Sob a sombra da desconfiança

POR GERSON NOGUEIRA

A campanha do Remo na Série B gera reações contraditórias no torcedor. Por um lado, a excelente pontuação (25 pontos em 15 rodadas), que garante a quinta colocação, é merecedora de aplausos. Ao mesmo tempo, a performance é vista com extrema desconfiança, com críticas concentradas no trabalho do técnico Antônio Oliveira.

Nem mesmo a quantidade excessiva de lesões no elenco, que têm contribuído para a equipe jogar seguidamente sem titulares importantes – Pedro Rocha, Reynaldo, Klaus, Caio Vinícius, Marrony –, diminui a impaciência da torcida com o rendimento técnico sofrível em alguns jogos.

Na última rodada, o Remo conquistou um resultado positivo ao empatar com a Chapecoense dentro da Arena Condá, mas a decepção com a atuação do time lembrou um cenário pós-derrota. Exigente e crítica, a torcida tem se manifestado nas redes sociais com grande insatisfação em relação à maneira de jogar adotada pelo novo técnico.

O fato é que o Remo sente em demasia a troca de comando técnico. Adaptado ao sistema objetivo e eficiente praticado por Daniel Paulista, priorizando as saídas em velocidade pelos lados e a forte marcação no meio, o time tem sofrido para assimilar as ideias de Antônio Oliveira.

Quando Oliveira assumiu na 13ª rodada, o Remo tinha 20 pontos. Conquistou cinco nos últimos quatro jogos, acumulando uma vitória, dois empates e uma derrota. O problema é que a única derrota foi justamente contra o maior rival, por 1 a 0, considerada imperdoável pelo torcedor.

Oliveira tem sido cornetado principalmente pelas escolhas. Pouco atento às informações dos profissionais permanentes do clube, ele insistiu em lançar Felipe Vizeu no 2º tempo contra o Cuiabá, pecado agravado pela pífia atuação do centroavante, causando a ira da torcida. Barrar Caio Vinícius e optar por Pedro Castro também não ajudou muito.

Profissional caro, oriundo da Série A, o técnico terá que apresentar soluções e resultados para vencer resistências. Para isso, é necessário criar um modelo próprio, que se mostre à altura do alto investimento feito pela diretoria. Nesse sentido, o estratégico confronto contra o Novorizontino (amanhã, 21h35) é a oportunidade ideal para Antônio Oliveira mostrar a que veio. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Fogão apresenta a “aposta” Davide Ancelotti

A estreia de Davide Ancelotti como técnico do Botafogo ocorreu na prática no clássico diante do Vasco, domingo, com vitória por 2 a 0. Ainda sem o registro necessário, ficou como auxiliar técnico, mas deu as orientações para Cláudio Caçapa à beira do campo. A apresentação oficial ocorreu na segunda-feira, ao lado de John Textor.

Impressionou pela entrevista concedida em português fluente, muito melhor do que vários gringos que vivem há anos no Brasil, como o ex-zagueiro uruguaio Diego Lugano, cujas falas são tão incompreensíveis que deveriam ser até legendadas.

Quando demitiu Renato Paiva, Textor deixou claro que o “Botafogo Way” requer jogo ofensivo, buscando sempre a vitória. Paiva vestiu o manto da covardia e perdeu para o Palmeiras no Mundial de Clubes.

Davide, filho de Carlo Ancelotti, já estreou com um Botafogo disposto a vencer. Matou o jogo com o Vasco no 2º tempo, com um futebol vertical e objetivo. Mesmo sem Igor Jesus e Jair, negociados com o futebol inglês, valeu-se de novatos que já enchem os olhos da torcida: Montoro e Caio.

Ao lado do dono da SAF, Davide prometeu que seu trabalho à frente do Glorioso terá a “cara do Botafogo”, praticando um futebol ofensivo, moderno e “que honre a importância e o protagonismo do clube”.

“Temos que jogar com coragem. O sistema pode mudar, mas tem que estar claro que somos um time campeão e temos que jogar com personalidade e honrando o que esse clube representa”. Boas falas.

O certo é que a pré-estreia não podia ter sido mais feliz. A vitória sobre o Vasco foi construída com o tipo de jogo que agrada Textor e encanta a torcida do campeão da América.

Apostas: FPF garante recursos para os clubes

O presidente da FPF, Ricardo Gluck Paul, anunciou ontem que a Federação Paraense de Futebol concluiu em Brasília mais uma etapa estratégica para garantir o acesso dos clubes profissionais do Estados aos recursos provenientes das apostas esportivas de cotas fixas.

Gluck Paul fez a entrega da diretriz técnica que autoriza a FPF a dar início ao processo de identificação e captação dos valores previstos em lei federal, que prevê a destinação de parte da arrecadação das casas de apostas para entidades de prática esportiva e organizadoras de competições.

Pioneira no país, a FPF se articula juridicamente em nível nacional para garantir o acesso aos repasses. A federação abriu mão da sua parcela no rateio desses recursos, possibilitando que 100% do valor seja repassado exclusivamente aos clubes das Séries A1, A2 e A3.

Em 2025, a FPF já havia implementado de forma inédita cotas de participação para os 24 clubes das Séries A2 e A3, incluindo o custeio de arbitragem, delegados e parte da logística da competição.

Antes, os clubes de divisões de acesso não tinham cotas de participação, nem apoio financeiro da federação. Com este novo passo, segundo Gluck Paul, a FPF amplia a cota de participação dos clubes e garante uma injeção extra de recursos sem precedentes no futebol paraense. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 16)

Aprendizes de Bolsonaro

Editorial do jornal “O Estado de S. Paulo” critica a postura de governadores bolsonaristas em meio à crise econômica causada pelo tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil. “O Brasil não merece lideranças que relativizam os próprios interesses nacionais em nome da lealdade a um projeto autoritário, retrógrado e personalista. Até quando a direita brasileira permitirá ser escrava de um desqualificado como Bolsonaro?”, questiona o jornal.

Fiéis à desonestidade intelectual do padrinho, governadores bolsonaristas que aspiram à Presidência culpam Lula pela ameaça de tarifaço de Trump. A direita pode ser muito melhor que isso. A direita brasileira que se pretende moderna e democrática, se quiser construir um legítimo projeto de oposição ao governo Lula da Silva, precisa romper definitivamente com Jair Bolsonaro e tudo o que esse senhor representa de atraso para o Brasil. Não se trata aqui de um imperativo puramente ideológico, e sim de uma exigência mínima de civilidade, decência e compromisso com os interesses nacionais.

O recente ataque do presidente americano, Donald Trump, às instituições brasileiras, supostamente em defesa de Bolsonaro, é só uma gota no oceano de males que o bolsonarismo causa e ainda pode causar aos brasileiros. A vida pública de Bolsonaro prova que o ex-presidente é um inimigo do Brasil que sempre colocou seus interesses particulares acima dos do País. A essa altura, portanto, já deveria estar claro para os que pretendem herdar os votos antipetistas que se associar a Bolsonaro, não importa se por crença ou pragmatismo eleitoral, significa trair os ideais da República e arriscar o progresso da Nação.

Por razões óbvias, Bolsonaro não virá a público condenar o teor da famigerada carta de Trump a Lula. Isso mostra, como se ainda houvesse dúvidas, até onde Bolsonaro é capaz de ir – causar danos econômicos não triviais ao País – na vã tentativa de salvar a própria pele, imaginando que os arreganhos de Trump tenham o condão, ora vejam, de subjugar o Supremo Tribunal Federal e, assim, alterar os rumos de seu destino penal.

Nesse sentido, é ultrajante a complacência de governadores como Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG) e Ronaldo Caiado (GO) diante dos ataques promovidos pelo presidente dos EUA ao Brasil. As reações públicas dos três serviram para expor a miséria moral e intelectual de uma parcela da direita que se diz moderna, mas que continua a gravitar em torno de um ideário retrógrado, personalista, francamente antinacional e falido como é o bolsonarismo.

Tarcísio, Zema e Caiado, todos aspirantes ao cargo de presidente da República, usaram suas redes sociais para tentar impingir a Lula, cada um a seu modo, a responsabilidade pelo “tarifaço” de Trump contra as exportações brasileiras. Nenhum deles se constrangeu por tergiversar em nome de uma “estratégia eleitoral”, vamos chamar assim, que nem de longe parece lhes ser benéfica – haja vista a razia que a associação ao trumpismo provocou em candidaturas mundo afora.

Tarcísio afirmou que “Lula colocou sua ideologia acima da economia, e esse é o resultado”, atribuindo ao petista a imposição de tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras aos EUA – muitas das quais saem justamente do Estado que ele governa. Classificando, na prática, a responsabilidade de Bolsonaro como uma fabricação, o governador paulista concluiu que “narrativas não resolverão o problema”, como se ele mesmo não estivesse amplificando uma narrativa sem pé nem cabeça.

Caiado, por sua vez, fez longa peroração, com direito a citação do falecido caudilho venezuelano Hugo Chávez, antes de dizer que, “com as medidas tomadas pelo governo americano, Lula e sua entourage tentam vender a tese da invasão da soberania do Brasil”. Por fim, coube a Zema encontrar uma forma de inserir até a primeira-dama Rosângela da Silva no script para exonerar Bolsonaro de qualquer ônus político pelo prejuízo a ser causado pelo “tarifaço” americano se, de fato, a medida se concretizar.

O Brasil não merece lideranças que relativizam os próprios interesses nacionais em nome da lealdade a um projeto autoritário, retrógrado e personalista. Até quando a direita brasileira permitirá ser escrava de um desqualificado como Bolsonaro? Não é essa a direita de um país decente. Não é possível defender o Estado Democrático de Direito e, ao mesmo tempo, louvar e defender um ex-presidente que incitou ataques às urnas eletrônicas, ameaçou as instituições republicanas, sabotou políticas de saúde pública e usou a máquina do Estado em benefício próprio e de sua família ao longo de uma vida inteira.

O Brasil precisa, sim, de uma direita responsável, madura e comprometida com o futuro – não de marionetes de um golpista contumaz.

O fundão da conspiração

Partido Liberal pagou R$ 600 mil a sócio de Eduardo Bolsonaro tido como “chanceler do bolsonarismo”.

Por Paulo Motoryn – Cartas Marcadas/Intercept

O Partido Liberal, legenda que abrigou o ex-presidente Jair Bolsonaro, pagou R$ 600 mil em dinheiro público ao escritório do advogado Sérgio Henrique Cabral Sant’Ana, sócio do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro , do PL de São Paulo.

Os pagamentos, documentados em notas fiscais, transferências bancárias e relatórios de atividades, ocorreram ao longo de 2024. Foram cinco parcelas de R$ 80 mil, uma de R$ 160 mil e uma final de R$ 40 mil, todas com recursos do fundo partidário, o famoso “fundão”.

Sant’Ana recebeu os pagamentos por meio de uma sociedade individual de advocacia que compartilha endereços, telefone e domínios digitais com o Instituto Conservador-Liberal, associação fundada por ele em conjunto com Eduardo Bolsonaro .

Nos documentos obtidos por Cartas Marcadas, o PL indica que Sant’Ana teria prestado serviços de “assessoria jurídica” à bancada do partido na CPMI de 8 de Janeiro, à Liderança da Oposição e às comissões parlamentares de Constituição e Justiça e de Educação.

Segundo os registros protocolados pelo partido na Justiça Eleitoral, ele teria produzido pareceres sobre projetos como o PL do aborto e alterações na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

No mesmo período em que recebeu os pagamentos, Sant’Ana se envolveu diretamente com articulações internacionais de extrema direita, viajando para países como a Espanha e, claro, os Estados Unidos. A atuação do rendeu o apelido de “chanceler do bolsonarismo”.

Também enquanto ganhava R$ 50 mil mensais do PL – salário maior até o de Jair e Michelle Bolsonaro na sigla –, Sant’Ana esteve à frente da organização de mais um CPAC , numa conferência global de extrema direita. As edições brasileiras são produzidas pelo Instituto Conservador-Liberal, entidade de qual é sócio ao lado de Eduardo Bolsonaro.

Durante os preparativos para a edição de 2024 do evento, que ocorreu em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, Sant’Ana viajou pelo país registrando encontros com políticos e celebridades da extrema direita , sempre associados à promoção do CPAC.

Pedi ao PL que me fornecesse a integralidade dos relatórios e pareceres produzidos por Sant’Ana, que incluíram os R$ 600 mil gastos com o sócio de Eduardo Bolsonaro. Até o momento, não houve resposta.

Em 2023, o PL já havia dinheiro injetado no CPAC. A fundação do partido, mantida com palavra pública, financiou todas as receitas do evento. Na época, foi o próprio Sant’Ana quem explicou: “A missão da fundação do PL é difundir os valores conservadores. A parceria com o CPAC faz todo sentido”.

Os pagamentos a Sant’Ana refletem o apoio da máquina partidária às articulações de Eduardo Bolsonaro no exterior. Foi ao lado do advogado que o filho do ex-presidente, por exemplo, visitou a Heritage Foundation, think tank ultraconservador norte-americano.

Sant’Ana e Eduardo Bolsonaro em visita à sede da The Heritage Foundation, em 2020 | Reprodução/Instagram

No início deste mês, como resultado do que é uma articulação construída há anos, e na qual Sant’Ana teve papel-chave, o deputado licenciado agradeceu a Donald Trump por impor uma tarifa de 50% contra produtos brasileiros.

Talvez você tenha lido que, na semana passada, o Tribunal de Contas da União acolheu um pedido para investigar o uso indevido de recursos públicos por Eduardo Bolsonaro nos EUA. Mas a verdade é que o caso deve ser arquivado, já que uma resolução do tribunal estabelece valor mínimo de R$ 120 mil para abertura de processos formais, e o gasto em questão gira em torno de R$ 5 mil.

Quem sabe, no entanto, essa edição Cartas Marcadas chegue onde precisa chegar. Para isso, conto com sua ajuda: divulgue o máximo que puder. Com o apoio de vocês, temos incomodado bastante gente às terças-feiras. Tenho certeza que agora não será diferente.

A CRONOLOGIA DA CONSPIRAÇÃO

Se você (e até o TCU) quiser entender o pano de fundo da reportagem que abrimos nesta edição — sobre os R$ 600 mil pagos pelo PL ao “chanceler” de Eduardo Bolsonaro — vale ler essa matéria da Deutsche Welle. O texto detalha como o bolsonarismo deixou de emular o trumpismo para se institucionalizar como um braço dele no Brasil.

A reportagem mostra que desde a eleição de Trump, em 2016, Bolsonaro, seus filhos e aliados como Sérgio Sant’Ana vêm construindo uma aliança transnacional com a extrema direita americana — ideológica, operacional e agora, como vemos, também financeira.

O CPAC, evento organizado por Sant’Ana e Eduardo, é uma peça central da engrenagem.

PGR pede a condenação de Bolsonaro por chefiar plano de golpe de Estado

A PGR afirma que Jair Bolsonaro liderou um grupo com ex-ministros, militares e agentes de inteligência que atuou para minar as instituições democráticas e impedir a posse do presidente eleito em 2022. A acusação se baseia em provas documentadas

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou nesta segunda-feira (14) suas alegações finais ao Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de ex-integrantes de seu governo acusados de participação ativa na tentativa de golpe contra a ordem democrática. No documento de 517 páginas, o procurador-geral Paulo Gonet Branco afirma que Bolsonaro não apenas tinha pleno conhecimento do plano, como também foi o principal articulador da iniciativa.

Segundo a manifestação, o grupo teria atuado de forma coordenada para enfraquecer as instituições democráticas e impedir a alternância legítima de poder após as eleições de 2022. “O núcleo central, liderado por Jair Messias Bolsonaro, composto por figuras-chave do governo, das Forças Armadas e de órgãos de inteligência, elaborou e executou um plano progressivo e sistemático contra a democracia”, afirma Gonet.

O procurador destaca que as acusações não se baseiam em suposições frágeis, mas sim em provas consistentes reunidas ao longo da investigação. De acordo com ele, a própria organização criminosa teria documentado boa parte de suas ações, facilitando o trabalho da acusação.

Essas alegações finais encerram a fase de instrução da ação penal aberta contra Bolsonaro e seus aliados. A partir de agora, a defesa dos oito réus poderá se pronunciar antes do julgamento definitivo, que será conduzido pelos ministros da Primeira Turma do STF. Todos os acusados negaram envolvimento com o plano golpista durante os depoimentos prestados.

Gonet classifica os réus como integrantes do “núcleo central do golpe” e destaca que o grupo era movido por um projeto de poder autoritário, com forte respaldo em setores das Forças Armadas. Além de Bolsonaro, a PGR pede a condenação de:

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin
Almir Garnier, ex-comandante da Marinha
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça
Augusto Heleno, ex-ministro do GSI
Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência
Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa
Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e vice na chapa de 2022

As acusações contra o grupo:

Tentativa de abolir o Estado democrático de direito de forma violenta (pena de 4 a 8 anos);

Golpe de Estado (pena de 4 a 12 anos);

Formação de organização criminosa armada (pena de 3 a 8 anos, com possibilidade de aumento);

Dano qualificado contra patrimônio da União (pena de 6 meses a 3 anos);

Deterioração de bem tombado (pena de 1 a 3 anos).

Agora, o processo segue para a fase final, com expectativa de julgamento nos próximos meses.

Faltou acreditar na vitória

POR GERSON NOGUEIRA

O jogo não foi como a torcida queria, mas o fato é que o empate entre PSC e Atlético-GO, sábado à noite, na Curuzu, não foi um resultado totalmente ruim para os bicolores. Mostrou capacidade de reação, manteve a invencibilidade sob o comando de Claudinei Oliveira e se aproximou um pouco mais da porta de saída do Z4.

É claro que as circunstâncias da partida frustraram a torcida (13 mil pessoas) presente à Curuzu. O PSC custou a se lançar ao ataque. Só fez isso, de forma constante, depois de sofrer o gol de Marcelinho, que contou com a colaboração do goleiro Gabriel Mesquita.

Quando resolveu cercar a área do Atlético, o PSC levou sempre perigo. Teve duas chegadas perigosas com Garcez e chegou ao gol de empate por mérito de Rossi, que apareceu no meio dos zagueiros para desviar no canto direito da trave, após um arremesso lateral vindo da direita.

Todo esse esforço para chegar ao gol poderia ter começado antes, caso a equipe não tivesse aceitado a pressão imposta pelo Atlético nos 20 minutos iniciais. Faltou mais arrojo e postura firme para sair em busca da vitória.

Aí o time voltou a aceitar a presença do Atlético em seu campo, levando à falha que permitiu o pênalti e o desempate. É inaceitável que um jogador de marcação resolva se agarrar com um atacante dentro da área. Qualquer peladeiro sabe que, nessas situações, o atacante levará sempre a melhor.

Foi o que aconteceu. Leandro Vilela, de histórico conhecido quanto a ações precipitadas, desistiu de disputar a bola e acabou aplicando um ippon no atacante atleticano, afinal imobilizado. O VAR titubeou no início, mas as imagens confirmaram a infração desnecessária – dois zagueiros iriam dar combate e impedir o eventual avanço do atacante.  

Na etapa final, com várias alterações na equipe e atitude mais agressiva, o Papão acabou premiado logo de cara. Cruzamento na área, a zaga deu rebote e Anderson Leite chegou chapando no canto esquerdo da trave.

Ao longo dos 45 minutos seguintes, os times abusaram dos erros, cadenciaram o jogo e o PSC perdeu o ímpeto que levou ao empate. O time de Claudinei arriscou poucas investidas em direção ao gol, o que deu a nítida impressão de acomodação com o placar. (Foto: Fernando Torres)

Leão atua mal, mas arranca empate

O Remo pulou uma fogueira na Arena Condá, ontem. Na pior atuação sob o comando do técnico Antônio Oliveira, o time teve um 1º tempo de muitos erros, aceitando o domínio da Chapecoense, mas Marcelo Rangel fez três defesas que garantiram o 0 a 0. Logo na saída para o 2º tempo, um cochilo geral da zaga resultou no gol da Chape, marcado por Rafael Carvalheira.

Nem a expulsão de Bruno Matias, aos 23 minutos, fez o Leão exercer pleno domínio. As entradas de Pavani e Régis fizeram a equipe melhorar na troca de passes, mas continuou a ter sérios problemas na cobertura defensiva, principalmente depois que Klaus saiu lesionado.

Cantillo custou a entrar no lugar de Pedro Castro, que voltou a ser lento e dispersivo. Com o experiente volante em campo, o Remo ganhou força nas saídas para o ataque, com boas participações de Régis, sempre vertical em lances junto à área adversária.

O gol de empate, marcado por Luan Martins, nasceu da pressão exercida pelo Remo no final da partida, mas também de um erro primário de marcação do setor defensivo da Chape, incluindo o goleiro Léo Vieira.

Curiosamente, mesmo com dois homens a mais nos instantes finais (Mancha saiu contundido e não podia mais ser substituído), o Remo correu perigo de tomar o segundo gol. A insegurança defensiva foi um dos pontos negativos da atuação da equipe.

É preciso enfatizar que o resultado final foi positivo, pois o Remo chegou aos 25 pontos e ultrapassou o Avaí, assumindo a 4ª colocação.

Chelsea surpreende PSG e assombra o mundo

Com um esquema fechado, mas com imensa mobilidade nas escapadas, o Chelsea surpreendeu o PSG e assombrou o mundo na grande decisão da I Copa do Mundo de Clubes, ontem. Ao aplicar um categórico 3 a 0 no 1º tempo, o time inglês fez os franceses provarem do próprio veneno.

A postura altiva de Palmer, João Pedro e Neto desarmaram as sólidas pilastras táticas do PSG, que não conseguiu fazer aquela infernal troca de passes em velocidade que desnorteou Bayern, Atlético e Real Madrid.

Quando os gols aconteceram, pelos pés de Palmer e João Pedro, o mundo do futebol se entreolhava, perplexo. E até os 20 minutos do 2º tempo ainda havia a expectativa de uma reação do PSG. Não veio e o futebol enterrou mais um favoritismo de véspera.

A final também mostrou duas situações distintas em relação à Seleção Brasileira. João Pedro, que nem era titular do Chelsea e chegou em meio à Copa, brilhou intensamente, inclusive marcando gol na decisão.

Por outro lado, Lucas Beraldo, queridinho da mídia paulistana, foi o responsável direto por dois gols e falhou feio no final, quase permitindo o 4 a 0. Ancelotti estava lá, vendo tudo de perto.

Beraldo foi um verdadeiro desastre, só inferior em simbolismo à vergonhosa agressão de Luis Enrique a João Pedro após o apito final. Um comandante não pode jamais agir com tamanho desequilíbrio. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 14)

Rock na madrugada – Richard Ashcroft, “Bitter Sweet Symphony”

Richard Ashcroft, antigo parceiro de composições e amigo dos irmãos Gallagher, fez a abertura do show especial da volta do Oasis à cidade de Manchester, na sexta-feira (11). Com uma banda afiadíssima, ele cantou vários sucessos da carreira, fechando com a clássica “Bitter Sweet Symphony” (Sinfonia Agridoce), hit do britpop, para delírio da multidão.

Cabe recordar a atribulada história da canção, êxito mundial de Ascroft com a banda Verve, conhecida também pela polêmica entre o compositor e os Rolling Stones. A música do The Verve utiliza um sample de “The Last Time”, antigo sucesso dos Stones, o que gerou um processo por plágio. Após um trâmite de 22 anos, os créditos e royalties da composição foram legalmente atribuídos a Mick Jagger e Keith Richards. 

O desfecho do caso foi surpreendente. Depois de toda a briga nos tribunais, os Stones concordaram em devolver os direitos e créditos a Richard Ashcroft, colocando um fim à perlenga. O gesto da banda foi considerado “magnânimo” por Richard.

Gol nos acréscimos garante o Leão no G4

Em jogo de muita marcação e incidentes entre os jogadores, Chapecoense e Remo empataram em 1 a 1, na noite deste domingo, na Arena Condá, pela 16ª rodada da Série B. Rafael Carvalheira abriu o placar logo no começo do 2º tempo, mas Luan Martins marcou para o Remo nos acréscimos, garantindo o empate. A partida teve uma expulsão (Bruno Matias), atritos em campo, bronca da torcida com a arbitragem e lesão do lateral-esquerdo Mancha, que deixou a Chape com dois jogadores a menos nos instantes finais do jogo.

O Remo não conseguia executar a transição ofensiva e não incomodou a zaga da Chape. Em contrapartida, o 1º tempo teve como destaque o goleiro Marcelo Rangel, que fez quatro grandes defesas, evitando o gol dos donos da casa. Ele defendeu finalizações de Marcinho, duas vezes, Giovanni Augusto e Rafael Carvalheira.

A etapa final começou logo com o gol da Chape: Carvalheira aproveitou um passe de Maílton e disparou para as redes. O Remo fez várias mudanças, principalmente no meio-campo e melhorou em relação à primeira etapa, mas só conseguiu empatar nos acréscimos. O time cresceu com as entradas de Régis e Cantillo. O volante Luan Martins aproveitou um erro de marcação e tocou de cabeça para colocar o Remo no G-4 da Série B.

No fim das contas, o Remo teve mais sorte que juízo e arrancou um ponto importantíssimo para subir na classificação.

Cinco pedras fundamentais do Rock

Comemorado neste 13 de julho, o Dia do Rock é oportunidade para destacar obras antigas, recentes e atuais que fazem a história do gênero mais importante da música pop. Selecionei 5 bandas e artistas de inquestionável relevância na história do rock, sem ordem cronológica. Claro que uma imensa quantidade de gênios ficou de fora desta lista obrigatoriamente restrita:

I’m Only Sleeping (Estou apenas dormindo) é a terceira faixa do LP Revolver, divisor de águas na discografia dos Beatles, lançado triunfalmente em agosto de 1966. Em pleno verão do desbunde e das descobertas, as experiências lisérgicas da dupla Lennon-McCartney estão contidas de maneira magistral neste disco desbravador. Depois dele, o rock perdeu a inocência e jamais foi o mesmo.

Do discaço Exile On Main Street, de 1972, Torn and Frayed (Rasgado e esfarrapado) é uma joia meio esquecida da lavra criativa de Jagger e Richards. Belo exemplar daquilo que a poesia do rock pode oferecer quanto a despojamento.

O punk rock veio pra meter o pé na porta e derrubar antigas crenças, romper com a acomodação. Afinal, o gênero sempre foi essencialmente subversivo e renovador. The Clash, com Joe Strummer nos vocais, é um grupo emblemático desse período inconformista e Train in Vain (1980) virou hino de toda uma geração.

Representante de um rock mais pesado, com os dois pés fincado no metal, o Led Zeppelin foi pioneiro e alargou fronteiras. Jimmy Page era cérebro e mentor, com o suporte de Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham. O Led reinou absoluto em faixa própria ao longo dos anos 70/80. São gigantes caminhando na terra até hoje. Whole Lotta Love (Encher de amor) é do álbum Led Zeppelin II, de novembro de 1969.

Jack White significa o renascimento de uma linha que o rock parecia ter esquecido. Guitarrista de primeira linha, enfileira canções de qualidade e é um fenômeno de palco, como se vê aqui nesta apresentação em Glastonbury (2022) cantando o hit “Seven Nation Army” (Exército das sete nações). É a certeza de que o rock segue vivo, muito vivo.

Papão evita derrota, mas permanece na zona do rebaixamento

O PSC manteve a invencibilidade sob o comando de Claudinei Oliveira, empatando com o Atlético-GO em 2 a 2, na noite deste sábado, na Curuzu. O resultado mantém o time na zona do rebaixamento da Série B, com 15 pontos. O Papão esteve duas vezes atrás do placar e foi buscar o empate. Sem perder há cinco rodadas, o Paysandu segue na 18° colocação. O Dragão também perdeu a chance de subir na tabela e estacionou em 10º, com 22.

O jogo começou com pressão forte do Atlético, criando boas chances de gol. Aos 27 minutos, Marcelinho disparou de fora da área e o goleiro Gabriel Mesquita aceitou. Atlético 1 a 0. Em desvantagem, o PSC abandonou a cautela e passou a buscar o empate. Ronaldo Henrique finalizou em direção ao gol, aos 34′. O gol bicolor veio aos 40′. Após cobrança de arremesso lateral, a zaga goiana deu mole e Rossi desviou no canto direito, igualando o marcador.

Quando ensaiava uma virada, o PSC acabou surpreendido pelos visitantes. Nos acréscimos, Leandro Vilela agarrou o atacante Marcelinho dentro da área. Após consulta ao VAR, o pênalti foi confirmado e o Atlético chegou ao desempate, em cobrança de Marcelinho.

Na segunda etapa, com algumas mudanças na equipe, o PSC iniciou no ataque a fim de alcançar novo empate. Logo a um minuto e meio, Anderson Leite, que havia entrado no intervalo, marcou após rebote da defesa. Aos 35′, o goleiro Paulo Vítor saiu mal, Benítez pegou o rebote, mas chutou em cima da zaga. Logo depois, Kelvin bateu forte de fora da área e Gabriel defendeu.

O jogo era movimentado, mas as chances de gol diminuíram. O PSC queria a vitória, mas não teve força e qualidade para superar o Atlético. Com isso, o 2 a 2 permaneceu até o final.

Ataque e defesa

Por Jânio de Freitas, no Poder360

O ataque de Donald Trump, e mesmo o próprio Trump, podem trazer benefícios importantes ao Brasil, a depender de como o governo procure reequilibrar o jogo. A melhor receita é ainda a velha combinação de calma e criatividade. Disso o Brasil não tem prática, mas a recepção dada à carta agressiva de Trump permite esperanças.

Objetiva e sem bravata, a resposta do presidente Lula recusou-se ao bate-boca sempre buscado por Trump para realçar seu autoritarismo intimidatório. Por certo não foi a resposta brasileira esperada em Washington. Na verdade, também não aqui, já ouvidas várias críticas de Lula a Trump – com fundamento factual, ressalve-se.

Para servir às premissas de calma e criatividade, os 3 assessores presidenciais mais convocados ao caso parecem feitos sob medida. A engenhosidade e a experiência de Celso Amorim, a alta habilitação diplomática de Mauro Vieira e a inteligência brilhante de Fernando Haddad equiparam-se na mesma calma reflexiva (assim, quase à toa, de repente se relembra que o Brasil tem quadros valiosos, sim).

Armas de Trump na guerra econômica que desfechou contra o mundo, as tarifas, no ataque ao Brasil, são armas de política. Sem mudarem o motivo de seu uso: sempre os interesses econômicos dos Estados Unidos e a dominação que requerem. O percurso possível para isso, no Brasil atual, é derrubar as forças locais –políticas e econômicas– que agem pelos seus e pelos interesses nacionais sem distinções geopolíticas. O mundo é um só, e sua desgraça vem da negação dessa verdade primeira.

O Brasil tem muitos recursos para enfrentar o ataque de Trump sem adotar o temerário elas por elas nas tarifas. Os Estados Unidos são muito sensíveis à negação de patentes farmacêuticas, de peças e outros produtos industriais, direitos de filmes e vídeos, de agrotóxicos. Mais: na revisão da liberalidade na remessa de lucros, no sistema de cartões de crédito, no padrão dólar. Na exportação de aços especiais e de certos minérios, nos quais são próximos da dependência. A lista vai longe.

As variadas maneiras de compensar os danos trazidos por agressão com tarifas podem até favorecer parte da indústria, com patentes, e a substituição de matrizes e plataformas de serviços norte-americanas por brasileiras. Há campo para muita ação diversificada do governo. Em tudo isso, empregos.

As contingências sugerem observar o segmento empresarial que alimenta dificuldades para o governo Lula; que já atua para o bolsonarista-trumpista Tarcísio de Freitas em 2026; e alimenta na surdina as trapaças e traições de congressistas para destruir iniciativas de Fernando Haddad. Atingidos no seu coração financeiro pela ação declaradamente pró-Bolsonaro de Trump, é do sempre inaceitável Lula que o empresariado precisa agora. E a quem devem associar-se, tendo contra si os seus representativos políticos. Ironia ou castigo, tanto faz.

O ataque de Trump proporciona a oportunidade, embora de provável ineficácia, para muitos enfim compreenderem a diferença entre interesses privados e causas nacionais. Também o que é governo para as camadas bem fornidas e governo tanto para os que não têm, como para os que mantêm um país de muitos para poucos.

Em artigo na mídia internacional, Lula contesta “a lei do mais forte”

Artigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicado em 10 de julho de 2025 nos jornais: Le Monde (França), El País (Espanha), The Guardian (Reino Unido), Der Spiegel (Alemanha), Corriere della Sera (Itália), Yomiuri Shimbun (Japão), China Daily (China), Clarín (Argentina) e La Jornada (México).

(Publicado em 11/07/2025)

O ano de 2025 deveria ser um momento de celebração dedicado às oito décadas de existência da Organização das Nações Unidas (ONU). Mas pode entrar para a história como o ano em que a ordem internacional construída a partir de 1945 desmoronou.

As rachaduras já estavam visíveis. Desde a invasão do Iraque e do Afeganistão, a intervenção na Líbia e a guerra na Ucrânia, alguns membros permanentes do Conselho de Segurança banalizaram o uso ilegal da força. A omissão frente ao genocídio em Gaza é a negação dos valores mais basilares da humanidade. A incapacidade de superar diferenças fomenta nova escalada da violência no Oriente Médio, cujo capítulo mais recente inclui o ataque ao Irã.

A lei do mais forte também ameaça o sistema multilateral de comércio. Tarifaços desorganizam cadeias de valor e lançam a economia mundial em uma espiral de preços altos e estagnação. A Organização Mundial do Comércio foi esvaziada e ninguém se recorda da Rodada de Desenvolvimento de Doha.

O colapso financeiro de 2008 evidenciou o fracasso da globalização neoliberal, mas o mundo permaneceu preso ao receituário da austeridade. A opção de socorrer super-ricos e grandes corporações às custas de cidadãos comuns e pequenos negócios aprofundou desigualdades. Nos últimos 10 anos, os US$ 33,9 trilhões acumulados pelo 1% mais rico do planeta são equivalentes a 22 vezes os recursos necessários para erradicar a pobreza no mundo.

O estrangulamento da capacidade de ação do Estado redundou no descrédito das instituições. A insatisfação tornou-se terreno fértil para as narrativas extremistas que ameaçam a democracia e fomentam o ódio como projeto político.

Muitos países cortaram programas de cooperação em vez de redobrar esforços para implementar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. Os recursos são insuficientes, seu custo é elevado, o acesso é burocrático e as condições impostas não respeitam as realidades locais.

Não se trata de fazer caridade, mas de corrigir disparidades que têm raízes em séculos de exploração, ingerência e violência contra povos da América Latina e do Caribe, da África e da Ásia. Em um mundo com um PIB combinado de mais de 100 trilhões de dólares, é inaceitável que mais de 700 milhões de pessoas continuem passando fome e vivam sem eletricidade e água.

Os países ricos são os maiores responsáveis históricos pelas emissões de carbono, mas serão os mais pobres quem mais sofrerão com a mudança do clima. O ano de 2024 foi o mais quente da história, mostrando que a realidade está se movendo mais rápido do que o Acordo de Paris. As obrigações vinculantes do Protocolo de Quioto foram substituídas por compromissos voluntários e as promessas de financiamento assumidas na COP15 de Copenhague, que prenunciavam cem bilhões de dólares anuais, nunca se concretizaram. O recente aumento de gastos militares anunciado pela OTAN torna essa possibilidade ainda mais remota.

Os ataques às instituições internacionais ignoram os benefícios concretos trazidos pelo sistema multilateral à vida das pessoas. Se hoje a varíola está erradicada, a camada de ozônio está preservada e os direitos dos trabalhadores ainda estão assegurados em boa parte do mundo, é graças ao esforço dessas instituições.

Em tempos de crescente polarização, expressões como “desglobalização” se tornaram corriqueiras. Mas é impossível “desplanetizar” nossa vida em comum. Não existem muros altos o bastante para manter ilhas de paz e prosperidade cercadas de violência e miséria.

O mundo de hoje é muito diferente do de 1945. Novas forças emergiram e novos desafios se impuseram. Se as organizações internacionais parecem ineficazes, é porque sua estrutura não reflete a atualidade. Ações unilaterais e excludentes são agravadas pelo vácuo de liderança coletiva. A solução para a crise do multilateralismo não é abandoná-lo, mas refundá-lo sobre bases mais justas e inclusivas.

É este entendimento que o Brasil – cuja vocação sempre será a de contribuir pela colaboração entre as nações – mostrou na presidência no G20, no ano passado, e segue mostrando nas presidências do BRICS e da COP30, neste ano: o de que é possível encontrar convergências mesmo em cenários adversos.

É urgente insistir na diplomacia e refundar as estruturas de um verdadeiro multilateralismo, capaz de atender aos clamores de uma humanidade que teme pelo seu futuro. Apenas assim deixaremos de assistir, passivos, ao aumento da desigualdade, à insensatez das guerras e à própria destruição de nosso planeta.

Luiz Inácio Lula da Silva – Presidente da República do Brasil.

(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Chance de escapar da zona

POR GERSON NOGUEIRA

O PSC tem neste sábado (18h30) a grande oportunidade de sair da zona do rebaixamento na Série B. Joga contra o Atlético Goianiense, na Curuzu, com o apoio e o barulho de 15 mil torcedores. As três vitórias conquistadas sob o comando de Claudinei Oliveira embalam o entusiasmo da torcida, esperançosa de um novo triunfo.

Com 14 pontos, o Papão ocupa a 18ª colocação na tabela. Precisa de três pontos para escapar ao incômodo puxadinho do Z4, onde está desde o início do campeonato. As 11 rodadas sem vitória explicam a permanência na parte inferior da classificação. As quatro partidas de invencibilidade reaproximaram o time da torcida.

O PSC vai a campo hoje com um time bastante diferente daquele que colecionava insucessos sob a direção de Luizinho Lopes. A chegada de Claudinei, juntamente com a contratação de 10 novos atletas, teve papel fundamental na recuperação do time no Brasileiro.

A má fase inicial começou a provocar um efeito derrotista sobre os torcedores. Muita gente quase jogou a toalha quanto ao futuro do PSC na Série B, descrente de uma reabilitação. A mudança ocorrida a partir do jogo com o Botafogo-SP foi fundamental para que todos no clube passassem a acreditar que era possível dar a volta por cima.

Nesse sentido, a partida deste sábado tem importância capital no processo de reação. Uma vitória dará ao PSC a oportunidade de romper com a barreira simbólica imposta pela zona da degola. Vencer a quarta partida em cinco disputadas representará um recomeço dentro da competição.

Para superar o Atlético-GO, o PSC será agressivo – com três atacantes: Vinni Garcia, Rossi e Garcez. No meio, Denner (foto) pode fazer o papel do articulador que o time buscava desde o início da temporada. Rossi e Garcez voltam. Diogo Oliveira pode aparecer como opção de jogo aéreo no 2º tempo.

Na zaga, Novillo e Luan Freitas são os prováveis titulares, mas Claudinei tem alternativas para o setor (Thiago Heleno, Quintana e Thalison). Um luxo que seu antecessor Luizinho Lopes não teve. (Foto: Jorge Luis Totti/Ascom PSC)

Leão busca vitória na Arena Condá

A ausência do artilheiro Pedro Rocha é a maior baixa do Remo para a partida deste domingo, em Chapecó (SC), contra a Chapecoense. Preocupação para Antônio Oliveira, que vai em busca de sua segunda vitória no comando do time azulino.

É um jogo tenso porque a Chapecoense, com 22 pontos, tem a chance de ultrapassar o próprio Remo (24 pontos) na classificação. Para os azulinos, vencer significa voltar a ocupar um lugar no G4, sem descolar dos ponteiros da competição, Coritiba (33) e Goiás (30).  

Pelo que se viu no confronto com o Cuiabá, na rodada passada, o Remo deve ter Marrony no comando do ataque, com Janderson e Adailton nas extremas. Matheus Davó e Maxwell são opções ofensivas.

O setor de criação terá Jaderson, mas Régis (foto) pode ser lançado na etapa final. Luan Martins continua como primeiro volante e Pedro Castro completa o trio de meia-cancha.

Outra baixa remista é Reynaldo, que se lesionou contra o Cuiabá. Ele será substituído por Kayky, que estreou e agradou. Klaus é o zagueiro de referência. A boa notícia é que as laterais terão os titulares Marcelinho e Sávio, peças importantes na campanha azulina.

Bola na Torre

O programa começa às 23h, na RBATV, sob o comando de Guilherme Guerreiro e participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em debate, as rodadas das séries B e D. Na edição, Lourdes Cezar e Lino Machado.

PSG quer garantir a consagração máxima

Campeão francês e vencedor da Liga dos Campeões da Europa, o PSG de Luis Enrique é favorito para levantar o I Mundial de Clubes da Fifa, enfrentando o Chelsea neste domingo (16h). “É uma equipe com 11 estrelas, é isso que temos. E não só 11, são 12, 13, 14, 15. Conseguimos alcançar esse compromisso com a direção, a verdadeira estrela é a equipe”, disse o técnico na entrevista de sexta-feira.

Foi claro: “Queremos estrelas, mas que atuem em prol da equipe”. Recado melhor, impossível. Antes, apesar de rico, o PSG sempre bateu na trave. De 2017 a 2003, contratou astros de primeira grandeza (Messi e Neymar) para jogar com Mbappé, e o resultado foi pífio.

Com os “operários” Vitinha, Fabián Ruiz, Nuno Mendes, Marquinhos e Achraf Hakimi, o time voa. A conexão entre os setores, à base de passes em velocidade e intensidade absoluta, é algo bonito de ver. Mas não é apenas o efeito estético que embala esse PSG. A objetividade é total, por isso tantas goleadas neste ano. O único tropeço, como se sabe, foi diante do Botafogo.

O triunfo de hoje, se confirmado, deixará Luis Enrique e seus comandados na condição formal de maior time do planeta. Na prática, o PSG já é o melhor, mas o futebol precisa de títulos para coroar os bons.  

(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 12/13)