Mudar para seguir como está

POR GERSON NOGUEIRA

Como quase tudo que envolve a Confederação Brasileira de Futebol, o turbilhão de informações das últimas 72 horas traz um toque de fofoca, intriga e disputas de bastidores à guerra pelo poder na milionária entidade que manda e desmanda no futebol brasileiro.

Ednaldo Rodrigues, que tentou se agarrar à contratação de Carlo Ancelotti como bóia de salvação para permanecer no cargo, foi derrubado por uma assinatura suspeita (ou falsa) de ninguém menos que o nosso conhecido Coronel Nunes, de tantas histórias tanto na FPF como na CBF.

Depois de ser apoiado por unanimidade na eleição de 24 de março, coincidindo com a surra em campo para a Argentina nas Eliminatórias, Ednaldo caiu em desgraça por alguma razão até agora oculta. Talvez nunca se saiba o que de fato ocorreu, mas é fato que os presidentes de federações que o aclamaram resolveram lhe puxar o tapete.

Um risível “Manifesto pela Estabilidade, Renovação e Descentralização do Futebol Brasileiro”, divulgado na sexta-feira (16), significa a pá de cal nas pretensões de Ednaldo. Ali, em termos pomposos, a cartolagem decreta que o ciclo dele acabou e que um novo aiatolá será ungido no dia 25 de maio, data da eleição convocada pelo interventor Fernando Sarney.

Aliás, Sarney é personagem importante no tabuleiro, nem tanto pela influência no esporte, mas pela mobilização no cenário jurídico, onde até pouco tempo atrás Ednaldo esteve bem amparado. A rapidez do processo de destituição mostrou que o baiano já não tem esse importante suporte.

Mesmo para os padrões da CBF, surpreende que um cartola inexpressivo de Roraima seja um dos cotados no pré-conclave que se instalou na CBF para formação de chapas. Por óbvio, a possível escolha de um desconhecido indica que novas tramas já estão em marcha. A conferir.

Invicto, Remo foca na regularidade

Regularidade e eficiência são virtudes fundamentais na Série B do Campeonato Brasileiro. Ninguém obtém sucesso numa disputa tão longa e difícil se não priorizar esses pontos. O Remo tem seguido à risca esse manual de caminhada dentro da competição.

Até aqui, foram quatro vitórias em casa e três empates fora. Nada mais exemplar da eficiência da equipe do que a prioridade dada à segurança defensiva, sem descuidar da agressividade no ataque.  

Dono da melhor zaga (4 gols sofridos) e do melhor ataque (10 gols) do campeonato, o time de Daniel Paulista exibe entrosamento no bloqueio às ações dos adversários e nas saídas em velocidade. Isso requer repetição em treinos e escolha adequada dos jogadores e do sistema utilizado.

Nas primeiras seis rodadas, o Remo utilizou o 4-3-3 e, por força da necessidade provocada pela ausência de cinco titulares, passou a adotar a variação para o 3-5-2 desde o confronto com o Vila Nova, no Mangueirão.

Era uma situação improvisada, mas deu certo. Por esse motivo, o time que irá enfrentar o Atlético-GO neste domingo (16h) deve ser basicamente o mesmo que atuou na quarta-feira, o que inclui a dupla Pedro Rocha e Adailton na linha ofensiva.

Daniel Paulista optou por repetir o 3-5-2 ao observar a forma segura como a defesa atuou contra o Vila e as opções abertas na frente com dois jogadores rápidos (Rocha e Adailton) auxiliados pelos alas Marcelinho e Alan Rodriguez. Com Felipe Vizeu de centroavante, o time não vinha mostrando a mesma mobilidade no ataque.

A dúvida está na defesa, onde o titular Klaus já tem condições de jogo. Caso seja escalado, deverá substituir Camutanga, que jogou mais centralizado diante do Vila Nova.  

Papão vai em busca da primeira vitória

Contra o líder Goiás, neste domingo (18h30), no Mangueirão, o PSC renova esperanças na conquista da primeira vitória, que quase aconteceu na rodada passada, quando esteve em vantagem sobre o América-MG até quase o final, mas cedeu o empate em apenas três minutos.

Sem alternativas para mudanças substanciais no time, o técnico Luizinho Lopes deve manter a equipe que jogou em Belo Horizonte, o que inclui o zagueiro Maurício, substituto de Quintana.

O ataque, como sempre, vai depender muito do rendimento de Rossi. Jogador mais importante do time, ele é decisivo no ataque e ainda tem participação importante nas ações a partir do meio-de-campo.

Os problemas de desgaste físico se juntam às deficiências individuais e fazem com que o time sofra até quando abre vantagem no placar. Os resultados negativos deixam os jogadores inseguros, o que acentua a necessidade de uma vitória para espantar a má fase.  

A condição de mandante, com o apoio da torcida, favorece as pretensões bicolores, apesar da boa campanha do Goiás como visitante.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 23h, na RBATV, destacando a oitava rodada da Série B e os jogos da Série D. Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião participam dos debates. A edição é de Lourdes Cezar e Lino Machado.  

(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 17/18)

Clubes e torcedores prestam homenagens ao repórter esportivo Agripino Furtado

Com passagem por várias emissoras de rádio de Belém, o repórter esportivo Agripino Furtado morreu nesta sexta-feira (16), aos 72 anos, vítima possivelmente de um infarto enquanto dormia em sua residência. Em sua homenagem, Remo e Paysandu postaram mensagens nas redes sociais, destacando a competência e a seriedade do radialista. Nas redes sociais, os torcedores também se manifestaram elogiando o trabalho de Agripino ao longo dos anos.

Natural de Mocajuba, na região do Baixo Tocantins, Agripino foi jornaleiro na juventude e trabalhou durante mais de três décadas como setorista do PSC, cobrindo diariamente as atividades do clube. “Trabalhou nas rádios Liberal e Marajoara, sempre com a missão de levar diariamente aos ouvintes as principais informações do Paysandu, de forma responsável, verdadeira e imparcial”, ressaltou o clube em publicação na internet.

Cobriu a histórica vitória do PSC sobre o Boca Juniors, no estádio de La Bombonera, em Buenos Aires, pela Copa Libertadores da América de 2023. Em 2016, sob a gestão do presidente Alberto Maia, o clube homenageou Agripino batizando com o seu nome uma praça localizada na área interna do estádio da Curuzu.

Agripa também foi destacado em nota oficial do Clube do Remo, onde chegou a trabalhar como setorista no início da carreira. “Figura marcante na comunicação esportiva do Pará. Que sua memória seja uma inspiração para todos”, diz a mensagem, contendo também palavras de solidariedade à família do radialista.

A trajetória profissional de Agripino começou com a cobertura do Remo, pela Rádio Marajoara. Em 1972, já na Rádio Liberal, passou a cobrir a Tuna, ficando por vários anos acompanhando o clube cruzmaltino, antes de se tornar setorista do Paysandu. Reportou alguns dos principais feitos do Papão, a partir dos anos de 1980, até se aposentar.

A notícia de sua morte foi relatada pela família. Agripino sofreu infarto enquanto dormia, no começo da tarde, em sua casa. Ele sofria do mal de Parkinson.

O velório ocorre na sede social do PSC, na avenida Nazaré, e o sepultado está marcado para a manhã deste sábado, 19. Em homenagem póstuma a Agripino, o Paysandu solicitou à CBF a autorização para que se cumpra um minuto de silêncio antes da partida contra o Goiás, neste domingo (18), às 18h30, no estádio Jornalista Edgar Proença, pela 8ª rodada da Série B.

NOTA DO PSC

“O Paysandu Sport Club lamenta profundamente o falecimento do radialista Agripino Furtado, o setorista mais antigo do clube, que cobriu as atividades do Papão por mais de 50 anos. Ele partiu nesta sexta-feira (16), aos 72 anos.
Agripa, como era carinhosamente conhecido, trabalhou nas rádios Liberal e Marajoara, sempre com a missão de levar diariamente aos ouvintes as principais informações do Paysandu, de forma responsável, verdadeira e imparcial.
Altamente identificado com o clube, o radialista acompanhou in loco as maiores glórias da história bicolor, como as conquistas dos dois títulos da Série B, a final da Copa dos Campeões, a vitória épica sobre o Boca Juniors em La Bombonera, pela Copa Libertadores da América, além de outros momentos inesquecíveis.
Devido ao seu trabalho sério, honesto e respeitoso, Agripino Furtado foi homenageado pelo Paysandu, em 2016, com o seu nome eternizado em uma praça localizada nas dependências internas do Estádio Banpará Curuzu.
O clube solicitou junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) um minuto de silêncio em sua homenagem, que será respeitado antes da partida contra o Goiás, no próximo domingo (18), às 18h30, no Estádio Mangueirão, pela oitava rodada da Série B.
O Paysandu se solidariza com familiares, amigos e ouvintes de Agripino Furtado neste momento de profunda tristeza”.

SUS realiza primeiras aplicações do zolgensma, remédio de R$ 7 milhões para crianças com AME

Com modelo inédito, um dos mais caros medicamentos do mundo é ofertado de forma gratuita na rede pública. Expectativa é atender 137 crianças com a condição rara em dois anos

Bebê que recebeu a terapia na quarta-feira, 14 de maio, no Hospital da Criança José Alencar, em Brasília (DF) – Foto: Igor Evangelista/MS

O Governo Federal viabilizou, na rede pública de saúde, as primeiras aplicações do zolgensma, medicamento de altíssimo custo utilizado no tratamento de crianças com Atrofia Muscular Espinhal (AME). Essa é a primeira terapia gênica incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Duas bebês, com menos de seis meses de vida, receberam a terapia simultaneamente na quarta-feira, 14 de maio, no Hospital da Criança José Alencar, em Brasília (DF), e no Hospital Maria Lucinda, em Recife (PE).

ALTO CUSTO — O zolgensma é considerado um dos medicamentos mais caros do mundo, com custo médio de R$ 7 milhões por dose única. O fornecimento gratuito no SUS foi possível graças a um modelo inovador de Acordo de Compartilhamento de Risco, firmado entre o Governo Federal e a fabricante. 

O Brasil se tornou o sexto país no mundo a ofertar o medicamento em sistemas públicos de saúde, após Espanha, Inglaterra, Argentina, França e Alemanha. O acordo realizado estabelece que o pagamento só será feito se o tratamento for eficaz, o que garantiu ao Brasil o menor preço lista do mundo. 

HISTÓRICO — Durante visita ao Hospital da Criança em Brasília, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, celebrou o momento como um marco para a saúde pública no país. “Seria impossível para as famílias arcarem com um custo tão alto. É uma terapia gênica muito importante e inovadora, por isso garantir esse atendimento e poder acolher essas famílias é um momento de muita emoção”, disse o ministro.

INDICAÇÃO — O medicamento é indicado exclusivamente a crianças com AME tipo 1, com até seis meses de idade, que não dependem de ventilação mecânica invasiva por mais de 16 horas por dia. As duas bebês atendidas foram priorizadas por estarem próximas do limite de idade para receber a infusão e por cumprirem todos os critérios clínicos previstos no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Atrofia Muscular Espinhal (AME) 5q tipos 1 e 2. 

“É emocionante, porque a gente nunca perde a esperança como mãe. Ver minha filha, daqui pra frente, poder andar, correr, falar e me chamar de mãe vai ser excelente. Posso viver a maternidade de uma forma diferente”.

Milena Brito
Mãe de bebê que recebeu a infusão de zolgensma em Brasília 

EMOÇÃO — Millena Brito, mãe da bebê que recebeu a infusão em Brasília (DF), descobriu o diagnóstico de AME aos 13 dias de vida da filha. Para ela, o tratamento oferecido pelo SUS foi o melhor presente que poderia receber. “É emocionante, porque a gente nunca perde a esperança como mãe. Ver minha filha, daqui pra frente, poder andar, correr, falar e me chamar de mãe vai ser excelente. Posso viver a maternidade de uma forma diferente”, afirmou Millena, emocionada. 

Com a garantia do acesso ao medicamento, as crianças poderão ter ganhos motores significativos, como a capacidade de engolir e mastigar, sustentar o tronco e sentar-se sem apoio. A expectativa do Governo Federal é atender 137 pacientes nos primeiros dois anos, impactando diretamente na qualidade de vida. Atualmente, um total de 15 pedidos foram protocolados para acesso ao medicamento no SUS e estão sendo encaminhados, começando por estes dois atendimentos. 

INTERVENÇÕES — Embora a AME não tenha cura, as terapias disponíveis ajudam a estabilizar sua progressão. Além do zolgensma, de dose única, o SUS oferece nusinersena e risdiplam, de uso contínuo, que atuam para evitar a progressão da doença. Sem essas intervenções, essas crianças enfrentam alto risco de morte antes dos dois anos de idade. Quem recebe o zolgensma não precisa receber outra terapia para AME. 

COMO TER ACESSO — As famílias devem procurar um dos 36 serviços especializados em doenças raras do SUS. Um médico realizará a avaliação clínica da criança e, caso os critérios de elegibilidade sejam atendidos, o processo de solicitação da terapia será iniciado. 

Dos 36 serviços, 31 já estão aptos a realizar a infusão da terapia gênica – sendo 22 já habilitados e nove em fase de capacitação. Os serviços estão disponíveis em Alagoas, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e no Distrito Federal. 

Nos estados que ainda não contam com serviços habilitados para a infusão, o acordo garante, além do medicamento, o custeio de passagens e hospedagem para o paciente e um familiar responsável. 

ACOMPANHAMENTO — As crianças que recebem o zolgensma serão acompanhadas clinicamente até os cinco anos de idade pelo serviço de referência responsável pela infusão. Esse processo está alinhado com o Protocolo Clínico e com o Acordo de Compartilhamento de Risco. Após a infusão, o paciente deve permanecer internado por no mínimo 24 horas, sob observação clínica contínua. 

AVANÇOS — Incorporações como a do zolgensma mostram a capacidade do SUS em absorver terapias que envolvem alta complexidade. A adoção do modelo de compartilhamento de risco é uma alternativa para aquisição de medicamentos de altíssimo custo e cujos resultados requerem mais evidências científicas. 

Como vai funcionar o pagamento pelo governo:

  • 40% do preço total, no ato da infusão da terapia;
  • 20%, após 24 meses da infusão, se o paciente atingir controle da nuca; 20%, após 36 meses da infusão, se o paciente alcançar controle de tronco (sentar-se por, no mínimo, 10 segundos sem apoio);
  • 20%, após 48 meses da infusão, se houver manutenção dos ganhos motores alcançados;
  • Haverá cancelamento das parcelas se houver óbito ou progressão da doença para ventilação mecânica permanente.

Onde encontrar os serviços de referência

Em Belém, no Hospital Universitário Bettina Ferro.

(Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República)

Alepa aprova criação de nova superintendência da Polícia Civil no sudeste do Pará

Durante a sessão ordinária desta terça-feira (13), os deputados da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), presididos pelo deputado Chicão (MDB), aprovaram, por unanimidade, em dois turnos de votação, o Projeto de Lei Complementar nº 3/2025, de autoria do Poder Executivo, que trata da criação de cargos de provimento em comissão na estrutura da Polícia Civil do Estado do Pará. 

Na tribuna do Parlamento, o deputado Braz (PDT) comentou sobre a importância da aprovação do projeto de lei, que reforça a segurança policial no município de Parauapebas, localizado na região sudeste do Estado. “Esse projeto é de fundamental importância, pois permite a criação de uma nova superintendência da Polícia Civil no município de Parauapebas. Lembramos que esse novo posto de trabalho policial atenderá, ainda, às cidades de Canaã dos Carajás, Curionópolis e Eldorado do Carajás, possibilitando, assim, uma redução das demandas na superintendência de polícia da cidade de Marabá”, afirmou. 

O deputado Eraldo Pimenta (MDB) demonstrou satisfação com a aprovação da proposição que visa o reforço estrutural voltado à área da segurança pública na região sudeste paraense. “Os projetos que visam os aprimoramentos estruturais na área da segurança pública do nosso Estado, seja nas Polícias Civil e Militar, contam com o nosso irrestrito apoio para aprovação. Gostaria de lembrar que o nosso Estado tem se destacado, em todo o país, pelos esforços contínuos de trabalho que visam à diminuição dos índices de violência em todas as regiões do Pará, proporcionando à nossa população mais segurança e qualidade de vida”, destacou o parlamentar. 

O líder do Governo na Alepa, deputado Iran Lima (MDB), orientou a base governista pela aprovação do Projeto de Lei, ressaltando a necessidade de um reforço na área da segurança em uma das regiões de maior desenvolvimento do Estado. “A proposição apresentada pelo Poder Executivo permite a criação de cargos na Polícia Civil, tendo como objetivo central a criação de uma nova superintendência na cidade de Parauapebas, o quarto maior município do Pará. A instalação desse novo instrumento de trabalho, em uma das regiões que segue em constante desenvolvimento, permitirá uma descentralização no número de atendimentos na atual superintendência de Marabá, que atualmente atende toda aquela região”, concluiu o deputado Iran.

Aprovação na Lei Orgânica do Ministério Público do Pará

Tramitando em regime normal, na segunda votação do dia, os deputados aprovaram também, por unanimidade, o Projeto de Lei Complementar nº 2/2025, que trata da alteração na Lei Orgânica do Ministério Público do Estado do Pará.

(Foto: Celso Lobo/AID-Alepa)

Destituído, Ednaldo perde apoio das federações e CBF já tem data da nova eleição

Rei morto, rei posto. No mesmo dia em que Ednaldo Rodrigues foi destituído do cargo de presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), 19 das 27 federações de futebol do Brasil assinaram um manifesto pedindo renovação na entidade. Sem citar Ednaldo, o texto assinado pelos 19 presidentes (incluindo o da Federação Paraense de Futebol) apoia uma nova eleição na CBF, que já foi convocada por Fernando Sarney, o interventor nomeado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro: nesta sexta-feira (16), a CBF se posicionou e confirmou que o pleito será realizado no domingo, 25 de maio.

Como possível candidato, aparece Ronaldo Fenômeno, que tentou, sem sucesso, o apoio das federações para concorrer ao pleito ocorrido em março deste ano. Na ocasião, o Fenômeno foi apoiado apenas pela Federação Paulista de Futebol e acabou retirando sua candidatura. Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol), é outro que também poderá aparecer como candidato ao cargo máximo da CBF.

Os cargos em disputa serão de presidente, oito vice-presidentes, três membros efetivos e três membros suplentes do Conselho Fiscal da entidade para mandatos do quadriênio de 2025/2029.

No dia seguinte à votação, o técnico Carlo Ancelotti chega para comandar a Seleção Brasileira e realizar sua primeira convocação para os jogos das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026. Apesar da dança das cadeiras na confederação, o italiano confirmou que mantém a sua vinda para o Brasil e seu compromisso com a Seleção. 

O MANIFESTO

Além da estabilidade, o cenário exige uma renovação de ideias, de práticas e de lideranças, bem como a profissionalização definitiva das estruturas de gestão. A CBF precisa ser exemplo de governança, eficiência e transparência”, diz um trecho do manifesto assinado pelas 19 federações estaduais. Apenas oito não assinam o documento: São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Espírito Santo, Tocantins, Mato Grosso e Amapá.

Ednaldo Rodrigues foi afastado por decisão da Justiça motivada por uma suposta falsificação da assinatura do Coronel Nunes, um dos vice-presidentes da entidade, em um documento que reforçava o poder de Ednaldo Rodrigues dentro da CBF.

Esse documento, homologado em fevereiro, encerrou a ação que questionava o processo da eleição de Ednaldo para o comando da confederação. Se comprovada a falsificação da assinatura, a eleição de Ednaldo se tornaria inválida.

A decisão foi publicada nesta quinta-feira (15) pela 19ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). O responsável é o desembargador Gabriel De Oliveira Zefiro, presidente da comissão, que atendeu o pedido do vice-presidente, Fernando Sarney. O vice-presidente, inclusive, foi nomeado interventor pelo TJ-RJ e deve convocar eleições “o mais rápido possível”.

Na semana anterior, o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia recebido duas denúncias contra Ednaldo Rodrigues. Uma da deputada Daniela do Waguinho (União Brasil-RJ) e outra de Fernando Sarney, vice-presidente da CBF. Gilmar Mendes, relator do caso, recusou os pedidos de afastamento do presidente, mas guiou o caso de volta para a Justiça do Rio, que publicou a sentença nesta quinta-feira (15).

A decisão do desembargador Gabriel Zefiro parte do princípio de que o Coronel Nunes, intimado para audiência na última segunda-feira (12), não compareceu à sessão sobre a possível falsificação de assinatura em acordo que legitimou a eleição de Ednaldo Rodrigues.

Sem a presença do Coronel Nunes, o desembargador Gabriel De Oliveira Zefiro baseou a decisão desta quinta-feira em um atestado médico de Coronel Nunes, de maio de 2023, que revela déficit cognitivo, hidrocefalia, tonturas e ataxia. O desembargador também considerou um exame de grafodocumentoscópico (perícia de assinaturas e documentos) na assinatura do ex-dirigente em outros documentos.

Dessa forma, a decisão do desembargador foi por anular o acordo firmado em janeiro “em razão da incapacidade mental e de possível falsificação da assinatura de um dos signatários, Antônio Carlos Nunes de Lima, conhecido por Coronel Nunes.”

Ednaldo Rodrigues entrou na quinta-feira (15) com medida cautelar no Superior Tribunal Federal (STF) pedindo a retirada de Fernando Sarney do comando da CBF.

19 federações se unem em manifesto por renovação na CBF
19 federações se unem em manifesto por renovação na CBF • Reprodução/Instagram

Leão emplaca 4 nomes na seleção da 7ª rodada da Série B

O Remo triunfou por 2 a 0 sobre o Vila Nova por 2 a 0, na quarta-feira (14), alcançando a vice-liderança da Série B e emplacando atletas no “Time de Primeira”, votação popular no perfil oficial do Brasileiro da Segunda Divisão. Além do treinador Daniel Paulista, o goleiro Marcelo Rangel também foi selecionado, após mais um jogo sem sofrer gols e várias defesas importantes. Os laterais Marcelinho e Alan Rodríguez completam a lista de azulinos na seleção da 7ª rodada.

Veja a seleção completa:

  • Goleiro: Marcelo Rangel (Remo)
  • Lateral-direito: Marcelinho (Remo)
  • Zagueiro: Lucas Ribeiro (Goiás)
  • Zagueiro: Júlio César (América-MG)
  • Lateral-esquerdo: Alan Rodríguez (Remo)
  • Volante: Jacy Maranhão (Operário)
  • Volante: Rafael Gava (Goiás)
  • Meia: Frizzo (Novorizontino)
  • Meia: Gegê (CRB)
  • Atacante: Rafinha (CRB)
  • Atacante: William Bigode (América-MG)
  • Técnico: Daniel Paulista (Remo)

A cada rodada, o Remo vem emplacando jogadores na escolha popular do “Time de Primeira”.

O Leão está invicto na Série B, com quatro vitórias e três empates, e tem 15 pontos ganhos, a um ponto do líder Goiás. A equipe paraense é a única que ainda não perdeu nas duas principais divisões nacionais. O próximo jogo será neste domingo, 18, contra o Atlético-GO, às 16h, no estádio Antônio Accioly, em Goiânia.

(Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Dois gigantes: Lula se despede do amigo Pepe

“Amanheci em Pequim com a triste notícia de que Pepe Mujica partiu hoje, nos deixando cheios de tristeza, mas também de muitos aprendizados. Sua vida foi um exemplo de que a luta política e a doçura podem andar juntas. E de que a coragem e a força podem vir acompanhadas da humildade e do desapego. 

Em seus quase 90 anos de vida, Mujica combateu fervorosamente a ditadura que um dia existiu em seu país. Defendeu, como poucos, a democracia. E nunca deixou de militar pela justiça social e o fim de todas as desigualdades. 

Sua grandeza humana ultrapassou as fronteiras do Uruguai e de seu mandato presidencial. A sabedoria de suas palavras formou um verdadeiro canto de unidade e fraternidade para a América Latina. E sua forma de compreender e explicar os desafios do mundo atual continuará guiando os movimentos sociais e políticos que buscam construir uma sociedade mais igualitária.

Que o amor que Mujica sempre distribuiu ao povo seja agora recebido de volta pela querida Lucía Topolansky e pelos seus familiares, amigos e companheiros. E que o conforto chegue logo aos seus corações”.

Lula, presidente do Brasil

Tio Pepe

Por Heraldo Campos

Estive algumas vezes no Uruguai. A primeira foi a passeio nos anos 90 do século passado, viajando de automóvel e com a família, por estar morando na cidade de São Leopoldo (RS) e
atuando como professor na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). As viagens seguintes, nessa mesma década, foram por causa dos estudos que vinham sendo desenvolvidos sobre o grande reservatório de águas subterrâneas conhecido como Aquífero Guarani, que se estende por quatro países do Cone Sul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai).
Nos anos 2000, outras viagens de trabalho se sucederam para o Uruguai, principalmente para a capital Montevidéu, na função de Facilitador Local do Projeto Piloto Ribeirão Preto pela Organização dos Estados Americanos (OEA), para as pesquisas do Projeto Sistema Aquífero Guarani que se desenvolviam em toda essa grande região.

Boas lembranças são guardadas da convivência com os colegas desse período em reuniões técnicas e da amizade fraterna que se estabeleceu com os irmãos argentinos, paraguaios e uruguaios, que perduram até os dias de hoje.
Porém, confesso que durante esses anos que se passaram, estudando esse mega-reservatório de águas subterrâneas, não tive, que me recordo, a oportunidade de ouvir algum relato pessoal sobre Pepe Mujica (José Alberto Mujica Cordano), ex-presidente e ex-senador do Uruguai, que nos deixou recentemente, e que lamento não tê-lo conhecido pessoalmente.
Mas, com o passar do tempo, conhecendo um pouco da sua despojada e lutadora história de vida, permaneço me emocionando e me sentindo mais fortalecido, ainda, no caminho que escolhi para a trajetória profissional e pessoal.
Que a Lua Cheia do dia 13/05/2025 vista em Ubatuba (SP), dia da passagem de Pepe Mujica, continue a iluminar esse ser humano incrível, que gostaria que fosse da minha famíla para chamá-lo, com todo carinho e respeito, de Tio Pepe.
“Eu não sou pobre, eu sou sóbrio, de bagagem leve. Vivo com apenas o suficiente para que as coisas não roubem minha liberdade.” (Pepe Mujica).

  • Heraldo Campos é geólogo (Instituto de Geociências e Ciências Exatas da UNESP, 1976),
    mestre em Geologia Geral e de Aplicação e doutor em Ciências (Instituto de Geociências da USP, 1987 e 1993) e pós-doutor em hidrogeologia (Universidad Politécnica de Cataluña e Escola de Engenharia de São Carlos da USP, 2000 e 2010).

Leão cresce na força do coletivo

POR GERSON NOGUEIRA

Com a objetividade que marca o sistema empregado pelo técnico Daniel Paulista nesta Série B, o Remo superou mais um adversário de respeito no Mangueirão, mantendo 100% de aproveitamento dentro de casa (venceu quatro jogos, sem sofrer gols). A vitória põe o time na vice-liderança, na condição de único invicto da competição.

Contra o Vila Nova, ontem à noite, o Remo mostrou capacidade de resistir às dificuldades, superando as limitações impostas pela ausência de vários titulares (Jaderson, Klaus, Sávio, Janderson e Pavani) com a consistência de um entrosamento que resiste até a mudanças de sistema.  

Forçado a mexer na equipe, Daniel conseguiu transformar limão em limonada. Armou o time com três zagueiros – Camutanga, Reynaldo e Alvariño –, adicionando o reforço dos laterais Marcelinho e Alan Rodríguez quando o time era atacado.

À frente dos zagueiros, um trio de meia-cancha que ainda não havia entrado em jogos da Série B: Caio Vinícius, Pedro Castro e Luan Martins. Surpreendentemente, deu certo. Luan e Castro saíam com facilidade, executando uma transição objetiva e que beneficiou bastante a dupla de ataque, formada por Pedro Rocha e Adailton.  

Diante de 20 mil espectadores (17 mil pagantes), o Remo mostrou um novo modelo de jogo, mas repetiu virtudes que se transformaram em marcas registradas de sua campanha: bloqueio forte, objetividade e eficácia.

Os primeiros movimentos foram de ligeiro domínio azulino, mas o Vila trocava passes e ameaçava com jogadas em torno da área. Aos 25 minutos, o centroavante Gabriel Poveda criou o primeiro lance de perigo, acertando um belo chute que Marcelo Rangel conseguiu espalmar.

A resposta azulina veio em grande estilo: aos 32’, Marcelinho escorou cruzamento de Pedro Castro e estufou as redes goianas, abrindo o placar. Aos 39’, Adailton também sacudiu a roseira, após assistência de Alan Rodríguez, mas o VAR invalidou o gol, por impedimento.

Logo no primeiro minuto do 2º tempo, Pedro Rocha surgiu entre os zagueiros e disparou em direção ao gol. Halls mandou a escanteio. O Vila reagiu e João Vieira botou bola na área para um cabeceio que Marcelo Rangel defendeu bem.

Pedro Rocha voltou a aparecer em situação clara de gol. Entrou na área, bateu na saída do goleiro e só não fez o gol porque Formiga cortou para escanteio. Aí começaram as mudanças. Daniel Cabral e Kadu substituíram Pedro Castro e Adailton, e o time manteve a pegada inicial.

Aos 34’, o gol tranquilizador: Rocha cruzou da esquerda, Kadu pegou de primeira dentro da área e Régis (que substituiu Alan Rodríguez) desviou para as redes. Ao lado de Caio e Luan, Daniel Cabral se juntou ao esforço de marcação e o Vila não conseguiu mais criar situações perigosas.

Resultado expressivo com bom desempenho, premiando a capacidade coletiva do time de Daniel Paulista. (Foto: Marcos Júnior)

Papão abre 2 a 0, mas concede empate no final

Tudo parecia se encaminhar para a primeira vitória do PSC na Série B. Depois de superar o rival na segunda partida da final do Parazão, o time conseguiu estabelecer o placar de 2 a 0 no 2º tempo da partida com o América-MG, ontem, em Belo Horizonte. Na reta final, porém, a casa caiu. Os donos da casa foram buscar o empate em apenas três minutos. Foi a sétima partida sem vitória na competição.

A primeira etapa foi amplamente controlada pelo América, que atacava muito pelos lados e cercava a área, mas tinha dificuldades para acertar o gol. No início do 2º tempo, o domínio prosseguiu, com alguns lances de perigo em cima do setor defensivo do PSC. Willian Bigode quase abriu o placar, mas Matheus Nogueira espalmou para escanteio.

De repente, tudo mudou em favor do Papão. Rossi cobrou falta, a bola resvalou no lateral Marlon e caiu rente ao travessão, enganando o goleiro do América. O gol, muito festejado pelos bicolores, fez a equipe ganhar ânimo novamente, apesar da saída de Rossi para a entrada de Giovanni.

O América redobrou a pressão em busca do gol, mas foi o Papão que ampliou a contagem. Aos 24’, em contra-ataque iniciado por Nicolas, Benitez chutou duas vezes para fazer 2 a 0. O jogo parecia decidido.

Mas, aos 40’, em falta junto à área, Bigode bateu com perfeição junto ao poste esquerdo, sem chances para Matheus Nogueira. O gol empolgou os americanos, que apenas três minutos depois conseguiram o empate. Após o escanteio, Júlio César subiu entre quatro bicolores e testou para o gol.

Grosseria virou marca de técnicos portugueses no Brasil

O palmeirense Abel Ferreira, useiro e vezeiro em esculachar sua própria torcida, costuma xingar árbitros e repórteres, quase sempre impunemente, graças à força política do Palmeiras. Não está mais sozinho. Ontem, ao comemorar a vitória do Botafogo sobre o Estudiantes, pela Libertadores, o técnico Renato Paiva fez um gesto desrespeitoso em direção aos torcedores botafoguenses que estavam próximos ao banco de reservas.

Há uma lei antiga e imutável no futebol que prega respeito máximo às torcidas. Técnicos, principalmente os que estão em início de trabalho, devem tomar especial cuidado quanto a isso. Paiva, certamente arrependido pela grosseria, inventou uma desculpa para explicar o gesto ignóbil. Não colou. Terá que aprender a respeitar o torcedor, caso queira seguir como comandante do campeão da América.   

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 15)

Invicto, Leão bate o Vila Nova e assume a vice-liderança da Série B

Com um time mesclado e sem sete titulares, o Remo venceu o Vila Nova por 2 a 0 na noite desta quarta-feira (14), no estádio Mangueirão, em Belém, em confronto válido pela 7ª rodada do Brasileiro Série B. O resultado coloca o Leão na vice-liderança do campeonato, com 15 pontos. A vitória azulina foi construída por Marcelinho, que marcou no primeiro tempo, e Régis, que fez 2 a 0 na segunda etapa. O Tigre goiano é o 3º colocado com 13 pontos.

O Remo adotou uma postura ofensiva desde os primeiros minutos, retendo a posse de bola e saindo em ataques rápidos pelos lados. O problema é que não criava oportunidades claras. Pedro Rocha, artilheiro da competição, se encarregou do primeiro lance perigoso da partida, mandando um disparo forte em direção ao gol do Vila.

Em rara investida goiana, Gabriel Poveda finalizou com perigo e Marcelo Rangel fez boa defesa. Logo depois, aos 32 minutos, saiu o primeiro gol azulino. O lateral-direito Marcelinho escorou de cabeça um cruzamento na pequena área, vencendo o goleiro Halls. Adailton quase ampliou o marcador. Fez o segundo gol azulino, mas o VAR apontou impedimento no lance.

No 2º tempo, o Vila Nova ameaçou logo de cara em falta cobrada por João Vieira e bem defendida por Marcelo Rangel. O Remo respondeu rápido: Pedro Rocha entrou na área e chutou forte em direção ao gol, mas Formiga afastou de cabeça, evitando o gol.

Apesar de várias investidas do ataque goiano, a zaga azulina – formada por Camutanga, Reynaldo e Alvariño – resistiu bem, mostrando solidez em todos os lances. Até que, aos 34 minutos, em ataque puxado por Kadu (que havia substituído Adailton), a bola foi cruzada para o interior da área, onde Régis pegou de primeira, marcando 2 a 0 para o Leão. (Foto: Fernando Torres)

Mujica se foi. Mas deixou muito.

O tupamaro que plantava flores

Por Leandro Demori

Era uma manhã úmida em Montevidéu quando o portão da prisão se abriu rangendo o ferro cansado de manter gente atrás das grades. Um homem magro e de olhos fundos e barba rala saiu com passos seus curtos que se tornariam conhecidos no mundo todo. Ele ainda não sabia disso. Mal podia acreditar que estava livre – levava nos ombros a sombra de doze anos de cárcere. José “Pepe” Mujica deixa para trás não só os muros da prisão, mas os buracos cavados no chão pelos algozes da ditadura militar. Foram neles que passaram dias inteiros, incomunicáveis, como parte da tortura psicológica aplicada pelos militares uruguaios. Eles o chamavam de “Refém”. Se a guerrilha tupamara voltar à ativa, matariam Mujica e outros como ele.

Mas ele saiu vivo. E saiu homem inteiro.

Pepe Mujica não era político. Era planta do mato, com raiz funda em terra difícil. Camponês antes de tudo. Entrou na luta armada nos anos 60, quando a democracia uruguaia começou a desmoronar. Para manter a chama acesa e derrotar os militares golpistas, os Tupamaros assaltavam bancos, sequestravam diplomatas, e também distribuíam comida e ideologia por toda parte. Mujica foi presa, torturada, alvejada por seis tiros. Sobreviveu. Não virou mártir, sempre relegou a ideia torta de virar mito. Aceitou virar símbolo sob o contrato de que estava apenas puxando a fila da multidão.

Quando a ditadura caiu, Mujica não foi para Miami nem se escondeu atrás de uma mesa de escritório. Fundou um partido — o Movimento de Participação Popular — e entrou para a Frente Ampla. Deputado, depois senador. Falava um pouco. Quando conversava, todo o mundo escutava. Em 2009, a probabilidade aconteceu: Pepe Mujica foi eleito presidente do Uruguai. O ex-guerrilheiro virou chefe de Estado.

Continuou morando em seu sítio nos arredores da capital. Sem palácio, sem pompa, doava 90% do salário – não por marketing, mas porque descobri que já tinha o suficiente. Saía para o trabalho em seu inesquecível Fusca azul. No campo, cultivava flores, como fazia sua mãe nas mais longas lembranças de infância. No palácio cultivava ideias: legalizou o aborto, o casamento igualitário, a maconha. Defende o consumo consciente – preocupado que estava com as questões climáticas –, a política como instrumento de paz e a humildade como virtude política. Falava ao mundo, mas nunca deixou de olhar pro chão — onde crescem as coisas que importam, das flores às ideias. Não foi o Pepe que escolheu o mundo, foi o mundo que carregou o Pepe nos braços.

Nos últimos anos, Pepe foi parando devagarito . Abandonou o Senado em 2020. Disse que a velhice o pegou. Disse que o amor ainda era seu motor. Nunca reclamou da morte. Sabia que ela vinha, como tudo vem — “como uma visita que não manda recado”. Continuou colhendo flores, conversando com jovens que apareciam nos ocultos de sua chácara e o viam como um avô gentil com alma de revolucionário.

Quando descobriu que o câncer não daria acaso, declarou com franqueza e serenidade: “Sou um velho que está muito perto de empreender a retirada de onde não se volta. Mas eu sou feliz porque, quando meus braços se foram, há milhões de braços me complementares na luta.” Pouco depois, emendou: “Estou morrendo. Deixem-me tranquilo. Meu ciclo acabou. O guerreiro tem direito ao seu descanso.”

Em uma de suas últimas entrevistas, concedida ao jornal El Pais, deixou cair uma resposta que poderia ser o epitáfio de milhões de pessoas pelo mundo:

“A morte faz da vida uma aventura. O único milagre que existe no mundo para cada um de nós é ter nascido. (…) Me dediquei a mudar o mundo e não mudei porcaria nenhuma, mas estive entretido. E gerei muitos amigos e muitos aliados nessa loucura de tentar mudar o mundo para melhorá-lo. E dei um sentido à minha vida. Vou morrer feliz, não por morrer, mas por deixar uma turma que me supera com folga. Só isso.”

Mujica se foi, sem estardalhaço, como viveu.
Até sempre, Pepe.