As primeiras palavras do colombiano Juan Carlos Osorio como novo técnico do Remo foram animadoras. Deixou claro, já no CT do Retrô, em Recife, que defende um sistema competitivo e ofensivo, sempre buscando o gol, sem abrir mão de um jeito bonito de jogar futebol.
El Profe (O Professor), como é conhecido, carrega conhecimento e bagagem suficiente para defender essa tese sem parecer cabotino ou marqueteiro. Seus times, em geral, sempre tiveram características de controle e posse de bola.
Osorio gosta de “interpretar o jogo para frente, atacar, procurando criar situações de gol”. Terá uma missão desafiadora com um grupo de atletas que até o momento não foi enriquecido por reforços do nível que a Série A exige, com exceção de Yago Pikachu.
A prática de rodízio na escalação é outro ponto a ser considerado. Numa competição difícil e de muita exigência física, isso adquire contornos ainda mais compreensíveis. O trabalho fica facilitado na medida em que mais atletas estejam em condições de assumir a titularidade.
O processo de formação de um elenco parece caótico até ganhar a forma de um time definido. Nos próximos dias, a pré-temporada realizada pelo Remo vai permitir que se tenha um esboço da equipe que iniciará a temporada. O mais provável é que, de início, Osório utilize os remanescentes da Série B.
Para a disputa da Supercopa Grão Pará contra o Águia, no próximo dia 18, o torcedor vai observar em campo um time formado majoritariamente pelos jogadores que ajudaram a conquistar o acesso:
Marcelo Rangel; Marcelinho, Klaus, Kayky e Jorge; Jaderson (Pavani), Panagiotis e Cantillo; Diego Hernández, João Pedro e Nico Ferreira. Dificilmente, Pikachu e os demais contratados (Patrick, Carlinhos, João Lucas, Thalisson e Alef Manga) serão escalados.
Principal reforço do Leão, Pikachu chega causando
A mais surpreendente notícia deste período de recesso foi a contratação de Yago Pikachu pelo Remo. As especulações iniciais pareciam excessivamente fantasiosas, até porque o jogador já havia afirmado que jamais vestiria a camisa remista. Como no futebol, palavras são levadas pelo vento, o que foi dito lá atrás hoje tem pouca relevância.
Pikachu fez acenos importantes ao torcedor nos últimos dias, ciente de que o anúncio de sua contratação não despertou grande entusiasmo. O Fenômeno Azul está contido em relação à aquisição, pelo fato óbvio de que o meia-atacante tem toda uma história afetiva com a camisa do maior rival.
Em sua primeira entrevista com a camisa azulina, Pikachu lembrou que teve uma passagem inicial pelo futsal do Remo, sob o comando do técnico Netão (hoje no sub-20 azulino) quando ainda era um garoto. Observou, ainda, que toda a sua família é remista. E, por fim, a frase definitiva: era torcedor do Leão antes de se tornar profissional.
Foi o bastante para desencadear reações extremadas do lado alviceleste no campo minado em que se transformou a internet. Incomodou até o ex-presidente bicolor Alberto Maia, que criticou o meia-atacante. Ao mesmo tempo, a declaração agradou em cheio a massa azulina.
Não foi a primeira travessia de bicolores para o Evandro Almeida. A última delas muito bem sucedida, por sinal. Foi a contratação de Eduardo Ramos, camisa 10 que trocou o Papão pelo Leão e se transformou em ídolo azulino com títulos e um acesso importante.
Vale dizer que qualquer cisma em relação ao passado de Pikachu tende a se dissipar em campo, caso o jogador reedite no Remo a trajetória de sucesso nos outros clubes que defendeu – Fortaleza, Vasco e o próprio Paysandu.
Em meio às contratações anunciadas, Pikachu é até agora o principal nome, candidatando-se a ser a referência do time na Série A.
Sob nova direção, Papão busca se reinventar
O presidente do Paysandu, Márcio Tuma, foi o convidado do programa Bola na Torre, neste domingo (4), deixando boa impressão pela clareza de ideias e objetivos bem definidos quanto ao futuro imediato do clube. A meta maior, segundo ele, é a conquista do acesso à Série B.
Tuma garante que o PSC não vai repetir os erros que causaram o desastre na última temporada. Vai adotar como mantra o respeito aos prazos de pagamento e contenção nos gastos, procurando contratar jogadores que de fato venham contribuir para alcançar os resultados.
O maior desafio dos que assumiram a gestão do clube, após a renúncia de Roger Aguilera à presidência, é equacionar receita e despesa, buscando o equilíbrio financeiro que faltou no ano passado.
Márcio Tuma, de 44 anos, vem das arquibancadas. Sócio remido do clube, advogado trabalhista e torcedor de frequentar a Curuzu em todas as partidas, ele ainda tenta assimilar toda a importância embutida na missão de comandar o PSC.
A confiança demonstrada na recuperação do clube é um ponto que chama a atenção dos torcedores, mesmo daqueles ainda magoados com os insucessos de 2025. Conquistar a confiança da Fiel é um bom começo.
(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 06)
“Em Gaza, o mundo assiste a um genocídio ao vivo de um povo massacrado por um regime nazista. E trata como ‘operação de defesa’. Na Venezuela, o mundo assiste ao vivo à invasão de um país soberano e a um sequestro de um presidente legítimo. E trata como ‘julgamento’. Dá nojo”.
A bola está com Lula, não fosse por suas virtudes, mas pela relevante razão de que somos um país de analfabetos disfuncionais
Por Luis Nassif
A invasão da Venezuela e o sequestro do seu presidente pelos Estados Unidos, joga definitivamente a América Latina na mais profunda imprevisibilidade. Os sonhos brasileiros, de uma potência soberana e desenvolvida, passam a ser profundamente ameaçados.
Os elementos para o grande salto estavam aí:
Reservas estratégicas de terras raras.
Abundância de energia verde.
Uma boa base científico-tecnológica.
A parceria potencial com a China e com os BRICS, abrindo as perspectivas de uma cooperação proveitosa.
A liderança do Sul Global, abrindo enormes possibilidades geopolíticas para o país.
Tudo isso é passado. A invasão da Venezuela marca definitivamente o fim da autonomia das nações, da mediação dos organismos multilaterais, das negociações como saída para os conflitos.
A história está repleta de exemplos, a Pax Romana, a Espanha dos Habsburgo sobre a América Latina, a Guerra dos Ópios, do Império Britânico contra a China, as sucessivas invasões norte-americanos no pós-guerra.
O padrão é sempre o mesmo.
Ascensão econômica
Supremacia militar
Narrativa moral (“civilizar”, “libertar”, “defender”)
Uso seletivo da força
Declínio quando o custo supera o benefício
Entra-se na nova quadra com o Brasil partido ao meio.
De um lado, tendo de enfrentar seus demônios internos: a invasão do mercado e do Congresso pelo crime organizado.
Os problemas de governabilidade trazidos pelos apropriação do Congresso pelo crime organizado.
A ofensiva contra o Supremo Tribunal Federal, facilitada pela falta de um código de conduta no órgão.
Uma mídia sem a menor noção do que seja interesse nacional, sem uma bússola sequer, resultando em uma cobertura caótica e sem discernimento.
O único fator de coesão no país continua sendo Lula, mas sem o reforço de qualquer plano de desenvolvimento sólido, sem qualquer perspectiva de futuro, para propor o grande pacto nacional.
Todos os gestos passivos foram tentados para o grande pacto. Tem-se um governo claramente de centro, respeitador das instituições, empenhado em reconstruir as bases do Estado nacional, atuante nas questões de soberania, quando afrontada pelas ameaças de Trump, e ousando políticas sociais básicas.
Fosse um país minimamente informado, Lula representaria a tal terceira via, que a imprensa vive apregoando e ninguém sabe, ninguém viu. Mas é vítima de um preconceito social típico de republiquetas latino-americanas. Ironiza-se muito o pensamento primário das bancadas bbb (boi, Bíblia e bala), mas o veículo que deveria ser o instrumento dos grandes temas nacionais – a mídia corporativa – compartilha do mesmo primarismo.
E esse primarismo contamina todos os setores da vida nacional. Não existem mais lideranças industriais, comerciais, bancárias, de pequenas e micro empresas. Apenas uma enorme balbúrdia em torno do que é ou não é gastança.
A bola está com Lula, não fosse por suas virtudes, mas pela relevante razão de que somos um país de analfabetos disfuncionais, com cada qual querendo levar seu quinhão sem a menor noção sobre o conjunto.
Lula tem que pensar seu plano de metas, seu New Deal. Anos atrás, no dia do AVC de dona Marise, participei de um evento com Lula. Fiz minha palestra, joguei um monte de provocações para Lula. E o discurso que ele fez continha todos os elementos de um projeto de país: abordava todos os temas relevantes para o país (educação, inovação, integração econômica, saúde) com a linguagem acessível ao cidadão comum. Comentei com um colega que apenas uma bala pararia Lula (parafraseando um dito comum nos tempos de Muhammad Ali).
Depois disso houve a prisão, a volta gloriosa, a administração política de um país partido ao meio. E o veneno bolsonarista espalhado por todos os poros da Nação.
Mas é hora de Lula dar-se conta da necessidade de traçar um projeto que aponte o futuro. Os bons indicadores de 2025 não bastam. Ele tem que colocar o país para pensar o que queremos ser, da mesma maneira que JK com o Plano de Metas e Roosevelt com o New Deal.
No sábado (3), o meia-atacante Yago Pikachu compareceu à sede do Clube do Remo, vestiu a camisa e falou pela primeira vez como jogador azulino. Depois de se tornar ídolo no maior rival, Paysandu, onde iniciou a carreira profissional, ele contou em entrevista ao “Rei Cast” (Remo TV) que era torcedor do Leão antes de se tornar jogador profissional.
“Não vou mentir, até porque está sendo uma repercussão muito grande a minha vinda para cá. Como falei, os mais próximos de mim, principalmente dos meus familiares, sabem que a minha família é toda remista, meu pai, minha mãe. O meu pai me levava muito para o jogo do Remo, então eu tinha esse sentimento, tinha esse carinho, mas depois eu fui profissional, como todo profissional”, afirmou Pikachu.
Em seguida, ele respondeu com um “É isso aí” ao ser perguntado sobre torcer pelo Remo. Pikachu recordou, inclusive, sobre a passagem que teve pelo Leão antes mesmo de ir para o Papão. Ele comentou que se sagrou campeão pelo time sub-15 de futsal azulino sob o comando de Netão (atual técnico do futebol sub-20).
“Quem é mais próximo de mim, meus amigos, familiares, sempre soube que eu joguei no Remo futsal, na categoria sub-15. Cheguei até a fazer teste no campo, sub-13, mas eu cheguei a jogar aqui e fui campeão com o Netão, que tem muita história aqui, principalmente no futsal do clube. Cheguei a ser campeão paraense aqui, sub-15, então não é um lugar estranho para mim, porque eu passei praticamente uma temporada toda de categorias de base de futsal jogando aqui nesse ginásio [Serra Freire, local da entrevista]”.
APRESENTAÇÃO NO CT DO RETRÔ
Nesta segunda-feira, Pikachu se apresenta para a pré-temporada, que será realizada no CT do Retrô, em Camaragibe (PE). Vai se juntar aos 23 jogadores que já iniciaram treinamentos. O técnico Juan Carlos Osório deverá chegar ainda hoje, 5.
Nos últimos dias, a diretoria anunciou a renovação de contrato com o zagueiro Kayky, que pertence ao Fluminense e disputou a Série B pelo Leão. Ele esteve próximo de fechar com o Mirassol, mas optou por permanecer no Evandro Almeida. Outra contratação é a do zagueiro Thalisson, que defendeu o Paysandu na Série B 2025. Ele pertence ao Coritiba e foi cedido por empréstimo.
O volante Fabio Matheus, 22 anos, que pertence ao Sport-PE, está na mira dos azulinos. Ele atuou pelo Grêmio Novorizontino na Série B. Outro alvo do interesse do Remo é o atacante Maurício Garcez, que esteve no PSC em 2025 e foi o artilheiro do time na Segunda Divisão. Estão avançadas as negociações para a contratação do lateral-direito João Lucas (27 anos), do Grêmio; do atacante Jajá, do Goiás; e do volante Patrick de Paula, do Botafogo.
Um dia depois de tropas americanas invadirem o palácio Miraflores e levarem à força o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua mulher, Donald Trump partiu para a ofensiva contra a sucessora dele, Delcy Rodríguez. Em entrevista por telefone, ele disse que a recém-empossada presidente pagará “um preço muito maior” que o de Maduro, caso “não faça a coisa certa”. O tom é muito diferente do empregado pelo próprio Trump na véspera ao afirmar que Rodríguez “estava disposta a fazer o necessário para tornar a Venezuela grande novamente”, incluindo abrir a exploração de petróleo no país às empresas americanas. (The Atlantic)
A ameaça parece ter surtido efeito. À noite, Rodríguez divulgou nas redes uma carta aberta em tom cauteloso, convidando o governo dos Estados Unidos a colaborar em uma “agenda de conciliação”. Segundo a presidente, a Venezuela “deseja viver sem ameaças externas” e seu governo vai buscar uma relação respeitosa e equilibrada com Washington. No sábado, Rodríguez foi mais enfática, dizendo que seu país estava “pronto para defender seus recursos naturais”. (Reuters)
E a retórica agressiva de Trump não se limitou à Venezuela. Conversando com jornalistas a bordo do avião presidencial, ele previu que o governo cubano “parece pronto para cair” já que, segundo ele, só sobrevive por causa de Caracas. Trump também ameaçou o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, acusando-o de gostar de “fabricar cocaína e mandá-la para os EUA”. “Ele não vai fazer isso por muito tempo”, acrescentou. (Politico)
Enquanto Trump mordia, seu secretário de Estado, Marco Rubio, assoprava. Ele concedeu uma série de entrevistas para negar a afirmação do presidente de que os Estados Unidos iriam “governar” a Venezuela. Segundo ele, Washington vai manter o bloqueio a petroleiros sancionados mas não terá qualquer envolvimento na administração do país. De acordo com o secretário, o bloqueio funcionará como pressão para que o governo venezuelano atenda às exigências da Casa Branca. O objetivo das explicações é afastar os temores de boa parte do eleitorado de Trump, o chamado movimento MAGA, de que os EUA se envolveriam em uma prolongada ocupação em território estrangeiro. (AP)
Maduro e a esposa, Cilia Flores, serão levados no fim da manhã de hoje (horário de Brasília) a um tribunal federal em Nova York, onde responderão a um processo por tráfico de drogas e outras acusações. Em condições normais, uma ação desse tipo levaria até um ano para ser julgada, mas a defesa de Maduro deverá questionar a legalidade de sua prisão, classificada por muitos como um sequestro, e até mesmo se ele teria imunidade como chefe de Estado. (New York Times)
Na Venezuela, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, confirmou que membros da guarda pessoal de Maduro foram mortos durante o ataque ao Palácio Miraflores por soldados de elite dos EUA. O general não deu um número exato, mas estima-se que até 80 pessoas, entre civis e militares, tenham morrido no ataque e nos bombardeios americanos. Em pronunciamento, Padrino confirmou que as Forças Armadas reconhecem Delcy Rodríguez como presidente interina e pediu que a população retomasse as atividades diárias. (El País)
Para ler com calma. Ainda que tenha peso simbólico, a prisão de Maduro não alterou de fato a estrutura de governo da Venezuela. Vladimir Padrino, Delcy Rodríguez e seu irmão Jorge e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, entre outros, formam um núcleo do chavismo que governa há décadas o país. (BBC Brasil)
Juan S. Gonzalez: “A imagem de Maduro sob custódia nos Estados Unidos cria a imagem de um encerramento. Mas esse não é o começo do fim da longa briga de Washington com a Venezuela. É o fim do começo e o início de uma fase mais difícil e perigosa”. (Foreign Affairs)