O PSC demitiu nesta segunda-feira (3) o técnico Márcio Fernandes, contratado para tentar salvar o time do rebaixamento na reta final da Série B. Como o objetivo não foi alcançado – não por culpa do treinador -, a diretoria dispensou Márcio, dois dias depois de confirmado o rebaixamento à Série C, com a derrota para o Atlético-GO, na sexta-feira (31). O clube ainda não fez o anúncio oficial da demissão, mas o treinador foi comunicado da decisão pelo executivo Carlos Frontini, por telefone.
Depois de ter sido demitido no Campeonato Paraense, no início do ano, Márcio Fernandes foi recontratado em setembro com a missão de evitar o rebaixamento para a Terceira Divisão. Com limitações de elenco e problemas extracampo, o time não conseguiu reagir.
Depois da derrota para o Avaí, na Curuzu, Márcio direcionou críticas aos problemas de gestão e reclamou do comportamento de alguns jogadores. Suas palavras não teriam sido bem digeridas pela diretoria alviceleste.
No ano passado, em situação parecida, ele foi contratado e garantiu a permanência do time na Série B. Márcio deve ser substituído por Ignácio Neto, que era o auxiliar técnico. Restam três jogos para o Papão na competição – Coritiba (domingo), Amazonas e Athletic.
O empate sofrido no minuto final da partida com a Chapecoense frustrou o torcedor azulino, que lotou no Baenão. Com 58 pontos, o Remo é o terceiro colocado, a três pontos do líder Coritiba. Após a partida, o técnico Guto Ferreira garantiu que o empate não abalou a equipe e que o Remo tem time e trabalho para chegar ao objetivo do acesso.
“Futebol é assim. No clássico [contra o Paysandu], a gente tomou o empate e foi buscar nos acréscimos, hoje aconteceu o contrário. O importante é ter a cabeça tranquila, saber o que foi feito de bom e de ruim, vamos até o fim”, disse Guto.
Ressaltou o equilíbrio que marca a Série B 2025, citando que a distância da vice-líder Chape (58 pontos, como o Remo) para o Novorizontino, 7º colocado, é de apenas três pontos.
“Tem coisas que não são para ser, mas servem para medir o quanto a gente acredita. Temos fé, competência e time para chegar. Ninguém vai abaixar a cabeça, vamos lutar cada palmo da tabela para chegar”, afirmou, reagindo a perguntas de tom mais pessimista durante a coletiva.
Guto observou que as próximas rodadas serão decisivas para o acesso: “Vão ser jogos dificílimos. Faltam seis pontos em três partidas para não depender de ninguém. Vamos para duas fora de casa, enquanto os outros times terão partidas em casa. Mas temos um bom retrospecto fora, e isso nos dá confiança”.
O programa, apresentado por Guilherme Guerreiro, foi ao ar na noite deste domingo (02). Destaques para os jogos de Paysandu e Remo na 35ª rodada da Série B.
O gol contra no final da partida, no Baenão, foi um duro golpe nos planos azulinos. A vitória sobre a Chapecoense, desenhada até os 46 minutos do 2º tempo, deixaria o time a apenas três pontos do acesso. Apesar da frustração, o Remo mantém excelentes chances de acesso, pois precisa de cinco pontos em três jogos.
A partida transcorreu em ritmo de decisão, alta intensidade e bola disputada palmo a palmo. Com o estádio superlotado, a torcida empurrava o Leão ao ataque, mas tomou um susto logo no começo, quando Everton cabeceou rente ao poste direito de Marcelo Rangel.
Aos 7 minutos, foi a vez do Remo quase chegar ao gol. Em bola cruzada por Diego Hernández dentro da pequena área, Nico Ferreira tocou na bola e o goleiro Rafael desviou com os pés, quase em cima da linha.
Depois disso, o domínio das ações ficou com os azulinos, com avanços pelos lados, principalmente pela direita, com Marcelinho e Diego Hernández, levando constante perigo ao setor defensivo da Chape.
O time catarinense só chegava à área azulina em lances de bola parada para tentativas de cabeceio de Neto Pessoa, Carvalheira e Everton. Quando o Remo conseguiu encaixar a troca de passes pelo meio, o gol saiu.
Aos 29 minutos, Nathan Pescador recebeu passe de Hernández na entrada da área e arriscou um chute que acabou virando passe. A bola foi nos pés de Caio Vinícius, que girou em cima da marcação e chutou na saída do goleiro. Remo 1 a 0, para delírio da massa azulina nas arquibancadas.
Depois do intervalo, o Remo baixou as linhas e passou a ser pressionado. Aos 14 minutos, a Chape quase conseguiu empatar. Neto Pessoa foi à linha de fundo, a bola veio em direção à pequena área e Jorge disputou a bola com Carvalheira. O árbitro foi chamado ao VAR para avaliar possível pênalti, mas o lance foi anulado por impedimento.
Marcelo Rangel, cuja escalação foi considerada um verdadeiro milagre, justificou o esforço para estar no jogo ao evitar dois gols em lances agudos da Chape, aproveitando furos na defensiva azulina.
Apesar das investidas da Chape, o Remo controlava a partida. Aos 32’, Pedro Rocha teve grande oportunidade. Bateu forte, o goleiro espalmou e Jaderson – que substituiu Nathan Pescador – finalizou à esquerda da trave.
Nos instantes finais, o Remo buscava administrar o jogo. Teve um escanteio em seu favor aos 50’, mas não soube reter a bola e a Chape foi ao ataque. Doma recebeu na intermediária e desferiu um chute forte, que desviou em Reynaldo e enganou o goleiro Marcelo Rangel, que ainda escorregou no lance. Final: 1 a 1.
Um placar que abateu a torcida, mas não tira o Remo do páreo em relação ao acesso. A caminhada ficou mais difícil, mas o time de Guto Ferreira tem crédito pela excelente campanha que faz. (Fotos: Samara Miranda/Ascom Remo)
Momentos de intranquilidade permitiram o gol
A expectativa era por uma vitória azulina diante do Fenômeno Azul, mas o futebol é capaz de aprontar falsetas. O Remo havia sido pressionado ao longo do 2º tempo, mas nos 10 minutos finais retomou as rédeas do jogo e passou a trocar passes, fazendo o tempo passar.
Poderia ter ampliado o placar, em chutes de Hernández e Pedro Rocha, mas se dedicou a valorizar a posse de bola e garantir a vitória. O escanteio conquistado aos 50 minutos podia ter decretado o triunfo, mas os jogadores se atrapalharam na cobrança e devolveram a bola à Chape.
No avanço desesperado ao ataque, o time catarinense permitiu por três vezes que o Remo recuperasse a bola, mas erros seguidos no combate acabaram permitindo que o zagueiro Doma tivesse a chance do último tiro, que se transformou em golpe fatal, com o desvio em direção ao gol.
É preciso, porém, compreender o grau de dificuldades do jogo, um verdadeiro clássico desta Série B. O Remo enfrentou o vice-líder, um time bem treinado, forte fisicamente e que tem excelente desempenho fora de casa. Não foi, portanto, um resultado desastroso. A frustração deve-se ao momento do gol, quando a vitória parecia sacramentada.
Marcelo Rangel, o grande vitorioso da noite
Com três arrojadas defesas, que evitaram gols da Chape, o goleiro Marcelo Rangel confirmou a condição de paredão azulino, como a torcida costuma se referir a ele. O mais impressionante é que o guardião se recuperou de uma lesão (seguida de cirurgia) em tempo surpreendente: a previsão inicial era de que só voltasse a jogar em 2026.
Para assombro de torcedores e dos próprios médicos do clube, Rangel teve uma recuperação espantosa. Voltou aos treinos na terça-feira e na sexta já se cogitava sua inclusão na lista de jogadores relacionados para a partida.
Ora, se o melhor goleiro da Série B mostrou-se apto a jogar, era natural que o técnico Guto Ferreira o escalasse. Foi o que aconteceu. Rangel foi muito aplaudido ao entrar em campo, ontem à noite, e ao longo dos dois tempos exibiu a segurança costumeira. Não há dúvida: está inteiramente curado.
Em entrevista, o médico Jean Klay observou que a lesão normalmente exige de quatro a seis semanas de recuperação. Atleta fora do comum, Marcelo Rangel conseguiu encurtar esse tempo com o suporte da equipe multidisciplinar do Nasp, que adotou um modelo especial e mais agressivo de tratamento, iniciado ainda no mesmo dia da cirurgia.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 3)
O Baenão viveu uma noite de festa que terminou em frustração. Mais de 14 mil torcedores presentes, empurrando o time azulino em busca de uma vitória fundamental nos planos de acesso à Série A. O Remo saiu na frente, com gol de Caio Vinícius no 1º tempo, mas cedeu o empate aos 51 minutos da etapa final, perdendo a chance de assumir a vice-liderança do campeonato.
O 1º tempo foi disputado em alta intensidade. A Chapecoense começou assustando: Vitor Caetano ajeitou e Everton mandou forte, mas Kayky Almeida salvou o Remo. Em seguida, Everton cabeceou junto ao poste direito. Aos 7′, foi a vez do Remo chegar: Hernández passou para Marcelinho, que chutou rasteiro para Nico desviar para o gol. O goleiro salvou em cima da linha.
Aos 30′, gol do Leão: Hernández avançou, lançou Nathan Pescador que ajeitou para a finalização de Caio Vinicius, sem chances para o goleiro. O 1º tempo terminou com o Remo superior em campo e controlando as ações.
A Chapecoense voltou para o 2º tempo disposta a empatar. Neto Pessoa chegou a mandar a bola para o fundo das redes, mas o lance foi anulado por impedimento. Em seguida, Diego Hernández quase marcou o segundo gol do Leão em chute cruzado, que passou perto da trave.
Aos 11′, Neto Pessoa driblou Marcelo Rangel e ficou com o gol aberto, mas Klaus afastou a bola junto à linha de gol. Aos 25′, Doma cabeceou com muito perigo, tirando tinta da trave direita. O jogo se encaminhava para o final, mas no último lance o zagueiro Doma recebeu livre e bateu forte de fora da área. A bola resvalou em Reynaldo e enganou o goleiro Marcelo Rangel. Final: 1 a 1.
No próximo sábado, às 16h, o Remo enfrenta o Novorizontino no interior paulista, outro adversário direto na briga pelo acesso.
A missão é ao mesmo tempo difícil e extremamente honrosa para o Remo, que luta pelo acesso à Primeira Divisão. Vencer a Chapecoense neste domingo (2), às 18h30, representa mais que uma obrigação: será um passo decisivo na caminhada para realizar o sonho acalentado pela torcida. Sem dúvida, é o jogo mais importante desta década.
Com 57 pontos, na 3ª colocação (quando a rodada começou), o Remo passou a semana em preparativos para fechar todos os espaços e aproveitar o fator campo/torcida para superar o vice-líder e adversário direto no G4, que tem time forte e que faz uma campanha de regularidade.
Diante de um Baenão lotado, o time de Guto Ferreira terá que ir além do modelo reativo que garantiu a vitória diante do Cuiabá fora de casa. Com a provável postura mais cautelosa dos visitantes, caberá ao Remo se organizar e buscar alternativas criativas para chegar ao gol.
Sempre que há uma partida de importância máxima no Baenão, um caldeirão nesses momentos, vem junto a preocupação com os efeitos colaterais provocados pela ansiedade da torcida pela vitória.
E a maneira mais apropriada de superar essas dificuldades é jogar com determinação em construir o placar desde o início e encaixar de um jogo intenso e competitivo para conquistar o resultado.
Os obstáculos são imensos, principalmente contra um adversário de bom nível técnico e com as mesmas ambições. Diante do Athlético-PR, o Remo enfrentou o mesmo desafio que terá contra a Chapecoense.
O que entusiasma e empolga o torcedor é a campanha desenvolvida desde a chegada de Guto Ferreira. Nos seis confrontos vitoriosos, que impulsionaram a arrancada azulina, o time sempre passou muita confiança e capacidade de obter os resultados buscados.
Em termos de performance, as melhores atuações foram contra o CRB, o Athletic e o Athlético-PR, que mostraram um Remo em evolução depois de um período de baixa na competição, exibindo maturidade técnica, força no meio-campo e agressividade pelos lados do campo.
Não por acaso, os pontas Diego Hernández e Nico Ferreira foram têm se destacado. Ao mesmo tempo, a consistência demonstrada pelo meio-campo funcionou como ponto de equilíbrio, com Caio Vinícius passando a desempenhar tarefas de finalização que surpreendem a marcação adversária e aumentam o arsenal ofensivo do time.
Para um time que chegou a visitar a segunda página da classificação, ocupando a 12ª colocação, o Remo é prova viva de resiliência e reação. A impressionante sequência de seis vitórias recolocou o time na briga pelo G4, com méritos indiscutíveis do comando técnico de Guto Ferreira. (Foto: Raul Martins/Ascom Remo)
Crônica de uma queda anunciada
Tudo o que precisava ser dito sobre a vergonhosa campanha está claramente exposto nos números do Paysandu nesta Série B. Em 35 rodadas, 27 pontos, cinco vitórias e 18 derrotas. A matemática é implacável e não há milagre possível diante de tanta incompetência.
Critica-se a diretoria do clube porque a responsabilidade maior pelo desastre cabe aos que detêm poder e autonomia. Antes de apontar os equívocos nas contratações e a falta de critérios na escolha dos técnicos,
São erros que costumam se repetir em campanhas de rebaixamento. Desta vez, porém, há o fato agravante de o PSC ter escapado de cair no ano passado, o que deveria ter servido de lição para esta temporada.
Não serviu. Todos os maus passos foram repetidos, com mais afinco, acabando por deixar o time fora da disputa já no começo do returno. O último suspiro foi o período de vitórias e empates sob o comando de Claudinei Oliveira, mas a fase positiva durou poucas rodadas.
A derrota diante do Atlético, em Goiânia, oficializou um rebaixamento que já era inevitável há pelo menos 10 rodadas. A partida que selou a queda trouxe o mesmo cardápio de sempre. Poucos recursos para reagir a situações adversas e falta de alternativas no banco de suplentes.
Maurício Garcez, único destaque do time no campeonato, fez seu sétimo gol e deu esperanças de uma vitória honrosa, embora inútil quanto à classificação. Apesar do esforço do time, a virada ocorreu no 2º tempo, repetindo várias situações vividas pela equipe na competição.
Em erros primários de marcação, a zaga permitiu que Lelê fizesse o gol de empate e Robert decretasse a vitória goiana minutos depois. Não foi um vexame, apenas uma derrota a mais, sem reação ou lamento. É como se o time estivesse anestesiado pela rotina de tropeços.
A única manifestação mais emocional ficou por conta do executivo Carlos Frontini, que chegou a lacrimejar quando se dirigia à torcida, lamentando pela decepcionante participação na Série B. Só resta agora recomeçar.
Bola na Torre
Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 22h, na RBATV, com a participação de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Em destaque, a participação paraense na 35ª rodada da Série B. A edição é de Lourdes Cezar e Lino Machado.
(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 01/02)