O que significou o 8 de Janeiro

Passado um ano da tentativa de golpe, o antropólogo Orlando Calheiros reflete sobre o que os terroristas realmente queriam. Vale a pena conhecer o ponto de vista dele

Por Orlando Calheiros

Faz um ano que assistimos à barbárie causada por apoiadores de Jair Bolsonaro em Brasília. Mas o que esses golpistas realmente desejavam?

Vou dizer algo contraintuitivo: não há nada historicamente excepcional no 8 de Janeiro. E compreendo seu estranhamento lendo isso e lembrando da quebradeira. Afinal, quando vimos algo semelhante?

Esse é nosso primeiro ponto crucial: o que assistimos no 8 de Janeiro foi “apenas” o aspecto mais superficial de um evento cujas raízes estão plantadas no centro da nossa ideia de nação. Apesar de toda a selvageria, não havia nada de novo ali.

Bolsonaro e seus apoiadores não representam um desvio sombrio na marcha civilizacional brasileira. Uma marcha que supostamente se reinicia com o fim da ditadura, se consolida com a eleição de Fernando Henrique Cardoso e atinge o seu ápice durante os primeiros governos Lula.

Tratá-los assim reforça as paixões que mobilizam os movimentos de extrema direita no país. Afinal, eles próprios se imaginam como uma resposta à suposta marcha progressista, tida como um projeto de destruição.

Quando olhamos para o contexto político que antecede o golpe de 1964 e para o que antecede o 8 de Janeiro, vemos que os movimentos conservadores se imaginavam como os últimos defensores de uma nação em declínio moral.

Houve nos dois momentos, também, uma campanha de terror promovida por veículos de comunicação (e hoje por meio das redes) sobre o que poderia acontecer se o que consideravam como “esquerda” continuasse no poder.

Não por coincidência, João Goulart foi deposto antes mesmo de poder implementar as reformas de base que prometiam revolucionar as estruturas sociais. “Prometiam”, pois Jango não tinha apoio político para implementá-las.

O apoio popular ao golpe de 1964 se constrói pelo medo do que imaginavam que ele poderia fazer, e não pelo que fazia. Afinal, os grupos políticos que se sentiam ameaçados estavam e permaneceram no poder.

Há algo semelhante no contexto que antecede o 8 de Janeiro. A despeito de bons avanços em algumas áreas cruciais, como a distribuição de renda e o acesso à saúde e à educação, a marcha que supostamente se reinicia com a redemocratização nunca foi capaz de cumprir as promessas de transformar o país em uma democracia.

Seguimos com dispositivos herdados da ditadura e do próprio período colonial, como a estrutura racista da sociedade e as questões fundiárias.

Não por acidente, alguns dos avanços desse período, como a citada melhora na distribuição de renda, acabaram sendo rapidamente fagocitados pela estrutura conservadora da sociedade brasileira, terminando por reforçá-la.

Digo isso mirando o posicionamento político de boa parte da classe média que se formou durante os primeiros anos do governo do PT, especialmente no Sul e no Sudeste.

Na política institucional, a situação é ainda pior. Grupos políticos conservadores e/ou oriundos da ditadura nunca estiveram longe do poder. Diria, inclusive, o contrário.

Os movimentos conservadores vêm aumentando consideravelmente a sua presença no Parlamento, tornando-se base de governos progressistas, como o próprio PT.

O golpe em 2016 é um sintoma desse movimento: a forma como o impeachment de Dilma Rousseff é aprovado sem grande resistência, inclusive com o apoio de ministros do próprio governo, demonstra como o país jamais se libertou da ordem conservadora.  

A  emergência do bolsonarismo e a eleição de Jair Bolsonaro são apenas uma consequência natural da permanência dessa estrutura. O 8 de Janeiro também.

Concebê-los como movimentos extraordinários seria uma postura negacionista, que ignora a permanência dessa estrutura e seu fortalecimento.

Isso porque a tal ordem que eles defendiam nunca esteve de fato ameaçada. Ela apenas cresce e se fortalece no país.

Até políticos e grupos que se consideram progressistas ou de esquerda defendem abertamente alguns de seus valores – especialmente em áreas como a segurança pública ou a defesa dos interesses do agronegócio.

A tal ameaça à “ordem” que mobilizou os golpistas do 8 de Janeiro não passa de uma realidade alternativa, um pânico moral alimentado constantemente pela propaganda de setores que se beneficiam dessa mesma ordem, como os militares.

Setores que nunca foram de fato ameaçados. Por isso, repito: o que os golpistas realmente desejavam? O Brasil de sempre.

E isso nos ensina que, enquanto não houver uma ruptura efetiva com essa “ordem”, uma política que busque fugir dessa lógica antiga que rege o Brasil, veremos outros 8 de Janeiro se repetindo.

Rock na madrugada – The Beatles, “Across the Universe”

O clipe acima é um mix de imagens raras captadas por Glyn Johns em Rishkeshi, em 1968, durante uma viagem dos Beatles à Índia para aconselhamento e meditação com o Maharishi Maheshi Yogi, criador da meditação transcendental. A canção virou um clássico definitivo da rica discografia do Fab Four.

“Across the Universe” (Através do Universo) tem autoria e interpretação de John Lennon, e foi incluída no álbum Let It Be, 13º e último disco de estúdio lançado pelo quarteto. A melodia é simples, a letra é pura poesia. Uma obra-prima, ainda mais valorizada nesta versão desplugada, com direito a acordes da cítara de George Harrison.

Let It Be foi gravado entre janeiro de 1969 e abril de 1970, mas o lançamento ocorreu apenas em maio de 1970, junto com o documentário sobre as sessões de gravação.

O adeus de Zagallo, um gigante da história do futebol

Por Juca Kfouri

O Velho Lobo Zagallo viveu por 92 anos.

Poucas pessoas do mundo do futebol viveram tão intensamente as emoções que a bola proporciona, como atleta ou como treinador.

Duas vezes campeão mundial como jogador da Seleção Brasileira, em 1958 e 1962, outra como treinador, em 1970, e mais outra como auxiliar-técnico em 1994.

Suas façanhas estão sendo cantadas em prosa e verso por tudo que fez e aqui não será preciso repetir.

Na qualidade de ter sido um dos alvos do famoso ‘Vocês vão ter de me engolir’, farei um relato bem pessoal.

A começar pela frase.

Zagallo estava bravo ao ganhar a Copa América, em 1997, por imaginar que eu estaria fazendo campanha para Vanderlei Luxemburgo assumir a Seleção. Estava enganado.

Até porque se havia jornalista cuja opinião o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, jamais ouviria, este era exatamente o autor destas linhas.

Zagallo, na verdade, era meu ídolo tanto como jogador do Flamengo quanto como do Botafogo.

E se um dia duvidei da importância dele na Copa de 1970, o testemunho de Tostão enterrou a dúvida.

Em 1994, no começo da Copa dos Estados Unidos, quando a Seleção ainda não agradava a imprensa brasileira, a revista Veja fez uma capa com o treinador Carlos Alberto Parreira, e o chamou de ‘O Itamar da Seleção’, alusão ao discurso de Itamar Franco, o presidente da República.

Com relações razoavelmente restabelecidas com ele depois de ‘engoli-lo’, perguntei: ‘Você acha que a Veja tem razão, Parreira é igual ao Itamar?’.

A resposta veio de bate-pronto: ‘Não, ele não tem topete pra isso’, referência ao penteado do então presidente.

Zagallo sempre agiu sim.

Defendia suas ideias com vigor, exagerava até com seu amor à amarelinha como se tivesse o monopólio do patriotismo e fez do 13 seu número da sorte, sem fazer propaganda do Partido dos Trabalhadores.

Nossas relações foram definitivamente por água abaixo porque cobrei o que ele nunca explicou convincentemente: ter recebido 500 mil dólares da Federação Líbia de Futebol, dirigida por Al Saadi Gaddafi, filho de Muamar Gaddafi, presidente de honra da entidade.

Zagallo dizia que teria sido por entrevistas para livro e documentário, o que os líbios sempre negaram e atribuíram a pagamento feito a ele, e mais 500 mil dólares à CBF, por dois amistosos que nunca foram disputados.

Seja como for, há uma constatação inarredável: Mário Jorge Zagallo está na História do Futebol como um de seus gigantes.

(Transcrito do UOL)

Rock na madrugada – Rita Lee & Tutti Frutti, “Lá Vou Eu”

“Lá Vou Eu” é uma pequena joia perdida entre os grandes hits de Rita Lee com o Tutti Frutti, sua luxuosa banda de apoio no período mais criativo da carreira. A composição é de Rita em parceria com o guitarrista Luiz Sérgio Carlini, um monstro sagrado do rock brasileiro. “Uma carta de amor à cidade”, admitiu Rita ao falar da canção em seu livro de memórias. Entre milhões de janelas existentes em São Paulo, estava a da artista, escancarada, contemplando o céu.

O Tutti Frutti acompanhou Rita de 1973 a 1978 e tinha Carlini como líder informal e mais dois músicos excepcionais – Lee Marcucci (baixo) e Franklin Paolillo (bateria).

Ednaldo Rodrigues volta à presidência da CBF por decisão de Gilmar Mendes

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os efeitos das decisões da Justiça do Rio de Janeiro que levaram ao afastamento de Ednaldo Rodrigues da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Com isso, Rodrigues volta ao comando da entidade máxima do futebol. A decisão é cautelar (provisória) e deverá ser analisada pelo plenário do Supremo. Ainda não há data para isso ocorrer.

Gilmar deu a decisão em uma ação movida pelo PCdoB. A determinação vale até que a Corte julgue o mérito do caso, que discute a intepretação de trechos da Lei Pelé e da Lei Geral do Esporte sobre a possibilidade de intervenção do Judiciário em entidades esportivas.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Advocacia-Geral da União (AGU) haviam se manifestado de forma favorável à decisão. Para Gilmar, há “risco de prejuízo iminente” no caso, já que a Seleção Brasileira de futebol poderia ficar de fora das Olimpíadas de Paris, na França.

Conforme argumentou o PCdoB na ação, a inscrição da delegação não seria aceita, já que os atos do presidente interino da CBF não são reconhecidos pela Fifa e Conmebol, entidades que regulam o esporte a nível mundial e sul-americano, respectivamente. O prazo para inscrição no torneio Pré-Olímpico se encerra na sexta-feira (5).

Gilmar disse que sua decisão não representa “qualquer intervenção estatal na CBF”. “Pelo contrário, privilegia a sua autonomia ao restaurar a efetividade do ato próprio por meio do qual a entidade elegeu seus dirigentes, qual seja a Assembleia Geral Eleitoral realizada em 23 de março de 2022”, afirmou.

O ministro também afirmou que a decisão visa “salvaguardar a atuação — ao que tudo indica constitucional” do Ministério Público. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) havia celebrado um acordo com a CBF que possibilitou a eleição de Ednaldo Rodrigues, mas a Justiça do Rio anulou o ato.

Ednaldo Rodrigues foi afastado do comando da CBF por uma decisão de 7 de dezembro da 21ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). O presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), José Perdiz de Jesus, assumiu a CBF de forma interina como interventor.

PARA ENTENDER O CASO

Em 2017, o MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) propôs uma ação civil pública pedindo a anulação de assembleia geral realizada pela CBF, em março do mesmo ano, que havia alterado regras eleitorais internas.

O MP questionou o estatuto da confederação por estar em desacordo com a Lei Pelé porque previa pesos diferentes para clubes nas votações para a escolha dos presidentes. Os dirigentes das 27 federações estaduais tinham peso 3 na votação, contra peso 2 dos 20 clubes da Série A e peso 1 dos 20 da B.

Em 2021 essas alterações foram anuladas pela Justiça do Rio de Janeiro, invalidando a eleição de Rogério Caboclo (antecessor de Ednaldo) e determinando uma intervenção na CBF, nomeando Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, e Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF). Essa decisão foi cassada pouco tempo depois.

A CBF e o Ministério Público fizeram um acordo extrajudicial e assinaram um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O estatuto mudou e os pesos nos votos dos times das séries A e B ficaram iguais. Na nova eleição, em 2022, Ednaldo Rodrigues, que estava como presidente interino, foi eleito para um mandato completo de quatro anos, até março de 2026.

Gustavo Feijó, que era vice na época de Caboclo, acionou a 2ª instância. O pedido era que o TAC fosse anulado e Ednaldo, afastado, alegando que o juiz de 1ª instância não tinha atribuição para homologar o documento. Foi isso que foi acatado em 7 de dezembro pelo TJ-RJ.

CBF divulga tabela da Copa Verde e paraenses podem se enfrentar na 2ª fase

Saiu a tabela básica da 10ª edição da Copa Verde, divulgada nesta quinta-feira pela CBF. O formato do torneio continua inalterado, reunindo clubes do Norte, Centro-Oeste e Estado do Espírito Santo. Os representantes paraenses são Águia de Marabá (campeão estadual), Clube do Remo (vice) e Paysandu (3º) já conhecem os primeiros adversários. O Azulão marabaense é o primeiro a jogar, no dia 21 ou 28 de fevereiro, contra o Rio Branco, em jogo válido pela primeira fase.

Remo e PSC entrarão em campo apenas na segunda fase, no dia 6 ou 13 de março – jogo único. Um duelo entre paraenses pode ocorrer logo de cara: o Paysandu enfrenta o vencedor de Águia e Rio Branco-AC, já o Leão joga contra o vencedor do confronto entre Humaitá-AC e Trem-AP.

PARTICIPANTES

Acre: Humaitá e Rio Branco
Amazonas: Amazonas, Manaus e Manauara
Amapá: Trém
Distrito Federal: Brasiliense, Ceilândia e Real Brasília
Espírito Santo: Real Noroeste e Rio Branco
Goiás: Aparecidense, Goiás e Vila Nova
Mato Grosso: Cuiabá e União Rondonópolis
Mato Grosso do Sul: Costa Rica
Pará: Águia de Marabá, Paysandu e Remo
Rondônia: Porto Velho
Roraima: São Raimundo
Tocantins: Capital e Tocantinópolis

Papão anuncia mais dois reforços para o meio-campo

O elenco do Paysandu iniciou a pré-temporada nesta quarta-feira, 3, em Barcarena. A equipe bicolor já está na cidade, onde permanecerá até o próximo dia 13. Um jogo-treino contra um selecionado local deve ser realizado antes do encerramento da preparação. De volta a Belém, a equipe fará um amistoso com a Tuna.

Antes do embarque para Barcarena, o meia Gabriel Bispo foi apresentado na Curuzu e mostrou empolgação com o desafio no clube alviceleste. “É muito bom estar com pessoas que trabalham de forma organizada. Estou muito feliz com a minha adaptação aqui com todo staff, desde a comissão a até a tia da rouparia. Todos os jogadores têm me apoiado, têm me dado um suporte nesse começo. Isso é muito importante, chegar e ser bem recebido por todos”.

Antes de acertar com o PSC, o meia passou dois anos defendendo o KuPS, da Finlândia, onde jogou 56 partidas e marcou nove gols. Além disso, Gabriel também já disputou três vezes a Série B do Brasileiro – conquistou o acesso com Juventude.

O volante Leandro Vilela, 28 anos, ex-Mirassol, foi o outro reforço anunciado nesta quinta-feira, 4. O jogador disputou a última Série B do Brasileirão pelo Mirassol, atuando em 13 partidas e marcando um gol. Paranaense de Curitiba (PR), Leandro defendeu o Guarani antes do Mirassol. Tem passagens por clubes como J. Malucelli, Vitória e Operário-PR. Atuou também no futebol europeu, defendendo o Vitória de Setúbal, na segunda divisão portuguesa, em 2019/2020.

Ele vai passar por exames para depois se juntar ao elenco na cidade de Barcarena, onde o time realiza a pré-temporada, antes da estreia no Campeonato Paraense, no dia 20 de janeiro, contra o Santa Rosa, às 19h, no Mangueirão.

(Foto superior: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)

Alepa encerra ano legislativo reconhecendo o valor de personalidades no Pará

A última sessão de 2023 da Assembleia Legislativa do Estado do Pará, realizada nesta quinta-feira(21), no plenário Newton Miranda, foi marcada pelo reconhecimento a personalidades políticas, eclesiásticas, representantes da Polícia Militar, cidadãos comuns e mulheres que fizeram diferença na sociedade, totalizando 83 homenageados.

A Sessão Solene foi aberta pelo presidente da Casa, deputado Chicão, que fez um breve reconhecimento dos deputados presentes, destacando o valor de cada um e acentuando particularidades de alguns, como da deputada Lívia Duarte(PSOL), que teve sua força e postura destacadas como virtude, assim como o deputado Dirceu Ten Caten(PT), que o deputado Chicão lembrou da sua importância pelas pautas nacionais, entre outros presentes que tiveram seus nomes citados pelo chefe do parlamento.

O deputado Gustavo Sefer(PSD) parabenizou a gestão atual, lembrando que 2023 foi um ano produtivo em que muitas proposições esquecidas foram colocadas em pauta, o que representou respeito aos autores. ”Já votamos vetos de 1996 aqui; e não tenho certeza, mas esse ano, eu acho, que foi o mais produtivo da história do Legislativo”, observou.

Sefer destacou que a reforma do prédio, bem como as novas locações e modernização aplicadas na Casa devolveram autoestima, dignidade e segurança aos parlamentares e servidores. ”Tenho hoje muito prazer em trabalhar nessa legislatura”, disse.

Os deputados presentes, como Fábio Freitas (Republicanos), Dirceu Ten Caten (PT), Ana Cunha (PSDB), Lívia Duarte (PSOL), Coronel Neil (PL), Nilton Neves (PSD), Torrinho Torres (Podemos), Wesclay Tomaz (Avante) fizeram a entrega dos títulos honoríficos.

Por indicação do deputado Gustavo Sefer, a mãe do deputado Chicão, Leonor Pereira da Costa Melo, foi uma das homenageadas post mortem na Sessão Solene.

Vinte e cinco personalidades que escolheram viver no Estado receberam o título de Cidadão do Pará. Para o promotor de justiça, Antônio Lopes Mauricio, cearence, erradicado no Pará, o título é o reconhecimento a todo o trabalho e dedicação no ofício. ” Quero agradecer a Professora Nilse pela indicação que muito me honra”, disse.

O chefe da Casa Civil do Pará, Luiziel Guedes, foi convidado para falar em nome dos homenageados e prendeu a atenção dos presentes ao narrar um episódio de amor e solidariedade ao próximo, fazendo alusão aos que receberam a honraria da Casa. Ele citou ainda versículos da Bíblia, emocionando a todos.

Em seguida, o presidente da Casa, deputado Chicão, enfatizou que triste é o poder que não reconhece os valores de quem contribui, mesmo de maneira anônima, para a construção de uma sociedade mais justa, harmônica e solidaria. ”Essas pessoas prestaram serviço a nossa sociedade e são merecedoras dessa honraria”, disse.

Leão apresenta reforços para a zaga e o meio-campo

Um jogador que já conhece o futebol do Pará será um dos reforços defensivos do Remo na temporada. Trata-se do zagueiro Reniê, que volta ao futebol paraense após nove anos. A primeira passagem dele foi atuando pelo PSC, em 2014, sem grande destaque. Hoje, contratado pelo Clube do Remo, ele garante estar preparado para o desafio.

“É um Reniê mais preparado, mais experiente, com outra visão do jogo e de todos os contextos que o jogo precisa ter, mais reparado em vários aspectos. Espero que essa caminhada aqui seja de sucesso, tenho trabalhado desde que cheguei aqui para isso e vou continuar trabalhando. Acredito muito no trabalho no dia a dia e é isso que eu tenho buscado fazer todos os dias”.

Reniê acrescentou que já conhece vários dos novos jogadores do Remo: “Trabalhei com o Camilo, Daniel, Ícaro e Pavani, todos eles já trabalharam com o treinador, fora aqueles que ainda vão chegar. Isso facilita bastante, pois entende bastante a forma que ele trabalha, a forma que ele exige, a ideia de jogo, são pontos positivos, que podem nos ajudar nessa preparação”.

O zagueiro tem 34 anos e é natural de Feira de Santana-BA. Em 2023, disputou a Série B do Brasileiro pelo Mirassol. No time paulista, o zagueiro conheceu alguns atletas do atual elenco do Remo e o técnico Ricardo Catalá.

VOLANTE

Outro reforço apresentado pelo Remo é o volante Daniel. Aos 27 anos, ele atuou em 35 jogos pelo ABC em 2023, fazendo parte da campanha que rebaixou o clube para a Série C. Em entrevista coletiva, ele destacou algumas das características dele dentro e fora de campo. “Sou um cara trabalhador, muito profissional e, dentro de campo, muito voluntarioso. Sem bola, eu procuro ajudar muito e corrigir os espaços. Com bola, é apoiar a zaga para fazer a bola chegar nos meias”, disse.

Fotos: Samara Miranda/Ascom Remo.

Alepa fechou o ano com entrega de novos gabinetes, restaurante e área de convivência

A Assembleia Legislativa (Alepa) encerrou oficialmente as atividades de 2023 nesta quinta-feira (21), com uma visita, junto com a imprensa, às obras entregues recentemente, que contemplam novos gabinetes parlamentares, restaurante e área de convivência, decorados por 15 novas obras do artista grafiteiro Sebá Tajapós. Também foi apresentado aos jornalistas o balanço geral das atividades legislativas deste ano, que realizou, ao longo do ano, 102 reuniões, obtendo um índice geral de produção de 87,2% e um percentual de aproveitamento de 99,5%.

Foram 1.244 Projetos de Lei apresentados ao longo de 2023, sendo que 887 foram apreciados e 885 aprovados e deferidos, obtendo 99,7% de índice de aproveitamento. As moções chegaram a 1.572, sendo todas apreciadas e aprovadas, gerando 100% de índice de aproveitamento. A Alepa contabilizou também a apresentação de 822 requerimentos, sendo 715 apreciados e 703 aprovados e deferidos, um aproveitamento de 98,3%. Por fim, a Casa de Leis realizou um total de 102 reuniões, sendo 61 Sessões Ordinárias, 38 extraordinárias, 2 preparatórias e 2 de instalação, com um total de 3.638 proposições apresentadas – uma média mensal de 363,8 –, sendo 3.160 aprovadas e deferidas – uma média mensal de 316.

Assim, o presidente Chicão (MDB) reforça o compromisso com o trabalho do Legislativo paraense, mas também com a valorização dos deputados e da população que frequenta a Casa de Leis. “Vamos fazer três anos em fevereiro. Quem frequentava essa Casa deve se lembrar como era. Lembro que tivemos sessões que tínhamos que sair do plenário porque alagava, e tínhamos risco de ter curto-circuito e incêndio e tínhamos que subir para outro local da Casa para evitar os riscos. Uma das mudanças que fizemos foi adequar o plenário Newton Miranda para que não precisássemos mais passar por isso. E não tivemos mais nenhum tipo de problema desse”, pontuou.

O deputado falou ainda sobre outros processos que têm conduzido na Casa, como a digitalização do trabalho legislativo. “Considero que isso é o passo seguinte que temos que dar, envolve a transparência da gestão, envolve a modernização do nosso Poder, com maior facilidade à tramitação dos projetos e, claro, outras coisas que precisam ser corrigidas”, afirmou.

Retrato do Pará
Para o artista responsável pelas obras que agora decoram os corredores da Alepa, foi um grande desafio atuar dentro de um Poder. “Me tirou da minha zona de conforto, do que eu já vinha trabalhando há alguns anos, e pude representar a riqueza, a pluralidade e a diversidade do estado em um lugar que é a Casa do Povo. E eu mudei as cores das raízes. Porque por aqui partem as decisões que vão gerir as nossas vidas. Então por isso a cor cinza, que representa a construção, o concreto do homem branco. Então é isso que eu acho que é bem plural mesmo”, declarou Sebá Tapajós.

Sob o comando da arquiteta Sônia Soares, Diretora Administrativa do Legislativo Estadual, para a decoração das obras, foi feito um mapeamento das mesorregiões e microrregiões do Estado e da capital paraense. Um dos integrantes da equipe de obras da Casa, Rafael Prata, conta que todo o trabalho seguiu o direcionamento do presidente Chicão. Compondo o acervo, há um mural externo e diversas obras retratando municípios chave do Estado, importantes para a cultura e economia do Pará – como Belém, Santarém, São Caetano de Odivelas, Bragança, Marabá e outros.

“Ele queria retratar as regiões, então a gente fez uma pesquisa dos melhores pontos, as microrregiões e os municípios com maior palco cultural, digamos assim. Também quisemos retratar outras atividades, como mineração, agronegócio. Mas fizemos ainda um resgate da memória dos nossos ribeirinhos. Fizemos esse estudo junto com o pessoal da imprensa, chamamos o Sebá, que aceitou a proposta e aí a gente trabalhou em cima disso para fazer essas imagens dentro das comissões, utilizando uma parte de Belém e um pouquinho do Pará”, declarou Rafael.

Reestruturação
O projeto de construção de uma nova Alepa iniciou há cerca de três anos, quando Chicão assumiu a chefia do Poder Legislativo. Após entregar o plenário Newton Miranda e o auditório João Batista, e outros espaços totalmente revitalizados e modernizados, o trabalho segue por todo o Palácio da Cabanagem, prédio palco de históricas e importantes decisões sobre o rumo do Estado.

O processo de reestruturação tem sido regido por uma preocupação: a de dar continuidade às obras sem comprometer o trabalho do Legislativo. Para não interromper as atividades dos parlamentares e garantir o andamento da construção de políticas públicas voltadas aos cidadãos paraenses, Chicão explicou que as obras foram executadas por setor e em etapas.

À frente da Casa de Leis pelos próximos 12 meses, o deputado e servidor da Alepa lembra que, para além de importante, a reforma se tornou necessária ao longo dos anos. “Às vezes recebemos membros de outras Assembleias, de outros Poderes, precisamos ter condições não só de atender melhor o povo, mas também de receber pessoas que precisam conhecer o Legislativo paraense ou até para reuniões. Eu acho que a Alepa tem que oferecer condições de trabalho para quem trabalha no seu dia a dia aqui, e oferecer condições para quem visita o Poder Legislativo”, ressaltou.

Resgate histórico
O presidente Chicão também, ao longo do tempo, estreitou ainda mais a relação de servidor com a Casa e desenvolveu um carinho por alguns projetos. Entre eles, a reforma do auditório João Batista, pelo simbolismo que carrega por ter sido palco da construção da Constituição do Pará, e pelas obras raras e históricas espalhadas pela sede do Poder Legislativo.

“Temos várias obras históricas aqui, e precisamos ter cuidado com elas, porque são a história do Legislativo e a história do Pará, do próprio estado. E esse acervo estava abandonado, alguns sem identificação, outros sem localização certa. Hoje nós estamos procurando resgatar, recuperar e colocar essas obras em lugares em que possam ter visibilidade, para quem visita o prédio da Assembleia conhecê-las e, assim, possam ajudar até mesmo a enriquecer a estética do nosso prédio”, pontua.Deputado Chicão, presidente da AlepaFoto: Celso Lobo (AID/Alepa)

Entre as principais obras recuperadas e que se encontram na sede Poder Legislativo estão: “A Adesão do Pará à Independência do Brasil”, pintada pela alenquerense Anita Panzuti, com a colaboração de Betty Santos (1974), e localizada no hall de entrada do Palácio Cabanagem; e a tela “Epopeia da Cabanagem”, pintada por Benedito Mello e localizada no plenário Newton Miranda.

Preservação e modernidade
Para a arquiteta responsável pelas obras, Sônia Soares, participar da obra de restruturação da Casa tem sido uma importante oportunidade, especialmente pelo -objeto de trabalho ser o resgate da história do Estado do Pará. Para ela, tem sido fundamental trabalhar com a modernização dos espaços junto à preservação de elementos originais do prédio.