Empate com Jamaica elimina o Brasil da Copa do feminina na fase de grupos

O Brasil voltou a ser eliminado na fase de grupos da Copa do Mundo Feminina depois de 28 anos. Pela primeira vez desde 1995, a equipe caiu ainda na etapa inicial da disputa. A queda precoce veio depois do empate por 0 a 0 com a Jamaica, em Melbourne. É a terceira vez que a seleção brasileira, que disputou as nove edições de Copa, deixa a competição ainda na primeira fase. O time acabou eliminado também nas edições de 1991 e 1995.

Na primeira edição do Mundial, na China, quando apenas 12 seleções participavam, o Brasil ficou em terceiro lugar do Grupo B e não avançou. Estados Unidos liderou, seguido da Suécia e a única vitória brasileira foi em cima do Japão, lanterna do grupo, por 1 a 0, gol de Elane.

Em 1995, o Brasil caiu novamente em um grupo com Suécia e Japão e foi o lanterna com apenas uma vitória, justamente sobre a anfitriã sueca. O placar também foi de 1 a 0, e o gol foi de Roseli. Na última edição, na França, com 24 seleções, o Brasil terminou a fase de grupos na terceira colocação no grupo com Itália, Austrália e Jamaica, mas avançou às oitavas como melhor terceiro colocado.

Em 2023, diferente de outros anos, a eliminação precoce da seleção feminina na Copa do Mundo não entra na conta da falta de estrutura ou de apoio à modalidade. Mesmo que o cenário ainda esteja longe do ideal, os últimos quatro anos foram transformadores para a modalidade no país – clubes, campeonatos e seleção.

Hoje, podemos e devemos focar no que aconteceu nas quatro linhas – os treinamentos, as escolhas táticas, a escalação, as substituições… Essa nova realidade – trazer o olhar para dentro e não mais para fora de campo – talvez seja a melhor notícia de uma Copa aquém da expectativa. E a análise do que ocorreu nas quatro linhas é incontestável: a seleção brasileira fracassou e decepcionou na Austrália.

Em 2019, Marta proferiu o seu famoso discurso após a derrota para a França cobrando, mais uma vez e mais enfática do que nunca, que o futebol feminino acordasse para o fato de que ela não jogaria para sempre. Quatro anos depois, ela ainda estava lá, mas seu adeus ocorre em momento menos desalentador para a modalidade.

Nesta quarta, Marta estava triste na sua despedida das Copas, claro. Mas seus olhos marejados enxergam um caminho que, enfim, começou a ser pavimentado. Este ano, seu foco não foi cobrar mudanças, mas proteger um legado.

– Essas meninas têm um futuro muito longo aqui na seleção. A jornada delas está apenas começando. A Marta não vai jogar outra Copa, obviamente, mas elas vão – afirmou.

A base para os próximos desafios, a começar por Paris-2024, está feita, com nomes como Letícia (28 anos), Antônia (29), Kathellen (27), Ary Borges (23), Kerolin (23), Adriana (26), Geyse (25), Bia Zaneratto (29), Bruninha (21), Lauren (20), Duda Sampaio (22), e Angelina (23).

Mas isso é o futuro. Hoje, é preciso entender o que ocorreu para que um time com jovens talentosas e jogadoras experientes não conseguisse furar a previsível retranca jamaicana, dando adeus à Copa na fase de grupos, o que não acontecia havia 28 anos.

As duas análises, do amanhã que traz esperança e do pesadelo desta noite fria de quarta-feira no Estádio Retangular de Melbourne, passam pelo mesmo nome: Pia Sundhage.

Desde a chegada da treinadora, em agosto de 2019, a seleção feminina viveu uma renovação bem estruturada, gradual, com respeito a processos dentro e fora de campo. Mesmo após o tropeço nas Olimpíadas de Tóquio, também precoce, nas quartas de final, o Brasil não perdeu o rumo. Este ano, fez bons jogos contra Inglaterra e Alemanha.

Então, por que foi eliminada tão precocemente? Voltamos a Pia Sundhage. Será sobre seus ombros que recairá a maior carga de responsabilidade. Um pouco pela nossa tradição de apontar o dedo para treinadores nas derrotas. E também porque ela não contribuiu para que fosse diferente. Tirando a – hoje sabemos – ilusória goleada sobre o frágil Panamá, a seleção não encontrou seu futebol na Copa.

Exagero dizer que a culpa da eliminação é da treinadora sueca apenas. Atletas que eram fundamentais para fazer o jogo brasileiro fluir não tiveram boa atuação, como Debinha, Adriana, Ary Borges e Kerolin – algumas não só contra a Jamaica. O time, em geral, não soube colocar a bola no chão e os nervos no lugar.

TREINADORA ADMITE DEMORA NAS MUDANÇAS

Mas Pia, à beira do gramado, também parecia impotente para alterar um panorama que já soava preocupante no primeiro tempo nesta quarta. Após o jogo, a própria treinadora reconheceu que demorou a agir.

No intervalo, ela fez uma boa troca: Bia Zaneratto no lugar de Ary Borges. Mas esperou até os 35 do segundo tempo para voltar a mexer no time, lançando de uma só vez três novas jogadoras, em um movimento que soava mais a desespero do que planejamento. A demora para tomar decisões já tinha sido um problema contra a França, o resultado que abriu caminho para a eliminação.

– Essa é sempre uma pergunta que a gente se faz, quando a gente vê que não funcionou. Algumas das situações ali no segundo tempo poderiam ter sido melhores. Quando vemos o resultado, percebemos que foi um pouco tarde – admitiu Pia.

(Com informações de O Globo, UOL, ESPN e Lance)

Um comentário em “Empate com Jamaica elimina o Brasil da Copa do feminina na fase de grupos

  1. Pachequismo, empolgação desmedida costumam dominar torcida e mídia. Só assisti a um jogo inteiro da seleção feminina de futebol. Foi contra a França. Ali pareceu, pra mim, que ainda estamos longe do nível das melhores seleções em relação a esquemas táticos e força física, dois fatores que deverão ser trabalhados intensamente para melhorar o desempenho da seleção. Não há variação de jogadas e as jogadoras correm para não chegar e quando chegam já estão sem gás para uma disputa de igual para igual pela posse da bola.

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