
POR GERSON NOGUEIRA
O Botafogo sobreviveu bem à perda de um técnico de ideias fortes e bons resultados no Campeonato Brasileiro. Depois que Luís Castro se foi, Claudia Caçapa entrou em cena por quatro jogos e deu conta do recado. Aí veio o técnico substituto, Bruno Lage, e não está claro se ele dará conta do desafio de conduzir o time ao título brasileiro.
A gordura ainda é razoável – sete pontos – mas os sinais de estagnação são visíveis e preocupantes. O Botafogo não vence há quatro partidas, definha taticamente a cada nova rodada. Os trunfos individuais começam a afundar junto com a baixa performance coletiva.
Tiquinho Soares, artilheiro do time e do campeonato, ainda não marcou desde seu retorno, após mais de um mês lesionado. Diego Costa, que veio para ser uma alternativa, até agora não disse a que veio, embora tenha tido poucas chances. O gol que marcou contra o Galo foi anulado.
Na sexta-feira, contra o Corinthians, os erros se repetiram. Mesmo contra um time apenas mediano, o Botafogo não encontrou meios de se impor. Perdeu o capitão Marçal logo aos 20 minutos. O cartão vermelho foi questionável, mas a atitude do lateral-esquerdo foi imprudente demais.
Afinal, até o Manequinho lá de General Severiano sabe que as arbitragens não refrescam com o Botafogo, são sempre implacáveis. As decisões são sempre rigorosas e as dúvidas se transformam em certeza. Não é novidade, mas agora é muito mais sério, afinal há um título nacional em disputa.
Como ocorreu diante do Atlético-MG, o Botafogo começou jogando no campo adversário, mas aos poucos foi arrefecendo, como se estivesse entediado. Veio a expulsão e aí o time se agarrou à defesa como única expectativa na partida.
É claro que a desvantagem numérica impõe cuidados maiores, mas não pode significar a renúncia absoluta ao ataque. Deixar à vontade o adversário é um risco permanente. O gol corintiano até custou a sair, já no 2º tempo, mas o lance é revelador do atual momento do Botafogo.
Junto à linha de fundo, o lateral Di Plácido desistiu de marcar o adversário e este conseguiu cruzar, apanhando a defesa desarrumada. Depois de sofrer o gol, o Botafogo se anulou ainda mais. O técnico Bruno Lage, que havia custado a fazer mudanças, mexeu errado.
Botou Hugo na lateral-esquerda, como era óbvio, mas esqueceu de Carlos Alberto, um jogador rápido e bom finalizador. Deixou Vítor Sá, cansado desde o primeiro tempo, e botou Junior Santos quando não havia muito mais a fazer. Tiquinho podia ficar mais tempo em campo.
Outro problema: o Botafogo foi buscar três jovens jogadores no futebol sul-americano, mas Bruno Lage simplesmente não os utilizou. Não jogam nunca. O time precisa estar inteiro, menos esgotado fisicamente, é hora de rodar elenco. E, quem sabe, mandar o Lage rodar também.
Bola na Torre
Guilherme Guerreiro comanda o programa, com as participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. O programa começa às 22h, na RBATV. Em pauta, a quarta rodada do quadrangular da Série C. A edição é de Lourdes Cezar.
Belém será sede de pré-olímpico de basquete feminino
O basquete feminino será a grande atração no calendário esportivo de 2024 em Belém. Pela primeira vez, o pré-olímpico da modalidade terá a capital paraense como sede. O anúncio foi feito no início desta semana pelo governador Helder Barbalho.
A Arena Guilherme Paraense, o Mangueirinho, será palco dos jogos. A arena fica bem ao lado do estádio Jornalista Edgar Proença, que há três semanas sediou a estreia da Seleção Brasileira nas Eliminatórias Sul-Americanas, diante da Bolívia.
A competição pré-olímpica confirma a condição privilegiada do Pará como centro de eventos esportivos de âmbito internacional. Helder, que estava em viagem a Nova York, destacou o fato:
“Eu acabo de ser informado que Belém foi escolhida para ser a cidade-sede do pré-olímpico de basquete feminino. Pela primeira vez na história do Brasil seremos sede de um evento desta importância, para que nossas atletas disputem vaga para representar o Brasil nas Olimpíadas de Paris”.
A competição terá a participação de grandes seleções internacionais. A França, por ser sede dos Jogos Olímpicos, e os Estados Unidos, cuja seleção é a atual campeã, são as primeiras confirmadas, o que dá bem a medida do nível do pré-olímpico.
Dorival: a chance de ser bicampeão e de dar o troco
O argentino Calleri pode vir a ser a arma do São Paulo para repor uma injustiça histórica que o futebol assistiu no ano passado: a demissão de Dorival Júnior pelo Flamengo após ganhar a Copa do Brasil e a Libertadores. O atacante tricolor marcou o gol no jogo de ida da decisão da Copa deste ano e essa vantagem pode garantir o bicampeonato a Dorival.
Hoje à tarde, quando o São Paulo receber o Flamengo no Morumbi, todas as atenções estarão concentradas em Dorival, técnico experiente e vitorioso, cuja trajetória também revela um profissional de fina estampa. Dorival jamais reclamou ou criticou seus incompetentes algozes rubro-negros. Talvez por isso muita gente estará na torcida por ele.
(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 24)