticas gerais ao seu trabalho na Curuzu, continua equivocado. Dinho é setorista do Paissandu há vários anos e tem um histórico de boa convivência com todos no clube, sem prejuízo de sua função de relatar os fatos do dia a dia, com isenção e responsabilidade.
Nos últimos dias, Cosme tenta explicar o assomo de fúria em Marabá dizendo-se vítima de perseguição e má vontade, o que não é verdade. Como sempre, na falta de respostas concretas, é mais fácil atribuir aos veículos de comunicação os problemas derivados do caos reinante no clube.
Ao pé da letra, com a sem-cerimônia própria da cartolagem, a imprensa poderia também ser responsabilizada pelos incontáveis pernas-de-pau que os dirigentes trazem a preços absurdos, alguns avaliados via YouTube, como foi o caso do argentino Martín Cortez. Leva culpa pelos técnicos de opereta contratados por indicações de curiosos. É acusada até quando o clube não cumpre termos do contrato assinado com o Governo do Estado ou descuida do gramado de seu estádio.
Cabe incluir ainda na longa folha de pecados da crônica esportiva todos os maus negócios firmados, como o confuso acordo com o futebol chinês para a cessão de Tiago Potiguar. Os dirigentes poderiam também delegar à imprensa a responsabilidade pela negligência com as pendências trabalhistas. Na semana passada, o clube faltou a uma audiência e deve ser sentenciado (como revel) a pagar R$ 213 mil a um ex-funcionário (auxiliar de enfermagem). Enfim, a lista de barbeiragens é longa e as costas de radialistas e jornalistas, como se sabe, bastante largas.
E assim caminha a humanidade.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 11)