Superpopulação de valentes

POR GERSON NOGUEIRA

O que não falta no novo elenco do Remo é volante. Até o momento, são oito – Pavani, Jaderson, Cantillo, Freitas, Patrick, Panagiotis, Patrick de Paula e Zé Ricardo –, quantidade que pode subir para 11, pois o clube tem negociações avançadas para contratar Fábio Matheus (Sport), Lionel Picco (Platense) e Zé Welison (Fortaleza).  

É compreensível a preocupação em ter bons jogadores para suprir as necessidades de um campeonato tão difícil e seletivo como é o Brasileiro da Série A, mas o excesso nem sempre é a alternativa mais indicada.

Quando Juan Carlos Osório foi contratado, o Remo tinha cinco volantes remanescentes da Série B 2025. O técnico certamente está indicando reforços, sugerindo novos nomes, mas o inchaço já é evidente, principalmente quando se observa a baixa quantidade de meias.

A rigor, o Remo só conta no elenco atual com dois armadores de ofício: Dodô e Yago Ferreira, ambos reservas. O primeiro disputou o Parazão, mas praticamente não participou da campanha na Série B. Yago, filho do ex-jogador Iranildo, é uma aposta de Marcos Braz que até hoje não vingou.

Para a disputa da Supercopa Grão-Pará, domingo (18), Juan Carlos Osório talvez precise improvisar no setor de criação. Uma possibilidade é Panagiotis (volante de formação), que chegou a atuar mais adiantado em jogos da Série B.

Jaderson também pode entrar como meia, embora já tenha dito que prefere ser um segundo volante, de posicionamento ofensivo. Cantillo, de boa técnica e passe vertical, é outro volante que pode ser utilizado na armação.  

A grande dúvida é se o Remo vai seguir improvisando em zona tão importante do time quando o Brasileiro começar, no dia 28 de janeiro. Para resolver a situação, o clube faz tratativas para contratar Lucas Lima, meia do Sport. Outro nome especulado é o de Praxedes, do Bragantino. Mas, por ora, não há nada confirmado.   

Torcida durante partida entre Remo e Chapecoense no estádio Baenão pelo campeonato Brasileiro B 2025 — Foto: Fernando Torres/AGIF

Torcida azulina no jogo Remo x Chapecoense no Baenão. Foto: Fernando Torres/AGIF

Série A: CBF detalha as oito rodadas iniciais  

Saiu finalmente o detalhamento das oito primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro da Série A, com horários e locais definidos. O primeiro adversário do Remo já era conhecido: o Vitória, no estádio Barradão, em Salvador. A partida acontece na quarta-feira, 28, às 19h. Apenas quatro dias depois da estreia do Leão no Campeonato Paraense.

O retorno azulino à elite nacional após 32 anos será longe dos olhos da torcida, bem como o primeiro confronto em Belém. O Remo vai cumprir punição imposta pelo STJD por conta dos tumultos registrados contra o Avaí, na penúltima partida da Série B. Por enquanto, a pena está mantida.

A segunda partida será no Mangueirão, dia 4 de fevereiro, às 20h, contra o Mirassol, sensação do futebol brasileiro na última temporada. O terceiro adversário é o Atlético-MG, que recebe o Remo na Arena MRV, em Belo Horizonte, no dia 11 de fevereiro, às 20h.

No dia 25 de fevereiro, pela 4ª rodada, o Leão enfrenta o Inter, no Mangueirão, já com a presença do Fenômeno Azul. Depois virão os confrontos contra o Fluminense, no dia 12 de março, no Mangueirão; com o Coritiba, em 15 de março, em Curitiba; diante do Flamengo, no dia 19, no Maracanã; e contra o Bahia, em Belém, no dia 22 de março, às 16h.

Após esses jogos iniciais, o torcedor já terá uma ideia do que o Remo pretende fazer na competição, se será apenas um coadjuvante brigando pela sobrevivência ou um participante aguerrido e disposto a brigar por posições mais destacadas.  

Edilson é a principal referência do novo Papão

O jogo-treino do PSC contra o Cametá, no último sábado, terminou empatado (1 a 1) e funcionou como primeiro teste do elenco recém-formado. O técnico Júnior Rocha teve a chance de ver os jogadores em ação contra uma equipe que será adversária do Papão no Parazão.

Pouco importa o placar da partida, que foi dividida em três tempos, sem limite de substituições. Não houve transmissão e nem presença de público. Foi como um treino fechado, exclusivo para apreciação das comissões técnicas.

O lateral-direito Edilson, um dos quatro remanescentes da participação na Série B – os outros são Gabriel Mesquita, Matheus Vargas e Lucão –, apareceu escalado como um ala avançado, papel que já desempenhou ao longo de seus três anos no clube.

Mais importante: Edilson ganhou a braçadeira de capitão no amistoso, o que indica que é a referência maior do time que começa a ganhar forma. Nada mais justo. O ala foi titular no Brasileiro, mantendo boa regularidade, apesar das muitas deficiências da equipe. 

Com a Copa chegando, as peças se movem

Movimentos que têm a Copa do Mundo como objetivo. Quase rebaixado com o West Ham na Inglaterra, Paquetá negocia retorno ao Flamengo. Esquecido na Rússia, Gerson está de volta para jogar no Cruzeiro. O problema é saber se Ancelotti vai morder as iscas. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 14)