Leão faz 2 a 0 sobre o América e garante a primeira vitória na Série B

Diante de 23 mil torcedores no Mangueirão, o Remo conquistou sua primeira vitória na Série B, marcando 2 a 0 sobre o América-MG, neste domingo à tarde. Logo no primeiro minuto, Alan Rodriguez cruzou e Janderson chegou atrasado para finalizar. Aos 11′, Pedro Rocha completou para as redes um cruzamento de Marcelinho e abriu o placar.

O Remo controlou o jogo no meio, marcando forte e saindo rapidamente de seu campo, apesar da intensa troca de passes que o América fazia. A bola ficava com o visitante, mas o Leão criava as melhores chances em contra-ataques. Aos 23′, um susto para a torcida azulina: Figueiredo cruzou e William Bigode finalizou para uma grande defesa de Marcelo Rangel.

Logo no reinício do 2º tempo, o Remo ampliou a vantagem. Pedro Rocha iniciou a jogada e finalizou, com a participação de Luan e Janderson. Aos 12′, William cabeceou e Marcelo Rangel fez boa defesa. O Remo voltou a ameaçar com Janderson, que invadiu a área e foi travado na finalização.

Adailton, que substituiu Pedro Rocha, criou duas boas situações. Chutando com perigo na primeira e, aos 36′, quando bateu com perigo, obrigando Matheus Mendes a fazer boa defesa. Nos acréscimos, aos 48′, Dodô desperdiçou a última tentativa azulina.

O Remo volta a jogar pela Série B na quinta-feira (17), às 20h, contra o Botafogo de Ribeirão Preto, no estádio Santa Cruz.

(Foto: Silvio Garrido/GE)

Fé capitalista ou como os EUA usaram a religião para combater o comunismo no Brasil

Por Carlos Tautz, no Intercept_Brasil

Há 50 anos uma guerra psicológica ousada foi colocada em prática – e seus efeitos operam até hoje. Para tentar combater o avanço do comunismo, os EUA enviaram ao Brasil milhares de missionários de religiões e seitas evangélicas e católicas, judeus conservadores e até membros de empresas privadas com um objetivo: popularizar versões reacionárias da fé cristã e, assim, conquistar corações e mentes. 

O objetivo era implantar e defender governos subservientes e capitalistas  – vários deles, como o brasileiro, eram ditaduras militares – que se opusessem ao comunismo e se alinhassem à economia de mercado que os EUA tentavam expandir para todo o planeta.

Digno de um filme de conspiração internacional, esse roteiro geopolítico é real. E está relatado no livro O Partido da Fé Capitalista (Da Vinci Livros), lançado no início do ano.

A obra é baseada na tese de doutorado O Partido da Fé Capitalista – Organizações religiosas e o imperialismo norte-americano na segunda metade do século XX, que o historiador Rodrigo de Sá Netto defendeu em 2022 no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Fluminense. 

Em sua investigação, que durou cinco anos, Sá Netto utilizou arquivos públicos brasileiros e estadunidenses e pesquisou, entre outros, documentos do Serviço Nacional de Informações, o SNI , depositados no Arquivo Nacional do Brasil, e da Central Intelligence Agency, a CIA, nos EUA. No NARA (National Archives and Records Administration) ele pesquisou os arquivos dos presidentes estadunidenses.

“O livro e a tese contam a história de uma coligação ecumênica que envolve religiosos de múltiplas denominações. Ela começa a ser gestada por órgãos governamentais americanos, como a USIA, a United States Information Agency, que lidava com diplomacia pública, voltada para influenciar populações de outros países de acordo com seus interesses”, conta Sá Netto, que é também é pesquisador do Arquivo Nacional. 

“Houve financiamento das agências norte-americanas, majoritariamente com os Republicanos e um pouco com os Democratas, para a atuação desses missionários nas décadas de 1950 a 1970”, explica Fábio Py, teólogo protestante-evangélico e professor do Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Universidade Estadual do Norte-Fluminense, que participou da banca de Sá Netto.

“A estratégia também envolvia empresários, agentes governamentais, líderes religiosos e intelectuais estadunidenses, que contactaram os seus pares no Brasil e nos demais países latino-americanos”, relata Sá Netto. 

O plano começou em 1954, com a criação pelo governo dos EUA da Fundação para Ação Política e Religiosa na Ordem Civil e Social, a Frasco, cujo dirigente era um membro da Usia. A Frasco congregava religiosos de várias denominações, sobretudo evangélicos, que nos EUA são maioria, mas também católicos conservadores e judeus. 

Era um “esforço internacional para formar uma frente religiosa internacional anti-comunista e pró-capitalista, defendendo os pressupostos do livre mercado e da liberdade norte-americana, em contraste com o que seria o ateísmo e o planejamento econômico comunista, onde supostamente não haveria liberdade sequer para se professar a religião”, explica o historiador.

TEOLOGIA DA PROSPERIDADE E LUTA ANTICOMUNISTA

No início da década de 1950, os Estados Unidos e a então União Soviética mergulham na Guerra Fria pós-2ª Guerra Mundial e passam a disputar econômica, militar e politicamente a hegemonia sobre cada centímetro do mundo. 

Na América Latina, que Washington sempre considerou como seu quintal, a ditadura empresarial e militar implantada em 1964 olhava com bons olhos essa expansão capitalista. Os militares contribuíram para que o Brasil, o maior país da região, tivesse se tornado o principal alvo da estratégia de consolidação e ampliação da influência do governo estadunidense. 

“Não à toa, a partir dos anos 1950 temos uma escalada inédita da vinda de missionários e religiosos estrangeiros vindo para cá”, diz Sá Netto.

Documentos mostram preocupação dos miliares com a influência da Teologia da Libertação.

Algumas das maiores e mais poderosas igrejas pentecostais que atuam no Brasil foram fundadas naquele contexto. Um exemplo é a Igreja do Evangelho Quadrangular. Fundada em 1923 por Aimee McPherson, nos Estados Unidos, a igreja foi trazida ao Brasil em 1951 por Harold Williams e Jesus Hermínio Vasquez Ramos, em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. 

Outros exemplos são a Igreja Deus é Amor e Brasil Para Cristo, fundada por pastores brasileiros que tinham passagem por igrejas pentecostais norte-americanas. 

Essas igrejas evangélicas pentecostais abriram o caminho para novas, como a  Igreja de Nova Vida, fundada no Brasil pelo pastor canadense Robert McAlister, uma das primeira expoentes da teologia da prosperidade no Brasil. Outra é a superpoderosa Igreja Universal do Reino de Deus. “O Edir Macedo aprendeu muito, pegou a fórmula e transformou em uma franquia com traços brasileiros e adaptações muito efetivas. Mas a matriz de pensamento é toda estadunidense”, explica Sá Netto.

A estratégia dos EUA passava por enviar organizações missionárias em massa para o Brasil. Um documento de 1961, do Conselho de Segurança Nacional, encontrado por Sá Netto, relata que, desde 1957, havia um número incontável de missões evangélicas estrangeiras na Amazônia, mas que não havia certeza sobre quais nem quantas exatamente. 

O documento mostrava que essas missões tinham colaboração com a CIA, com o garimpo ilegal, com a destruição de cultura indígena e tráfico de drogas. Mas o Conselho ressaltava que nada havia sido provado e que não convinha retirá-las do Brasil porque elas faziam um bom trabalho. “Convinha retirar o indígena da natureza e integrá-lo à civilização, à sociedade capitalista brasileira. Essa concepção permanece até hoje”, diz Sá Netto.

Relatório lista preocupações com os missionários, mas reconhece dificuldades em controlá-los.

A simpatia do estado brasileiro com os evangélicos estrangeiros foi admitida pelo próprio Comando Militar da Amazônia. Em um relatório de 1974, o órgão admitiu haver “uma complacência e até mesmo apoio das autoridades municipais, estaduais e federais com relação a estes missionários”.  

A pesquisa de Sá Netto também revela que o governo ditatorial tinha uma predileção nada disfarçada por missionários evangélicos sobre os católicos. 

Um documento confidencial da DSI do Ministério do Interior diz, por exemplo, que as missões católicas, “normalmente sob influência da Teologia da Libertação, procuram a conscientização do índio para seus direitos”, contestando frequentemente as determinações do governo. O governo criticava, por exemplo, o fato das missões católicas exacerbarem “a reivindicação pela terra indígena”, dando “importância secundária à catequese”. 

A “pressão ideológica e reivindicatória” que os católicos progressistas exerciam, sobretudo os reunidos no Conselho Indigenista Missionário, o Cimi, era, então, apontada como ponto negativo da presença desse grupo. Por outro lado, a DSI livrava completamente a cara do grupo evangélico, afirmando, sem rodeios, que essa “ação contestadora só ocorre com os missionários católicos”.

Os documentos revelam que a Igreja da Unificação, que se concentrava nas cidades, também foi protegida pelos militares. “Os serviços de inteligência diziam que a despeito de denúncias nada havia sido comprovado contra a igreja, que deveriam permanecer no Brasil porque vigorava no País a liberdade religiosa e, mais importante, porque ela fazia atividades de conscientização política anticomunista”, diz Sá Netto.

A Igreja da Unificação, conservadora, pró-capitalista, era o nome conhecido da Associação das Famílias para a Unificação e Paz Mundial, foi fundada na Coréia do Sul em 1954 por Sun Myung Moon, o Reverendo Moon.

Um documento, datado de 1981, defende a permanência no Brasil da Igreja da Unificação. Para a Diretoria de Segurança Interna do Ministério da Justiça, além de ser juridicamente inatacável, importava o fato de ela lutar contra o comunismo, contrapondo-se, assim, à influência das organizações de contestação da ditadura. 

Para o órgão, suas pregações contribuíram para fortalecer o nacionalismo e o sentimento religioso e democrático, e que a sua denúncia sistemática das mazelas do comunismo fortaleceria a consciência política e ideológica da população.

Conhecida por organizar enormes casamentos coletivos que reuniam até milhares de casais, a Igreja da Unificação foi fundada por Sun Myung Moon na Coreia do Sul em 1954, e ficou conhecida por escândalos financeiros, como desvio de doações de fiéis.

Ao longo da década de 1980, explica Sá Netto, a Igreja se envolveu na política brasileira: financiou 60 candidatos à Constituinte de 1986, de legendas conservadoras, além dos candidatos a prefeito em São Paulo, Jânio Quadros e Paulo Maluf. Hoje, a igreja foi rebatizada como Federação da Família para a Paz Mundial e Unificação.

Para o pesquisador, os filhos daquela política imperialista dos EUA ainda estão muito ativos no Brasil. Um exemplo é o 8 de Janeiro, que tem fortes indícios da participação de algumas igrejas na organização do movimento golpista. 

Segundo a Polícia Federal, alguns dos golpistas presos durante a invasão e depredação alegaram terem sido recrutados e/ou financiados por organizações como a Igreja Batista, a Presbiteriana Renovada e a Assembleia de Deus.

Além disso, a infiltração em espaços públicos também ainda ocorre de maneira explícita. Em 2019, o grupo evangélico ultraconservador Capitol Ministries se aproximou de integrantes do governo Bolsonaro e mais recentemente, de deputados da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Glauber cassado: a vingança de Arthur Lira

Glauber Braga não está sendo cassado por chutar a bunda do MBL, mas por denunciar a perversidade do Orçamento Secreto.

Por Paulo Motoryn, no Intercept_Brasil

Na política brasileira, poucas palavras foram esvaziadas tanto quanto “decoro”. A cassação do mandato de Glauber Braga , aprovada esta semana pelo Conselho de Ética da Câmara, escancara como esse conceito virou arma política — e, neste caso, instrumento de vingança pessoal.

Glauber sempre foi incômodo. Chamou Eduardo Cunha de “gângster”, Moro de “juiz ladrão” e Bolsonaro de “genocida”. Mas o seu erro mais imperdoável foi ter chamado o então presidente da Câmara, Arthur Lira, do PP de Alagoas, de “bandido” por causa do seu Orçamento Secreto.

O episódio aconteceu em 2022 , no plenário, e passou quase despercebido à época. Glauber disse a Lira se ele não tinha vergonha do orçamento secreto. Lira jurou vingança e, como um de seus últimos atos, invejou uma denúncia contra Glauber ao Conselho de Ética, em abril de 2024.

Dois anos depois do entrevero entre ambos, o contra-ataque de Lira chegou com a frieza típica do mais cruel dos vilões.

O pretexto para Lira levar o cabo sua promessa foi o chute de Glauber em Gabriel Costenaro, integrante do MBL, expulso da Câmara após insultar a mãe do deputado, doente e prestes a morrer. Glauber reagiu de forma dura, chutando suas nádegas e o expulsando do recinto.

Exagerado? Talvez. Mas é nossa obrigação notar que, na mesma semana em que a Câmara avançou para cassar Glauber , assistiu com normalidade o deputado Gilvan da Federal, do PL do Espírito Santo, dizer em sessão oficial: “Quero que Lula morra” .

E a fala não foi feita em um debate comum, mas numa discussão absurda: a de um projeto de lei que visa desarmar a segurança do presidente da República e seus ministros — tentativa de facilitar, através de uma lei, o que já foi plano golpista: o assassinato político de Lula.

O projeto, relatado por Gilvan e apresentado por Paulo Bilynskyj, do PL de São Paulo, foi aprovado pela Comissão de Segurança Pública. A Advocacia-Geral da União reagiu e pediu investigação. Mas será que a Câmara vai tratá-lo da mesma forma que Glauber?

A incoerência revela um padrão. Cassações, ameaças e manobras legislativas hoje seguem um projeto mais amplo de destruição institucional. E não se trata de apoiar Glauber ou o PSOL. Trata-se de consideração a violência que é retirar direitos políticos por motivos ideológicos — com o aplauso de quem tolera o intolerável.

O Brasil que celebra um Oscar por homenagear um parlamentar cassado, torturado e morto pela ditadura agora assiste, inerte, às viúvas desse regime para em avançar seu projeto. Cassam vozes dissonantes, armam os fanáticos e tentam desarmar o presidente.

Transformamos a Câmara em arena de vingança e o “decoro” em ferramenta para calar opositores.

Lira venceu Glauber. Mas a derrota é nossa – e muito mais profunda.

Gratidão e reconhecimento

POR GERSON NOGUEIRA

Estamos de acordo que Dico é o maior goleiro da história do Remo e talvez o melhor do futebol paraense em todos os tempos. Não há discussão possível a respeito deste fato. Foi um reinado absoluto por quase duas décadas, conseguindo ser protagonista de um timaço que tinha feras do nível de Alcino, Bira, Mesquita, Mego e Roberto Diabo Louro.

Uma das grandes exibições de Dico foi em pleno Maracanã, em 1975. A escalação era: Dico; Marinho, Rui, Aderson e Cuca; Elias, Mesquita e Nena; Alcino, Amaral e Caíto (Rodrigues). Uma façanha e tanto. Derrotar o Flamengo foi como uma conquista de título, pois o time de Zico era quase imbatível no Maraca.

Alcino e Mesquita fizeram os gols do Leão, Zico descontou para o Flamengo. Os jornais do Rio foram unânimes em destacar o papel do gigante Dico naquela tarde de 25 de outubro. Uma das manchetes é até hoje recordada pelo ídolo azulino: “Dico 2, Flamengo 1”. O jogo foi transmitido ao vivo pela então TV Marajoara (Rede Tupi).  

Humilde, Dico não se concede mérito exclusivo pela vitória que virou página histórica. Alcino, Aderson (jogando de zagueiro), Mesquita e Cuca também tiveram atuações impecáveis também contra Zico, Júnior, Rondinelli & cia.

Antes disso, em 1972, ele havia sido castigado pelo regulamento da revista Placar e deixou de levar a Bola de Prata por ter cumprido somente 21 partidas – 22 era o mínimo exigido. Emerson Leão ficou com o troféu, embora Dico tenha sido superior ao longo do Brasileiro.

Caso fosse premiado, o Remo teria emplacado dois jogadores na seleção do ano, pois Aranha ganhou como o melhor lateral-direito. Aliás, Aranha tinha como reserva na equipe azulina ninguém menos que Nelinho, que depois iria para o Cruzeiro e em seguida para a Seleção Brasileira de 1978.

Relembro essas passagens em reconhecimento à trajetória brilhante de Frederico Chimiti Neto, o Dico, agraciado com o título de Cidadão de Belém pela Câmara Municipal, por iniciativa do vereador Pablo Farah.

Não pude comparecer à entrega da honraria, na sexta-feira (4), mas tive o prazer de bater um dedo de prosa com Dico, antes de sua entrevista ao programa “Conversa com o Leão”, do amigo Paulo Caxiado, na Rádio Clube.

Confirmei a impressão que sempre tive. Falou sobre a longeva carreira, dedicada ao Remo depois de breve passagem pelo Sport Clube Belém. Aliás, quase foi parar do outro lado da Almirante Barroso, mas terminou se encaminhando para o Evandro Almeida. Demonstrou imensa gratidão por Manoel Ribeiro – “um amigo de todas as horas”.

Com simplicidade, recordou a vivência no futebol, treinado por Paulo Amaral e Joubert Meira, e ao lado de figuras como Alcino, Dutra e Rosemiro. Tinha 1,78m, baixa estatura para um goleiro, mas se agigantava embaixo das traves porque treinava muito para aperfeiçoar reflexos e ter um posicionamento perfeito. Um exemplo dentro e fora de campo.

Desfalcado, Papão vai em busca da recuperação  

O PSC enfrenta o Vila Nova neste sábado (12), às 18h, em Goiânia. Um duelo que ganhou ares de grande rivalidade nos últimos anos. Foi sobre o Vila que o PSC conquistou a Copa Verde de 2024, metendo 10 a 0 no placar agregado, humilhação que os goianos até hoje não engoliram.

Campeão goiano, o Vila se reforçou para brigar pelo acesso, que andou na mira do clube no ano passado. E um dos nomes de destaque no time é justamente o de João Vieira, ex-jogador do PSC.  

Sem Rossi e Nicolas, seus principais atacantes, o Papão busca se recuperar na competição – perdeu na estreia para o Atlético-PR – e o técnico Luizinho Lopes terá que utilizar uma configuração ofensiva diferente: Marlon, Benítez e Borasi (Delvalle).  

Com apoio da torcida, Leão quer a primeira vitória

O Remo recebe o América-MG no Mangueirão, domingo, às 16h, com um reforço importante: terá a torcida ao seu lado, normalmente um ponto de apoio fundamental para vitórias da equipe. A partida seria realizada com portões fechados, mas o STJD reverteu a punição, transformando em multa as punições anteriormente impostas por incidentes em jogos na Série C.   

O técnico Daniel Paulista tem um sério problema para definir a escalação. Não pode contar com o melhor jogador do time, o meia Jaderson, que saiu lesionado do jogo com a Ferroviária, na primeira rodada.

Para obter a primeira vitória, o Remo deve contar com Dodô na função de Jaderson e repetir o ataque com Janderson, Felipe Vizeu e Pedro Rocha. Os novos contratados – Camutanga, Régis, Luan, Pedro Costa e PH Gama – já estão inscritos no BID, mas dificilmente serão lançados.  

Bola na Torre

Giuseppe Tommaso apresenta o programa, a partir das 23h, na RBATV, com a participação de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Em pauta, os resultados da segunda rodada da Série B e a decisão da Copa Grão-Pará. A edição é de Lino Machado. 

(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 12/13)

A frase do dia

“Governadora Fátima Bezerra, do PT, cedeu helicóptero que conduziu Bolsonaro até um hospital. Depois, ele foi levado numa ambulância nova do Samu, comprada pelo governo Lula. O PT governa para salvar vidas, não importa de quem. Já a direita bolsonarista deseja a morte de Lula”.

Bohn Gass, deputado federal (PT-RS), sindicalista e professor.

STJD reverte punição e jogo Remo x América-MG terá público no Mangueirão

O jogo Remo x América-MG terá público neste domingo, às 16h, no Mangueirão. O esforço conjunto dos departamentos jurídicos do Clube do Remo e da Federação Paraense de Futebol conseguiu reverter junto ao STJD a punição imposta do clube, que determinava portões fechados para a partida válida pela 2ª rodada da Série B.

A decisão do STJD transforma em multas as punições que o Remo precisaria cumprir contra América e Coritiba.

O despacho favorável do tribunal saiu no final da manhã desta sexta-feira. O Remo ainda não informou detalhes sobre a venda de ingressos. O preço fixado para arquibancada é R$ 30,00.

Sentenciados pelo episódio de arremesso de bombas por torcedores na pista de atletismo do Mangueirão, no jogo com a Aparecidense, na 16ª rodada da Série C de 2024, os azulinos foram enquadrados no artigo 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva.

A sentença do STJD determinou multa de R$ 20 mil e dois jogos de portões fechados em competições organizadas pela CBF. Uma punição foi cumprida na Copa Verde deste ano, entre Remo x São Raimundo-RR, no Baenão.

Na Série C 2024, outro incidente gerou punição para o Remo. No jogo com o ABC, em Natal, um torcedor uniformizado invadiu o campo e rasgou uma faixa da torcida rival. Como a segurança do evento não era de responsabilidade do Leão, o STJD aplicou multa de R$ 15 mil e um jogo restrito a mulheres, crianças e pessoas com deficiência. Posteriormente, descobriu-se que o torcedor não é do Remo, mas de uma facção rival da torcida do ABC.

Saudações a quem tem coragem: Viva a ira de Nasi!

Por Julinho Bittencourt, na Revista Fórum

E a história se repete, como sempre tenta se repetir. O cantor, baixista e compositor da lendária banda inglesa Pink Floyd, Roger Waters, avisou em letras garrafais no telão antes de seus shows de sua mais recente turnê, que começou em 2022:

“Se você é uma dessas pessoas que diz ‘eu amo Pink Floyd, mas não apoio as visões políticas de Roger’, você podem se f… e ir para o bar agora.”

Nasi, o cantor da também lendária banda paulista Ira! – que nunca se furtou a manifestar usas claras posições políticas– gritou durante um show em Minas Gerais na semana passada: “Sem anistia!” Ao ser vaiado por parte da plateia, reagiu aos bolsonaristas presentes:

“Pra vocês que estão vaiando, eu vou falar uma coisa pra vocês: tem gente que acompanha o Ira!, mas nunca entendeu o Ira! Nunca entendeu o Ira! Tem gente que acompanha a gente e é reacionário, tem gente que acompanha o Ira! e é bolsonarista, isso não tem nada a ver, gente! Por favor, vão embora! Vão embora da nossa vida! Vão embora e não apareçam mais em shows, não comprem nossos discos, não apareçam mais. É um pedido que eu faço”.

PRODUTORA EMITE NOTA COVARDE

Diante da reação de fascistas, que resolveram boicotar shows da banda, a produtora 3LM Entretenimento soltou nota avisando que seriam canceladas as apresentações nas cidades de Jaraguá do Sul e Blumenau, em Santa Catarina, e em Caxias do Sul e Pelotas, no Rio Grande do Sul.

A nota da produtora esbanja covardia e avisa:

“Lamentamos o ocorrido, somos uma produtora com mais de 30 anos de mercado e nosso principal patrimônio é o público, e este deve ser muito bem tratado por nós produtores e pelos artistas, que deveriam subir ao palco apenas para apresentar suas músicas e talentos”.

O que significa, enfim, subir ao palco e apresentar “apenas suas músicas e talentos”? Um artista deve, segundo a 3LM Entretenimento, subir ao palco tal e qual um animal amestrado, esquecer tudo o que pensa sobre a vida e até mesmo o que dizem suas letras, e se limitar a divertir a patuleia?

Ou, pior ainda, as canções devem tentar esquecer as mazelas do mundo? Talvez o diretor Steven Spielberg deva parar de fazer filmes denunciando os crimes nazistas durante a Segunda Guerra Mundial? Walter Salles, então, nem pensar em fazer filme sobre o assassinato impune de Rubens Paiva?

TENTATIVA DE GOLPE É CRIME

Ora, vão para o inferno. Nasi e sua banda fazem parte de uma casta de artistas que tem coragem. Dizer o que pensa custa caro, divide, subtrai. É muito mais fácil e simples dar uma de bonzinho, que está tudo bem, tudo certo. Que invadir palácios e tentar golpes é coisa de “velhinhas com a Bíblia nas mãos”.

Denunciar e rejeitar o fascismo, a história nos ensina, é coisa para heróis. Eu, assim como Nasi e a banda Ira! também não quero fascistas na minha plateia. Nem em lugar nenhum do planeta.

Subscrevo com prazer. Viva Nasi, viva o Ira!

Contratações por atacado

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo anunciou ontem cinco contratações, que podem ser desdobradas para seis até esta sexta-feira (11), data-limite da janela aberta neste início de abril. Reforços são necessários para uma competição de grande porte como a Série B, mas é fundamental que sejam equacionados e estejam dentro de um planejamento coerente de formação de elenco.

Na nova ida às compras, o Leão trouxe um zagueiro de bom nível, Camutanga, e um meia-armador, Régis, que pode suprir uma carência antiga. Ao mesmo tempo, contratou Luan Martins, que vem se juntar a quatro outros volantes – Pavani, Dener, Caio Vinícius e Daniel.

Foi contratado também o lateral-direito Pedro Costa (ex-Avaí). Para o setor, o Remo já tem três atletas: Kadu, Marcelinho e Thalys. Para o ataque, o clube contratou PH Gama (foto), uma das revelações do Campeonato Paraense.  

As muitas dúvidas surgidas após o anúncio desses cinco nomes ficam por conta do excesso de atletas contratados até o momento. Como normalmente os elencos são estruturados com dois ou no máximo três atletas por posição, o Remo já ultrapassou esse limite.

Além dos gastos com tantas contratações, há o questionamento quanto à qualidade dos atletas que não tiveram bom rendimento em seus clubes de origem. Camutanga é bom zagueiro, com passagens destacadas por vários clubes, mas não vive seu melhor momento.

Régis (32 anos) foi colocado em disponibilidade pelo Goiás, depois de participar de 10 partidas pelo Campeonato Goiano e uma pela Copa Verde. Já o lateral Pedro Costa (31) atuou apenas uma vez pelo Avaí.

A situação de Luan Martins (25), com 17 jogos na temporada, é diferente. Depois de boa passagem pelo Primavera (SP), foi indicado ao Remo e é um dos poucos que chega em alta. O mesmo pode-se dizer de PH Gama (25), cuja trajetória no Santa Rosa despertou a atenção dos grandes de Belém. É uma aposta, mas com potencial de se tornar uma boa aquisição.

É natural que a contratação de um novo técnico provoque a busca por jogadores de sua preferência. O Remo trocou Rodrigo Santana por Daniel Paulista, que certamente indicou nomes. O problema está no excesso. Inchar elenco é o primeiro passo para comprometer uma campanha. (Crédito/foto: Silvio Garrido)

Ataque é a maior preocupação no Papão

Para enfrentar amanhã o Vila Nova, em Goiânia, o PSC terá o desafio de remontar sua configuração ofensiva titular. Não terá Rossi e Nicolas, justamente os principais goleadores do time na temporada. Rossi fez oito gols e deu cinco assistências. Nicolas marcou nove vezes.

Mesmo com ambos em campo, o setor de ataque ficou devendo na primeira partida da decisão da Copa Verde contra o Goiás, desperdiçando três grandes chances de gol, duas delas pelos pés de Nicolas.

A insatisfação do torcedor se manifestou no momento da substituição do camisa 11. Vaiado pela atuação, Nicolas foi elogiado pelo técnico Luizinho Lopes, que lembrou a condição de artilheiro e ídolo do jogador. Ele sabe que o veredito do torcedor é sempre cruel quando um atleta está em baixa.

Amanhã, o Papão tentará pontuar pela primeira vez na Série B. Até mesmo o empate é considerado positivo, mas, para isso, o ataque precisa funcionar. Rossi tem sido a única esperança, mas se desgasta pelo esforço que é obrigado a fazer para abrir espaços e criar jogadas.

Sem sua dupla de goleadores, Luizinho Lopes deve colocar Marlon na direita, Benítez centralizado e utilizar Delvalle ou Borasi na esquerda.

A contratação de Eliel (22 anos), ex-Cuiabá, anunciada ontem, é uma tentativa de dar ao setor ofensivo mais consistência e qualidade.

Zebra portenha desfaz oba-oba em torno de Filipe Luís

Apontado por alguns apressadinhos como o novo Rinus Michels, genial comandante da célebre Holanda de 1974 e inventor do conceito de futebol total, o iniciante Filipe Luís estreou no comando técnico do Flamengo cercado de grande expectativa. Correspondeu plenamente com duas conquistas (Supercopa Rei e Campeonato Carioca) e uma impressionante sequência de 27 vitórias.

Quis o destino, porém, que o Flamengo fosse desbancado pelo surpreendente Central Córdoba por 2 a 1, em pleno Maracanã, contrariando as previsões e o oba-oba da mídia que aplaude qualquer possibilidade de vitória rubro-negra. O tropeço faz o técnico cair na real para as agruras da Copa Libertadores, onde não há jogo ganho de véspera.  

A derrota frustrou os torcedores, mas pode ser até positiva para Filipe Luís. A partir de agora, ele encara a rotina dos técnicos comuns, sujeitos à gangorra normal do futebol. Pode servir também para diminuir a bajulação e até a forçada campanha para conduzi-lo à Seleção Brasileira.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 11)

Reindustrialização brasileira não caiu do céu: é fruto de trabalho do governo Lula

O BNDES voltou com força total, política industrial deixou de ser palavrão e é preciso evitar retrocessos

Por Leonardo Attuch, no Brasil 247

A reindustrialização do Brasil, após anos de desmonte e abandono das políticas públicas voltadas ao setor produtivo, não é obra do acaso. O salto da indústria brasileira de transformação do 70º lugar, em 2022, para a 25ª posição no ranking global de desempenho industrial da Unido, em 2024, é resultado direto de uma nova estratégia nacional liderada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Trata-se de uma virada histórica que recoloca a política industrial no centro do projeto de desenvolvimento econômico brasileiro.

A retomada de uma política industrial ativa, robusta e moderna tem nome: Nova Indústria Brasil (NIB). Lançado com metas claras, prioridades tecnológicas e instrumentos articulados, o plano representa o retorno do Estado como indutor do desenvolvimento, algo que havia sido negligenciado nas gestões anteriores. A NIB, coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), sob o comando do vice-presidente Geraldo Alckmin e do secretário Uallace Moreira, promove uma reorientação estratégica baseada em inovação, sustentabilidade e soberania tecnológica.

Uallace Moreira tem sido incisivo ao afirmar que o novo desempenho industrial não é fruto do acaso, mas sim de uma política “bem construída”. Com essa atuação, o governo mostra que a reindustrialização brasileira é uma escolha deliberada e bem estruturada – e não um fenômeno espontâneo.

Outro pilar essencial da retomada industrial é a atuação vigorosa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que voltou a cumprir sua função histórica de fomentar investimentos produtivos. Sob a presidência de Aloizio Mercadante, o banco tem canalizado recursos para setores estratégicos, rompendo com o ciclo de retração vivido nos últimos anos.

A reativação do crédito direcionado e o apoio a projetos de infraestrutura e à neoindustrialização sustentável dão novo fôlego ao setor, fortalecendo a capacidade produtiva nacional e gerando empregos de qualidade. A atuação do BNDES mostra que o Brasil voltou a acreditar no seu próprio potencial produtivo.

O avanço de 3,2% da indústria de transformação em 2024, superando a média mundial de 2,3%, é uma prova concreta de que a política industrial está dando frutos. Medidas como a quitação de precatórios, o relançamento do programa Minha Casa, Minha Vida e a instituição de um novo arcabouço fiscal, que garantiu um piso para investimentos públicos, também ajudaram a impulsionar a atividade econômica.

No entanto, a recuperação ainda é frágil. O último trimestre de 2024 apresentou uma leve queda de 0,1% na produção industrial, ao passo que o crescimento global acelerou. Para 2025, as projeções são mais modestas, com expectativa de alta de apenas 1,6%. O cenário internacional também impõe incertezas, como o aumento de tarifas nos Estados Unidos, que pode levar ao desvio de exportações de países asiáticos para o Brasil, intensificando a concorrência no mercado interno.

Apesar dos avanços, o Brasil ainda está muito aquém do seu verdadeiro potencial. Uma nação com a dimensão territorial, populacional e de recursos naturais do Brasil não pode se contentar com a 25ª colocação no ranking da indústria de transformação. É preciso estabelecer como meta estar, pelo menos, entre as dez maiores potências industriais do planeta.

Esse objetivo exige persistência na estratégia, estabilidade macroeconômica, inovação tecnológica, formação de mão de obra e aprofundamento da integração entre Estado e setor produtivo. Mas, acima de tudo, exige um governo comprometido com o desenvolvimento – como é o do presidente Lula.

A reindustrialização brasileira, portanto, não caiu do céu. É fruto de um governo que acredita no Brasil, que aposta na indústria como motor do desenvolvimento e que trabalha incansavelmente para devolver ao país seu protagonismo econômico. O caminho é longo, mas a direção está correta. Que não haja retrocessos.