Nos braços do Fenômeno Azul

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo embarcou ontem à tarde para o giro de dois jogos decisivos na Série C, contra Novorizontino e Avaí, e a delegação sentiu de perto todo o calor da massa torcedora. Centenas de torcedores compareceram ao estádio Banpará Baenão para incentivar os jogadores na saída para o aeroporto. Foi uma pequena demonstração do entusiasmo da torcida com a excelente campanha da equipe no Brasileiro, cotada para conquistar o acesso.

A torcida merece um destaque especial na participação do Remo no campeonato, em total conexão com a trajetória do time. Levantamento divulgado ontem mostra que o Leão é o líder de arrecadação da Série B 2025, reflexo natural da forte presença da torcida nas arquibancadas.

Com renda bruta de R$ 12,6 milhões nas 18 partidas como mandante, o Remo ocupa com folga o topo do ranking financeiro da competição, impondo R$ 3 milhões de vantagem sobre o segundo colocado, Coritiba, que arrecadou R$ 9,7 milhões.  

Em renda líquida, a liderança também é remista, com R$ 7,01 milhões. O Athletico-PR, 2º colocado, faturou R$ 5,35 milhões. Como o Leão terá ainda mais um jogo em Belém, contra o Goiás, fechando participação na Série B, é provável que os números atuais sejam amplamente superados com novo recorde de público e renda.

A média de faturamento por partida é de R$ 704 mil, a mais alta entre todos os 20 clubes da Segunda Divisão. Tanto no estádio Jornalista Edgar Proença (Mangueirão) quanto no Banpará Baenão, a torcida foi presença constante e festiva. É um processo de mão dupla: a boa fase do time em campo entusiasma e estimula a torcida a comparecer aos jogos.  

Nenhuma surpresa para quem acompanha o comportamento da torcida azulina ao longo dos anos. Mesmo nos momentos mais dramáticos da história do clube, a torcida nunca negou apoio e presença vibrante nos estádios.  

O ranking dos 10 jogos de maior presença de público tem nada menos que seis participações do Remo: duas no clássico Re-Pa e outras quatro em jogos como mandante no Mangueirão. O Leão é também o 2º colocado em média de público, 19,8 mil, logo abaixo do Coritiba, que tem 21,1 mil.

Nas redes sociais, esse domínio da torcida também se manifesta. O Remo registrou o segundo maior saldo do mês, segundo o Ibope Repucom, com 80 mil novas inscrições nos perfis do clube na internet. No ranking geral de clubes, o Remo é o 24º colocado, com 1,9 milhão de inscritos. (Fotos: Raul Martins/Ascom CR e Claudia Santos)

Garotada da base ganha chances na reta final

Os clubes paraenses só costumam aproveitar jogadores da base quando não têm mais qualquer ambição dentro de um campeonato. Sempre foi desse jeito e o que ocorre atualmente no PSC confirma a prática. Sem nenhuma aspiração dentro da Série B, surge a possibilidade de ser lançado um time repleto de garotos da base nos três últimos jogos da competição.

Para o primeiro compromisso, contra o Coritiba, domingo (10), o técnico interino Ignácio Neto deve aproveitar vários jogadores formados no clube, principalmente da equipe que faz excelente campanha na Copa do Brasil Sub-20 – está nas quartas de final do torneio.

Um jogador oriundo da base já é titular absoluto desde o jogo contra o Atlético-GO: o volante Pedro Henrique, que mostrou desempenho superior aos demais meio-campistas do time. Aliás, custou a ser notado, levando em conta o nível técnico dos titulares ao longo do campeonato.

Em função da dispensa de 11 atletas, o técnico Ignácio Neto tem dificuldades para montar o time para enfrentar o líder da Série B. Surge então a chance concreta de aproveitamento da garotada.  

Pará leva ouro no ADCC Brazilian Nationals

Com apoio do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel), o atleta paraense Eike Fernandez, 14 anos, brilhou no ADCC Brazilian Nationals 2025, uma das competições mais prestigiadas do grappling mundial. Ele conquistou a medalha de ouro na categoria Pesadíssimo, colocando o Pará no topo do pódio.

O torneio, realizado nos dias 1º e 2 de novembro, no Centro Esportivo JD Morada do Sol Rei Pelé, em Indaiatuba (SP), reuniu centenas de atletas de várias idades e regiões do Brasil.

Considerado um dos eventos mais importantes do calendário do grappling, o ADCC (Abu Dhabi Combat Club) é reconhecido internacionalmente por revelar grandes talentos da luta agarrada, modalidade que combina técnicas de jiu-jitsu, wrestling e submission.

O Governo do Pará continua fortalecendo o esporte em todo o Estado com programas de incentivo e apoio direto a mais de 1.500 atletas, em diversas modalidades, do esporte de base ao alto rendimento, garantindo condições para que os talentos paraenses tenham destaque nacional e internacional.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 07)

Qualidade no meio é fundamental

POR GERSON NOGUEIRA

O meio-de-campo é a alma de todo time de futebol. Quando as coisas estão desarrumadas por ali quase nada dá certo em campo. O Remo se reabilitou dentro da Série B desde que a meia-cancha voltou a funcionar satisfatoriamente. Nesse sentido, o meia Panagiotis foi peça decisiva para dar organização e qualidade ao setor.

Ao lado de Caio Vinícius, outro jogador fundamental no Remo das últimas sete rodadas, Panagiotis deu ao time cadência e direção, dinâmica e ritmo. De início, mostrava-se lento, por força das dificuldades naturais do processo de adaptação ao clima e ao clube.   

À medida que o condicionamento físico melhorou e foi possível jogar plenamente, Panagiotis tornou-se figura imprescindível no esquema implantado pelo técnico Guto Ferreira. Combativo e rápido na formulação de jogadas, principalmente nos lançamentos direcionados aos atacantes, ele ganhou confiança e cresceu de rendimento.

Em pouco tempo, tornou-se titular absoluto de um time que passou boa parte do campeonato carente de um jogador para fazer a articulação no meio-campo e cuidasse para que a bola chegasse com mais precisão ao ataque. Funções aparentemente simples, mas de difícil execução.

Passaram por ali vários jogadores, mas nenhum deles à altura do rendimento que Panagiotis mostrou contra Operário, Athlético-PR e Athletic e Cuiabá. Sua ausência contra a Chapecoense afetou a produção coletiva do time, apesar da boa atuação de Caio Vinícius.

O passe é o fundamento básico do jogo. Times que rifam a bola com chutões e ligações diretas têm mais dificuldade para vencer. O Remo tem se mantido invicto em momento estratégico da disputa por ter conseguido ajustar o setor de onde partem as jogadas.

Por tudo isso, a possível volta de Panagiotis contra o Novorizontino, no sábado (8), é a melhor notícia possível para os planos de Guto Ferreira. (Foto: Samara Miranda/Ascom CR)

Constrangimento, grosseria e desrespeito  

Dois técnicos mergulhados no ostracismo, que não despertam o interesse dos clubes há três anos, aproveitaram uma cerimônia pública para pagar mico e constranger o técnico Carlo Ancelotti, da Seleção Brasileira. A presepada ocorreu no 2º Fórum Brasileiro de Treinadores de Futebol (FBTF), realizado na sede da CBF, no Rio de Janeiro.

Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira ficaram ao lado de Ancelotti e se manifestaram contra a presença de técnicos estrangeiros no futebol brasileiro. Leão disse que não “suportava” a ideia de gringos trabalhando no Brasil. Oswaldo pediu que, “quando o Ancelotti for embora”, a Seleção volte “a ter um treinador brasileiro”.

Ora, opinião todo mundo pode ter. A questão é a hora e o local de expor posicionamentos, principalmente quando grosseiros e claramente xenófobos. Leão e Oswaldo não esconderam o ressentimento em relação à escolha de Ancelotti para comandar a Seleção.

Patéticos, os dois treinadores são representativos da média dos técnicos nacionais. Desatualizados e pouco interessados em receber formação adequada, sonham com a volta de uma reserva de mercado que deixou de existir há pelo menos uma década. A forte presença de técnicos portugueses e argentinos nos clubes confirma que os tempos mudaram.

A direção do Fórum Brasileiro de Treinadores rechaçou a atitude de Leão e Oswaldo, considerada “desrespeitosa e desnecessária”. Ancelotti, por seu turno, mostrou-se tranquilo, embora tenha ficado visivelmente constrangido. Nas redes sociais e na mídia, os coices verbais da dupla foram duramente repudiados. Ainda bem.

Manifestações de intolerância a estrangeiros alimentam a xenofobia e o preconceito. Os dois patéticos treinadores esqueceram que os técnicos brasileiros também trabalham em outros países. A perda de espaço nos clubes e na Seleção não é culpa dos estrangeiros, mas da própria acomodação dos profissionais nativos.

Para o Papão, a temporada 2026 já começou

As mudanças implementadas no PSC desde a semana passada, com o afastamento de quase um time inteiro e a demissão do técnico Márcio Fernandes, representam apenas a primeira parte do processo de reformulação do futebol bicolor para 2026.

Com ações práticas, o panorama interno mudou por completo desde que Roger Aguilera anunciou a comissão de planejamento, formada por alguns “notáveis”: os vice-presidentes Márcio Tuma e Diego Moura; dois ex-presidentes, Vandick Lima e Alberto Maia, e o ex-diretor Ícaro Sereni.

As decisões adotadas tiraram o clube do imobilismo e brecaram a crise instalada na reta final da Série B. Com o rebaixamento já confirmado e em meio às cobranças da torcida, o presidente resolveu dividir o poder e convidou nomes de confiança para a missão de repensar a gestão.

Ontem, ficou praticamente definida a saída do executivo Carlos Frontini. Como ocorreu em relação ao técnico Márcio Fernandes, as demissões têm o objetivo de abrir caminho para a reconstrução.

Por conta disso, os três jogos que encerram a participação do PSC na Série B – contra Coritiba, Amazonas e Athletic – são vistos de forma pragmática: uma boa oportunidade para dar minutagem aos garotos revelados na base, sob o comando do interino Ignácio Neto.    

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 06)

COP30: tudo o que será negociado e o que pode ser decidido na Conferência da ONU em Belém

Nos próximos dias, a capital do Pará, Belém, sedia a 30º edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – a chamada Conferência das Partes, ou COP30. O evento acontecerá, oficialmente, entre os dias 10 e 21 de novembro. 

A cada ano, um país recebe o encontro, que tem como principal missão buscar formas de implementar a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Esse documento foi adotado por diversos países em 1992, com a meta de estabilizar a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.

As COPs começaram em 1995, na Alemanha. Agora, 30 anos depois, vai ser a vez de o Brasil reunir líderes de todo o mundo, em meio à floresta amazônica, em Belém.

O principal objetivo da COP é definir medidas necessárias para limitar o aumento da temperatura do planeta a 1,5ºC até o final deste século, acelerando a implementação do que foi negociado nas COPs anteriores, principalmente a de 2015, em Paris.

O presidente da COP30 é o embaixador André Lago, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores. Ele explica por que as mudanças climáticas estão na pauta mundial há três décadas.

“É um processo que vai exigindo constantes aperfeiçoamentos. Além do mais, no caso da mudança do clima, houve uma grande evolução da ciência, do pensamento econômico sobre o impacto da mudança do clima. Então, as COPs anualmente aperfeiçoam esse processo e criam uma legislação e orientam os países numa direção que, antes de mais nada, é baseada na ciência”. Desde o Rio em 92, a ideia seria de que cada vez mais nós deveríamos acentuar essa responsabilidade histórica dos países envolvidos e as necessidades cidades dos países em desenvolvimento”.

Vista aérea do Parque da Cidade, que será uma das principais sedes da COP30, em Belém
28/06/2025 REUTERS/Marx Vasconcelos

Vista aérea do Parque da Cidade, que será uma das principais sedes da COP30, em Belém 28/06/2025 REUTERS/Marx Vasconcelos

São esperadas cerca de 50 mil pessoas, entre delegados dos países, negociadores, jornalistas e 15 mil representantes de movimentos sociais, que participam de debates paralelos na Cúpula dos Povos.

Os líderes dos países participantes também se encontram em Belém na cúpula de chefes de Estado da COP30, que ocorre antes da programação oficial, entre 6 e 7 de novembro. Juntos vão sinalizar compromisso político e definir o tom das negociações. Está confirmada a participação de 143 delegações dos 198 países signatários dos tratados internacionais que tratam do tema.

A programação da COP30 será dividida em dois espaços diferentes: a zona verde e a zona azul.  A chamada zona verde vai reunir sociedade civil, instituições públicas e privadas, além de líderes globais, em debates sobre o clima.

Já a zona azul vai ser o palco oficial das negociações da Cúpula de Líderes e dos pavilhões nacionais. Para a zona azul é autorizada a entrada de delegações oficiais, chefes de Estado, observadores e imprensa credenciada. É nesse ambiente que devem ser definidos os rumos das políticas climáticas internacionais. O presidente da COP30, André Lago conta que, desde 2021 as COPs têm a chamada “Agenda de Ação”, com ampla participação.

“Na agenda de ação, quem vem para a COP são os governos subnacionais, é o setor privado, é a sociedade civil, são os líderes na tecnologia, a academia e, com base nessas discussões, nós vamos mostrar que existem já imensas respostas e soluções para vários dos desafios que nós temos que enfrentar. E portanto, a agenda de ação deve dar um dinamismo extraordinário à COP e vai permitir que o setor privado, os governos subnacionais e os demais membros da sociedade civil possam contribuir de maneira incrível, porque já poderão usar de maneira muito clara o que já foi aprovado”.

Propostas da sociedade

Para os dias de debates contra a emergência climática, diversos movimentos sociais e organizações não governamentais se preparam para levar propostas, cobrar medidas e exigir o cumprimento delas. Entre as entidades, está o Observatório do Clima. A especialista em política climática da organização, Stela Herschmann, avalia que as COPs vêm avançando nas medidas para conter o avanço das mudanças climáticas, mas acredita que isso ocorre de forma lenta.  

“As COPs, que são as conferências das partes, ou seja, aqueles países que assinaram a Convenção de clima, o Protocolo de Kyoto e o Acordo de Paris, elas acontecem anualmente. Elas têm um processo de tomada de decisão que é muito lento e que a gente não tá correspondendo à velocidade da mudança que a gente tá vendo, ele tem condições de dar resposta para o problema. A ciência já mostrou o caminho, a gente tem diversos avanços que a gente pode citar como importantes para enfrentamento da crise climática, mas ainda não foram respostas de novo na velocidade que precisa com a rapidez e com o corte que a ciência indica que tem que ser feito”.

A frase do dia

“Lula chamou genocídio de genocídio e agora está chamando matança de matança. Por que às vezes é preciso dizer o óbvio”.

Ricardo Pereira, jornalista e professor

Leão e Oswaldo pagam mico e geram constrangimento em evento com Ancelotti

O 2º Fórum Brasileiro de Treinadores de Futebol (FBTF), realizado nesta terça-feira (4) na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no Rio de Janeiro, foi marcado por falas desrespeitosas de Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira na presença do comandante da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti. Os ex-treinadores se pronunciaram contra a atuação de técnicos estrangeiros no futebol brasileiro, gerando constrangimento no evento.

Primeiro foi a vez de Leão, que afirmou que “não suportava” a ideia de técnicos estrangeiros treinarem no Brasil. Depois foi de Oswaldo de Oliveira, que pediu que “quando o Ancelotti for embora, depois de ser campeão, ano que vem, que (a Seleção) volte a ter um treinador brasileiro”.

Leão foi um dos homenageados do 2º Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol (FBTF), que acontece na sede da CBF. O evento não é promovido pela confederação, que apenas cedeu o espaço. Na sequência, Ancelotti ficou no palco a pedido da organização para entregar uma placa a Emerson Leão. O brasileiro brincou com o italiano (“já levei um gol dele”), e depois pegou o microfone para discursar.

Apesar do italiano ter contrato com a CBF até o final da Copa do Mundo de 2026, o comandante já sinalizou que pode continuar à frente da Seleção por mais um ciclo. E a entidade está muito satisfeita com o trabalho do técnico até aqui, o que indica que uma renovação de contrato tem boas chances de acontecer antes mesmo do Mundial.

Depois das afirmações que geraram polêmica, Oswaldo de Oliveira tentou se desculpar e afirmou que as falas que viralizaram na internet teria editadas, ficando fora de contexto. “O grande problema são as edições mal-intencionadas. Eu fiz um discurso de 12 minutos. A pergunta que me foi feita foi sobre a situação atual do treinador brasileiro, e eu sou defensor que os clubes e a Seleção tenham técnicos brasileiros”, disse Oswaldo, que assim como Emerson Leão está sem clube há quase três anos.

A CBF não recebeu bem as declarações dos ex-treinadores Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira sobre a presença de técnicos estrangeiros no futebol brasileiro e, em especial, no comando da Seleção Brasileira. De acordo com informações apuradas, a cúpula da entidade classificou as posturas de Leão e Oswaldo como “deselegantes e desnecessárias”, especialmente pelo fato de o fórum ter sido sediado na própria sede da CBF e ter recebido total apoio logístico e estrutural da confederação. Entenda a situação.

A FBTF divulgou nota de repúdio contra o ex-treinador Oswaldo de Oliveira, em razão de declarações feitas durante o 2º Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol do Brasil, realizado na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no Rio de Janeiro.

Segundo o comunicado, Oswaldo teria se manifestado de forma “desrespeitosa e desnecessária”, atingindo o técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, e contrariando o espírito de união e diálogo proposto pelo evento. A Federação lamentou a postura do ex-treinador e reafirmou seu respeito ao técnico italiano e à CBF.

O técnico Carlo Ancelotti marcou presença no 2º Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol (FBTF), evento que discute os desafios e os rumos da profissão, nesta terça-feira (4). Durante o debate entre os profissionais, Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira declararam que não são a favor de técnicos estrangeiros no Brasil. Nas redes sociais, os jornalistas detonaram as falas dos ex-treinadores.

Ao lado de Carlo Ancelotti, os profissionais debateram sobre maneiras de melhorar as condições de trabalho no cenário nacional. Além do treinador italiano, o coordenador executivo de Seleções Masculinas, Rodrigo Caetano, o técnico da Seleção Feminina, Arthur Elias, e a coordenadora executiva da Seleção Feminina, Cris Gambaré, também participaram da abertura do evento como convidados e fizeram breves discursos.

IMPRENSA DETONA: “CONSTRANGEDOR”

Vitor Sérgio Rodrigues, da TNT Sports, questionou quem achou legal expor o técnico da Seleção Brasileira a xenofobia em um evento recheado de ex-treinadores. Na visão do jornalista, colocaram Carlo Ancelotti em uma verdadeira furada.

Para Marcelo Courrege, a atitude de Emerson Leão foi completamente deselegante. Segundo ele, a declaração do ex-treinador realimenta um ciclo de intolerância com estrangeiros no Brasil, portanto é considerada xenofóbica.

Sérgio Xavier Filho observou: “Grande goleiro e treinador mediano. Já o ser humano… Deselegante, ultrapassado, patético. O tempo só piora a imagem de Emerson Leão. Que vergonha alheia, que vergonha…”.

Felipe Diniz completou dizendo que faltou autocrítica aos participantes, que devem ter se esquecido que, por muito tempo, os brasileiros foram treinar em outros países. De acordo com o jornalista, se os convites para assumirem novos clubes diminuíram, a culpa é exclusivamente deles. (Com informações de Lance! e Folha de S. Paulo)

Lula sobre o Fundo Florestas Tropicais para Sempre: “Estamos querendo sair da era da doação”

Em conversa com jornalistas estrangeiros em Belém, presidente defende o novo modelo de financiamento para incentivar a preservação florestal com retorno para investidores, que será lançado oficialmente pelo Brasil na COP30

Ao receber jornalistas estrangeiros em Belém nesta terça-feira, 4 de novembro, em mais um compromisso que antecede a Cúpula dos Líderes da COP30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) será um novo paradigma no financiamento climático. O TFFF será apresentado oficialmente pelo Brasil durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima na capital paraense. “Estamos querendo sair da era da doação. A doação é muito importante, mas é sempre muito aquém daquilo que as pessoas precisam”, afirmou Lula. 

“Eu participei da COP15, em 2009, em Copenhague. Naquela COP, o mundo rico prometeu 100 bilhões por ano para ajudar os países que têm floresta em pé. Até hoje não saiu esse dinheiro. Agora, a dívida já é de 1 trilhão e 300 bilhões de dólares. Ora, se eles não deram 100 bilhões, vão dar 1 trilhão? Qual é a grande novidade desta COP? É que criamos o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, o TFFF. Não será doação, será investimento. Um fundo de pensão pode investir, um empresário pode investir, um governo pode investir”, explicou o presidente brasileiro.

“É um fundo que vai trazer rentabilidade ao investidor e uma parte dessa rentabilidade vai financiar os países que mantêm sua floresta em pé. É um fundo de ganha-ganha. E nós esperamos que, quando a gente terminar a apresentação do TFFF, a gente tenha muitos países participando”

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República

O QUE É – Pelo conceito do TFFF, países que preservam suas florestas tropicais serão recompensados financeiramente por meio de um fundo de investimento global. Com isso, a conservação se torna economicamente vantajosa. Diferentemente de fundos tradicionais, o TFFF captará recursos no mercado a juros reduzidos como um ativo de baixo risco. Esses recursos serão reinvestidos em projetos com maior taxa de retorno. A diferença será repassada aos países com florestas tropicais, proporcionalmente à área preservada, enquanto o dinheiro emprestado será devolvido aos investidores com lucro. 

“Esse fundo será administrado, possivelmente, pelo Banco Mundial e por outros bancos. É um fundo que vai trazer rentabilidade ao investidor e uma parte dessa rentabilidade vai financiar os países que mantêm sua floresta em pé. É um fundo de ganha-ganha. E nós esperamos que, quando a gente terminar a apresentação do TFFF, a gente tenha muitos países participando”, afirmou o presidente Lula.

QUEM SE ENQUADRA – No total, mais de 70 países em desenvolvimento com florestas tropicais podem receber os recursos. Monitoramentos por satélites vão identificar se os países estão respeitando as metas acordadas. A intenção inicial é que cada país possa receber até 4 dólares por hectare conservado. “Parece modesto, mas estamos falando de um bilhão e cem milhões de hectares de florestas tropicais distribuídos em 73 países em desenvolvimento”, afirmou Lula durante evento em Nova York, em setembro, quando o Brasil anunciou um aporte de um bilhão de dólares ao fundo. 

BIOECONOMIA – Para o presidente, mais do que permitir a manutenção das florestas em pé, esse tipo de fundo tem a potencialidade de ajudar a remunerar as pessoas que atuam ativamente cuidando dos biomas e fazendo o manejo sustentável da natureza. “É um fundo para você pagar para as pessoas que estão lá cuidando. Você tem que levar energia para esse povo, levar escola, posto de saúde, transporte. A bioeconomia pode ser uma nova indústria mundial que surge a partir da COP30”, ponderou. 

ORIGEM – O Brasil lidera os esforços pela criação do TFFF desde a COP28, realizada em Dubai, em 2023, quando o tema foi abordado publicamente pela primeira vez pelo presidente Lula. Até o momento, outros cinco países que têm florestas tropicais integram a iniciativa: Colômbia, Gana, República Democrática do Congo, Indonésia e Malásia. Além disso, cinco países potencialmente investidores participam do processo de fundação do mecanismo: Alemanha, Emirados Árabes Unidos, França, Noruega e Reino Unido. 

COP DA VERDADE – Para Lula, a COP30 em Belém representa, além da oportunidade de implementar o TFFF, um marco na história da conferência. Segundo o presidente, a Cúpula dos Líderes deve resultar em uma postura clara da comunidade internacional em torno da confiança na ciência e de que haverá compromisso em reverter os efeitos da mudança do clima. “Essa COP precisa ser a COP da verdade. Tudo começou com a Rio 92. De lá para cá, já tivemos várias COPs, muitas decisões tomadas e muitas decisões não executadas”. 

A FORÇA DA CIÊNCIA – Lula ressaltou que a COP30 deve marcar um apoio contundente dos líderes aos caminhos que a ciência aponta. “Nós vamos começar essa COP com a apresentação de alguns cientistas. Uma das coisas que está colocada para nós, chefes de Estado, é a gente dizer para as pessoas que a gente representa se a gente acredita ou não na ciência, se a gente confia ou não naquilo que a ciência está prevendo para os acontecimentos climáticos do mundo. Eu sou daqueles que acredita. Nós não queremos que a COP continue sendo uma feira de produtos ideológicos. Nós queremos que as coisas que nós decidimos possam ser implementadas”, afirmou Lula. 

CÚPULA DO CLIMA – A COP30, a ser realizada entre 10 e 21 de novembro, será precedida pela Cúpula do Clima (também chamada de Cúpula dos Líderes), nos dias 6 e 7 de novembro. Trata-se de um encontro internacional que reúne chefes de Estado de dezenas de países, além de ministros, autoridades e dirigentes de organizações internacionais para discutir os principais desafios e compromissos no enfrentamento da mudança do clima. 

ENTENDA A COP – A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CQNUMC ou UNFCCC, na sigla em inglês) criou a Conferência das Partes (COP) como órgão responsável por tomar as decisões necessárias para implementar os compromissos assumidos pelos países no combate à mudança do clima. A COP é composta por todos os países que assinaram e ratificaram a Convenção. Atualmente, 198 países participam da UNFCCC, o que faz dela um dos maiores órgãos multilaterais do sistema das Nações Unidas (ONU).

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Operação no Rio expõe contradições na atuação do Ministério Público estadual, diz defensor

Por Rafael Custódio | Colaboração: Laura Scofield

Para defensor público, MPRJ violou protocolo internacional e ainda falta apuração independente sobre mortes na operação

Em decorrência das 121 mortes na Operação Contenção, a mais letal da história do Rio de Janeiro, o defensor público Thales Arcoverde Treiger, da Defensoria Pública da União (DPU) no Rio de Janeiro, disse que chamar a ação de “chacina” ainda é pouco, pois o que ocorreu nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte da capital fluminense, “foi um massacre”.

Para a Agência Pública, Treiger afirmou que a atuação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), junto às polícias civil e militar na Operação Contenção, infringe acordos internacionais de direitos humanos, como o Protocolo de Minnesota, que é um conjunto de diretrizes que inclui fiscalizações independentes de crimes cometidos por agentes do Estado.

POR QUE ISSO IMPORTA?

  • A Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) se pronunciou sobre a Operação Contenção exigindo das autoridades brasileiras, em especial do governo federal, uma investigação aprofundada sobre os fatos;
  • A manifestação foi assinada pelas organizações brasileiras que compõem a coalizão: o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), a Justiça Global e a Justiça nos Trilhos. As organizações exigem uma investigação justa e independente.

“O MP deveria funcionar como agente externo de controle da atividade policial. A partir do momento em que o MP atua junto às polícias, você perde essa qualidade [de agente fiscalizador do estado]”, afirmou. “O perfil constitucional na formatação do Ministério Público não o indicava fazendo ações junto com a Polícia”, acrescentou.

Questionado pela reportagem, o MPRJ disse que “não participou do planejamento e nem da execução da Operação Contenção” e que sua atuação se deu “na fase judicial, ao oferecer denúncia contra 67 integrantes de facção criminosa e obter 51 mandados de prisão e busca e apreensão, cumpridos pelas polícias”.

Ao todo, as Polícias deveriam cumprir 180 mandados de busca e apreensão e 100 mandados de prisão. Deste total, apenas 20 foram cumpridos e outros 15 alvos estão entre os mortos, segundo apuração da Agência Brasil.

Em abril deste ano, a Pública revelou que apenas 4,8% dos procuradores e promotores de justiça consideram que o controle externo de polícias seja uma prioridade dos ministérios públicos, embora a atribuição esteja prevista na Constituição. 

Na tarde desta segunda-feira, 3 de novembro, o procurador-geral de Justiça do Rio teve um encontro com o ministro do STF Alexandre de Moraes. Segundo a nota enviada pelo Ministério Público estadual, neste encontro, Antonio José Campos Moreira, “em cumprimento à decisão da ADPF 635, apresentou relatório detalhado com todas as medidas adotadas, ao ministro do Supremo”. Leia a nota na íntegra.

DPU PEDE PARA ACOMPANHAR PERÍCIAS

A Defensoria Pública da União (DPU) protocolou, na quinta-feira, 30 de outubro, um dia depois da chacina, um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que acompanhasse a perícia nos corpos das pessoas mortas e fizesse laudos paralelos.

A nota diz, ainda, que caso não seja possível acompanhamento da perícia, que haja a “determinação de preservação integral de todos os elementos periciais e da respectiva cadeia de custódia, assegurando-se à Defensoria Pública da União a possibilidade de realizar contraprova pericial”.

O pedido de acesso às perícias, feito pela DPU, foi realizado no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) número 635, conhecida como “ADPF das favelas” e aguarda apreciação do Supremo.

Treiger diz que além do MPRJ ter atuado e acompanhado a operação, não havia outro órgão independente que avaliasse aquela ação. Além disso, a perícia tem sido feita pelo Instituto Médico Legal (IML) que “é subordinado à Polícia Civil”, o que fez a DPU exigir o acompanhamento das análises com base na ADPF.

Por meio de uma nota publicada no site oficial da instituição, o MPRJ afirma ter designado peritos legistas e um promotor de justiça para acompanharem as perícias nos corpos das vítimas.

Ainda segundo o defensor, o princípio da imparcialidade no controle das instituições foi comprometido neste caso. “Ele (MP) faz o controle externo, como vai exercer o controle sobre algo que participou?”, apontou.

AÇÕES APÓS OPERAÇÃO TAMBÉM SÃO CONTRADITÓRIAS

Após a divulgação do elevado número de mortes na operação, o próprio Ministério Público tomou a iniciativa de divulgar canais de apoio aos familiares e vítimas das incursões na Penha e no Alemão.

O órgão montou, no dia seguinte à operação, uma equipe de perícia independente para acompanhar a chegada dos corpos ao Instituto Médico Legal (IML) e fazer o acolhimento às famílias de pessoas que foram vítimas da operação.

“O MP, na sua estrutura, tem sim algo contraditório, porque o mesmo [órgão] que faz a investigação, [apoia] a ação policial e faz a denúncia em si, ele [também] faz o acolhimento de vítimas”, apontou.“Mas quando o MP participa diretamente da ação policial, a gente tem um problema ainda mais grave”, concluiu Treiger.

Na última quinta-feira, 30 de outubro, Macaé Evaristo, ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, e Anielle Franco, do Ministério da Igualdade Racial se encontraram com Antonio José Campos Moreira, o procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Rio, para juntos discutirem as apurações das mortes ocorridas na Operação Contenção.

No encontro, a ministra Macaé Evaristo afirmou que “é fundamental que tudo seja devidamente esclarecido e que haja acompanhamento, porque a sociedade quer respostas.”

RELEMBRE O CASO

Ainda na manhã de 28 de outubro, o MPRJ confirmou a sua participação direta na megaoperação que mobilizou 2.500 agentes de segurança. O texto informava que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), atuava ao lado da Polícia Civil e do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da Polícia Militar, o que despertou um alerta em defensores dos direitos humanos.

Após o confronto sangrento nas comunidades, o governador Cláudio Castro (PL), veio a público destacar o “sucesso” da operação, que foi fruto de uma investigação de mais de um ano do Ministério Público do Rio, como uma forma de legitimar o argumento dito por ele que, entre “todos os mortos, os quatro policiais eram as únicas vítimas”.

A operação tinha como alvos de mandados de prisão, suspeitos de integrarem o Comando Vermelho (CV), a maior facção criminosa do Rio e uma das maiores do Brasil. No entanto, o saldo foi de apenas 21 pessoas presas e centenas de mortos.

Crédito da foto: Bruno Itan/Agência Pública

Razões para manter a confiança

POR GERSON NOGUEIRA

Minutos depois do empate entre Remo e Chapecoense, domingo à noite, no estádio Baenão, o técnico Guto Ferreira deu a letra: o foco continua na conquista do acesso e a frustração pelo gol no minuto final não anula o trabalho feito até agora. Falou pouco, de forma macia, mas o recado foi certeiro: o resultado realinha as perspectivas, mas o Remo continua com excelentes chances de subir à Primeira Divisão.

Os números respaldam a posição de Guto Ferreira. Invicto há sete partidas (6 vitórias e um empate), o Remo se mantém como um dos destaques do campeonato. O desempenho diante da Chape foi satisfatório, com o controle das ações no 1º tempo e um gol típico da fase atual do time. Movimentação rápida pelos lados e infiltração na área para um finalizador improvável. Caio Vinícius vem se especializando nesse papel.

Foi assim diante nos jogos contra CRB, Athlético-PR, Athletic e Chapecoense. Não é, portanto, produto do acaso. É resultado de treinamento, insistência, repetição e erro. Pena que o volante artilheiro estará fora do decisivo jogo contra o Novorizontino, no sábado.

Um outro aspecto endossa as palavras confiantes de Guto. Há sete rodadas, o Remo joga em rotação alta, empenho absoluto e intensidade máxima jogando dentro ou fora de casa. Uma grande evolução em relação ao time de Antônio Oliveira, que terminava os jogos em estado de desgaste acentuado. Na Série B, as vitórias têm muito a ver com a imposição física.  

Características de um campeonato que exige muito do condicionamento e do equilíbrio das equipes. Os melhores nesses quesitos acabam se distanciando dos medianos. No momento, somente Coritiba, Chapecoense, Remo, Athlético-PR e Novorizontino ostentam essas virtudes.

Times que vinham embalados no começo do campeonato perderam força com o avanço das rodadas. Goiás, Criciúma, Cuiabá e Atlético-GO se desatrelaram do pelotão de cima, com poucas chances de reabilitação, até porque não há muito tempo, pois restam apenas três rodadas.

No sábado, o Goiás enfrentou o Athlético-PR e foi derrotado. Um resultado que muda as possibilidades do time e evidencia as fragilidades de elenco e déficit físico, principalmente no 2º tempo. O Goiás vem perdendo rendimento há várias rodadas, igual ao Remo de Oliveira.

Nesta fase de afunilamento, quando detalhes fazem muita diferença, pode-se dizer que o Remo cresceu fisicamente quando alguns de seus adversários diretos apresentaram queda acentuada de condicionamento. É um ponto que justifica o otimismo de Guto Ferreira e que deve servir de alento para a torcida, que ainda assimila o empate sofrido no apagar das luzes.

Zero surpresa na mudança de comando no Papão

Desfecho previsível depois da confirmação do rebaixamento, a notícia da demissão de Márcio Fernandes soou como assunto velho, depois que o técnico passou por isso no Paysandu duas vezes desde 2023. Em relação à última dispensa, no começo do ano, uma semelhança cruel: a comunicação veio por telefone. Faltou respeito profissional ao único treinador que se dispôs a assumir o barco em meio à tempestade.

O fato é que Márcio Fernandes não tem nada a ver com os problemas acumulados que explicam a vexatória campanha do PSC. Ninguém pode lhe atribuir qualquer culpa pelos maus passos do time nas partidas sob o seu comando.

Até mesmo a última janela de transferência, que foi pintada como esperança final para que o time escapasse da queda, acabou frustrando as expectativas. Depois de longo atraso para contratar, por conta do Transfer Ban da Fifa, as contratações ficaram aquém do esperado e não contribuíram para ajudar o PSC a sair da enrascada.

Márcio precisou lançar mão de peças que não produziam e teve o trabalho prejudicado pela insistência em escalar Rossi, mesmo quando este não tinha condições de jogar plenamente. Dependente de um único jogador de qualidade, o atacante Maurício Garcez, o time não teve forças para enfrentar o destino desenhado desde o 1º turno.

Para o lugar de Márcio, o clube designou o auxiliar Ignácio Neto, jovem técnico revelado na Tuna. Apesar das qualidades, todo mundo sabe que o interino não tem chances de ser efetivado na função.

A missão de Ignácio Neto será conduzir o PSC de forma digna nas três rodadas finais, evitando vexames que tornem a temporada ainda mais tormentosa. Enquanto isso, o clube ganha tempo para encarar o desafio de achar um comandante para 2026.

Ancelotti abre espaço para duas novidades

Vítor Roque e Luciano Juba são as novidades da convocação anunciada ontem por Carlo Ancelotti para os amistosos contra Senegal e Tunísia. O atacante do Palmeiras vem se destacando na Libertadores e o ala do Bahia é um dos bons nomes surgidos no Campeonato Brasileiro.

A chamada de ambos dá a impressão de que Ancelotti ainda não tem a lista definitiva para a Copa. Chamou também jogadores que tiveram pífio desempenho no amistoso contra o Japão, casos de Fabrício Bruno, Hugo Souza, Caio Henrique e Richarlison.

É improvável que cometa a imprudência de levar o trio ao Mundial, mas a insistência é preocupante. Na entrevista, disse que já tem 18 nomes definidos. Neymar continua como um enigma. Enquanto não estiver jogando em ritmo de competição, dificilmente será chamado. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 04)

Rock na madrugada – Os Paralamas do Sucesso, “Feira Moderna”

Cover espetacular dos Paralamas do Sucesso para “Feira Moderna”, canção de Beto Guedes, Lô Borges e Márcio Borges incluída no álbum de estreia de Beto, “A Página do Relâmpago Elétrico” (1977) – título mais bonito de um disco brasileiro em todos os tempos, na minha modesta opinião. Gravada no Acústico dos Paralamas, a música entra neste Rock na Madrugada como homenagem ao gigante Lô Borges, ícone da música brasileira que nos deixou domingo (2), aos 73 anos.

Cara de eterno garoto, Lô Borges era de fato o mais jovem do Clube da Esquina, o que não impediu que estivesse em pé de igualdade com os mais experientes. Além de canções roqueiras como “Feira Moderna”, fortemente influenciada pelas experimentações dos Beatles, ele foi precursor daquilo que o mundo iria conhecer anos depois como música indie, ao lançar o álbum que ficou conhecido como Disco do Tênis, em 1972.

Ousado, Lô inovou desde a capa, que traz a fotografia de um tênis surrado, emprestado a ele por um primo. A tal capa se tornou icônica, admirada até fora do Brasil, mas ele sofria com os prazos e cobranças da gravadora. “Sempre fui um beatlemaníaco e eu me lembrava que, nos primeiros álbuns dos Beatles, eles faziam duas, três músicas por dia, às vezes gravavam um álbum inteiro em uma semana. Eu pensava nessas coisas para me ajudar”, contou em entrevista ao Correio Braziliense.

Amigo e parceiro de Beto Guedes, Lô incentivou e teve papel importante na produção de músicas para A Página do Relâmpago Elétrico, com destaque para “Feira Moderna”. Antes da versão dos Paralamas, a canção foi gravada pelo grupo Som Imaginário (de Zé Rodrix).

A poesia viva de Lô Borges

Por que se chamava moço

Também se chamava estrada

Viagem de ventania

Nem lembra se olhou prá trás

A primeiro passo asso asso …

Por que se chamavam homens

Também se chamavam sonhos

E sonhos não envelhecem…