A morte de um símbolo da luta na floresta

Por Karina Miotto, d’O Eco da Amazônia

Quando o conheci, no TEDxAmazônia, evento que aconteceu em novembro, em Manaus, Zé Claudio contou um pouco do seu dia a dia. Era um homem simples. Naquela tarde ele vestia calça jeans e uma camiseta, era tranquilo, de fala mansa. Extrativista, vivia em Nova Ipixuna, no sul do Pará e sua rotina era marcada por uma luta quase corporal pela castanheira, árvore da qual tirava seu sustento. Às dez horas da manhã de hoje (24), foi morto a tiros em uma emboscada, no ramal que levava à sua casa. Morreu também sua mulher, Maria do Espírito Santo da Silva.

Graças às denúncias de José Cláudio Ribeiro da Silva, pelo menos 10 serrarias de castanheiras foram fechadas no ano passado na região, cinco delas em Nova Ipixuna. As árvores, protegidas por lei, têm sido insistentemente derrubadas por madeireiros e carvoeiros para produção de madeira e carvão vegetal. Serrarias já foram autuadas pelo Ibama por beneficiar madeira retirada ilegalmente do assentamento Praia Alta da Piranheira, onde ele morava. Não fica difícil concluir o tipo de pessoas que há tempos o ameaçavam na tentativa de calar suas denúncias. Após os tiros, disparados desde uma moto, cortaram um pedaço de sua orelha, em uma demonstração além de crueldade, “prova” do pistoleiro ao mandante que o “serviço foi cumprido”, algo comum no violento Pará.

“Já chegaram a oferecer 200 reais pela árvore da área dele, mas ele disse que não, que preferia continuar sobrevivendo dela em pé”, conta Felipe Milanez, jornalista que viajou até Nova Ipixuna para falar com Zé Castanheira, como também era conhecido. “Sou ameaçado de morte. Hoje estou aqui falando com você, amanhã posso não estar”, me disse em Manaus. “E o senhor tem medo?”. “Às vezes eu tenho, mas fazer o quê. Não posso deixar derrubar castanheira, ela é a minha vida”. Meses atrás ele chegou a dizer que quando morresse, que seu corpo fosse cremado e enterrado aos pés de Majestade, maior castanheira de seu jardim, com 11 metros de diâmetros.

A pedido de Dilma Rousseff, o crime está sendo investigado pela Polícia Federal. Zé Castanha comparava sua luta a de Chico Mendes e, assim como ele, entrará para a história da Amazônia como um belo exemplo de coragem pela vida da floresta.

14 comentários em “A morte de um símbolo da luta na floresta

  1. Ato lamentavel e covarde e que talvez pela repercursão na imprensa nacional seja solucionado para dar uma resposta a sociedade e infelismente são noticias como esta de cidadãos ( se podemos chamar estas pessoas de cidadão) que no mundo capitalista atual só pensa na ganância de adquirir riquezas em prol de si próprio e se esquecendo do lado humanitário e denigrindo a imagem de um estado

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  2. Espero que também não entre no rol da impunidade, cuja a lista é tão grande quanto o número de vítimas daqueles que teimam em proteger a natureza e ir contra o poder econômico que impera em nossa sociedade.
    Esses memsmo que mataram essas pessoas, serão os mesmos que ganharão prêmios empresariais e serão bajulados por essa sociedade podre em que vivemos.

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  3. POBRE Pará!
    Não posso nem culpar governo Jatene nem governo Almir, embora saiba que se fosse Ana Júlia o mundo cairia em sua cabeça.
    Não, nenhum governante, por mais competente que seja, não tem como administrar um estado gigante como o Pará.
    O estado não tem como estar presente, ou pelo menos mais próximo do cidadão.
    Conclusão: manda quem tem o poder econômico nas mãos.
    E estes não foram os primeiros nem serão os últimos a morrerem por terem a coragem de não silenciarem diante da injustiça!

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  4. Aquela região Pará é mesmo um inferno. Esse aí só foi mais um laranja morto na disputa de braço para ver quem ganha a Amazônia: serralheiros, sojeiros, fazendeiros ou “ong’s ambientalistas”.
    Esse Zé Castanheira era pago por alguma dessas pseudo ong’s. Dorothy Stang era um desses pseudo ambientalistas sobre a capa de missionaria que eram pagos para furtar a Amazônia.
    Pobre Amazônia! Serralheiros, ong’s pagas com dinheiro internacional, sojeiros ou fazendeiros. Não importa quem ganhar. Nós perderemos a Amazônia!

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  5. Assisti a uma reportagem na TV Morena afiliada á Rede Globo.Foi de assustar ,aqui no MS e no MT,OS DESMATADORES DERRUBAM AS ARVORES COM UMA CORRENTE GIGANTE ,PUXADA POR TRATORES PODEROSOS.Aí no Pará ou aqui manda quem tem dinheiro.Vejam o caso do Pimeta Neves,vai cumprir dois anos fechado e depois será liberado.Podem anotar.Depois reclamamos de quem fala certas verdades.Quanto ao futebol ,fui ao Morenão,acabado,feio,empretecido.FIz fotos vou postar assim que eu puder.O Comercial ainda precisa empatar o proximo jogo para se classificar ,mas tem um time novo na Capital Morena que se Chama Cene.é time de empresários,a intenção é revelar e vender jogadores.É o primeiro da chave A.Abraços aos colegas paraenses .

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  6. Acho que as organizações e movimentos em prol da terra caminham em direção à resistência armada por essas bandas. A justiça, como sabemos, é cega mas pende para o lado mais forte, e mesmo assim, esses caras (mandantes) fazem acontecer e atuam à margem dela. A descrença é geral e mediante as contingências logo teremos pelos campos do Brasil o fogo respondendo ao fogo.

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  7. COM A JUSTIÇA E AS LEIS QUE TEMOS, OS ASSASSINOS SERÃO TRATADOS COMO OS NOSSOS CORRUPTOS DEPUTADOS, OU SEJA, COM UMA ENORME PIZZA. LAMENTO MUITO POR ESSES HEROIS QUE MORRERAM. LAMENTO MAIS AINDA POR SABER QUE NO NOSSO PAIS A JUSTIÇA É MUITAS VEZES MOTIVO DE PIADA DE MAL GOSTO.

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  8. EM TEMPO….SE O ASSASSINATO FOSSE PRATICADO PELAS VITIMAS PARA COM SEUS MATADORES, ELES JA ESTARIAM, NO MINIMO, PRESOS. ESTE É O PAÍS QUE VAI PRA FRENTE….

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  9. Enquanto isso Mônica Pinto tem segurança 24horas.
    Pimenta Neves quer ficar preso em casa.
    O Palloci continua prestigiádo.
    Aqui em Belém o meninozinho organizando marcha contra corrupção.

    Pra tudo isso muito óleo de Peroba e mais arvores derrubadas.

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  10. E por isso que os grileiros querem fazer a divisao do estado, pois assim eles acabam com tudo o que tem por la, matam e deixam enterrado na mata e ninguem sabe.

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