POR GERSON NOGUEIRA

Depois do jogo de domingo, o atacante Nicolas foi recepcionado com frieza pela torcida, recebendo aplausos e vaias quando deixava o campo no momento das substituições. Não foi a primeira vez. Ao longo do Campeonato Brasileiro, o antigo ídolo da Fiel foi apupado em várias partidas na Curuzu. Um cenário que ninguém podia prever no início da temporada.
Os problemas começaram desde que se contundiu e saiu logo no começo do jogo com o Brusque, em Santa Catarina, no 1º turno da competição. Ali, Nicolas iniciou um roteiro de incertezas e frustrações na Série B. Uma lesão persistente o afastou de várias partidas. Quando voltou, nunca mais mostrou o mesmo desempenho.
A lembrança da primeira passagem pelo clube, há dois anos, foi o tempo todo confrontada com a realidade desta temporada. É bem verdade que no Parazão e na Copa Verde, com 17 gols, a marca do artilheiro continuou em alta. Na Série B, porém, a fonte secou.
Foram apenas três gols marcados. Pior: o último foi contra o Ceará, na 15ª rodada do campeonato, na vitória do Papão por 2 a 1 na Curuzu. No fim das contas, o artilheiro igualou a quantidade de gols marcados em 2023 quando defendia o Ceará na Série B.
Para o torcedor, fica a ideia de que as dificuldades representadas pelas defesas da Segunda Divisão atrapalham a caminhada do atacante. É como se as facilidades do Parazão e da Copa Verde representassem uma espécie de propaganda enganosa.
Antes do confronto com o Vila Nova, o jogador desabafou em entrevista, reclamando do tratamento da torcida. Acostumado a ser vaiado pelas torcidas adversárias, disse que entendia como normais as críticas, mas que esperava mais respeito por parte dos bicolores.
É visível a mágoa que Nicolas carrega neste momento. Com vínculo contratual até a próxima temporada, deve continuar no Papão, apesar das desconfianças da torcida. A ascensão de Esli García, um ídolo improvável, contribuiu também para o aumento das cobranças sobre Nicolas.
Com Esli marcando gols em profusão, as expectativas do torcedor mudaram de foco. O venezuelano passou a ser aplaudido e ter o nome gritado, mesmo que os técnicos não tivessem a mesma simpatia por ele. Tanto Hélio dos Anjos quanto Márcio Fernandes fizeram questão de deixar Esli no banco de reservas.
Mesmo com poucos minutos em campo, ele superou todos os obstáculos e marcou 10 gols na Série B, apenas três a menos que o artilheiro da competição, Erick Pulga, do Ceará, que jogou 35 partidas como titular.
A comparação inevitável desfavorece Nicolas, que foi contratado como esperança de gols. Não foi trazido pela segunda vez para ser homem de apoio no meio-campo ou para fazer papel de pivô, como alguns tentam relativizar. A missão era fazer gols. Para o torcedor, ídolo é sempre aquele que balança as redes adversárias.
Sempre foi e será assim. Nicolas, por mais chateado que esteja – com razão ou não –, precisa entender que o futebol é dinâmico. A próxima temporada pode ser a oportunidade de restaurar os dias gloriosos que o tornaram ídolo da Fiel. (Foto: Ascom/PSC)
Técnicos portugueses protagonizam final antecipada
Abel Ferreira, campeão pelo Palmeiras no ano passado, e Artur Jorge, responsável pela excepcional campanha do Botafogo nesta temporada, estarão frente a frente hoje à noite, na Allianz Arena, para um jogo que tem tudo para ser a final antecipada do Brasileiro.
As forças se equivalem, são times bem treinados e com números parecidos – 70 pontos na competição. Por outro lado, algumas diferenças são visíveis. No Palmeiras, prevalece a devoção por resultados. O time não tem vergonha de jogar feio, marcando muito e cruzando 300 bolas na área.
O que vale é a extrema eficiência do sistema montado por Abel, que trabalha há pelo menos três anos com um grupo de jogadores que seguem à risca suas ideias. E sabem executar muitíssimo bem.
Não há no país um time mais eficiente e aplicado na busca por vitórias. Foi assim que conquistou quase todos os títulos que disputou desde a chegada do polêmico treinador.
O Botafogo de Artur Jorge pratica um modelo diferente, com cinco atacantes e dois jogadores de meio – Gregore e Marlon Freitas – que também se aproximam muito da linha de frente e ajudam no trabalho de cerco à área adversária.
Esse sistema funcionou bem até cinco rodadas atrás, quando começou uma sequência de tropeços contra equipes tecnicamente inferiores – Cuiabá, Criciúma e Vitória. Ainda houve um empate tumultuado no clássico com o Atlético-MG, em Belo Horizonte.
Ficou óbvio que o Botafogo de alta intensidade sofre para derrotar times que se fecham em duas linhas de marcação. O jogo de dribles e passes em velocidade do quinteto ofensivo – Luiz Henrique, Igor Jesus, Savarino, Junior Santos e Almada – murcha contra retrancas bem armadas.
O clássico desta noite, além de praticamente definir o campeão da temporada, vai colocar frente a frente duas formas diferentes de jogar. Um time mais objetivo e aplicado, emocionalmente forte, contra um visitante que só sabe atuar atacando e que às vezes fraqueja na parte anímica.
Dois jovens técnicos lideram essas grandes equipes e são responsáveis pelo melhor futebol da Série A brasileira. Um vai ficar pelo caminho, mas ambos têm muitos méritos.
Adeus a um repórter cametaense
Dinan Laredo nos deixou no último sábado, aos 58 anos. Precisava fazer este registro. Nativo do Baixo Tocantins, nascido na Vila do Carmo, foi um jornalista aplicado, que saltou degraus pelo esforço e dignificou a profissão com grande dose de responsabilidade, espalhando gentileza por onde passava. Um cara simples, amigo de todos e dono de um humor permanente. Trabalhamos na RBATV e em outros projetos; e foi sempre uma parceria feliz e honrosa.
(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 26)
creio que o problema do Botafogo seja psicológico. Tem fraqueza diante da possibilidade de vencer algo. Mania de ser pequeno.
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