À espera dos ajustes finais

Pikachu comemora gol marcado na estreia dele pelo Remo na Supercopa Grão-Pará — Foto: Samara Miranda/Ascom Remo

Foto: Samara Miranda/Ascom Remo

POR GERSON NOGUEIRA

A uma semana da estreia, diante do Vitória, em Salvador, o time do Remo ainda precisa de ajustes importantes para alcançar a competitividade exigida pelo principal campeonato do país. A conquista da Supercopa Grão-Pará, domingo (18), inaugurou a temporada de forma vitoriosa, mas expôs problemas a serem resolvidos.

Juan Carlos Osório admitiu, logo depois da vitória sobre o Águia, que o trabalho está em andamento. A preparação, iniciada na pré-temporada, prossegue em busca do ponto ideal. O treinador avaliou que é preciso evoluir mais 20% ou 30%. Talvez seja preciso um pouco mais que isso – e nem estamos falando (ainda) de sistema de jogo.

A surpreendente dificuldade encontrada diante do Águia serviu para expor as carências do time. Não passou despercebido a Osório que a criação não encaixou e que a defesa ficou muito exposta. Sim, é preciso considerar que a equipe foi renovada e está em fase de formação.

Ainda assim, um olhar mais atento permite ver que Osório corre contra o tempo para estruturar e encontrar um time confiável para estrear no Brasileiro. Usará provavelmente uma nova escalação, com a inclusão de reforços como Patrick de Paula, Monti, Carlinhos e Patrick.  

A dúvida é se esses jogadores estão aptos para as exigências físicas e técnicas da Série A. Por outro lado, depois do que se viu na Supercopa, a presença de Yago Pikachu tem efeito tranquilizador para Osório – e para a torcida.

Referência entre os reforços que o Remo contratou, Pikachu demonstra ter motivação para jogar em nível técnico competitivo, capaz de representar o ponto de equilíbrio e a liderança técnica da equipe na Série A.

Um fato anunciado ontem pode representar uma saudável correção de rumos no critério de contratações do Leão. A contratação de Vítor Bueno é a primeira de um meia-armador para um elenco repleto de volantes (10).

Vítor Bueno, ex-Cerezo Osaka (Japão) e Athletico-PR, pode ajudar a suprir as deficiências criativas. Não é seguro entregar o setor de criação a Panagiotis ou Cantillo. Volantes que costumam jogar pisando na intermediária adversária, ambos mostraram limitações físicas que podem comprometer a movimentação em campo. A conferir. 

Doces tempos da ofensividade irresponsável

A decisão da Copa Africana de Nações, no último domingo, em Rabat, teve todos os ingredientes que fizeram do futebol o esporte das multidões desde os tempos de Neném Prancha. A seleção de Senegal venceu por 1 a 0 em um confronto dramático, catimbado e tenso, sem jamais deixar de ser emocionante, como o povo gosta.

Depois de muito equilíbrio no tempo normal, veio a prorrogação, provocada pela perda de uma penalidade pelo marroquino Brahim Diaz já nos acréscimos. Logo na primeira metade do tempo extra, Pape Gueye fez um golaço para Senegal, ante o silêncio da torcida que lotava o estádio Príncipe Moulay Abdellah.

Marrocos, nosso primeiro adversário na Copa do Mundo, tentava quebrar uma escrita de meio século. Sofreu com o script caótico dos instantes finais da partida. Surgiu um gol para Senegal, anulado por falta na origem. O confronto ficou ameaçado por alguns minutos depois da marcação do pênalti para Marrocos, com interferência do VAR.

Revoltados com a arbitragem, os senegaleses saíram de campo em protesto, sob vaias dos marroquinos. Sadio Mané, o cobra do time, conseguiu convencer os companheiros e a seleção voltou ao gramado. Para sorte de Senegal, Brahim Díaz tentou imitar Loco Abreu e se deu mal. A cavadinha ridícula facilitou as coisas para Mendy, que esperou o chute e pegou.

O padrão físico de alta intensidade e muita velocidade marcou a partida, fiel à tradição africana. Na prorrogação, o gol de Pape Gueye deu a vantagem parcial a Senegal, mas o embate seguiu aberto e franco, com a ofensividade indômita que caracteriza o futebol da África.

Teve até bola na trave para Marrocos, mas Cherif Ndiaye poderia ter ampliado para Senegal após um rebote do goleiro Bounou. A chuva que desabou sobre o estádio travou o jogo nos instantes finais. Nada que ofuscasse a estranha beleza de um futebol hoje inexistente na chamada primeira prateleira do mundo da bola. Precisava falar sobre isso.  

Copa do Mundo pode sofrer boicote de europeus

O olho gordo de Donald Trump sobre a Groenlândia virou assunto também na área esportiva. Diante das ameaças de anexação, políticos europeus já sugerem um boicote à Copa do Mundo, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, de 11 de junho a 19 de julho. Por enquanto, não há manifestação oficial das 12 federações europeias classificadas.

Ontem, o deputado alemão Jürgen Hardt disse ao jornal Bild que a presença da seleção germânica deve ser avaliada para fazer Trump pensar “na barbárie que está cometendo”. A Groenlândia é um território semi autônomo pertencente à Dinamarca.

“As seleções devem jogar em estádios americanos na Copa? São coisas que envergonhariam o presidente em casa”, afirmou o britânico Simon Hoare. Em tempo: a Rússia está fora da Copa, punida pela Fifa por ter invadido a Ucrânia. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 21)