Palestinos enfrentam tendência de desnutrição aguda, resultado do bloqueio de ajuda humanitária imposto por Israel; território tem estoque para tratar apenas 500 crianças
Por Camila Bezerra, no Jornal GGN
Uma autoridade da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, nesta terça-feira (13), que as taxas de desnutrição estão aumentando na Faixa de Gaza de tal forma que os tratamentos de emergência para combatê-la estão se esgotando e os impactos podem impactar uma geração inteira.
De acordo com um monitor global, 500 mil palestinos enfrentam a fome, graças ao bloqueio de suprimentos imposto por Israel desde o início de março.
Rik Peeperkorn, representante da OMSs para o Território Palestino Ocupado, apontou que mais de 20% das crianças examinadas em um hospital de Gaza sofriam de desnutrição aguda e pareciam mais jovens.
Atualmente, a OMS possui estoque para tratar apenas 500 crianças com desnutrição aguda. De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, 55 crianças já morreram de fome desde março.
O representante afirmou ainda que o território enfrenta uma tendência crescente de desnutrição aguda, e a restrição a alimentos nutritivos, água limpa e a saúde deve ter efeitos permanentes em toda uma geração.
Enquanto Philippe Lazzarini, chefe da agência de refugiados palestinos da ONU afirmou que Israel usa o bloqueio de ajuda humanitária como arma de guerra, Israel culpa o Hamas por causar fome ao roubar a ajuda humanitária destinada aos palestinos.
Aos 89 anos, Mujica enfrentava um câncer de esôfago em estágio avançado e recebia cuidados paliativos
Do Jornal GGN
O ex-presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, faleceu nesta terça-feira (13), aos 89 anos, vítima de câncer no esôfago em estágio avançado. A informação foi confirmada por Yamandú Orsi, atual chefe de Estado uruguaio.
“É com profundo pesar que anunciamos o falecimento do nosso colega Pepe Mujica. Presidente, ativista, líder e líder. Sentiremos muita falta de você, querido velho. Obrigado por tudo o que você nos deu e pelo seu profundo amor pelo seu povo”, escreveu Orsi.
Mujica estava fora da cena política desde abril de 2024, quando informou que estava doente e que o estômago estava muito comprometido pelo câncer. Desde a última semana, recebia cuidados paliativos.
O progressista nasceu em Montevidéu, em 20 de maio de 1935. Foi presidente entre 2010 e 2015. Mas iniciou a trajetória política nos anos 1960, no Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros, grupo conhecido por assaltar bancos para comprar comida e distribuir dinheiro aos pobres.
Mujica passou 14 anos preso e seria executado pelos militares se os Tupamaros retomassem as atividades de guerrilha.
Em 1985, foi beneficiado por um decreto de anistia e deixou a prisão. Então, ajudou a fundar o partido de esquerda Movimento de Participação Popular (MPP) e conquistou uma vaga na Câmara em 1994. Já em 1999, foi eleito senador. E, em 2005, foi nomeado ministro da Agricultura.
À frente do Executivo, Mujica ficou conhecido por aumentar o gasto social, que passou de 60,9% para 75,5% do total do gasto público. “Os que comem bem, dormem bem e têm boas casas acham que se gasta demais em política social”, dizia.
Também em seu governo, o salário mínimo no Uruguai aumentou 250% e propôs a legalização da maconha. Aposentou-se em 2020, quando era senador, por motivos de saúde. E dedicou os últimos anos de vida ao cuidado de plantas e à doação da maior parte de salário de ex-presidente a projetos de combate à pobreza.
“A vida escapa e se vai minuto a minuto, e não podem ir ao supermercado comprar a vida. Então lutem para vivê-la, para dar conteúdo a ela”, também dizia.
O Remo buscava ansiosamente reconquistar o título estadual após dois anos de fracasso nas tentativas – o Águia venceu em 2023 e o Paysandu ganhou no ano passado. Acumulava uma dívida com o torcedor, cuja ambição maior é levantar taças. Compreender essa ansiedade da torcida foi algo aparentemente difícil para as gestões azulinas nas últimas décadas.
Um exemplo disso, que parece uma cultura de acomodação, foi a amadora preparação para as finais da Série C em 2021. Os jogadores foram à Doca festejar o acesso junto à torcida em plena pandemia e o Remo perdeu o time titular para a disputa do título com o Vila Nova, adversário de amanhã, no Mangueirão. Acabou derrotado por puro desleixo.
Curiosamente, os dirigentes não demonstraram frustração com o ocorrido. Ficou faltando uma apuração interna rigorosa – se houve, ninguém ficou sabendo – para descobrir quem negligenciou cuidados tão básicos.
Um grande clube, com torcida gigante e apaixonada, não pode incorrer em atos de incúria que envolvem a chance de ganhar títulos. A própria forma como o Remo encara a Copa Verde exemplifica isso. Ganhou apenas uma vez – sobre o Vila Nova –, mas poderia ter chegado a outras decisões.
Na competição deste ano, a eliminação foi particularmente vexatória. Mesmo atuando dentro de casa, com portões fechados, o time treinado à época por Rodrigo Santana foi subjugado pelo S. Raimundo-RR, e ficou tudo por isso mesmo, como se não tivesse maior importância.
Fiz essa contextualização para ressaltar a mudança de postura observada em relação ao Estadual deste ano. A troca de técnico, que já se fazia necessária, foi fundamental para que o time ganhasse em competitividade. Os reforços tornaram o elenco mais experiente e qualificado.
Os ajustes, tanto no comando como no elenco, foram fundamentais para a conquista do Parazão. Daniel Paulista aproveitou o curto período de intertemporada, durante a interrupção do campeonato, para conhecer os atletas e trabalhar um novo modelo de jogo, diferente do anterior (3-4-3).
Com um time mais cascudo, em viés de alta na Série B, o Remo entrou na decisão com ligeiro favoritismo, embora a rivalidade consiga equilibrar os clássicos. E, mesmo com desfalques importantes – Jaderson, Sávio, Janderson e Klaus – no confronto final, a vitória veio.
Os acertos nas contratações do técnico e dos jogadores garantiram estabilidade, foco e qualidade. Como efeito direto disso, o Remo voltou a mostrar alma e transpiração, com maciço apoio da torcida, para arrancar o título nas penalidades – onde também tinha ido mal nas disputas recentes, contra PSC (Copa Verde 2024) e S. Raimundo-RR (CV 2025).
Pelo hexa, CBF traz o melhor técnico possível
O preço é alto – R$ 4,8 milhões mensais – até para os padrões nababescos da CBF, mas vale o investimento. O Brasil, que nunca esteve sob o comando de um estrangeiro em Copas do Mundo, vai inaugurar essa nova era logo com o melhor técnico possível nas circunstâncias. Carlo Ancelotti nunca treinou seleções nacionais, mas tem o melhor currículo entre os técnicos atuais, com cinco Champions League e uma penca de títulos nacionais e mundiais dirigindo clubes.
A novela envolvendo CBF e Ancelotti vem desde 2024 e, de início, pareceu um delírio de Ednaldo Rodrigues. Firmou um acordo, mas virou alvo de piadas no Brasil porque Ancelotti nunca confirmou, talvez para evitar problemas com Florentino Perez, o todo-poderoso presidente do Real.
Na última investida de Ednaldo, o técnico chegou a declarar que nunca havia tratado de negociação com a CBF. No final de abril, porém, as coisas começaram a clarear para os planos da entidade. O Real foi eliminado da Liga dos Campeões e a saída de Ancelotti passou a ser admitida pela mídia espanhola. Com o fracasso em La Liga, definido com a derrota para o Barcelona no domingo (11), a saída ficou sacramentada.
A questão agora é saber qual a autonomia do técnico em relação à escolha de jogadores. Este é um item do pacote que causou a ruína de todos os técnicos que comandaram a Seleção depois da Copa de 2002. A subserviência às vontades da CBF gerou situações bizarras, como a convocação de nove jogadores (medianos) representados por um empresário. O poder de influência de figuras externas é um ponto que Ancelotti terá que enfrentar – ou a entidade terá que enfrentar por ele.
Uma seleção, o nome já diz, é a reunião de uma elite de atletas. Ancelotti pode representar importante ruptura de hábitos, elevando o futebol brasileiro a um outro patamar em Copas do Mundo. Terá a chance de finalmente reunir os melhores de cada posição na Seleção Brasileira. Se nem ele conseguir, aí estamos realmente perdidos.
Outro ponto que requer atenção é o tempo que ele terá para treinar os jogadores em busca de entrosamento a apenas um ano da Copa do Mundo de 2026, que será jogada no México, EUA e Canadá. Tempo exíguo para o tamanho do desafio de resgatar o futebol brasileiro, tirando-o do limbo em que se encontra, tendo virado inclusive saco de pancadas no continente.
Como é um europeu e conhece a fundo o futebol do Velho Continente, onde atua a imensa maioria de jogadores selecionáveis, Ancelotti já leva uma expressiva vantagem sobre os técnicos nacionais. O conhecimento sobre jogadores brasileiros de primeira linha também deve encurtar o tempo necessário para formar um time competitivo para o Mundial de 2026.
Esta é a esperança geral. É de amplo conhecimento que a CBF faz lambanças em série há muito tempo, mas de vez em quando acerta. A escolha de Ancelotti é um desses tiros certeiros. Que a sorte venha junto. Nelson Rodrigues disse que precisamos dela até para atravessar a rua.
(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 13)
A origem é a mesma dos Beatles: a cidade portuária de Liverpool. Musicalmente, o Echo and the Bunnymen não faz feio em relação ao maior grupo de rock do mundo. Produziu uma sequência impressionante de cinco discos na virada dos anos 1980 que são até hoje reverenciados em meio à legião de trabalhos de bandas pós-punk na Inglaterra.
O grupo se diferenciava dos demais pela qualidade musical das composições e o talento dos músicos, principalmente Will Sergeant, um dos melhores e mais habilidosos guitarristas de sua geração, capaz de reproduzir.
Ian McCulloch e Will Sergeant formam desde o início o núcleo criativo do Echo, responsabilizando-se pela totalidade das canções. O baixista Les Pattinson completava o trio original – o baterista Pete de Freitas entrou em 1980, mas morreu em 1989 após sofrer um acidente de moto.
Apesar de influências óbvias de Beatles, Beach Boys, Lou Reed, Kinks e Doors, o grupo conseguiu a façanha de se mostrar original em quase todos os trabalhos. De 1980 a 1987, o Echo lançou os discos Crocodile (1980), Heaven Up Here (1981), Porcupine (1983), Ocean Rain (1984) e Echo and the Bunnymen (1987). Uma seleta coleção do melhor do período que se espalhou pelo rock inglês na esteira do ruído feito por Sex Pistols e The Clash.
O registro acima de “Lips Like Sugar” (Lábios como açúcar) é da apresentação ao vivo no Bat Bar em Austin, Texas, durante o festival de música SXSW de 2007. A canção foi lançada como segundo single em agosto de 1987, extraído do álbum homônimo daquele ano.
Ela flutua como um cisne, graciosa na água Lábios como açúcar, lábios como açúcar Quando você pensa que a pegou, ela desliza sobre a água Ela chama por você esta noite para compartilhar o luar Você fluirá em seu rio Ela pedirá e você lhe dará Lábios como açúcar, beijos doces
“Foi complicado, não só para mim, como para os jogadores. Teve também a condição do Jaderson, que mexeu com todos nós. Tenho certeza de que ele vai vencer essa, porque é um guerreiro. Além disso, o jogo foi difícil. Tivemos as saídas de Janderson e Klaus por lesão. Apesar disso, tivemos condições de definir o jogo ainda no tempo normal, mas quis o destino que a decisão fosse para os pênaltis”.
Daniel Paulista (Remo), técnico campeão paraensede 2025
A frase escrita e apagada diversas vezes no espaço de dois anos pode, enfim, ser publicada: Carlo Ancelotti é, oficialmente, o novo técnico da seleção brasileira. O italiano de 65 anos, com passagens por alguns dos maiores clubes do mundo, foi anunciado pela CBF nesta segunda-feira (12). O comandante encerra uma passagem vitoriosa no comando do Real Madrid, onde trabalhava desde julho de 2021.
Ancelotti assinou contrato até o fim da Copa do Mundo de 2026. O italiano fará sua estreia na próxima Data Fifa. O Brasil enfrenta Equador, fora, e Paraguai, em casa, pelas eliminatórias; a equipe, vale lembrar, ainda não tem vaga assegurada no próximo Mundial.
A maior Seleção da história do futebol agora será liderada pelo técnico mais vitorioso do mundo. Carlo Ancelotti, sinônimo de conquistas históricas, foi anunciado nesta segunda-feira (12) pelo presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, como o novo técnico da Seleção Brasileira. Ele vai comandar o Brasil até a Copa do Mundo de 2026 e já treinará a Amarelinha nos dois próximos jogos pelas Eliminatórias diante do Equador e Paraguai, no próximo mês.
“Trazer Carlo Ancelotti para comandar o Brasil é mais do que um movimento estratégico. É uma declaração ao mundo de que estamos determinados a recuperar o lugar mais alto do pódio. Ele é o maior técnico da história e, agora, está à frente da maior seleção do planeta. Juntos, escreveremos novos capítulos gloriosos do futebol brasileiro,” afirmou Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF.
Uma lenda à altura da Canarinho Carlo Ancelotti não precisa de apresentações. Maior vencedor da Champions League, com cinco títulos, e único treinador a conquistar as cinco principais ligas europeias, o italiano acumula passagens triunfais por gigantes como Milan, Real Madrid, Chelsea, PSG e Bayern de Munique.
Além de sua brilhante carreira como técnico, Ancelotti foi um craque dentro das quatro linhas. Um meio-campista de inteligência rara, ele brilhou por clubes como Parma, Roma e Milan, conquistando duas Champions League como jogador. Seu capítulo final como atleta foi especial: um amistoso contra a própria Seleção Brasileira, em 1992. Trinta anos depois, o ícone retorna para fazer história com a Amarelinha.
O início de uma nova era
Dono de cinco estrelas em sua gloriosa camisa, o Brasil une agora sua tradição incomparável ao maior treinador de todos os tempos. Ancelotti começa sua missão já na próxima semana. Ele se reunirá com Rodrigo Caetano, coordenador geral das Seleções Masculinas, e Juan, coordenador técnico, para definir a lista larga de convocados para os confrontos contra Equador e Paraguai, no próximo mês, nas Eliminatórias da Copa do Mundo. No dia 26, no Brasil, o técnico anunciará os escolhidos.
“O impacto de Ancelotti vai além de resultados; ele é um estrategista que transforma equipes em lendas. O Brasil, com sua tradição única, e Ancelotti, com sua visão revolucionária, formarão uma parceria que vai entrar para a história”, completou Ednaldo Rodrigues.
Com a chegada de Carlo Ancelotti, o Brasil segue no caminho da excelência no futebol. Sob sua liderança, a Seleção reafirma seu compromisso com a grandeza e o desejo inabalável de conquistar o hexacampeonato.
Sua chegada interrompe um período de pouco mais de um mês da seleção sem técnico, desde a demissão de Dorival Júnior, em 28 de março, logo após goleada para a Argentina. Mais ainda: Ancelotti quebra uma escrita de quase 60 anos sem um estrangeiro na equipe nacional.
O último foi Filpo Núñez, argentino que comandou o Brasil em um amistoso contra o Uruguai, no Mineirão, quando a seleção foi representada por atletas do Palmeiras. Antes dele, também tiveram tal privilégio o uruguaio Ramón Platero (1925) e o português Joreca (1944).
O nome de Carlo Ancelotti era o preferido do presidente Ednaldo Rodrigues há pelo menos dois anos, desde meados de 2023, quando a CBF ainda tinha dúvidas sobre quem contratar para a vaga de Tite. Fernando Diniz foi contratado de maneira interina, para dividir a seleção com o Fluminense, quando chegou-se até mesmo a anunciar um acordo para que o italiano dirigisse o Brasil na Copa América de 2024.
O título da Champions League pelos merengues, porém, garantiu a renovação de Ancelotti com o clube e deixou a CBF exposta. Diniz saiu, Dorival Júnior foi contratado, mas os resultados não ajudaram o novo comandante a se estabelecer.
Somado a isso, a eliminação do Real Madrid na Liga dos Campeões e a perda de terreno na briga com o Barcelona pelo título espanhol deixaram Ancelotti em condição de insegurança no clube, que via a troca de comissão técnica como parte importante da renovação.
Neste cenário, a CBF – que já trabalhava com o nome do português Jorge Jesus para substituir Dorival – viu o antigo alvo ficar de repente disponível e retomou as conversas até o acerto final. O Real Madrid impôs poucos obstáculos, até por já ter Xabi Alonso, ex-Bayer Leverkusen, como substituto.
A CARREIRA DE ANCELOTTI
Meio-campista de boa técnica, Ancelotti aposentou-se em 1992 e imediatamente assumiu o cargo de auxiliar-técnico da seleção da Itália. Fez parte da equipe que levou o país ao vice-campeonato da Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, em derrota nos pênaltis para o Brasil na final.
O primeiro trabalho como treinador principal foi na Reggiana, em 1995. Assumiu o Parma no ano seguinte, mudou-se para a Juventus em 1999 até iniciar, em 2001, possivelmente o ciclo mais marcante da carreira.
Entre 2001 e 2009, Ancelotti comandou uma era muito vitoriosa no Milan. Levou o clube a três finais de Champions, ganhou duas e teve a capacidade de transformar grandes estrelas em um belo time. Naquele Milan, o italiano teve Dida, Cafu, Nesta, Maldini, Pirlo, Seedorf, Rui Costa, Rivaldo, Shevchenko, Crespo e, sobretudo, Kaká, a quem fez o melhor jogador do mundo em 2007.
A carreira de Ancelotti seguiu por grandes equipes, como Chelsea e PSG, até chegar ao Real Madrid em 2013, com o objetivo de levantar a tão sonhada La Décima, maneira que os espanhóis chamavam o 10º título da Liga dos Campeões. Atingiu o feito logo na primeira temporada, em final épica contra o Atlético de Madrid lembrada até hoje pelo gol tardio de Sergio Ramos.
Ancelotti deixou o Real Madrid em 2015, assumiu o Bayern de Munique para uma passagem de pouco brilho, depois dirigiu Napoli e Everton. Quando parecia estar na descendente da carreira, recebeu o convite para retornar ao Santiago Bernabéu em 2021.
Pelas mãos do italiano, o Real conquistou mais duas vezes a Champions League e venceu todos os títulos possíveis, o que fez de Ancelotti o técnico mais vencedor da história do clube. Agora, ele ganha a chance de dirigir a maior seleção do planeta e acabar com um jejum de 24 anos sem ganhar uma Copa (a última foi 2002).
Foi uma decisão no melhor estilo raiz. Um Re-Pa como nos velhos tempos românticos, com raça e transpiração do começo ao fim, fazendo a alegria da massa torcedora. Mais de 47 mil pessoas foram ao Mangueirão acompanhar a segunda partida da decisão de 2025. E deu Leão em jogo emocionante e equilibrado, com vitória bicolor no tempo normal por 1 a 0 e triunfo final azulino por 6 a 5 nas penalidades.
O Domingo das Mães foi também de dedicação e reverência ao clássico-rei. Por todos os recantos do Estado, o assunto preferencial era o Re-PaMa. Belém parou para acompanhar a grande final.
Quando a bola rolou, as emoções afloraram ainda mais. O PSC, que precisava da vitória, partiu com tudo para cima da zaga azulina, mas não acertou o pé. Leandro Vilela foi o primeiro a tentar, mas a bola passou longe. Pedro Rocha, o artilheiro remista na Série B, perdeu chance ainda melhor, errando na finalização, aos 10 minutos.
Entre os 16 e os 20 minutos, o Papão botou pressão, com Benitez e Vilela, mas a bola insistia em parar na zaga ou sair por cima da trave. Em resposta, Janderson foi lançado entre os zagueiros e cruzou para o cabeceio de Pedro Rocha. Matheus Nogueira saltou e evitou o gol.
Para aflição dos azulinos, Janderson foi atingido por trás e saiu lesionado aos 30’, sendo substituído por Kadu, novamente improvisado, mas tendo Marcelinho como ala avançado, um erro que já havia castigado o Remo na quarta-feira. A estratégia azulina de dobrar a presença de laterais na direita esbarrava na linha final de zagueiros do PSC, que em certos momentos tinha até cinco jogadores – Edilson, Quintana, Luan Freitas, Vilela e PK.
Ainda assim, um erro de Nicolas na intermediária propiciou algumas chegadas perigosas do Remo, quando Sávio ainda estava em campo. Aos 30′, da entrada da área, ele chutou forte, mas Matheus Nogueira encaixou bem.
Aos 36’, uma nova blitz bicolor na área do Remo. Matheus Vargas pegou um rebote e disparou um chute rasteiro, com muito perigo. Aos 40′, Benitez pegou bola rebatida pela zaga e emendou de primeira. A bola resvalou em Kadu e saiu.
No último lance do 1º tempo, aos 48′, Pedro Rocha foi lançado na área e acertou um chute cruzado. Matheus Nogueira defendeu parcialmente e, no rebote, Vizeu tentou, mas o goleiro agarrou com segurança.
Sávio, lesionado, foi a baixa do Remo logo no início do 2º tempo. Daniel Paulista fez uma mexida que alterou a configuração da zaga. Alvariño substituiu o lateral e Marcelinho foi deslocado para o lado esquerdo enquanto Kadu ficou na direita. Alvariño passou a atuar como terceiro zagueiro.
Aos 2 minutos, Pedro Rocha teve grande chance, após ser lançado por Pedro Castro. Sem marcação, avançou até a área, mas chutou em cima do goleiro. Aos 8′, uma oportunidade ainda mais clara: Felipe Vizeu, livre, também perdeu o gol, facilitando a defesa de Matheus Nogueira.
Aos 11′, veio o castigo. Uma bola chutada da entrada área desviou no braço de Reynaldo. O árbitro inicialmente não deu, mas confirmou no VAR e Rossi cobrou o pênalti, abrindo o placar no Mangueirão.
Na pressão para tentar o empate, Daniel Paulista substituiu Vizeu e Pavani por Adailton e Dodô. Mesmo sem organização no ataque, o Leão também achou um pênalti, aos 40’. Um chute de Adailton tocou no braço de Bryan. O próprio Adailton cobrou e Matheus Nogueira fez a defesa.
Diante do empate no placar agregado (3 a 3), o título teve que ser decidido na série de penalidades. O Remo levou a melhor por 6 a 5. Matheus Nogueira pegou o primeiro penal azulino, cobrado por Pedro Castro. Na última cobrança, Marcelo Rangel defendeu chute de Dudu Vieira e Reynaldo liquidou a fatura, garantindo a conquista do 48º título estadual.
Técnicos saem ganhando com o resultado final
Quando um campeonato termina, normalmente o técnico derrotado na final sai em situação vulnerável, cobrado pelos torcedores e sob risco de demissão. Não é exatamente o caso de Luizinho Lopes no PSC. Pelo comportamento do time nas duas partidas finais do Parazão, o treinador sai fortalecido, com o trabalho reconhecido pela torcida bicolor.
Apesar da má campanha da equipe na Série B, com apenas dois pontos ganhos e nenhuma vitória, o técnico ganhou uma sobrevida, mostrando que o time não é tão fraco quanto muitos avaliam. Obviamente, terá que reagir rápido no Brasileiro para não perder o voto de confiança do torcedor.
Nos clássicos, o PSC conseguiu equilibrar as ações em nível competitivo com o rival. Na partida de ontem, teve chances de definir, mas acabou falhando no velho problema das finalizações. Compensou, porém, a ausência de vida criativa no meio com a disposição redobrada de seus volantes Martínez, Vilela e Matheus Vargas.
O discurso de superação foi plenamente correspondido em campo. O que foi alardeado antes do jogo acabou se materializando na partida. O Remo optou por um sistema menos exposto. Buscava atrair o adversário para sair em contra-ataque. Quase deu certo, mas as falhas individuais não permitiram o aproveitamento das chances.
Daniel Paulista, ao contrário de Luizinho, parecia mais confiante na qualidade técnica de seu time. Sabia que raça e entrega eram fundamentais, mas baseou sua estratégia no entrosamento de seus jogadores. O grande problema foi a ausência de Jaderson, jogador que dinamiza a saída de bola do Remo e atua entre uma intermediária e outra.
Para piorar, perdeu Sávio e Janderson muito cedo, sendo obrigado a improvisar Kadu na frente. Demorou a lançar Adailton, que poderia ter entrado já no intervalo, mas acertou ao posicionar Alvariño ao lado de Reynaldo e Klaus, que também saiu contundido.
Com o título paraense, o Remo de Daniel tende a evoluir ainda mais na Série B, embalado pelo entusiasmo do Fenômeno Azul. O próximo compromisso já acontece na quarta-feira, às 19h, no estádio Mangueirão, contra o Vila Nova, campeão goiano.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 12)
O Remo é o campeão paraense de 2025. Em jogo emocionante, perdeu no tempo normal por 1 a 0, mas venceu na série de penalidades (6 a 5) em tarde-noite de festa das torcidas (mais de 47 mil espectadores) no Mangueirão, neste domingo (11). O PSC levou perigo logo aos 2 minutos com Leandro Vilela batendo de fora da área. A resposta foi imediata, com Pedro Rocha, que foi lançado por Sávio, entrou na área e chutou, mas errou na finalização.
Quase aos 20′, uma sequência de bons ataques do PSC, com Benitez estourando chute na zaga e em seguida Leandro Vilela desviando por cima da trave de Marcelo Rangel. Em contra-ataque rápido, Janderson entrou entre as linhas defensivas bicolores e chutou forte para uma boa defesa de Matheus Nogueira. Logo em seguida, Janderson se lesionou e foi substituído por Kadu, novamente improvisado como avançado.
Matheus Vargas disparou um belo chute, rasteiro, com muito perigo, aos 36′. Em seguida, aos 40′, Benitez aproveitou rebote da zaga e pegou de primeira. A bola desviou em Kadu e saiu. Aos 48′, Pedro Rocha foi lançado na área e chutou para uma grande defesa de Matheus Nogueira. No rebote, Vizeu finalizou e o goleiro agarrou com segurança.
Na etapa final, o técnico Daniel Paulista fez uma troca no setor defensivo: Alvariño entrou no lugar de Sávio, lesionado. Marcelinho foi deslocado para a lateral-esquerda, Kadu ficou na direita e Alvariño como terceiro zagueiro pelo mesmo lado.
Logo aos 2 minutos, Pedro Rocha foi lançado por Pedro Castro e recebeu livre, sem marcação. Ao ficar frente a frente com o goleiro, acabou errando o arremate e facilitando a defesa. Aos 8′, foi a vez de Felipe Vizeu desperdiçar, também perdendo o gol diante do goleiro Matheus Nogueira.
Aos 11′, veio o pênalti. A bola chutada da entrada área resvalou no braço de Reynaldo. O árbitro inicialmente não marcou, mas foi chamado pelo VAR e confirmou a penalidade. Rossi cobrou e abriu o placar no Mangueirão, fazendo a galera bicolor explodir em comemoração.
Para tentar uma reação, Daniel Paulista substituiu Vizeu e Pavani por Adailton e Dodô. Depois de muito insistir, o Remo também ganhou uma penalidade. Adailton chutou em direção ao gol e a bola tocou no braço de Bryan. Na cobrança, o próprio Adailton cobrou e Matheus Nogueira fez a defesa. O final foi tenso, o Remo se desestabilizou com a perda do pênalti e o PSC foi ao ataque em busca do gol do título, mas as duas equipes não acertaram o alvo.
Na série de penalidades para decidir o título, o Remo levou a melhor por 6 a 5. Marcelo Rangel defendeu pênalti de Dudu Vieira e Reynaldo fechou as cobranças, garantindo a conquista do 48º título estadual azulino. Uma grande festa irrompeu no Mangueirão, pelas ruas de Belém e por todo o Estado do Pará. (Fotos: Beatriz Reis)
O presidente apresentou dados consolidados pelo IBGE que demonstram, entre eles, o rendimento per capita recorde em 2024 e o menor nível de desigualdade desde 2012
Em diálogo com jornalistas no término da agenda de compromissos na Rússia neste sábado, 10 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou os dados revelados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que demonstram o crescimento da renda e a queda da desigualdade.
“Uma notícia que me deixou extremamente feliz. Eu venho dizendo para vocês no Brasil que nós plantamos muita coisa nos dois primeiros anos de mandato, depois do processo de permanência. E que 2025 seria o ano em que a gente iria começar a colher tudo aquilo que foi plantado”, recordou Lula.
Para o presidente, uma pesquisa do IBGE demonstra que o Governo Federal está dando a volta por cima no enfrentamento à fome, à pobreza e à desigualdade — e no aumento do nível de renda da população brasileira. “Todos os indicadores são extremamente positivos do ponto de vista da escalada de conquistas sociais no Brasil”, celebrou.
“Isso é muito bom, porque vocês sabem que eu sonho que um dia o Brasil será um país com um padrão de classe média para todo o povo brasileiro. É esse sonho que eu carrego quando penso em fazer política de distribuição de renda”, apareceu Lula.
INDICADORES — O Brasil registrou rendimento per capita recorde em 2024 e o menor nível de desigualdade desde 2012, quando foi iniciada a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) sobre Rendimento de Todas as Fontes. As informações do módulo anual da pesquisa foram divulgadas nesta quinta-feira (dia 8) pelo IBGE.
Em 2024, a massa de rendimento mensal domiciliar per capita, que é a soma de todos os rendimentos da população, atingiu o maior valor desde 2012: R$ 438,3 bilhões. O crescimento foi de 5,4% frente a 2023. Na comparação com 2019, o ano anterior à pandemia de Covid-19, houve uma alta de 15%.
O estudo também mostra que três indicadores que avaliam as desigualdades de rendimento na PNAD Contínua caíram para níveis inferiores da série histórica. Em 2024, os 10% da população com os rendimentos mais elevados obtiveram o equivalente a 13,4 vezes o rendimento dos 40% da população com os menores rendimentos. Essa foi a menor razão da série histórica, que atingiu seu pico (17,1 vezes) em 2018.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
A decisão em 180 minutos termina neste domingo (11) à tarde, de qualquer maneira, no Mangueirão. Vencedor do primeiro jogo por 3 a 2, o Remo entra com a vantagem do empate, confiante no entrosamento do time. O PSC, que vendeu caro a derrota na quarta-feira, ampara suas esperanças na tradição de superação em confrontos decisivos.
Os dois times têm desfalques e dúvidas. Zagueiro titular do PSC, Novillo está fora da partida, em função da contusão sofrida, junto com Jaderson. O protocolo de concussão prevê um prazo mínimo de 10 dias para retorno aos gramados. O argentino será substituído por Quintana.
Jaderson desfalca o Remo, e não é um desfalque qualquer. O camisa 10 é o principal jogador de criação e articulação da equipe. Não tem substitutos para o clássico, pois o recém-contratado Régis não está inscrito na competição. O meia-atacante Dodô, que poderia ser uma alternativa, não vem sendo utilizado por Daniel Paulista. Guty não vem atuando.
São ausências importantes que afetam a organização dos times. A de Jaderson, porém, tem peso maior. Ele é um meia de grande mobilidade, que atua entre as duas intermediárias, dividindo-se entre marcação e distribuição de jogo. Sem ele, o Remo precisará redimensionar seu meio-campo, com a provável entrada de Pedro Castro, de características completamente diferentes.
No PSC, a substituição de Novillo não será um problema. Quintana entrou nos minutos finais do clássico de quarta-feira, voltando à equipe após ficar de fora de várias partidas. A diferença é que Novillo vinha se consolidando pela sobriedade e qualidade nos desarmes. Apesar de bom no jogo aéreo, Quintana não passa a mesma segurança.
Para a parte ofensiva, predomina o equilíbrio. O PSC terá sua formação titular: Borasi (ou Benitez), Nicolas e Rossi. Funcionou bem na criação de chances no 1º tempo do clássico anterior, embora falhando nas finalizações.
O Remo terá que produzir uma atuação melhor de seus atacantes. Com exceção de Janderson, que atuou muito bem e marcou um gol, Pedro Rocha e Felipe Vizeu ficaram devendo, principalmente o segundo, encaixotado entre os zagueiros bicolores na maior parte do tempo.
Caso Daniel Paulista repita hoje o formato utilizado na Série B, o lateral-esquerdo Sávio será novamente encarregado do apoio ao ataque, aproximando-se de Pedro Rocha. Fisicamente bem, teve participação nos três gols do Remo no último Re-Pa.
O PSC também tem um trunfo importante pelos lados. É o lateral-direito Edilson, um dos melhores na quarta-feira passada, com participação constante nas jogadas ofensivas, principalmente no 2º tempo.
Como se vê, o equilíbrio técnico previsto antes da decisão tem tudo para prevalecer até o apito final. (Foto: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)
Bola na Torre
Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 23h, na RBATV, com a participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a decisão do Campeonato Paraense e a cobertura completa da festa dos campeões. A edição é de Lourdes Cezar e Lino Machado.
A esperança embala as duas torcidas
Um sentimento curioso divide azulinos e bicolores antes do grande e decisivo clássico. O otimismo domina as duas torcidas, apesar da vantagem ostentada pelo Remo após a vitória na quarta-feira. Ocorre que o placar de 3 a 2 é autoexplicativo quanto às dificuldades e alternâncias que o embate mostrou. Apesar de um início melhor por parte dos azulinos, marcando 2 a 0 em 22 minutos, a partida foi acirrada e indefinida até o fim.
As palavras do técnico Luizinho Lopes, proferidas ainda no calor do jogo, foram importantes para manter a Fiel torcida mobilizada, acreditando na reversão do placar no confronto deste domingo. A grande procura por ingressos confirma que a fé na conquista do título segue viva.
Luizinho fez questão de mencionar a importância de saber disputar partidas que valem títulos. Acentuou a entrega de seu time, a quantidade de faltas cometidas e o esforço em busca do resultado ao longo do 2º tempo. Estabeleceu ali uma diferença em relação ao que o Remo mostrou em alguns momentos do confronto, principalmente quanto à marcação.
Ao contrário de seu oponente, o técnico Daniel Paulista valorizou a vitória sobre o rival, mas conteve-se nos limites da avaliação técnica, evitando um discurso mais emocional. Talvez esteja certo do ponto de vista normal das coisas. Ocorre que uma batalha entre Remo e Paysandu sempre foge à normalidade dos demais jogos.
Há algo de animicamente diferente na disputa do clássico-rei da Amazônia. A rivalidade se expressa não só nas arquibancadas. Invade o campo, mesmo com times formados por uma legião de atletas nascidos em outros Estados e países. Todos sabem da importância histórica que um triunfo tem.
No primeiro jogo, Luizinho Lopes captou isso de forma mais precisa, entendendo o que é de fato um Re-Pa. No segundo duelo, Daniel Paulista tem a oportunidade de mostrar que não passou batido em relação a isso.
(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 10/11)
Zambelli deve ser presa por ser mentora intelectual da invasão do sistema para inserir um mandado de prisão fake contra Moraes. Relator do caso, ministro ainda votou pela perda do mandato.
Da Agência Brasil
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (9) pela condenação da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) a 10 anos de prisão por ser mentora intelectual de uma invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em janeiro de 2023.
Relator do caso, Moraes votou ainda pela perda do mandato da deputada. A execução da medida, contudo, depende de ato da Mesa Diretora da Câmara. Pelo voto do ministro, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve ser intimado, se for confirmada a condenação.
Zambelli é julgada junto com o hacker Walter Delgatti. Os dois foram denunciados pelo procurador-geral a República, Paulo Gonet, pelos crimes de invasão de dispositivos informáticos e falsidade ideológica. Moraes votou para que Delgatti receba a pena de 8 anos e 3 meses de prisão.
“É completamente absurda a atuação vil de uma deputada federal, que exerce mandato em representação do povo brasileiro, e de um indivíduo com conhecimentos técnicos específicos, que causaram relevantes e duradouros danos à credibilidade das instituições, em completa deturpação da expectativa dos cidadãos e violação dos princípios constitucionais consagrados no Brasil”, escreveu o ministro.
O julgamento começou às 11h desta sexta, quando foi publicado o voto do relator no ambiente virtual da Primeira Turma do Supremo. Os outros quatro ministros do colegiado – Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Luiz Fux – têm até a próxima sexta (16) para votar pela condenação ou absolvição dos acusados.
Na denúncia, Gonet afirma que Zambelli foi a autora intelectual da invasão e procurou Delgatti para executar o crime, com objetivo de inserir nos sistemas do CNJ um mandado de prisão falso e em aberto contra Moraes, entre outras manipulações ilegais.
O PGR relacionou os crimes à incitação de atos antidemocráticos e escreveu que eles foram cometidos visando a obtenção de “vantagem midiática e política” e “com o fim de prejudicar a credibilidade e o regular funcionamento do Poder Judiciário”.
Gonet avaliou que os crimes foram de “gravidade acentuada”, pois tiveram “o propósito espúrio de tentar colocar em dúvida a legitimidade e a lisura da administração da Justiça, como estratégia para incitar a prática de atos antidemocráticos e tentar desestabilizar as instituições republicanas”.
O advogado Daniel Bialski, que defende Zambelli, pediu a absolvição da deputada, sob o argumento de que o único elo entre a parlamentar e a invasão aos sistemas do CNJ é a palavra de Delgatti, que confessou a autoria dos crimes e a acusou de ser a mandante intelectual.
Bialski afirmou que a confissão do hacker sobre o crime foi “recheada de mentiras” e que não podem “respaldar uma condenação”. Ele sustentou que o crime foi cometido por iniciativa única de Delgatti, não havendo provas, além de meros indícios, da participação de Zambelli.
Ao longo do processo, a defesa de Delgatti alegou que os crimes foram praticados “única e exclusivamente” devido à promessa de vantagens financeiras e de um emprego feita por Zambelli.
PORTE DE ARMA
Zambelli é ainda alvo de uma outra ação penal no Supremo, relativa ao episódio em que ela sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista Luan Araújo pela via pública, em São Paulo, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.
Neste caso, o julgamento foi iniciado em março no plenário virtual, com a participação de todos os 11 ministros do Supremo, mas acabou suspenso por um pedido de vista do ministro Nunes Marques.
Na ocasião, os ministros Dias Toffolli e Cristiano Zanin adiantaram seus votos, formando uma maioria antecipada pela condenação. Marques ainda não devolveu o processo para continuidade de julgamento, e não há prazo definido para que a ação penal volte à pauta do plenário.