Contra o Brasil: Bolsonaro pede que poderes cumpram exigências de Trump

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não criticou o aumento da sobretaxa para 50% sobre produtos importados do Brasil, imposto pelos Estados Unidos, e pediu ação urgente dos Poderes, ao falar pela primeira vez sobre o tema desde o anúncio do presidente Donald Trump. “O Brasil caminha rapidamente para o isolamento e a vergonha internacional. A escalada de abusos, censura e perseguição política precisam parar. O alerta foi dado, e não há mais espaço para omissões”, disse, no X, antigo Twitter.

Bolsonaro falou ainda de sua admiração e seu respeito pelo governo dos Estados Unidos. Mencionado na carta enviada por Donald Trump ao presidente Lula (PT), o ex-presidente atribuiu a medida do aliado à diplomacia do governo brasileiro, seguindo a mesma estratégia da adotada por seus aliados desde que a sobretaxa foi anunciada.

“Recebi com senso de responsabilidade a notícia da carta enviada pelo presidente Donald J. Trump ao governo brasileiro, comunicando e justificando o aumento tarifário de produtos brasileiros. Deixo claro meu respeito e admiração pelo Governo dos Estados Unidos”, disse na rede social.

“A medida é resultado direto do afastamento do Brasil dos seus compromissos históricos com a liberdade, o Estado de Direito e os valores que sempre sustentaram nossa relação com o mundo livre. Isso jamais teria acontecido sob o meu governo”, completou.

Bolsonaro citou ainda a “caça às bruxas”, termo utilizado pelo próprio Trump, como justificativa da medida econômica, afirmando que não seria apenas contra ele, mas “milhões de brasileiros”.

“O que está em jogo é a liberdade de expressão, de imprensa, de consciência e de participação política. Conheço a firmeza e a coragem de Donald Trump na defesa desses princípios. O Brasil caminha rapidamente para o isolamento e a vergonha internacional”, afirmou ainda.

Por fim, Bolsonaro pede aos Poderes que apresentem “com urgência” medidas para resgatar o que ele chamou de normalidade institucional do país. Aliados do ex-presidente, na noite de quarta-feira (9), já admitiam reservadamente haver um desgaste para ele e para o seu grupo político com o aumento da sobretaxa para 50%.

A decisão de Trump faz parte de uma ofensiva para defender Bolsonaro, e a carta do americano cita o ex-presidente diretamente. Há uma avaliação entre os aliados do ex-presidente de que, por ora, o governo Lula (PT) tem conseguindo emplacar o discurso de que o ato fere a soberania do país. Embora haja incerteza em torno das consequências econômicas e políticas da decisão de Trump, bolsonaristas já buscam blindar o ex-presidente da crise.

Lula diz que ‘loucos’ não voltarão a governar país e alfineta Tarcísio por ‘chapeuzinho de Trump’

Lula diz que 'loucos' não voltarão a governar país e alfineta Tarcísio por 'chapeuzinho de Trump'

O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta-feira (10) que o grupo político que o antecedeu não voltará a governar o Brasil. Na mesma fala, o petista alfinetou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), por responsabilizar a gestão atual pela sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente americano Donald Trump. “Uma coisa eu posso dizer. Os loucos que governaram esse país não voltam mais”, disse.

“O Tarcísio pode tirar. Não vai tentar esconder o chapeuzinho do Trump, não, Tarcísio. Pode ficar mostrando para a gente também quem você é. Porque está cheio lobo com pele de carneiro”, afirmou. As declarações foram feitas em entrevista à TV Record.

Nesta quinta, o governador de São Paulo admitiu o “impacto negativo para São Paulo” da medida anunciada por Trump e voltou a culpar o presidente Lula pela medida. Tarcísio, que é aliado do ex-presidente e já postou vídeo usando boné com o slogan do republicano, tornou-se um dos principais alvos da base lulista.

A sobretaxa foi divulgada por Trump nesta quarta-feira em em uma carta na qual afirma que Jair Bolsonaro (PL) sofre uma “caça às bruxas” que precisa ser encerrada “imediatamente”.

Na mesma entrevista, Lula chamou de afronta ao país a carta publicada por Donald Trump em que o americano anuncia a sobretaxa de 50%. O petista afirmou que, primeiro, tentará negociar as tarifas -mas que, se isso não funcionar, será colocada em prática a reciprocidade.

Ele disse que o americano demonstra desconhecer a relação comercial entre os dois países, que o republicano precisa respeitar a Justiça e que as empresas de tecnologia devem obedecer às leis brasileiras.

Os principais produtos importados pelo Brasil dos EUA são motores e máquinas, óleo combustível, aeronaves e gás natural, além de medicamentos. Lula também afirmou que vai criar um comitê para acompanhar o dia a dia da política comercial com os Estados Unidos.

“Aos empresários brasileiros, nós vamos criar um comitê, um gabinete para repensar a política comercial brasileira com os Estados Unidos. Eu quero que o Trump cuide dos Estados Unidos para os americanos. Eu quero que os americanos melhorem de vida. Eu quero que os americanos vivam democraticamente. Só respeite o direito de o brasileiro também viver. Do jeito que você gosta, do povo americano, eu gosto do povo brasileiro. Eu sou brasileiro, gosto do Brasil e não desisto nunca”, disse. (Da Folhapress)

Relatório revela que a ameaça de Trump de investigar Brasil atende a Big Techs

Grupo financiado por empresas como Google, Meta e Amazon produziu relatório que pode orientar investigação contra Brasil

Por Natalia Viana | Edição: Bruno Fonseca

Um grande grupo de lobby financiado pelas Big Techs dos Estados Unidos (EUA) – que tem como membros Google, Meta, Microsoft, Amazon, Uber, Apple, Pinterest e E-Bay -, está ligado à ameaça de Donald Trump de investigar práticas comerciais do Brasil. A investigação foi anunciada junto à decisão de aumentar as tarifas de importação de produtos brasileiros.

É a CCIA, sigla em inglês para Associação da Indústria de Computadores e Comunicações (Computer & Communications Industry Association). Apenas alguns minutos depois de Trump anunciar na rede Truth Social o seu tarifaço contra o Brasil, o grupo publicou uma nota aplaudindo a iniciativa.

“A CCIA saúda a atenção da administração em relação às barreiras do Brasil contra exportações digitais dos EUA por meio de uma investigação deliberativa sob a Seção 301 sobre os prejuízos causados por tratamento discriminatório […]. Esperamos que essas medidas tragam alívio para as operações do setor no Brasil e reestabeleçam um comércio aberto e justo entre esses dois importantes parceiros”, diz o texto.

A Seção 301, que a CCIA cita, é um mecanismo da Lei de Comércio dos EUA de 1974, que permite investigar práticas comerciais desleais e impor penalidades. Trump usou essa seção para ordenar uma investigação contra o Brasil.

No final de 2024, a CCIA elaborou um mapeamento de todas as ações que o Executivo e o Legislativo brasileiro tomaram e que iriam contra os interesses das Big Techs. O relatório foi apresentado ao Departamento de Comércio em outubro de 2024 – será justamente um representante desse departamento, Jamieson Greer, quem vai conduzir a investigação determinada por Trump usando a seção 301.

Nesse relatório, o grupo de lobby pede que o governo dos EUA monitore, questione e atue contra uma variedade de medidas tomadas no Brasil, desde a suspensão da rede X, de Elon Musk, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) e até as “taxas das blusinhas”, a Lei 14.902/2024, que estabeleceu taxação de compras internacionais de produtos que custam até 50 dólares.

POR QUE ISSO IMPORTA?

  • A taxação determinada por Trump impacta diversos setores econômicos no Brasil, como a siderurgia, que exporta aço e alumínio.
  • A Seção 301, citada por Trump, é um sistema de retaliação comercial e já foi usada contra países como China, Índia e nações da União Europeia.

Abaixo, um resumo dos principais pontos do relatório dos lobistas.

O grupo relembrou a suspensão do “X”, rede social de Elon Musk, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto de 2024, por não manter representante no Brasil, e também a multa de 5 milhões de dólares que a empresa teve que pagar.

As Big Techs alegam que “esta medida drástica tem implicações para o cenário de investimentos mais amplo e poderia ser copiada por regimes autoritários buscando alavancar controle sobre conteúdo online para restringir liberdade de expressão ou dissidência política”.

O grupo lobista argumenta que casos como esse “minam o livre fluxo de serviços e dados” e a “internet aberta e globalmente conectada”.

Elon Musk, empresário dono da rede social X

Grupo de lobby defende rede de Musk e critica STF por ameaçar “liberdade de expressão”

O grupo critica propostas do Legislativo brasileiro para proteção de dados e afirma que a LGPD, de 2018, segue o modelo legislativo da União Europeia, mas tem regras mais rígidas para transferências de dados. 

O relatório pede que os EUA monitorem a implementação da LGPD e sugere que o representante do departamento de Comércio do país “deve instar o Brasil a considerar as proteções de privacidade disponíveis nos Estados Unidos como adequadas sob a lei brasileira”.

As Big Techs também pedem que o governo americano “deve instar o Brasil a rejeitar” o Projeto de Lei nº 4.097/2023, que alteraria uma lei de 2014 para implementar novas medidas de “soberania digital” sob a LGPD. Sob esta legislação, empresas de TI que oferecem serviços no Brasil teriam obrigações de propriedade e controle local, como serem obrigadas a ter 25% do capital social com direito a voto nas mãos de brasileiros.  

O grupo de lobby também questionou a lei que ficou conhecida como a “taxa das blusinhas”, estabelecida pelo Brasil em agosto de 2024.

A CCIA alega que a taxação aumenta o tempo e custo do processo de liberação aduaneira e serve como uma barreira ao comércio eletrônico. O grupo defende um limite mínimo de 100 dólares para começar a taxação. Pede ainda que o governo norte-americano pressione o Brasil, sugerindo que a taxa “poderia ser inconsistente com as obrigações do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT) do Brasil”. 

CRÍTICAS AO PROJETO QUE REGULA IA

O Projeto de Lei de regulação da Inteligência Artificial (IA), o PL 2.338/2023, aprovado no Senado no final do ano passado, também está na mira do grupo lobista, que o classifica como “preocupante”. Para as plataformas, ele impõe “obrigações excessivas de relatórios para ofertas de IA de alto e baixo risco, nenhum dos quais está bem definido”.

Uma das principais reclamações é sobre a obrigatoriedade de compensação de direitos autorais, “que vão muito além de propostas consideradas em outros lugares globalmente, as quais exigiriam que desenvolvedores fornecessem compensação por qualquer conteúdo brasileiro usado para treinar modelos de IA”.

O grupo ameaça que isso leve ao não desenvolvimento de aplicações de IA no Brasil e diz que o governo dos EUA “deve monitorar este regime para garantir que o marco esteja alinhado com acordos internacionais” e “evite tratamento discriminatório” a fornecedores americanos. 

A CCIA ataca o PL 2.768/2022, de autoria do deputado João Maia (PL-RN), que autorizaria a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a regular as plataformas digitais. Para as Big Techs, isso daria à Anatel “ampla autoridade discricionária para definir termos e criar regras”. 

O relatório lembra a Medida Provisória nº 1.262/24, do Ministério da Fazenda do Brasil, que estabelece um imposto mínimo de 15% sobre multinacionais que operam no país. Para o grupo, “o governo parece determinado a buscar novas fontes de receita tributando empresas estrangeiras de forma desproporcional”. As Big Techs pedem que o Escritório do Representante Comercial dos EUA acompanhe as ações nesse tema. 

O grupo apontou que em 2023 a Anatel lançou uma consulta pública sobre a regulamentação de “Serviços de Valor Adicionado”, incluindo explorar a viabilidade e adequação de taxas de uso da internet no Brasil.

A CCIA também critica o PL 2.804/2024, de autoria do senador Angelo Coronel (PSD-BA), em tramitação na Câmara, que propõe que plataformas digitais contribuam com 5% de sua receita para o Fundo Universal de Telecomunicações. Segundo o grupo, “esta lei poderia violar o princípio de neutralidade competitiva sob as regras da OMC [Organização Mundial do Comércio] que regem serviço universal, já que fornecedores brasileiros receberiam tratamento preferencial às custas de fornecedores estrangeiros incapazes de acessar o Fundo”, diz o relatório.

O texto “insta o representante de Comércio a permanecer vigilante enquanto o Brasil continua a perseguir taxas de uso de rede”. 

AS REGRAS TARIFÁRIAS

O relatório chama atenção para mudanças no regime Ex-Tarifário — o sistema que permite a redução da alíquota do Imposto de Importação de Informática e Telecomunicações de bens de capital (BK) quando não existem equivalentes produzidos aqui no Brasil. Isto é, um mecanismo que permite reduzir impostos para negociações com empresas estrangeiras na área de informática e telecomunicações. 

Uma resolução do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil de agosto de 2023 determinou que, para obterem isenção de impostos a importações, empresas multinacionais que operam no Brasil devem ter um plano de investimento e apresentar detalhes sobre a necessidade do equipamento, ganhos de produtividade e as tecnologias introduzidas através do produto.

Campanha Defenda o Brasil incentiva união do povo e expõe falsos patriotas

Peças publicitárias destacam que traidores da Pátria usam os símbolos nacionais, mas não perdem a oportunidade de atacar o próprio país. União do povo e das instituições é fundamental para proteger o país

No momento em que o país está tendo sua soberania atacada por uma nação estrangeira, a união do povo, das instituições e de todos os grupos sociais é fundamental para proteger a nação. Com base nesses fundamentos, a campanha Defenda o Brasil está sendo lançada, nesta sexta-feira (11), em todo o país, para incentivar o patriotismo entre os brasileiros. A taxação de 50% dos produtos brasileiros anunciada por Donald Trump revela a importância da integração nacional em prol do país.

Diversas peças publicitárias estão sendo lançadas para conscientizar os brasileiros da necessidade de ter orgulho e defender o próprio país. A campanha ocorre em consórcio entre o PT, influenciadores, movimentos sociais, sindicatos e centrais sindicais, parlamentares, liderança do PT na Câmara e no Senado e a população em geral. A campanha destaca que os traidores da Pátria atuaram se fingindo de patriotas.

Em entrevista ao Jornal Nacional, o presidente Lula destacou que o Brasil não abrirá mão de sua soberania, que vai adotar a diplomacia para lidar com a situação e que ele próprio irá atrás de novos mercados consumidores para produtos nacionais. “Nós entendemos que o Brasil é um país que não tem contencioso com ninguém, nós não queremos brigar com ninguém, nós queremos negociar e o que nós queremos é que sejam respeitadas as decisões brasileiras”, observou.

TRAIDORES DA PÁTRIA

Com a Bandeira Nacional nas costas ou envolta do corpo, os que conspiraram contra a democracia buscaram autoridades dos Estados Unidos para taxar o próprio país. Falsos patriotas comemoraram a taxação que ameaça milhões de empregos e pode prejudicar a economia brasileira. Porém, o Brasil é uma grande nação.

Os vídeos da campanha destacam a hipocrisia de Jair Bolsonaro (PL), que ao mesmo tempo que diz patriota, presta continência à bandeira dos Estados Unidos. Outro falso patriota é o governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), de São Paulo, que apareceu usando um boné com a frase “Make America Great Again” e dizendo “grande dia”.

A frase do dia

“É inacreditável ver o governo de São Paulo, principal centro industrial do país, sendo cúmplice de um feroz ataque à indústria brasileira. Tarcísio de Freitas dá uma banana ao povo de SP para virar ‘Leão de Chácara’ de uma família radical, extremista e criminosa. Respeitem o BRASIL!”.

Ricardo Capelli, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI)

Aprovação em tempo recorde

POR GERSON NOGUEIRA

O técnico Claudinei Oliveira é a sensação da temporada no futebol paraense. Depois de apenas quatro partidas no comando do PSC, virou unanimidade entre os torcedores, que atribuem a ele – com justiça – a grande recuperação empreendida pelo time na Série B, com a sequência de três vitórias e um empate nas últimas quatro rodadas.

Com trabalho sério, nenhuma conversa fiada e uma boa dose de arrojo, Claudinei conseguiu transformar por completo o ambiente no clube. De um time emocionalmente fragilizado, sem acreditar nas próprias forças, o Papão passou a jogar com muita disposição, sem medo de errar e arriscando jogadas que nas primeiras 11 rodadas nem eram tentadas.

O longo jejum sob o comando de Luizinho Lopes representou um prejuízo imenso para o PSC na tabela de classificação da Série B. Com elenco reduzido, problemas de contusão e suspensões no elenco, ele teve muita dificuldade e não conseguiu nenhuma vitória.

Claudinei assumiu na 12ª rodada, diante do Botafogo-SP, buscando recuperar o astral e a confiança do elenco de jogadores. Conseguiu vencer aos trancos e barrancos e, a partir daí, o Papão não foi mais derrotado. É cedo ainda para considerar que a fase negativa passou totalmente, mas um grande passo já foi dado no sentido de tornar o time mais competitivo e no nível dos demais disputantes do Brasileiro.

Nas primeiras entrevistas, Claudinei deixou claro que não queria representar o papel do milagreiro de plantão. Experiente, sabia que milagres não existem no futebol. O que conta mesmo é trabalho redobrado para vencer situações adversas. Explicou que seus times jogam sempre buscando vencer, não abraçam o medo como prática.

A prática tem correspondido plenamente ao discurso, e isso é muito bom. O PSC de Claudinei empenha-se em vencer, ignorando até os riscos normais de disputas na Série B. A exceção, por razões óbvias, foi o jogo com o Avaí, em Florianópolis, quando a estratégia era não perder – e funcionou.

A aprovação ao trabalho de Claudinei está diretamente associada à mudança de atitude. O torcedor sabe hoje que o PSC não entra mais para perder, como ocorreu no atrapalhado começo de Série B.   

PSG bota o Real na roda e avança à final

O conceito de baile em futebol precisa ser urgentemente ressignificado. O que o PSG fez ontem com o atarantado Real Madrid foi digno de aplausos e até uma certa pena. Uma avassaladora e contínua marcha em direção ao gol. Os azuis botaram a bola debaixo do braço e trataram de resolver o jogo antes dos 10 minutos. No fim, 4 a 0. E foi pouco.

O PSG havia feito isso com a Inter na final da Champions, impondo uma pisa de 5 a 0. Massacrou o Atlético de Madrid neste Mundial de Clubes, com goleada de 4 a 0. Esbarrou no Botafogo, campeão da América, sofrendo a única derrota no torneio e único gol (de Igor Jesus) até agora.

Dembélé, Fabián Ruiz, Nuno Mendes, João Neves, Hakimi, Vitinha e Doué não deram tempo para o Real entender o que estava acontecendo. Antes dos primeiros gols, Courtois já havia feito dois milagres – depois, fez outros tantos. Na real, foi um atropelamento.

No PSG, a troca de passes incessante e sempre objetiva é a principal forma de defesa, conseguindo deixar sem rumo craques como Mbappé, Vini Jr. e Bellingham. Fabián Ruiz, peça essencial na articulação de Luis Enrique, é um 10 diferente, que joga quase sempre sem bola.

O campeão europeu enfrenta o Chelsea na grande final de domingo. Os ingleses venceram o Fluminense na terça-feira. Foram pragmáticos e tiveram o brasileiro João Pedro (cria de Xerém) em tarde inspirada.

O PSG é amplamente favorito ao título. Para vencê-lo, o Chelsea terá que tomar lições com o Botafogo, que Luis Enrique admitiu ter sido seu adversário mais difícil. 

Os gastos do torcedor nortista com futebol

Na região Norte, gastos com o futebol afetam o bolso de 65% da população, revela estudo da Serasa. A pesquisa faz uma radiografia do comportamento financeiro em torno da maior paixão nacional. A compra de camisas dos times lidera como despesa prioritária entre torcedores.

Alguns dados chamam atenção: 85% das pessoas que gastam com futebol fazem isso todos os meses e 58% consideram que ir ao estádio virou um luxo fora do alcance. Por isso, apenas 20% vão a estádios ver o seu time jogar. A maioria fica no sofá, ligada na TV aberta (72%) e fechada (40%).

É interessante ver que opções como o Youtube (44%) e streamings (22%) já somam 66% da preferência dos torcedores.

A boa notícia para quem vive de futebol como negócio é que o consumo relacionado ao esporte é cada vez maior e já atinge 65% da população, segundo o estudo inédito da Serasa. A pesquisa “Gastos com Futebol” ouviu 2.940 pessoas em todas as regiões do país, em junho deste ano.

Entre os principais gastos, as camisas continuam com larga vantagem (61%), seguida de outros produtos licenciados (26,7%), ingressos para assistir aos jogos (24,7%) e streamings ou pay-per-view (20,5%).

Com dinheiro ou não, o certo é que o futebol estimula que o brasileiro não se imponha limites para estar ao lado do seu time. Pelo menos 60% dos entrevistados já “cometeu alguma loucura” pelo seu clube.

Além de movimentar a economia, sete em cada 10 nortistas destacam o papel social que o esporte representa, como grande fator de aproximação entre pessoas, promovendo laços entre familiares e amigos.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 10)

Ameaças ao vento

Por Eliara Santana

Ontem, Steve Bannon – o único e verdadeiro mentor de Donald Trump – afirmou numa entrevista que as “ações” de Trump pedindo por Bolsonaro, afirmando a inocência do ex-presidente e ameaçando Lula, Xandão e o governo brasileiro, eram somente o começo. Muito mais vai vir, garantiu o guru.

Essas inserções midiáticas bombásticas, na cartilha de Bannon, mantêm os grupos mobilizados, apelam pela emoção e criam situações de caos e apreensão. Esses são os objetivos para encobrir a raiva com o sucesso dos BRICS no Brasil. Ninguém está verdadeiramente preocupado com Jair, o inelegível entupido – ele é só um bode conveniente. E que serve ao propósito de bagunçar o Brasil.

Hoje, Eduardo Bolsonaro, vulgo Dudu Bananinha, aquele que fugiu para os EUA, sob as barbas do Estado brasileiro para abertamente conspirar contra o país, está feliz nas redes pela manifestação de Trump. Dudu é bom em criar factoides e mobilizar pelo apelo emotivo – apesar da cara cínica. Pois bem, ele também está anunciando que virão mais ações e que a manifestação de Trump “é só o começo”. Dudu se parece bastante com alguns perfis no Face que ficam dizendo “olha, muita gente me procurando, me telefonando, mas agora não posso contar, aguardem. E me sigam”, tudo para conseguir mais likes e atiçar a curiosidade. Além do que, esse impulso fake encobre as rachaduras da extrema direita – mas esse é outro assunto para daqui a pouco.

Bom, intrigas à parte, o ponto é: essas investidas contra o Governo e a favor de Bolsonaro, vindas de fora para mobilizar os de dentro, vão continuar e devem se aprimorar. Atentos a isso, já vamos também nos mobilizar. Mas o ponto crucial é o seguinte: esse cenário não é tão ruim quanto pode parecer num primeiro momento. Sabem por quê? Porque, como já disse aqui algumas vezes, Trump e Bolsonaro à solta, falando asneiras e fazendo asneiras, são personagens excelentes para arrancar máscaras e sacudir isentões. Porque todas essas ações interpelam fortemente os falsos democratas e aqueles que fingem que Tarcísio gosta de democracia e os obrigam a se manifestar também. E claro, porque tudo isso dá um nó enorme na imprensa, que terá de defender o Brasil. Fortes emoções.

Sigamos!

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Eliara Santana é jornalista, doutora em Linguística e Língua Portuguesa, com foco em Análise do Discurso. Ela é pesquisadora do Observatório das Eleições e integra o Núcleo de Estudos Avançados de Linguagens, da Universidade Federal do Rio Grande. Coordena o programa Desinformação & Política. Também Desenvolve pesquisa sobre desinformação, desinfodemia e letramento midiático no Brasil.

UGT manifesta apoio a Lula em defesa dos vetos e da democracia social

A União Geral dos Trabalhadores (UGT) saiu ontem em defesa dos vetos e da democracia social, posicionando-se ao lado da decisão do presidente Lula de recorrer ao STF pela taxação do IOF. Ao mesmo tempo, critica os retrocessos impostos pelo Congresso Nacional:

“A União Geral dos Trabalhadores – UGT manifesta seu apoio integral à manutenção dos vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que hoje representam a última barreira contra retrocessos sociais e o avanço de uma lógica perversa dentro do Congresso Nacional.

Já tivemos um Parlamento capaz de promover avanços civilizatórios – a promulgação da Constituição de 1988 talvez seja o maior deles. Hoje, porém, vivemos um processo de captura institucional, operado por grupos que atuam com práticas milicianas: trocam votos por favores, negociam verbas públicas para atender lobbies e abandonam as verdadeiras demandas do povo brasileiro.

Este Congresso aprova o aumento no número de deputados, em afronta à Constituição, ao mesmo tempo em que corta recursos da saúde, da educação, da assistência social e ameaça conquistas históricas como o salário mínimo e a aposentadoria. É o mesmo Congresso que manipula tarifas públicas – como a conta de luz – para beneficiar empresários em plena crise social e econômica. O mesmo que preserva bilhões em incentivos fiscais para os mais ricos, enquanto transfere a conta para a população trabalhadora.

Não temos representantes. Temos operadores de interesses privados.

Vivemos uma era de rentismo desenfreado, em que “os de cima sobem e os de baixo afundam”. A lógica de funcionamento do Congresso se assemelha cada vez mais à de uma milícia institucionalizada: proteção em troca de recursos, chantagens – veladas ou explícitas – e absoluto desprezo pelo bem comum.

Diante disso, a UGT reconhece a importância dos vetos presidenciais como instrumentos essenciais de defesa da democracia social e de um equilíbrio fiscal verdadeiramente responsável. O presidente Lula e o ministro Fernando Haddad têm agido com coragem – muitas vezes isolados – para proteger o Estado brasileiro da ruína institucional. Enquanto parte do governo se omite, o Congresso transforma-se em um espaço de chantagem política e destruição do pacto democrático.

A manutenção dos vetos não é apenas uma medida técnica. É uma questão moral.

Ao defender os vetos, estamos defendendo o SUS, a merenda escolar, os investimentos públicos, a agricultura familiar, o salário mínimo e os direitos da maioria da população brasileira. Derrubá-los é aprofundar a crise institucional e empurrar o país ainda mais para o abismo da desigualdade e do autoritarismo.

A UGT acredita que é urgente reconstruir o espaço político com coragem, lucidez e responsabilidade. Não há mais tempo para omissão.
É hora de resistir. É hora de escolher de que lado da história estamos”.

Enilson Simões de Moura – Alemão
Membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável
Vice-presidente Nacional da União Geral dos Trabalhadores – UGT

Guerra dos donos: Universal e Assembleia de Deus brigam por mais poder no Congresso em 2026

Por Gilberto Nascimento – Intercept_Brasil

A disputa por poder político de olho na eleição de 2026 já mobiliza três dos principais grupos evangélicos do Brasil. Neste Game of Thrones religioso, está em jogo a pavimentação para a candidatura de Tarcísio de Freitas para a presidência, uma possível indicação de Ricardo Nunes para disputar o governo paulista e o ressurgimento político de figuras como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Essa tríade é comandada pelo pastor Silas Malafaia, líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, a Advec; pelo bispo Samuel Ferreira, presidente-executivo da Convenção Nacional das Assembleias de Deus Madureira, que reúne vários templos desse ramo pelo país; e pelo bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus.

“Nesse momento, o que a gente consegue ver com mais evidência são esses três grandes projetos. Mas todos esses projetos estabelecidos apresentam entre si rearranjos e recombinações”, explica o teólogo protestante Fábio Py, professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, o Iuperj.

O deputado federal pelo Rio de Janeiro e pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara e tido como um porta-voz informal de Silas Malafaia, disse ao Intercept Brasil que essa ação política de grupos evangélicos pode ser ainda mais ampla. 

“De média a grandes representações evangélicas, temos umas dez. Todas elas têm projeto político, sim. A Igreja Batista, por exemplo, é forte. Tem ainda os presbiterianos, os luteranos, as comunidades evangélicas e a Igreja do Evangelho Quadrangular, uma das mais organizadas e com representatividade muito grande”, pontua Sóstenes, ex-presidente da Frente Parlamentar Evangélica.

Deputado Federal, Sóstenes Cavalcante, do PL do Rio de Janeiro, participou do ato "Justiça Já" que pediu a anistia dos envolvidos no 8 de Janeiro (Foto: Marina Uezima/Brazil Photo Press/Folhapress)
Deputado Sóstenes Cavalcante, do PL-RJ, discursou em ato em SP que pediu a anistia dos envolvidos no 8 de Janeiro (Foto: Marina Uezima/Brazil Photo Press/Folhapress)

Segundo o pastor e líder do PL, essas dez representações deverão se unir na sucessão presidencial, “todas contrárias a um projeto de esquerda para o Executivo, porque a esquerda não consegue conversar com o segmento”. Mas ainda é cedo para dizer que isso está sacramentado. Afinal, cada grupo tem estratégias diferentes. “Os batistas se alinham ao poder, mas não têm projeto de poder. Não vão lançar um candidato a presidente, por exemplo, ou, como denominação, colar numa candidatura a presidente oficialmente”, garante o pastor Sergio Dusilek, da Igreja Batista de Marapendi, no Rio de Janeiro, ex-presidente da Convenção Batista Carioca. 

Entre todos esses grupos, ganha destaque a disputa interna para definir quem tem a hegemonia na Assembleia de Deus, a maior igreja evangélica do país, com 12,3 milhões de fiéis, segundo os dados mais recentes do IBGE, de 2010, sobre o tamanho das denominações religiosas.

A Assembleia de Deus é composta por vários ramos. O maior deles é o da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, CGADB, liderada pelo pastor José Wellington Bezerra, do bairro do Belém, zona leste de São Paulo. 

Para se ter uma ideia do poder político desse grupo, basta olhar para a bancada evangélica na Câmara dos Deputados. Hoje, há 14 deputados federais e três senadores ligados à CGADB – a maioria de partidos à direita ou centro. Apesar de maior do que partidos como PSOL, Avante e Solidariedade, o  grupo atua com discrição. “O Wellington nunca disputou esse posto de voz dos evangélicos”, testemunha o colega pastor Sergio Dusilek.

Na sequência, vêm a Assembleia Madureira, do bispo Samuel Ferreira, com sete deputados federais e um senador; a Vitória em Cristo, de Malafaia, com quatro deputados; e a Assembleia de Deus de Belém, no Pará, ligada à  Convenção das Assembleias de Deus do Brasil, a CADB, liderada pelo pastor Samuel Câmara, com três deputados federais.

Os grupos menores na Assembleia vão agora a campo na política justamente para se fortalecer. “A Vitória em Cristo, porém, transcende sua representação, além da Assembleia, por causa do pastor Malafaia, que, com suas pregações e o seu discurso, atrai a simpatia de evangélicos de outras denominações”, afirma Sóstenes Cavalcante.

O atual presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado e pastor Gilberto Nascimento, do PSD de SP, já foi representante da Assembleia Madureira em São Paulo e hoje é próximo do pastor Silas Malafaia, da Advec. “Ele [Nascimento] frequenta várias igrejas, mas é o candidato do pastor Silas. Ele é o candidato da nossa igreja em São Paulo. É  o candidato que tem uma mala direta com mais de 200 mil nomes de pessoas evangélicas de São Paulo ligados ao pastor Silas”, explica o deputado Sóstenes.

O pastor e deputado procura amenizar a disputa interna entre os evangélicos. “A igreja evangélica é plural. Nós não temos um grupo mais forte do que o outro ou menos forte. Há igrejas maiores, porém, conforme mostram os números do IBGE. Isso se reflete no parlamento”, diz.

Malafaia quer herdar o espólio do bolsonarismo

Pastor Silas Malafaia participou, ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro, de ato na Avenida Paulista a favor da anistia aos golpistas do 8 de Janeiro (Foto: Leandro Chemalle/Thenews2/Folhapress)
Pastor Silas Malafaia participou, ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro, de ato em SP a favor da anistia aos golpistas (Foto: Leandro Chemalle/Thenews2/Folhapress)

O pastor Silas Malafaia, mentor de Sóstenes, procurou se notabilizar nos últimos anos como um dos líderes do bolsonarismo e como protagonista de um ativismo evangélico conservador, que cresceu e ganhou força no país.

Em busca de um fortalecimento político maior para sua igreja, Malafaia apostou na aproximação com os seguidores do ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL, e na manutenção de um alinhamento com a extrema direita. Tenta herdar o espólio do bolsonarismo. 

Malafaia foi o patrocinador e organizador de atos pelo Brasil reivindicando anistia a Bolsonaro, que está inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral, TSE, até 2030 e é réu na ação penal que apura a tentativa de golpe para mantê-lo no poder após as eleições de 2022.

Aliado tradicional de políticos conservadores, embora já tenha apoiado Lula e o PT no passado, Malafaia e sua igreja têm entre os seus objetivos o combate às ações da esquerda. O presidente Lula e o PT estão entre os seus alvos preferidos. Verborrágico e histriônico, o pastor usa o seu poder midiático e faz um forte apelo emocional nos discursos e pregações. 

Preocupado com a taxação dos super-ricos?

Confira então se seu nome está na lista dos 50 bilionários brasileiros, segundo a atualização mais recente da Forbes/Valor Econômico (abril de 2025). A lista é dominada por banqueiros, rentistas, herdeiros, pastores e agropecuaristas.

Posição no Ranking Brasil:

Nome /  Fortuna (US$)

1 Eduardo Saverin (foto) 34,5 bi

2 Vicky Safra 20,7 bi

3 Jorge Paulo Lemann 17 bi

4 Carlos Alberto Sicupira 7,6 bi

5 André Esteves 6,9 bi

6 Fernando Roberto Moreira Salles 6,5 bi

7 Pedro Moreira Salles 6,1 bi

8 Miguel Krigsner 6,1 bi

9 Max Van Hoegaerden Herrmann Telles 5,8 bi

10 Alexandre Behring 5,7 bi

11 João Moreira Salles 4,5 bi

12 Walther Moreira Salles Jr. 4,5 bi

13 Jorge Moll Filho 4,4 bi

14 Joesley Batista 3,8 bi

15 Wesley Batista 3,8 bi

16 Maurizio Billi 3,7 bi

17 Alceu Elias Feldmann 3,3 bi

18 José João Abdalla Filho 3,2 bi

19 Mário Araripe 3,0 bi

20 João Roberto Marinho 3,0 bi

21 José Roberto Marinho 3,0 bi

22 Roberto Irineu Marinho 3,0 bi

23 Lirio Parisotto 2,5 bi

24 Marcel Herrmann Telles 2,3 bi

25 Alexandre Grendene Bartelle 2,2 bi

26 Julio Bozano 2,1 bi

27 Luciano Hang 2,0 bi

28 Jayme Garfinkel 1,8 bi

29 Edir Macedo 1,8 bi

30 Luiz Frias 1,7 bi

31 Ilson Mateus 1,7 bi

32 Guilherme Benchimol 1,7 bi

33 Alfredo Egydio Villela Filho 1,7 bi

34 Sasson Dayan 1,5 bi

35 Ana Lucia de Mattos Barretto Villela 1,5 bi

36 Artur Grynbaum 1,5 bi

37 Rubens Menin Teixeira de Souza 1,5 bi

38 Rubens Ometto Silveira Mello 1,5 bi

39 Carlos Sanchez 1,5 bi

40 Eduardo Voigt Schwartz 1,5 bi

41 Mariana Voigt Schwartz Gomes 1,5 bi

42 Cristina Junqueira 1,4 bi

43 José Roberto Ermírio de Moraes 1,3 bi

44 José Ermírio de Moraes Neto 1,3 bi

45 Daniel Feffer 1,3 bi

46 David Feffer 1,3 bi

47 Neide Helena de Moraes 1,3 bi

48 Vera Rechulski Santo Domingo 1,3 bi

49 Jorge Feffer 1,2 bi

50 Ruben Feffer 1,2 bi