POR GERSON NOGUEIRA

Sair de casa para assistir um jogo de futebol à noite é uma prova de destemor, principalmente para quem mora mais longe, e representa um exercício de amor – ao clube e, em última análise, ao futebol. É justamente o que uma multidão irá fazer hoje para acompanhar o PSC na jornada contra o Goiás. Sim, é um torcedor desconfiado, após quatro rodadas sem vencer, mas é sempre uma alma esperançosa porque afinal torcer é sinônimo do verbo esperançar.
Para encarar o alviverde goiano, vice-líder da Série B (com 10 pontos), o Papão tem algumas armas. A mais afiada é o baixinho Esli García, um venezuelano simpático e driblador, insinuante com a bola nos pés. Tem se revelado um exímio finalizador. Marcou os dois únicos gols do time no Brasileiro.
Gols bonitos, próprios de quem conhece o ofício. Contra o Botafogo-SP, driblou dois marcadores, chamando para dançar e disparou um chute certeiro, pelo alto. A bola resvalou no travessão e entrou.
Diante do Mirassol, domingo passado, foi dele o gol de honra bicolor. Recebeu passe de Nicolas, avançou com a bola e disparou um tiro certeiro, sem ângulo. Outro lindo gol.
Pena que nem todo mundo reconheça o talento e a fina qualidade do repertório de Esli. A comissão técnica do PSC não acompanha o entusiasmo da torcida pelo atacante. Lembrando aqui que o torcedor é aquele ser que conhece como poucos as verdades do futebol.
Desde a disputa do Campeonato Paraense, Esli já se destacava com as arrancadas e dribles desconcertantes. A vesguice de alguns não permitiu entender que a torcida caiu de amores por ele justamente porque é um malabarista com a bola nos pés. Houve quem dissesse que o encantamento vinha do fato de Esli ser baixinho, assim todo pequenino.
Quanta miopia. Esli é um jogador que encarna como poucos o sentimento de amor pelo futebol cultivado nas arquibancadas. Torcedor não curte muito o chamado jogador tático, que os técnicos adoram exaltar pela eficiência e obediência rígida às orientações.
A galera gosta de quem sabe fintar, dar o traço e levar a bola ao destino final. Em resumo, curte mesmo é o jogador subversivo, que rompe a marcação a golpes de pura habilidade. Esli tem essas virtudes. Até algum tempo atrás, isso era privilégio de brasileiros, mas a Venezuela mostra que também tem seus moleques bons de bola.
A esperança do Papão diante do Goiás passa pela criatividade de Esli e a técnica de Juninho. Ambos nunca foram escalados como titulares, mas têm sido responsáveis pelos melhores momentos do time no campeonato. Tomara que hoje ambos possam jogar por mais tempo. (Foto: Jorge Luis Totti/Ascom PSC)
Série A: omissão e egoísmo dificultam paralisação
As enchentes continuam a fazer estragos no Rio Grande do Sul. A tragédia ambiental que castiga o Estado natal de Érico Veríssimo é uma das mais implacáveis de todos os tempos, matando pessoas e desabrigando milhares de famílias. Um impacto de dimensões incalculáveis na vida de todos os gaúchos.
Em sã consciência, ninguém pode ficar indiferente ao sofrimento das vítimas desse desastre climático, nem mesmo os negacionistas de sempre, ruidosos defensores de teorias amalucadas e que não aceitam como lógica a reação da natureza a tantas agressões.
O futebol, parte importante da vida brasileira, também sofre o impacto do que ocorre no Sul principalmente através das dificuldades dos clubes que disputam a Série A – Internacional, Grêmio e Juventude. Os jogos dessas equipes foram adiados até que a situação se normalize.
Há, porém, uma pressão no sentido de paralisar o Campeonato Brasileiro por duas ou três semanas como forma de reduzir o prejuízo técnico aos clubes gaúchos, que justificadamente apontam um desequilíbrio na disputa da competição.
Atlético-MG, Atlético-PR, Atlético-GO, Botafogo, Criciúma, Cruzeiro, Cuiabá, Fluminense, Fortaleza, Grêmio, Inter, Juventude e Vasco apoiam a paralisação. Bahia, Corinthians, Bragantino, São Paulo e Vitória estão em cima do muro. Flamengo e Palmeiras são contra a ideia de parar.
A postura do Flamengo não surpreende ninguém. Seu presidente, Rodolfo Landim, foi o primeiro a exigir o retorno das competições em plena pandemia da Covid-19, em 2020, quando milhares de pessoas morriam no país. Chegou a conseguir impor sua vontade no Campeonato Carioca.
Empatia zero com o sofrimento de milhões de pessoas. Afinal de contas, que mal causaria ao campeonato uma parada de três semanas? Sendo que isso seria compensado nos meses subsequentes, se necessário avançando com os jogos até dezembro. A CBF, omissa como sempre, se esconde atrás da burocracia e não toma a atitude que também lhe cabe.
Apoio do torcedor será (de novo) decisivo para o Leão
Como reflexo imediato da primeira vitória no Brasileiro, os pouco mais de 5 mil torcedores presentes ao Baenão para o jogo Remo x Floresta devem se multiplicar por três no próximo domingo (19), para o confronto com o Tombense. Mais três pontos em disputa e o torcedor tem perfeita consciência do seu papel como força auxiliar.
Mas, além do apoio incondicional de sua torcida, o Remo terá que fazer adquirir uma consistência que não mostrou até agora. O jogo contra o Floresta escancarou os muitos problemas de organização e posicionamento. Por muito pouco, o limitado time cearense não aprontou dentro do Baenão.
É curioso observar que, nem mesmo os pequenos milagres que o técnico Gustavo Morínigo conseguia assim que assumiu o comando, alterando o time (para melhor) no 2º tempo, se repetem mais. A escalação é sempre uma montanha-russa, um festival de surpresas.
O caminho natural é escolher os melhores e fazer com que se entrosem. Sem isso, o Remo será sempre um time vulnerável, correndo risco de derrotas mesmo jogando diante de seu torcedor. Mais do que nunca, é hora de minimizar os erros.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 15)
A comissão técnica do PSC não acompanha o entusiasmo da torcida pelo atacante.
Infelizmente, amigo Gerson. Estamos reféns de um técnico embora vitorioso, tem a cabeça mais dura do que coco babaçu!
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De fato, amigo Miguel. Torcer para que o técnico reveja suas ideias.
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