O marketing das dificuldades

POR GERSON NOGUEIRA

A semana começou sob o impacto de notícias e especulações sobre problemas enfrentados pelo Avaí, adversário de sábado em jogo fundamental para o Remo quanto à definição do acesso. Um ponto comum entre informação e boato é a confirmação de que o clube catarinense vive profunda crise interna, com salários e gratificações em atraso.

É de conhecimento público que, durante toda a Série B, o Avaí conviveu com dificuldades financeiras, problemas administrativos e ameaças de greve por parte dos jogadores. Perdeu profissionais importantes, como o técnico Jair Ventura, que optou por dirigir o Vitória. 

Isso não impediu que o time cumprisse campanha digna na competição, mantendo-se sempre no bloco intermediário e resistindo bravamente aos maus passos da gestão. É importante destacar que o elenco não deixou passar para o campo as mazelas que tumultuavam o ambiente interno.

As notícias sobre isso têm sido repercutidas no Pará com um enfoque favorável às pretensões do Remo. É natural que se avalie que um Avaí entregue a problemas será um adversário mais fácil de ser batido.

Cabe, porém, desdobrar um pouco esse cenário para chegar a dados mais realistas. Em primeiro lugar, faz parte da tradição das Séries A e B a divulgação de problemas nas rodadas derradeiras dos campeonatos como forma de atrair gratificações e estímulos extras. O velho truque de vender dificuldades para usufruir facilidades.

É uma lei não escrita, que se revela em campo na forma aguerrida com que times já sem chances na competição se comportam. Jamais alguém conseguiu provar o pagamento de bônus para times ou jogadores a fim de que tirem pontos de um adversário direto, mas ninguém tem dúvida de que a prática é exercida com aceitação e naturalidade no futebol brasileiro.

Por essa razão, torcida e dirigentes do Remo devem manter prudência em relação às notícias que vêm de Florianópolis. O Avaí não treina há dois dias e fala-se até em time misto para sábado. Tudo dentro do script do marketing de dificuldades, expondo o quanto uma gratificação de adversários do Remo pode ser bem-vinda a essa altura.

Que ninguém estranhe se, na partida válida pela 37ª rodada, o Avaí entre em campo com o time titular completo, comendo grama e disputando cada bola como se fosse uma final de Copa do Mundo. A força da grana constrói e destrói, já ensinou mestre Caetano, e o papel motivador de um bom “agrado” financeiro não pode ser subestimado.

Concentração máxima para evitar surpresas

O Remo, que foi direto de Novo Horizonte (SP) para Florianópolis, a fim de reduzir o desgaste causado pela viagem, treina na capital catarinense e mantém o foco no confronto de sábado. O time se recompõe com o retorno de Caio Vinícius ao meio-campo e de Diego Hernández ao ataque.

A partida, apesar da boataria em torno do Avaí, deve ser mais difícil e tensa do que se imagina. Por mais que o adversário venha a utilizar um time mesclado, é improvável que o Remo tenha suas ações facilitadas. Sem pressão, reservas e garotos da base costumam se superar nesses momentos.   

Caio e Hernández são reforços importantes, capazes de compensar a perda do lateral-direito Marcelinho, lesionado gravemente na partida com o Novorizontino. O departamento médico azulino trabalha para colocar o jogador em condições para o jogo, mas a dúvida permanece.

Caio Vinícius é o melhor exemplo da reconfiguração imposta ao time do Remo pelo técnico Guto Ferreira. Desde que assumiu o comando, Caio se tornou peça de equilíbrio, tanto na marcação à frente da zaga quanto na surpreendente capacidade de se tornar uma peça ofensiva.

Marcou quatro gols nesta nova fase, funcionando como motor nos avanços do Remo, superando bloqueios fortes, como o que o time terá pela frente no sábado. A ação na área adversária, surpreendendo a marcação com chegadas entre os zagueiros, é uma forte arma azulina na competição.

Hernández é outra peça-chave, pois tornou-se uma alternativa a um ataque que antes vivia exclusivamente da presença e do oportunismo de Pedro Rocha. Com Hernández avançando pela direita e arriscando chutes de média distância, o Remo tornou-se muito mais agudo. (Foto: Raul Martins/Ascom CR)

Papão faz escolha ousada para cuidar do futebol

Marcelo Sant’Ana, ex-presidente do Bahia, é o novo executivo de futebol do PSC. Uma escolha surpreendente e ousada. Especialista em marketing, graduado em jornalismo, formado em gestão de futebol e forjado na administração de um dos clubes mais importantes do país, ele pode ser um divisor de águas no processo de reconstrução que o clube desenvolve.  

Sant’Ana foi o presidente mais jovem da história do Bahia, entre 2015 e 2017, com 35 anos, conquistando títulos e acessos importantes. Traz para o Papão toda a bagagem de quem conhece as entranhas da engrenagem do futebol, incluindo as disputas e vaidades internas.

Tem todas as condições de fazer um bom trabalho no clube. Para isso, porém, vai precisar de autonomia e apoio da diretoria. Trazer um profissional preparado só vale a pena se a ele for concedido espaço para impor suas ideias e trabalhar com liberdade.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 13)

Belém lança guia inédito de proteção infantil na COP30

Garantir crianças e adolescentes seguros, acolhidos e amparados durante grandes eventos é o foco da iniciativa lançada pela Prefeitura de Belém nesta quarta-feira (12). O Guia de Proteção de Crianças e Adolescentes em Grandes Eventos foi apresentado durante uma cerimônia realizada na Zona Verde, no Parque da Cidade, com a presença de representantes de diversas instituições parceiras.

O guia é uma iniciativa inédita na história da COP e específica para grandes eventos

Coordenado pela Superintendência da Primeira Infância (SPI), o guia integra o Plantão Integrado de Crianças e Adolescentes – COP30, uma operação inédita que ocorre desde o dia 6 e vai até 23 de novembro, das 10h às 20h, com foco no acolhimento humanizado e intersetorial de crianças e adolescentes, locais e estrangeiros, em situação de vulnerabilidade durante a conferência.

Durante o lançamento, o prefeito Igor Normando destacou o caráter inovador da ação, que colocou Belém como referência nacional e internacional na proteção da infância em eventos de grande porte.

“O que realizamos foi resultado de um trabalho coletivo e comprometido. Agradeço a dedicação de cada profissional envolvido e reafirmo que as crianças são a nossa prioridade. Cuidar delas é garantir um futuro mais justo e humano e e este guia é um passo essencial nessa direção”, afirmou o prefeito.

O prefeito Igor Normando reforçou que a proteção infanto-juvenil são prioridade da atual gestão

A adolescente Clarisse Rats, de 14 anos, integrante do Comitê de Participação de Adolescentes (CPA) do Conanda, destacou a importância de a infância estar representada na COP30. 

“É gratificante perceber que alcançamos este protocolo durante a COP30. A presença de crianças e adolescentes em uma conferência sobre mudanças climáticas mostra que nossas vozes importam. Precisamos ser ouvidos, seja nas periferias, comunidades ribeirinhas ou indígenas, porque todos vivemos os impactos das decisões que são tomadas aqui.”

Clarisse comemora a presença de crianças e adolescentes na COP30

Além da estrutura fixa no Centro de Referência de Educação Infantil Professor Orlando Bitar, na Avenida José Malcher, o projeto conta com Equipes Volantes que realizam busca ativa e atendimento itinerante em pontos estratégicos da cidade, como o Ver-o-Peso, Estação das Docas, Parque Linear, entorno do Parque da Cidade e UFPA. Diariamente, 96 profissionais atuam de forma preventiva e resolutiva.

A superintendente da Primeira Infância, Flávia Marçal, reforçou que o trabalho é fruto de um grande esforço coletivo. “Nosso objetivo foi garantir que nenhuma criança ficasse invisível. Criamos um espaço de escuta e cuidado, e mostramos que Belém pode ser exemplo de proteção, não só durante a COP30, mas de forma permanente”, afirmou.

O diretor de Proteção da Criança e do Adolescente do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, Fábio Meireles, ressaltou a dimensão inédita do projeto. “Nenhuma COP anterior teve uma estrutura como essa. O guia, o plano de ação e o plantão integrado foram marcos inéditos. Mostramos que é possível realizar um evento mundial e, ao mesmo tempo, colocar a infância no centro das prioridades.”

A ação também incluiu uma campanha de comunicação trilíngue (português, inglês e espanhol), com materiais informativos e totens instalados em aeroportos, rodoviárias e pontos turísticos. O Disque 100 passou a oferecer atendimento multilíngue, inclusive em Libras, ampliando o acesso aos canais de denúncia.

Durante a cerimônia, o prefeito Igor Normando anunciou ainda a criação da Secretaria Executiva da Criança, que substituirá a Superintendência da Primeira Infância e ampliará o olhar da gestão municipal sobre a infância e a adolescência. “Queremos que Belém seja reconhecida como a capital da criança no Brasil. As crianças não são o futuro, elas são o presente. E o presente precisa de cuidado, estrutura e amor”, declarou o prefeito.

Rock na madrugada – Wings, “Some People Never Know”

“Some People Never Know” (Algumas pessoas nunca sabem) é uma canção do disco Wild Life (Vida selvagem), lançado em dezembro de 1971, o primeiro do grupo Wings, criado por Paul McCartney para acompanhá-lo após a separação dos Beatles. Acompanhado pela esposa, Linda, e grandes instrumentistas, como Denny Laine (guitarrista, ex-Moody Blues) e o baterista Denny Seweill. Até 1981, ano de sua dissolução, a banda teve vários integrantes – como Jimmy McCulloch e Joe English.

A letra de Paul é um lamento de teor romântico. Aborda as complexidades do amor, com ênfase na crença de que muitas pessoas nunca entenderão a profundidade dos sentimentos verdadeiros, daí as dúvidas que cercam algumas relações. Com a repetição do verso ‘Some people never know’, ele busca enfatizar que a compreensão do amor é algo que nem todos conseguem alcançar.

Bisbilhoteiros da história dos Beatles insinuam que “Some People Never Know” seria um recado indireto a John Lennon, desafeto de Paul à época em função das tretas raivosas envolvendo o fim dos Fab Four. Verdade ou não, Lennon lançou “I Know (Know) – Eu sei”, no álbum Mind Games (1973), que soa como um pedido de desculpas a Macca. Nenhum deles confirmou as especulações sobre as canções, o que faz crer que no fim das contas tudo ficou bem entre ambos.

Abaixo, trecho da letra:

Algumas pessoas conseguem dormir à noite,/acreditando que o amor é uma mentira.

Eu sou apenas uma pessoa como você, amor, / e quem no mundo pode estar certo

tudo na hora certa. / Eu sei que estava errado, me faz bem, certo.

Só o amor pode resistir ao teste, só você ofusca o resto,

Só os tolos podem ter o segundo melhor, mas é assim,

Algumas pessoas nunca sabem.

Aquecimento acelera e resiliência do sistema terrestre diminui, indica relatório lançado na COP30

Por Elton Alisson, da Agência Fapesp

Os cientistas do clima estão mais preocupados do que nunca, afirma Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre Impacto Climático, da Alemanha. O cientista sueco, que propôs o conceito de limites planetários para definir as margens seguras para a pressão humana sobre processos ambientais essenciais para a estabilidade do planeta, tem chamado a atenção, com diversos outros pesquisadores, para novas evidências científicas que indicam que o aquecimento global está acelerando, enquanto a resiliência do sistema terrestre diminui.

“Estamos em apuros. O planeta está mostrando os primeiros sinais de redução da capacidade de amortecer e resfriar o estresse que estamos causando por meio de nossas emissões de gases de efeito estufa. Estamos nos aproximando rapidamente do ponto de inflexão e precisamos agir mais rápido do que temos feito até agora”, disse Rockström em palestra de inauguração do Pavilhão da Ciência Planetária, no primeiro dia da COP30.

Um relatório coordenado pelo pesquisador, lançado em setembro, indicou que sete de nove limites da segurança planetária já foram ultrapassados. Entre eles, as mudanças climáticas, a integridade da biosfera, o uso do solo, o uso de água doce, os ciclos biogeoquímicos (nitrogênio e fósforo) e a introdução de novas entidades (como produtos químicos e plásticos).

Agora, um novo relatório elaborado por 70 renomados cientistas de 21 países – entre eles do Brasil –, que foi lançado oficialmente durante a COP30, aponta que os sumidouros naturais de carbono do planeta – entre eles as florestas tropicais – estão atingindo limites críticos, absorvendo menos emissões que as esperadas, enquanto décadas de mudança climática têm debilitado sua capacidade.

Até o oceano, outro sumidouro vital de carbono e calor, está absorvendo menos dióxido de carbono (CO2), enquanto intensas ondas de calor marinhas devastam os ecossistemas e os meios de subsistência costeiros.

“O planeta inteiro está apresentando sinais de diminuição na capacidade de absorção de carbono”, disse Rockström, que é membro do conselho editorial do relatório. “A maior preocupação, com base nos dados atuais, reside nas regiões temperada e boreal e na zona do permafrost [solo congelado em regiões muito frias que retém gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono]”, disse Rockström.

De acordo com dados compilados para o relatório, os ecossistemas do hemisfério Norte começaram a indicar, a partir de 2016, uma redução na capacidade de absorção de carbono.

“Isso está ficando muito preocupante porque sabemos que muitas áreas da parte brasileira da floresta amazônica já deixaram de ser sumidouros e se tornaram fontes de carbono, mas a mesma coisa está acontecendo com as florestas temperadas e boreais”, ponderou.

Remoção de dióxido de carbono

A ampliação da remoção de dióxido de carbono (CDR, na sigla em inglês) é necessária para complementar – e não substituir – cortes rápidos nas emissões, ponderam os autores do relatório.

O desenvolvimento de diretrizes internacionais robustas e o apoio à pesquisa e à inovação são essenciais para preencher a lacuna de CDR e apoiar tanto as metas de curto prazo quanto a estabilidade climática de longo prazo, garantindo, ao mesmo tempo, salvaguardas ambientais e sociais, apontam.

“As políticas climáticas mais ambiciosas discutidas hoje visam reduzir as emissões em 45% até 2030 e ter uma economia mundial com emissões líquidas zero até 2050, mas ninguém está cumprindo essa meta. Se não ampliarmos a CDR, teremos que descarbonizar a economia global até 2040”, apontou Rockström.

Segundo o cientista, mesmo com as melhores atualizações das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) pelos países, será possível conseguir reduzir as emissões globais em 5% até 2035. Mas as evidências científicas mostram que esse ritmo não será suficiente, ponderou.

“Na verdade, precisamos reduzir as emissões em 5% por ano, e não por década. É isso que a ciência nos diz para, no mínimo, desviar do perigo”, sublinhou.

Subsídio para as negociações

O relatório é fruto de uma iniciativa da Future Earth, da Earth League e do Programa Mundial de Pesquisa Climática, que todos os anos reúnem alguns dos principais cientistas do clima de todo o mundo para analisar as descobertas mais urgentes na pesquisa sobre mudanças climáticas. Os resultados são apresentados em um artigo acadêmico revisado por pares e um relatório de ciência e política para oferecer uma síntese aos formuladores de políticas e à sociedade em geral para subsidiar as negociações das COPs.

“Espero que as conclusões do relatório estimulem o senso de urgência nos formuladores de políticas para que comecem a agir com base nas descobertas científicas”, disse Deliang Chen, professor da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, e um dos autores da síntese.

O relatório é complementar aos publicados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), mas com algumas diferenças, comparam os autores. “Analisamos, todos os anos, os dados científicos do ano anterior que mostram evidências relacionadas às mudanças climáticas e sintetizamos isso em uma mensagem muito clara e direta. Esperamos que isso funcione de forma muito mais eficiente para a formulação de políticas e, de fato, subsidie as ações que serão tomadas e as negociações”, disse Regina Rodrigues, pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e uma das autoras da publicação.

Velhos preconceitos pelo caminho

POR GERSON NOGUEIRA

Com um sistema baseado nas transições rápidas e no avanço pelos lados do campo, o Remo surpreendeu a Série B nas últimas oito rodadas. De carta fora do baralho, depois das 15 rodadas sob o comando de Antônio Oliveira, o time voltou a jogar competitivamente, recuperando o formato utilizado no início do campeonato, quando o técnico era Daniel Paulista.

Há um nome por trás da mudança operada na equipe: Guto Ferreira. Técnico experiente, ele chegou, arrumou a casa e desandou a vencer. Foram seis triunfos seguidos, responsáveis por resgatar o Remo do bloco intermediário dos times que não mais eram cotados para o acesso.

A sequência vitoriosa tirou o Leão da 12ª colocação, fazendo com que se recuperasse na competição e chegasse finalmente ao G4 – é o 3º colocado. Mais que isso: o time recuperou a autoestima e o respeito dos adversários. Enfrentar o Remo passou a ser sinal de perigo.

Ao mesmo tempo, a campanha desencadeou uma curiosa tentativa de desmerecer o trabalho desenvolvido pelo clube. É como se, por ser do Norte, o Remo não tivesse o direito de se insinuar na briga por um lugar na Primeira Divisão, ao que parece reservado apenas a clubes do Sul-Sudeste.

Os preconceitos contra o Norte do país são bem conhecidos e ocorrem nas mais diversas áreas de atividade. Belém, por exemplo, sofreu ataques gratuitos desde que foi designada para sediar a COP30, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas. A escolha soou como audácia inaceitável.

O mesmo se verifica agora com o Remo, alvejado por cumprir uma campanha excelente e inesperada. O time se intrometeu entre os favoritos ao acesso. Depois de alijar o Cuiabá da briga pelo acesso, o presidente do clube matogrossense criticou os gastos do Leão na competição.

É como se o projeto de ascensão do Remo já constituísse um crime. Ora, todo clube que busca chegar à Série A precisa investir em elenco, comissão técnica e estrutura. É assim com Coritiba, Athlético-PR, Criciúma, Goiás, Novorizontino e Chapecoense, que também lutam para subir.

É também o caso do Mirassol, ora cumprindo trajetória espetacular na Série A e quase garantido na Libertadores. Nenhum desses clubes chegou a essa condição sem gastar. Futebol é uma atividade cada vez mais dispendiosa, onde não se chega a lugar nenhum sem investimento.

Pior ainda foi a reação do técnico Enderson Moreira e do presidente do Novorizontino, após o empate de sábado, insinuando favorecimento da arbitragem ao Remo no campeonato – embora não haja registro de nenhum jogo em que o time paraense tenha sido beneficiado por erros de árbitros.  

Chega-se então a um duplo absurdo: o Remo é discriminado por ser um clube do Norte buscando alcançar a elite e é atacado por supostamente ser beneficiado por um lobby de forças ocultas. Vá entender.

Força do Leão está nas peças polivalentes

No empate de sábado, em Novo Horizonte, o Remo sofreu com a ausência de organização e dinamismo. Ficava com a bola, mas demorava uma eternidade para ir de uma área a outra, demonstrando desconforto ao ter a posse e pouca objetividade nas tentativas de ir à frente.

Na teoria, era para ocorrer justamente o contrário. O time entrou com quatro jogadores no meio-campo, incluindo Panagiotis e Jaderson, que têm características de armação e sabem articular. Curiosamente, não deu certo. O Remo não agredia a zaga adversária porque não criava jogadas.

Apenas um jogador mostrou desenvoltura diante das dificuldades que o time tinha em campo: Nico Ferreira. Começou na ponta esquerda, mas foi se deslocando para o meio ainda no 1º tempo, em busca de mais espaço para jogar e receber lançamentos.

Na etapa final, caiu para a faixa esquerda e acabou descolando a jogada que levou ao gol de empate. Ao contrário dos demais jogadores, que seguiram atuando como previa a escalação inicial, Nico fugiu ao script e foi decisivo para evitar um resultado negativo.

Caio Vinícius, que também surpreende atuando fora de sua função como volante, fez uma falta tremenda contra o Novorizontino. Estará de volta diante do Avaí, no sábado. Diego Hernández também vai reaparecer. Com ambos ao seu lado, Nico tende a crescer ainda mais em utilidade e movimentação. As polivalências podem garantir o acesso. (Foto: Samara Miranda/Ascom CR)

Papão reabilita zagueiro que quase foi dispensado

A escalação da dupla Quintana-Novillo no jogo entre PSC e Coritiba, domingo à noite, na Curuzu, causou espanto geral. Sem jogar desde o início da Série B, Quintana chegou a ser colocado em disponibilidade e parecia fora dos planos do clube. Novillo, depois de se recuperar de lesão, também não teve mais chances.

De repente, diante da falta de alternativas, o técnico interino Ignácio Neto convocou ambos para a partida, o que deu mais segurança ao setor defensivo do PSC contra o líder do campeonato.

Quintana, em especial, é exemplo vivo da falta de critérios que marcou a participação do Paysandu na Série B deste ano. Foi praticamente descartado desde que o clube resolveu contratar o veterano Thiago Heleno, que largou a quase aposentadoria para cumprir meia dúzia de jogos pelo PSC e embolsar um dos maiores salários do elenco. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 11)

Tropa de choque do Fla no STJD entra em ação para livrar Bruno Henrique de punição

Na segunda-feira (10), o atacante Bruno Henrique, do Flamengo, foi julgado pelo Pleno, que é a 2ª instância do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), em relação ao recurso da Procuradoria do tribunal quanto à sua condenação por 12 jogos de suspensão, mais multa de R$ 60 mil, em setembro deste ano. A sessão, porém, foi interrompida quando o auditor Marco Aurélio Choy pediu vista (mais tempo para analisar o caso) do processo antes de proferir seu voto. Com isso, o julgamento foi adiado. Ele será retomado na próxima quinta-feira (13), às 15h (de Brasília), como pauta única do dia.

No momento da interrupção, o único a ter se pronunciado foi o auditor Sérgio Furtado Filho, relator do caso. Ele votou para absolver o atleta no Art. 243-A (atuar, de forma contrária à ética desportiva, com o fim de influenciar o resultado de partida, prova ou equivalente) do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva) – ou seja, liberando o atleta para voltar a jogar.

No mesmo voto, porém, Furtado aplicou multa maior ao camisa 27, condenando o jogador no Art. 191 (deixar de cumprir ou dificultar o cumprimento de uma obrigação legal, de uma deliberação de uma entidade esportiva ou de um regulamento de competição). O novo valor da punição será de R$ 100 mil, de acordo com o voto.

Na sequência, seria a vez de Marco Aurélio Choy votar, mas ele pediu vista. Dessa forma, a sessão foi encerrada com apenas um voto computado. Quando a sessão for retomada, ainda em data e horários a serem definidos, Choy prosseguirá com seu voto, que será o segundo de um total de nove.

Vale lembrar que Bruno Henrique foi indiciado pela Polícia Federal em abril deste ano, após acusação de fraude esportiva. Flamengo e Santos se enfrentaram em 2023, com vitória do Peixe por 2 a 1, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. O fato envolvendo Bruno Henrique, que motivou a abertura do inquérito pelas autoridades, ocorreu nos acréscimos do segundo tempo de partida.

Após falta em Soteldo, do Santos, o atacante flamenguista foi amarelado e, já punido, partiu para cima do árbitro Rafael Klein e seguiu reclamando de forma acintosa até ser expulso de campo.

Iniciada em novembro de 2024, a investigação da Polícia Federal contra Bruno Henrique motivou uma operação de busca e apreensão, em que os investigadores extraíram conversas do celular de Wander, irmão do jogador, que embasaram os indiciamentos. O atacante flamenguista teria informado o irmão que, pendurado com dois cartões, tomaria um terceiro cartão amarelo no jogo contra o Santos.

As apostas feitas por Wander, a esposa do atleta, uma prima e amigos levantaram a suspeita das casas de apostas, que estranharam o volume de apostas pelo cartão de Bruno Henrique especificamente nesse jogo. Foi justamente a investigação da Polícia Federal que iniciou também um processo na esfera desportiva, levando Bruno Henrique ao julgamento no STJD.

REAÇÃO

A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, criticou a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) de adiar a decisão sobre a pena do atacante Bruno Henrique, do Flamengo, por envolvimento com esquema de manipulação de apostas. O pedido de vista do processo feito pelo auditor Marco Aurélio Choy adiou o julgamento para quinta-feira (13). O relator do caso, Sergio Furtado Filho, defendeu que o atacante seja punido apenas com multa. No mesmo dia, o STJD manteve a suspensão de dois jogos de Allan, do Alviverde, e o jogador está fora do clássico contra o Santos.

“O Palmeiras sempre respeitou, e seguirá respeitando, as instituições, mas espera o mesmo respeito de volta. O que está acontecendo não é justo. Um atleta é condenado por uma infração grave e joga normalmente por dois meses, inclusive fazendo gols e decidindo jogos. Aí, quando finalmente é marcado o novo julgamento, vota-se pela absolvição deste atleta e a sessão é adiada. Enquanto isso, o Allan, que era réu primário, pega duas partidas de suspensão por um lance de jogo e depois tem a punição ratificada pelo Tribunal em pouco mais de 15 dias. E tudo isso acontece em uma semana decisiva, quando já teríamos vários desfalques por conta da Data Fifa. Não queremos ser beneficiados, mas não aceitamos ser prejudicados. O Palmeiras espera que o STJD adote uma postura equilibrada, para que suas decisões não influenciem o curso de um dos campeonatos mais disputados dos últimos anos”, afirmou.

(Com informações de Lance!, ESPN e O Globo)

Lula: “A mudança do clima já não é ameaça do futuro. É tragédia do presente”

Com um apelo para que o mundo se una contra as desigualdades e trabalhe numa agenda que possa ser implementada com agilidade baseada nos caminhos da ciência no combate aos efeitos da mudança do clima, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu as boas-vindas a delegações de todo o planeta na abertura da COP30, nesta segunda-feira, 10 de novembro. 

“A emergência climática é uma crise de desigualdade. Ela aprofunda a lógica perversa que define quem é digno de viver e quem deve morrer”, afirmou Lula, na sessão de abertura da 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), em Belém. “Mudar pela escolha nos dá a chance de um futuro que não é ditado pela tragédia. Devemos a nossos filhos e netos a oportunidade de viver em uma Terra onde seja possível sonhar”. 

Ao lembrar o tornado que afligiu o município de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, na última sexta-feira (7/11), com ventos que chegaram a 330 km/h, além de outras calamidades climáticas recentes, Lula alertou que a mudança do clima é uma realidade palpável que exige intervenção urgente dos líderes e representantes de todo o mundo. 

“A mudança do clima já não é ameaça do futuro. É uma tragédia do presente. O furacão Melissa que fustigou o Caribe e o tornado que atingiu o Paraná deixaram vítimas fatais e um rastro de destruição. Das secas e incêndios na África e na Europa às enchentes na América do Sul e no Sudeste Asiático, o aumento da temperatura global espalha dor e devastação, especialmente entre as populações mais vulneráveis”, disse. 

CAMINHO A SEGUIR – Para Lula, a COP30 em Belém será marcada por diversos simbolismos, mas, acima de tudo, como um evento em que os compromissos firmados e os caminhos determinados pela ciência precisam ganhar nova dimensão. “A COP30 será a COP da verdade. Na era da desinformação, os obscurantistas rejeitam não só evidências da ciência, mas os progressos do multilateralismo. Eles controlam algoritmos, semeiam o ódio e espalham o medo. Atacam as instituições, a ciência e as universidades. É momento de impor uma nova derrota aos negacionistas”.

ESSÊNCIA BOA – Lula foi precedido por um momento simbólico para o Brasil: a passagem da presidência da COP ao embaixador André Corrêa do Lago, que recebeu o cargo de Mukhtar Babayev, do Azerbaijão, presidente da COP29, em Baku. “Estamos reunidos aqui para tentar mudar as coisas. O ser humano é essencialmente bom, mas sabemos que é capaz de coisas terríveis, como a guerra, que, infelizmente, voltou a estar próxima de tantas pessoas”, afirmou Corrêa do Lago. “Mas, apesar dos retrocessos recentes, as condições de vida das populações em todo o mundo podem e devem continuar a melhorar. E a ciência, a educação, a cultura são o caminho que temos que seguir”.
 

MUTIRÃO – O presidente da COP30 lembrou que no processo de discussão da agenda climática, o multilateralismo deve ser fortalecido. “É definitivamente o caminho”, disse o embaixador. Para reforçar o argumento, ele lembrou da palavra mutirão, de origem nos povos indígenas brasileiros, que simboliza uma atuação conjunta para resolver as grandes questões. 

“No período de mobilização, durante o ano de preparação da COP, conseguimos que essa palavra de origem indígena brasileira, mutirão, se tornasse uma palavra de todos os dicionários. E é através do mutirão que nós vamos poder implementar as decisões desta COP e das anteriores”, disse Corrêa do Lago. 

DIREÇÃO E VELOCIDADE – O presidente brasileiro deixou claro que o caminho aberto pelo Acordo de Paris, firmado em 2015, pavimentou a trilha para o futuro da humanidade. Ele ressaltou que esse caminho precisa ser seguido com mais celeridade. “Sem o Acordo de Paris, o mundo estaria fadado a um aquecimento catastrófico de quase cinco graus até o fim do século. Estamos andando na direção certa, mas na velocidade errada. No ritmo atual, ainda avançamos rumo a um aumento superior a um grau e meio na temperatura global. Romper essa barreira é um risco que não podemos correr”, alertou Lula. 

ESSÊNCIA BOA – Lula foi precedido por um momento simbólico para o Brasil: a passagem da presidência da COP ao embaixador André Corrêa do Lago, que recebeu o cargo de Mukhtar Babayev, do Azerbaijão, presidente da COP29, em Baku. “Estamos reunidos aqui para tentar mudar as coisas. O ser humano é essencialmente bom, mas sabemos que é capaz de coisas terríveis, como a guerra, que, infelizmente, voltou a estar próxima de tantas pessoas”, afirmou Corrêa do Lago. “Mas, apesar dos retrocessos recentes, as condições de vida das populações em todo o mundo podem e devem continuar a melhorar. E a ciência, a educação, a cultura são o caminho que temos que seguir”.

SOLUÇÕES – Os discursos de Lula e Corrêa do Lago encontraram eco nas palavras de Simon Stiell, secretário-executivo da UNFCCC. “Há 10 anos em Paris, estávamos desenhando um futuro que testemunharia a queda da curva de emissões. Bem-vindos a esse futuro. A queda de emissões sofreu esse declínio e isso se deve ao que foi acordado em salas como essa”, disse Stiell. “Mas ainda há muito trabalho a ser feito. Precisamos agir mais rápido, tanto na redução das emissões quanto no fortalecimento da resiliência. Lamentar não é uma estratégia, precisamos de soluções”. 

CHAMADO À AÇÃO – Na perspectiva dessa ação concreta, Lula ressaltou a importância do Chamado de Belém pelo Clima, documento com propostas para resgatar a confiança mútua e o espírito de mobilização coletiva num caminho em três frentes. “Na primeira parte, um apelo para que os países cumpram seus compromissos”, disse Lula. Ele se referia à implementação de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) ambiciosas, aos esforços para assegurar financiamento, transferência de tecnologia e capacitação e a uma maior atenção à adaptação aos efeitos da mudança do clima. 

Nos dois pontos seguintes, Lula pediu aos líderes mundiais que acelerem a ação climática por meio de uma governança global mais robusta, capaz de assegurar que palavras se traduzam em ações. O presidente voltou a destacar a proposta de criação de um Conselho do Clima, vinculado à Assembleia Geral da ONU, para dar a esse desafio a estatura política que ele merece. 

Por fim, pediu que homens, mulheres, crianças, jovens e idosos estejam no centro das atenções. “Convoco a comunidade internacional a colocar as pessoas no centro da agenda climática. O aquecimento global pode empurrar milhões para a fome e a pobreza, fazendo retroceder décadas de avanços. O impacto desproporcional da mudança do clima sobre mulheres, afrodescendentes, migrantes e grupos marginalizados deve ser levado em conta nas políticas de adaptação”, disse. “É fundamental reconhecer o papel dos territórios indígenas e de comunidades tradicionais nos esforços de mitigação”.

BELÉM E AMAZÔNIA – Lula também fez questão de homenagear o povo do Pará e agradecer a todos os que se esforçaram para que a COP30 pudesse ser realizada em Belém. O presidente reafirmou que a conferência trará uma nova compreensão sobre a floresta Amazônica e tudo o que ela representa aos povos que a habitam. No início de sua fala, presidente brasileiro fez um convite aos participantes da conferência para mergulharem na cultura local.“Tirem proveito desta cidade, tirem proveito dessa alegria, da beleza, do charme, do carinho e do amor de homens e mulheres que vão receber vocês. Sobretudo, tirem proveito da culinária do Pará”, disse Lula. “Aqui vocês vão comer comidas que vocês não comeram em nenhum lugar do mundo, talvez o melhor peixe. E não se esqueçam de comer a maniçoba”. 

O presidente acrescentou que a Amazônia não é uma entidade abstrata, mas sim um lugar repleto de vida. “Quem só vê a floresta de cima desconhece o que se passa à sua sombra. O bioma mais diverso da Terra é a casa de quase 50 milhões de pessoas, incluindo 400 povos indígenas, dispersa por nove países em desenvolvimento que ainda enfrentam imensos desafios sociais e econômicos”, afirmou Lula. 

“Desafios que o Brasil luta para superar com a mesma determinação com que contornou as adversidades logísticas inerentes à organização de uma conferência deste porte. Quando vocês deixarem Belém, o povo da cidade permanecerá com os investimentos em infraestrutura que foram feitos para recebê-los. E o mundo poderá, enfim, dizer que conhece a realidade da Amazônia. Espero que a serenidade da floresta inspire em todos nós a clareza de pensamento necessária para ver o que precisa ser feito”, concluiu Lula, que discursou depois de manifestações de povos indígenas e de apresentações culturais com a cantora Fafá de Belém e a ministra Margareth Menezes (Cultura), que juntas cantaram “Emoriô”, composição de Gilberto Gil e João Donato.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Com atuação ruim, empate foi lucro

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo trouxe um ponto de Novo Horizonte e brecou o avanço de um adversário direto. Nesse sentido, o empate em 1 a 1 foi satisfatório. O problema é que as circunstâncias da partida permitiam um resultado melhor. Com um jogador a mais desde os 15 minutos do 1º tempo, o time paraense teve as condições propícias para vencer, mas não soube buscar os caminhos para conquistar os três pontos.

O gol sofrido pelo Remo logo aos 10 minutos, marcado por Waguininho em falha de marcação que começou com o lateral Jorge e se estendeu por toda a zaga. Para sorte do Leão, aos 15 minutos, o autor do gol deu uma sarrafada violenta em Marcelinho e recebeu o cartão vermelho.

Esperava-se que o Remo se reorganizasse em campo, principalmente na conexão entre os setores. Até aquele momento, não tinha feito um ataque sequer, revelando um sério problema no meio-campo, formado por Nathan Camargo, Pedro Castro, Panagiotis e Jaderson.

A escalação mais conservadora buscou compensar as ausências de Caio Vinícius e Diego Hernández, mas o excesso de marcadores travou a transição rápida, característica marcante do Remo de Guto Ferreira.

Com um a mais, o Remo continuou do mesmo jeito. Lento na saída, confuso na articulação e inofensivo na frente. Pedro Rocha e Nico Ferreira só recebiam bolas podres e não incomodavam a zaga do Novorizontino.  

Para piorar tudo, as precárias condições do gramado do estádio Jorjão prejudicavam a troca de passes e provocavam escorregões seguidos por parte dos jogadores do Remo. Aliás, fica difícil entender como o campo do Novorizontino foi aprovado pela exigente comissão de inspeção da CBF.

Sem alterações na maneira de encarar a partida e aparentemente sem pressa, o Remo deixou passar todo o 1º tempo sem dar um chute na direção do goleiro Jordi. A única jogada de perigo foi uma bola mal recuada pela zaga, que quase foi aproveitada por Pedro Rocha.

Na 2ª etapa, a entrada de Janderson e João Pedro provocou uma ligeira melhora no rendimento técnico do Remo. Com Nathan Pescador no lugar de Panagiotis, a transição melhorou, embora em ritmo ainda lento. A zaga seguia retendo a bola em excesso, com Klaus e Kayky trocando dezenas de passes inúteis, que não facilitavam as tramas ofensivas.

Na única boa jogada do Remo e no primeiro chute a gol, surgiu o empate. Aos 15 minutos, Nico Ferreira caiu pela esquerda e cruzou, gerando uma confusão que terminou com um toque do lateral Mark para as redes.

Ficou a expectativa quanto a uma pressão em busca da vitória, mas as jogadas não se completavam. Somente em duas cobranças de falta, ambas por Sávio (que substituiu Jorge), o segundo gol chegou a se desenhar. Na última cobrança, a bola bateu no pé da trave direita. E ficou nisso.

Apesar da fraca atuação, o Remo segue invicto sob o comando de Guto Ferreira e com boas chances de conquistar o acesso, desde que vença as duas partidas finais, contra Avaí (fora de casa) e Goiás, no Mangueirão. (Foto: Raul Martins/Ascom CR)

Papão desfalcado faz papel digno contra o líder Coxa

Não houve o temido massacre, apenas deu a lógica. Em ritmo de treino, o líder Coritiba não precisou forçar muito. Abriu o placar logo aos 3 minutos e ampliou para 2 a 0 na reta final do 1º tempo. O PSC fez o que coadjuvantes fazem: não criou problemas, ficou tocando bola de um lado para outro e esforçando-se apenas para evitar uma goleada humilhante.

Diante da disparidade técnica entre os times, o Coxa não tinha a menor dificuldade para se movimentar em campo. O confronto foi se arrastando, sem que nenhum dos times tivesse a menor pressa. O árbitro podia encerrar a partida na metade do 2º tempo e ninguém iria reclamar.

O objetivo maior do visitante era vencer e encaminhar matematicamente o acesso, que só não se efetivou ainda porque há uma diferença de três gols no saldo em relação ao Criciúma. Detalhe meramente burocrático, pois o acesso do Coritiba é líquido e certo.  

A pequena torcida presente se divertia aplaudindo os erros de Reverson, as péssimas ideias de Marlon e os desacertos da zaga, formada por Quintana e Novillo. Até a lesão sofrida por Mateus Nogueira, atingido na cabeça, chegou a ser saudada por alguns aloprados de plantão.

Pedro Henrique era a exceção no PSC, com boa movimentação, marcando corretamente e até arriscando chutes de fora da área. Solitário no esforço de ir à frente, Marcelinho foi outro que fugiu à mesmice e lutou muito na frente, chutando e cruzando com perigo.

Foi dele, por sinal, o cruzamento rasante para o gol de Quintana, aos 20 minutos. Depois do gol, o time ganhou motivação e passou a pressionar, mesmo de forma desajeitada. O empate não veio, mas o time mostrou dignidade, apesar dos aplausos da torcida aos gols do time paranaense. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 11)

MDS destina 143 toneladas de alimentos para participantes da sociedade na COP30

Produção foi adquirida via Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e atende a Cúpula dos Povos, Aldeia COP e Encontro Internacional dos Atingidos por Barragem

Um total de 143 toneladas de alimentos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) serão destinados para a participação da sociedade na COP30, em Belém. A iniciativa é do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Serão doadas para a Cúpula dos Povos 84 toneladas de alimentos, incluindo arroz, feijão, farinhas, frutas, polpas, legumes, tubérculos, proteínas, totalizando aproximadamente R$ 1,4 milhão em alimentos.

A Aldeia COP, espaço exclusivo da caravana dos povos indígenas, vai receber cerca de 53 toneladas de alimentos como proteínas, polpas, frutas, legumes e tubérculos, além de 1,2 mil cestas de alimentos com itens básicos como arroz, feijão, farinha, macarrão, açúcar, óleo e sardinha.  

O total de investimentos será de R$ 1,3 milhão. O espaço conta com cerca de 3 mil lideranças indígenas e delegação nacionais e internacionais, com apoio do Ministério dos Povos Indígenas (MPI). Já para o IV Encontro Internacional dos Atingidos por Barragem, serão disponibilizadas 5,5 toneladas de alimentos, totalizando um investimento de R$ 90 mil.  

O ministro Wellington Dias reforçou que o Brasil avança na construção de sistemas alimentares saudáveis, sustentáveis e justos quando articula o combate à fome com a adaptação climática e a promoção da equidade social.  

“O MDS apoia a COP30, que coloca a Amazônia como palco das discussões mundiais sobre mudanças climáticas, da mesma forma que atua no combate à fome e à pobreza, fortalecendo a agricultura familiar, a participação da sociedade civil e aqui, especialmente, dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, protetores da floresta”, afirmou o titular do MDS.  

Os alimentos começaram a ser entregues na sexta-feira (7.11) e serão preparados e servidos por voluntários e equipes de cozinha contratadas pelos pelas organizações da sociedade civil, em parceria com cozinhas solidárias e outros equipamentos de segurança alimentar e nutricional.  

A ação é coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, que também será responsável por distribuir os kits de lanche para os voluntários do evento. O objetivo é promover uma alimentação saudável para uma maior e melhor participação da sociedade civil na COP30. 

Assessoria de Comunicação – MDS

Na estrada com Lô Borges – “Toda essa água”

Lô Borges trabalhava em um novo disco de músicas inéditas enquanto circulava pelo Brasil com a turnê de resgate do repertório dos primeiros anos de carreira. O show centrava nas músicas que ele compôs em 1972 para os míticos álbuns “Clube da Esquina” e o “Disco do Tênis”, seu primeiro álbum solo. Entre o garoto de 20 anos e o experiente músico que acabava de ultrapassar os 70, uma trajetória de brilhos, sonhos e o eterno amor pela estrada e pela aventura da composição.

O documentário é um belo tributo a Lô, que nos deixou na semana passada, aos 73 anos. O filme tem direção de Rodrigo de Oliveira e co-direção de Vania Catani. Uma produção da Bananeira Filmes. Vale a pena ver para conhecer melhor as histórias do grande Lô e seus parceiros musicais.

Leão pula fogueira, consegue empate e permanece no G4 da Série B

Novorizontino x Remo, Fábio Matheus, Série B

Na pior apresentação sob o comando de Guto Ferreira, o Remo empatou com o Novorizontino, na tarde deste sábado (8), no estádio Jorjão em Novo Horizonte (SP), pela 36ª rodada da Série B. Com o resultado, o time paraense chegou a 59 pontos e ocupa agora a vice-liderança, mas ainda pode ser ultrapassado por outras equipes na rodada. O 1º tempo foi marcado por excesso de erros dos dois lados. Em falha da zaga azulina, o time da casa abriu o placar aos 10 minutos, através de Waguininho.

O Remo não conseguia sair com a bola dominada e falhava na tentativa de fazer a transição. Tropeçava na falta de criatividade e na baixa qualidade do campo. O Novorizontino marcava melhor e levava perigo nos contra-ataques. Aos 15′, Waguininho foi expulso de campo após entrada violenta no lateral Marcelinho. Em consequência da falta, o jogador azulino teve que ser substituído por Pedro Costa.

Apesar de ter a posse de bola e a vantagem numérica, o Remo não conseguia impor aceleração e não chegou a dar um chute no gol do Novorizontino. No meio de campo, Panagiotis, Pedro Castro e Jaderson competiam na quantidade de passes e lançamentos errados.

Sem jogadas trabalhadas no meio e nas laterais, os atacantes ficaram isolados e não tiveram oportunidades na área. Pedro Rocha e Nico Ferreira ficavam encaixotados na marcação. O Novorizontino passou a se defender, recuando todos os jogadores para o campo de defesa, o que dificultou ainda mais a movimentação ofensiva do Remo.

Na 2ª etapa, o técnico Guto Ferreira mexeu no meio-campo e no ataque. Trocou Nathan Camargo e Pedro Costa por Janderson e João Pedro. A reorganização deu mais rapidez ao Remo pelo lado esquerdo, criando seguidas jogadas com Janderson e Pedro Rocha. O meio-campo

Aos 15 minutos, o Leão chegou ao empate. Em jogada com Nico Ferreira pelo lado esquerdo, a bola foi lançada em direção ao gol. Pedro Rocha e João Pedro tentaram finalizar, mas o lateral Mayk acabou tocando por último e a bola se encaminhou para o fundo do barbante.

O Novorizontino, mesmo com um a menos, se lançou ao ataque. Bruno José e Robson dispararam chutes perigosos, que o goleiro Marcelo Rangel defendeu bem. Robson chegou a marcar o segundo gol, mas foi flagrado em impedimento e o lance foi anulado.

Do lado azulino, Sávio (que substituiu Jorge) quase desempatou em cobranças de falta. Na primeira, o goleiro espalmou com dificuldade. Na segunda, o chute estourou no pé da trave direita. Apesar da pressão em busca do segundo gol, o Remo não conseguiu encaixar jogadas em sequência para explorar a insegurança da zaga do Tigre.

Aos 39′, Pedro Rocha recebeu passe de Nathan Pescador (que havia substituído Panagiotis) e mantou um chute da entrada da área. A bola desviou e passou perto da trave esquerda de Jorgi.

A próxima partida do Leão será no próximo sábado, às 16h30, contra o Avaí, no estádio da Ressacada, em Florianópolis. Com 59 pontos, o Remo está a quatro pontos do acesso.

A mãe de todas as batalhas

POR GERSON NOGUEIRA

As grandes campanhas conduzem a momentos inevitavelmente dramáticos e emocionantes. É exatamente o que se passa com o Remo nesta jornada final da Série B, com três partidas que podem definir o acesso à Primeira Divisão nacional, começando pelo confronto diante do Novorizontino, na tarde deste sábado (16h), no interior paulista.

É um jogo de seis pontos, como foram os duelos com Athletico-PR, Cuiabá e Chapecoense. Tanto Novorizontino quanto Remo dependem de uma vitória para seguir com chances de acesso. No caso azulino, um empate não é resultado desprezível. Para o time da casa, empatar não é negócio.

Por essas razões especiais, o jogo apresenta características de uma verdadeira decisão. A briga pelos três pontos deve propiciar uma batalha aberta e destemida em busca do gol, desde os primeiros movimentos.

O fator campo pode favorecer o Novorizontino, mas o Remo terá ao seu lado um grande contingente de torcedores – paraenses que moram em São Paulo e gente que sai de Belém para seguir o time por todo o Brasil.

Dos três compromissos que o Remo terá pela frente este é, sem dúvida, o mais difícil por enfrentar um adversário do mesmo porte técnico, que empatou as duas últimas partidas e chega desesperado ao confronto, necessitando vencer para permanecer com chances de acesso.

Sem Caio Vinícius e Diego Hernández, peças fundamentais no esquema de Guto Ferreira, o time deve contar com Pedro Castro e Janderson como substitutos. A presença de Janderson significa que Guto pretende explorar o contra-ataque como arma contra a segunda melhor defesa da competição.

Em termos defensivos, as atenções do Leão devem se concentrar nas investidas pelos lados e cruzamentos na área, recursos muito empregados pelo Novorizontino no campeonato.

Cabe lembrar que o Remo é o 3º melhor visitante, com aproveitamento de 50,98%, 26 pontos e apenas três derrotas – CRB, Athlético-PR e PSC, ainda no turno. Já o Novorizontino é o 4º melhor mandante, com 66,67% de aproveitamento, 34 pontos e uma derrota. O Leão tem 8 empates como visitante, o Novorizontino empatou sete vezes em casa. (Fotos: Raul Martins/Ascom CR)

Jogo do Leão será transmitido no Portal da Amazônia

A Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Semel) vai disponibilizar neste sábado, 8, no Portal da Amazônia (bairro do Jurunas), um telão com imagens ao vivo do jogo entre Novorizontino e Remo. A programação gratuita começa às 15h. Após a partida, o evento vira uma Fan Fest.

O Portal da Amazônia receberá estrutura completa, com telão de LED, sistema de som profissional, segurança e equipe de limpeza do início ao fim da programação, garantindo conforto e segurança aos torcedores.

Com 58 pontos e ocupando a 3ª colocação na classificação da Série B, o time azulino depende apenas dos próprios resultados nas últimas rodadas para confirmar o esperado acesso à Série A.

Bola na Torre

Giuseppe Tommaso comanda o programa, a partir das 23h, na RBATV, com a participação de Edson Matoso e deste escriba de Baião. Em debate, os resultados dos times paraenses na rodada 36 da Série B. A edição é de Lourdes Cezar e Lino Machado.

Desânimo é maior adversário do PSC contra o Coxa

Driblar a falta de motivação é o maior desafio do Papão para o confronto diante do Coritiba, neste domingo (20h30), na Curuzu. Rebaixado na 35ª rodada e ainda ocupando a lanterna do campeonato, o time sofre a ressaca moral da pior campanha de sua história na Série B.

Sob o comando do auxiliar técnico Ignácio Neto, que substituiu Márcio Fernandes, o time vai entrar com a defesa modificada na zona central, com Lucca atuando ao lado de Quintana, que volta ao time depois de longo e tenebroso inverno. Nas laterais, Bryan e Reverson.

Com a dispensa de vários jogadores que eram titulares, o meio-de-campo terá Pedro Henrique, Anderson Leite e Carlos Eduardo. Pelos treinos da semana, o ataque será formado por Marlon, Wendel e Vinni Junior.

Por mais que a fragilidade da escalação não permita maior entusiasmo contra o líder do campeonato, a expectativa é por um time combativo e capaz de fazer uma apresentação digna diante da torcida. O Coritiba vem disposto a conquistar três pontos para sacramentar o acesso. 

(Coluna publicada na edição de sábado/domingo, 08/09)