
POR GERSON NOGUEIRA
O desespero em achar justificativas para a fenomenal campanha do Botafogo na Série A domina setores da mídia esportiva, alguns visivelmente inconformados porque o Glorioso desmente toda semana as previsões de que não chegaria a lugar nenhum. A coisa piora muito quando as críticas partem de profissionais excessivamente preocupados em tornar o futebol brasileiro um feudo exclusivo de clubes como Palmeiras e Flamengo, carimbados como gigantes imbatíveis pelas recentes conquistas.
A trajetória impecável do Botafogo, com 13 vitórias em 15 partidas, afronta o coro dos contentes e desafia os incrédulos. Ao invés de saudar esse benfazejo sopro de novidade, os redutos de resistência se ocupam de apontar desculpas fuleiras, como a de que Flamengo e Palmeiras disputam a Libertadores simultaneamente com o Brasileiro, tornando os dois times desgastados fisicamente ou com carências no elenco, o que obviamente não é verdade.
Como esse papo sobre a participação nas Copas – sendo que o Botafogo disputa a Sul-Americana – não prosperou, a onda agora é questionar o “tapetinho” do estádio Nilton Santos. O Palmeiras joga há três anos num gramado radicalmente artificial, mas suas muitas conquistas jamais foram contestadas.
O Atlético-PR, pioneiro no uso de grama sintética, também não teve suas campanhas vitoriosas questionadas por ninguém. Vale dizer que o gramado do Niltão coleciona elogios de técnicos e jogadores pela qualidade do piso. Além do fato óbvio de não representar perigo à integridade dos atletas, pois não tem buracos ou áreas desniveladas. É um tapete, de fato.
Aí, de repente, diante da distância que o Botafogo abriu em relação ao Flamengo (12 pontos), eis que Zico rompeu o silêncio e (sem ser perguntado) saiu dizendo que o sucesso do Alvinegro está diretamente associado ao gramado. Esqueceu de dizer que, com um jogador a menos, o Fogão derrotou o Fla no piso esburacado do Maracanã.
Esqueceu também que o sintético já foi palco até de final de Copa do Mundo. Foi em 2018, no estádio de Luzhniki, em Moscou. Zico é um dos maiores da história do futebol brasileiro, mesmo sem ganhar uma Copa, e ídolo supremo do Flamengo. Sempre se notabilizou pelo equilíbrio nas atitudes e posicionamentos, mas foi infeliz ao analisar o sucesso do Botafogo no campeonato como “injusto”.
O Botafogo lidera o Brasileiro com autoridade e folga, derrotando times cotados como favoritos no começo da temporada. Flamengo, Palmeiras, Grêmio, Fluminense, Bragantino, Atlético-MG e São Paulo foram vítimas do time liderado por Tiquinho Soares. E foram vitórias insofismáveis, sem questionamentos, sem erros de arbitragem ou gols acidentais.
O turno ainda nem terminou, mas a pororoca de desculpas permite imaginar o que acontecerá caso o Botafogo mantenha a campanha vitoriosa e conquiste o título. O Galinho certamente será uma das carpideiras inconformadas, condição que não lhe cai bem, afinal um flamenguista cobrar “igualdade de condições” soa bizarro. Perdeu boa chance de ficar calado, até porque nunca havia reclamado de campos sintéticos antes.
Confiante, Papão continua indo às compras
Lucas Paranhos, volante, ex-Manaus, é o mais novo contratado do PSC. É o reforço de nº 42 na temporada. O de nº 43 é o lateral-direito Anilson, ex-Ponte Preta. A gastança com reforços é recorde no futebol do Pará. Ambos foram recomendados pelo técnico Hélio dos Anjos. Em lua-de-mel com a torcida, após duas vitórias empolgantes, ele pode indicar quem quiser.
Confiante no êxito do prometido projeto de acesso à Série B, ele trata de robustecer o elenco do Papão com jogadores de sua confiança. Caso venham novas vitórias, novos atletas serão contratados.
Algumas posições são carentes, de fato. É o caso da lateral-direita, onde Edilson está suspenso e João Vieira, que costuma ser improvisado ali, também não pode jogar contra o CSA, no próximo domingo.
O problema é a dificuldade para encaixar novos jogadores a um time que sofre mudanças a cada rodada, desde o início da competição. Ao mesmo tempo em que podem contribuir, os novatos enfrentarão o desafio de entrosar em curtíssimo tempo, o que pode ou não dar certo.
Garotada azulina vai reforçar o Santa Rosa
Enquanto o torcedor azulino é forçado a se contentar com Vítor Leque, Marcelo & cia., a diretoria do Remo decidiu emprestar o atacante Ricardinho, o zagueiro Davi, o goleiro Juan e os laterais Luisinho e Robi para o Santa Rosa, que vai disputar a Segundinha do Parazão.
Agora, do time sub-20 que disputou a Copa SP, restaram apenas Kanu, Henrique e Jonilson, com poucas chances de aproveitamento. O (único) lado bom dessa história é que no Santa Rosa eles têm plena garantia de que irão jogar, coisa que no Remo atual certamente não aconteceria.
Vistoria no Mangueirão é ensaio para jogo da Seleção
Funcionários da CBF fizeram, ontem à tarde, uma inspeção técnica no estádio estadual Jornalista Edgar Proença, o Mangueirão, acompanhados de técnicos da Seel, Seop e da FPF. O objetivo da nova vistoria foi analisar as condições de infraestrutura do estádio e dos centros de treinamento para receber um possível jogo da Seleção Brasileira pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. No mês passado, uma equipe da Conmebol também vistoriou o estádio.
A equipe analisou vestiários, gramado, área de imprensa e dos times. Além do Mangueirão, passaram também pelo Ceju e estádios Baenão e Curuzu, que podem servir de local de treinamento. A presença dos representantes da CBF sinaliza para a confirmação de Brasil x Bolívia, no dia 7 de setembro, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo 2026.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 20)