Caótico, despretensioso e incrivelmente energético. Assim costumavam ser os shows do Libertines, ícone do rock alternativo britânico liderado pelo cantor e guitarrista Pete Doherty. A guitarra insistente, sinuosa e pontual, costurando as notas com apuro e competência, marca a performance da banda neste sensacional registro do hit “What Katie Did”, no afamado festival de Glastonbury no verão europeu de 2015. A canção é linda e melancólica, quase um lamento.
Apesar do ar relaxado no palco (e na vida), Doherty é um excepcional guitarrista – aqui ele usa uma Epiphone -, sem jamais pretender ser um semideus do instrumento. O principal patrimônio do Libertines em sua curta passagem pelo mundo do rock foi a conexão com o seu público, quase todo formado por adolescentes ávidos por pitadas do bom e velho rock’n’roll. Às vezes, ser jovem vale muito a pena.
Um capítulo à parte é a fina mescla dos talentos de Pete Doherty e Carl Barat dividindo vocais, guitarras e composições – Gary Powell na batera e Johnny Borrell no baixo completavam o grupo. Nesta apresentação, Barat domina o vocal, ajudando com a guitarra solo. A dupla segurou os perrengues da estrada por um certo tempo, mas a banda ruiu quando Doherty exagerou nas drogas e a amizade perdeu força. A dupla ainda trabalharia no projeto paralelo Babyshambles, mas aí já outra história.
Formado em Londres, em 1997, o Libertines foi subestimado e atacado pela mídia britânica, mas foi original e fez música honesta na maior parte do tempo, para gratidão eterna dos fãs.
A letra traduzida diz o seguinte:
Oh, o que você vai fazer, Katie? Você é uma garota tão doce / Mas este mundo é cruel, cruel / Um mundo cruel, cruel / Meus alfinetes não são muito fortes, Katie / apresse-se, sra. Brown, porque eu consigo sentir que vai cair / E não vai demorar muito.
Mas desde que você disse adeus / Bolinhas enchem meus olhos / E eu não sei por quê.
A diretoria do Clube do Remo oficializou nesta quarta-feira, 31, a contratação de Yago Pikachu, que defendeu o Fortaleza nas últimas cinco temporadas. Pelo Leão do Pici, o meia-atacante atuou em 286 partidas. Foi o time que mais defendeu, marcando 61 vezes e dando 35 assistências, além de conquistar duas Copas do Nordeste e três Campeonatos Cearenses.
Antes, Pikachu jogou 253 partidas com a camisa do Vasco, tornando-se o jogador que mais vestiu a camisa do clube carioca em todo o século 21. Revelado no Paysandu, onde jogou desde o Sub-15, Pikachu estreou pelo profissional em 2012 e atuou em quatro temporadas no time principal, onde fez 220 jogos, 62 gols e conquistou um Campeonato Paraense. Deixou o clube em 2015.
A transação entre Remo e Pikachu começou a se desenhar com o rebaixamento do Fortaleza à Série B. Como tinha contrato prestes a vencer, o jogador ficou livre no mercado. Recebeu propostas de dois clubes da Série A e de um time estrangeiro, mas optou pela oferta feita pelo Remo. Nas redes sociais, o torcedor azulino se divide entre a desconfiança pela ligação do jogador com o maior rival e memes zoando a torcida alviceleste.
Em 2018, durante entrevista ao extinto programa Bolívia Talk Show, do canal Desimpedidos, Pikachu foi questionado sobre qual seria o clube em que ele não jogaria “de jeito nenhum”. “Só no Remo, eu acho”, afirmou. O apresentador da atração, Bolívia, reforçou a pergunta: “No Remo não jogaria de jeito nenhum?”. E Pikachu respondeu: “Não. Não jogaria no Remo, não”.
A diretoria do Remo confirmou, nesta quinta-feira (01), que o contrato com Pikachu terá duração de dois anos, encerrando-se em dezembro de 2027. Em nota, o clube anunciou a contratação:
“O Remo oficializa a informação que tomou conta do noticiário esportivo nos últimos dias! Yago Pikachu vai vestir o manto azul marinho. O jogador volta ao Pará após grande experiência em clubes como Vasco, Shimizu S-Pulse do Japão e Fortaleza. No currículo soma 3 títulos cearenses, 1 carioca e duas Copas do Nordeste.O jogador tem hoje 33 anos e chega para ajudar a equipe no setor ofensivo com características de meia, assim como ponta-direita. Serão 2 anos de contrato”.
POKÉMON
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o Remo fez referência ao apelido do atleta ao mostrar uma “Pokébola” – item icônico do anime Pokémon, cujo personagem mais famoso é o Pikachu – transitando do estádio da Curuzu para o Baenão. De forma metafórica, a peça sugere o “pulo do muro” entre os dois maiores rivais do futebol paraense.
OUTROS REFORÇOS
O Remo anunciou na terça-feira (30) a contratação do volante Zé Ricardo, de 26 anos, como reforço para a temporada 2026. Natural do Rio de Janeiro, o novo reforço iniciou na base do Fluminense, sendo emprestado para o Boavista, onde teve duas passagens. Zé Ricardo ainda passou por Londrina, Goiás e Tombense. Em 2024, se transferiu para o futebol japonês, atuando por Kawasaki Frontale e Shonan Bellmare.
Outro reforço é o atacante Carlinhos, cedido pelo Flamengo por empréstimo. Ele esteve no Vitória em 2025, sem grande destaque. Como não será aproveitado pelo rubro-negro baiano na próxima temporada, foi liberado. Carlinhos ficará no Remo até o fim de 2026, quando termina seu contrato com o Flamengo. O clube paraense pagará o salário do jogador.
O Remo negocia com o Grêmio o empréstimo do lateral-direito João Lucas. Tudo indica que a transação já foi finalizada, mas o jogador não foi anunciado pelo Remo. O contrato de João Lucas seria por um ano, até o final de 2026. Ele tem vínculo com o Grêmio vai até o final de 2027.
Na busca por zagueiros para fortalecer o setor defensivo na Série A, o Remo analisa a contratação de Thalisson, que disputou a última Série B do Brasileiro pelo Paysandu. O jogador pertence ao Coritiba, com quem tem contrato até 2027.
A perfeita harmonização das vozes de Michael Stipe e Mike Mills destacam a beleza sonora de “Fall On Me”(Caia sobre mim), um legítimo exemplar do trabalho do R.E.M., banda norte-americana que pendurou as chuteiras há 20 anos e que até hoje ainda desperta saudades. O show acima foi realizado em Austin, Texas (EUA), em 2008.
Como alguém escreveu certa vez, eles fazem canções que remetem a uma viagem de trem pelas pequenas cidades, vales, planícies e rios de uma América esquecida. “Fall On Me” pertence ao ábum Lifes Rich Pageant, de 1986.
O R.E.M. surgiu em Athens, Geórgia, em 1980, e se tornou ícone do movimento indie, formada originalmente por Michael Stipe (vocal), Peter Buck (guitarrista), Mike Mills (baixo) e Bill Berry (bateria). Encerrou atividades em 2011, glorificado como uma das maiores bandas do rock moderno e deixando a impressão de que nada mais havia a acrescentar.
A letra, enigmática, abre com os versos abaixo:
Há um problema: plumas, ferro/ Barganhas, prédios, pesos e engrenagens/ Plumas tocam o chão antes/ Que o peso abandone o ar/ Compre o céu e venda o céu...
É a quarta cirurgia desde 24 de dezembro; procedimento não estava previsto pela equipe médica
Internado desde o dia 24 de dezembro no Hospital DF Star, em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou ao centro cirúrgico nesta terça-feira (30) após apresentar uma nova crise de soluços persistentes. O procedimento não estava inicialmente previsto pela equipe médica.
A informação foi divulgada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, por meio de uma publicação nas redes sociais. Segundo ela, o ex-presidente apresentou o quadro por volta das 10h, o que levou os médicos a optarem por um reforço no bloqueio do nervo frênico. “Ele acaba de ser encaminhado ao centro cirúrgico. Seguimos enfrentando dias difíceis e contamos com as orações de todos”, escreveu.
Este é o quarto procedimento médico realizado em menos de uma semana. Bolsonaro foi internado após passar por uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral, realizada no dia 25 de dezembro, e desde então enfrenta episódios recorrentes de soluços.
De acordo com boletins médicos divulgados anteriormente, os bloqueios anestésicos realizados no nervo frênico ocorreram sem intercorrências. No entanto, a recorrência do quadro levou à necessidade de nova intervenção.
O bloqueio do nervo frênico é um procedimento utilizado para interromper temporariamente os estímulos responsáveis pelos soluços persistentes, sendo indicado quando tratamentos convencionais não apresentam resposta satisfatória. (Do Jornal GGN)
Yago Pikachu fechou acordo para defender o Remo em 2026. Aos 33 anos, ele estava de saída do Fortaleza quando recebeu proposta dos azulinos para disputar a Série A. As reuniões foram iniciadas antes do Natal e, na tarde desta terça-feira (30), as partes chegaram a um entendimento. O clube ainda não oficializou a contratação, mas a notícia foi confirmada pelo repórter Saulo Zaire, da Rádio Clube do Pará.
Ao todo, foram cinco temporadas vestindo a camisa do Tricolor cearense após uma passagem pelo Shimizu S-Pulse, em 2022. Em 2025, disputou 53 jogos, com seis gols e três assistências. No total, são 286 partidas e 61 tentos marcados.
Pikachu foi cria das categorias de base do Paysandu, maior rival do Remo. O atleta vestiu a camisa alviceleste entre 2006, na base, e 2015, consolidando-se como ídolo da Fiel bicolor. Passou cinco temporadas no Vasco, antes de se transferir para o Fortaleza.
O meia-atacante deve se apresentar junto com os demais atletas do elenco do Leão no começo de janeiro, para a pré-temporada de 10 dias que será realizada no CT do Retrô, em Recife.
1998. Um taxista chegou na redação do Estadão carregando quatro CDs debaixo do braço. Todos do Tim Maia.
– Trabalho pro Seu Tim. Tô procurando o Denis Cardoso e o Tom Cardoso. Por acaso eles são irmãos?
Denis, meu irmão gêmeo, trabalhava no caderno Variedades, do Jornal da Tarde, o outro jornal do Grupo Estado. Eu, no Caderno 2, do Estadão.
As duas redações ficavam no mesmo andar, separadas por um imenso corredor.
O taxista me entregou dois CDs e perguntou pelo Denis.
– Ele é meu irmão, sim. Pode deixar que eu entrego pra ele.
– O Tim vai falar com vocês amanhã. Liguem para a Adriana para combinar.
A Adriana, pelo que eu me lembro, era uma mistura de namoradinha do Tim, assessora de imprensa e empresária dele. O taxista, o boy de luxo para encomendas em São Paulo da Vitória Régia Discos, a gravadora dele.
Liguei para a Adriana. Ficou acertado que Tim falaria primeiro com meu irmão, às quatro da tarde, e depois, meia hora depois comigo.
Meu irmão ligou. Tim foi simpático, mas a conversa ficou tensa quando ele explicou que ia passar a ligação para mim.
Como assim?
– Vou passar a ligação para você falar com o Tom Cardoso.
– Ele é seu parente?
– Sim.
– Seu irmão?
– Meu irmão gêmeo.
– Tá de caô, irmãozinho?
– Não entendi, Tim.
– Você vai passar a ligação pro seu irmão gêmeo, que trabalha em outro jornal?
Isso.
– Você está dizendo que você tem um irmão, que também é jornalista, mas de outro jornal, e que você vai passar a ligação? Não to entendendo nada, irmãozinho. Você tá tirando com a minha cara?
– Tim, os dois jornais pertencem ao mesmo grupo e, por isso, basta transferir a ligação
– E o seu irmão gêmeo trabalha lá?
Exatamente.
Tim grunhiu, mas ficou na linha. Não sou só parecido com meu irmão gêmeo. Temos exatamente o mesmo tom de voz.
– Grande Tim Maia! Que prazer falar com você!.
– Bicho, vai passar trote em outro. Tenho mais o que fazer. Irmão gêmeo ô caralho.
Só a matéria do meu irmão saiu.
Esse texto faz parte do livro “Vida de Gado – 30 anos pastando no jornalismo. Quem quiser comprar na pré-venda ajuda o escriba na edição.
A ofensiva contra Alexandre de Moraes não se deve aos seus defeitos, mas ao seu papel de âncora da democracia contra o golpismo
Por Luis Nassif, no Jornal GGN
Está na hora dos veículos de imprensa se debruçarem sobre um código de ética mínimo. Tem-se um modelo de jornalismo que está sendo destruído pelas redes sociais, pelas informações desestruturadas, pelas fake news, pela irresponsabilidade no uso do off e dos assassinatos de reputação.
Mas insiste-se em combater esse desgaste recorrendo ao mesmo estilo irresponsável das redes sociais, sem nenhum compromisso com dados, com fontes, com fatos, apenas atrás de likes. E a falta de compromissos com a lógica e com os fatos é meio caminho andado para o exercício do lobby.
É o que faz Malu Gaspar, com o seu Watergate que acabou no Irajá, agora sacrificando a reputação de um funcionário de carreira do Banco Central com base em deduções superficiais, que comprometem até a medula a reputação do jornalismo.
Aqui, sua última versão. Não mais a de que a convocação do Diretor de Fiscalização do Banco Central para uma acareação com um diretor do BRB, visava intimidá-lo. Na última versão, o diretor de fiscalização passa a ser cúmplice do Banco Master em uma jogada articulada pelos advogados do Master.
Vamos aplicar o método Malu Gaspar para interpretar o jornalismo de Malu Gaspar.
A tese que se espalhou pelas redes é que a ofensiva contra Alexandre de Moraes é comandada por coronéis da Faria Lima, justamente para reduzir a ofensiva da PF sobre os crimes cometidos por instituições de lá.
Pela legislação (Lei 4.595, Lei 13.506/2017 e normas do CMN), o BC tem o dever legal de comunicar o Ministério Público quando surgem indícios de crime, compartilhar informações com PF e MPF mediante requisição ou cooperação formal.
Portanto, foi o trabalho da Diretoria de Fiscalização que permitiu a Operação Colossus – a primeira ofensiva séria da Polícia Federal sobre a máquina de lavar dinheiro da Faria Lima.
Estender os ataques à Difis (Diretoria de Fiscalização do BC) se encaixa bem nessa estratégia.
Uma cobertura jornalística é interessante pelas informações que traz, e também pelas intenções que sugere. Uma denúncia é furo. Sua repetição por uma ou duas vezes, é repercussão. A insistência em esquentar a denúncia inicial, com base em fontes discutíveis, e espalhar a campanha por todos os veículos da organização, é conspiração.
Não há a menor dúvida de uma ação articulada para derrubar Alexandre de Moraes, na qual a Globo colocou seu batalhão conhecido: Malu (Globo e Globonews), Carlos Alberto Sardenberg (na CBN), inclusive acenando com a possibilidade de um impeachment – em cima de uma notícia sem fontes e sem provas. Montar uma campanha dessa amplitude, sem checar as informações, demonstra uma intenção política explícita.
A INACREDITÁVEL EQUIPARAÇÃO AO CASO WATERGATE
O caso Malu Gaspar deflagrou uma discussão curiosa sobre princípios do jornalismo e da reportagem. Até a, em geral, prudente ombudsman da Folha embarcou na retórica das falsas analogias.
Diz ela, citando um colega:
Jornalista não precisa apresentar provas, isto é papel da Justiça. Está correta.
Watergate começou com uma denúncia sem provas e, com o tempo, resultou na queda de Nixon.
Qual a lógica dela? Como tanto Watergate quanto o caso Malu Gaspar têm em comum a não apresentação (inicial) de provas, logo, as denúncias de Malu têm tanto peso quanto às de Watergate. Tenha a santa paciência!
Poderia ter recorrido a uma comparação mais caseira: a Lava Jato, da qual Malu Gaspar foi uma das principais porta-vozes. A maioria das denúncias da Lava Jato não vinha acompanhada de provas ou, no máximo, vinha com provas plantadas. Grande parte se revelou falsa e, mesmo assim, foi endossada pela mídia. Logo…
Malu trouxe uma informação concreta: o contrato do escritório da família de Alexandre de Moraes com o Banco Master. Não bastou. Trouxe, então, um reforço: a suposta interferência de Moraes no BC, na forma de 4 telefonemas e uma reunião presencial com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para supostamente tentar reverter a decisão do BC, de liquidar o Master.
O contrato advocatício atenta contra a ética. A suposta interferência direta do ministro pode ser enquadrada em crime. Justamente por isso exigiria um conjunto de evidências que fortalecesse a versão apresentada.
Qual a evidência? A informação vaga de que se baseara em 5 fontes do mercado e uma do Banco Central. Logo em seguida duas colegas, de outros jornais, soltaram a mesma denúncia, baseada nas mesmas fontes.
Na era do WhatsApp, basta uma pessoa chegar em um grupo e dar uma informação sensível. Imediatamente todas as pessoas do grupo passam a deter a tal informação. Apenas uma supostamente teve acesso à fonte original. Mas todas as 6, agora, têm a informação.
Ainda mais sabendo que um dos recursos de impacto da jornalista, em suas notas, sempre foi a de usar fontes individuais de forma genérica, um estilo que acaba permitindo que uma mera nota irrelevante, de repente, ganhe peso jornalístico aos olhos do leigo . Ficou famosa a série de “tal medida provocou mal-estar nos militares”, como se o sentimento fosse de todos os militares.
Por exemplo, há uma divisão no STF entre dois grupos, cisão conhecida. O título da nota será : “Decisão de Moraes causa mal estar no Supremo”. E, aí, ingressa-se em um estilo peculiar de caça-likes, que consiste em esquentar informações secundárias.
Não apenas isso.
Outro indicador da parcialidade da mídia – e de repórteres – é a seletividade das denúncias.
Vamos a dois casos emblemáticos:
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, indicado pelo PL, questionou diretamente o Banco Central, pediu informações detalhadas em 72 horas, para comprovar se o Master não poderia ter sido salvo via mercado. Intenção óbvia de tentar uma reversão da liquidação. Repercussão mínima na imprensa.
O ministro Dias Toffoli convoca o diretor de fiscalização do BC e um diretor do BRB para esclarecer a demora do BC em impedir as aventuras do Master. Nenhum indício de que tentaria reverter a liquidação do banco. Mas soltam balões de ensaio, dizendo que Toffoli pretenderia ressuscitar o Master, gerando um sem-número de protestos em cima do nada.
O ponto central a ser esclarecido não são as circunstâncias da liquidação do Master, mas a razão do BC ter demorado tanto tempo para liquidar a instituição – e aí se remete ao período de Roberto Campos Neto. Gabriel Galípolo cumpriu seu papel, enviando os inquéritos para o Ministério Público Federal.
Mas desde 2019 havia sinais de que o Master era uma pirâmide. E os golpes não se limitaram aos fundos municipais de previdência, ou à constituição de ativos falsos para rechear seus fundos. O mercado sabia que era um golpe, mas grandes instituições lucraram muito colocando os papéis do Master no mercado. Colocavam as cotas dos fundos, recebiam suas taxas de corretagem e os clientes que explodissem mais à frente.
E aí se volta às denúncias seletivas. Nada se fala sobre os volumes expressivos de títulos do Master vendidos pela XP e pelo BTG. Nada se fala sobre a paralisação dos processos do Master no Banco Central.
Pouquíssimo se falou sobre o envolvimento de Campos Neto com operações de lavagem de dinheiro, quando presidia a Tesouraria do Santander e, depois, como presidente do BC, sobre as normas que adotou para flexibilizar o mercado, abrindo espaço para a enorme zorra posterior.
A ofensiva contra Alexandre de Moraes não se deve aos seus defeitos, mas ao seu papel de âncora da democracia contra o golpismo, e um dos aríetes do STF para deslindar a mais ampla teia de corrupção já instalada no país: o sistema de lavagem de dinheiro incrustado na Faria Lima. E as reações não vêm só do sistema lavajatista.
Pelo visto, André Esteves, um dos donos do país, aprendeu bem com seu antecessor, Daniel Dantas: não basta cooptar a mídia mainstream.
Demorei a ter uma opinião sobre o caso do Banco Master e do ministro Alexandre de Moraes, mas, por tudo que vi até agora, estou convencido do seguinte:
Primeiro, que as acusações a ele expressas por alguns jornalistas, sobretudo do Rio de Janeiro, carecem de base — especialmente depois dos esclarecimentos prestados pela repórter Daniela Lima, que é uma das grandes jornalistas brasileiras.
Segundo, que a comparação entre esse caso e o caso Watergate, sugerida por Pedro Dória (a quem admiro muito como historiador), não se sustenta. No caso Watergate, as denúncias que apareceram na imprensa se confirmaram, e o caso só se tornou exemplar, inclusive com o filme que mostra os dois jovens repórteres que se tornaram heróis da mídia, porque a apuração rigorosa da Justiça comprovou o que havia sido apontado pelos repórteres. Portanto, o que podia ter ficado como mero boato, rumor ou furo de reportagem se tornou verdade testada em juízo — o que está muito longe de acontecer aqui, e por enquanto não há sinais de que vá suceder.
Terceiro ponto: estou convicto de que toda essa divulgação e celeuma em torno disso tem por efeito ocultar o fato de que o principal problema na liquidação do Banco Master não é qualquer envolvimento do ministro Alexandre de Moraes no caso, mas sim o fato de que o governador bolsonarista do Distrito Federal estava prestes a comprar uma péssima mercadoria, usando os supostos ativos do referido banco com dinheiro bom dos brasilienses, numa conta que acabaria sendo espetada em todos os brasileiros. Assim, me parece haver uma tentativa de passar uma conta da extrema-direita para o ministro do Supremo que mais defendeu a democracia nos últimos anos.
Finalmente, se eu estiver errado nisso tudo, peço desculpas — mas duvido que esteja tão errado. E se jornalistas podem fazer insinuações sem ter provas, e até se gabam de não ter necessidade de produzi-las, creio que posso sugerir uma interpretação com os dados que estão disponíveis.
(*)Ex-presidente da SBPC; ex-ministro da Educação (2015); professor de Ética e Filosofia Política na USP
Minha mãe foi casada cinco vezes. Um jornalista. Um economista. Um baterista do Raul Seixas. Um físico nuclear. Um artista plástico. Na casa do marido economista, conheci a Conceição Tavares. Uma vez por semana, ela chegava, sentava no sofá, acendia um cigarro, pegava o copo de uísque e começava a falar. Pelos cotovelos.
Pra mim, aquela portuga falava chinês. Boiava total.
No verão de 1990 eu tinha 17 anos e ainda cursava a oitava série. Se tinha dificuldades com o bê ao quadrado menos quatro acê, imagina para entender o economês da época.
Uma cena e uma frase naquele sofá nunca saíram da minha cabeça. A Conceição Tavares com o dedo na cara de uma loira dentuça, gritando:
– Você vai é fuder com os pobres!!
– Você vai é fuder com os pobres!!
E um tiozinho de óculos, tentando evitar que a portuga batesse na dentuça.
Muitos anos depois, me dei conta que a dentuça era ninguém menos que a então Ministra Zélia Cardoso de Mello, responsável pelo pacote econômico batizado de Plano Collor – que, entre outras barbaridades, determinou o bloqueio das cadernetas de poupança.
O tiozinho: João Manuel Cardoso de Mello, primo da ministra da Fazenda e cunhado do meu padrasto.
Passaram-se 35 anos.
Fui entrevistar a portuga do sofá para o Valor, no apartamento dela.
E com quem ela falava, por telefone, aos berros?
Fernando Haddad.
“Ô Bonitão, os brasileiros estão morrendo de fome!!! . Déficit zero de cu é rola! ”
Parece história de pescador, mas não é. Desde que comecei na profissão, com 17 anos, presencio momentos assim.
Foi pra mim, num encontro com um amigo em comum, Marcelo Yuka, que Mariele contou pela primeira vez que estava sendo ameaçado de morte por Carlos Bolsonaro, seu colega de Câmara.
Deve ser sorte. Ou azar.
Maria da Conceição Tavares é personagem do meu livro “Vida de Gado – 30 anos pastando no jornalismo”, separado por verbetes de entrevistas que fiz e tentei fazer.
Quem quiser comprar diretamente com o autor é só dar um alô.
A conexão maior do Nação Zumbi com o rock se estabeleceu através da guitarra diferenciada de Lúcio Maia, subestimado instrumentista que moldou o som da banda pernambucana criada por Chico Science. “Um Sonho”, a canção deste Rock na Madrugada, é uma pequena obra-prima composta em homenagem ao próprio Chico, inspirada num sonho que o vocalista e compositor Jorge Du Peixe teve com o amigo e antigo líder do Nação.
Quando o Nação Zumbi passou por Belém no Festival Pissica, no início deste mês, veio junto com várias outras atrações musicais, de diversos gêneros, sem tempo suficiente para passar a limpo o belíssimo repertório de três décadas de estrada. Bem que merecia uma apresentação exclusiva para mostrar do que é capaz, mesmo sem o craque Lúcio Maia, que deixou a banda em 2022.
O Nação Zumbi surgiu em 1991, na periferia de Recife, misturando o pós-punk da banda Loustal com o samba-reggae do bloco Lamento Negro, que pertencia a Chico Science. Com a união de músicos de perfis e influências diferentes, o Nação fundou o movimento manguebeat (um combo dos tambores do maracatu, das levadas do reggae e das guitarras do rock) com os discos “Da Lama ao Caos” e “Afrociberdelia”, firmando-se com trabalhos consistentes com e sem Science, que morreu em 1997.
A balada-rock “Um Sonho” retrata o processo de constante renovação do Nação, sem jamais perder o sotaque pernambucano. Abaixo, um trecho da letra:
Estão comendo o mundo pelas beiradas / Roendo tudo, quase não sobra nada / Respirei fundo achando que ainda começava / Um grito no escuro, um encontro sem hora marcada / Ontem eu tive esse sonho / Nele encontrava com você / Não sei se sonhava o meu sonho / Ou se o sonho que eu sonhava era seu / Um sonho dentro de um sonho / E eu ainda nem sei se acordei / Desse sonho quero imagem e som / Pra saber o que foi que aconteceu.
O ex-diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, foi preso na madrugada desta sexta (26) no Paraguai. Ele tentava embarcar para El Salvador usando um documento falso após romper a tornozeleira eletrônica no Brasil. A fuga começou no Natal. A tornozeleira de Silvinei parou de emitir sinal na madrugada do dia 25 e, segundo a PF, desligou totalmente à tarde por “falta de bateria”.
Ao ser detido, as autoridades paraguaias confirmaram que Silvinei usurpou a identidade de um cidadão local. “Ficou claro que se tratava de um impostor”, disse o diretor de Migrações do país vizinho. Para tentar evitar perguntas, Silvinei ainda apresentou para as autoridades uma declaração em espanhol alegando ter câncer na cabeça e não poder falar nem ouvir.
Na noite desta sexta, ele foi entregue à Polícia Federal (PF) em Cidade do Leste, após uma viagem de cinco horas de carro até a fronteira com o Brasil. Silvinei chegou à aduana, o órgão governamental responsável por controlar a entrada e saída de mercadorias, veículos e pessoas, algemado e com um capuz.
Após ser entregue, ele foi levado até a sede da PF em Foz do Iguaçu, no Paraná, onde cumpre prisão preventiva. Vasques estava proibido de deixar o Brasil devido à condenação por golpe de Estado. O caso é tratado como uma fuga pela Polícia Federal.
Para deixar o país, Vasques fez uma viagem em um carro alugado e levava consigo um passaporte paraguaio falso e uma carta alegando estar tratando um câncer para justificar sua ida para El Salvador a partir da capital paraguaia.
O ex-diretor da PRF foi acusado de organizar uma operação nas estradas para dificultar o deslocamento de eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em especial no Nordeste.
Foi condenado em 16 de dezembro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 24 anos e seis meses de prisão por tentativa de abolição do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado. (Com informações do g1 e da BBC)