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Autor: blogdogersonnogueira
Paraense de Baião, filho de Benedita e José, pai de Pedro Vítor e João Gerson. Jornalista profissional, 48 anos de estrada. Diretor de Redação do jornal Diário do Pará de fevereiro de 2004 a maio de 2015. Exerce atualmente a função de Editor Responsável. Comentarista esportivo da Rádio Clube do Pará e do programa Bola na Torre (TV RBA), desde 2006. Editor e colunista do caderno Bola desde 1998. Correspondente do grupo RBA (jornal, TV e rádio) nas Copas de 2006 (Alemanha), 2010 (África do Sul), 2014 (Brasil) e 2022 (Qatar). Repórter, editor e chefe de reportagem dos jornais A Província do Pará e O Liberal, entre 1978 e 1987. Chefe de jornalismo da TV Cultura do Pará, em 1987/1988. Diretor de jornalismo da RBA, de 1989 a 1996, corresponsável pela criação do programa Camisa 13 e criador do programa Barra Pesada.
Consumidor de rock, cinema, livros, quadrinhos e cultura pop em geral. E muito botafoguense, claro!
O torcedor costuma ser muito exigente quanto às contratações no início de temporada. É claro que o nível de exigência aumenta ainda mais quando o campeonato a disputar é o mais importante do país. Por essa razão, a etapa de busca de reforços vivida pelo Remo é certamente a mais desafiadora da história do clube. Não basta contratar; é preciso contratar bem.
A diretoria faz o que pode e corre de um lado a outro buscando reforços. Até agora, conseguiu Yago Pikachu, Thalisson, João Lucas, Alef Manga, Carlinhos e Zé Ricardo. Negocia com Patrick de Paula, Fábio Matheus, Léo Andrade, Jajá e Maurício Garcez.
Parece pouco para quem tem pretensões de fazer boa campanha na Série A, mas é o possível para um clube que acaba de subir da Série B e enfrenta as dificuldades naturais do mercado. O chamado “custo Pará” é um dos maiores entraves.
Jogadores cobram uma espécie de ágio para jogar no Norte do país. Se os salários para clubes do Sudeste ou Nordeste são de R$ 30 mil, para o Remo não fica por menos de R$ 45 mil. Isto é só um exemplo da situação. É assim há muito tempo, mas a Série A amplificou essa prática.
A contratação de Pikachu foi definida em curtíssimo espaço de tempo, por razões óbvias. Não houve empecilho porque é um atleta paraense, sem necessidade de adaptação ao clima e acostumado aos problemas logísticos de viver no Norte do país.
Ao mesmo tempo em que se desdobra no mercado, tentando vencer a concorrência, o Leão enfrenta a desconfiança normal em relação a clubes emergentes. Jogadores de bom nível, como pede o torcedor, muitas vezes evitam se arriscar por um time recém-chegado à Série A.
Existem negociações em curso com atletas da chamada primeira prateleira, necessários para encorpar e qualificar o elenco, mas a diretoria opta pelo silêncio. É uma estratégia que blinda os negócios e impede que o encaminhamento de acerto salarial se transforme em leilão.
O certo é que, aos poucos, o próprio torcedor vai caindo na dura realidade da Primeira Divisão. Aceitar com um time operário, com feições de Série B, parece inevitável a essa altura – salvo surpresas de última hora. (Foto: Raul Martins/Ascom CR)
Papão drible a crise e contrata dois bons reforços
De forma até surpreendente, o PSC conseguiu fechar a contratação de alguns bons reforços, driblando a dura crise financeira que veio após a derrocada na Série B. Ítalo Carvalho e Marcinho são os principais exemplos do acerto na busca por novos jogadores.
Dentro do critério de trazer atletas experientes, o clube se movimentou rapidamente e trouxe o atacante Ítalo Carvalho, 29 anos, atacante que se sobressaiu na Série B pelo Volta Redonda. Outro bom nome é Marcinho, 30 anos, ex-Chapecoense, também oriundo da Série B.
Outras aquisições, já apresentadas e integradas ao elenco, são o zagueiro Castro (30), o volante Caio Melo (25), o goleiro Jean Drosny (31), o lateral-direito JP Galvão (24) e os atacantes Kleiton Pego (25) e Danilo Peu (22). São apostas avalizadas pelo técnico Júnior Rocha.
O diretor de futebol, Alberto Maia, informou ontem que o ciclo de contratações será fechado com reforços para a lateral-esquerda e a zaga.
Camisa Red da Seleção pode ter uma nova chance
Depois de ter sido fabricada com endosso da CBF, presidida à época por Ednaldo Rodrigues, a lendária camisa vermelha da Seleção Brasileira pode finalmente vir a ser comercializada. A Nike estaria planejando colocar à venda o uniforme, que sofreu campanha furiosa por parte de setores identificados como bolsonaristas, defensores do mote “minha bandeira jamais será vermelha”.
Confundiram um tema meramente esportivo com questões políticas. A implicância com a cor vermelha na camisa da Seleção ganhou o apoio de aloprados da mídia, ávidos em conquistar o público mais conservador.
O problema é que, do ponto de vista do fabricante, vender a camisa vermelha serviria para recuperar os custos de produção do uniforme e oferecer aos fãs um precioso item de colecionador. O entrave está na atual direção da CBF, que também tem horror à cor vermelha.
Como o capitalismo não aceita portas fechadas, é provável que a Red seja finalmente comercializada, até mesmo porque pesquisas indicam grande interesse do torcedor-consumidor.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 07)
“Trump criminoso: tire as mãos da América Latina”. Esta faixa foi mostrada na tarde desta terça-feira (6) durante o jogo entre Pisa e Como, pelo Campeonato Italiano.
“Neoliberalismo fora de América Latina”. A torcida do ST. Pauli, clube alemão, também desfraldou uma faixa protestando contra o ataque norte-americano à Venezuela.
Tudo gira em torno da decisão do STF que validou a constitucionalidade da CIDE sobre remessas ao exterior.
Por Luis Nassif
Historicamente, as Organizações Globo sempre foram implacáveis com quem pudesse colocar seus interesses em risco. Foi assim com Ibrahim Abi Ackel, Ministro da Justiça no governo José Sarney, quando resolveu questionar a compra de equipamentos radiofônicos pela emissora, sem pagamento de impostos – operação vulgarmente conhecida como contrabando.
O atrito começou quando Abi-Ackel defendeu maior controle estatal sobre concessões de rádio e TV, endureceu o discurso sobre renovação e fiscalização das concessões e sinalizou que comunicação não era propriedade privada perpétua, mas serviço público. O Ministro foi alvo de uma campanha diária, através do Jornal Nacional, apresentado como inimigo da democracia. Culminou com acusações – jamais comprovadas – de que se valera das prerrogativas do cargo para contrabando de joias.
Outro caso chocante foi a campanha contra o Ministro de Fernando Collor, Alceni Guerra, quando propôs uma aproximação com Leonel Brizola. Houve uma campanha implacável, contra a principal obra do Ministro – aluguel de bicicletas para agentes de saúde -, acusando-o de corrupção. Liquidaram com a carreira de um dos mais promissores políticos da época,.
A campanha contra Alexandre de Moraes enquadra-se nesse estilo, conforme revelado por Roberto Barbosa, no Diário da Guanabara. Tudo gira em torno da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que validou a constitucionalidade da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre remessas ao exterior, no julgamento do Tema 914 de Repercussão Geral.
É interessante acompanhar o tema, porque reforça a hipótese de que todas as campanhas contra o STF tem como pano de fundo a ofensiva contra a lavagem de dinheiro e contra a engenharia tributária utilizada no mercado.
Até então, a cobrança do CIDE incidia apenas sobre contratos de transferência de tecnologia. Depois da decisão do STF, passou a incidir também sobre o pagamento de direitos autorais e licenciamento de conteúdos internacionais.
Entendeu-se que a CIDE-Remessas é um tributo de natureza extrafiscal, cuja validade decorre não do fato gerador em si, mas da finalidade constitucionalmente legítima: o financiamento do desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro.
No acórdão, o Ministro Flávio Dino entendeu que as contribuições de intervenção no domínio econômico não exigem “referibilidade direta” ou contraprestação em favor do contribuinte. “É desnecessária a existência de benefício direto em favor dos respectivos contribuintes. A contribuição de intervenção no domínio econômico caracteriza-se pelo aspecto finalístico e não pelo elemento material (fato gerador).” — Trecho do Acórdão, Redator Min. Flávio Dino.
Foi uma votação apertada, de 6 a 5. O relator original, Luiz Fux, obviamente defendia teses favoráveis a Globo. Mas Dino abriu a divergência e conseguiu a maioria, consolidando a cobrança sobre royalties, serviços técnicos e assistência administrativa de qualquer natureza.
O voto de Dino foi acompanhado por Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Edson Fachin e Luis Roberto Barroso. Votos vencidos foram de Fux, Dias Toffoli, Carmen Lúcia, André Mendonça e Nunes Marques.
A decisão do STF impediu uma perda de R$ 19,6 bilhões para a União, valor que seria recuperado pelas empresas caso prosperasse a tese da inconstitucionalidade.
Segundo o artigo, “a impossibilidade de deduzir a CIDE como despesa operacional para fins de IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e CSLL (Constribuição Sobre Lucro Liquido) agrava o impacto, reduzindo diretamente o lucro líquido e a capacidade de investimento do grupo em novas aquisições internacionais”.
Se a tese estiver correta, o próximo alvo da Globo será o ministro Flávio Dino.
As primeiras palavras do colombiano Juan Carlos Osorio como novo técnico do Remo foram animadoras. Deixou claro, já no CT do Retrô, em Recife, que defende um sistema competitivo e ofensivo, sempre buscando o gol, sem abrir mão de um jeito bonito de jogar futebol.
El Profe (O Professor), como é conhecido, carrega conhecimento e bagagem suficiente para defender essa tese sem parecer cabotino ou marqueteiro. Seus times, em geral, sempre tiveram características de controle e posse de bola.
Osorio gosta de “interpretar o jogo para frente, atacar, procurando criar situações de gol”. Terá uma missão desafiadora com um grupo de atletas que até o momento não foi enriquecido por reforços do nível que a Série A exige, com exceção de Yago Pikachu.
A prática de rodízio na escalação é outro ponto a ser considerado. Numa competição difícil e de muita exigência física, isso adquire contornos ainda mais compreensíveis. O trabalho fica facilitado na medida em que mais atletas estejam em condições de assumir a titularidade.
O processo de formação de um elenco parece caótico até ganhar a forma de um time definido. Nos próximos dias, a pré-temporada realizada pelo Remo vai permitir que se tenha um esboço da equipe que iniciará a temporada. O mais provável é que, de início, Osório utilize os remanescentes da Série B.
Para a disputa da Supercopa Grão Pará contra o Águia, no próximo dia 18, o torcedor vai observar em campo um time formado majoritariamente pelos jogadores que ajudaram a conquistar o acesso:
Marcelo Rangel; Marcelinho, Klaus, Kayky e Jorge; Jaderson (Pavani), Panagiotis e Cantillo; Diego Hernández, João Pedro e Nico Ferreira. Dificilmente, Pikachu e os demais contratados (Patrick, Carlinhos, João Lucas, Thalisson e Alef Manga) serão escalados.
Principal reforço do Leão, Pikachu chega causando
A mais surpreendente notícia deste período de recesso foi a contratação de Yago Pikachu pelo Remo. As especulações iniciais pareciam excessivamente fantasiosas, até porque o jogador já havia afirmado que jamais vestiria a camisa remista. Como no futebol, palavras são levadas pelo vento, o que foi dito lá atrás hoje tem pouca relevância.
Pikachu fez acenos importantes ao torcedor nos últimos dias, ciente de que o anúncio de sua contratação não despertou grande entusiasmo. O Fenômeno Azul está contido em relação à aquisição, pelo fato óbvio de que o meia-atacante tem toda uma história afetiva com a camisa do maior rival.
Em sua primeira entrevista com a camisa azulina, Pikachu lembrou que teve uma passagem inicial pelo futsal do Remo, sob o comando do técnico Netão (hoje no sub-20 azulino) quando ainda era um garoto. Observou, ainda, que toda a sua família é remista. E, por fim, a frase definitiva: era torcedor do Leão antes de se tornar profissional.
Foi o bastante para desencadear reações extremadas do lado alviceleste no campo minado em que se transformou a internet. Incomodou até o ex-presidente bicolor Alberto Maia, que criticou o meia-atacante. Ao mesmo tempo, a declaração agradou em cheio a massa azulina.
Não foi a primeira travessia de bicolores para o Evandro Almeida. A última delas muito bem sucedida, por sinal. Foi a contratação de Eduardo Ramos, camisa 10 que trocou o Papão pelo Leão e se transformou em ídolo azulino com títulos e um acesso importante.
Vale dizer que qualquer cisma em relação ao passado de Pikachu tende a se dissipar em campo, caso o jogador reedite no Remo a trajetória de sucesso nos outros clubes que defendeu – Fortaleza, Vasco e o próprio Paysandu.
Em meio às contratações anunciadas, Pikachu é até agora o principal nome, candidatando-se a ser a referência do time na Série A.
Sob nova direção, Papão busca se reinventar
O presidente do Paysandu, Márcio Tuma, foi o convidado do programa Bola na Torre, neste domingo (4), deixando boa impressão pela clareza de ideias e objetivos bem definidos quanto ao futuro imediato do clube. A meta maior, segundo ele, é a conquista do acesso à Série B.
Tuma garante que o PSC não vai repetir os erros que causaram o desastre na última temporada. Vai adotar como mantra o respeito aos prazos de pagamento e contenção nos gastos, procurando contratar jogadores que de fato venham contribuir para alcançar os resultados.
O maior desafio dos que assumiram a gestão do clube, após a renúncia de Roger Aguilera à presidência, é equacionar receita e despesa, buscando o equilíbrio financeiro que faltou no ano passado.
Márcio Tuma, de 44 anos, vem das arquibancadas. Sócio remido do clube, advogado trabalhista e torcedor de frequentar a Curuzu em todas as partidas, ele ainda tenta assimilar toda a importância embutida na missão de comandar o PSC.
A confiança demonstrada na recuperação do clube é um ponto que chama a atenção dos torcedores, mesmo daqueles ainda magoados com os insucessos de 2025. Conquistar a confiança da Fiel é um bom começo.
(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 06)
“Em Gaza, o mundo assiste a um genocídio ao vivo de um povo massacrado por um regime nazista. E trata como ‘operação de defesa’. Na Venezuela, o mundo assiste ao vivo à invasão de um país soberano e a um sequestro de um presidente legítimo. E trata como ‘julgamento’. Dá nojo”.
A bola está com Lula, não fosse por suas virtudes, mas pela relevante razão de que somos um país de analfabetos disfuncionais
Por Luis Nassif
A invasão da Venezuela e o sequestro do seu presidente pelos Estados Unidos, joga definitivamente a América Latina na mais profunda imprevisibilidade. Os sonhos brasileiros, de uma potência soberana e desenvolvida, passam a ser profundamente ameaçados.
Os elementos para o grande salto estavam aí:
Reservas estratégicas de terras raras.
Abundância de energia verde.
Uma boa base científico-tecnológica.
A parceria potencial com a China e com os BRICS, abrindo as perspectivas de uma cooperação proveitosa.
A liderança do Sul Global, abrindo enormes possibilidades geopolíticas para o país.
Tudo isso é passado. A invasão da Venezuela marca definitivamente o fim da autonomia das nações, da mediação dos organismos multilaterais, das negociações como saída para os conflitos.
A história está repleta de exemplos, a Pax Romana, a Espanha dos Habsburgo sobre a América Latina, a Guerra dos Ópios, do Império Britânico contra a China, as sucessivas invasões norte-americanos no pós-guerra.
O padrão é sempre o mesmo.
Ascensão econômica
Supremacia militar
Narrativa moral (“civilizar”, “libertar”, “defender”)
Uso seletivo da força
Declínio quando o custo supera o benefício
Entra-se na nova quadra com o Brasil partido ao meio.
De um lado, tendo de enfrentar seus demônios internos: a invasão do mercado e do Congresso pelo crime organizado.
Os problemas de governabilidade trazidos pelos apropriação do Congresso pelo crime organizado.
A ofensiva contra o Supremo Tribunal Federal, facilitada pela falta de um código de conduta no órgão.
Uma mídia sem a menor noção do que seja interesse nacional, sem uma bússola sequer, resultando em uma cobertura caótica e sem discernimento.
O único fator de coesão no país continua sendo Lula, mas sem o reforço de qualquer plano de desenvolvimento sólido, sem qualquer perspectiva de futuro, para propor o grande pacto nacional.
Todos os gestos passivos foram tentados para o grande pacto. Tem-se um governo claramente de centro, respeitador das instituições, empenhado em reconstruir as bases do Estado nacional, atuante nas questões de soberania, quando afrontada pelas ameaças de Trump, e ousando políticas sociais básicas.
Fosse um país minimamente informado, Lula representaria a tal terceira via, que a imprensa vive apregoando e ninguém sabe, ninguém viu. Mas é vítima de um preconceito social típico de republiquetas latino-americanas. Ironiza-se muito o pensamento primário das bancadas bbb (boi, Bíblia e bala), mas o veículo que deveria ser o instrumento dos grandes temas nacionais – a mídia corporativa – compartilha do mesmo primarismo.
E esse primarismo contamina todos os setores da vida nacional. Não existem mais lideranças industriais, comerciais, bancárias, de pequenas e micro empresas. Apenas uma enorme balbúrdia em torno do que é ou não é gastança.
A bola está com Lula, não fosse por suas virtudes, mas pela relevante razão de que somos um país de analfabetos disfuncionais, com cada qual querendo levar seu quinhão sem a menor noção sobre o conjunto.
Lula tem que pensar seu plano de metas, seu New Deal. Anos atrás, no dia do AVC de dona Marise, participei de um evento com Lula. Fiz minha palestra, joguei um monte de provocações para Lula. E o discurso que ele fez continha todos os elementos de um projeto de país: abordava todos os temas relevantes para o país (educação, inovação, integração econômica, saúde) com a linguagem acessível ao cidadão comum. Comentei com um colega que apenas uma bala pararia Lula (parafraseando um dito comum nos tempos de Muhammad Ali).
Depois disso houve a prisão, a volta gloriosa, a administração política de um país partido ao meio. E o veneno bolsonarista espalhado por todos os poros da Nação.
Mas é hora de Lula dar-se conta da necessidade de traçar um projeto que aponte o futuro. Os bons indicadores de 2025 não bastam. Ele tem que colocar o país para pensar o que queremos ser, da mesma maneira que JK com o Plano de Metas e Roosevelt com o New Deal.
No sábado (3), o meia-atacante Yago Pikachu compareceu à sede do Clube do Remo, vestiu a camisa e falou pela primeira vez como jogador azulino. Depois de se tornar ídolo no maior rival, Paysandu, onde iniciou a carreira profissional, ele contou em entrevista ao “Rei Cast” (Remo TV) que era torcedor do Leão antes de se tornar jogador profissional.
“Não vou mentir, até porque está sendo uma repercussão muito grande a minha vinda para cá. Como falei, os mais próximos de mim, principalmente dos meus familiares, sabem que a minha família é toda remista, meu pai, minha mãe. O meu pai me levava muito para o jogo do Remo, então eu tinha esse sentimento, tinha esse carinho, mas depois eu fui profissional, como todo profissional”, afirmou Pikachu.
Em seguida, ele respondeu com um “É isso aí” ao ser perguntado sobre torcer pelo Remo. Pikachu recordou, inclusive, sobre a passagem que teve pelo Leão antes mesmo de ir para o Papão. Ele comentou que se sagrou campeão pelo time sub-15 de futsal azulino sob o comando de Netão (atual técnico do futebol sub-20).
“Quem é mais próximo de mim, meus amigos, familiares, sempre soube que eu joguei no Remo futsal, na categoria sub-15. Cheguei até a fazer teste no campo, sub-13, mas eu cheguei a jogar aqui e fui campeão com o Netão, que tem muita história aqui, principalmente no futsal do clube. Cheguei a ser campeão paraense aqui, sub-15, então não é um lugar estranho para mim, porque eu passei praticamente uma temporada toda de categorias de base de futsal jogando aqui nesse ginásio [Serra Freire, local da entrevista]”.
APRESENTAÇÃO NO CT DO RETRÔ
Nesta segunda-feira, Pikachu se apresenta para a pré-temporada, que será realizada no CT do Retrô, em Camaragibe (PE). Vai se juntar aos 23 jogadores que já iniciaram treinamentos. O técnico Juan Carlos Osório deverá chegar ainda hoje, 5.
Nos últimos dias, a diretoria anunciou a renovação de contrato com o zagueiro Kayky, que pertence ao Fluminense e disputou a Série B pelo Leão. Ele esteve próximo de fechar com o Mirassol, mas optou por permanecer no Evandro Almeida. Outra contratação é a do zagueiro Thalisson, que defendeu o Paysandu na Série B 2025. Ele pertence ao Coritiba e foi cedido por empréstimo.
O volante Fabio Matheus, 22 anos, que pertence ao Sport-PE, está na mira dos azulinos. Ele atuou pelo Grêmio Novorizontino na Série B. Outro alvo do interesse do Remo é o atacante Maurício Garcez, que esteve no PSC em 2025 e foi o artilheiro do time na Segunda Divisão. Estão avançadas as negociações para a contratação do lateral-direito João Lucas (27 anos), do Grêmio; do atacante Jajá, do Goiás; e do volante Patrick de Paula, do Botafogo.
Um dia depois de tropas americanas invadirem o palácio Miraflores e levarem à força o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua mulher, Donald Trump partiu para a ofensiva contra a sucessora dele, Delcy Rodríguez. Em entrevista por telefone, ele disse que a recém-empossada presidente pagará “um preço muito maior” que o de Maduro, caso “não faça a coisa certa”. O tom é muito diferente do empregado pelo próprio Trump na véspera ao afirmar que Rodríguez “estava disposta a fazer o necessário para tornar a Venezuela grande novamente”, incluindo abrir a exploração de petróleo no país às empresas americanas. (The Atlantic)
A ameaça parece ter surtido efeito. À noite, Rodríguez divulgou nas redes uma carta aberta em tom cauteloso, convidando o governo dos Estados Unidos a colaborar em uma “agenda de conciliação”. Segundo a presidente, a Venezuela “deseja viver sem ameaças externas” e seu governo vai buscar uma relação respeitosa e equilibrada com Washington. No sábado, Rodríguez foi mais enfática, dizendo que seu país estava “pronto para defender seus recursos naturais”. (Reuters)
E a retórica agressiva de Trump não se limitou à Venezuela. Conversando com jornalistas a bordo do avião presidencial, ele previu que o governo cubano “parece pronto para cair” já que, segundo ele, só sobrevive por causa de Caracas. Trump também ameaçou o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, acusando-o de gostar de “fabricar cocaína e mandá-la para os EUA”. “Ele não vai fazer isso por muito tempo”, acrescentou. (Politico)
Enquanto Trump mordia, seu secretário de Estado, Marco Rubio, assoprava. Ele concedeu uma série de entrevistas para negar a afirmação do presidente de que os Estados Unidos iriam “governar” a Venezuela. Segundo ele, Washington vai manter o bloqueio a petroleiros sancionados mas não terá qualquer envolvimento na administração do país. De acordo com o secretário, o bloqueio funcionará como pressão para que o governo venezuelano atenda às exigências da Casa Branca. O objetivo das explicações é afastar os temores de boa parte do eleitorado de Trump, o chamado movimento MAGA, de que os EUA se envolveriam em uma prolongada ocupação em território estrangeiro. (AP)
Maduro e a esposa, Cilia Flores, serão levados no fim da manhã de hoje (horário de Brasília) a um tribunal federal em Nova York, onde responderão a um processo por tráfico de drogas e outras acusações. Em condições normais, uma ação desse tipo levaria até um ano para ser julgada, mas a defesa de Maduro deverá questionar a legalidade de sua prisão, classificada por muitos como um sequestro, e até mesmo se ele teria imunidade como chefe de Estado. (New York Times)
Na Venezuela, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, confirmou que membros da guarda pessoal de Maduro foram mortos durante o ataque ao Palácio Miraflores por soldados de elite dos EUA. O general não deu um número exato, mas estima-se que até 80 pessoas, entre civis e militares, tenham morrido no ataque e nos bombardeios americanos. Em pronunciamento, Padrino confirmou que as Forças Armadas reconhecem Delcy Rodríguez como presidente interina e pediu que a população retomasse as atividades diárias. (El País)
Para ler com calma. Ainda que tenha peso simbólico, a prisão de Maduro não alterou de fato a estrutura de governo da Venezuela. Vladimir Padrino, Delcy Rodríguez e seu irmão Jorge e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, entre outros, formam um núcleo do chavismo que governa há décadas o país. (BBC Brasil)
Juan S. Gonzalez: “A imagem de Maduro sob custódia nos Estados Unidos cria a imagem de um encerramento. Mas esse não é o começo do fim da longa briga de Washington com a Venezuela. É o fim do começo e o início de uma fase mais difícil e perigosa”. (Foreign Affairs)