POR SAUL LEBLON
Se o PT, a esquerda em geral, os movimentos sociais e o campo progressista não se entenderem a tempo de definir uma agenda comum, o juiz Moro o fará por eles.
Soa angustiante a dissociação entre o gesto e o seu efeito. Entre o apelo e o desdobramento. Entre o alerta do abismo e a impotência para deter o comboio. De novo, no evento dos 35 anos do PT, lideranças do partido, entre elas a do ex-presidente Lula, expuseram diagnósticos corretos sobre a ofensiva conservadora no país, denunciaram o golpe dissimulado, como de hábito, faxina moralizante; conclamaram o partido a sacudir a letargia, ir às ruas, lutar, resistir. Porém… nada se move.
De novo Lula, Rui Falcão, Tarso Genro e outros falarão em novas oportunidades; com já fizeram em ocasiões anteriores repetirão os mesmos diagnósticos corretos de um golpe dissimulado em marcha, evocarão as ruas. Porém… nada se move.
Assim sucessivamente.
O anticlímax, para estreitar bastante a abrangência do retrospecto, teve um ponto de coagulação explícito na campanha de 2014. Em diferentes momentos, então, mas sobretudo após a morte traumática do candidato do PSB, Eduardo Campos, em 13 de agosto, a candidatura progressista esteve emparedada pela bateria conservadora, a ponto de muitos darem o jogo como perdido.
No final de agosto esse conjunto formava um aluvião anti-Dilma. Porém, nada se movia. Nenhuma reação. Era tão denso o horizonte da derrota que expoentes do colunismo conservador ejaculavam precocemente divagações acerca do ‘pós-lulopetismo’. A candidata Marina Silva chegou a abrir 10 pontos de vantagem nas enquetes sobre um hipotético 2º turno, no qual o Datafolha dava como certa a sua presença.
Era uma dessas ladeiras de um sonho turbulento em que nada parece deter a aceleração em plano inclinado rumo ao muro de pedra. Em cinco de setembro, em meio ao clima de colisão com o fim, uma reunião de avaliação da campanha assistiu à intervenção de um Lula endiabrado. As reservas instintivas do retirante nordestino que saiu da seca para ocupar a presidência do país por duas vezes mobilizaram-se em seu organismo, à falta de outras formas de mobilização.
Desse arcabouço histórico/metabólico brotou um diagnóstico que sacudiu os brios de um comitê de campanha do PT e da militância até então atônitos com a aproximação veloz do desastre.
Em duas frases, Lula esquadrejou a areia movediça ao redor e identificou um pedaço de chão firme e instalou uma alavanca para a reação bem sucedida: ‘Nós ficamos economicistas; não nos faltam obras, mas política’, disparou para prescrever o antídoto: ‘Temos que demarcar o campo de classe dessa disputa: é preciso levar a política à propaganda’.
A partir de então a essência radicalmente neoliberal embutida nas candidaturas de Marina Silva e Aécio passou a ser floculada do espumoso caudal dissimulado em ‘renovação’, ‘ética’ e ‘mudança’. O extrato obtido foi exposto à luz do sol. A sonolenta publicidade de sabonete do horário eleitoral ganhou uma narrativa pedagógica, determinada a tipificar um a um os riscos e alvos da agenda conservadora. Na mesma chave narrativa, a Presidenta Dilma passou a dar nomes aos bois em debates, no rádio e na presença diária na TV.
Ponto número 1: Dilma falava diariamente com o país.
Ponto número 2: confrontava projetos.
Ponto número 3: discutia flancos ainda por enfrentar.
Ponto número 4: zelava pelo passado sem abstrair as lacunas enormes do muito que o Brasil ainda deve ao povo brasileiro.
Ponto número 5: não o fez, mas se tivesse incorporado à discussão os ajustes necessários à reordenação de um novo ciclo baseado no investimento e no controle da inflação, o eleitor provavelmente entenderia – desde que …
Ponto número 6: desde que isso se fizesse acompanhar de salvaguardas, prazos e contrapartidas, ademais da determinação de dar à sociedade meios e estruturas para vigiar e assegurar a travessia segura rumo a um novo estirão de crescimento cm justiça social.
O fato é que no breve interregno entre cinco de setembro quando Lula explodiu sua indignação e a vitória final em 26 de outubro, o PT e o governo fizeram o que nunca haviam feito e, incompreensivelmente, não voltaram a fazer ainda.
O quê?
Estabeleceram um canal de conversa indispensável com a população sobre um tema de interesse geral: o Brasil, a vida de sua gente, seus trunfos e desafios – hoje, ontem e amanhã.
Fez-se ali um ensaio de repactuação da confiança mútua, sintonizada no compartilhamento de rumos e de desafios, que Lula agora sugere que o PT faça (leia o seu discurso no evento dos 35 anos do partido; nesta pág.) , na forma de um Manifesto-compromisso e de uma repactuação política do partido com a nação.
Carta Maior viu no jorro de desassombro daquela inflexão na campanha de 2014 um ponto de ruptura com o abismo há muito aguardado. ‘A ficha caiu’, saudou-se. No final de setembro, seria a vez da própria candidata Dilma reforçar essa impressão. Em entrevista a um grupo de blogueiros, ‘sujos, ideológicos, governistas’, como a eles se refere o colunismo isento, a candidata explicitou o divisor que marcaria o seu segundo mandato.
A vitória então já não era mais um sonho de vento a escapar pelos dedos. ‘Terei um embate (político) mais sistemático; não serei mais tão bem comportada; me levaram para um outro caminho, que não era o que eu queria’. Menos de cinco meses depois, onde foi que tudo se perdeu?
Perdeu-se a ponto de retroagir à pasmaceira anterior a cinco de setembro de Lula, com o radical agravante de que Dilma agora ocupa a presidência da nação, de onde o conservadorismo fala abertamente em retirá-la. E toma providências explícitas para isso.
Uma parte da recaída se deve à inércia traiçoeira de uma fórmula de governo que se esgotou. Em três mandatos presidenciais sucessivos predominou a determinação petista de restringir o confronto direto com os interesses conservadores na faixa de segurança permitida por uma correlação de forças adversa.
Mas a margem de manobra se esgotou proporcionalmente à contração do PIB e à pressão da crise mundial, agora definitivamente algemada ao Brasil. O que antes parecia uma contingência administrável, ainda que a um custo político cada vez mais desgastante, acentua os contornos de um esgotamento de ciclo.
O conjunto aguça o desgaste intrínseco à tarefa de administrar o capitalismo ainda sem poder transformá-lo efetivamente. O conjunto não pode ser descarregado apenas no colo de uma Dilma muda e jejuna em política. No mínimo, a sonambulismo presidencial funde as duas coisas: um pedaço da crise e o reflexo da sua imensa dureza.
Não fosse isso, por que então nada se move depois que Lula, Falcão, Tarso e outros se desdobram em evocações pela resistência? Pela gravidade e abrangência do que precisa mudar para desviar o país do buraco negro conservador que diuturnamente vai sugando tudo ao redor, mas principalmente os corações e mentes da sociedade.
O Datafolha é o monitor de controle do mutirão sombrio. O relatório deste domingo avisa ao comando central: ‘estamos indo bem’. À implosão do espaço acomodatício desfrutado em 12 anos de governo de composição emerge agora a clareza vertiginosa do despreparo organizativo, ideológico e programático para ir além da atual e angustiante desconexão entre o apelo e a resposta. Entre o gesto e o efeito.
Pior que tudo.
A desconexão imobilizante revelou um punhal de aço cravado contra as próprias costas do corpo progressista: não há canais de comunicação para uma urgente repactuação do futuro com a sociedade. Nada se faz sem a mediação tóxica da emissão conservadora. Cujas prioridades editoriais estão mobilizadas para acelerar a velocidade disso que o Datafolha colhe em intercurso orgânico.
Quando Lula diz ‘temos que voltar às bases, o PT se tornou um partido de gabinetes’, o que se veicula é a derrisão, não a gravidade da autocrítica abraçada pelo maior líder progressista do país. Como é possível que um partido formado por franjas de toda a esquerda, quadros de alta qualidade e distintas filiações, tenha cogitado construir um Estado de Bem-estar social tardio, na oitava maior economia do mundo –na era da livre mobilidade dos capitais chantageadores- sem dispor de canais pluralistas de comunicação?
Sem espaço ideológico para exercer o repto à hegemonia expressa pela dama de ferro do neoliberalismo, Margareth Tatcher: ‘Não há alternativa’. Não apenas não há, como o que virá ‘será doloroso’, sapateava o Financial Times, antes das eleições, em editorial onde apregoava a inevitabilidade de um conjunto de medidas cujo efeito ‘será doloroso’. ‘Ganhe quem ganhar a eleição’.
Os dias que correm parecem confirmar o vaticínio do porta-voz dos mercados financeiros globais. Sem repactuação política desassombrada, sobra a receita seca do ajuste ortodoxo que, de tão postiço em relação ao que a transição de ciclo requer, teve que ser terceirizado a um centurião de confiança do mercado.
O ‘estelionato eleitoral’ denunciado pelo coalizão conservadora abstrai o fato de que ao esgotamento do espaço acomodatício pela crise, juntou-se um cerco policial em torno da Petrobras, o derradeiro braço do Estado para induzir o capitalismo no país. À mutilação desse órgão vital (que carrega 13% do PIB), associou-se a queda de 50% nas cotações do barril e a maior seca já vivida no país em 80 anos.
Uma tempestade perfeita estacionou nos céus de Brasília. Por onde começar?
‘Temos a oportunidade histórica de elaborar um novo Manifesto do PT. Isso exige humildade e coragem’, disse-o bem Lula na última sexta-feira. Falta agora o principal: correr riscos. Adicionar ao enunciado a agenda capaz de erguer a ponte entre o apelo e a resposta.
Definir aquilo que, efetivamente, ofereça uma razão suficientemente forte, crível, palpável para a letargia deixar o sofá do descrédito e ir às as ruas, voltar às bases, cobrar, debater e pactuar o passo seguinte do desenvolvimento brasileiro.
Se o PT, a esquerda em geral, os movimentos sociais e o campo progressista não se entenderem a tempo de definir uma agenda comum – e não há tanto tempo assim, avisa o Datafolha – o juiz Moro o fará por eles. Dando uma razão conservadora suficientemente apelativa para aglutinar o passo final da marcha regressiva em curso no Brasil.
As graves denúncias de Paulo Henrique Amorim sobre as condições em que estão sendo extraídas as ‘delações premiadas’ da Lava Jato, bem como o parecer ’Gandra/FHC’, indicam uma determinação muito clara: ir além do estado de direito.
Bom, sinceramente, sempre considerei… considero ainda, que a lava jato não passa de uma piada de mau gosto. Isso simplesmente porque a investigação se arrasta em fases, como um programa de TV se alonga em temporadas. Já foram sete fases de investigação em que o comportamento xiita da PF e do juiz não resultam naquilo que a oposição e a mídia conservadoras desejam: a justificativa para tirar Dilma da presidência. Se isso não é um golpe em andamento, então que será? Já não se nega que há corrupção na Petrobras, como não se nega a legitimidade de Dilma. Não digo que suspeitava desse “método” de obtenção de confissões denunciada, mas tentava imaginar o que poderia estar ocorrendo para que tanta coisa fosse ao ar na TV sem provas cabais de que são reais tais denúncias. A delação premiada é um dragão de sete cabeças e a porta para uma versão próxima do AI-5. A censura cassou a liberdade de imprensa, mas entendo que a liberdade de imprensa atualmente anda restrita pelos interesses particulares dos golpistas. E, de fato, ocorre mesmo com a opinião pública brasileira de se desconectar da realidade com facilidade. Que se passa? Que houve de tão novo na história do Brasil que justificasse tamanha apatia? Como é que a pecha de ditadura de esquerda pode ser tão popular no mesmo momento histórico em que enxurradas de críticas são feitas ao governo? Como é que ocorre de boas notícias como a geração de empregos em meio à crise não ganharem destaque na imprensa? Acho que se há censura no Brasil é contra o Estado, das elites contra o Estado.
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Pura retorica diversionista e subversiva da realidade dos fatos. Quem vem atentando contra o estado de direito é o lullopetismo. E o caso Petrobras é so a ponta do iceberg. Ocorre que esta tática de desqualificar e execrar o magistrado ja é conhecida o suficiente para constituir mais uma evidencia das malfeitorias dos que presidem o país. Quanto ao impedimento da presidente é ferramenta constitucional, tanto quanto o é a eleição. Quem vence a eleição assume a presidência e o presidente que comprovadamente oferecer motivos será impedido de continuar exercendo o cargo. E constitucional, é compativel com o estado de direito. Ou o impedimento do Collor foi golpe? Golpe foi aquilo de que a Petrobrás foi vítima. Agora só falta revelar, por inteiro, quem são os golpistas.
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Caro Oliveira, é um prazer debater com você. Observe que todo golpe busca legitimidade. Não há golpe que se sustente sem tê-la. Quer dizer, outra forma é pela força bruta mesmo, como ainda se vê pela África e Ásia. O golpe militar de 64 teve apoio contra a ameaça vermelha, era o seu mote, livrar o país do comunismo. Oculto sob esse discurso estava o de sempre, garantir a prosperidade da oligarquia nacional, ao custo do empobrecimento da maioria da população. Noto no seu discurso reacionário a subversividade subjetiva da elite brasileira que mal consegue disfarçar o maior de todos os seus desejos/objetivos: o de manter pobres como pobres, de manter o poder a todo custo, mantendo a distância abissal entre fortunas e micharias, o de manter o clientelismo do Estado, fazendo deste capacho daquele. Se não há mérito em receber bolsas de programas sociais, tampouco existe justiça no jeitinho de as empresas manterem caixa dois, de sonegar, de os ricos pagarem proporcionalmente menos impostos que os pobres, de empresas bilionárias receberem incentivos fiscais… A política da privataria tucana tinha em seu discurso a promessa de eliminar a corrupção das empresas públicas. Conseguiu uma enorme evasão de divisas e… mais sonegação. Nada mais que corrupção, agora no setor privado. Setor que atende à população como se fosse público, tal é o alcance. Energia tem o mesmo apelo e sentido de serviço público, deveras importante para a economia. É um serviço tão essencial que define nossa contemporaneidade, pois a civilização de hoje sequer se imagina sem energia elétrica. Vejamos o que se conseguiu com a privatização da Vale. Nada. O minério continua escoando para o exterior a custo baixíssimo e a pobreza agravando-se. Quem ousaria falar em golpe constitucional quando da nacionalização das riquezas minerais e de biodiversidade, que enfraqueceu estados e concentrou poder em Brasília? Quem ousaria desconfiar de alguma ingenuidade, ou de ação de caso pensado, de Ulysses Guimarães e parlamentares constituintes?… A apropriação dos recursos naturais pela União, teria o papel de proteger as riquezas nacionais de eventuais achaques internacionais a estes preciosos recursos e acabou servindo à sanha especulativa que culminou na privatização dessas riquezas brasileiras (vide inúmeras reportagens de Lúcio Flávio Pinto). Se você acha que não é disso que estamos falando, é porque não percebeu ainda o tamanho do problema, que ultrapassa, e muito, os gabinetes de juízes federais e delegados da PF. É preciso mais que isso para caracterizar minhas palavras como mera retórica, é preciso dar prova científica cabal de que existem as provas que atestem os vazamentos da lava-jato. Isso já está demorando demais. O que a PF/PR e o juiz Moro estão fazendo está passando dos limites da razoabilidade, ao ponto de que em breve todo o alarde feito pela mídia perderá totalmente a credibilidade junto à população.
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Amigo Lopes, peço-lhe humildemente para assinar em baixo!
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Não gostaria de meter o bedelho na discussão alheia, mas farei umas ponderações sobre os comentários.
1) Sim, parece fato que existe uma tentativa de golpe com a finalidade de deslegitimar o governo eleito.
2) A deleção premiada não é o dragão, Lopes, pelo contrário, é a porta da solução do excesso de corrupção no país – por sinal foi criada no governo dos trabalhadores.
3) O lava jato não é piada, pelo contrário, nós somos os bobos nesta história, basta abastecer um carro e saberemos dos os efeitos de uma política econômica equivocada e da corrupção exagerada que manchou a empresa.
4) Sim. Os trabalhadores usam do artifício de desconstrução das imagens. Isso é claro e não é imoral. Imoral é não querer ver isso.
5) A desqualificação se estende a todos. Ninguém pode falar mal dos trabalhadores. Eles não tem defeito. Esse tipo de visão parece extremista religiosa.
No mais, penso que um golpe agora é pior para o Brasil é muito pior para os brasileiros.
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Lopes, comecemos pelo fim. Quando asseverei que estava diante de mera retórica não me referi as suas palavras. E é muito fácil evidenciar esta verdade que ora sustento.
Primeiro que sempre que me dirijo a voce o faço diretamente, o chamando pelo nome, o que não fiz agora. É só checar os arquivos do blog que voce vai constatar.
Segundo que o texto da postagem que comentamos está repleto de tentativas de desconstrução e assassinato da reputação do Juiz Moro. Vide alguns exemplos:
1. “Se o PT, a esquerda em geral, os movimentos sociais e o campo progressista não se entenderem a tempo de definir uma agenda comum, o juiz Moro o fará por eles.”
2. “Se o PT, a esquerda em geral, os movimentos sociais e o campo progressista não se entenderem a tempo de definir uma agenda comum – e não há tanto tempo assim, avisa o Datafolha – o juiz Moro o fará por eles. Dando uma razão conservadora suficientemente apelativa para aglutinar o passo final da marcha regressiva em curso no Brasil.”
3. “As graves denúncias de Paulo Henrique Amorim sobre as condições em que estão sendo extraídas as ‘delações premiadas’ da Lava Jato, bem como o parecer ’Gandra/FHC’, indicam uma determinação muito clara: ir além do estado de direito.”
Com efeito, é de ver que você tomou pra você uma crítica que não lhe tinha como destinatário.
Todavia, para a hipotese, sempre plausivel, d’eu nao ter deixado isso bem explícito no comentario inicial, faco uso deste para deixar bem claro que nao me dirigia a voce no comentario inicial.
Com tais palavras esclarecedoras do destinatário do comentário anterior, finalizo este aqui sustentando que reitero firme cada uma das palavras que veicularam minha crítica expressa no comentario anterior. O texto postado constitui tática diversionista e subversiva da realidade dos fatos. Num próximo comentário vou expor mais especificamente as bases de minha convicção.
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Antônio, procure assistir ao filme “Walesa”, que tem passado com razoável frequência no telecine cult. Direção de Andrzej Wajda. Veja o modelo soviético de administração na Polônia dos anos setentas e observe o que ocorreu lá.
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Elton, vou fazer uma busca pelo filme que recomendas, assim que possível lhe dou notícias.
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Caro Oliveira, é verdade, tomei para mim a crítica feita ao texto, mas a reação é bem a mesma. Entenda a frase ” É preciso mais que isso para caracterizar minhas palavras como mera retórica” como sendo “É preciso mais que isso para caracterizar o texto como mera retórica”… Dirigido a mim ou ao autor o seu comentário, em nada muda a opinião expressa naquele meu comentário, apenas o reparo da direção da crítica já conserta as coisas, tudo bem, afinal.
Já minha sugestão de cinema é “O Enigma de Kaspar Hauser”, de Werner Herzog (Jeder für sich und Gott gegen alle, 1974). O filme supervaloriza a linguagem, observando o pós-modernismo já naquela época em sua concepção artística, evidenciando a imprecisão da impressão do ouvinte/espectador frente à informação. A nossa época pós-moderna é profundamente marcada pela informação, não necessariamente crível, verdadeira ou confiável. Ao mesmo tempo, vê-se forte teor da coerção social baseada em superstições e em falta de conhecimento, da microfísica do poder. O mundo de concepção moderna é baseado na ciência, na garantia da prova, e esse mesmo mundo vem se transformando no da modernidade para o da pós-modernidade, do discurso, da aparente não-necessidade de provar o que se diz em nome da velocidade, da produção e da rentabilidade. Por isso, a pressa em esclarecer não faz sentido para quem quer confundir…
Para mim, não é difícil saber quem tem razão em meio ao fogo cruzado quando cientificamente é suficiente apresentar publicamente as provas do discurso ensaiado e repetido a exaustão. Para mim, o dito de que uma mentira repetida muitas vezes se torna verdade não funciona.
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Lopes, que bom que pude lhe explicar direitinho. No mais, foi por saber que voce manteria seu ponto de vista, e nem teria porque ser diferente, que eu informei que escreveria detalhadamente as bases de minha critica. Já quanto ao filme, eis que cuidarei de buscar assisti-lo e lhe dar notícias de minha impressao a respeito. Mas, desde logo, registro que pela resenha, minha expectativa é de que se trate de obra muito interessante.
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Muito bom filme Antônio. Não tenha dúvida disso. Enigma de Kaspar Hauser é um excelente cinema e um ótimo filme para promover discussões.
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O filme é interessante sim, retrata bem o sentido de realidade e de informação, bem como da pessoalidade frente à realidade/informação, e ainda, de como os valores sociais norteiam a percepção e a compreensão da realidade e da informação. Dessa ótica, há várias possibilidades de desfecho e compreensão do que seja uma verdade absoluta, deixando muito à imaginação do espectador.
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