Papão busca a fina sintonia

POR GERSON NOGUEIRA

Quando um time está devidamente organizado, cada nova peça que chega pode significar sempre um incremento em qualidade. É o que ocorre com o PSC nesta Série B. Reforços recém-contratados mostraram qualidade logo na primeira oportunidade, casos de Juan Cazares e Paulinho Boia, que estrearam contra o Ceará Sporting na rodada passada.

Resta aguardar ainda por Benjamín Borasi e Keffel (foto), que já foram apresentados, mas não puderam estrear ainda. O PSC busca ainda por outros jogadores, principalmente para o meio-campo, mas quem já está no elenco é suficiente para fazer do Papão um time renovado, principalmente no terreno das ideias ofensivas.

A qualificação do grupo eleva de maneira geral o nível de todos. Os reservas Netinho e Val Soares, aos poucos, passaram a mostrar sua importância para o sistema coletivo a partir de suas características individuais. O chute de média e longa distância, raridade no futebol brasileiro, tem no PSC dois expoentes decisivos.

Com Borasi e Paulinho Boia, o ataque ganha em possibilidade de variações. Ao invés de ficar dependendo sempre dos extremas Jean Dias e Esli García, o time passa a ter alternativas interessantes para alterar a forma de jogar em meio a eventuais dificuldades.

A chegada de Keffel pode tornar a lateral-esquerda bem mais fortalecida. Kevyn é o atual titular, mas carrega limitações ofensivas, embora seja um defensor eficiente. Keffel reúne qualidades para dar suporte ao ataque, juntando-se a Esli naquela faixa do campo.

Ao mesmo tempo, é necessário valorizar a base já existente, principalmente no bloco de construção no meio-de-campo. João Vieira e Leandro Vilela, que aprenderam a jogar juntos desde o Campeonato Paraense, formam hoje uma dupla afinada, que contribui imensamente para a regularidade do time.

João, em particular, cresceu tanto que se tornou peça exponencial na maneira como o PSC se porta em campo. Os avanços do bloco intermediário começam por ele, tanto pelo centro como pelos lados. Bem escoltado por Vilela, é o motor do time. Será fundamental no processo de aclimatação dos jogadores que estão chegando. (Foto: Márcio Melo/Ascom PSC)

Leão ganha reforços importantes para encarar CSA

No processo de preparação para o jogo decisivo de segunda-feira, no Mangueirão, contra o CSA, o Remo recebeu a boa notícia do retorno do zagueiro Ligger e do ala esquerdo Raimar. A segurança do sistema 3-4-3 foi testada diante da Ferroviária e não se saiu bem.

Um time que pretende chegar a algum lugar não pode tomar dois gols em descuidos gigantes da defesa, e em tão curto espaço de tempo. Ligger é o melhor defensor do elenco azulino, embora a evolução tenha sido prejudicada por lesões seguidas.

Caso Rodrigo Santana deseje tornar sua última linha mais firme, terá que lançar Ligger. A tese, defendida por muitos, de que João Afonso qualifica o passe não se sustenta de pé. É um dos jogadores que mais frequentemente erram passes. E numa zona perigosa, de alto risco.

Rafael Castro cobre o lado direito e no confronto com a Ferroviária foi responsável direto pelo segundo gol. Falhou na subida para tentar cortar e foi infeliz na tentativa de correr atrás do atacante.

Já Raimar é indiscutivelmente o titular da ala esquerda. Ofensivo por característica, adaptou-se muito bem ao 3-4-3. Helder, que o substituiu na segunda-feira, não tem nem cacoete para exercer a função. Foi peça decorativa no jogo. Raimar volta e é um reforço importante para o projeto azulino de conquistar a vitória.

Fogão passa pelo Palmeiras em grande jogo

No melhor jogo da temporada, o Botafogo derrotou o Palmeiras e se isolou na liderança do Campeonato Brasileiro. Um confronto aberto, disputado em alta intensidade e sem arapucas defensivas. A busca pelo gol foi a tônica dos dois lados, embora o ataque alvinegro tenha sido mais incisivo.

O gol de Tiquinho Soares, após uma investida de Luís Henrique pela direita, honrou a qualidade geral da partida. Antes disso, Marlon, Junior Santos e Savarino já tinham desperdiçado boas chances. O Palmeiras perdeu com Flaco e Rony.

A vitória tem uma importância especial para o Botafogo. Foi uma espécie de descarrego emocional, depois da fatídica derrota do ano passado, por 4 a 3, até hoje lamentada pelos alvinegros como início da derrocada que levou à perda do título brasileiro.

Em meio à festa da torcida no estádio Nilton Santos não se pode deixar passar o lamentável episódio dos bonecos expostos em outras áreas do Rio de Janeiro tendo a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, e o presidente da CBF, Edinaldo Rodrigues, como alvos. Uma manifestação racista e de cunho fascista, que nada tem a ver com o Botafogo e sua história.

Abel Ferreira, após o jogo, questionado pelos repórteres, deu a resposta mais emblemática: o verdadeiro torcedor do Botafogo é aquele que foi fazer a festa belíssima nas arquibancadas do Niltão.

E que os racistas sejam identificados e punidos.  

Direto do blog campeão

“O presidente do PSC parecia estar delirando quando disse que o clube valeria R$ 30 milhões. Em 2010, o Amaro Klautau tentou vender o Baenão por R$ 33,2 milhões. Maurício desqualifica e deprecia o clube com um valor falacioso e fora de qualquer contexto. Se somarmos os valores do estádio, sede social e náutica, além da área do CT, o valor alcançaria facilmente ao menos R$ 100 milhões. Ainda precisaria contabilizar a marca Paysandu, que eu não saberia avaliar, mas que vale uma fortuna.

A pergunta que não quer calar, mas precisa urgentemente de respostas é: a quem interessa aludir este preço bizarro do PSC, o maior detentor de títulos da região? Como o presidente do clube, que deveria ser o maior defensor e valorizador do clube, atribuiu estes números tão ridículos.

Como diria Cláudio Guimarães, são essas coisas que eu não entendo. Mas gostaria que o presidente discutisse com especialistas como chegou a este valor”.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 18)

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