Coluna: Dois volantes em alta

Na coluna de ontem, sobre as frustrações do Re-Pa, acabei omitindo o registro das atuações corretíssimas de dois volantes, Vanderson e Moisés. É fato que pouco se ressalta o trabalho da marcação num time de futebol, embora sua importância seja fundamental. Ocorre que os olhos da torcida e dos analistas estão sempre voltados para quem cria grandes jogadas ou faz gols. Os operários da bola ficam em segundo plano, aparecendo muitas vezes por motivos pouco nobres – como Felipe Melo na recente Copa do Mundo da África do Sul.   
Na falta de armadores criativos e atacantes definidores, o clássico de domingo abriu espaço para a luta incansável de Vanderson na proteção à zaga do Paissandu, desarmando e vigiando de perto as tentativas de Jailton e Rodrigo Dantos. Quando havia chance, saía também para o jogo. Essa disposição acabou premiada com a bola que sobrou limpa, à entrada da área, para o tiro seco no canto direito do goleiro remista.
Foi a melhor apresentação de Vanderson no campeonato e apenas o quinto gol na carreira, marca modesta, mas que lhe dá vantagem sobre alguns outros volantes (como Charles Guerreiro na fase madura) pouco afeitos a tiros certeiros. Mais que isso: o chute foi perfeito, calibrado e certeiro. Prova de competência técnica de um jogador que chegou a ser questionado nesse retorno ao Paissandu.
Além do gol, a boa atuação defensiva da equipe – mesmo quando Sidny e Brayan saíram lesionados – deveu-se, em larga escala, a Vanderson. Como cão-de-guarda, foi preciso, teve fôlego e não precisou apelar.
Do outro lado, por apenas 45 minutos de atuação, outro volante também se sobressaiu. Moisés substituiu Tiaguinho no intervalo e deu ao meio-campo do Remo a consistência para reagir e buscar o empate, alcançado logo aos 12 minutos, através de Rodrigo Dantas.
É curioso como um jogador com os recursos técnicos de Moisés continua apenas como opção no banco de reservas. Verdade que o Remo tem dois volantes bem entrosados, Mael e San, mas é visível que a meia-cancha ganha em estabilidade quando Moisés está em campo. Tem sido assim em todas as partidas, inclusive nos poucos minutos da estréia diante do São Raimundo, em Santarém.
Paulo Comelli tem tentado dar agressividade ao Remo usando dois meias, geralmente Tiaguinho e Ratinho. A estratégia ainda não funcionou. Pelo futebol mostrado, Moisés já merecia atuar naquela faixa entre a proteção à zaga e a ligação. Sabe driblar, passar e chuta de média distância. No fundo, talvez seja um meia-armador disfarçado de volante.   
 
 
Saldo final da batalha da Ressacada: Avaí e Botafogo punidos pelo STJD com multa de R$ 10 mil pelo sururu. Até aí, tudo bem. Já o soprador de apito Ricardo Marques, responsável por 90% do clima bélico criado no jogo ao inventar um pênalti nos acréscimos, foi absolvido e por pouco não saiu do tribunal com medalha no peito. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 3) 

12 comentários em “Coluna: Dois volantes em alta

  1. Gerson e amigos, quanto a esses dois volantes, também gostei muito do Vanderson e do Moisés. Quanto ao Moisés, penso que contrataram um meia direita, pensando que era volante. Percebam que nos jogos que ele entra como volante, preso lá atrás, ele não rende tanto, mas na hora que vai de meia direita, aí ele mostra seu valor. Acredito que por essa mudança de esquema do Comeli, ele ou o Thiago Marabá, passam a ser muito mais interessantes ao lado do Ratinho, que o Thiaguinho. Penso que está faltando coragem para barrar esse jogador, mesmo sabendo que o grande culpado por sua queda de rendimento, seja o próprio treinador.
    – Quanto a não punição ao Árbitro do jogo Avaí x Botafogo, pensei que o amigo Gerson ía dizer que ele só faltou sair carregado do tribunal.rsrs. Te dizer… . É por isso que eles pintam e bordam dentro de campo.

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      1. Amigo Harold, quem acompanha os trabalhos realizados pelo Comeli nos clubes por onde passa, sabe que a especialidade dele é “enterrar” jogadores, por isso, por quase todos esses clubes, foi demitido por sua teimosia. Ele não consegue extrair o que o jogador tem de melhor, por querer fazer ele jogar do jeito que ele quer e não como o jogador gosta. Vc pode fazer um jogador marcar, sem que ele perca suas principais características. Jogadores como Fininho, Thiaguinho, Ratinho, Mael,…, são alguns exemplos disso, sendo que o Mael e o Ratinho, ainda conseguem aparecer, por serem mais versáteis, mas convenhamos que, mesmo assim, eles jogam muito mais do que vem jogando atualmente. É o preço que se paga, quando se tem um técnico de procedência duvidosa(local, então…). É a minha opinião.

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  2. Concordo literalmente com a análise, Gerson.
    Não há muito o que falar do Vânderson haja vista o sucesso conseguido lá fora tendo sido formado no futebol local. Sabemos que isto não é para qualquer um. Talvez o destaque fique para o preparo físico demonstrado, mesmo a despeito da idade já avançada.
    O Moisés me encheu os olhos desde o primeiro jogo. É o tipo do jogador que me agrada por jogar com elegância, de cabeça erguida, lembrando (por favor, não estou comparando) o estilo de atuar do Falcão, ou, sendo mais modesto, o estilo do Aderson.
    Mas eu creio que na análise faltou uma referência ao Mael. Na minha ótica ele tem sido o jogador mais regular do Leão.

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  3. A única diferença entre os dois é que um é Campeão dos Campeões, disputou libertadores, venceu o Boca Juniors na Bonbonera e tem vários titulos, o outro joga no remo.

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  4. Luxemburgo sentiu inveja quando levou o time do Flamengo para treinar num CT em Fortaleza, sabendo que o grande clube da grande cidade maravilhosa não possuia nada parecido. Coisas do dos clubes e do futebol, brasileiros.

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  5. Soeiro, eu fui mais modesto nas comparações do Moisés. Rs. Limitei-me ao Alencar e ao Giovanni. De fato, há muito que não tenho visto um jogador tão técnico jogando no Pará. O que eu acho é que ele está sem preparo físico para atuar dois tempos, a não ser que seja em outra posição. Como volante, não sei se aguenta. É técnico demais. Agora, meu amigo, o “mão de lajota” tá f… Nem vou mais chorar pelo Adriano. Te dizer, como sempre diz o “mestre de Baião”.

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    1. Tem razão, velho. Mas eu escolhi os dois craques pela posição… Em relação ao goleiro(??), não tenho adjetivos pejorativos para manifestar minha opinião.

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