Seis times da Série A, um da Série B, um da Série C e um da Série D se posicionaram pela democracia no aniversário de 61 anos do golpe militar que iniciou a ditadura no Brasil – da Região Norte, o Remo foi o único clube a se manifestar
Por Rafael Cyrne – No Ataque
Foto de Evandro Teixeira (JB) de repressão policial contra estudante no dia 21 de junho de 1968, escolhida pelo Sousa, único time da Série D que se manifestou.
No dia 1º de abril de 2025 marcou o aniversário de 61 anos de uma das maiores manchas da história do Brasil: o golpe militar de 1964, que depôs o presidente João Goulart e deu início à longa e truculenta Ditadura Empresarial-Militar. No entanto, a grande maioria dos clubes de futebol do país – instituições que são polo da identidade cultural e social brasileira – escolheu ignorar a data. Apenas nove times das Séries A, B, C e D se manifestaram.
A maior parte das equipes que se posicionaram é da Série A do Campeonato Brasileiro. Foram seis: Vasco, Botafogo, Bahia, Corinthians, Sport e Internacional. Embora baixo, o número é maior do que o do ano passado, quando apenas quatro se lembraram da data.
As três outras divisões têm cada uma um representante. Na Série B, o Remo; na Série C, o Náutico e, na Série D, o Sousa-PB. Veja, abaixo, como cada clube se manifestou.
VASCO DA GAMA
O clube carioca se manifestou ainda no dia 31 de março – data que divide com o dia 1º de abril o posto de “aniversário” do golpe, pois o movimento para a retirada de João Goulart do poder teria começado no dia 31 e acabado no dia 1º do mês seguinte.O Vasco fez um post com a cruz de malta e o lema “Ditadura nunca mais”. Na legenda, escreveu: 31 de Março. Lembrar para não se repetir. #DemocraciaSempre”.
BAHIA
O clube baiano destacou estrofe da música “Para não dizer que não falei das flores”, música lançada em 1968 que foi um dos ícones da resistência contra a Ditadura.
“Os amores na frente, as flores no chão A certeza na frente, a história na mão Caminhando e cantando e seguindo a canção Aprendendo e ensinanro uma nova lição”
Na legenda, o Bahia escreveu: “Democracia! #NuncaMais”.
BOTAFOGO
O Botafogo fez post destacando o mesmo lema do rival Vasco: “Ditadura nunca mais”. Abaixo, ainda havia os dizeres: 61 anos do Golpe de Estado no Brasil e, ao fundo do letreiro, imagens de jornais na época da Ditadura. Na legenda, o alvinegro escreveu: “Pela Democracia!”.
CORINTHIANS
O Corinthians foi, talvez, o clube brasileiro mais ativo na resistência à Ditadura. Lá, na década de 1980, grupo de jogadores encabeçados pelo meia Sócrates, grande ídolo do time alvinegro, iniciaram o movimento “Democracia Corinthiana”, que criou uma espécia de “autogestão” do time e promoveu diversos atos pelo fim do regime militar.
O clube escolheu destacar justamente isso no dia 1º de Abril, publicando foto de braço erguido com punho cerrado e tatuagem de Sócrates. O meia fazia esse movimento com o braço para comemorar seus gols como um símbolo da luta contra a Ditadura. A imagem veio com os seguintes dizeres: ganhar ou perder, mas sempre com democracia.
Na legenda, o Corinthians escreveu: “A Democracia Corinthiana é um dos capítulos mais poderosos da nossa história. E é por isso que fazemos questão de lembrar: memória é resistência. Hoje, relembramos os dias 31 de março e 1º de abril de 1964 — quando um Golpe de Estado deu início à Ditadura Militar no Brasil. Ditadura nunca mais. Democracia, sempre”.
SPORT
O clube pernambucano também publicou arte com o lema “Ditadura nunca mais”, além dos seguintes dizeres: “Para que nunca se esqueça, para que nunca se repita”.
INTERNACIONAL
Além do slogan “Ditadura nunca mais” estilizado em arte com o estádio Beira-Rio ao fundo, o Inter escreveu na legenda do post nas redes sociais: “Há 61 anos, o Brasil vivia um período sombrio de sua história. Em memória às vítimas e em respeito à liberdade, o Clube do Povo reitera o seu compromisso com a democracia e os direitos humanos: ditadura nunca mais!”.
CLUBE DO REMO
O Remo também destacou o slogan “Ditadura nunca mais”, além da frase: “Em memória às vítimas e em defesa da democracia!”. Na legenda do post, o clube paraense escreveu: Lembrar para nunca esquecer, para nunca se repetir”.
NÁUTICO
Único representante da Série C na lista, o clube pernambucano publicou foto de protesto, em que há destaque para faixa com a frase: “Abaixo a Ditadura. Povo no poder”. À frente da imagem, o Náutico colocou outra frase: “Não há futebol sem torcida, nem país justo sem democracia. #DitaduraNuncaMais” e, na legenda, escreveu: “Pela democracia e pela liberdade”.
SOUSA-PB
O Sousa escolheu publicou famosa foto de um evento específico da Ditadura, em que dois policiais correm atrás e derrumam um estudante que protestva contra o regime: “No dia 21 de Junho de 1968 estudantes foram às ruas protestar contra ditadura militar naquela que ficou conhecida como a “sexta feira sangrenta”, apenas um episódio entre tantos outros desse período nefasto! Que não se repita nunca mais! Democracia sempre”.
A sequência de jogos do PSC neste começo de temporada foi um ponto destacado pelo volante Leandro Vilela para justificar a derrota na estreia diante do Atlético-PR, na noite de sexta-feira (4), no estádio Mangueirão. “Jogo atrás de jogo”, reclamou o autor do único gol dos bicolores na partida. Ele se referia ao fato de que o Papão teve pouco tempo para se preparar, pois jogou contra o Águia na terça-feira pela semifinal do Campeonato Paraense.
Vilela observou ainda que o Furacão é um time qualificado, postulante ao acesso. “É o nível da Série B. A gente pegou uma equipe muito qualificada, postulante ao acesso junto com a gente, que teve mais tempo para trabalhar. A gente vem de jogo atrás de jogo, bate o cansaço, vínhamos de sequência de 10 jogos sem perder, mas não podemos desanimar”, disse.
Contra o Atlético, o PSC perdeu uma invencibilidade de nove partidas sob o comando do técnico Luizinho Lopes. Na quarta-feira, 9, o Papão volta a campo para disputar a primeira partida da decisão da Copa Verde contra o Goiás, no Mangueirão.
(Foto: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)
Os melhores momentos do jogo na voz de Claudio Guimarães, narrador da Rádio Clube do Pará.
O que mais se temia em relação à Série B era a diferença de nível técnico entre os representantes paraenses e os clubes mais tradicionais dentro da competição. Egresso da Série A e com estrutura de 1ª Divisão, o Atlético-PR é um dos times cotados para conquistar o acesso e a partida realizada no Mangueirão evidenciou a superioridade técnica do time.
A vitória obtida sobre o PSC confirmou o favoritismo atribuído ao Furacão. Dirigido por Maurício Barbieri, o rubro-negro paranaense foi dominante no 1º tempo e abriu o placar com bonito gol de Zapelli, em falha da defensiva alviceleste. Quase ao final, um cochilo de marcação permitiu ao Papão empatar, através do volante Leandro Vilela.
Na segunda etapa, o equilíbrio prevaleceu, embora o Papão tenha se entusiasmado e conseguido competir melhor. Na reta final, o Furacão voltou a tomar a dianteira no placar, com Renan Peixoto tocando para o fundo das redes após rebote de Matheus Nogueira.
O importante é observar que a derrota está dentro do esperado. O PSC teve dificuldades sérias, embora previsíveis. O Atlético se posicionou num sistema que fechava bem o meio e liberava os atacantes para explorar as pontas, com Alan Kardec centralizado.
Apesar do forte domínio inicial, o Atlético errava nas finalizações e nas tentativas de jogo aéreo com Kardec. Aos 32′, em ação rápida pela direita, Velasco cruzou na área e Bryan Borges dominou mal. A bola sobrou para o meia Zapelli, que disparou uma bomba indefensável.
A superioridade do Furacão continuou e os problemas do Papão na marcação se acentuaram. Surpreendentemente, o empate veio no primeiro chute do ataque paraense, aos 41′. Contragolpe puxado por Marlon forçou rebote da zaga e Vilela bateu de chapa para igualar o placar.
Depois do intervalo, em cobrança de falta, Rossi fez o goleiro Mycael desviar com a ponta dos dedos. Em seguida, inversão de bola do próprio Rossi deixou Jorge Benitez na cara do gol. O atacante, que substituiu Nicolas, tentou encobrir o goleiro, mas a bola saiu à esquerda da trave.
A luta no meio se tornou mais intensa, com muitos passes tortos e pouco capricho nas ações de ataque. Aos 26’, em nova falha de Bryan, o Atlético atacou pela esquerda e a bola chegou a Felipinho, que chutou forte. Matheus espalmou nos pés de Renan Peixoto, que só tocou para as redes.
Ainda havia tempo para buscar o empate, mas o PSC se perdeu na afobação e nos erros de posicionamento, facilitando o trabalho defensivo do Furacão. Vitória justa do visitante e todos os alertas ligados no Papão. (Foto: Mauro Ângelo/DIÁRIO)
Bola na Torre
Giuseppe Tommaso comanda a atração, a partir das 23h, na RBATV. Participação de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Em debate, as estreias de PSC e Remo no Brasileiro da Série B. A edição é de Lino Machado.
Um teste de fogo para o novo Leão
Enfrentar a Ferroviária de Araraquara, no interior paulista, é uma prova de fogo para o novo Remo formatado por Daniel Paulista. É apenas a terceira apresentação do time desde a chegada do treinador. As mudanças na maneira de atuar já foram exibidas nas partidas contra o Santa Rosa e a Tuna, pelo Parazão.
Apesar das vitórias, a performance não convenceu a torcida, que continua desconfiada. Contra um adversário que disputa a Série A2 do Paulistão, o Remo terá que se desdobrar para evitar um tropeço logo na estreia na Série B.
Daniel Paulista já deixou claro que é adepto da cautela. Portanto, a torcida não deve esperar arroubos de audácia. O Remo será, acima de tudo, pragmático. Foi assim que o time se apresentou nos dois primeiros jogos.
A volta da linha de quatro zagueiros, com um volante de proteção (Caio Vinícius), simboliza bem a proposta de Daniel: evitar riscos e fazer um jogo de contra-ataque. Nesse sentido, Janderson pode ter um papel estratégico.
Rápido e bom finalizador, ele tem sido a válvula de escape pela direita, compondo o ataque com Ytalo (ou Felipe Vizeu) e Pedro Rocha, posicionado pela esquerda. Na meia-cancha, Dodô e Jaderson dividem a tarefa de municiar o ataque. Dodô, mais lento e dispersivo, pode perder lugar para Pavani, que era titular até a saída de Rodrigo Santana.
Peripécias da CBF ainda espantam pelo exagero
Reportagem da revista Piauí expõe as libertinagens financeiras da CBF na gestão de Ednaldo Rodrigues. A principal delas é o generoso aumento de 200% concedido aos presidentes de federações estaduais, cujo “mensalinho” saltou de R$ 50 mil para R$ 215 mil nos últimos anos.
A matéria detalha os bastidores da gestão, com o registro de gastos milionários, agrados individuais a dirigentes e alguns cortes orçamentários. O aumento no dinheiro liberado para os dirigentes ajuda a explicar a unanimidade obtida por Ednaldo na recente eleição da entidade.
(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 05/06)
Coube ao PSC abrir a caminhada paraense na Série B 2025 e o primeiro desafio na rota alviceleste é o Atlético Paranaense, adversário de qualidade e considerado o time a ser batido na competição. Classificado para decidir o Campeonato Paraense e a Copa Verde, o Papão vive um momento de consolidação no aspecto coletivo, sob o comando de Luizinho Lopes, que dirige a equipe há nove partidas.
Será o confronto de maior envergadura do PSC na temporada. Por enquanto, o time se limitou a enfrentar equipes regionais, sem ter sido testada contra adversários mais qualificados. O clássico com o Remo (1 a 1) foi o que exigiu mais no aspecto técnico.
Contra o Atlético, hoje à noite, o Papão não poderá se dar ao luxo de oferecer as muitas facilidades vistas contra Capitão Poço e Águia, times modestos que conseguiram criar problemas para a linha de defesa.
Nem é possível esperar um jogo de recuo, sem a opção estratégica do contra-ataque, que marcou o 2º tempo diante do Águia. Pela entrevista que Luizinho Lopes concedeu após o jogo, a preocupação com a defesa parece concentrar as suas atenções, o que é natural diante de um adversário qualificado.
Do meio para a frente, o PSC não deve ter mudanças em relação aos últimos jogos. Leandro Vilela, Matheus Vargas e Marlon têm atuado seguidamente, sem que o problema de criatividade se resolva.
Na frente, o ponto alto é a boa fase do trio Rossi, Nicolas e Borasi. Contra o Águia, as finalizações e assistências de Rossi constituem o principal destaque do time, repetindo o que tem acontecido em praticamente todas as partidas do Papão na temporada.
A estreia na Série B deve consolidar o papel de Rossi como líder e expoente técnico do PSC. O êxito do time contra o Furacão vai depender, em boa medida, de sua movimentação e capacidade de definição. (Foto: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)
Leão precisa de ajustes para estreia na Série B
As duas partidas de Daniel Paulista como treinador do Remo garantiram duas vitórias importantes, mudanças estruturais na maneira de jogar e várias interrogações sobre o real potencial do time para a disputa da Série B, que começa para os azulinos contra a Ferroviária (SP), domingo, 6.
Contra Santa Rosa e Tuna, pelo Campeonato Paraense, o Remo atuou dentro de um sistema diferente, claramente destinado a testar possibilidades para o Brasileiro. É evidente, por exemplo, a preocupação em reforçar o setor defensivo.
No período de Rodrigo Santana à frente da equipe, havia uma clara preocupação em priorizar o ataque, contando com a forte participação dos alas para fortalecer as ações ofensivas.
O novo modelo traz uma linha de defesa mais conservadora, com laterais que marcam e atacam quando é possível. O meio-de-campo tem funções mais marcadoras, o que acaba por reduzir as alternativas na frente.
Contra o Santa Rosa, a entrada do volante Caio Vinícius deu mais solidez à proteção da zaga, mas deixou o setor com baixa mobilidade, ao contrário do que ocorria quando Jaderson e Pavani se revezavam na cobertura.
O ataque fica na dependência da movimentação de Dodô, centralizado no setor de criação, e dos avanços dos laterais Kadu e Alan Rodriguez. As infiltrações na área inimiga, muito comuns anteriormente, praticamente desapareceram.
Contra a Tuna, anteontem, essa ausência de mobilidade deixou o Remo sem força de pressão em boa parte do 2º tempo, sem aproveitar as oportunidades que o adversário oferecia, abrindo espaços na marcação. A situação só melhorou com a entrada de Adailton.
Os últimos ajustes para a estreia devem incluir a definição entre Ytalo e Felipe Vizeu para comandar a ofensiva e o posicionamento de Dodô, cujo estilo mais lento torna o ataque mais engessado.
Inscrições abertas para o Copão do Lago de Tucuruí
A cidade de Tucuruí se prepara para promover um dos maiores torneios esportivos da região tocantina. Com jogos nos dias 30 e 31 de maio e 1º de junho, o Copão do Lago de Tucuruí reunirá times de diversas localidades em competições previstas para o ginásio poliesportivo Ismaelino Pontes, oferecendo premiação recorde de R$ 50 mil.
Além da disputa esportiva, o Copão alavanca o turismo e a economia do município, um dos mais desenvolvidos do nordeste paraense. A competição deve aumentar o fluxo de visitantes, beneficiando diretamente os setores de alimentação, hotelaria, transportes e comércio.
Segundo o secretário municipal de Esporte, Mateus Arrais, o torneio vai muito além das quadras, tornando-se uma oportunidade de crescimento econômico para Tucuruí. A realização do Copão reforça a vocação do município para sediar grandes eventos esportivos, atraindo competidores e torcedores das localidades próximas.
O Copão do Lago de Tucuruí deve ter a participação de pelo menos 20 equipes do Estado. “Eventos como esse são fundamentais para fomentar o esporte e gerar impacto positivo no comércio local. Teremos equipes de várias regiões do Pará, o que significa mais visitantes e visibilidade para a cidade”, observa Mateus Arrais.
(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 04)
À Pública, embaixador André Corrêa do Lago diz que COP no Brasil tem desafio de fortalecer multilateralismo contra crise
Por Giovana Girardi – Agência Pública
Na semana que passou, começaram os primeiros movimentos políticos internacionais que devem definir como vai se desenrolar a 30ª Conferência do Clima das Nações Unidas (a COP30), que será realizada em novembro em Belém, e o que poderemos esperar de resultados da cúpula.
Enquanto o presidente Lula e a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, viajavam por Japão e Vietnã convocando um “mutirão global da COP30 contra a mudança de clima”, essa mesma ideia era levada pelo presidente da cúpula, o embaixador André Corrêa do Lago, para o Diálogo Climático de Petersberg – evento anual promovido pela Alemanha em conjunto com o anfitrião da COP do ano.
Já sentindo os impactos dos primeiros dois meses de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos – que imediatamente tirou o país do Acordo de Paris, iniciou um desmonte das políticas climáticas do seu antecessor, Joe Biden, e colocou o mundo em pé de guerra –, o encontro em Berlim serviu como primeiro teste para medir quanto os países ainda estão comprometidos com o combate à crise climática.
Em entrevista à Agência Pública logo em sua volta ao Brasil, na sexta-feira (28), Corrêa do Lago afirmou que “não há a menor dúvida de que há uma crise institucional pela ausência dos Estados Unidos e uma crise de credibilidade por uma certa frustração que se estabeleceu com relação a Baku”.
Ele se referiu aos resultados da COP do ano passado, realizada na capital do Azerbaijão, que teve um resultado muito ruim ao não conseguir entregar uma meta mais ousada de financiamento climático, o que pôs em xeque a força do multilateralismo para lidar com o problema. Esperava-se uma mobilização de 1,3 trilhão de dólares para as nações em desenvolvimento, mas os países concordaram com apenas 300 bilhões. Caberá à COP do Brasil, entre outras coisas, mostrar como escalar esse valor.
O embaixador disse, no entanto, que o humor dos países estava melhor do que ele imaginava e que muitos se esforçaram em demonstrar apoio à ideia lançada pelo Brasil de que, diante do difícil cenário geopolítico mundial, é necessário se unir em um “mutirão”. A proposta foi feita no início do mês em uma carta assinada por Corrêa do Lago, e direcionada aos demais países, com a visão do Brasil para a COP30.
No texto, ele fez um apelo para que não apenas os governos dos países, mas também sociedade civil e empresários não desistam da luta contra o que ele chamou de inimigo comum a todos: as mudanças climáticas. “Muitos países ensaiaram pronunciar a palavra ‘mutirão’. Foi simpático”, disse sobre o encontro em Berlim.
À Pública, ele falou sobre os desafios de definir qual vai ser a grande entrega da COP no Brasil, sobre como elaborar um caminho para elevar o financiamento climático e sobre elefante na sala: como chegar ao fim dos combustíveis fósseis, os grandes vilões do aquecimento global. “Se nós no Brasil conseguirmos definir melhor quais são as nossas posições com relação aos combustíveis fósseis, você pode imaginar o quanto vai ajudar ter uma liderança brasileira para discutir esse tema”, afirmou.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
O senhor acabou de voltar do Diálogo Climático de Petersberg, em Berlim, o primeiro encontro ministerial pré-COP30 e depois de os Estados Unidos terem abandonado o Acordo de Paris, de Trump ter bagunçado a geopolítica mundial e de os países europeus terem anunciado planos de aumentar o armamento, o que indica uma retirada de recursos para o clima. Como estavam os humores dos países no encontro?
Olha, eu achei melhor do que eu imaginava. Havia ali uns 40 países e visivelmente todos acompanham a prioridade do Brasil de fortalecer o multilateralismo. Todos estavam extremamente comprometidos com a evolução das negociações e da COP30. Não senti uma reticência com relação ao processo. Acho que o ambiente estava positivo. Falou-se um pouco dos Estados Unidos, mas muito menos do que se poderia esperar. Acho que foi bastante animador.
A COP do ano passado, em Baku, colocou em xeque a capacidade das COPs, do multilateralismo, de resolver a emergência climática, ao não trazer um resultado tão bom quanto era esperado na questão do financiamento. Teve quebra de confiança, países ameaçando abandonar a discussão…
É… foi ruim.
A COP30 vem com esse desafio de retomar essa confiança no multilateralismo?
Vem. Obviamente eu sou suspeito para falar, porque eu gostei da carta que eu mandei [mensagem sobre a visão do Brasil para a COP30, enviada no início do mês], mas senti uma reação muito positiva à carta. Muitos países ensaiaram pronunciar a palavra “mutirão” [movimento defendido pela presidência para que países e demais setores da sociedade se unam contra a mudança do clima]. Foi simpático.
Mutirão vai virar a palavra-chave dessa COP30?
Eu acho que sim. Eu espero que sim.
E a ideia foi compreendida?
Foi muito compreendida. É engraçado que não tem uma tradução de mutirão em uma palavra. Mas o conceito do que propusemos foi entendido.
Nesta carta, ao defender a ideia de um mutirão, vocês propõem que não apenas os países, mas sociedade, setor privado, juventude se unam para ter “um foco sobre clima como deveria ser”. Mas o que estamos vendo é um desembarque de muita gente desses esforços. Não apenas do governo americano sob Donald Trump, mas de bancos e empresas abandonando suas metas de zerar emissões, por exemplo. Então, como esse chamado ao mutirão se traduz na prática no âmbito da COP?
Acho que a ideia do mutirão veio justamente porque esses bancos, essas empresas já tinham se manifestado. A gente já sabia dos Estados Unidos. É um chamado para que o tema da mudança do clima não passe para uma posição secundária. A essência do mutirão é cada um fazer a sua parte, [assim como] o marceneiro faz o que sabe, o pedreiro faz o que sabe, quem tem um carro empresta o automóvel. Não é todo mundo fazendo a mesma coisa, mas cada um fazendo alguma coisa. Ao chamar a sociedade civil, o empresariado, os grupos sub-regionais, estamos lembrando – neste momento de crise, com os Estados Unidos saindo [do Acordo de Paris] – que não são só os países que têm que combater a mudança do clima, não são só os países que vão implementar aquilo [que é definido nas COPs]. Não sei se você acha que é talvez um pouquinho de otimismo, mas justamente era uma forma de começar a reagir às más notícias. Que boa notícia podemos trazer diante desses fatos, que são as empresas saindo [dos seus compromissos], se não um espírito da gente fazer as coisas juntos?
Por outro lado, quando o senhor faz um chamado de “vamos lá, todos juntos”, não é preciso dizer “juntos” para onde, para fazer o quê, quando e como? O que a gente quer construir nesse mutirão? Qual é a meta dele? Como isso conversa com o que vai sair da COP?
Eu acho que o mutirão inclui até mesmo a preparação da COP. O mutirão é a gente construir o que vai dar para ter como resultado na COP. Quais vão ser os resultados desta conferência é algo que a gente ainda está construindo com os países, a gente tem que ser realista etc. Porque essa é uma COP meio estranha. Os dois mandatos mais chamativos não virão das negociações: que é a entrega das [novas] NDCs [contribuições nacionalmente determinadas, que são as metas de redução de emissões que cada país tem de apresentar neste ano – elas têm de ser maiores do que as apresentadas há dez anos, no Acordo de Paris] e a entrega do relatório sobre como vamos passar [do financiamento acordado na COP de Baku, no ano passado] de 300 bilhões de dólares a 1,3 trilhão [cifra que se considera a necessária para mobilizar a ação climática em todo o mundo]. Mas nenhuma dessas duas coisas virá das negociações. Então, já é uma coisa muito diferente em relação às duas últimas COPs, em que havia uma coisa a ser considerada como medida do sucesso, que era o “balanço global” em Dubai e o dinheiro em Baku.
A COP de Belém tem várias negociações importantes, como a da [meta global de] adaptação [que vai definir indicadores para orientar os países a adotar medidas de adaptação à crise climática], que é muito importante, a de transição justa, que é muito importante, mas essas coisas não são tão fáceis de definir e de medir como sendo [um resultado de sucesso]. Então, o que a gente pode fazer para que essa COP seja um sucesso? Eu acho que isso faz parte do mutirão também. É possível interpretar que mutirão é um chamado para que os estados americanos, as empresas americanas [atuem], mesmo que o governo não esteja. Ou um chamado para que as empresas de países que estão sendo modestos nas suas NDCs sejam mais ambiciosas, ou que as cidades sejam mais ambiciosas. Há várias interpretações, todas perfeitamente razoáveis.
O fato é que não há a menor dúvida de que há uma crise institucional pela ausência dos Estados Unidos e uma crise de credibilidade por uma certa frustração que se estabeleceu com relação a Baku.
Queria voltar na questão das NDCs. Apesar de os países terem de apresentar suas novas metas ao longo do ano – já deveriam ter entregado em fevereiro, mas a maioria ainda está devendo –, se esses compromissos não forem ambiciosos, essa conta vai acabar batendo em Belém. E sabemos que muito provavelmente as novas ainda não estarão alinhadas com o que seria necessário para conter o aquecimento global a 1,5 °C.
É, eu acho que no conjunto eles não estarão. Então, o que a gente faz com isso? [Decidir esse próximo passo] já é, por exemplo, uma coisa interessante [a ter como resultado da COP]. Estamos tentando pensar nisso. O que a gente faz com isso? O que a gente faz com esses números?
Porque eu imagino que antes de a COP começar haverá aqueles cálculos falando que as novas NDCs ainda deixam o mundo no rumo de aquecer… Vou fazer um chute aqui, vamos ver se eu acerto…
2,1 °C.
Eu ia falar 2,5 °C. Porque hoje está em 2,7 °C, né? Mas, se só cair isso, vai ser uma desgraça.
É. Não é um grande resultado. Mas não é por causa de Belém. Nem por causa do Brasil.
Não. Mas como Belém vai resolver isso?
Sim, acho que Belém tem que mostrar o que a gente vai fazer com isso. Por exemplo, na parte de financiamento. Eu e o [Mukhtar] Babayev [presidente da COP29] temos de entregar o relatório de financiamento [sobre como saltar de 300 bilhões de dólares para 1,3 trilhão]. Eu estou querendo fazer uma coisa muito inovadora com relação ao financiamento.
Como? Já dá para adiantar algo?
Olha, não depende só de mim. Eu estou pedindo conselhos a vários economistas e especialistas. O [Fernando] Haddad [ministro da Fazenda] vai presidir um círculo de ministros de Finanças que também vai vir com propostas. As ideias todas já mais ou menos existem, mas acho que a maneira como a gente vai organizar o relatório pode ser uma coisa bastante inovadora. Por exemplo, estamos buscando avançar nesse esforço de definir o que é financiamento climático, que ainda é uma coisa muito difícil. A gente nota nas negociações que a interpretação dos diferentes países é muito variada. Há várias possibilidades abertas, sobretudo levando em consideração que não precisamos ter em mente somente os mecanismos previstos na Convenção do Clima [da ONU, a UNFCCC]. Quando a gente fala que a gente quer ir além da UNFCCC, do Acordo de Paris, é porque tem muita coisa que se pode fazer para financiamento climático fora [desse escopo], no Banco Mundial, no FMI, por exemplo.
Desde que o presidente Lula ofereceu o Brasil para receber a COP deste ano, se criou uma expectativa muito grande em torno do que ela poderia trazer. O que se espera do Brasil?
Isso dá para responder porque eles mesmos [outros países] dizem. Eles esperam do Brasil um equilíbrio, uma ponte entre o mundo desenvolvido e o mundo em desenvolvimento. Que o Brasil lidere a COP pensando no bem dessa agenda, e não especificamente apenas no interesse, por exemplo, do mundo em desenvolvimento ou do Brasil, especificamente. O que vários me disseram também é que COP em país que tem tradição diplomática, em geral, tem melhores resultados. Foi o caso da França, por exemplo, na COP de Paris. Também é a primeira vez que temos uma COP em um grande país florestal. Para vários países em desenvolvimento, isso é uma coisa inovadora, por levantar um tema que os países desenvolvidos só fazem criticar [como quando ocorre desmatamento e queimadas nas florestas], mas oferecem ajuda muito moderada. Por fim, tem um lado simbólico de que a Convenção do Clima foi assinada na Rio-92 e de que o Brasil, tradicionalmente, é um negociador atento e construtivo, mas também, às vezes, muito duro nos temas que considera que precisam de particular atenção.
O senhor já disse em algumas ocasiões que o fato de o Brasil levar a COP para a Amazônia, para uma cidade que não é um “show de infraestrutura”, demonstra uma coragem de expor as contradições do país. E não tem como não passar pela maior contradição do Brasil hoje, que é essa questão do petróleo na foz do Amazonas. O senhor já disse que isso é uma questão a ser decidida internamente, que outros países enfrentam essa contradição, mas não dá para escapar do fato de que já não cabe muito mais carbono na atmosfera. Quando as COPs vão lidar com o grande elefante na sala que é o fato de que precisamos de um plano para o planeta abandonar os combustíveis fósseis?
Então, é o seguinte… [longa pausa para pensar] Eu pedi ao think tank brasileiro Catavento, que trabalha com energia, um primeiro estudo sobre os desafios que se apresentam na transição para longe dos combustíveis fósseis [compromisso definido no Balanço Global apresentado na COP28, em Dubai). E, com base nesse trabalho, eles estão fazendo um debate com o Instituto Brasileiro do Petróleo . A Convenção do Clima e o Acordo de Paris têm permitido que a gente entenda muito melhor certos desafios. Temos mais ciência, mais informação, mais tecnologia.
Então, acho que a gente está entrando numa nova fase em que a gente pode colocar de maneira muito aberta os desafios de afastar dos fósseis. É muito diferente, por exemplo, para Angola, que é um país que depende completamente do petróleo, de se afastar dos fósseis, do que um país como o Brasil ou um país onde não tem produção de petróleo. O estudo também mostra que existem várias categorias de fósseis, o que estrutura melhor o debate. E há também uma discussão muito interessante do ponto de vista de princípio, que é a do orçamento de carbono. Considerando as emissões desde a era pré-industrial até hoje, só sobra X para emitir carbono para atingir o 1,5 °C de aquecimento. Para a Índia, por exemplo, esse orçamento de carbono só poderia ser usado por países em desenvolvimento, e os países desenvolvidos deveriam antecipar sua neutralidade de carbono, parar de usar fósseis para deixar esse espaço que sobrou para que os outros se desenvolvam. Do ponto de vista da justiça histórica, é um argumento forte. E há muitos países que dizem que, como eles [os desenvolvidos] não vão parar, eles também vão continuar porque têm de levar a energia para os mais pobres.
Então, há um debate de que poderia ter uma lista de quais países deveriam abandonar o petróleo antes dos outros. Mas ele está começando. E começou graças àquela frase em Dubai [sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis], não tenho a menor dúvida. É uma prova do quanto essas negociações levam a algo. Agora, por outro lado, uma coisa é você provocar um debate, outra é botar uma decisão para que 196 países concordem.
Presidente da COP30 comenta a exploração de petróleo na Foz do Amazonas e defende um debate interno sobre a transição energética
Essas são reflexões que o senhor está levando para os outros países?
Eu ainda não falei muito sobre isso internacionalmente. Estou muito mais interessado, no momento, nesse debate interno. Por isso que eu estou muito feliz que o IBP se juntou nesse debate.
Por quê? O senhor entende que é preciso o Brasil dimensionar melhor sua relação com os combustíveis fósseis antes da COP para poder dar um exemplo para o debate externo?
É mais ou menos isso. Mas, sobretudo, porque são duas coisas: um debate interno, que é uma decisão soberana, brasileira; e o debate internacional. Para este já há um consenso internacional, desde Dubai, de que nós vamos nos afastar dos fósseis. Todos os países do mundo vão fazer isso, mas como isso vai se dar vai ser país por país, porque cada um tem circunstâncias diferentes. Então, se nós no Brasil conseguirmos definir melhor quais são as nossas posições com relação aos combustíveis fósseis, você pode imaginar o quanto vai ajudar ter uma liderança brasileira para discutir esse tema.
E o senhor está confiante que esse debate interno vai avançar nos próximos meses?
Estou confiante, sim.
Sua carta foi criticada por organizações da sociedade civil por não trazer uma menção mais específica ao fim dos combustíveis fósseis. De repente o mutirão poderia ter esse objetivo?
Isso poderia ser a segunda carta…
Além da expectativa internacional sobre a COP no Brasil, há também um grande anseio do ponto de vista nacional. Todo mundo espera ter voz, principalmente depois de três conferências que se deram em regimes autoritários (Egito, Emirados Árabes e Azerbaijão). Mas as COPs são, por definição, um espaço em que apenas os governos nacionais tomam as decisões. Como vocês estão tentando dimensionar isso?
Por isso que, ao conclamar [para o mutirão] pessoas de fora [desse universo das COPs], nós já estamos fazendo uma coisa diferente. Lembre o seguinte: se a gente está dizendo que já teve muita negociação e a gente tem que implementar o que já foi negociado, os governos dão as regras, mas quem implementa é o setor privado, são os governos locais, os governos estaduais e, claro, os governos federais em certa medida. Mas não são os negociadores de clima. Acho que as COPs ficaram muito importantes para a gente achar que é um assunto só dos negociadores.
Há alguma resposta para a demanda dos povos indígenas, que gostariam de ter uma copresidência da COP e uma maior participação no processo decisório?
Nós vamos tentar encontrar uma maneira, sim, no processo, para que a posição deles seja incorporada de maneira mais satisfatória. Há uma grande frustração da sociedade civil de se manifestar, por exemplo, [apenas] em um discurso no plenário no momento em que as coisas já estão decididas. Nós vamos procurar, sim, ter alguma coisa em que eles sintam que participaram mais. Da mesma maneira que na Rio-92 nós criamos uma nova dimensão da participação da sociedade civil e na Rio+20 também, quando a gente inovou com os diálogos sobre desenvolvimento sustentável, nós estamos pensando como é que a gente pode fazer uma coisa melhor na COP.
O Brasil tem dado uma prioridade para a questão da restauração florestal. O que vocês imaginam que poderia sair da COP sobre esse tema?
Pode sair algum encaminhamento de crédito de restauração florestal para o mercado de carbono. Como é que isso vai se encaixar no artigo 6 [do Acordo de Paris, que estabelece o mercado de carbono]? Ou como é que a gente deve abraçar o mercado voluntário? O problema é que o mercado voluntário de floresta, de restauração florestal, teve uma queda muito grande de valor. É uma grande ironia, porque nenhum crédito de carbono é tão eficiente quanto o de restauração florestal. É o único que reduz o que já foi emitido. Os outros reduzem emissões futuras. Então, por que esses créditos são os menos valiosos? Tem o problema da permanência [dos projetos de restauração], mas pode ser contornado com seguro. Ou seja, ter um seguro para o caso de aquela floresta queimar, por exemplo. Você tem o problema da medição, do monitoramento, dos critérios. A gente até criou uma unidade de contabilidade de carbono no Itamaraty para unir todo o governo. Acho que aí a gente gostaria de fazer um progresso.
“É a primeira vez que temos uma COP em um grande país florestal. Para vários países em desenvolvimento, isso é uma coisa inovadora”, afirmou André Corrêa do Lago
O senhor mencionou o fogo. E, realmente, vimos o fogo afetando projetos de restauração na Amazônia no ano passado, que é algo que vem piorando com as mudanças climáticas. Quanto mais a atmosfera aquecer com a queima de combustíveis fósseis, mais a floresta vai ficar suscetível a sofrer com queimadas. E aí não tem restauração que vá salvar.
Concordo. Então tem que fazer logo.
A restauração ou reduzir as emissões?
Eu acho que tem que ter mitigação muito forte de qualquer maneira.
Mas o Brasil tem essa noção de que não adianta a gente ficar defendendo a solução da floresta se não conseguir diminuir o uso de petróleo?
A contribuição da floresta é importante porque é uma oportunidade muito grande para os países florestais, que são países em desenvolvimento que não conseguem outro tipo de recurso. Então, é a forma de obter recurso num mundo em que há poucos recursos. Mas com essa consciência de que [só a restauração] não vai salvar. Você tem que corrigir essas fragilidades.
Por fim, queria falar de guerra. O mundo está hoje muito mais instável, na iminência de que a qualquer momento conflitos podem escalar em uma grande guerra. Como não deixar que as nações desembarquem dos esforços contra a mudança do clima neste cenário?
Em outros tempos era natural que, quando se está pensando em guerra, todo o resto cai na hierarquia. Progressos sociais ficam para depois da guerra. Outros processos são interrompidos. Mas a mudança do clima vai avançar em paralelo ao problema da guerra. Não tem uma interrupção do outro tempo. O processo de mudança do clima a gente não consegue interromper.
E pode até piorar os conflitos.
Exatamente. Pode piorar de duas maneiras. O conflito em si e com a diminuição de ação, de mitigação e de adaptação. Então, como é que nós podemos criar uma hierarquia diferente para aquilo que está acontecendo de uma forma que você não pode controlar? Não podemos interromper o tratamento da mudança do clima, uma vez que não se pode interromper a mudança do clima. Então alguém pode dizer: “Mas se você não pode interromper, então não adianta fazer mitigação”. Não, não. É completamente diferente. Porque o que não se consegue controlar é o imponderável da mudança do clima. Que já está acontecendo por causa do que o homem já fez. Isso não deve, de maneira nenhuma, diminuir a relevância de trabalhar em mitigação ou em adaptação. Porque você pode tornar a coisa menos grave, diminuir o número de vítimas e as consequências. Evitar que a mudança do clima seja pior. Mas já há suficiente mudança do clima, que é isso que, infelizmente, já está acontecendo. O fato de o mundo ter passado de 1,5 °C de aquecimento no ano passado tem de fazer a diferença para esta COP.
O Remo derrotou a Tuna por 2 a 1, na noite desta quarta-feira, no Mangueirão, e garantiu presença na decisão do Campeonato Paraense – contra o PSC, que se classificou na outra semifinal. Os gols do Remo foram marcados por Caio Vinícius e Janderson, enquanto Wesley descontou para a Lusa. A final do Parazão será disputada em duas partidas, nos dias 7 e 14 de maio.
A partida teve amplo domínio inicial do Remo, que chegava com facilidade e tinha total controle da posse de bola. Aos 7 minutos, Janderson disparou um chute da entrada da área com perigo para o gol de Lucão. Aos 11′, a chance foi desperdiçada por Ytalo. Aos 13′, o lateral Alan Rodriguez desferiu um chute por cima da trave cruzmaltina.
O primeiro gol surgiu aos 16′, quando o volante Caio Vinicius pegou de primeira, de longa distância, encaixando um chute perfeito no canto direito de Lucão, que ainda tocou na bola.
A Tuna, que tinha se mantido retraída, resolveu sair para o jogo e conseguiu o empate aos 21′, com um belo chute de Wesley de fora da área. A bola foi no canto esquerdo do gol azulino. A equipe lusa seguiu melhor por alguns minutos, enquanto o Remo oscilava, errando passes e se atrapalhando na saída de bola.
Aos 25′, Alan Rodríguez, em cobrança de falta, acertou um chute no travessão. No rebote, livre na pequena área, Pedro Rocha, cabeceou para fora. Logo em seguida, Tiago Bagagem arriscou de fora da área e a bola foi na trave azulina. O segundo gol do Leão veio aos 38′, após excelente jogada de Alan pela esquerda. Ele avançou e cruzou na área. Janderson escorou para o fundo das redes, para delírio da torcida azulina no Mangueirão.
No segundo tempo, a Tuna mostrou-se mais agressiva, apostando nas jogadas pelos lados, com Gabriel Furtado (que substituiu o centroavante Edgo), Ronaldy e Anderson Feijão, apoiados pelo meia Tiago Bagagem. Aos 16′, Wesley disparou um chute cruzado, que levou muito perigo ao gol de Marcelo Rangel. Aos 29′, Bagagem arriscou da entrada da área, perdendo grande chance.
Aos 33′, o Remo finalmente mostrou força ofensiva, já com o atacante Adailton (que substituiu Pedro Rocha) em campo. Ele foi lançado no ataque, limpou o lance e chutou no travessão. No rebote, Pedro Castro chutou rasteiro e o zagueiro Dedé evitou o terceiro gol azulino.
Um lance de possível pênalti contra o Remo, após um toque no braço do volante Caio Vinícius, foi muito reclamado pelos tunantes e verificado pelo VAR, que considerou o lance normal.
A partida teve público de 10.897 pagantes, com público total de 14.970 (4.073 pagantes). Renda de R$ 284.215,00 – despesas de R$ 242.920,15. Valor líquido: R$ 41.294,95. Saldo do Remo; R$ 20.547,43. Saldo da Tuna: R$ 20.547,43.
Nos minutos finais, a Tuna insistiu com os cruzamentos na área e jogadas de profundidade, criando muitas dificuldades para o setor defensivo do Remo. Gabriel Furtado perdeu a última chance, aos 43′, batendo à meia altura para uma grande defesa de Marcelo Rangel.
A próxima partida do Remo será a estreia no Campeonato Brasileiro da Série B, domingo (6), às 19h, contra a Ferroviária, em São Paulo. O confronto será no estádio Fonte Luminosa. A Tuna enfrenta o Castanhal pela 2ª fase da Copa Grão Pará.
As Comissões de Fiscalização Financeira e Orçamentária (CFFO) e de Constituição, Justiça e Redação Final (CCJRF) aprovaram, nesta terça-feira (1º), o projeto do Poder Executivo que autoriza um empréstimo de R$ 3,8 bilhões para investimentos em áreas como saneamento, saúde, transporte e cultura. A proposta foi aprovada por maioria durante uma reunião conjunta extraordinária, coordenada pelo presidente da CCJRF, deputado Eraldo Pimenta (MDB).
De acordo com a mensagem do Governo do Estado, a maior parte do montante – R$ 3,6 bilhões – será captada por meio do Programa de Investimentos em Infraestrutura, Saneamento, Saúde, Desenvolvimento Urbano, Cultura, Esporte e Lazer do Estado do Pará, junto a instituições financeiras nacionais. O objetivo é viabilizar projetos estratégicos considerados essenciais para o Estado.
Outros R$ 200 milhões serão destinados ao Programa de Investimentos em Desenvolvimento Econômico do Estado do Pará, especificamente para a capitalização do Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE). Esse fundo financia programas e projetos estruturantes que impulsionam a economia estadual, conforme estabelece a Lei Estadual nº 5.674/1991.
Durante a análise da proposta, o deputado Carlos Bordalo (PT) disse que os projetos de empréstimo do Governo do Estado necessitam vir com um texto mais consistente, pois ‘as justificativas estão vagas e a Alepa tem pouco espaço para sugerir’ sobre o investimento dos recursos oriundos do respectivo crédito. Ele também propôs que a CFFO realize um estudo técnico para avaliar a viabilidade de destinar uma parte do crédito ao Legislativo, permitindo que os parlamentares possam indicar investimentos.
Já o deputado Rogério Barra (PL) manifestou preocupação com a recorrência desse tipo de operação financeira. Segundo ele, o Estado já arrecada valores expressivos por meio da tributação e, mesmo assim, continua contraindo novos empréstimos, o que pode comprometer as futuras gerações.
Em defesa da medida, o líder do Governo, deputado Iran Lima (MDB), argumentou que o Pará é o estado menos endividado do Brasil e mantém suas contas equilibradas, respeitando todas as normas fiscais. Ele destacou que o governo Helder Barbalho (MDB) tem honrado os pagamentos dos empréstimos contratados tanto nesta gestão quanto nas anteriores, além de registrar um crescimento significativo na arrecadação, superando a média nacional.
O deputado Eliel Faustino (UB) comparou a situação fiscal do Pará com a de grandes estados do Sul e Sudeste. Segundo ele, enquanto São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul operam com uma Dívida Consolidada Líquida (DCL) próxima ao limite de 200% da Receita Corrente Líquida (RCL), conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o Pará está bem abaixo desse patamar.
Essa informação também foi reforçada na mensagem do Poder Executivo. Segundo o relatório “RGF em Foco dos Estados”, da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), mesmo que os recursos pleiteados sejam integralmente captados, o estoque da dívida estadual chegaria a 41,77% em 2026, mantendo o Pará como um dos estados com menor nível de endividamento no país.
O favoritismo se confirmou. O confronto foi quase todo controlado pelo PSC e o placar final de 3 a 1 expressa bem isso. O Águia só levou algum perigo em situações pontuais. No 1º tempo, o time de Luizinho Lopes cumpriu o planejado e levou a melhor. Com ritmo forte, sufocou o Águia durante os primeiros minutos com ataques seguidos.
Aos 10’, o zagueiro Baraka interceptou mal a bola na pequena área e presenteou Nicolas, que chegou chutando para o fundo do barbante. O Águia reagiu de imediato, explorando as indecisões da defesa bicolor.
Conseguiu empatar aos 23’, com Kukri finalizando de fora da área. Apenas três minutos depois, em contra-ataque fulminante puxado por Marlon com participação de Nicolas, o PSC chegou ao desempate em chute rasteiro de Rossi que passou por baixo do goleiro.
Apesar de nova investida do Águia em busca do empate, o PSC ainda teve duas boas chances, com Marlon e Rossi pegando da entrada da área, mas os chutes saíram por cima da trave de Axel.
O 2º tempo custou a esquentar. O PSC se acautelou mais na cobertura à zaga, esperando uma chance para liquidar a fatura. O Águia tentou descontar o prejuízo e Érico Junior desperdiçou um bom cruzamento de Lucas Silva, aos 3 minutos.
O Papão continuava com a postura ofensiva e ia enfileirando escanteios, mas sem entrar na área para criar chances claras. Nicolas tentou um voleio, aos 16’, mas o disparo saiu fraco, sem perigo.
Logo depois, o Águia reclamou uma penalidade sobre Érico, atingido por Leandro Vilela junto à linha de fundo. Falta clara que o árbitro Dewson Freitas não marcou. Aos 17’, Marlon arriscou da entrada da área, mas acertou a rede por fora.
Com as substituições, os times foram se descaracterizando e a partida ficou menos interessante. O Águia vivia dos lampejos de Kukri e Daniel, mas sem ameaçar a zaga do Papão, bem mais firme do que no 1º tempo.
Nos acréscimos, o centroavante Benitez, que substituiu Nicolas, pegou de primeira um rebote dado por Axel em falta cobrada por Giovanni, fechando o placar em 3 a 1.
Resultado excelente obtido pelo time de Luizinho Lopes, mesmo sem mostrar evolução em relação ao jogo com o Capitão Poço. Por outro lado, o ataque viveu uma noite inspirada. Rossi, Nicolas e Marlon compensaram as dificuldades de criação, contribuindo decisivamente para a vitória e a classificação à final do Parazão.
Tradição e peso de camisa entram em cena
O clássico Remo x Tuna decide hoje (20h) uma vaga à final do Campeonato Paraense. Os azulinos fizeram campanha melhor na fase de classificação e superaram o Santa Rosa nas quartas de final. Já a Tuna avançou com dificuldades, mas eliminou o Castanhal nos pênaltis para chegar à semifinal.
É a quarta disputa de semifinal do Parazão entre os dois times desde 2021. Na primeira, deu Tuna. Em 2022 e 2024, o Leão levou a melhor.
Para avaliar as possibilidades dos semifinalistas, é fundamental observar como os times saíram do período de paralisação (três semanas) do Parazão. Os jogos de ambos pelas quartas de final indicam que não houve alterações profundas em relação à etapa inicial do campeonato.
A maior novidade está no comando técnico do Remo, onde Daniel Paulista vai para a segunda partida. Estreou no domingo passado com vitória sobre o Santa Rosa. Fez mudanças no sistema de jogo, trocando o 3-4-3 de Rodrigo Santana por um 4-1-4-1, com variação para o 4-3-3.
De concreto, o novo Remo mostrou uma postura mais agressiva no ataque, com um repertório de ações ensaiadas pelos lados. De negativo, a opção por Alvariño como lateral improvisado e a ausência de Adailton na escalação.
Diante da Tuna, que joga ofensivamente, mas cede muito espaço, a tendência é que Daniel faça o Remo explorar a marcação adiantada a fim de provocar erros na defensiva tunante. Caio Vinícius e Janderson, que atuaram bem contra o Santa Rosa, devem ser mantidos. A dúvida é quanto ao substituto de Sávio (lesionado) na ala esquerda.
Abel ataca a própria torcida e depois afrouxa
O técnico mais grosseiro em atividade no futebol brasileiro voltou a fazer das suas. Depois do jogo com o Botafogo, domingo, pelo Campeonato Brasileiro, Abel Ferreira resolveu encrespar com a torcida do Palmeiras, que nada teve a ver com a atuação da equipe. Queixou-se que os torcedores do Fogão tinham sido muito mais vibrantes durante a partida.
Cada vez fica mais evidente que o treinador português aumenta o tom da agressividade verbal sempre que o resultado em campo não lhe agrada. E, de imediato, ele elege alvos para descarregar a insatisfação.
É rotineiro o ritual de desrespeito aos repórteres nas entrevistas coletivas, pelos motivos mais inusitados possíveis. Às vezes, como na final do Paulista contra o Corinthians, os coices se dirigem à arbitragem.
Como a rispidez nem sempre cai bem, ele teve que providenciar uma nota pública de desculpas. “Ontem tive uma fala que não fez jus a tudo que essa torcida já fez e representa para mim”, declarou.
O recuo é inédito, pois a empáfia é uma marca de Abel. Desde que conquistou alguns dos títulos mais importantes da história do Palmeiras, ele vestiu uma capa de arrogância que torna suas entrevistas um festival de patadas.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 02)
Com boas atuações de seus atacantes, o Paysandu derrotou o Águia de Marabá por 3 a 1, na noite desta terça-feira, no Mangueirão, e se classificou para decidir o título do Campeonato Paraense. Nicolas abriu o placar aos 10 minutos, em falha da zaga. O Águia reagiu e empatou com Kukri, chutando de fora da área. Ainda no 1º tempo, após grande contra-ataque do PSC, Rossi desempatou aos 32′, com uma finalização rasteira.
Na segunda etapa, o jogo ficou morno e com poucas situações de perigo. Aos 17 minutos, o Águia reclamou pênalti sobre Érico Junior, que foi atingido dentro da área por Leandro Vilela. O árbitro Dewson Freitas considerou o lance normal e mandou o jogo seguir.
Nos acréscimos, após cobrança de falta de Giovanni, o goleiro Axel deu rebote e Jorge Benitez aproveitou para marcar o terceiro gol bicolor, fechando a contagem no Mangueirão.
O jogo teve público de 5.460 pagantes – com 4.471 gratuidades, o público total foi de 9.931. Renda: R4 119.350,00. Despesas: R$ 140.515,30. Déficit: R$ 21.165,30 (prejuízo do PSC: R$ 10.582,65.
A decisão do Parazão não tem data confirmada. O PSC vai esperar o vencedor da semifinal entre Remo e Tuna, que será disputada nesta quarta-feira (20h), no Mangueirão. O Águia vai se preparar para a segunda fase da Copa Grão-Pará.
A vice-governadora Hana Ghassan foi ao município e anunciou apoio do Estado para a competição esportiva, já tradicional na Região de Integração Tocantins
Um dos maiores encontros de ciclistas do Brasil, o Rally da Vaca movimentou durante dois dias (sábado e domingo) o município de Baião, na Região de Integração Tocantins, no nordeste paraense. Hoje (30), com a presença da vice-governadora do Pará, Hana Ghassan, ocorreu a 17ª edição do evento esportivo, idealizado por um grupo de amigos, que já se tornou tradição, reunindo atletas e demais participantes de Baião e municípios próximos para o percurso de pouco mais de 30 quilômetros.
“Vou encarar o desafio do ‘Rally da Vaca’, que é o maior rali de ciclismo do Estado e um dos maiores do Brasil. Nós viemos aqui porque, no ano que vem, o Governo do Pará vai patrocinar o ‘Rally da Vaca’, para que seja um evento ainda maior. Vamos, cada vez mais, construir esse Estado com o turismo fortalecido, com o desenvolvimento dos municípios”, afirmou Hana Ghassan.
A organização estima que mais de 5 mil pessoas participaram dos dois dias de programação. “O ‘Rally da Vaca’ é o maior evento, dentro da nossa região, de ciclismo, de esporte. É como se fosse o Círio de Nazaré (evento religioso realizado em Belém) para nós, onde encontramos os amigos e brincamos com a família. Um momento de reunião, encontro e amizade, e podemos ter conexão direta com a natureza”, disse o ciclista Brendo Veloso.
Nesta edição, o Rally da Vaca oferece aos participantes várias atividades – como o “Desafio Hard” -, shows de manobras e festividade. A competição promove o esporte e fomenta a economia e o turismo em Baião, município com população estimada em cerca de 55 mil habitantes, e a mais de 200 quilômetros de distância de Belém.
O prefeito de Baião, Lourival Menezes Filho (Doutor Loca), disse que “é uma grande satisfação estarmos aqui, hoje, falando do Rally da Vaca, um evento que faz parte do nosso calendário cultural e turístico. A expectativa é muito grande, porque a gente consegue reunir um quantitativo expressivo de todos os lugares da região para participar. A gente também está muito feliz por a vice-governadora estar aqui conosco, neste grande evento, que é um dos maiores ralis do Brasil. Além disto, é um evento que gera entretenimento, movimenta a hotelaria, restaurantes, bares, e isso ajuda a fortalecer a nossa economia e distribuir renda em nosso município”.