Leão confirma primeiro reforço

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo finalmente assegurou o primeiro reforço para a disputa da Série A. Marcelo Rangel fechou acordo para permanecer no clube, realizando o sonho de disputar a Primeira Divisão com a camisa azulina e é, sem dúvida, um dos que mais merecem essa oportunidade. Foi peça emblemática, com atuações memoráveis, na conquista dos dois acessos – em 2024 (Série C para B) e em 2025 (da B para a A).

As negociações não foram tão amarradas como as de Guto Ferreira e Pedro Rocha, outras duas prioridades do clube para a próxima temporada. Pesou na balança a clara vontade de Rangel em seguir no clube, fato exposto em declarações que deu desde a conquista do acesso.

Caso típico de identificação com o Remo e sua torcida, Marcelo Rangel é visto como um atleta na mais perfeita acepção do termo. Comprometido e dedicado, com grande regularidade de atuações desde que se firmou no gol azulino, é hoje um dos líderes do elenco.

A milagrosa recuperação na reta final do campeonato, quando quase todos avaliavam que ele não iria mais jogar em 2025, foi outro ponto de conexão com a torcida. Não passou despercebido o esforço do jogador em voltar para reforçar o time no momento mais importante da competição.

Com a prestimosa ajuda da equipe do Nasp, o centro de saúde do Remo, Rangel se recuperou em duas semanas de uma lesão no joelho que exigiu cirurgia e fisioterapia intensa. A previsão dos médicos era de uma recuperação em dois meses. O goleiro contrariou a lógica e retornou a tempo de ajudar decisivamente o Leão a conquistar o acesso.

Por isso mesmo, Marcelo Rangel foi um dos jogadores mais festejados na vitória sobre o Goiás, que sacramentou a subida à Série A. Foi carregado em triunfo por torcedores que sabem da importância que um grande goleiro pode ter em campanhas espinhosas como a que o Remo fez. A renovação de contrato consolida sua condição de ídolo da torcida. (Foto: Samara Miranda/Ascom CR)

Papão pode autorizar a volta do filho pródigo

A notícia mais surpreendente desses dias marcados por especulações trata do interesse de Esli García em jogar pelo PSC no próximo ano. Sem espaço no Goiás após a pífia participação na Série B deste ano, o atacante venezuelano pode estar a caminho de uma nova experiência na Curuzu.

É bom lembrar que, no ano passado, Esli foi simplesmente o melhor jogador do PSC na Série B, mesmo sob boicote explícito dos técnicos que passaram pelo clube no período. Hélio dos Anjos chegou a dizer que ele era franzino demais, sem força ou resistência física.

Márcio Fernandes não ficou atrás. Afirmou que Esli não podia ser titular porque não voltava para marcar. É verdade, ele não fazia a marcação, mas era competente em balançar as redes – fez 10 gols e foi o terceiro na tábua de artilheiros, mesmo entrando apenas nos minutos finais das partidas.

O que houve com Esli no Papão de 2024 foi abusivo e irresponsável. Por antipatia ou falta de noção, os técnicos não deram oportunidades ao jogador e acabaram por prejudicar seriamente o próprio time. Adorado pela torcida, Esli vivia um momento inspirado e era garantia de gols, o que torna ainda mais surreal o que fizeram com ele.

Caso volte, de fato, será um recomeço interessante para ambos, clube e jogador. Habilidoso e bom finalizador, pode ser muito útil na Série C.

Enfim, um podcast digno de respeito

A internet é invadida diariamente por vídeos, análises e podcasts que contam (ou tentam contar) a impressionante saga do Remo na Série B 2025. Por mais boa intenção que haja, grande parte desse conteúdo é descartável e ruim. A baixa qualidade técnica e os comentários de pé quebrado afugentam até os torcedores mais empedernidos.

Mas, como tudo na vida, há exceções dignas de registro. O portal NE45 é uma delas. Sustentada por três jornalistas nordestinos – à frente, Fred Figueiroa (Recife), Thiago Minhoca (Fortaleza) e Cascio Cardoso (Salvador) –, a resenha flui calma e sem apelações, como um rio de águas serenas. Sem gritos ou expressões grosseiras, apenas informação e análise.

Coube ao NE45 a melhor das análises feitas sobre o acesso azulino. Ninguém chegou nem perto do que o podcast conseguiu fazer em exposição de ideias, apresentação de gráficos, comparações precisas e preciso conhecimento sobre a história do Remo e do futebol paraense.

Deram-se ao luxo de abordar aspectos culturais que sedimentam a paixão do paraense pelo futebol, sem esquecer de referenciar a tradição religiosa, retratada no culto à Nossa Senhora de Nazaré. Um trabalho jornalístico impecável, acrescido de respeito e carinho pelo Leão Azul.

No deserto criativo que domina a internet nossa de cada dia, o NE45 é um saudável ponto de respiro, um oásis de responsabilidade jornalística. Aconselho uma espiada no trabalho dessa rapaziada. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 03)

Título justo com futebol ruim

POR GERSON NOGUEIRA

Ao lado do bragantino Cláudio Guimarães, comentei a final da Libertadores na Rádio Clube do Pará. Ele, eu e todos os fãs de futebol esperávamos um jogão de bola. Afinal de contas, estavam em campo os melhores times do continente. Palmeiras e Flamengo são protagonistas do torneio há pelo menos cinco anos, frequentemente participando de finais – exceção para o ano passado, quando o Botafogo e o Atlético-MG interromperam brilhantemente essa rotina.

Durante todo o 1º tempo, o jogo transcorreu como qualquer jogo de Série C ou Série B no Brasil, com muitos passes errados, marcação selvagem no meio-de-campo e nenhum chute perigoso em direção aos goleiros.

A primeira metade do confronto não teve lances agudos nas duas áreas. O mais próximo disso foi um lance com Bruno Henrique, travado pelo goleiro Carlos Miguel, e um cabeceio de Raphael Veiga por cima do travessão. Quem esperava emoções fortes, começou a se frustrar muito cedo.

Não havia inspiração, apenas transpiração e força. Tanto que o Flamengo acumulou três cartões amarelos. Os três meio-campistas – Pulgar, Jorginho e Arrascaeta – foram advertidos por faltas violentas. Pulgar, que deu uma bicuda (sem bola) na canela do palmeirense Fucks, deveria ter sido expulso, mas só recebeu cartão amarelo.

Impressionou a falta de habilidades das duas equipes para se impor tecnicamente. O Palmeiras de Abel Ferreira é um time normalmente operário, que aprecia do choque e do rodízio de faltas. No sábado à tarde, em Lima, o time fez exatamente isso, esquecendo-se de atacar.

O Verdão só foi lembrar de procurar o ataque quando ficou inferiorizado no marcador. Foi vítima do próprio veneno: um gol em cobrança de escanteio. Carrascal cruzou da direita em direção à área, onde o zagueiro Danilo se posicionou na marca penal para testar à direita de Carlos Miguel.

Quando o gol aconteceu, o Flamengo já era o time mais empenhado em cercar a área adversária, pressionando e ganhando escanteios seguidos, com mais de 60% de posse de bola. Tanto esforço foi premiado com o gol que garantiu ao time o quarto título continental.

A parte final da decisão mostrou um Palmeiras correndo contra o tempo, cruzando bolas e tentando empatar a qualquer custo. Inutilmente. O jogo já estava perdido, as chances surgidas foram mínimas e sem criar maior risco para a defensiva do Flamengo.

O longo tempo perdido sem ir ao ataque cobrou um preço alto do Palmeiras, que a cada minuto via a conquista se encaminhar para as mãos do rival. Um título merecidamente vencido, mas sem a comoção de outras finais, como aquele sensacional Flamengo x River de 2019 e o vibrante Botafogo x Atlético de 2024.

Mas, para o torcedor, o que interessa é a taça, ninguém quer saber como transcorreu o duelo decisivo. Isso é tarefa para comentarista chato, que insiste em esperar grandes espetáculos onde o que importa mesmo é vencer e comemorar. Então, vida que segue. E viva o campeão!  

Ironia da campanha “zero racismo” na Libertadores

É importantíssimo lutar contra o racismo e a cultura do ódio no âmbito do futebol. As disputas entre clubes sul-americanos têm sido marcadas por episódios vergonhosos, punidos apenas quando ocorrem em estádios brasileiros. Em outros países, prevalece a tolerância criminosa.

Por esse motivo, a campanha contra o racismo ganhou destaque, exposta em dizeres na camisa usada pelos dois times antes da grande final de sábado: “Zero racismo”.

Ao lado deles, o sorridente presidente da Conmebol, o paraguaio Alejandro Domínguez. Em março, ele proferiu uma frase de cunho racista em relação aos brasileiros, comparados a macacos. Disse que a Copa Libertadores sem times brasileiros seria como “Tarzan sem Chita”.

Corinthians disputa Pedro Rocha com o Leão

Com o prestígio em alta, após a excelente campanha pelo Remo, apontado como o melhor jogador da Série B, o artilheiro Pedro Rocha participou ontem do programa Bola na Torre (RBATV) e admitiu que vive um dos grandes momentos de sua carreira. Em termos de gols marcados, a temporada já é a mais produtiva. Fez 15 gols e nove assistências no Campeonato Brasileiro.

Nos últimos dias, surgiu a informação de que Pedro Rocha entrou no radar do Corinthians, com aval do técnico Dorival Júnior. A visibilidade propiciada pela conquista do acesso acabou atraindo o interesse natural de outras equipes de Série A, o que pode dificultar o processo de renovação entre o Remo e o atleta.

Segundo o próprio jogador, o papel desempenhado pela família foi decisivo para que optasse em jogar pelo Remo, após ter recebido proposta do então executivo Sérgio Papellin, no final do ano passado.

Rocha havia sido atleta do Fortaleza, onde conheceu Papellin. Em Belém, a maneira como foi tratado pelo clube e a receptividade do torcedor são fatores que podem pesar no momento de decidir o futuro.

Para o Remo, fechar um acordo com o artilheiro é questão prioritária. As negociações começaram logo após o domingo do acesso, com reuniões constantes com o jogador e seus representantes. A situação deve ser decidida durante esta semana.

O torcedor já vê Pedro Rocha e Marcelo Rangel – que também é cobiçado por outros clubes – como ídolos do clube, esperando naturalmente que ambos permaneçam para a disputa da Série A. O problema é que o patamar mudou e as cifras podem dificultar acordos.     

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 01)

Raio-X minucioso e analítico do acesso do Leão

Em meio à enxurrada de podcasts sobre a subida do Remo à Série A, o canal NE45 / 45 minutos merece destaque pela qualidade da análise, pelo olhar generoso sobre a trajetória remista e o futebol paraense em geral e pelo resgate de fatos praticamente esquecidos, como a passagem pela Série A em 2000, com direito à polêmica virada de messa pela CBF que tirou o clube do Brasileiro de 2001. Uma bela homenagem ao Leão na forma de comentários certeiros e repletos de boa informação. Vale a pena acompanhar!

Hugo Motta desafia STF para proteger o fugitivo Ramagem

STF determinou a cassação de Ramagem, mas Motta afirmou que ‘ainda vai consultar o departamento jurídico’ da Casa.

Por João Filho – Intercept_Brasil

A condenação de Bolsonaro e de sua gangue golpista, entre eles Alexandre Ramagem, foi um acontecimento grandioso para o país. Os militares ameaçam a democracia desde a República, mas nunca sofreram qualquer punição. A prisão dos bandidos de farda é um feito inédito e temos muito o que comemorar.

Diferente dos EUA, que absolveu um líder golpista e permitiu que ele voltasse ao poder para um segundo mandato ainda mais autoritário, a democracia brasileira tornou o seu tirano inelegível e o colocou na cadeia. Não é pouca coisa. 

Mas o golpismo continua à espreita e convém manter-se vigilante. A fuga de Alexandre Ramagem, às vésperas de ser condenado a 16 anos de prisão, é desmoralizante para o STF, que agora assiste a um réu condenado atacando a justiça brasileira do exterior.

É vergonhoso também para a Polícia Federal, que permitiu que um criminoso dessa magnitude fugisse do país mesmo com passaporte cancelado. Nos EUA, Ramagem passou a desafiar Alexandre de Moraes — a quem chama de “violador de direitos humanos” e “tirano de toga” — e a pedir sua extradição.

Ele alega estar seguro nos EUA pois tem a “anuência” do governo de Donald Trump. É vexatório para o estado brasileiro ver um criminoso desse quilate escapar para o exterior e engrossar a campanha internacional de difamação da democracia brasileira, iniciada por Eduardo Bolsonaro.  

Ramagem é potencialmente mais perigoso

Ramagem não foi qualquer um na trama golpista. Ele usou a estrutura da Abin para monitorar clandestinamente adversários políticos do bolsonarismo e dar apoio a tentativas de ruptura institucional. Durante 3 anos do mandato de Jair Bolsonaro, ele teve acessos a informações do interesse da soberania nacional brasileira.

Sem nenhum freio moral, Ramagem usou e abusou do aparato de inteligência do estado. A Abin foi transformada em um órgão a serviço do bolsonarismo. Montou-se ali uma estrutura de espionagem da qual Ramagem era o líder operacional.

Segundo a PF, quase 2 mil pessoas consideradas inimigas do bolsonarismo foram monitoradas pelo software de espionagem israelense FirstMile.

O programa foi acessado mais de 30 mil vezes contra jornalistas, políticos, advogados, militantes, policiais, ministros do STF e quem mais estivesse na mira do bolsonarismo.

O delegado do caso Marielle e procuradores que atuaram contra Bolsonaro tiveram seus passos monitorados. Até mesmo alguns aliados foram investigados pelo esquema de Ramagem.

Esse é o homem que fugiu para os EUA e diz estar agora sob proteção do governo Trump. No Brasil, ele usou essas informações obtidas de forma ilegal para auxiliar os ataques de Bolsonaro contra as urnas eletrônica.

Agora, pode usá-las em favor de Donald Trump em troca de proteção. Um criminoso foragido, munido de segredos de estado, está em solo americano em um momento turbulento das relações diplomáticas entre os dois países.

Segundo um servidor da Abin ouvido pelo ICL Notícias, Ramagem é, entre os condenados que fugiram, potencialmente o mais perigoso. “É quem teve maior acesso a documentos restritos, materiais sigilosos e contatos sensíveis. Participou de viagens institucionais e acompanhou de perto informações estratégicas. Por isso, o risco representado por ele é muito maior”, revelou o servidor.

Não nos esqueçamos que, ao sair da Abin em 2022, Ramagem roubou um notebook e um celular que pertenciam à agência e os levou para sua casa.

Não podemos confiar em Trump

Recentemente, os ataques do governo americano contra a soberania brasileira arrefeceram, mas a imprevisibilidade de Trump pode mudar tudo outra vez. Se isso acontecer, o presidente americano terá ao seu lado um aliado valiosíssimo.

Conforme lembrou o jornalista Octávio Guedes da Globo News, Ramagem participou da Operação Paraguai, criada para investigar suspeitas de que o governo Trump estava por trás de uma campanha liderada por ONGs para que aquele país parasse de vender energia excedente da hidroelétrica de Itaipu para o Brasil.

Em maio deste ano, o secretário americano Marco Rubio demonstrou publicamente o interesse dos EUA em comprar energia de Itaipu para alimentar os data centers de inteligência artificial.

Agora, Ramagem está lá balançando o rabinho pro Tio Sam. O apátrida que se diz patriota não hesitará em municiar o presidente americano em troca de proteção. Esse é o tamanho da brecha dada pelo STF e pela PF ao permitir a fuga do criminoso.

O pedido de extradição do deputado cairá nas mãos do próprio Marco Rubio e se tornará mais um problema com que a diplomacia brasileira terá que lidar. 

A Câmara dos Deputados até agora tem sido uma mãe com o criminoso. Desde que fugiu, Ramagem participou de 24 sessões e conseguiu votar remotamente em 132 propostas. Até a última terça-feira, o criminoso tinha direito a voto na Câmara.

É um acinte à democracia brasileira que só é possível graças à leniência e à frouxidão do presidente Hugo Motta.

Chegou-se ao cúmulo do foragido apresentar à Câmara pedidos de reembolso de gastos em postos de gasolina no Rio de Janeiro enquanto está nos EUA. A verba parlamentar foi usada por terceiros para o abastecimento de carros, o que é proibido pelo regimento da casa.

Ou seja, o criminoso tentou dar um golpe na democracia, fugiu para outro país e agora manda as notas para a “casa do povo” para cobrir seus gastos com gasolina. O golpista continua desfrutando de salário e das verbas do gabinete. 

Hugo Motta trata decisão do STF com desdém

Depois da fuga, o STF determinou a cassação do deputado, mas Motta continua se fazendo de louco. Ele afirmou que “ainda vai consultar o departamento jurídico” da Casa, antes de qualquer decisão relativa à cassação do mandato de Ramagem.

O presidente da Câmara está tratando uma determinação do STF com desdém. A cassação imediata do mandato de Ramagem é uma obrigação legal. Hugo Motta está desafiando o STF ao tratar a determinação como um pedido passível de aval do departamento jurídico da Câmara. 

Colocar Jair Bolsonaro e seus capangas golpistas na cadeia foi um avanço enorme e histórico para a democracia brasileira, mas ainda há muito o que se fazer. Deixar que Ramagem volte a conspirar contra o país depois de ser condenado por participar de uma tentativa de golpe é um erro grave demais para ser ignorado.

STF e PF devem ser louvados pela ação contra o golpismo, mas um erro desse naipe pode colocar tudo a perder no futuro. Já do presidente Hugo Motta não se pode esperar nada mesmo. Se dependesse dele, Eduardo Bolsonaro, Zambelli e Ramagem poderiam formar a “bancada dos fugitivos” no exterior. 

O mantra que embalou o acesso

POR GERSON NOGUEIRA

A frase, insistentemente usada como gancho de reforço da autoestima entre os jogadores do Remo, ganhou as ruas e passou a ser repetida como mantra pela torcida na arrancada vitoriosa iniciada com a goleada sobre o CRB e que culminou com o triunfo em cima do Goiás, no domingo passado, 23.

Palavras movem o mundo e são armas poderosas quando bem empregadas. Os azulinos fizeram do grito de guerra “O Remo é para quem acredita” uma peça similar ao “Eu acredito!”, explorado pela primeira vez pela torcida do Atlético-MG em campanha pela Copa Libertadores.  

Nada disso teria qualquer efeito se em campo o time não tivesse correspondido à expectativa da torcida. A sequência de seis vitórias, que fez o Remo subir da 12ª colocação para a disputa direta por uma vaga no G4, respaldou o ruidoso incentivo vindo das arquibancadas.

Acreditar é o primeiro passo para qualquer conquista, mas palavras de ordem que não têm eco na atuação dos jogadores terminam esvaziadas e até ridicularizadas, como aquela célebre provocação “Real Madrid, a tua hora vai chegar”, puxada certa vez nos vestiários do Flamengo.

(Naquela ocasião, a frase infeliz foi atribuída ao ex-dirigente do Flamengo, Marcos Braz, atual executivo do Remo e um dos nomes mais importantes do projeto azulino de acesso à Série A.)   

O fato é que merece destaque a força mental que o elenco azulino exibiu após a derrota para o Avaí, embalada pelo coro que partia da torcida, incluindo a vibrante demonstração de confiança na conquista. Tudo isso turbinado pela apoteótica celebração que conduziu o Leão à vitória.

Guto Ferreira tem destacado o aspecto anímico da trajetória do Remo e a vinculação com as manifestações religiosas, influindo na resiliência física e no esforço final de jogadores comprometidos com a causa do acesso. (Foto: Beatriz Reis/ge PA)

Dificuldades na rota da reconstrução bicolor

Conciliar a necessidade de contratar reforços com a realidade das finanças do clube é o maior problema para os envolvidos com a reconstrução do PSC. A entrada em cena de novos personagens – Júnior Rocha (técnico) e Marcelo Sant’Ana (executivo) – torna ainda mais urgente a resolução de problemas que contribuíram para o rebaixamento à Série C.

Rocha e Sant’Ana foram apresentados oficialmente nesta semana, expuseram ideias e planos, mas ainda estão tomando pé da situação. Aos poucos, passam a conhecer os problemas do clube em minúcias.

O primeiro desafio é a contratação de jogadores para começar a montagem do elenco para 2026. A vantagem de ter a Série C prevista para abril não exclui a urgência de arrumar a casa com vistas às primeiras competições – Campeonato Paraense, Copa Norte/Verde e Copa do Brasil.  

Além disso, as contratações precisam ser fechadas antes que o mercado fique mais restrito, a partir da janela para times das Séries A e B.  

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa especial deste domingo, às 22h, na RBATV, dedicado à conquista do acesso do Clube do Remo à Série A. O convidado é Pedro Rocha, ídolo azulino e artilheiro da Série B 2025. Participação deste escriba de Baião. A edição é de Lourdes Cezar.  

De estrela do tênis a futura imperatriz do açaí

O que o tênis de alto rendimento tem a ver com o açaí paraense? Tudo porque Aryna Sabalenka, bielorussa que é a nº 1 do ranking da WTA, pode ser considerada como a futura rainha do açaí em escala planetária. Afinal, é a namorada do empresário e desportista Georgios Frangulis, CEO e fundador da Oakberry, empresa que investiu na produção de açaí no Pará e passou a dominar as exportações nacionais do produto, presente hoje como franquia em mais de 40 países.

A fábrica original, a Oakville, fica em Santa Izabel, a 60 quilômetros de Belém. Foi inaugurada em setembro de 2022. O Pará, como se sabe, é o maior produtor de açaí do Brasil, com mais de 90% da produção nacional.

Georgios Frangulis, além de sócio majoritário do grupo, acompanha Sabalenka pelas quadras mais importantes do tênis mundial e entrou para o ramo do futebol ao adquirir o clube Le Mans FC, da 2ª divisão francesa.

(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 29/30)

Remo na Série A: um relato especial do dia do acesso

Uma reportagem interessante do Vlog do Braune sobre o acesso do Remo, a paixão da torcida e os encantos de Belém.

Desafios que a fartura impõe

POR GERSON NOGUEIRA

Clubes que conviveram durante décadas com orçamentos apertados e dificuldades terríveis para equilibrar receita e despesa costumam enfrentar problemas quando alcançam um patamar de segurança financeira. Sair da pindaíba para a fartura não é um processo simples. É o momento de organizar as contas e redobrar cuidados com os gastos.

É justamente a situação do Remo, que no espaço de um ano conquistou dois acessos (da Série C para B e desta para A) e saltou de um orçamento inferior a R$ 2 milhões em 2024 para cerca de R$ 4 milhões em 2025 e agora vai para algo em torno de R$ 180 milhões, entre contratos, premiações e patrocínios diversos.  

O volume de recursos previstos para a próxima temporada vai exigir da gestão uma rígida política de investimentos, capaz de equilibrar as exigências pela montagem de um elenco competitivo para a disputa do Brasileiro da Primeira Divisão e os gastos com as obras estruturais, igualmente importantes e urgentes.

Dentre essas obras, destaque para a finalização das obras do CT de Outeiro e a revitalização do estádio Evandro Almeida. Nunca antes em sua história o Remo teve tantos recursos financeiros para se organizar e investir, tornando-se verdadeiramente grande no cenário do futebol nacional.

A chance é única e impõe muita responsabilidade. Todos os envolvidos estão conscientes desse momento especial na vida do clube. Ao contrário do que ocorreu da última vez em que esteve na Série A, o cenário atual dá ao Remo a condição de ingressar na elite do futebol brasileiro com recursos suficientes para permanecer lá por muito tempo.  

Quarteto mágico é questão fechada no Leão

O esforço inicial dos dirigentes do Remo se concentra na manutenção de uma base para terminar o ano e ganhar segurança para buscar os reforços necessários. Nesse sentido, com base no que realizaram na temporada, alguns jogadores encabeçam a lista de prioridades.  

Marcelo Rangel, Ygor Vinhas, Klaus, Marcelinho, Nathan Camargo, Caio Vinícius, Jaderson, Pavani, Cantillo, Panagiotis, Pedro Rocha, João Pedro, Nico Ferreira e Diego Hernández. Com poucas variações, para mais ou menos, esta é a relação dos que devem ficar.

Alguns têm contrato até dezembro deste ano, outros até o final do ano que vem, mas segurar o quarteto Marcelo Rangel, Pedro Rocha, Nico e Diego Hernández é questão absolutamente fechada entre os dirigentes azulinos. (Foto: Samara Miranda/Ascom CR)

Marco zero do processo de reconstrução

A apresentação do técnico Júnior Rocha marca oficialmente o início da reconstrução do PSC, após o desastre que foi a participação na Série B 2025. A entrada em cena do novo comandante traz a premissa de que, a partir de agora, o clube descarta tudo que deu errado e investe de verdade em práticas que podem ajudar na retomada.

Técnico da nova geração, Rocha tem experiência em clubes que disputaram a Série C, o que é valioso para a temporada que o PSC vai fazer. No primeiro contato com a imprensa, destacou a importância de formar um time competitivo, com espírito solidário e noção de jogo coletivo.

Tocou discretamente na questão das escolhas de atletas em fim de carreira e que muitas vezes se escondem em clubes periféricos. Polido, disse que sua pregação pelo comprometimento não é uma referência a esse tipo de atleta problemático, que o PSC tem prestigiado nos últimos anos.

É fundamental que o novo comandante tenha voz ativa e autonomia para influir nas escolhas, juntamente com o executivo de futebol Marcelo Sant’Ana, a fim de evitar os muitos erros cometidos nesta temporada, repleta de apostas que só trouxeram prejuízo ao Papão.

Goleiro paraense vai defender a Seleção Sub-16

O goleiro Zafir Ayan, que começou nas divisões de base do Remo e hoje no Fluminense, foi convocado para a Seleção Brasileira Sub-16. Ele vai se juntar a um seleto grupo de jogadores que vestiram a camisa canarinho, incluindo a do escrete de base.

Zafir faz companhia a Sócrates, que jogou as Copas de 1982 e 1986; Paulo Victor, presente à Copa de 1986; Giovanni, que esteve no Mundial de 1998; e Paulo Henrique Ganso, convocado para a Copa América de 2011.

Além deles, outros atletas paraenses tiveram a honra de vestir a camisa da Seleção – casos de Rosemiro, Manoel Maria, Charles Guerreiro e, mais recentemente, Rony.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 28)

Como a extrema direita e o Centrão ajudaram o banqueiro do Master

Lobby poderosíssimo na defesa de interesses espúrios permitiu que Daniel Vorcaro tivesse vida de luxo financiada pela trambicagem.

Por João Filho – Intercept_Brasil

A Polícia Federal desbaratinou mais um escândalo no mercado financeiro. A operação Compliance Zero, deflagrada nesta semana, investigou a emissão de títulos de créditos falsos por instituições financeiras que integram o sistema financeiro. O grande beneficiário do esquema era o Banco Master, que oferecia a seus clientes investimento em renda fixa, o CDB, a valores muito abaixo do valor de mercado. 

Foram cumpridos sete mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em todo o Brasil. A Polícia Federal prende os milionários e, talvez, esse seja o principal motivo pelo qual Guilherme Derrite, o Centrão e o bolsonarismo desejarem tanto excluí-la das investigações contra o crime organizado no PL Antifacção.

Não foi uma novidade. Até os sapatênis que desfilam na Faria Lima conheciam as pilantragens de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que foi preso enquanto se preparava para fugir no seu jatinho particular. Tudo indica que o banqueiro, muito bem relacionado no mundo político, preparou a fuga ao receber a informação de que seria preso.

O cheiro de trambique que vinha do Banco Master sempre foi forte, mas Vorcaro conseguiu ir longe graças ao grande arco de alianças políticas que ele construiu ao longo dos anos. 

Antonio Rueda, presidente do União Brasil; Ciro Nogueira, senador e presidente do PP; e Ibaneis Rocha, governador do DF pelo MDB (Arte: Giovana Abreu)

Um lobby poderosíssimo na defesa dos seus interesses foi instalado em Brasília, permitindo que o banqueiro tivesse uma vida de luxo e ostentação financiada pela trambicagem. A pessoas próximas, ele confessava ter feito “fortes amigos” na capital federal e dizia que, sem o apoio de poderosos, não estaria no lugar aonde chegou. 

Muito se falou que Vorcaro mantinha relações com integrantes dos três poderes e de espectros ideológicos variados. É verdade. Esse é mais um caso que revela a intensa promiscuidade entre a classe política e jurídica com banqueiros. Mas é importante diferenciar quais dessas conexões atuaram diretamente para proteger o trambique.

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, fez parte do comitê consultivo estratégico do Master. Ele foi contratado pelo banco assim que deixou o STF e, em seguida, deixou o cargo para integrar o governo. Me parece algo eticamente questionável por si só, mas foi a PF, subordinada a ele, que colocou o banqueiro na cadeia. 

O escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, também foi contratado por Vorcaro. Apesar de não haver ilegalidade na contratação, não me parece adequada a aproximação de um parente de ministro do Supremo com uma figura reconhecidamente controversa. 

O sócio de Vorcaro é amigo íntimo do líder do governo no Senado, Jaques Wagner, do PT da Bahia. Nada disso cheira bem, é verdade, mas, até aqui, não há indícios que essas relações tenham facilitado a vida criminosa de Vorcaro. 

Parte da imprensa está louquinha para ressaltar os laços, digamos, mais governistas do banqueiro. Mas o fato concreto é que o lobby político em defesa dos interesses espúrios de Vorcaro mora no Centrão e na extrema direita. 

A tropa de choque do banqueiro em Brasília tem nome e sobrenome: Antonio Rueda, presidente do União Brasil; Ciro Nogueira, presidente do PP; e Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal, do MDB. Essa trinca se mobilizou de maneira intensa em defesa dos interesses do Banco Master em Brasília. 

Em abril deste ano, Ciro Nogueira atuou fortemente nos bastidores para barrar uma CPMI que investigaria o Banco Master. À época, o senador Jorge Kajuru, do PSB de Goiás, declarou: “O lobby contra a CPI está pesado nos bastidores. Boa parte dos senadores não vai se vender, mas evidentemente que tem gente que tem preço”. 

Apesar de haver assinaturas suficientes, o ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro conseguiu evitar a CPMI que investigaria os negócios do seu banqueiro. E essa não foi a primeira vez que Ciro Nogueira atuou para ocultar os trambiques de Vorcaro. 

No ano passado, ele tentou malandramente fazer uma alteração na PEC que garante a autonomia financeira do Banco Central, que ficou conhecida como “emenda Master”. O senador buscou aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, o FGC, para as aplicações financeiras como o CDB, justamente o principal produto do banco de Vorcaro. 

A ideia, que daria passe-livre para o trambique, acabou sendo rejeitada pelo relator da PEC na Comissão de Constituição e Justiça, o senador Plínio Valério, do PSDB do Amazonas.

Essa CPMI seria aberta para investigar a escandalosa compra de ações do Master pelo BRB, o banco estatal de Brasília. O negócio foi feito sob as bênçãos de Rueda, Ciro e Ibaneis. Segundo as investigações da PF, a compra das ações do Master pelo BRB foi feita por “pura camaradagem” como “tentativa de abafar a fiscalização” feita pelo Banco Central. 

‘Trata-se da velha fórmula do neoliberalismo: privatiza-se o lucro e socializa-se os riscos’.

O negócio de cerca de R$ 2 bilhões foi defendido publicamente por Ibaneis e rapidamente autorizado por todos os deputados da base do governador. Na época, Ibaneis declarou que a compra do banco ajudaria o Distrito Federal a investir em mais obras: “Isto tem um significado muito grande para a população do Distrito Federal, porque nós, como acionistas majoritários de um banco público, passamos a ter mais dividendos para poder investir nas obras que são necessárias na cidade”. 

Sob alertas do órgãos de controle, mas com o intenso apoio de Ciro Nogueira e Rueda, o governador do DF colocou um banco público para salvar um banco privado rumo à falência. Trata-se da velha fórmula do neoliberalismo: privatiza-se o lucro e socializa-se os riscos.

As investigações apontam também que Vorcaro recebeu investimentos bilionários de um fundo suspeito de ligação com o PCC. Coincidência ou não, há fortes suspeitas de que Rueda e Ciro Nogueira se relacionam com empresários ligados à facção. 

O aprofundamento das investigações sobre o escândalo do Master é promissor e está deixando muita gente apavorada, principalmente parte da turma que queria enfraquecer o papel da Polícia Federal no PL Antifacção do Derrite. 

Aliás, nunca é demais lembrar: Rueda e Nogueira são os principais articuladores da candidatura presidencial de Tarcísio, o homem que indicou Derrite para cuidar do PL Antifacção. Nunca foi tão fácil ligar os pontos.

Dia de Remo: bastidores da conquista do acesso

Vídeo editado pela Remo TV com o relato dos bastidores do acesso à Série A, após 32 anos de ausência da Primeira Divisão nacional. Um dos dias mais importantes da história do Clube do Remo.

Rangel e Rocha, os melhores

POR GERSON NOGUEIRA

Saiu a lista dos melhores jogadores da Série B 2025 e a escolha do goleiro é o primeiro ponto a ser questionado. Marcelo Rangel, do Remo, de atuações excepcionais durante todo o campeonato, perdeu o posto na seleção do torneio para o jovem Pedro Mourisco, do Coritiba, escolhido pelo fato de pertencer ao time campeão.

Em termos de desempenho não há como ignorar a excepcional participação de Marcelo Rangel, responsável pela segurança defensiva do Remo e um dos baluartes da campanha do acesso, que já tinha sido o herói da subida à Série B em 2024.

É uma trajetória impecável, com direito a um punhado de defesas milagrosas em vários jogos deste campeonato, como nas partidas contra América-MG (lá e cá), Coritiba, CRB, Operário e Athlético-PR.

Mais impressionante ainda foi a excepcional recuperação, após a lesão no joelho, que poderia ter significado o fim do campeonato para ele. Desfalque em dois jogos, Rangel ficou apenas 15 dias fora da equipe, retornando contra a Chapecoense, no Baenão. O fato indiscutível é que merecia a titularidade na seleção da Série B.

Pedro Rocha entrou na lista dos melhores, nem poderia ser diferente, mas ficou a impressão de que só foi selecionado porque não podia ser ignorado, afinal de contas é o artilheiro do campeonato. Ocorre que suas atuações pelo Remo deveriam ser mais do que suficientes para a escolha.

Rocha fez a melhor temporada de sua carreira, com o maior número de gols marcados. Até pontificar como goleador do Remo e figura exponencial na campanha do acesso, suas características eram de um atacante de lado que oportuniza situações de gol para o centroavante.

No Remo, ele mudou a maneira de atuar e assumiu um papel de definidor mais pelas carências que o time apresentava, com o baixo rendimento de seus homens de área (Felipe Vizeu e Ítalo) no começo do campeonato.

No encerramento do Brasileiro, fica claro que Rocha foi o maior reforço contratado pelo Remo para a campanha em busca do acesso à Série A.

Ainda quanto à lista dos melhores, talvez fosse justo lembrar de Caio Vinícius, um dos melhores volantes da competição, fato valorizado por ter se transformado em emérito finalizador sob o comando de Guto Ferreira.

De qualquer maneira, o fundamental mesmo era a conquista do acesso. Escolhas que dependem de avaliações pessoais nem sempre são inteiramente certeiras. Neste caso, fica a convicção de que houve injustiça em relação a Marcelo Rangel. (Foto: Samara Miranda/Ascom CR)

Manter o técnico é prioridade mais urgente

A permanência do técnico Guto Ferreira é a prioridade mais urgente dentre tantas que o Remo estabeleceu para o período pós-acesso. As negociações já começaram e é provável que o comandante permaneça. As declarações dele após a partida com o Goiás sinalizam para o desejo de continuar.

Sem dúvida, a manutenção do técnico é o passo mais importante para dar início ao processo de formatação do novo elenco, que precisa estar pronto até janeiro, quando o Remo terá o Campeonato Estadual e o Brasileiro da Série A, a partir do dia 28.

Guto conseguiu transformar positivamente o Remo nas dez partidas sob seu comando. Conquistou sete vitórias, dois empates e uma derrota. Conquistou mais pontos de que seus antecessores – 23.  

É claro que o desafio da Série A é muito complexo, mas Guto tem em seu favor a longa experiência no ramo. Seu conhecimento e capacidade de observação serão extremamente preciosos na etapa de construção do time para a Primeira Divisão.

Scaloni do Interior é o novo comandante do Papão

Júnior Rocha será o técnico do PSC para a Série C e demais competições de 2026. Não tem o perfil de técnico famoso e bem credenciado como a torcida esperava, mas é um nome que se adequa às aspirações do Papão na próxima temporada, levando em conta o executivo de futebol escolhido – Marcelo Sant’Ana, apresentado oficialmente ontem.

Gaúcho de São Leopoldo, Rocha foi jogador por oito temporadas. Desde 2011, abraçou o ofício de técnico e já conquistou dois acessos para a Série B: com a Ferroviária de Araraquara, no ano passado, e com o Luverdense (MT), em 2013. Aliás, foi pelo clube de Mato Grosso que ele ficou por três anos seguidos na Segunda Divisão.

Ele também ganhou o título da Copa Verde, contra o PSC, em 2017, e venceu o campeonato mato-grossense e a Recopa Catarinense. Um fato curioso é que, em 2022, quando era técnico da Inter de Limeira (SP), Rocha foi chamado de “Scaloni do Interior”, por força de certa semelhança física com o treinador da Argentina, campeão do mundo naquele ano.

A melhor notícia para a torcida do Papão é que, nas três vezes em que disputou a Série C, entre 2022 e 2025, Rocha comandou times que obtiveram classificação para o quadrangular que define o acesso.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 27)

Bolsonaro e aliados começam a cumprir pena de prisão por tentativa de golpe contra a democracia

Decisão finaliza julgamento da trama golpista; ex-presidente vai permanecer na Superintendência da Polícia Federal, onde está preso desde sábado

Do Opera Mundi

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou o início do cumprimento da pena de prisão para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão em regime inicialmente fechado por tentativa de golpe de Estado. Ele vai permanecer na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde está preso desde sábado (22/11).

O cumprimento da pena ocorre após o STF declarar o trânsito em julgado da ação penal. Isso significa que os réus já esgotaram todos os recursos disponíveis dentro da Corte. Bolsonaro foi condenado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição do Estado Democrático, golpe de Estado, dano qualificado pela violência, grave ameaça contra patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

O ex-presidente já está preso preventivamente na Superintendência da Polícia Federal na capital brasileira desde a manhã do último sábado. De acordo com a corporação, Bolsonaro tentou romper a tornozeleira eletrônica. Moraes havia determinado o uso do equipamento no âmbito da investigação sobre a tentativa de obstrução do julgamento da trama golpista, com a ajuda de seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos.

Além do ex-presidente, Moraes decretou o trânsito em julgado para o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Anderson Torres e para o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). O ministro também determinou o início do cumprimento das penas de Mauro Cid, Walter Braga Neto, Anderson Torres, Almir Garnier, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Alexandre Ramagem.

REPERCUSSÃO INTERNACIONAL

“O momento tão aguardado por ativistas de esquerda brasileiros e familiares de vítimas do coronavírus chegou”, escreveu, nesta terça-feira (25/11), o jornal El País sobre o início da pena de 27 anos de prisão por Jair Bolsonaro por “liderar uma conspiração golpista”. O periódico espanhol que o ex-presidente brasileiro “está agora tecnicamente preso, mas sem sair um centímetro da cela onde está detido em Brasília”.

Ao dar destaque aos “problemas gastrointestinais” de Bolsonaro, a publicação afirmou que o ex-presidente cumprirá pena no local “levando em conta sua idade e saúde frágil”, consideradas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), — órgão classificado pelo jornal como um “grande defensor da democracia”.

Segundo o El País, “se Bolsonaro cumprisse toda a sua pena na prisão, seria libertado após quase 100 anos [de idade]”, detalhando que, segundo o direito penal brasileiro, o ex-presidente deve cumprir pelo menos 25% ou seis anos em regime fechado. Após esse período, teria “permissão para trabalhar”, mas está “está impedido de concorrer a cargos públicos desde 2023”, escreveu, lembrando de sua inexigibilidade.

“Seu afastamento da vida pública e o silêncio imposto pelo juiz o enfraqueceram politicamente. Os esforços de seus filhos e de seu partido para aprovar uma lei de anistia ou uma redução de pena no Congresso — que o livraria da prisão ou ao menos diminuiria sua punição — fracassaram até agora”, analisou ainda.

Para o El País, nem a “formidável pressão exercida pelo presidente [dos Estados Unidos] Donald Trump, na forma de ameaças, tarifas e sanções econômicas contra juízes, não conseguiu salvar seu aliado e impedi-lo de ser responsabilizado por tentar subverter a ordem constitucional”

De acordo com a publicação, “as instituições brasileiras demonstraram notável resiliência diante das ameaças e agressões do político mais poderoso do mundo”.

francês Le Monde afirmou que Bolsonaro começou a cumprir sua sentença, tornando “definitiva sua condenação” após “esgotar todos os recursos cabíveis contra sua condenação”.

“O ex-capitão do Exército, que mobilizou os conservadores brasileiros para se tornar presidente em 2019 e remodelou a política do país, agora terá que cumprir uma longa pena de prisão”, escreveu o jornal.

Qual era o plano de fuga de Bolsonaro?

Pista de pouso vizinha ao condomínio de Bolsonaro, controlada pela família de Nelson Piquet, pode entrar no radar da PF como possível peça de plano do ex-presidente.

Por Paulo Motoryn, em Cartas Marcadas

Na edição desta semana, não podemos falar de outra coisa que não a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro após a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica. Como você já sabe, a avaliação enviada pela Polícia Federal ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, apontou risco concreto de fuga e levou à ordem de detenção imediata.

A decisão se baseou no entendimento de que Bolsonaro já não estava sob controle suficiente das medidas cautelares e que havia, sim, indícios de preparo para escapar.

Desde sábado, dediquei minhas horas a investigar quais poderiam ser os possíveis planos de fuga do ex-capitão. Não por especulação, mas porque essa pergunta passou a orientar também o trabalho da PF.

Que caminhos reais estavam ao alcance imediato de Bolsonaro? E que estruturas poderiam ser usadas em uma eventual tentativa de evasão?

Vamos aos fatos.

Durante o esforço de apuração desta reportagem, descobri que a própria Polícia Federal passou a reexaminar informações para tentar reconstruir o que poderia ter sido um plano de fuga. Entre essas pistas, estavam informações idênticas a de um relato que chegou até mim em agosto de 2025.

Na ocasião, uma moradora do condomínio de Bolsonaro, o Solar de Brasília, no bairro do Jardim Botânico, disse que vizinhos temiam que um aeródromo privativo da família Piquet, a menos de 200 metros do condomínio, fosse cogitado como peça de um plano de fuga.

À época, procurei integrantes da PF para tentar confirmar a possibilidade e ouvi, de uma fonte do departamento, um categórico: “Chance zero”. O assunto morreu ali.

Com a prisão consumada e a suspeita de que a vigília bolsonarista na porta do condomínio pudesse servir para criar tumulto e atrasar uma ação policial para deter a fuga, a hipótese reapareceu na mesa.

Desta vez, não como fofoca de vizinhança, mas como elemento considerado pela própria PF. A mesma fonte do Departamento de Inteligência Policial, que antes havia negado a chance de uma fuga pela pista dos Piquet, confirmou que o aeródromo “entrou no radar” da corporação após o episódio da tornozeleira.

A PF, inclusive, estaria estudando diligências no local, levantamento de imagens e a eventual oitiva do proprietário, Geraldo Piquet Souto Maior, irmão de Nelson Piquet, tricampeão mundial da Fórmula 1 e aliado de primeira hora de Bolsonaro.

A pista de pouso e decolagem em questão, chamada simplesmente de Piquet, é registrada na Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, como aeródromo privado e localizado na borda do condomínio de Bolsonaro, imediatamente atrás da antiga Hípica Lago Sul, terreno que pertenceu à família Piquet até 2016.
Segundo documentos oficiais da ANAC e imagens de satélite consultadas pela reportagem, trata-se de uma pista asfaltada de 590 metros de comprimento por 18 metros de largura, com autorização para operação visual diurna e noturna, equipada com iluminação de borda e farol de aeródromo.

A pista é adequada para monomotores e bimotores leves, comuns na aviação executiva privada, e plenamente operacional para helicópteros, que independem de extensão para decolagem.
Para a fonte ouvida pela reportagem, a combinação da capacidade para aeronaves discretas, a operação regular e a proximidade inferior a 200 metros do condomínio tornam o aeródromo relevante em um cenário de possível evasão.
O responsável pela pista, Geraldo Piquet, mantém uma longa trajetória como piloto. Em entrevista publicada por uma revista especializada, ele conta que pilota “diferentes aeronaves”, inclusive jatos, e que sempre buscou “testar limites” para sentir a liberdade durante os voos.
As redes sociais de Geraldo reforçam essa identidade: vídeos mostram acrobacias sobre Brasília, voos de helicóptero e pousos e decolagens que parecem ocorrer na própria pista Piquet.
Esse repertório, somado ao histórico aeronáutico da família e à localização estratégica da pista em relação ao Solar de Brasília, explica o interesse renovado da PF em verificar a hipótese.
Questionei Geraldo Piquet sobre a possibilidade de uso do aeródromo em um eventual plano de fuga e se ele havia sido procurado por autoridades policiais nas últimas horas. Até o momento, não houve resposta. Também pedi uma nota oficial à PF, mas não tive retorno.
A relação entre Bolsonaro e Nelson Piquet é digna de nota. A visita do ex-piloto ao ex-presidente durante a prisão domiciliar, em 5 de novembro, autorizada por Alexandre de Moraes, reforça a hipótese.
Nos últimos anos, Piquet foi um dos mais visíveis apoiadores de Bolsonaro, dirigindo o Rolls-Royce presidencial no 7 de Setembro e participando de manifestações públicas em sua defesa.
Por ora, não há qualquer prova de que Bolsonaro tenha utilizado o aeródromo ou de que alguma movimentação real tenha sido feita em direção à pista. A apuração busca esclarecer se a estrutura chegou a ser cogitada, mesmo que informalmente, como rota de fuga.
As próximas etapas podem incluir análise de imagens, varredura de registros, inspeção técnica da pista e a oitiva de Geraldo Piquet, caso haja avanço para diligências formais.