Herói improvável salva o Leão

POR GERSON NOGUEIRA

Os erros foram gigantes, a começar pela escalação, mas a vontade de vencer prevaleceu. O Remo derrotou o CSA em jogo de fortes emoções, ontem à noite, no Mangueirão. Saiu na frente, viu o adversário perder um jogador por expulsão, mas fraquejou na etapa final e cedeu o empate. O gol da vitória viria nos minutos finais, pelos pés de um improvável herói: Ribamar deu o toque final para fazer a galera explodir em festa.

Para quem acompanha a caminhada do Remo na Série C, o time que Rodrigo Santana escalou tinha tudo para enfrentar problemas na partida. A começar pela inacreditável opção por Guilherme Cachoeira, sendo que no banco estavam Ronald e Pedro Vítor.

A movimentação inicial beneficiou o Remo, que tinha praticamente alugado espaço no campo de defesa do CSA. O problema é que faltava investir em jogadas mais agudas, para romper as linhas de marcação.

Kelvin se aproximava, mas estava muito encaixotado pelo lado direito. Na esquerda, Cachoeira não conseguia jogar, trombando a todo instante com a marcação. Ainda assim, pelos pés de Ytalo, Diogo Batista e Pavani, o Remo quase abriu o placar ao longo dos 20 primeiros minutos.

O primeiro gol saiu de um escanteio. Ligger testou para o fundo do barbante, aos 32 minutos, abrindo o que parecia as portas da esperança para o Remo. Logo em seguida, outra excelente notícia para os azulinos: o zagueiro Matheus Santos foi expulso ao tomar o segundo cartão amarelo.

Veio a etapa final e o Remo continuou com Cachoeira na esquerda. E, logo aos 3 minutos, ele desperdiçou grande oportunidade. Lançado na área por Raimar, demorou a se decidir e permitiu a defesa do goleiro Yuri.

De repente, o susto. Aos 4 minutos, Tiago Marques desviou de cabeça um cruzamento da direita e acertou o canto esquerdo de Marcelo Rangel, empatando a partida. A torcida silenciou diante da jogada fulminante. O Remo sentiu o impacto e levou alguns minutos para se recompor.

Santana decidiu mexer no ataque. Substituiu Ytalo, Cachoeira e Kelvin por Ribamar, Pedro Vítor e o estreante Rodrigo Alves. Deu certo. A lentidão de Ytalo e a inoperância de Cachoeira deram lugar a um trio mais brigador.

Apesar de lançar bolas na área, o Remo não construía lances de perigo. Mas, com o recuo do CSA, as chances começaram a aparecer. Pedro Vítor tenta entrar na área, controla a bola, mas o chute sai muito descalibrado. A impaciência começa a atrapalhar o Leão.

Marco Antônio entra no lugar de Rafael Castro. Curuá é substituído por Matheus Anjos. O Remo fica apenas com Ligger na zaga e vai à frente em busca do gol salvador. Ribamar quase marcou, de bicicleta. Yuri atento defende bem. Rodrigo dispara da pequena área, o goleiro salva de novo.

Pedro Vítor cabeceou de peixinho no canto para intervenção de Yuri. De repente, numa arrancada de Marco Antônio, o gol aconteceu. Ele cruzou na área, Pedro Vítor pulou rente ao chão para cabecear e Ribamar desviou para as redes. Quase ninguém acreditou que o gol era do camisa 9. Quando a ficha caiu, veio a comemoração em torno do herói da noite.

O CSA ainda ameaçou em cobrança de falta de Dudu Miraíma bem defendida por Marcelo Rangel, com participação de Jaderson ajudando a afastar o perigo, no minuto final do jogo.

Uma vitória fundamental para as pretensões azulinas. Com 19 pontos, o Leão agora ocupa a 9ª colocação. Ainda depende exclusivamente de seu próprio esforço para chegar ao G8.

Paulinho Boia desbanca Esli e deixa sua marca

Nome inesperado na escalação do PSC contra a Ponte Preta, no sábado, o atacante Paulinho Boia respondeu bem à confiança que o técnico bicolor depositou nele. Substituiu simplesmente o artilheiro da equipe na Série B e saiu-se muito bem, aprovado com louvor.

Fez investidas pelo lado esquerdo, incomodou o setor defensivo da Ponte e estava bem posicionado para aproveitar a chance que apareceu. Na reta final do primeiro tempo, recebeu passe de Cazares e disparou um chute seco, no canto esquerdo do gol, abrindo o placar na Curuzu.

Uma prova da personalidade do atacante, que não se intimidou com a responsabilidade que lhe foi imposta. É verdade que já havia atuado bem ao entrar na segunda etapa contra o Ceará. Além dos dribles e escapadas, colaborou com a marcação, fato que o diferencia de Esli García.

Não significa que virou titular absoluto, mas é notório que está sabendo aproveitar o momento. O atacante venezuelano vinha em baixa, rendendo pouco após o começo de grande sucesso na competição.

Arbitragens ameaçam manchar o Brasileiro

“Se querem dar a taça para Flamengo e Palmeiras, que o façam logo, pois o torcedor não é palhaço”. Este é o alerta que o colunista Jaeci Carvalho, do jornal “Estado de Minas”, fez ontem, após mais uma rodada com polêmicas de arbitragem. Ele citou o gol anulado do Cruzeiro quando o Palmeiras vencia por 1 a 0, no Allianz Parque, após intervenção do VAR.

“O que a gente tem visto no Brasileiro é de uma vergonha sem tamanho. A intervenção do VAR no jogo Palmeiras x Cruzeiro foi de uma indecência, de uma desfaçatez sem tamanho. (…) No mundo inteiro, prevalece a decisão de campo, mas, pelo jeito, os gritos do técnico Abel Ferreira ecoaram e o assoprador de apito preferiu anular, por medo de alguma represália”, escreveu Jaeci sobre o jogo em SP.

Sobre o pênalti inusitado marcado em favor do Flamengo contra o Criciúma, Jaeci considera que o árbitro Maguielson Barbosa podia ter tomado outra decisão. “Ninguém contesta que foi pênalti claro, pois a regra determina assim, mas a regra também determina que com duas bolas em jogo, o árbitro é obrigado a parar a partida, imediatamente”.

Acrescenta: “Se fosse para o Criciúma, será que o árbitro não teria anulado a jogada e mandado parar o jogo?”, questionou.

Jaeci Carvalho afirma que o Campeonato Brasileiro de 2024 já está manchado por “erros crassos” e lembrou que, apesar de tudo, o Botafogo segue líder do Campeonato Brasileiro, mesmo sem ser ajudado.

“Peço apenas cuidado com o Botafogo, que faz campanha brilhante, lidera a competição e sem nenhum auxílio dos árbitros. Pelo jeito, o dono da SAF, John Textor, tem razão em suas denúncias contra a arbitragem e a CBF”.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 23)

Vitória maior que o placar

POR GERSON NOGUEIRA

Depois do jogo, no sábado à noite, o técnico do PSC atribuiu a vitória sobre a Ponte Preta aos treinamentos da semana. Parece até óbvio, mas é assim que deve funcionar. No estilo grandiloquente de sempre, Hélio dos Anjos saudou o fato de seu time estar pronto e preparado para o jogo. Não exagerou. A vitória nasceu em consequência desse esforço de preparação.  

O objetivo foi plenamente alcançado, mas não sem alguma dificuldade, causada pelos erros de passe nos primeiros minutos. Apesar desse embaraço, o PSC rondou a área da Ponte Preta, mas só criou problemas em bolas aéreas, recurso que o time sempre utilizou bem. Wanderson quase marcou de cabeça aos 14 minutos e no 2º tempo mandou uma na trave.

Na parte final da primeira etapa, o gol finalmente saiu. Lance de puro talento de Paulinho Bóia, que recebeu passe de Juan Cazares, caminhou com a bola até o centro do ataque e disparou de fora da área. Um chute certeiro e indefensável, no canto esquerdo da trave de Pedro Paulo.

A essa altura, o PSC já tinha superioridade numérica. Zé Mário, da Ponte, havia sido expulso – com incrível atraso de 15 minutos – por ter recebido dois amarelos em consequência de uma mesma falta, violentíssima, que merecia o vermelho direto.  

Assim como tinha perdido chances com Wanderson antes de fazer 1 a 0, o PSC seguiu buscando mais gols. O problema é que a pontaria não estava suficientemente ajustada, o que levou Nicolas, João Vieira e Netinho – que entrou no segundo tempo – a desperdiçar boas chances.

A mais clara de todas foi nos minutos finais da partida, quando Nicolas ficou cara a cara com o goleiro e errou o chute. A bola bateu de raspão em Pedro Paulo e saiu para escanteio.

Pode-se dizer que o placar foi enganoso. O PSC, conforme palavras de seu técnico, produziu o suficiente para vencer por diferença maior. As circunstâncias deixaram o marcador passar a ideia de um jogo mais difícil do que realmente foi.

Boas atuações de Cazares, Paulinho Bóia, Wanderson e João Vieira. O Papão mostrou que segue cada vez mais calibrado na proposta de se impor aos adversários. Os 23 pontos conquistados representam a metade da meta estabelecida – 46 pontos, o limite mínimo para escapar do rebaixamento.

O próximo jogo será em Florianópolis contra o Brusque, um adversário em má fase. Esperança de mais um bom resultado, para consolidar presença no G10 da Série B. (Foto: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)

Leão tem missão decisiva no Mangueirão

Diante do CSA, hoje à noite, no Mangueirão, o Remo abre a última tentativa de chegar à zona de classificação da Série C. Uma vitória pode colocar o time na 9ª posição, grudado ao G8.

Para superar o visitante, o Leão terá que jogar de maneira mais segura e focada do que na última apresentação. A derrota para a Ferroviária deixou marcas. Com 1 a 0 no placar, o time recuou e permitiu a virada.

Esse cenário não pode se repetir na partida com o CSA. É bem verdade que o Remo de Rodrigo Santana tem apresentado um defeito grave: acomoda-se perigosamente sempre que abre vantagem no placar.

Foi assim contra o Sampaio Corrêa e diante do Ferroviário. A preocupação em segurar o resultado se manifesta muito cedo, quando as partidas estão longe de serem decididas. Esse risco dominou as conversas da semana no Baenão, na tentativa de corrigir a falha.

O time terá o retorno do goleiro Marcelo Rangel e do ala esquerdo Raimar. Dois titulares importantes que estiveram ausentes do jogo contra a Ferroviária, e fizeram falta, principalmente Raimar.

Com a volta do ala, o ataque recupera poder de fogo pelo lado esquerdo, com participação nas ações junto à área adversária. Helder, que substituiu Raimar, não tem características de apoio ao ataque, o que enfraqueceu o potencial ofensivo da equipe.

A escolha do Mangueirão para a partida fazia parte de uma projeção de vitória ou empate contra a Ferroviária. A derrota não diminui as pretensões da diretoria, que acredita em bom público diante do CSA, algo em torno de 13 mil pagantes.

Apoio da torcida é o que o Remo mais precisa neste momento. A luta é por uma vitória que alavanque as esperanças de classificação.    

Regras que servem para castigar ou ajudar

Os episódios deste fim de semana no Campeonato Brasileiro reforçam a desconfiança generalizada em relação à arbitragem. No confronto entre Flamengo e Criciúma, realizado no estádio Mané Garrincha, em Brasília, um pênalti inusitado abriu um amplo debate nas redes sociais.

De início, o árbitro foi alvejado duramente, mas a análise mais cuidadosa mostra que ele acertou em assinalar pênalti após o zagueiro do Criciúma chutar uma bola estranha ao jogo, desviando a bola que estava em posse do ataque do Flamengo.

É claro que, apesar do acerto, cabem algumas observações. Em primeiro lugar, como opinou o ex-árbitro Arnaldo Cézar Coelho, o jogo deveria ter sido paralisado antes que as duas bolas chegassem à área do Criciúma. Houve tempo suficiente para que a situação fosse notada.

Distraído ou não, o árbitro deixou que as duas bolas continuassem em jogo, o que resultou na infração cometida pelo jogador do Criciúma.

Ao mesmo tempo, fica a dúvida irrespondível: o árbitro teria agido da mesma forma caso o lance ocorresse dentro da área do Flamengo?

Uma outra jogada que gerou críticas foi o gol anulado do Cruzeiro na partida com o Palmeiras, em São Paulo. O VAR recomendou a anulação considerando suposta falta na origem do lance.

De maneira geral, os protestos têm a ver com os clubes beneficiados. Palmeiras e Flamengo são campeões em lances de interpretação duvidosa e de reversão no VAR. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 22)