Caótico, despretensioso e incrivelmente energético. Assim costumavam ser os shows do Libertines, ícone do rock alternativo britânico liderado pelo cantor e guitarrista Pete Doherty. A guitarra insistente, sinuosa e pontual, costurando as notas com apuro e competência, marca a performance da banda neste sensacional registro do hit “What Katie Did”, no afamado festival de Glastonbury no verão europeu de 2015. A canção é linda e melancólica, quase um lamento.
Apesar do ar relaxado no palco (e na vida), Doherty é um excepcional guitarrista – aqui ele usa uma Epiphone -, sem jamais pretender ser um semideus do instrumento. O principal patrimônio do Libertines em sua curta passagem pelo mundo do rock foi a conexão com o seu público, quase todo formado por adolescentes ávidos por pitadas do bom e velho rock’n’roll. Às vezes, ser jovem vale muito a pena.
Um capítulo à parte é a fina mescla dos talentos de Pete Doherty e Carl Barat dividindo vocais, guitarras e composições – Gary Powell na batera e Johnny Borrell no baixo completavam o grupo. Nesta apresentação, Barat domina o vocal, ajudando com a guitarra solo. A dupla segurou os perrengues da estrada por um certo tempo, mas a banda ruiu quando Doherty exagerou nas drogas e a amizade perdeu força. A dupla ainda trabalharia no projeto paralelo Babyshambles, mas aí já outra história.
Formado em Londres, em 1997, o Libertines foi subestimado e atacado pela mídia britânica, mas foi original e fez música honesta na maior parte do tempo, para gratidão eterna dos fãs.
A letra traduzida diz o seguinte:
Oh, o que você vai fazer, Katie? Você é uma garota tão doce / Mas este mundo é cruel, cruel / Um mundo cruel, cruel / Meus alfinetes não são muito fortes, Katie / apresse-se, sra. Brown, porque eu consigo sentir que vai cair / E não vai demorar muito.
Mas desde que você disse adeus / Bolinhas enchem meus olhos / E eu não sei por quê.