Em novo ataque à ciência, Trump proíbe termos como ‘mulher’, ‘Covid’ e ‘diversidade’

Enquanto isso, na Casa Branca, há sessões regulares de oração e estudo bíblico no Salão Oval, com a volta do cristianismo ao centro do poder

Por Carla Castanho, no Jornal GGN

Sob o governo Trump, pesquisadores universitários nos Estados Unidos passaram a enfrentar um tipo inédito de censura: projetos que incluíssem palavras como “mulher”, “COVID”, “diversidade”, “inclusão” e “gay” eram automaticamente desclassificados de editais federais. Enquanto isso, na Casa Branca, há o esforço do presidente em cumprir sua promessa de “trazer de volta o cristianismo” ao centro do poder.

No campo da ciência, a ação integra uma cruzada ideológica do trumpismo, que busca “purificar” o governo federal de qualquer vestígio de políticas inclusivas — tachadas como “woke” em sua guerra cultural particular. O cenário foi detalhado pela economista Débora Nunes, em entrevista ao programa TVGGN 20 Horas [assista abaixo].

“Estamos diante de uma tentativa explícita de controle do conhecimento, com o objetivo de impedir o avanço de temas fundamentais ligados à inclusão, à saúde pública e à dignidade humana. É um ataque frontal ao pensamento crítico”, afirmou Nunes à TV GGN.

A censura por palavras — que abarcam desde feminismo e questões LGBTQIA+ até raça e equidade —, exposta pelo New York Times, é apenas um dos sinais de um ambiente que Nunes descreve como “extremamente pesado” nas universidades norte-americanas.

Além dos boicotes ideológicos, as instituições de ensino superior enfrentam pressões diretas de governos estaduais e federais, com cortes drásticos de financiamento e imposições administrativas absurdas — como a proibição do uso de máscaras durante a pandemia e a extinção de políticas de diversidade, equidade e inclusão.

“A grande mídia foca nas universidades mais conhecidas, como Harvard ou Yale. Mas o que estamos vendo é um ataque coordenado ao sistema como um todo. É um movimento autoritário que começou ainda antes da eleição de Trump, mas que agora se intensifica em várias frentes”, revela a economista à TV GGN.

O ATAQUE DIRETO À PESQUISA

Um dos casos mais emblemáticos ocorreu em 2022, quando a Universidade da Pensilvânia sofreu um corte de US$ 175 milhões em verbas públicas após permitir que uma atleta trans integrasse sua equipe de natação. “Foi uma punição puramente ideológica”, relembra Nunes.

Nem mesmo as universidades de elite escapam da ofensiva. A Universidade de Columbia, em Nova York, cedeu à pressão de parlamentares após reavaliar departamentos ligados a estudos sobre o Oriente Médio. A reitora Katrina Armstrong renunciou em março deste ano, após a instituição firmar um acordo com o governo federal para reaver US$ 400 milhões em financiamento.

“Meu coração está com a ciência, e minha paixão está com a cura. É onde posso servir melhor à universidade e à comunidade daqui para frente”, declarou Armstrong, ao anunciar sua saída.

Outras instituições reagiram de forma mais contundente. Harvard, por exemplo, já afirmou que não aceitará ingerências políticas sobre sua autonomia acadêmica. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) também se posicionou contra as medidas.

Especialista em economia feminista, Nunes interpreta o movimento como parte de um projeto de reconstrução ideológica do Estado, que visa desmobilizar o pensamento crítico e bloquear o potencial transformador da educação.

A crise nas universidades também tem reflexos diretos na sociedade americana. Nunes chama atenção para o aumento da pobreza e da população em situação de rua. “Em algumas regiões, cerca de 70% das pessoas sem moradia vivem em seus carros. Já existem estacionamentos com vagas exclusivas para trabalhadores que não conseguem mais pagar aluguel. Isso não é apenas um fracasso econômico — é um fracasso humano”.

A comunidade científica internacional observa o cenário com preocupação. Para a pesquisadora, o Brasil, que recentemente enfrentou um processo semelhante de desmonte da ciência e da educação sob Jair Bolsonaro, deve estar atento e solidário.

“O Brasil tem parcerias importantes com universidades norte-americanas. Se esse desmonte continuar, os prejuízos serão globais. O Brasil já passou por um processo semelhante de perseguição ideológica e desmontes na ciência. Nós resistimos. Agora, é hora de somarmos forças com os colegas dos EUA para evitar que esse retrocesso se consolide”.

A VOLTA DO CRISTIANISMO À CASA BRANCA

Enquanto isso, desde sua reeleição, Donald Trump tem reforçado a presença do cristianismo conservador na Casa Branca, com cultos semanais, orações públicas e leituras bíblicas ocorrendo em espaços como o Salão Oval e a Sala Roosevelt, conforme mostrou o New York Times nesta sexta-feira.

A prática, conduzida por pastores aliados e membros do governo, marca o esforço do presidente em cumprir sua promessa de “trazer de volta o cristianismo” ao centro do poder.

Apesar de não ter histórico de prática religiosa consistente — e já ter demonstrado pouco conhecimento sobre a fé cristã — Trump passou a adotar um discurso mais espiritual após sobreviver à tentativa assassinato, atribuindo sua sobrevivência à “graça do Deus Todo-Poderoso”.

Como símbolo dessa guinada, foi recriado o Escritório de Fé da Casa Branca, agora com sede física na Ala Oeste, liderado por sua pastora de longa data, Paula White-Cain. Segundo ela, o presidente começou a planejar o retorno do Escritório de Fé mais de um ano antes da reeleição.

Para os apoiadores evangélicos, trata-se de um símbolo de proximidade sem precedentes com o poder — um canal direto entre o púlpito e a presidência, consolidando a fé cristã conservadora como um dos pilares ideológicos do segundo governo Trump.

Papão joga mal, mas conquista o primeiro ponto na Série B

O empate com o Operário-PR, na tarde de sábado, garantiu ao Paysandu seu primeiro ponto no Campeonato Brasileiro da Série B. A partida, válida pela 4ª rodada, ficou no 0 a 0, com baixo nível técnico e poucas chances de gol. O Fantasma teve mais chances, mas o goleiro Matheus Nogueira apareceu bem e os atacantes erraram muito nas finalizações. O time paraense subiu uma posição na classificação, passando para o 18º lugar.

Com a ausência de Rossi, o PSC entrou com uma formação ofensiva diferente, com Eliel entrando de cara e Nicolas no banco de reservas. Aos 8 minutos, Boschilia cobrou falta na área e Allan Godói desviou de cabeça com muito perigo. Em termos ofensivos, o PSC não criava e ainda sofria com o desempenho individual de alguns jogadores. Eliel disparou um chute que foi parar na outra lateral do campo.

Na etapa final, Rodrigo aproveitou saída em falso do goleiro Matheus Nogueira, finalizou, mas a bola saiu pelo fundo. Aos 30′, Índio cabeceou por cima na trave. O lance se repetiu dois minutos depois, com Daniel Amorim errando muito.

A primeira finalização do PSC só aconteceu aos 37′, quando Bryan bateu em direção ao gol, mas houve um desvio e o goleiro defendeu com facilidade. A melhor chance veio aos 41′, quando Borasi chutou, a zaga rebateu e Marcelinho chutou cruzado, mas o goleiro Elias mandou para escanteio.

O técnico Luizinho Lopes voltou a reclamar das distâncias percorridas pelo PSC. “Nós tivemos dois dias de um jogo para o outro com uma viagem continental”, disse após a partida, comemorando o primeiro empate. O PSC está há cinco jogos sem vencer e há quatro sem marcar gol.

Na quarta-feira, às 21h, o PSC enfrenta o Goiás pela final da Copa Verde, em Goiânia. No sábado, às 19h, o Papão recebe o CRB no Mangueirão.

Vencer para virar a página

POR GERSON NOGUEIRA

Só a vitória salva. Este é o mantra que o PSC leva a campo neste sábado, em Ponta Grossa (PR), contra o Operário. Uma batalha difícil, principalmente porque envolve um adversário que foi derrotado na rodada passada e busca sair da incômoda 15ª colocação.

Penúltimo colocado até o início da quarta rodada, o PSC tenta quebrar a sequência de derrotas, consciente de que a Série B não perdoa times que se acomodam nas últimas posições da tabela.

A derrota por 2 a 0 frente à Chapecoense ainda repercute e gera cobranças pesadas ao técnico Luizinho Lopes e ao elenco. No aeroporto, antes do embarque da delegação, todos foram diretamente interpelados por uma torcida inconformada com o jejum de vitórias.

O quadro se agrava pela comparação direta com a campanha do maior rival, que se mantém invicto após três rodadas. O treinador busca explicações para justificar os tropeços, reclama do desgaste pela maratona de jogos, mas não há como contestar que as últimas atuações (contra Vila Nova e Chape) foram sofríveis.

É óbvio que a torcida não irá perdoar um novo insucesso. Dependendo do que ocorrer, cabeças irão rolar – na comissão técnica ou na direção executiva. É a ordem natural das coisas, e o PSC não é exceção. Houve quem apostasse na queda do treinador após o jogo de quarta-feira.

Para evitar turbulências logo no início da caminhada, o cenário ideal é a conquista de uma vitória em Ponta Grossa, por qualquer escore. A essa altura, o resultado é sempre mais importante que a performance.

Nicolas, que foi vaiado na partida contra a Chape, é a principal esperança ofensiva. Sem Rossi, ainda lesionado, o ataque deve alinhar Borasi e Eliel ao lado do camisa 11. Pela entrega e capacidade de jogar dentro da área, Jorge Benítez é também uma alternativa interessante.

Espera-se que Luizinho tenha levado em conta as lições da derrota para o Vila Nova, quando o time entrou desconjuntado a partir da escalação de Giovane na armação, e só melhorou (pouca coisa) de mudanças óbvias. (Foto: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração, na RBATV, a partir das 23h. Participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba baionense. Em debate, a quarta rodada da Série B e a expectativa para a decisão da Copa Verde. A edição é de Lino Machado e Lourdes Cezar.  

Pavani: a volta por cima em grande estilo

O futebol sempre é capaz de surpreender. Giovanni Pavani sofreu críticas após o retorno diante do América-MG. Em meio aos elogios gerais à atuação do Remo, a única ressalva no aspecto individual foi ao desempenho dele.

Ressentiu-se do pouco tempo para treinar com os companheiros e assimilar o novo sistema de jogo implantado por Daniel Paulista, mas isso normalmente não é levado em conta por quem critica.

Como recebeu o cartão amarelo ao cometer uma falta típica de condicionamento deficiente, o volante foi substituído no intervalo da partida. Luan Martins entrou e deu conta do recado.

Diante do Botafogo-SP, em Ribeirão Preto, Pavani ficou no banco de reservas e só entrou na metade da segunda etapa, quando o Remo batalhava para chegar a um novo empate na partida.

Quis o destino que Pavani fosse o encarregado de igualar o marcador, a poucos minutos do final, evitando que o time sofresse a primeira derrota no Brasileiro. O gol nasceu de um belíssimo arremate de longa distância.

Além do gol, ele participou das articulações ofensivas e ajudou o Remo a consolidar domínio sobre o Botafogo ao longo dos 25 minutos finais. Um retorno em grande estilo, premiado com um golaço.

Talvez não recupere de imediato a titularidade, em função da necessidade de melhor condicionamento, mas a participação em Ribeirão Preto sinalizou que Pavani pode ser útil ao time, mesmo que entre no 2º tempo.  

Neymar às voltas com nova lesão muscular

A confirmação pelo Santos, na noite desta sexta-feira (18), de uma nova lesão muscular sofrida por Neymar coloca mais um imenso ponto de interrogação na utilização do atacante na Seleção Brasileira.

Segundo o clube, a contusão ocorreu no músculo semimembranoso da coxa esquerda. A lesão mais antiga, na mesma perna, afeta um outro músculo. Não há prazo para o retorno de Neymar aos gramados.

O tratamento da lesão vai incluir um trabalho paralelo de fortalecimento muscular, a fim de evitar problemas futuros. Especialistas consultados dizem que o tempo mínimo de recuperação é de um mês e meio.

Caso se cumpra esse prazo, a convocação de Neymar para os próximos e decisivos jogos das Eliminatórias fica praticamente inviabilizada, apesar da pachecada que vive apostando na continuidade da hoje fictícia carreira do astro de Vila Belmiro. 

(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 19/20)

Empate suado e importante

POR GERSON NOGUEIRA

O empate conquistado pelo Remo, ontem à noite, em Ribeirão Preto (SP), é um bom resultado, considerando que a equipe se mantém invicta na Série B após três rodadas disputadas e mantém a torcida animada para o jogo de segunda-feira (21) contra o Coritiba, em Belém. A capacidade de reação foi testada por duas vezes e o time respondeu bem.

Apesar disso, cabe observar que o time flertou com o perigo e quase saiu derrotado de um confronto no qual tinha tudo para ser vitorioso, até pela vantagem numérica no 2º tempo. O problema foram os dois gols sofridos em falhas da defesa – o primeiro com a contribuição do goleiro Marcelo Rangel.

E o jogo podia ter sido definido ali, logo aos 9 minutos, quando Jefferson Nem aproveitou o rebote de Marcelo Rangel. A cobrança ensaiada de falta, muito bem executada, surpreendeu os zagueiros do Remo. O goleiro se assustou e espalmou para a frente, nos pés de Jefferson, que mandou para as redes.

Apesar de impactado pelo gol, o Remo buscou se recompor. A distribuição de bola passou a ser feita pelo volante Luan Martins com bom nível de acertos, sempre visando os lados, com Pedro Rocha e Janderson. O lado ruim desse modelo é que Felipe Vizeu, centralizado, ficava praticamente ausente da movimentação.  

A insistência com Pedro Rocha acabou funcionando. Depois de várias tentativas de furar o bloqueio à base de dribles e velocidade, o atacante decidiu arriscar de fora da área. E acertou o alvo. O tiro saiu forte, à meia altura, fora do alcance do goleiro João Carlos.

O gol de empate ocorreu instantes depois da expulsão do zagueiro Rafael Milhorim, que pôs a mão na bola e tomou o segundo amarelo. A vantagem de jogar com um mais prenunciava um 2º tempo de domínio para os azulinos. Não foi bem assim. Logo a um minuto, o Botafogo fez 2 a 1.

Sem marcação, Dramisino apanhou o rebote da zaga e bateu de esquerda, sem chances para Marcelo Rangel. Detalhe: o lance nasceu de um arremesso lateral cobrado por Jefferson, apanhando a zaga desarrumada.

A partir daí, o Remo teve que fazer um jogo de recuperação para superar o bloqueio armado pelo Botafogo, que recuou o time todo para segurar o resultado. Daniel Paulista decidiu trocar Pedro Castro e Luan por Pavani e Dodô, a fim de acelerar a saída e povoar a área adversária.

O Remo ficou com a bola e tentava chegar pelos lados, infiltrando Pedro Rocha e Alan Rodríguez, mas os cruzamentos eram bem neutralizados pelos zagueiros do Botafogo. Aos 30’, Vizeu, Jaderson e Janderson foram substituídos por Ytalo, Maxwell e Adailton.

A pressão cresceu nos instantes finais e, aos 39’, Pavani recebeu passe na intermediária e acertou um chute indefensável, vencendo finalmente a dura retranca. Um golaço. Empolgado, o Remo ainda armou dois bons ataques, com Adailton e Maxwell, mas a virada não veio. (Fotos: Samara Miranda/Ascom Remo)

Volante de combate fez falta em Ribeirão

Caio Vinícius, que se encarrega dos combates à frente da defensiva, fez falta em Ribeirão Preto. Sem ele, a dupla de zaga, formada ontem por Camutanga e Reinaldo, ficou órfã da cobertura que o volante faz. O segundo gol do Botafogo evidenciou essa carência.

A bola rebatida pela zaga caiu livre nos pés de Dramisino, sem que nenhum defensor (Luan ou Pedro Castro) fizesse pressão para atrapalhar a armação do chute. Livre, o volante teve tempo e espaço para escolher onde bater.

Outro papel desempenhado por Caio Vinícius é o de apoio ao ataque e aos laterais, contribuindo muitas vezes para dobrar a marcação pelos lados. Para piorar as coisas, Jaderson voltou ao time, mas em ritmo lento, abaixo do que normalmente entrega.

Os problemas defensivos desapareceram no 2º tempo porque o Botafogo desistiu do ataque após fazer 2 a 1. Nos primeiros 45 minutos, Reinaldo foi o destaque do setor defensivo. O estreante Camutanga foi discreto.

Na frente, Pedro Rocha brilhou novamente. Chegou ao terceiro gol no campeonato, mostrando força, velocidade e mais apuro nas finalizações.

Interesse de Klopp ser alternativa para a Seleção

A parcimônia da CBF em contratar um novo técnico para a Seleção Brasileira, causada principalmente pela necessidade de achar um nome de primeira linha, pode acabar contribuindo para que um dos maiores técnicos do mundo se disponha a aceitar o desafio.

Jürgen Klopp, que deixou o Liverpool no ano passado após uma trajetória brilhante, estaria insatisfeito com a função de diretor global de futebol da Red Bull, segundo fontes próximas a ele.

Ele aceitaria deixar o cargo atual para negociar em dois casos: assumir o comando da Seleção Brasileira ou acertar com o Real Madrid, em substituição a Carlo Ancelotti, possibilidade cada vez mais cogitada.

É a primeira vez que se especula o nome de Klopp na Seleção. A CBF, desde a demissão de Dorival Júnior, se concentra em dois nomes: Jorge Jesus, que treina o Al Hilal, e Carlo Ancelotti, do Real Madrid.

Mesmo não tendo sido sondado, o alemão Klopp talvez seja hoje o nome mais qualificado para a missão de comandar a Seleção na Copa de 2026, superior aos dois que fazem parte dos planos de Ednaldo Rodrigues. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 18)

Remo arranca empate contra o Botafogo-SP nos minutos finais

Com dois bonitos gols de fora da área, o Remo conquistou um empate importante em 2 a 2 na noite desta quinta-feira (17) diante do Botafogo-SP, em Ribeirão Preto, pela 3ª rodada da Série B. O time paraense agora ocupa a 7ª colocação na tabela, com 5 pontos.

A atuação da equipe foi prejudicada por duas falhas de marcação que originaram os gols do Botafogo logo no início da partida e após o intervalo. O gol inaugural da noite foi aos 9 minutos do 1º tempo. Jefferson Nem aproveitou um rebote do goleiro Marcelo Rangel após Maciel cobrar falta em jogada ensaiada.

O lance surpreendeu o Remo, que demorou alguns minutos para se reorganizar. Luan Martins era o homem da saída de bola e compensava a atuação pouco participativa de Jaderson. No final do 1º tempo, Pedro Rocha acertou um certeiro disparo de fora da área, vencendo o goleiro João Carlos.

Na reta final, o zagueiro Rafael Milhorim botou a mão na bola e recebeu o segundo cartão amarelo, sendo expulso de campo. Quando se esperava um Remo mais dominante na etapa final, o Botafogo surpreendeu logo a 1 minuto de partida.

O volante Alejo Dramisino aproveitou o rebote da defesa azulina para encaixar um belo chute, rasteiro, recolocando o Botafogo em vantagem no placar. A jogada nasceu de um arremesso lateral cobrado por Jefferson, que a zaga afastou em direção à entrada da área.

Depois de fazer 2 a 1, o Botafogo se acautelou e o Remo partiu com tudo em busca do gol de empate. Adailton, Pedro Rocha e Maxwell quase conseguiram marcar, mas foi Giovanni Pavani o autor do gol salvador, batendo do meio da rua, de curva, aos 39 minutos, sem chances para o goleiro João Carlos.

O Remo ainda insistiu em busca do terceiro gol, mas a zaga botafoguense resistiu e abusou das quedas em campo para fazer o tempo escorrer. Final: 2 a 2. O próximo compromisso do Leão será na segunda-feira, 21, às 21h30, no Mangueirão, contra o Coritiba.

Gaza se tornou uma “vala comum” para palestinos e para quem tenta ajudá-los

Nas últimas semanas, a organização Médicos Sem Fronteiras testemunhou diversos ataques a profissionais humanitários e médicos em Gaza

Vidas palestinas estão sendo sistematicamente destruídas, à medida em que as forças israelenses retomam e expandem a ofensiva militar por ar, terra e mar na Faixa de Gaza, deslocando pessoas à força e bloqueando deliberadamente a ajuda essencial. Uma série de ataques letais recentes realizados por forças israelenses demonstrou o total desprezo pela segurança dos profissionais humanitários e médicos em Gaza.

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) fez um apelo às autoridades israelenses para que suspendam imediatamente o cerco desumano e letal a Gaza, protejam as vidas dos palestinos, dos profissionais humanitários e médicos, e que todas as partes restabeleçam e sustentem o cessar-fogo.

“Gaza foi transformada em uma vala comum de palestinos e daqueles que vieram ajudá-los. Estamos testemunhando em tempo real a destruição e o deslocamento forçado de toda a população de Gaza”, alerta Amande Bazerolle, coordenadora de emergências de MSF em Gaza.

“Sem nenhum lugar seguro para os palestinos ou para aqueles que tentam ajudá-los, a resposta humanitária está severamente comprometida pelo peso da insegurança e da escassez crítica de suprimentos, deixando as pessoas com poucas ou mesmo nenhuma opção de acesso aos cuidados.”

Mais de 50 mil pessoas foram mortas em Gaza desde outubro de 2023, sendo quase um terço delas crianças, segundo o Ministério da Saúde local. Desde a retomada das hostilidades, em 18 de março, mais de 1.500 pessoas foram mortas, segundo autoridades locais.

De acordo com as Nações Unidas, pelo menos 409 trabalhadores humanitários, a maioria profissionais da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Médio (principal agência de ajuda humanitária em Gaza), foram mortos desde outubro de 2023. Onze profissionais de MSF, alguns enquanto estavam em serviço, também foram mortos desde o início da guerra – dois deles nas últimas duas semanas.

No exemplo mais recente de um ataque implacável das forças israelenses contra profissionais humanitários, os corpos de 15 socorristas de emergência e as ambulâncias em que viajavam foram encontrados em uma vala comum no dia 30 de março, em Rafah, sul de Gaza. O grupo foi morto pelas forças israelenses enquanto tentava ajudar civis atingidos por bombardeios em 23 de março. Evidências publicamente divulgadas mostram que os profissionais e seus veículos estavam claramente identificados, contestando as alegações iniciais das autoridades israelenses.

“Esses terríveis assassinatos de trabalhadores humanitários são mais um exemplo do desprezo flagrante das forças israelenses pela proteção de profissionais humanitários e médicos. O silêncio e o apoio incondicional dos aliados mais próximos de Israel apenas encorajam essas ações,” reitera Claire Magone, diretora-geral de MSF-França.

O MSF considera que apenas investigações internacionais e independentes podem esclarecer as circunstâncias e as responsabilidades por esses ataques contra trabalhadores humanitários.

Embora a situação já fosse catastrófica há mais de 18 meses, nas últimas três semanas MSF testemunhou diversos incidentes envolvendo a morte de profissionais humanitários e médicos. A coordenação dos movimentos humanitários com as autoridades israelenses, conhecida como Sistema de Notificação Humanitária (HNS), já era falha e se tornou ainda mais instável, praticamente sem oferecer garantias de proteção. Locais onde Israel era notificada sobre a presença de profissionais humanitários — como instalações de saúde, escritórios e casas de MSF — foram atingidos por tiros ou bombardeios. Áreas próximas a unidades de saúde também foram alvo de ataques, combates e ordens de evacuação.

Instalações médicas não estão isentas de ataques ou ordens de evacuação por parte das forças israelenses. As equipes de MSF tiveram que deixar muitas unidades, e outras seguem operando com profissionais e pacientes encurralados dentro, sem poder sair em segurança por horas.

Em 7 de abril, equipes e pacientes de MSF ficaram encurralados no hospital de campanha da organização em Deir Al-Balah, no centro de Gaza. Foguetes foram lançados pelo Hamas nas proximidades do hospital de campanha, colocando pacientes e profissionais em risco e levando a uma ordem de evacuação da área pelas forças israelenses, que também realizaram ataques próximos aos hospitais Al Aqsa e Nasser.

Desde 18 de março, MSF não consegue retornar ao hospital indonésio no norte de Gaza, onde nossas equipes estavam prestes a iniciar cuidados pediátricos, mas tiveram que fugir do hospital. As clínicas móveis de MSF no norte de Gaza foram suspensas, e no sul as equipes não conseguiram retornar à clínica Al-Shaboura, em Rafah.

O cerco total a Gaza esgotou os estoques de alimentos, combustível e suprimentos médicos. O MSF enfrenta especialmente escassez de medicamentos para controle de dor e doenças crônicas, antibióticos e materiais cirúrgicos essenciais. A falta de reabastecimento de combustível em toda a Faixa de Gaza inevitavelmente levará à paralisação das atividades, já que os hospitais dependem de geradores para manter vivos pacientes em estado crítico e realizar operações vitais.

“As autoridades israelenses têm bloqueado deliberadamente toda a ajuda humanitária para Gaza por mais de um mês. Os trabalhadores humanitários têm sido forçados a assistir as pessoas sofrerem e morrerem enquanto carregam o fardo impossível de oferecer alívio com os suprimentos esgotados — tudo isso enfrentando as mesmas condições de risco de vida,” diz Bazerolle.

“Não há como cumprir essa missão nessas circunstâncias. Isso não é um fracasso humanitário — é uma escolha política e um ataque deliberado à capacidade de um povo de sobreviver, realizado com total impunidade”, afirma Claire Magone.

Papão perde a terceira seguida

POR GERSON NOGUEIRA

O jogo só foi interessante para o PSC nos primeiros 20 minutos, quando teve a posse de bola e criou duas situações perigosas no ataque, com Matheus Vargas e Nicolas. Depois disso, a Chapecoense saiu do sufoco e inverteu o cenário. Acertou a marcação e soube explorar as deficiências defensivas do time de Luizinho Lopes, marcando 2 a 0 ainda na primeira etapa. O resultado deixa o Papão na lanterna da Série B.  

Os gols nasceram da combinação de esforço da Chape e das facilidades permitidas pelo PSC. Aos 25 minutos, Mailton chutou forte após entrar na área e a bola passou por baixo do goleiro Matheus Nogueira. Percebendo a fragilidade do sistema defensivo do Papão, que errava todas as tentativas de desarme, os visitantes continuavam pressionando.

Aos 35 minutos, após cruzamento de Mailton na área, Matheus Nogueira voltou a aparecer mal: deu um soco para a entrada área, a bola voltou ao gol e o goleiro deu rebote nos pés do zagueiro João Paulo, que aproveitou o rebote para estufar o barbante.

O lance foi analisado pelo VAR e o gol foi confirmado, para desespero da torcida presente ao Mangueirão – 11 mil espectadores. O 1º tempo terminou com lampejos do PSC, principalmente através do estreante Eliel, que fez duas boas finalizações, mas ficou nisso.

Vaiado no intervalo, o PSC voltou para a etapa final sem o atacante Rossi. Lesionado, ele foi substituído por Benítez, que inicialmente deu novo ímpeto ao ataque. O time tentou impor uma blitz sobre a defesa da Chape, mas não conseguiu acertar o pé nas finalizações.

O panorama favoreceu o PSC por cerca de 20 minutos. A Chapecoense parecia assustada e não encontrava jeito de sair da defesa. A pressão bicolor, porém, se mostrou improdutiva, apesar de lances agudos com Benítez, aos 14’, e Nicolas, aos 18’.

Para controlar as ações e acalmar o jogo, o técnico Gilmar Dal Pozzo promoveu mudanças no setor defensivo e no ataque. Por seu turno, Luizinho Lopes substituiu Marlon e Matheus Vargas por Giovanne e Borasi. Não funcionou, apesar dos esforços de Borasi.

A partida se arrastou sem maiores chances para o Papão, mas a torcida protestou muito diante da terceira derrota consecutiva na competição.

Ameaçado, Luizinho bota culpa no desgaste

O técnico Luizinho Lopes voltou a usar o excesso de jogos como argumento para o terceiro tropeço do PSC na Série B. Desta vez, porém, admitiu que o time atuou mal e se descontrolou após tomar o segundo gol. Só não explicou a razão de tantas falhas de marcação mesmo atuando com tantos volantes.  

Diante das cobranças em relação ao ataque, avaliou que faltou apuro nas finalizações e baixa produtividade. O crônico problema de criação no meio não chegou a ser abordado pelo treinador, apesar de ser a fonte de boa parte do baixo rendimento do time.

Luizinho utiliza muito a justificativa de que a queda de desempenho só aflige o PSC agora, na terceira rodada da competição. Não é bem assim. Diante do Atlético-PR, o time jogou razoavelmente bem, embora sem qualidade nas ações ofensivas.

Na segunda rodada, sábado, diante do Vila Nova, a atuação foi pífia, a partir da escalação equivocada de Bryan Borges e Giovanne. A derrota foi consequência direta dos erros de posicionamento do time.

Ontem à noite, além dos erros individuais – o goleiro falhou nos dois gols da Chape –, o PSC não demonstrou capacidade coletiva de reagir à situação desfavorável. É um problema que precisa ser resolvido a tempo de evitar novo revés diante do Operário, em Ponta Grossa (PR), no sábado.

Desafio de peso para o Remo em Ribeirão

Depois de garantir a primeira vitória, jogando bem diante do América-MG, o Remo enfrenta o Botafogo-SP, hoje à noite, em Ribeirão Preto. Um tremendo desafio contra um adversário que sempre impõe dificuldades quando joga dentro de seus domínios.

A novidade no Leão é o retorno do meia-atacante Jaderson, que estava lesionado e não atuou contra o América. Principal jogador da equipe, ele exerce um papel importante na conexão entre meio e ataque.

Na partida de domingo, Jaderson foi substituído por Pedro Castro, que integrou o meio-campo ao lado de Caio Vinícius e Pavani (substituído no intervalo por Luan Martins). Apesar da grande atuação coletiva, Castro destoou justamente por não ter a mesma movimentação de Jaderson.

Ponto alto do time, o ataque permanece com Janderson, Felipe Vizeu e Pedro Rocha. O entrosamento demonstrado nos dois primeiros jogos na Série B, contra Ferroviária e América, faz crer que o técnico Daniel Paulista vai tentar fazer um jogo reativo em Ribeirão Preto.

Em casa, domingo passado, o Remo soube jogar sem a bola, esperando o momento certo de dar o bote sobre a defesa do América, que teve 74% de posse de bola e não conseguiu criar situações de perigo.

Um triunfo diante do Botafogo-SP pode confirmar a ascensão técnica do time e colocar o Remo entre os primeiros colocados do Brasileiro. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 17)

Rock na madrugada – Love, “Always See Your Face”

Arthur Lee será lembrado por todos que amam boas canções roqueiras. “Always See Your Face” (Sempre vejo seu rosto), do álbum Four Sail (1969) é uma dessas músicas que grudam inapelavelmente na memória e no coração e pertence à lavra criativa do líder e criador do grupo californiano Love, que já pontificou neste espaço.

Lee morreu cedo demais (aos 61 anos, em 2006), tinha provavelmente muito a contribuir e desbravar. Felizmente, teve a oportunidade de conviver com gênios do porte de Jimi Hendrix. Fez canções maravilhosas ao longo da curta carreira, experimentou ritmos e combinações, com inquietude e fervor.

Um dos últimos românticos do rock, Arthur Lee fez do Love um catalizador de ritmos – rock básico, psicodelia, folk e rhythm and blues. A formação original tinha Lee como cantor e guitarrista, acompanhado por Bryan MacLean (guitarra, vocal), Johnny Echols (guitarra), Ken Forssi (baixo) e Alban “Snoopy” Pfisterer (bateria). Ao longo dos anos, a banda sofreu várias mudanças de integrantes, mas Lee permaneceu sempre.

A letra de “Always See Your Face”, abaixo, é um bom exemplo do estilo singular de Lee, que compunha versos confessionais em cima de melodias brilhantes.

Alguém, por favor, não
Me ajude com minhas misérias
Alguém não consegue ver, sim
O que este mundo fez comigo
E eu sei, eu sei
E eu digo, oh, eu digo
Que não importa onde eu vá
Eu sempre verei seu rosto
Alguém, por favor, não
Me ajude com minhas memórias
Alguém não consegue ver, sim
O que este mundo fez comigo
E eu sei, eu sei
E eu digo, oh, eu digo
Que não importa onde você vá, vá
Você sempre verá meu rosto (x2)
Não importa onde você vá, vá
Você sempre verá meu rosto

Papão perde para a Chape e fica na lanterna da Série B

Com uma derrota por 2 a 0 para a Chapecoense, na noite desta quarta-feira (16), no Mangueirão, o Paysandu completou três jogos sem vitória na Série B do Campeonato Brasileiro, caindo para a lanterna da competição.

De início, o domínio foi bicolor, com duas boas tentativas no ataque, com Matheus Vargas e Rossi, mas depois dos 20 minutos a Chapecoense passou a ditar as ações ofensivas. Mailton abriu o placar em falha da zaga e do goleiro Matheus Nogueira.

Minutos depois, o time catarinense fez o segundo gol, com o zagueiro João Paulo aproveitando uma saída esquisita do goleiro Matheus Nogueira, que espalmou para o centro da área. O lance foi revisado pelo VAR antes da validação do gol.

Apesar das mudanças – que incluíram a estreia do atacante Eliel -, o PSC não conseguiu reagir para buscar o empate, apesar do incentivo e do apoio da torcida (11 mil espectadores).

A saída do atacante Rossi no intervalo tornou a situação ainda mais difícil no aspecto ofensivo. Benitez, que entrou em seu lugar, teve uma chance apenas. A equipe voltou a atuar mal, sem criatividade, exatamente como ocorreu na derrota para o Vila Nova no último sábado. Apesar da insistência, faltou repertório para pressionar a Chape.

Irritada, a torcida vaiou o time e o técnico Luizinho Lopes durante e depois da partida. Na próxima rodada, o Paysandu enfrenta o Operário, em Ponta Grossa (PR), sábado, às 16h.

(Foto: Mauro Ângelo/Diário)

Alepa aprova projetos sobre mobilidade sustentável, valorização da saúde e reconhecimento cultural

Os deputados da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), liderados pelo deputado Chicão, aprovaram, na manhã desta terça-feira (15), o Projeto de Lei (PL) nº 790/2023, de autoria do deputado Thiago Araújo (Republicanos), que institui a Política de Incentivo ao Uso da Bicicleta no Pará. Os objetivos da proposta são: estimular o uso da bicicleta como meio de transporte alternativo; promover campanhas educativas voltadas ao seu uso; incentivar a implementação de projetos e obras de infraestrutura cicloviária; e fomentar o associativismo entre ciclistas. 

A justificativa do PL destaca que o Pará sediará, em novembro de 2025, um dos maiores eventos ambientais do mundo: a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30). A proposta ressalta que a pauta do evento estará voltada para questões ambientais, como a redução de poluentes, entre eles a emissão de gás carbônico, causadora de impactos na qualidade do ar e na saúde da população. “Devemos apresentar soluções para conter o avanço da poluição ambiental, entre elas, estimular o uso de veículos de propulsão humana, como as bicicletas”, afirma o deputado Thiago Araújo.

Já o PL nº 289/2021, de autoria do deputado Eliel Faustino (União Brasil), institui a Semana Estadual de Valorização dos Profissionais da Saúde no Pará. A data será celebrada anualmente, entre os dias 23 e 29 de março. Em sua justificativa, o parlamentar ressalta: “Durante a pandemia da Covid-19, o trabalho dos profissionais da saúde foi essencial na luta contra o vírus. Reitero aos meus colegas a importância da aprovação deste projeto”.

Patrimônio Cultural

Por fim, os deputados aprovaram o PL nº 797/2023, de autoria do deputado Wescley Tomaz (Avante), que declara as obras da médica, cientista, pesquisadora, professora e doutora paraense Maria José Von Paumgartten Deane como Patrimônio Cultural de Natureza Material e Imaterial do Pará. 

De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Maria Deane nasceu em 1916, em Belém, onde iniciou seus estudos científicos. Em 1936, ingressou na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará e passou a atuar no Serviço de Estudos de Grandes Endemias (SEGE), do então Instituto Oswaldo Cruz (IOC), dedicando-se aos estudos sobre leishmaniose visceral. Em 1939, foi transferida para a campanha de combate ao mosquito Anopheles gambiae, realizada no Ceará e no Rio Grande do Norte.

Ao longo de sua trajetória profissional, Maria Deane desempenhou diversas atividades científicas, sendo responsável, entre outras contribuições, pela reestruturação do curso de pós-graduação do IOC na Fiocruz.

(Crédito de fotos: Celso Lobo e Balthazar Costa – AID/Alepa)

Em busca da primeira vitória

POR GERSON NOGUEIRA

Após duas derrotas na Série B, contra Atlético-PR e Vila Nova, o PSC enfrenta a Chapecoense hoje (20h) no Mangueirão tentando fazer as pazes com a vitória. A atuação contra o Atlético foi razoável, mas diante do Vila o desempenho foi sofrível, acendendo todos os sinais de alerta na Curuzu.

A ausência do atacante Rossi, melhor jogador do time, contribuiu bastante para tornar o PSC desarticulado e pouco agressivo no Serra Dourada. Para encarar a Chape, diante da torcida bicolor e com o provável retorno de Rossi, a postura em campo precisa ser inteiramente diferente.

O fato é que um time que chegou a enfileirar 9 partidas de invencibilidade sob o comando de Luizinho Lopes não pode ter perdido o tino vitorioso. Apesar das exigências técnicas da Série B, o PSC tem jogadores para formar um time competitivo para enfrentar qualquer adversário.

Um dos problemas observados diante do Vila Nova estava exposto na escalação, onde o meia Giovanni apareceu como titular, apesar de várias partidas sem convencer anteriormente. Com ele, o time sofreu novamente com a falta de criatividade e organização.  

Outro problema foi a opção de Luizinho por Bryan Borges na lateral direita. Edilson, que vive um melhor momento, ficou no banco e entrou somente aos 20 minutos da etapa final. Mesmo assim, teve boa presença ofensiva e quase empatou o jogo com um chute que bateu na trave.

No ataque, ocorreu o contrário. Borasi entrou, mas foi substituído logo no início do 2º tempo. Fazia boa partida, mas saiu para que Pedro Delvalle entrasse, sem produzir nada. Luizinho precisa definir também o papel de Marlon, que se perdeu em movimentações confusas e ineficientes.

Com a volta de Rossi, o principal beneficiado pode ser Benítez, que teve atuação destacada contra o Vila Nova, mesmo sem contar com o apoio dos jogadores de meio-campo. Certamente vai render muito mais se for bem acionado e ficar posicionado na área adversária. (Foto: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)

Homenagem póstuma a um bicolor apaixonado

José Manoel Ferreira de Lima era um apaixonado torcedor do PSC. Por sua influência, a família também aprendeu a amar o clube. No último sábado, 12, por ocasião de sua morte (aos 78 anos), filhos, netos e amigos prestaram a última homenagem, tão bonita quanto comovente: Manoel foi sepultado com a bandeira do Papão sobre o caixão, e todos os presentes vestiam camisas e bonés alvicelestes durante o velório.

Era uma paixão de todos os momentos, com presença nos jogos e comemoração intensa de todas as conquistas. Em memória de Manoel, seu amado Papão lhe renderá tributo de grande significado: um minuto de silêncio antes do jogo com a Chapecoense, hoje, no Mangueirão.

Dúvidas no Leão diante da ampla oferta de jogadores

Quando se olha para o banco de reservas do Remo, com atletas que poderiam estar na onzena titular, fica evidente que as contratações foram bem ajustadas e compatíveis com as necessidades da equipe na Série B.

A observação vale para as seis últimas aquisições (Régis, Luan, Madison, Camutanga, Pedro Costa e PH Gama), que atenderam a pedidos do técnico Daniel Paulista. Todos têm nível para ocupar um lugar no time principal.

É o chamado “bom problema” para o treinador, que passa a dispor de opções variadas na hora de montar o time titular. Nem sempre, porém, essa fartura de alternativas é garantia plena de escolhas corretas.

Rodrigo Santana, por exemplo, perdeu o rumo justamente quando o elenco passou a ter ampla oferta de jogadores. Na Série C, quando o elenco era mais enxuto, ele conseguiu formar um time competitivo.

Com Daniel, que dirigiu o Remo em apenas quatro partidas (três vitórias e um empate), a situação parece estar sob controle. A decisão de anunciar logo o time titular garantiu entrosamento rápido e passou a imagem, sempre importante como fator de afirmação, de quem sabe o que faz.

Até mesmo a mudança de sistema, do 3-4-3 para o 4-4-2, foi uma demonstração de segurança, que tem dado certo a partir da definição por Klaus e Reinaldo como zagueiros de área.

Suspeita de manipulação ronda ídolo do Flamengo

A Polícia Federal indiciou ontem o jogador Bruno Henrique, do Flamengo, e mais nove suspeitos de envolvimento em um esquema para manipular apostas esportivas. O atleta teria forçado uma falta (e reclamações) para tomar cartão em um jogo contra o Santos, no Brasileirão 2023, para supostamente favorecer apostas de parentes. O atacante acabou expulso.

Em novembro de 2024, a PF cumpriu 12 mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça do DF, no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Vespasiano (MG), Lagoa Santa (MG) e Ribeirão das Neves (MG). Também são alvos o irmão de Bruno Henrique, a cunhada e 2 amigos.

Com o indiciamento, a PF mostra que encontrou elementos suficientes para considerar a ocorrência de crime. O caso passa agora à análise do Ministério Público, que pode denunciar os investigados à Justiça.

É sempre grave quando o futebol é alvo de manipulação. Por ora, são suspeitas, mas é importante que tudo seja devidamente esclarecido. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 16)

Leão absoluto no Mangueirão

POR GERSON NOGUEIRA

A bola ficou com o América na maior parte do tempo – cerca de 70% de posse. Acontece que a objetividade estava com o Remo, que foi letal no aproveitamento das oportunidades criadas. A vitória por 2 a 0 sobre o América-MG fez justiça ao bom rendimento coletivo na primeira apresentação diante da torcida nesta Série B.

O gol quase aconteceu logo no 1º minuto. Alan Rodriguez cruzou rasteiro e Janderson chegou atrasado, perdendo chance com o gol vazio. Mas, aos 12 minutos, a rede balançou. Em avanço pela direita, Marcelinho cruzou e Pedro Rocha testou firme para o fundo do barbante.  

O América insistia com cruzamentos pelo alto, mas a defesa azulina funcionou bem. A melhor chance dos mineiros ocorreu aos 22’. Figueiredo lançou na área e Willian Bigode finalizou no ângulo. Marcelo Rangel fez uma defesa de puro reflexo, espalmando para escanteio.  

Aos 26’, contragolpe azulino e Janderson cruzou para Pedro Rocha desviar de cabeça, com muito perigo. O América trocava passes no meio, mas não aprofundava as jogadas porque a zaga do Leão marcava com eficiência.

No intervalo, Daniel Paulista trocou Pavani (com cartão amarelo) pelo estreante Luan Martins. O resultado foi imediato. Aos 2 minutos, Pedro Rocha arrancou pela esquerda e tocou para Luan, que acionou Janderson. O cruzamento saiu na medida para Rocha só empurrar para o gol. Remo 2 a 0.

Superior no embate coletivo, o Remo explorava passes longos para surpreender a marcação. Aos 15’, Felipe Vizeu lançou Janderson na direita. Ele entrou na área, mas chutou prensado pela zaga e a bola saiu.

Ainda impactado pelo segundo gol, o América fazia a bola circular para retomar o controle do jogo e chegou perigosamente aos 21’, em cabeceio de William que Marcelo Rangel espalmou para escanteio.

Com Adailton no lugar de Pedro Rocha, o Remo se dedicou a explorar os contragolpes pela esquerda. Criou duas chances: aos 26’, Adailton explodiu na marcação e, aos 31’, Luan bateu por cima do gol.

Daniel Paulista resolveu renovar o fôlego do time. Trocou Janderson, Marcelinho e Pedro Castro por Kadu, Dodô e Daniel Cabral, reforçando a marcação e controlando todos os passos do América.

Uma vitória importante, que traz confiança e tranquilidade para a sequência do campeonato. Time foi bem na transição rápida e na força de marcação. Pedro Rocha, Caio Vinícius, Reinaldo e Janderson foram os melhores. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Marcação frouxa derruba o Papão 

Como ocorreu na estreia contra o Atlético-PR, o PSC foi vítima de seus próprios erros diante do Vila Nova, sábado à noite, em Goiânia. Tomou um gol logo no início da partida em falha de Luan Freitas. O atacante Poveda deu um giro e ficou livre na pequena área para tocar no canto esquerdo do gol de Matheus Nogueira.  

Tudo o que ocorreu depois disso foi uma sucessão de equívocos do PSC no 1º tempo. O Vila ainda ameaçou duas vezes com o próprio Poveda, mas aos poucos foi desacelerando. Sem Rossi e Nicolas, o time de Luizinho Lopes teve muitas dificuldades na condução de bola.

Os erros de passe e de posicionamento sabotavam as tentativas de subir ao ataque, até em ações simples. Somente aos 23 minutos saiu o primeiro ataque, em cobrança de falta executada por Giovani.

O empate quase aconteceu, meio por acidente. Nos acréscimos, após lance confuso na área, o centroavante Benítez mandou um chute no poste esquerdo. A bola correu sobre a linha e caiu nas mãos do goleiro Hass.

Na etapa final, Luizinho demorou para substituir Giovani, que permaneceu em campo até os 21 minutos. Para piorar, manteve Marlon e sacou Borasi. A equipe melhorou com Edilson no lugar de Bryan, embora continuasse atrapalhada quando precisava organizar o jogo.

Apesar de todos os problemas, o PSC teve outra chance para empatar. Numa investida pela direita, Edilson acertou um belo chute na trave. Benítez, bem no jogo, chegou perto de marcar após chutar rasteiro. O goleiro pegou no susto. O Vila só ameaçou no final com João Vieira.

Mais que os poucos méritos do Vila Nova foram os problemas do PSC que determinaram o resultado. Depois da segunda derrota na Série B, o time precisa de mudanças urgentes – e de Rossi – para reagir na competição.   

Nos pênaltis, Águia conquista Copa Grão-Pará 

Toda a emoção da final da Copa Grão-Pará ficou para os tiros livres, após empate nos 90 minutos. E a vitória do Águia veio nas penalidades – 9 a 8 – com o herói de sempre: Axel Lopes. Ele defendeu um pênalti e fez a cobrança que fechou a série, assegurando a vaga na Copa do Brasil 2026.  

Não foi apenas na decisão de sábado, no Mangueirão. A importância do goleiro se mostrou fundamental na sequência de jogos após a interrupção do Parazão. Ele havia sido decisivo nos dois confrontos com o Bragantino, pelas quartas de final e pela semifinal da Copa Grão Pará.

Além da disputa nos penais, o pequeno público viu um golaço de Romarinho para o Águia no 2º tempo da partida. Um chute de fora da área, que pegou efeito e entrou no ângulo esquerdo do gol de Henrique. A Tuna conseguiu empatar nos instantes finais com o artilheiro Edgo. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 14)