A imagem do dia

Lula discursa para prefeitos de todo o Brasil durante evento em Brasília.

Sindicato dos Jornalistas critica ida de profissionais a Israel por convite do lobby sionista

Delegação de comunicadores aceitou ter sua visita custeada por entidade vinculada ao Estado judeu, apesar do assassinato de 205 jornalistas pelas forças armadas israelenses.

Seis jornalistas brasileiros chegaram a Israel no dia 5 de fevereiro, para uma temporada de oito dias, com todas as despesas de viagem e hospedagem pagas pelo Instituto Brasil-Israel (IBI), uma das principais entidades sionistas com inscrição nacional. O objetivo, segundo nota dos dirigentes dessa organização, é “desexcepcionalizar Israel, isto é, mostrar que se trata de um país complexo, como todos os outros, com pessoas diversas, opiniões distintas e nuances que, muitas vezes, só podem ser compreendidas quando vistas de perto”.

Os profissionais de imprensa que integram a delegação são: Pedro Doria, fundador e editor do Canal Meio; Tatiana Vasconcellos, âncora da Rádio CBN; Filipe Figueiredo, criador do podcast Xadrez Verbal; Leila Sterenberg, que atua semanalmente nos programas do canal do IBI; Janaina Figueiredo, repórter especial do jornal O Globo; e Marcos Guterman, diretor de Opinião no jornal O Estado de S. Paulo.

A iniciativa ocorreu em paralelo com a excursão da delegação de acadêmicos brasileiros, organizada pela Stand With Us Brasil, que desembarcou em 2 de fevereiro e ficou até o dia 9. De acordo com o vice-presidente do IBI, Eduardo Wurzmann, em declaração ao boletim da associação, os participantes “terão oportunidade de conhecer e conversar com atores importantes de todo o espectro da política e da sociedade israelense”.

De acordo com o jornalista, sociólogo e professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Laurindo Lalo Leal Filho, o governo israelense faz uso da tática do soft power, por meio de entidades alinhadas a Israel, como o IBI, para amenizar a repulsa global contra o país pelas denúncias de crimes contra a humanidade.

“É parte dessa política a viagem que jornalistas e professores brasileiros fazem a Israel. São convites feitos em meio a uma das agressões mais violentas da história recente, que deveriam merecer um mínimo de ponderação antes de serem aceitos. Não se pode admitir ingenuidade a essas pessoas com o tipo de formação que possuem. Ao aceitar o convite, tomaram implicitamente partido do lado agressor”, afirmou.

Para o jornalista, a mídia brasileira nunca abordou o genocídio perpetrado por Israel com “honestidade”. “Os convidados brasileiros terão coragem de se manifestar sem subterfúgios sobre o genocídio imposto aos palestinos ou se curvarão aos anseios dos seus anfitriões, engrossando ainda mais o caldo de desinformação da mídia brasileira?”, questiona.

(Transcrito do Opera Mundi)

A frase do dia

“É risível ver essa direita de merda querendo acabar com a Lei da Ficha Limpa para livrar a cara do genocida. Caiu definitivamente a máscara da falsa moralidade! No arrasto do Bolsonaro, vai um caminhão de pastores, pilantras congressuais e todo tipo de vigarista com mandato”.

Fabio Pannunzio, jornalista

Alepa inicia trabalhos com discussão sobre ensino indígena e revogação de lei

Os deputados estaduais realizaram, nesta terça-feira (11), a primeira sessão com atividades legislativas, presidida pelo deputado Chicão (MDB). Antes, no último dia 5 de fevereiro, os parlamentares reuniram-se para ouvir a leitura da mensagem ao Poder Legislativo feita pelo governador Helder Barbalho.

A primeira sessão ocorreu sem a inclusão de matérias na pauta, contendo apenas o pequeno e o grande expediente, além do horário de lideranças, no qual os deputados tiveram a oportunidade de discorrer sobre diversos assuntos.

Após a sessão, os parlamentares se reuniram para definir a composição das 18 Comissões Permanentes da Casa Legislativa, formadas por meio da proporcionalidade das legendas partidárias. Atualmente, 13 partidos políticos têm representação parlamentar. Somente após a constituição das comissões os projetos protocolados podem ser pautados, passando antes pela análise de constitucionalidade, impacto financeiro e mérito.

O principal tema debatido em plenário foi o envio, no último dia 5, pelo governador Helder Barbalho, em caráter de urgência, do projeto de lei que propõe a revogação da Lei nº 10.820/2024. A norma anula dispositivos do Estatuto do Magistério, do Plano de Cargos, Carreiras e Salários dos Professores e de leis anteriores relacionadas à educação pública estadual, incluindo o Sistema Modular de Ensino Indígena (SOMEI). A lei, aprovada em 19 de dezembro de 2024, permitia a possibilidade de encerramento do regime presencial nas escolas indígenas do estado, tornando todas as aulas exclusivamente virtuais.

A tramitação do projeto de lei terá início no Poder Legislativo após a nova composição das comissões permanentes da Casa – entre elas, a Comissão de Constituição, Justiça e Redação Final (CCJRF), cuja apreciação e emissão de parecer (favorável ou não) são etapas obrigatórias para que o texto possa ser encaminhado ao plenário para votação.

O pedido de revogação enviado à Alepa foi resultado de um processo de negociação entre o governo do Pará e representantes dos povos indígenas, educadores, ribeirinhos e quilombolas, que se opunham à Lei nº 10.820/2024 e reivindicavam sua revogação, além da exoneração do secretário Rossiele Soares. O impasse levou à ocupação do prédio da Seduc por indígenas desde 14 de janeiro deste ano, gerando ampla repercussão nacional e internacional. 

“O papel do Parlamento paraense foi decisivo nesse acordo, que se fortaleceu quando o deputado Chicão se propôs a intermediar o diálogo e buscar uma solução para a crise”, avaliou a deputada Lívia Duarte, líder do PSOL, que, junto com a deputada Maria do Carmo, defendeu essa mediação. “Ele se mostrou convencido da necessidade de intermediar e teve um papel fundamental”, concluiu. 

A vice-líder do governo, deputada Maria do Carmo (PT), que participou ativamente das negociações, também destacou o papel do presidente Chicão no processo de intermediação, assim como das demais lideranças dos movimentos, citando cada uma delas.

“A legislação aprovada precisava ser revogada para dar início a um novo processo envolvendo todos os segmentos da educação”, afirmou a parlamentar. Para ela, um novo momento se inicia com a decisão do governador de solicitar a revogação. “Vamos aguardar um desfecho positivo com a votação para, então, construir a próxima etapa, que será a formação dos grupos de trabalho”, destacou.