Estudo da Unicamp atesta propriedades antitumorais de oleorresina de copaíba

Faculdade de Ciências Farmacêuticas analisa farmacologia de produto amazônico

Por Felipe Mateus

As copaíbas são um patrimônio da flora brasileira. Trata-se de árvores com cerca de 25 a 40 metros de altura encontradas na América Central, na América do Sul e na África Ocidental. Mais de 70 espécies de copaíba já foram descritas no mundo, 16 das quais endêmicas do Brasil e ocorrendo principalmente na região amazônica e na Região Centro-Oeste. Conhecidas popularmente como paus-de-óleo, essas árvores possuem troncos que produzem uma oleorresina com propriedades farmacológicas verificadas em modelos experimentais, fazendo do produto um componente importante da medicina tradicional dos povos amazônicos.

Com o objetivo de aprofundar os conhecimentos acerca dessas propriedades, um estudo da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unicamp avaliou o potencial antitumoral da oleorresina de um tipo específico de copaíba, a espécie Copaifera reticulata Ducke. Os testes mostraram que o produto consegue interromper a proliferação de e matar células de linhagens tumorais, abrindo possibilidades para o desenvolvimento de novas terapias contra o câncer. A avaliação fez parte da pesquisa de doutorado de Jhéssica Krhistinne Caetano Frota, com orientação do professor João Ernesto de Carvalho.

Ação antitumoral

O interesse de pesquisadores das ciências farmacêuticas pela oleorresina de copaíba vale-se também dos conhecimentos etnofarmacológicos de povos tradicionais, especialmente os da região amazônica. Segundo a pesquisadora, o uso do produto é amplamente difundido na cultura local. “As pesquisas já comprovaram sua ação anti-inflamatória, antimicrobiana, cicatrizante, antileishmania, antitumoral, antimalárica, antioxidante e antinociceptiva [efeito de redução ou bloqueio da percepção e transmissão dos estímulos de dor]”, enumera Frota.

A amostra de oleorresina utilizada nas análises saiu de uma C. reticulata Ducke da Floresta Nacional dos Tapajós, no município de Belterra, no Pará, amostra essa cedida pelo Laboratório de Biotecnologia de Plantas Medicinais da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). Antes de avaliar a composição e os efeitos farmacológicos do material, a pesquisadora submeteu a oleorresina a um processo de hidrodestilação separando-a em uma fração volátil, de óleo essencial, e em outra fração resinosa.

Realizaram-se ainda fracionamentos para isolar determinados compostos, com o objetivo de comparar os efeitos da oleorresina bruta com suas frações volátil e resinosa e com as subfrações isoladas. No caso das frações volátil e resinosa, Frota conta que o óleo essencial é rico em sesquiterpenos, enquanto a fração resinosa contém mais diterpenos, outro composto da mesma classe, com atividade antitumoral.

A análise in vitro ocorreu em culturas de células de diferentes linhagens cancerígenas, como as de glioblastoma (tipo de câncer que afeta o sistema nervoso central) e de câncer de mama, de ovário, de pulmão e colorretal. Tanto a oleorresina bruta quanto as frações e subfrações isoladas apresentaram efeitos citostáticos, interrompendo a proliferação das células, e citocidas, eliminando-as. Na sequência, foram realizados testes em camundongos, primeiro para determinar a toxicidade aguda e, depois, a ação antitumoral e anti-inflamatória.

No teste de toxicidade aguda, as doses máximas toleradas foram de 500 mg/kg, 1.000 mg/kg e 500 mg/kg para a oleorresina bruta e as frações volátil e resinosa, respectivamente. Já nos testes da ação antitumoral, a oleorresina bruta e sua fração volátil inibiram significativamente o desenvolvimento do tumor experimental. No caso da oleorresina bruta, a dose de 75 mg/kg reduziu o peso relativo tumoral em 44,2% enquanto a dose de 150 mg/kg respondeu por uma redução maior, de 85,3%. Já a dose de 250 mg/kg da fração volátil conseguiu reduzir o peso relativo do tumor em 55,5%.

Também chamou atenção o efeito anti-inflamatório verificado especificamente nas doses de 75 mg/kg da oleorresina bruta e de 250 mg/kg da fração volátil. “Existem linhas de pesquisa que se dedicam a combater os processos inflamatórios que as células de tumores sólidos causam”, afirmou Carvalho. Segundo o docente, conforme os tumores se desenvolvem, as células tumorais induzem processos inflamatórios para se nutrir e crescer. Assim, o efeito anti-inflamatório contribuiria com o combate aos tumores. No entanto os pesquisadores alertam que, de forma nenhuma, o produto deve ser utilizado para enfrentar um câncer. Os resultados das pesquisas, ainda preliminares, carecem de aprofundamento para determinar melhor a toxicidade do produto e seus efeitos farmacológicos.

Manejo sustentável

Por se tratar de um produto tradicional na cultura amazônica, a oleorresina de copaíba é facilmente encontrada tanto em feiras, lojas de produtos naturais e sites especializados quanto em áreas de mata nativa e mesmo nos quintais de casas da região. Se, por um lado, isso amplia suas possibilidades de uso, por outro faz com que fique suscetível a misturas de oleorresinas extraídas de diferentes espécies de copaíba e mesmo a adulterações por meio do acréscimo de outros tipos de óleo. “Como existem 27 espécies de copaíba documentadas no Brasil, quando se fala apenas em ‘oleorresina de copaíba’ não é possível determinar a qual espécie nos referimos”, disse o orientador da tese.

Os pesquisadores ressaltam que a oleorresina de cada espécie apresenta um tipo de composição química específico e fatores como o clima, o tipo de solo e o regime de chuvas podem interferir nisso. No caso, os resultados do estudo referem-se especificamente ao indivíduo da espécie estudada – a C. reticulata Ducke –, encontrado na Floresta Nacional do Tapajós. Segundo Frota, a rastreabilidade da origem da oleorresina representa uma vantagem, pois permite manter a atenção detalhada acerca de suas propriedades e seus efeitos. “Para mim, é um privilégio estudar algo próprio da minha região, da minha casa, e que eu valorizo muito.”

Outra contribuição importante do estudo é valorizar os conhecimentos trazidos pelos povos tradicionais da região, unindo-os a um manejo sustentável das copaíbas e, consequentemente, à preservação da floresta. “Toda a utilização popular, o comércio e a própria pesquisa auxiliam a mantermos a floresta em pé pois a copaíba cresce na Amazônia e, sem a floresta, essas árvores não existiriam”, observou Carvalho.

Quando só a vitória ajuda

POR GERSON NOGUEIRA

O Re-Pa 779 tem tudo para ser o mais empolgante disputado na temporada. Até o momento, os rivais disputaram três clássicos, todos pelo Campeonato Paraense. O equilíbrio prevaleceu: uma vitória para cada lado e um empate. Neste sábado, às 18h30, é certo que acontece o tira-cisma.

Por uma razão bem natural. Remo e PSC precisam da vitória porque o empate é péssimo negócio para ambos a essa altura da competição. Um busca voltar para o G4. O outro tenta sair da lanterna e emendar uma sequência vitoriosa depois de 11 rodadas de tropeços.  

São missões opostas, mas com o mesmo grau de dificuldades. Para alcançar seus objetivos, ambos terão comandantes que nunca trabalharam como (técnicos) no clássico. Claudinei Oliveira, do PSC, disputou o jogo como goleiro do Remo no início dos anos 2000.

Como técnico, Claudinei leva a pequena vantagem de ter estreado no comando do Papão na sexta-feira da semana passada, quando comandou o time na vitória sobre o Botafogo-SP, a primeira na Série B.

Do lado remista, o português Antônio Oliveira chegou no começo desta semana, conheceu os pontos turísticos e a gastronomia paraense, mas só foi apresentado formalmente como técnico da equipe na sexta-feira, 20. Embaraço de ordem burocrática retardou a assinatura do contrato.

No papel de novo comandante, Oliveira tem que mandar a campo um time capaz de superar a má apresentação da 12ª rodada, quando o Remo perdeu para o Athletico-PR, em Curitiba. Por sorte, terá à disposição quase todos os jogadores que estavam lesionados, incluindo o artilheiro Pedro Rocha.  

A responsabilidade de Claudinei não é menor. Com a oferta de 10 reforços, que chegaram praticamente junto com ele, precisa avaliar se é hora de mexidas radicais no time ou se prestigia os remanescentes da campanha sob a direção de Luizinho Lopes. Deve ficar no meio-termo. Benitez, muito questionado pela torcida, pode perder lugar para o novato Diogo Oliveira.

Como se vê, problemas e desafios de tamanho parecido.  

Torcidas responsáveis por um grande privilégio

Poucos são conscientes do tremendo privilégio que é ter um clássico com espaço para duas torcidas, lado a lado, vibrando e se esgoelando antes, durante e depois que a bola rola. O Re-Pa é assim, por enquanto. Apesar das hostilidades e ações violentas, vistas em muitos momentos, torcedores azulinos e bicolores ainda compartilham o Mangueirão.

É quase um milagre que isso permaneça valendo até os dias de hoje, depois que grande parte das capitais brasileiras aboliu a presença de duas torcidas rivais em clássicos regionais. A explicação é simples para o sistema de torcida única em Belo Horizonte e Porto Alegre: o imenso trabalho que é cuidar de gente turbulenta e belicosa nos estádios.

Clubes e órgãos de segurança preferem não assumir a missão de administrar rivalidades. Não se pode condená-los por isso, mas que é um crime de lesa-futebol, ah isso é. Poucas cenas são tão empolgantes quanto a visão de duas torcidas postadas frente a frente, explodindo de entusiasmo e felicidade enquanto seus times se enfrentam em campo.

Sempre que o Re-Pa acontece, é justo que se observe e valorize essa condição cada vez mais rara, com a sensibilidade de entender que a responsabilidade é de todos – torcidas, clubes, jogadores, FPF. Por isso, cada novo confronto entre os rivais é também um teste civilizatório.

Os 50 mil torcedores que irão ao Mangueirão neste sábado (21) têm a missão especial de fazer com que tudo comece e termine bem.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 23h30 (após a final da NBA), na RBATV. Participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba Baião. Em pauta, o Re-Pa 779, válido pela 13ª rodada da Série B. A edição é de Lourdes Cezar e Lino Machado.  


Botafogo vive noite histórica e consagradora

A batalha contra o PSG foi daquelas noites inesquecíveis, que só o Botafogo é capaz de proporcionar, para o bem e para o mal. Contra o melhor e mais agressivo time do mundo, o sistema tático elaborado por Renato Paiva funcionou às mil maravilhas. O jogo foi sofrido, mas heroico na maior parte do tempo.

Preciso admitir que quase ninguém acreditava, nem eu. Temia um vexame de proporções mundiais. Desde que ficou definido por sorteio o grupo do Botafogo na Copa do Mundo de Clubes, integrado por PSG e Atlético de Madrid, não consegui me afastar da preocupação com um tombo histórico.

A instabilidade do time no Campeonato Brasileiro contribuiu para tornar a expectativa ainda mais sofrida. A estreia contra o Seattle Sounders, com um magro 2 a 1, confirmou meus piores temores em relação ao PSG, todo-poderoso campeão da Europa, metido a surrar todo mundo.

O gol, tipicamente alvinegro, foi construído com troca rápida de passes e finalizado com a categoria de Igor Jesus. Mais que a comemoração pela mítica vitória, desfrutei nas últimas horas do orgulho de achar que o Botafogo é quase assim um campeão mundial. Afinal, bateu o time que deveria ser o outro finalista numa hipotética decisão desta Copa. 

(Colunas publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 21/22)

Feito gigante: Botafogo vence o campeão da Europa

O Botafogo surpreendeu o mundo, na noite desta quinta-feira (19), ao vencer por 1 a 0 o Paris Saint-Germain, atual campeão da Champions League, em jogo válido pela 2ª rodada da Copa do Mundo de Clubes. Com a vitória histórica, os campeões da Libertadores chegam aos seis pontos no grupo B, com 100% de aproveitamento, e estão muito perto da vaga nas oitavas de final.

O gol foi marcado pelo centroavante Igor Jesus, aos 35 minutos do primeiro tempo, levando ao delírio a torcida do Botafogo presente ao estádio Rose Bowl, na Califórnia, palco da conquista do tetracampeonato da Seleção Brasileira.

O técnico do PSG, o espanhol Luis Enrique, mexeu em algumas peças do time após golear o Atlético de Madrid por 4 a 0 na estreia. Marquinhos, João Neves, Fábian Ruiz e Nuno Mendes foram substituídos por Beraldo, Zaïre-Emery, Mayulu e Hernandez.

Já o botafoguense Renato Paiva fortaleceu o meio de campo, escalando o volante Allan na vaga do atacante Mastriani, para diminuir os espaços e explorar possíveis contra-ataques.

Foi o que aconteceu: o PSG teve 75% da posse de bola no 1º tempo, assustou o goleiro John, mas foi para o intervalo perdendo para o time brasileiro graças a uma saída rápida do Botafogo.

Artur tirou a bola de Kvaratskhelia, tocou para Marlon Freitas, que passou para Savarino. O venezuelano lançou Igor Jesus na velocidade, o atacante fintou Pacho, bateu rasteiro, a bola desviou no zagueiro e matou o goleiro Donnarumma.

O Botafogo voltou para o 2º tempo na mesma toada do primeiro, deixando a bola com o PSG, mas fechando os espaços dos pontas Kvaratskhelia e Doué, armas mais fortes do time francês.

Ao longo da etapa final, a melhor chance do PSG saiu de uma bola parada. Vitinha cobrou falta aos 6 minutos, Mayulu desviou e John fez uma defesa espetacular, no reflexo.

Em todo o jogo, o PSG finalizou 14 vezes e acertou apenas duas delas no gol de John, uma em cada tempo. Já o Botafogo acertou suas quatro finalizações no gol de Donnarumma, e uma delas foi parar no fundo das redes parisienses.

REPERCUSSÃO NA IMPRENSA EUROPEIA

O triunfo do Glorioso diante do campeão da Champions League gerou diferentes reações da imprensa europeia. A começar pelo L’Équipe, da França. O jornal destacou a vitória “surpreendente” do clube brasileiro na California e definiu a atuação em campo dos parisienses como “sem inspiração”.

“O PSG caiu de sua fase de glória. Após uma vitória por 4 a 0 sobre o Atlético de Madrid na estreia, o campeão europeu foi surpreendentemente derrotado pelo Botafogo de John Textor. Sem inspiração e surpreendidos por um gol de contra-ataque de Igor Jesus no primeiro tempo, os comandados de Luis Enrique estão agora em segundo lugar no grupo”, escreveu o veículo.

Na Espanha, o As, jornal de Madri, chamou o Botafogo de “colossal” e ainda criticou o “excesso de confiança” das equipes europeias que estão no Mundial.

“Justamente quando todos presumiam, antes do torneio, que PSG e Atlético de Madrid se classificariam para as oitavas de final do Mundial de Clubes, um Botafogo colossal, campeão da Libertadores, virou o grupo de cabeça para baixo e deixou o time de (Diego) Simeone em uma situação crítica. O time brasileiro venceu o PSG por 1 a 0 em uma demonstração louvável de coragem, resiliência e determinação, segurando o campeão europeu com uma força titânica”, começou por dizer.

“O excesso de confiança dos times europeus neste Mundial de Clubes está tendo consequências inesperadas. O oposto se aplica aos clubes sul-americanos, que extrapolam sua competitividade para o torneio, uma marca inegociável em qualquer fase. O Botafogo não foi exceção, colocando os campeões da Liga dos Campeões em xeque logo no primeiro tempo.”

Em Portugal, o Record, da capital Lisboa, ainda destacou o feito do técnico Renato Paiva, que é português. “Botafogo de Renato Paiva consegue vitória histórica frente ao campeão da Europa PSG no Mundial de Clubes.”

PAIVA REVELA “SEGREDOS”

Renato Paiva revelou os “segredos” por trás da vitória por 1 a 0 sobre o PSG, nesta quinta-feira (19), no Rose Bowl, em Pasadena (EUA), pelo Mundial de Clubes. E disse como motivou os seus jogadores antes do duelo. Em coletiva após o triunfo, o comandante português disse que falou para os jogadores do Glorioso “não perderem a oportunidade de serem eles mesmos”. E revelou ter ficado orgulhoso do resultado conquistado dentro das quatro linhas.

“Essa vitória é de cada um da gigantesca vitória do Botafogo. Cada vez que a equipe faz um feito desse gênero, orgulha a torcida. Isso é histórico. Cada vez que se ganha um jogo, sei que eles ficam felizes, mas existem jogos especiais, mesmo que sejam só 3 pontos e nem classificados nós estejamos. Para mim, é histórico cada vez que eles ficam orgulhosos do nosso trabalho. As perguntas eram sobre os confrontos dos continentes, mas estou muito feliz pelo Brasil, pelo jogador brasileiro, pelo treinador brasileiro, pelo estrangeiro que trabalha no Brasil. Hoje é um dia que orgulha muito. Estava em campo o confronto do vencedor da Champions League e o clube detentor da Libertadores, mas sem a metade daquela equipe. Mérito aos que ganharam a Libertadores, mas hoje somos um grupo diferente”, disse.

Remo sob novo comando

POR GERSON NOGUEIRA

Levou um pouco mais de tempo do que o razoável, mas o Remo finalmente oficializou ontem a contratação do técnico Antônio Oliveira, colocando um ponto final na interinidade do auxiliar Flávio Garcia. Significa que, amanhã (21), no clássico Re-Pa, o time já terá um comandante à beira do gramado.

O português que fez carreira na Série A brasileira – treinou Cuiabá, Corinthians e Sport – estava em Belém desde o começo da semana, mas questões burocráticas adiaram a formalização do contrato.

Depois que Daniel Paulista foi anunciado como técnico do Sport e Oliveira acertou as contas com o rubro-negro pernambucano, o caminho ficou livre para o treinador assinar contrato com o Leão. O mais importante, porém, é que já na quarta-feira ele comandou os treinos no Evandro Almeida.

Para o bem ou para o mal, o time montado para o clássico já levará a assinatura de Antônio Oliveira. Jogo mais importante da competição para os azulinos, por tudo que representa quanto à rivalidade, o Re-Pa não poderia abrir mão de seu técnico efetivo.

Os treinos com Oliveira trouxeram boas notícias para os azulinos. Jogadores que estavam praticamente descartados do jogo foram liberados pelo Nasp (departamento médico). Marcelinho e Jaderson eram os casos mais complicados, mas estão na relação de atletas disponíveis.

O lateral-direito é titular absoluto e peça fundamental na campanha do Remo na Série B. Mesma situação do lateral-esquerdo Sávio, que não atuou contra o Athletico-PR e também era dúvida para o clássico.

O zagueiro Klaus e o goleiro Marcelo Rangel, que também se lesionaram no confronto em Curitiba, já estão treinando normalmente. Pedro Rocha, que apresentou incômodo muscular, é outro pronto para atuar amanhã.

Como é praxe no clássico-rei, mesmo para técnicos estreantes, a escalação do Leão só será conhecida antes da partida. Algumas características dos trabalhos anteriores de Oliveira, porém, podem indicar algumas possibilidades.

Uma delas é o gosto por times formatados no 3-5-2, sistema que o Remo chegou a utilizar com pequenas variações sob o comando de Rodrigo Santana na Série C do ano passado e por Daniel Paulista em algumas partidas na Série B. A conferir.

Papão pode ter novidade no setor de criação

Denner, meia de 25 anos que estreou no 2º tempo contra o Botafogo-SP, na última sexta-feira, é um dos novatos mais cotados para entrar de cara no Re-Pa. A boa participação dele, dinamizando a movimentação ofensiva do PSC na partida, é a principal credencial para conquistar a titularidade.

Pela conhecida carência do PSC no setor de criação, a escalação de Denner praticamente se impõe. Até a chegada do ex-meia do Noroeste (SP), o time vivia de improvisações no setor. Ora atuava com Matheus Vargas fingindo ser armador ou tentava fazer de Marlon um meia de criação. Ambas as tentativas se mostraram infrutíferas.

A chegada de um meia de ofício, depois de tão longa espera, é para ser saudada e aproveitada de imediato. Nada mais oportuno do que qualificar a meia-cancha para o principal desafio da equipe neste começo de Série B – o clássico Re-Pa.

Claudinei Oliveira conhece Denner e avalizou sua contratação. Somente algum tipo de restrição física pode impedir sua escalação. Ao lado dele, é provável que apareça outro novato, Anderson Leite, ex-Guarani, que também foi indicado pelo novo treinador.

É provável que o trio de meio-campo para amanhã tenha apenas um remanescente do time de Luizinho Lopes: Leandro Vilela, que é considerado titular absoluto e que foi o herói da primeira vitória bicolor na competição, marcando o gol salvador contra o Botafogo-SP.

Adeus a um velho companheiro de ofício

Gilson Faria partiu na madrugada de ontem, após longa batalha contra uma doença inclemente. Deixa saudades e o exemplo de dedicação à comunicação e ao bom jornalismo.

Foi editor, repórter, narrador e apresentador de TV, sempre com destaque na cobertura esportiva. Tinha 66 anos – seu aniversário é neste sábado (21) de Re-Pa. Que descanse em paz.  

Paragominas triunfa na 14ª etapa do Joapa

Com a conquista do Troféu Eficiência, o mais cobiçado da competição, a delegação de Paragominas foi o destaque na Regional Rio Capim da 14ª do dos Jogos Abertos do Pará (Joapa), o maior evento de esporte amador do Estado, realizada em Mãe do Rio.

Os atletas de Paragominas triunfaram nas modalidades basquetebol, futebol de areia, handebol, voleibol e tênis de mesa, somando a maior pontuação do evento: 53 pontos. Em 2º lugar, ficou a delegação de Mãe do Rio, com 42 pontos, e em terceiro a de Tomé-Açu, com 41 pontos.

O Troféu Eficiência premia a delegação que mais acumula pontos na competição. O evento reuniu cerca de 900 atletas, de 10 municípios, em seis modalidades, no período de 12 a 15 de junho.

O Joapa, que contempla os 144 municípios, é promovido pelo Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel).

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 20)

A imagem do dia

Johnny Depp e Snoop Dogg vestem orgulhosamente o manto sagrado alvinegro, no Rose Bowl, durante o jogo entre o Botafogo e o PSG, nesta quinta-feira à noite.

Rock na madrugada – Leslie West, “House of the Rising Sun”

POR GERSON NOGUEIRA

Uma interpretação visceral de Leslie West para o clássico dos clássicos do rock sessentista, “House of the Rising Sun” (Casa do Sol Nascente), dos Animals. West, à frente de sua banda, gravou em 2008 essa versão fantástica da canção imortalizada na voz de Eric Burdon, líder dos Animals.

West é um dos mais subestimados guitarristas de todos os tempos. Brilhante, inventivo, um verdadeiro ourives nos arranjos de cordas. Surgiu para o mundo como um dos líderes do Mountain, banda que fez uma apresentação arrasadora em Woodstock e depois sumiu na voragem do tempo como tantas outras por aí.

No auge da carreira, West foi considerado um dos melhores guitarristas de todos os tempos em lista elaborada pela revista Rolling Stone. Morreu em 2020, aos 75 anos, em consequência de complicações do diabetes, mas antes deu um jeito de legar ao mundo algumas interpretações geniais, como esta de “House of the Rising Sun”.

A trajetória Mountain não foi tão longeva, mas teve várias reuniões entre 1981 a 2010. Após o fim definitivo do grupo, em 1974, ele abraçou o projeto West, Bruce and Laing, com Corky Laing (baterista do Mountain) e Jack Bruce, baixista lendário do Cream. Depois, West, que também gravou com o The Who, partiu para a carreira solo.

Apesar de doente, já em cadeira de rodas, ele seguiu se apresentando em bares e casas de shows norte-americanas, sempre acompanhado de grandes instrumentistas e sob a aclamação dos fãs.

Aprendendo com os amigos

Por Heraldo Campos

Quando escrevi em 2021 que “A extinção em massa dos dinossauros, que começou há cerca de 65 milhões de anos atrás, provavelmente causada pela mudança climática provocada pela queda de um meteoro na Península de Yucatán (México), ou por causa de um fragmento de um cometa, como recente teoria divulgada, continua sendo um assunto apaixonante no campo das geociências. Caso outra extinção, que foge da escala humana o seu controle, voltasse a acontecer nesses tempos modernos, seria catastrófico o seu desfecho sem a menor sombra de dúvida.”[1] – um amigo, especialista em crateras meteoríticas, comentou que “a rigor, são os meteoritos ou asteroides os que se chocam com a Terra (e não os meteoros, que são fenômenos atmosféricos)”, pela citação errônea que fiz da “queda de um meteoro na Península de Yucatán”.
Num texto mais recente, quando citei o “Fac-símile do esqueleto fóssil do Tyrannosaurus,
dinossauro terópode do Cretáceo, o maior dos predadores terrestres conhecidos. Fonte: ‘História Geológica da Vida’ livro de A. Lee McAlester de 1969. Editora Edgard Blücher Ltda.” [2] – outro amigo, especialista em palinologia, me escreveu dizendo que “segundo algumas fontes, T. rex não é mais o maior terópode”, anexando uma figura para visualização e comparação que esclarece, pela atualização da informação, que o Spinosaurus aegyptiacus é mais longo (e maior) que o Tyrannosaurus rex.
Em tempo – na ficção do filme “Jussasic Park III” de 2001, dirigido por Joe Johnston, tem um “pega” entre esses dois populares terópodes gigantes, lembrando que no mundo real eles viviam em lugares diferentes: o Spinosaurus aegyptiacus viveu no Norte da África e o Tyrannosaurus rex habitava a América do Norte.
Como em momento algum duvidei dos amigos especialistas e com quem estou sempre aprendendo, somente tenho a agradecer, mesmo mantendo contato, circunstancialmente, à distância, concluindo com um pequeno trecho da música “Canção da América” de Fernando
Brandt & Milton Nascimento, do ano de 1979: “Amigo é coisa pra se guardar / No lado esquerdo
do peito / Mesmo que o tempo e a distância digam não…”.

Fontes
[1] “Extinção” artigo de Heraldo Campos de 07/03/2021.
https://cacamedeirosfilho.blogspot.com/2021/03/extincao.html
[2] “Bozosaurus rex” artigo de Heraldo Campos de 03/06/2025.
https://cacamedeirosfilho.blogspot.com/2025/06/bozosaurus-rex.html
*Heraldo Campos é geólogo (Instituto de Geociências e Ciências Exatas da UNESP, 1976),
mestre em Geologia Geral e de Aplicação e doutor em Ciências (Instituto de Geociências da
USP, 1987 e 1993) e pós-doutor em hidrogeologia (Universidad Politécnica de Cataluña e
Escola de Engenharia de São Carlos da USP, 2000 e 2010).

Bozosaurus rex

Por Heraldo Campos

“Os mais espetaculares de todos os répteis derivados dos tecodontes foram, sem dúvida alguma, os dinossauros, que dominaram a paisagem durante o jurássico e o cretáceo. O termo dinossauro é popular, relacionando-se a duas ordens distintas de répteis terrestres: Saurischia e Ornithischia, que diferem entre si na estrutura do esqueleto. (…).
(…) Nas cinco linhas correspondentes aos herbívoros nota-se a tendência evolutiva voltada à
defesa contra o mais terrível de todos, o conhecido Tyrannosaurus, carnívoro monstruoso que
faz jus ao nome que recebeu, (…).” [1]
“OTyrannosaurus rex é o mais famoso e o mais querido dinossauro do planeta. O gênero Tyrannosaurus contém apenas uma espécie, a T. rex. Esse nome significa, muito apropriadamente, ‘rei lagarto tirano’. (…). O T. rex foi o maior predador da América do Norte no
Cretáceo superior, o último período em que viveram os dinossauros (não incluídas as aves),
entre 68 e 66 milhões de anos atrás. Muito do que sabemos do T. rex vem do meio-oeste
americano. Ele era um terópode (o grupo dos dinossauros predominantemente carnívoros) que
chegava a 12 m de comprimento e talvez pesasse até 8 t, ou seja, muito mais do que o elefante
africano!” [2]
1

Esses T. Rex, muito famosos (e queridos?), principalmente a partir da série de filmes “Jurassic
Park” do cineasta e diretor americano Steven Spielberg, iniciada nos anos 90 do século passado, aparecem muitas vezes como dinossauros mandachuvas do pedaço e até, em algumas oportunidades, como verdadeiros justiceiros esmagando outras espécies mais agressivas e violentas.
Sabemos que nesse ambiente jurássico, retratado pela indústria cinematográfica de Hollywood,
o T. Rex versus Homo sapiens não rolou de fato, uma ficção, porque não coexistiram esses seres na mesma época no Planeta Terra. Agora, nos dias de hoje, a presença de um Bozosaurus rex [3], que pode estar encarnado no síndico [4] de um condomínio de casas ou de apartamentos, praticando desmandos, como, também, representado por um tirano para governar a “Terra Brasilis”, como aconteceu no período de 2019 a 2022, de triste lembrança, e que nos atormenta (e ameaça) a todo momento, com suas maldades escancaradas.
Mas, então, como sair dessa enrascada moderna? Ao que tudo indica, é votando certo nas eleições, nas forças progressistas e democráticas, tanto numa escala local como em outra maior, porque como dizia minha mãe “a vida é uma luta, meu filho” e, por isso, não podemos baixar a guarda.
“Era uma vez, quando o Sol quente desapareceu atrás das montanhas / A sombra de um homem forte com uma arma na mão / Se ergueu para proteger as pessoas pobres das fazendas / Eles o chamam de: El Justiciero” – trecho da canção “El Justiciero” de 1971, composta por Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sergio Dias, da banda “Os Mutantes”.

Fontes
[1] “História Geológica da Vida” livro de A. Lee McAlester de 1969. Editora Edgard Blücher Ltda.
174 páginas.
[2] “O Tyrannosaurus rex era um predador feroz ou um fracote?” artigo de David W. E. Hone &
Jack Thomas Rhodes Wilkin de 25/05/2022.
https://parajovens.unesp.br/o-tyrannosaurus-rex-era-um-predador-feroz-ou-um-fracote/
[3] “Visão geral criada por IA” artigo de Heraldo Campos de 29/05/2025.
https://cacamedeirosfilho.blogspot.com/2025/05/visao-geral-criada-por-ia.html?view=magazine
[4] “O síndico” artigo de Heraldo Campos de 27/05/2021.
https://cacamedeirosfilho.blogspot.com/2021/05/o-sindico.html

  • Heraldo Campos é geólogo (Instituto de Geociências e Ciências Exatas da UNESP, 1976),
    mestre em Geologia Geral e de Aplicação e doutor em Ciências (Instituto de Geociências da
    USP, 1987 e 1993) e pós-doutor em hidrogeologia (Universidad Politécnica de Cataluña e
    Escola de Engenharia de São Carlos da USP, 2000 e 2010).

Pachecadas e delírios do Mundial

POR GERSON NOGUEIRA

Bons jogos têm embalado este divertido Mundial de Clubes. Para gáudio de muitos, o futebol sul-americano se mantém invicto após a primeira rodada, feito significativo principalmente nos confrontos contra europeus, mas nada além disso. Nesse sentido, o Fluminense se destacou por encurralar o Borussia Dortmund, esquadrão de primeira linha do futebol germânico.

Com postura audaciosa e segura, o Flu soube conduzir o jogo de acordo com a característica de seus jogadores e foi ofensivo sem sofrer com o forte ataque do Borussia. Renato Gaúcho já foi muito criticado por montar times taticamente dispersivos, mas desta vez acertou a mão.

Apesar do empate sem gols, foi a melhor atuação de um brasileiro na competição, superando a estreia do Palmeiras diante do Porto e as vitórias de Botafogo e Flamengo. Pode-se dizer que só faltou o gol. Com grande movimentação e jogadas de efeito, Arias foi o melhor tricolor em campo.

Os argentinos também sobreviveram ao primeiro giro. O River Plate, do prodígio Mastantuono (17 anos), passou pelo Urawa Reds por 3 a 1, em Seattle, anteontem. O Boca Juniors fez o mais do mesmo: abusou das artimanhas milongueiras para arrancar um 2 a 2 diante do Benfica.

Até o público dos jogos parece ter melhorado desde a abertura da competição. Ontem, na partida entre Real Madrid e Al-Hilal, o público lotou as dependências do Hard Rock Stadium de Miami, mas a estreia de Xabi Alonso no Real terminou de forma frustrante.

Empate de 1 a 1, com boa atuação do Al-Hilal e muitos erros de finalização por parte dos merengues. Simone Inzaghi, ex-Inter de Milão, também estreante, saiu mais feliz. O Real perdeu pênalti aos 47’ do 2º tempo.

Divertido também, quase um espetáculo à parte, é acompanhar a pachecagem da mídia brazuca, com sentimentos de puro amor por Palmeiras e Flamengo, apontados pelos mais afoitos até como candidatos ao título. Os delírios se repetem em todas as mesas-redondas: houve quem louvasse a atuação rubro-negra contra o desconhecido Esperance como “coisa de cinema”.

Para hoje, fortes emoções para as torcidas de Palmeiras e Botafogo. Os periquitos encaram uma bela garapa pela frente: o Al Ahly do Egito, às 13h. Já o Fogão pega uma carne de pescoço: o campeão europeu PSG, que descascou o Atlético de Madrid logo na estreia, metendo 4 a 0.

Que Mané Garrincha, Nilton, Carlito Rocha e até o místico cãozinho Biriba se materializem para ajudar a Estrela Solitária a fazer um papel digno, a partir das 22h, no tapete do Rose Bowl (California). É, sem dúvida, o embate mais aguardado deste início de Mundial. Oremos.

(Foto: David Ramos/Getty Images via AFP)

Claudinei mantém cautela às vésperas do Re-Pa

Enquanto o rival vem treinando sob o comando de um técnico não oficial ainda, o PSC já tem Claudinei Oliveira no cargo há 10 dias. A estreia oficial foi na sexta-feira passada, com vitória difícil e importante contra o Botafogo-SP. O Papão não havia vencido ainda na Série B. O triunfo por 1 a 0 (gol de Leandro Vilela) gerou alívio e entusiasmo na torcida.

Consciente dos perigos da empolgação excessiva, as declarações de Claudinei revelam cautela em relação ao clássico, que ele só conhece dos tempos de atleta – foi goleiro do Remo na temporada de 2000.

O técnico tem lá seus motivos para conter excessos. Além da condição de lanterna do campeonato (7 pontos), o PSC ainda precisa definir os três setores do time para o clássico. Existem vários ajustes a serem feitos em relação à equipe que enfrentou o Botafogo paulista.

Alguns jogadores recém-chegados poderão entrar de cara – Diogo Oliveira, Thalison, Garcez, Denner –, mas é o nível de condicionamento que vai determinar o aproveitamento ou não desses atletas. Um ponto é evidente: tecnicamente, mostraram mais qualidade que os antigos titulares.

Outro motivo de preocupação para Claudinei é a dúvida quanto a peças importantes, como o lateral-direito Edilson, que se recupera de lesão.

Cartão vermelho para o racismo no futebol

No Re-Pa deste sábado (21), o Ministério Público do Estado (MPPA) vai lançar oficialmente a campanha “Cartão Vermelho para o Racismo”, no Estádio Olímpico Jornalista Edgar Proença. (Mangueirão). A iniciativa visa transformar os estádios em espaços de respeito, inclusão e igualdade racial.

A ação será conduzida pelo procurador-Geral de Justiça Alexandre Tourinho e pelo promotor de Justiça Eduardo Falesi, marcando a adesão do MPPA à campanha nacional promovida pela Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF), em parceria com a CBF.

Com o lema “Não é só falta grave, é cartão vermelho para o racismo”, a campanha prevê a distribuição simbólica de cartões vermelhos aos torcedores na entrada do estádio. A ideia é promover uma manifestação coletiva de repúdio ao racismo, com envolvimento direto do público.

Os jogadores de Remo e Paysandu também irão aderir à causa, entrando com faixas da campanha. De acordo com dados do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, os casos de racismo nos estádios cresceram 444% em menos de uma década: de 25 registros em 2014, saltaram para 136 casos em 2023. Segundo o levantamento, 41% dos jogadores negros brasileiros afirmam já ter sido vítimas de racismo. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 19)

Lula: “Belém será teste para líderes globais mostrarem compromisso com o futuro do planeta”

Durante sessão ampliada da Cúpula do G7, nesta terça (17), no Canadá, o presidente convocou representantes do bloco de países que comparecerão à COP 30, em novembro, em Belém

O presidente Lula aprovou a participação na sessão ampliada da Cúpula do G7, nesta terça-feira (17), no Canadá, para convidar os líderes presentes à reunião do bloco a participarem da COP 30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. O evento está previsto para novembro, na cidade de Belém, no Pará. O primeiro-ministro canadense e apresentador do G7, Mark Carney, confirmou presença.

“Conto com a participação de todos os presentes na COP 30, em pleno coração da Amazônia. Belém será um teste para os líderes globais mostrarem a seriedade de seu compromisso com o futuro das pessoas e do planeta”, convocou Lula.

O presidente também investiu no Fundo Florestas Tropicais para Sempre, a ser lançado durante o evento em Belém e cujo objetivo fundamental é remunerar serviços ecossistêmicos em países situados na região dos trópicos, entre eles, o Brasil. 

“Estamos desenvolvendo uma ferramenta que nos permitirá proteger esses biomas por meio de incentivos positivos, sem recorrer a medidas punitivas”, falou Lula. O presidente reiterou ainda a necessidade de os países firmarem metas ambiciosas para evitar que o aquecimento global supere 1,5°C. O Brasil se compromete a eliminar, de todos os setores da economia, as emissões de gases que causam o efeito estufa entre 59% e 67% até 2035.

A respeito da transição ecológica justa e inclusiva defendida pelo governo brasileiro, Lula manifestou preocupação com a escassez de recursos para financiá-la. “Às promessas não cumpridas somam-se cortes e retrocessos deliberados. O Protocolo de Kyoto foi um símbolo do nosso fracasso coletivo. Os US$ 100 bilhões anuais previstos na COP 15 de Copenhague nunca foram atingidos”, lamentou.

“Em 2024, os países ricos reduziram em 7,1% sua Ajuda Oficial ao Desenvolvimento. No ano passado, saímos da COP de Baku com resultados decepcionantes. Por meio do mapa do caminho Baku-Belém, a presidência brasileira da COP 30 e o Azerbaijão estão trabalhando para esse quadro reverter”, disse. 

Lula reiterou a proposta brasileira de tributar os super ricos, medida que viabilizaria US$ 250 bilhões ao ano para o enfrentamento de catástrofes sociais e ambientais, e cobrou a democratização do sistema financeiro internacional. “Países individualizados não fornecidos de meios para transformar suas matrizes energéticas. Instrumentos como a troca de dívida por desenvolvimento e a emissão de direitos especiais de saque podem mobilizar recursos importantes”, defendeu.

FUNDO DE PROTEÇÃO ÀS FLORESTAS

A proposta é que o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, sigla em inglês) adote um modelo de financiamento misto, sendo 20% subsidiado pelos governos dos países patrocinados. Para garantir a estabilidade financeira e mitigar a dependência de ciclos de financiamento imprevisíveis, os restantes 80% serão captados juntamente com os mercados de capitais.

Durante o recente discurso em defesa da Amazônia, compartilhado pelo deputado federal Paulo Pimenta (RS) no Instagram, o ator estadunidense Leonardo DiCaprio, engajado nas questões ambientais, fez questão de mencionar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre e a relevância da COP 30 e dos povos indígenas. 

“O mundo se prepara para um momento crítico de virada na COP 30. Em novembro, a COP 30 ocorrerá na Amazônia, será uma oportunidade histórica para transformar promessas em ações”, afirma DiCaprio. 

“Duas iniciativas vão moldar esse legado. A primeira: o Fundo Florestas Tropicais para Sempre. O mundo precisa financiar U$ 1,5 bilhão para recompensar países e comunidades que mantêm essas florestas intactas, incluindo o Brasil, a Indonésia e a República Democrática do Congo”, argumenta o ator.   

Da Redação , com informações do site do Planalto