Leão na luta pelo G4

POR GERSON NOGUEIRA

Contra o Criciúma, hoje, em Santa Catarina, o Remo defende a invencibilidade e luta para subir na classificação (é o 5º colocado) contra um adversário que causou sua eliminação na Copa do Brasil, mas não faz boa campanha na Série B (é o 14º). A derrota em Belém levou a mudanças imediatas no clube, com a demissão do técnico Rodrigo Santana.

Sob o comando de Daniel Paulista, tornou-se uma equipe diferente daquela que fracassou na Copa do Brasil. Passou a jogar de forma mais pragmática, com economia de passes e maior eficácia nas finalizações.

Por força dessa mudança, começou bem o Brasileiro da Série B, conquistando oito pontos em quatro rodadas – duas vitórias e dois empates. Passa a ser um dos destaques da fase inicial da competição e vai a campo com a obrigação de defender a excelente posição.

Para manter o rendimento, Daniel Paulista pode contar com o reforço de Caio Vinícius, que ficou ausente de dois jogos (Botafogo-SP e Coritiba). Volante titular, Caio foi um dos últimos contratados, mas ganhou espaço pela força de marcação e a capacidade de organizar a saída de jogo.

É provável que seja escalado ao lado de Pedro Castro (ou Pavani) e Jaderson, como vinha acontecendo até sair do time por contusão.

A ocupação do meio-campo é sempre decisiva no futebol moderno, principalmente na dinâmica de times que exploram transições rápidas e passes longos. O Remo joga assim. Por isso, precisa ser eficiente na recuperação de bolas e bem estruturado nos avanços até a área adversária.

Com a proteção dos homens de meio, a defesa ganha mais solidez, permitindo performances seguras de William Klaus e Reinaldo.

Além do retorno de Caio Vinícius, o Remo baseia sua força para o duelo com o Criciúma no desempenho do setor ofensivo e, em particular, de Pedro Rocha. Com a evolução física após a intertemporada, o atacante ganhou capacidade de arranque e força para as disputas de área.

A afiada conexão entre Rocha e Janderson nos contra-ataques responde pelo poderio ofensivo do Leão (6 gols) e mantêm o camisa 32 no topo da artilharia, com quatro gols. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Herói do penta alivia a barra da “legião estrangeira”

Matías Cavalleri foi o grande herói da noite de anteontem, em Goiânia, ao evitar a derrota nos 90 minutos diante do Goiás e por provocar a disputa na série de penalidades. Foi dele, portanto, a ação decisiva que garantiu ao Papão a conquista do quinto título da Copa Verde.

Reserva com poucos minutos de participação em jogos do PSC, Cavalleri entrou aos 39 minutos do 2º tempo, substituindo o lateral PK na ala esquerda. Era o esforço final e desesperado de Luizinho Lopes em busca do empate salvador. Funcionou perfeitamente.

Dez minutos depois, sob forte chuva, foi de Cavalleri o toque abençoado para o fundo das redes, desviando o cruzamento de Rossi. Entrou como um raio para aproveitar a indecisão do zagueiro Messias e do goleiro Tadeu.

Todas as decisões têm um predestinado. O chileno Cavalleri, que era um dos mais apagados entre os oito contratados sul-americanos do clube, foi o grande e improvável nome da épica conquista da Copa Verde.  

Além do gol histórico, Cavalleri deu contribuição importante para que a “legião estrangeira” do Papão seja vista com outros olhos. Até o jogo de quarta-feira, as críticas eram constantes ao desempenho dos importados.

Humilde e quase monossilábico, o atacante evitou declarações bombásticas e driblou a soberba, assinalando mais um gol de placa no terreno do bom senso. A vitória muitas vezes vira uma armadilha para os imodestos.

Frango de John expõe defeitos do Fogão campeão

O Botafogo imponente e vencedor das competições mais importantes da temporada passada, Copa Libertadores e Campeonato Brasileiro, não existe mais. Ficou desfigurado com a perda de seus principais expoentes – Luiz Henrique e Almada – e de reservas fundamentais, como Júnior Santos, Tiquinho, Eduardo e Adryelson.

Na partida contra o Estudiantes de La Plata, anteontem, em Buenos Aires, todos os pecados ficaram expostos, culminando com o frango sofrido por John, um dos melhores goleiros do continente na temporada passada.

O chute desferido de fora da área veio na direção de John. Ele se posicionou corretamente para a defesa, mas um instante de vacilação permitiu que a bola escapasse em direção às redes. Frangos acontecem, mas no caso do Botafogo o lance é revelador das inseguranças do time.  

Renato Paiva, o treinador contestado a cada jogo, não é o único responsável pelos maus passos do novo Botafogo. Jogadores que brilharam no ano passado parecem ter perdido a fagulha vitoriosa. É o caso do próprio John e de seus companheiros Gregore, Barboza, Alex Telles e Marlon Freitas.

Eram peças que faziam a engrenagem funcionar para que o brilho técnico de Luiz Henrique e Almada pudesse se manifestar em toda plenitude. A brutal perda de tempo, entre janeiro e março, por decisão do investidor (John Textor), está cobrando um preço alto demais.

Sem técnico efetivo durante a Supercopa Rei e a Recopa, o Botafogo foi presa fácil dos adversários, deixando como principal prejuízo a perda do encanto glorioso que todo grande campeão deve ter. Um campeão é responsável pela valorização dos títulos que conquista. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 25)

Alepa aprova projetos de saúde, combate ao ‘capacistismo’, proteção animal e patrimônio cultural

Os deputados da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), liderados pelo deputado Chicão (MDB), aprovaram, na manhã desta terça-feira (22), o Projeto de Lei (PL) nº 228/2024, de autoria do deputado Adriano Coelho (PDT), que institui a Política Estadual de Combate ao “Capacitismo” no Pará. A proposta tem o objetivo de promover a conscientização e a sensibilidade da sociedade em relação ao capacitismo e suas consequências, além de garantir o pleno exercício dos direitos das pessoas com deficiência, em acordo com a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e o ordenamento jurídico interno.

O parlamentar afirma que “a motivação por trás desse tipo de iniciativa geralmente vem da necessidade de combater a discriminação e promover a inclusão social. Ao aprovar um projeto que reconhece as dificuldades enfrentadas por aqueles que não se encaixam nos padrões tradicionais de ‘corpo perfeito’, foca na criação de políticas públicas que garantam atendimento, apoio e oportunidades para todos. Isso é fundamental para construção de uma sociedade mais justa e igualitária, onde cada indivíduo possa exercer seus direitos”.

Ele aponta também que “a implementação dessas políticas pode ajudar a conscientizar a população sobre as questões enfrentadas pelas pessoas com deficiência, promovendo uma mudança cultural em relação ao respeito e à aceitação das diferenças. É um passo significativo para assegurar que todos tenham voz e vez no nosso estado”.

Outra proposição aprovada foi a do deputado delegado Nilton Neves (PSD). O PL nº 445/2023, que institui a Política Estadual de Prevenção do Acidente Vascular Cerebral (AVC) e de Apoio às Vítimas no Estado. Um dos objetivos principais da matéria em pauta é a promoção da qualidade de vida e a redução das vulnerabilidades decorrentes dos fatores de risco para o acidente vascular cerebral. As orientações do PL seguem a busca pelo desenvolvimento de estratégias e mecanismos que garantam a imediata disponibilização dos serviços de urgência e emergência e o pronto atendimento especializado às vítimas de acidente vascular cerebral, em hospital com infraestrutura e disponibilidade de acesso a exames, tratamentos e medicamentos.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) acontece quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, provocando a paralisia da área cerebral que ficou sem circulação sanguínea. É uma doença que acomete mais os homens e é uma das principais causas de morte, incapacitação e internações em todo o mundo.

Existem dois tipos de AVC. O AVC hemorrágico, que ocorre quando há rompimento de um vaso cerebral, provocando hemorragia que pode acontecer dentro do tecido cerebral ou na superfície entre o cérebro e a meninge. É responsável por 15% de todos os casos de AVC, mas pode causar a morte com mais frequência do que o AVC isquêmico, que acontece quando há obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de oxigênio para células cerebrais, que acabam morrendo. Essa obstrução pode decorrer devido a um trombo (trombose) ou a um êmbolo (embolia). O AVC isquêmico é o mais comum e representa 85% de todos os casos.

De autoria do deputado coronel Neil (PL), foi aprovado o PL nº 716/2023, que institui a Política Estadual para Diagnóstico Precoce e Tratamento da Dermatite Atópica na rede de atenção à saúde das pessoas com doenças crônicas no Pará. A Sociedade Brasileira de Dermatologia – SBD – esclarece que a doença é um dos tipos mais comuns de alergia cutânea caracterizada por eczema atópico. É uma doença genética, crônica e que apresenta pele seca, erupções que coçam e crostas. Alguns fatores de risco para o desenvolvimento de dermatite atópica podem incluir estresse emocional.

O deputado fala, na justificativa do PL, que “a característica principal da doença é uma pele muito seca, com coceira que leva a ferimentos, além de outros sintomas, como áreas arranhadas causadas por comichão e alterações na cor”.

Já o PL nº 695/2024, do deputado Fábio Freitas (Republicanos), institui o Cadastro Estadual para Adoção de Animais no Pará. O Pará enfrenta desafios significativos relacionados ao abandono e maus-tratos de animais domésticos, especialmente cães e gatos. Dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (SEGUP-PA) indicam que, em 2022, segundo o PL, foram registradas 2.891 denúncias de maus-tratos contra animais no estado. O abandono de animais não apenas representa uma questão de bem-estar animal, mas também configura crime ambiental, sujeito a penalidades legais.

“A criação do Cadastro Estadual para Adoção de Animais visa a promoção da adoção responsável. Iniciativas semelhantes em outros estados, como o Piauí, têm demonstrado eficácia na redução do número de animais abandonados e na promoção do bem-estar animal”, garante o deputado, Fábio Freitas, na justificativa do PL.

Patrimônio Cultural

De autoria do deputado Iran Lima (MDB), foi aprovado o PL nº 521/2023, que declara como Patrimônio Cultural e Artístico de Natureza Imaterial do Pará, a obra de Dalcídio Ramos Pereira, do autor Dalcídio Jurandir.

O PL nº 596/2023, da deputada Maria do Carmo (PT),  declara o festival da Farinha de Tapioca da vila de Boa Esperança, realizada em Santarém, como sendo Patrimônio Cultural de Natureza Material e Imaterial do Pará.

O PL nº 492/2024, do deputado Braz (PDT), que declara e reconhece o Festival Rock in Roça,  como Patrimônio Cultural de Natureza Material e Imaterial do Pará.

(Crédito/fotos: Balthazar Costa, Celso Lobo – AID/Alepa)

Na raça, Papão garante o penta

POR GERSON NOGUEIRA

Com a velha raça, característica marcante dos momentos mais gloriosos da história do clube, o PSC fez um jogo de superação dos próprios limites para superar o Goiás na decisão da Copa Verde, ontem à noite, conquistando com méritos o pentacampeonato. O título saiu na série de penalidades, mas a emoção começou aos 49 minutos do 2º tempo, quando Cavalleri empatou o jogo. 

Parecia um jogo mais favorável ao Goiás, que atravessa fase técnica melhor e jogava diante de sua torcida. Acontece que o PSC encarnou o espírito vencedor, equilibrou as ações e não se deixou abalar nem mesmo depois de sofrer o gol de Wellington no 1º tempo.

A verdade é que a etapa inicial foi marcada por forte presença bicolor no ataque, desde os primeiros momentos. Para surpresa dos 38 mil torcedores presentes ao estádio Serra Dourada, o Papão tomou a iniciativa e conseguiu criar situações de perigo para a zaga goiana.

Rossi quase abriu o placar aos 11, 14 e 22 minutos. A melhor chance dele foi a primeira, quando desviou de cabeça e a bola passou por Tadeu, quase entrando no canto direito da trave.

O Goiás só ameaçou aos 18 minutos com um cabeceio de Rafael Gava, mas aos poucos foi impondo sua presença no campo de defesa bicolor, com troca de passes em velocidade. Aos 24’, Welliton Matheus aproveitou cruzamento de Lucas Lovat e desviou para as redes.

Um lance que poderia ter sido evitado. Matheus Nogueira pulou na bola com atraso e a zaga deu liberdade para o cabeceio do atacante.

Dois minutos depois, Welliton Matheus poderia ter ampliado. Chutou da entrada da área e a bola acertou o poste direito, saindo quase sobre a linha. O PSC optou por recuar suas linhas, a fim de conter as investidas do adversário. Ainda assim, Messias quase marcou, tocando de cabeça rente ao poste. A zaga novamente falhou feio.

Logo aos 5 minutos da etapa final, Welliton avançou na grande área e bateu na saída de Matheus Nogueira, que fez excelente defesa. A resposta do Papão veio 10 minutos depois, com Benítez entrando entre os zagueiros e finalizando em cima de Tadeu.

O Goiás fez mudanças para renovar o gás, mas caiu de rendimento e perdeu a organização que mostrava até então. O experiente Juninho permaneceu em campo, tentando conduzir a equipe em saídas rápidas ao ataque.

Aos 32’, porém, quase o Papão chegou lá, em chute desferido da entrada da área por Leandro Vilela. Nos minutos finais, quando a torcida já festejava nas arquibancadas, o milagre bicolor aconteceu. Rossi cruzou, Messias falhou e Cavalleri, como um raio, tocou para as redes.

Empate decretado, a decisão foi para os pênaltis, onde o Papão levou a melhor por 5 a 4. Rossi perdeu a primeira cobrança, mas Leandro Vilela converteu a última e assegurou a conquista do penta da Copa Verde. (Fotos: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)

Fibra copeira é o segundo uniforme bicolor

É preciso ressaltar sempre a tradicional vocação copeira do PSC. Os anos passam e o time reafirma essa condição em cada nova final que disputa, mesmo quando não é o favorito da vez. Diante do Goiás, essa verdade voltou a se confirmar. Ao longo de um jogo difícil, muitas vezes desfavorável, o PSC driblou as desconfianças de sua própria torcida e botou a mão em mais um troféu importante.

Chegou a cinco conquistas na Copa Verde. Foi campeão em 2016, 2018, 2022, 2024 e em 2025. De quebra, deu a forra no Goiás, para quem havia perdido em 2023.

Este foi provavelmente o título mais improvável. O PSC entrou na final em situação inferior, pois atravessa dificuldades na Série B do Campeonato Brasileiro – não vence há quatro partidas e ocupa a 18ª colocação.

Ainda assim, encontrou forças para se erguer diante de um adversário qualificado e que tinha um estádio inteiro a incentivá-lo. Mostrou novamente que é um time de chegada e que sempre merece respeito.

Jovem craque do Barça se inspirou em Neymar

Lamine Yamal é a maior revelação de craque do futebol europeu nos últimos anos. Formado nas divisões de base do Barcelona, ele rapidamente alcançou nível de competição e hoje é um candidato natural a melhor do mundo, agora ou nos próximos anos. Para o moleque sorridente de 17 anos, com aparelho nos dentes, o céu é o limite.

Em entrevista à ESPN, ele rasgou elogios a Neymar, cuja passagem pelo Barcelona o inspirou. Contou que admirava o brasileiro e costumava usar uma camisa do clube com o nome de Neymar estampado nas costas.

O fenômeno se repete agora com Lamine Yamal, cuja camiseta 19 é comprada aos milhares pela garotada que torce pelo Barça na Espanha e no resto do mundo. Mais engraçado, segundo ele, é ver um garoto de 13 anos usando a camisa de um cara que é apenas quatro anos mais velho.

“Minha mãe sempre diz uma coisa: não é qualquer pessoa que pode entrar em um lugar qualquer e ver uma criança usando uma camisa com seu nome. É uma das coisas que mais gosto na vida”, revelou Yamal.

Que a admiração do jovem craque sensibilize Neymar a resgatar o amor pelo futebol, algo que parece cada vez mais distante de seus interesses. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 24)

Geologia de rua

A Geologia de Rua ou Street Geology [1] pode ser desenvolvida a partir de uma atividade prática com estudantes, por meio de sistemática observação de campo [2] em áreas de risco geológico suscetíveis aos deslizamentos em morros, por exemplo. E nunca é demais lembrar o importante papel das universidades no estímulo de mentes e de corações para que os estudantes, futuros profissionais, possam colaborar com uma melhoria da qualidade de vida das populações carentes, muito embora certos governantes anti-ciência, atuando acima e abaixo da Linha do Equador, remem contra a maré e agridam o ambiente acadêmico com o objetivo de sua nítida destruição.

A experiência de trabalho com estudantes universitários é muito rica e a seguir serão relatados três estudos desenvolvidos, em épocas diferentes, nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

No Vale do Paraíba (SP), no ano de 1992, foi o primeiro trabalho [3] desenvolvido com alunos do 4º ano do Curso de Engenharia Civil da Universidade Estadual Paulista (UNESP). Desse modo, (…) “A ‘sala de aula’ escolhida, como cenário do meio físico objeto de estudo, foi o Morro do Sucupira ou do Zé Reis, no município de Guaratinguetá – SP. Essa área ocupada por uma população de baixa renda estimada em 400 pessoas, representa um retrato 3×4 do assentamento de loteamentos espontâneos em morros e encostas em certas cidades do país, ou seja: existência de cortes e aterros inadequados; lançamento de águas servidas em superfície; acúmulo de lixo/entulho em taludes íngremes; plantação de bananeiras, etc. (…) A análise dos dados obtidos, permitiu classificar áreas de alto e de médio risco de movimento de massa. As áreas mais críticas (alto risco ou risco I) devem merecer atenção especial do poder público local. Como medida preventiva sugeriu-se a re-alocação dos moradores destas áreas. (…)”.

Alguns anos depois, em 1995, seguindo praticamente os mesmos passos do estudo em Guaratinguetá citado, alunos do Curso de Geologia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos
(Unisinos), localizada na cidade de São Leopoldo (RS), realizaram um trabalho [4] dessa natureza e a ‘sala de aula’ escolhida foi o Morro da Polícia (área de risco ‘Glorinha’) em Porto Alegre, onde foram cadastradas 101 moradias, onde estimava-se que viviam quatrocentas pessoas. O estudo concluiu que (…) “Os setores do trecho (…) na ‘Glorinha’ identificados como de médio risco devem merecer uma atenção (…) do poder público local, através de um monitoramento técnico articulado com a Defesa Civil. O prognóstico de adensamento populacional e o consequente aumento (…) de casas, sem o suporte suficiente de infraestrutura urbana podem potencializar (…) o grau de risco e de degradação da área, necessitando-se neste caso de re-alocação de moradores. (…)”.

Dando sequência nesse mesmo tipo de atividade prática, no ano de 2004, alunos da 5ª fase dos cursos de Engenharia Civil e de Produção Civil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), realizaram um caminhamento [5] no Morro Pantanal, próximo ao Campus Universitário em Florianópolis. Em função do tempo disponível o trabalho de campo foi expedito e a atividade possibilitou o levantamento de somente 4 casas ao longo de uma escadaria no trecho da visitação, não se observando nenhuma casa em risco iminente, com necessidade de providência imediata (remoção dos moradores).
Ressalta-se que além da importância de se estudar as áreas de risco geológico (e que requerem acompanhamento posterior), como foi exposto, digamos que atualmente “tirar” os estudantes de sala de aula para visitas de campo em aterros sanitários e cooperativas de recicláveis seria quase que obrigatório, para possibilitar um contato com esse importante assunto e permitir a observação de técnicas de monitoramento de águas subterrâneas (tanto na parte interna como na parte externa do corpo do aterro sanitário) visando a proteção da qualidade das águas dos reservatórios subterrâneos ou aquíferos.

Em tempo: aqui vale acrescentar que os crimes ambientais que assolam o país que vira e mexe
aparecem nos notíciários dos jornais, como os desmatamentos e os garimpos ilegais, mereceriam, também, fazer parte dos conteúdos de temas a serem abordados, lembrando que, recentemente, a Comissão de Meio Ambiente (CMA) e a Ouvidoria Nacional do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) lançaram um aplicativo [5] para denúncias de crimes ambientais pela população (a denúncia é anônima). E assim, para encerrar, citamos aqui um pensamento do escritor gaúcho Érico Veríssimo que disse: “Eu não devia observar tanto, pensar tanto. Se vivesse mais no ar, era mais feliz. Quando a gente quer olhar tudo, acaba descobrindo o que há de feio no mundo.”

Notas
[1] “Street Geology” artigo de Heraldo Campos de 16/04/2025.
https://cacamedeirosfilho.blogspot.com/2025/04/street-geology.html
[2] “Observando o Vale” artigo de Heraldo Campos de 02/07/1992 publicado no Caderno Folha Vale do Jornal Folha de São Paulo.
[3] Campos, H.C.N.S. Riscos Geológicos: A Experiência de Campo com Alunos de Engenharia Civil da UNESP – Guaratinguetá (SP). In: XXXVII Congresso Brasileiro de Geologia, 1992, São Paulo. Boletins…SBG. São Paulo: SBG, 1992. v. 1. p. 110-111.
[4] Schreck, R.; Saciloto, P.H.B; Campos, H.C.N.S.;. Zoneamento de Áreas de Risco em Morros: A Experiência no Município de Porto Alegre (RS). In: III Seminário – Feira de Ensino, Pesquisa e Extensão da UNISINOS, 1996, São Leopoldo. Resumos…Unisinos. São Leopoldo: Unisinos, 1996, p.325.
[5] Campos, H.C.N.S. Riscos Geológicos: A Experiência de Campo com Estudantes Universitários. In: Simpósio Brasileiro de Desastres Naturais. Florianópolis, 2004. CD ROM. UFSC, DEDC/SC, SNDC/BR e FAPEU. Florianópolis: 2004.
[6] Aplicativo para denunciar crime ambiental pela população, lançado pela Comissão de Meio
Ambiente (CMA) e Ouvidoria Nacional do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), com acesso gratuito.

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  • Heraldo Campos é geólogo (Instituto de Geociências e Ciências Exatas da UNESP, 1976),
    mestre em Geologia Geral e de Aplicação e doutor em Ciências (Instituto de Geociências da
    USP, 1987 e 1993) e pós-doutor em hidrogeologia (Universidad Politécnica de Cataluña e
    Escola de Engenharia de São Carlos da USP, 2000 e 2010).

O passado é uma parada

Juntos em 1972, em Buenos Aires, Leonardo Boff (sentado) e Jorge Bergoglio (futuro Papa Francisco), de pé. Ambos integravam um grupo de palestrantes.

Muito estranho

“Por que o governador Caiado não quer que o governo federal investigue as conexões do crime organizado com a distribuição de combustíveis em Goiás, como faz em todos os outros estados? Deveria estar agradecendo a ação do Ministério da Justiça, para proteger a população do estado, ao invés de se queixar de suposta e inexistente perseguição política. Por sinal, hoje o governo do presidente Lula encaminha oficialmente ao Congresso a PEC da Segurança Pública, que vai fortalecer o combate ao crime em todo o país, sem discriminar nenhum estado”.

Gleisi Hoffman, ministra-chefe das Relações Internacionais e deputada federal

Alckmin: “Não tenho preocupação com Bolsonaro. Gastou 3% do PIB para se reeleger e perdeu”

Vice-presidente defende reeleição de Lula e afirma que indicadores do governo devem melhorar até o próximo ano

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta quarta-feira (23), em entrevista à rádio Itatiaia (MG), que não vê com preocupação a possibilidade de o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disputar as eleições presidenciais de 2026. Alckmin defendeu o desempenho do atual governo e disse acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o nome natural à reeleição.

“Em relação ao ex-presidente, eu não tenho nenhuma preocupação. Ele era o presidente da República, estava no exercício do cargo, gastou 3% do PIB para tentar se reeleger e perdeu a eleição. Imagine fora do governo”, declarou.

Bolsonaro está inelegível até 2030, após condenação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por abuso de poder político durante o encontro com embaixadores, em 2022. Mesmo assim, aliados apostam em uma reviravolta via Congresso Nacional, com a aprovação de um projeto que prevê anistia a envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, o que poderia abrir brecha para seu retorno ao cenário eleitoral.

Para Alckmin, no entanto, o foco deve estar nos resultados do governo atual. O vice-presidente afirmou que os indicadores econômicos e sociais estão em trajetória positiva e que, com mais tempo, essa percepção deve se consolidar na população.

“O candidato natural à presidência é o presidente Lula. O candidato natural à reeleição para uma prefeitura é o prefeito atual, o candidato natural à reeleição para governo é o atual governador. O Brasil melhorou, PIB cresceu, emprego cresceu, massa salarial aumentou, a saúde melhorou, saímos do negacionismo para a promoção do SUS. A educação melhorou, com creches e pré-escolas”, afirmou .

Apesar de evitar falar sobre composição de chapa para 2026, Alckmin demonstrou satisfação com seu papel no atual governo. “É cedo ainda para falar sobre a chapa, mas estou feliz com o que estou fazendo. O presidente, além da vice-presidência, me deu a oportunidade do Ministério da Indústria, e eu gosto de trabalhar”, concluiu.

(Com informações do Brasil 247)

A importância de uma taça

POR GERSON NOGUEIRA

O PSC entra em campo hoje à noite contra o Goiás disposto a conquistar sua quinta Copa Verde, torneio regional pouco valorizado, mas que pode ter um papel importante na caminhada dos bicolores neste começo de temporada. Uma vitória vai além do torneio. Pode representar um grande impulso para recuperação no Campeonato Brasileiro, onde a equipe vai mal.

É a nona decisão com a presença do PSC, recordista absoluto de conquistas na Copa Verde. Desta vez, o favoritismo está com os donos da casa, mesmo que de forma discreta. O Goiás vive um momento ligeiramente melhor, posicionado em 8º lugar na Série B.

Na comparação direta, as equipes se equivalem. O empate no confronto de ida em Belém retratou esse cenário. Goiás e PSC têm projetos semelhantes: renovaram seus elencos e têm investimentos pesados em contratações.

O problema é o rendimento atual dos times. O Goiás vem testando formações, mas conseguiu encontrar o caminho das vitórias sob o comando de Vagner Mancini. O PSC de Luizinho Lopes não vence há cinco jogos, não faz gols há quatro e não tem uma formação definida.

As escalações mudam a cada partida, o que afeta o entrosamento e revela as indecisões do técnico. A cansativa maratona de jogos, um a cada três dias, também não contribui para que o PSC se erga tecnicamente.

A excessiva dependência de Rossi expõe as limitações do elenco. Jogador com mais participações em lances de gol (oito marcados e cinco assistências), o atacante fez muita falta nos jogos contra a Chapecoense (quando ele foi substituído no intervalo) e Operário-PR.

Rossi foi preservado para a final da Copa Verde e é o jogador que carrega as esperanças da torcida. Ao mesmo tempo, é quem arca com a maior responsabilidade pelo desempenho do time. A dupla com Nicolas, que chegou a empolgar no Parazão, não tem se sustentado no Brasileiro.

Para conter a previsível pressão do Goiás, Luizinho deve reforçar o bloqueio no meio-campo. Quintana, lesionado, é a baixa no setor defensivo. Deve ser substituído por Martínez. No meio, há a possibilidade da entrada de Giovanni, ao lado de Leandro Vilela e Mateus Vargas. (Foto: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)

Pedro Rocha: símbolo do novo Leão

Artilheiro do Brasileiro com quatro gols, Pedro Rocha não sinalizava no Parazão a evolução e o aproveitamento que mostra na Série B. Depois de gols perdidos aos montes contra adversários modestos do campeonato estadual, ele se transformou por completo na competição nacional.

Passou da condição de aspirante a um lugar no ataque do Remo para o papel de titular indiscutível, a partir de gols importantes e decisivos. As maiores dúvidas sobre a produção ofensiva do time foram afastadas pela presença decisiva de Pedro Rocha.

Marcou gols em três dos quatro jogos do Remo – contra América-MG, Botafogo-SP e Coritiba. Gols muito bonitos, como o que fez em Ribeirão Preto, tirando a bola do alcance do goleiro. Ou o tiro de cabeça contra o América, no Mangueirão.  

Nenhum, porém, mais vistoso e significativo do que o gol que garantiu a difícil vitória sobre o Coritiba. A pancada certeira fechou uma jogada brilhante, iniciada lá atrás e que envolveu quatro passes perfeitos.

O início de temporada no Brasileiro já é o melhor da carreira de Pedro Rocha, que surgiu no Grêmio e rodou por vários clubes, mas que passa por um momento de retomada e reposicionamento em campo.

Sorte do Remo, que ganhou um artilheiro improvável num elenco que tinha outros candidatos a esse papel.  

Voz que fala e canta para o mundo

A Rádio Clube do Pará chega aos 97 anos, ganhando aplausos merecidos e colhendo os frutos de uma trajetória gloriosa. Há muito tempo deixou de ser uma emissora comum para se tornar definitivamente referência em comunicação. Tornou-se, por assim dizer, fundamental – no estrito significado do termo.

Após quase um século de vida, a capacidade de conectar mundos vai ao infinito – e além. A internet fez o clássico slogan “A Voz que fala e canta para a planície” se tornar quase obsoleto em tempos de irrefreável expansão tecnológica. Cabe refazer a frase: a voz hoje fala para o mundo.

Apesar disso, a PRC-5 continua a ecoar nas minhas memórias auditivas, agora transmitindo em frequência modulada as vozes imortais de Edyr Proença e outros bambas da comunicação radiofônica.

Edyr está sempre presente naqueles que fazem a Clube ser o que é. Nesse sentido, o trio Guerreiro-Castilho-Cláudio simboliza o que mestre Edyr cravou como marcas do radiojornalismo esportivo: verdade, ética e respeito pelo ouvinte.

Parabéns à nossa amada e eterna Rádio Clube.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 23)

Com golaço de Pedro Rocha, Leão vence Coritiba e entra para o G4

O Coritiba foi melhor durante o 1º tempo, mas o Remo foi mais objetivo e abriu o placar nos acréscimos. O gol foi marcado pelo atacante Pedro Rocha, artilheiro da Série B com 4 gols. Na etapa final, o Leão se organizou melhor e equilibrou a partida, resistindo à pressão do Coxa em busca do empate.

A etapa inicial teve forte presença do Coritiba, que tocava a bola em velocidade e levava perigo nas investidas de Lucas Ronier e Felipe Machado. Ronier perdeu duas grandes chances, parando em Marcelo Rangel. Aos 17′, a melhor oportunidade do Coxa: Ronier cruzou rasteiro e Gustavo Coutinho disparou um chute no travessão de Rangel.

O Remo atuava mal, principalmente por não conseguir fazer a conexão entre meio e ataque. Depois que Dodô foi substituído por Pavani, o rendimento da equipe cresceu. Em avanço bem trabalhado pelo lado direito, aos 47′, Janderson avançou até às proximidades da área e cruzou recuado. Pedro Rocha entrou batendo de primeira e mandou no ângulo superior direito. Um golaço. Remo 1 a 0.

Na etapa final, com algumas mudanças no time (Adailton, Madison, Pedro Costa e Pedro Castro), o Remo segurou o ímpeto do Coritiba, defendendo-se bem, mas sem conseguir criar situações claras para ampliar o placar. Marcelo Rangel fez outras duas grandes intervenções, em chutes de Felipe Machado e Sebastian.

A vitória garante ao Remo a quarta colocação no campeonato, com 8 pontos. O próximo jogo será na sexta-feira, contra o Criciúma, em Santa Catarina.

O que acontece após a morte de Francisco?

O papa Francisco, 88, morreu hoje. Os ritos posteriores à morte de um pontífice são regulamentados pela Igreja Católica e cuidadosamente seguidos pelo Vaticano. Uma série de ritos e procedimentos são seguidos. Eles foram estabelecidos na Constituição Apostólica “Universi Dominici Gregis”, estipulada pelo papa João Paulo 2º em 1996. Essas diretrizes regulamentam desde a constatação oficial da morte até a preparação para a eleição do novo pontífice.

Os 12 principais pontos a serem seguidos:

Constatação oficial da morte do papa. O cardeal camerlengo deve atestar o falecimento na presença do mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, dos prelados clérigos da Câmara Apostólica, e do secretário e chanceler da mesma instituição. O chanceler emite então o documento autêntico de óbito, formalizando o registro da morte do pontífice.

Lacração dos aposentos papais. O camerlengo deve selar tanto o escritório quanto o quarto do papa, garantindo que nenhum documento ou objeto pessoal seja retirado antes da devida revisão e catalogação.

Notificação do falecimento. O camerlengo comunica oficialmente o falecimento ao Cardeal Vigário para a Diocese de Roma, que, por sua vez, transmite a notícia ao povo romano. Além disso, o Cardeal Arcipreste da Basílica Vaticana também é informado.

Tomada de posse dos Palácios Apostólicos. O camerlengo assume a custódia e o governo do Palácio Apostólico do Vaticano, bem como dos Palácios de Latrão e de Castel Gandolfo, garantindo sua segurança e administração provisória.

Administração dos bens da Santa Sé. Durante o período de Sé Vacante, o cardeal camerlengo, auxiliado pelos três cardeais-assistentes, é responsável por administrar os bens e os direitos temporais da Santa Sé, sempre submetendo as decisões ao voto do Colégio dos Cardeais.

Organização do funeral e sepultamento. Após consultar os cardeais primeiros das três ordens (bispos, presbíteros e diáconos), o cardeal camerlengo define todos os detalhes do sepultamento do pontífice, exceto se o próprio papa tiver deixado instruções específicas antes de sua morte.

Comunicação oficial global. O decano do Colégio dos Cardeais tem a incumbência de comunicar a morte do papa a todos os cardeais, convocando-os para as Congregações Gerais do Colégio. Além disso, a notícia é enviada ao Corpo Diplomático credenciado junto à Santa Sé e aos líderes das nações.

Celebração do funeral. Durante nove dias consecutivos, os cardeais celebram missas em sufrágio da alma do pontífice, seguindo o “Ordo Exsequiarum Romani Pontificis”, rito litúrgico específico para as cerimônias fúnebres do papa.

Destruição dos símbolos do pontificado. O anel do pescador, usado pelo papa, e o selo de chumbo, utilizado na expedição das cartas apostólicas, devem ser destruídos, simbolizando o encerramento do pontificado.

Restrições de imagem. É estritamente proibido fotografar ou captar imagens do papa doente ou falecido, salvo autorização expressa do cardeal camerlengo.

Preparação para o conclave. Os cardeais devem garantir que a Domus Sanctae Marthae (Casa de Santa Marta) esteja devidamente preparada para hospedar os cardeais eleitores. Paralelamente, a Capela Sistina deve ser organizada para a realização da eleição do novo papa.

Reflexão sobre os desafios da Igreja. Antes do início do conclave, dois eclesiásticos são designados para apresentar meditações sobre os desafios enfrentados pela Igreja e sobre os critérios para a escolha do novo pontífice, auxiliando na reflexão espiritual dos cardeais eleitores.

IGREJA MAIS UNIVERSAL PÓS-CHICO

O papa Francisco promoveu o que muitos vaticanistas e membros da Santa Sé consideram como uma das maiores revoluções na Igreja em décadas. Mas isso não impedirá que a disputa pelo poder, agora, seja intensa.

Seu esforço foi por universalizar a instituição, nomeando bispos e cardeais de regiões distantes de Roma, dando poderes para religiosos de fora da Europa, nomeando santos de países pobres e percorrendo o que ele mesmo chamou de “margens” do mundo.

UM LEGADO DE MISERICÓRDIA

O padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua, lamentou nesta segunda-feira (21) a morte do papa Francisco, aos 88 anos. Em entrevista à GloboNews, ele exaltou o legado de misericórdia e da compaixão deixado pelo pontífice.

“Se nós tivéssemos que dar um título ao Francisco seria: Francisco, o misericordioso. Isso é o que marca o papa Francisco. O amor aos pobres, aos imigrantes, aos refugiados, aos grupos rejeitados, à comunidade LGBT, a pessoas em situação de rua. O papa Francisco é o grande sinal de amor de Deus e do amor misericordioso de Deus. Isso vai ficar para sempre”, declarou.

Lancellotti relembrou ainda o modo simples de viver do papa antes de assumir o pontificado. Jorge Mario Bergoglio, como era conhecido antes de se tornar Francisco, morava em Buenos Aires, na Argentina, e optava por uma vida “junto do povo mais sofrido”.

“Era alguém muito despojado, nunca viveu de honra e de glória, de poder. Sempre viveu de serviço, de proximidade, de despojamento. Francisco é o despojado, o misericordioso, o amigo dos pobres. Nós temos o Francisco de Assis, agora temos o Francisco de Roma”, disse.

Questionado sobre o futuro líder da Igreja Católica, Lancellotti afirmou que “precisamos continuar esse caminho em direção aos pobres, as pessoas, aos doentes, aos moradores de rua, aos despojados”.

“O mundo todo olha para Roma na expectativa de que o espírito do Francisco, iluminado pelo Espírito Santo de Deus e pelo caminho que Jesus nos propôs, seja o caminho do amor”.

UM TELEFONEMA: “CONTINUE ASSIM”

Em um sábado de outubro de 2020, em meio a pandemia de Covid-19, quando o padre Júlio Lancellotti recebeu uma surpresa: um telefonema do papa Francisco. No início da conversa, ele não sabia que falava com o pontífice.

“Eu não sabia que era ele. Na conversa fui percebendo, quando ele disse ‘sou o papa Francisco’, eu disse ‘santidade!’. E ele disse: ‘eu sei tudo o que acontece com você, eu acompanho de perto, por isso liguei e continue assim junto dos pobres’. Por isso hoje, apesar de todo esse impacto da notícia, nós estamos fazendo o que fazemos todos os dias [o trabalho da Pastoral do Povo], é uma homenagem ao papa”, disse.

O papa telefonou para o padre Júlio às 14h15 para saber por quais dificuldades a pastoral passava. Na época, o coordenador da Pastoral do Povo de Rua ainda compartilhou que o pontífice lhe perguntou sobre os moradores de rua do Brasil e pediu que continuasse seu trabalho junto aos pobres.

“[O papa Francisco] Disse que não desanimem, tenham coragem e façam como Jesus fazia. Nós temos que realmente viver esse momento com solidariedade, com atenção aos mais fracos, e isso tem que ser uma tônica pra mudança da estrutura da vida que a gente tem”, afirmou.

Em 2020, o padre Júlio também havia sido ameaçado ao menos duas vezes. Em janeiro, policiais teriam dito a três jovens moradores de rua que “a hora do Padre Julio Lancelotti vai chegar”. Ele também registrou um boletim de ocorrência por ameaça após ter sido xingado por um motoqueiro enquanto fazia trabalho de atendimento a moradores de rua no Centro da cidade.

(Com informações de Folha SP, g1, O Globo, CNN)

Animado, Leão mira no G4

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo pode entrar pela primeira vez no G4 da Série B. Para isso, precisa derrotar o Coritiba no Mangueirão (21h30) e torcer para que o Cuiabá não vença o Atlético-GO. O confronto é daqueles jogos considerados grandes dentro da competição, pois o alviverde paranaense é um dos cotados para brigar pelo acesso.

A campanha azulina respalda a pretensão de chegar às primeiras colocações na tabela. Foram dois empates e uma vitória, com atuações sempre convincentes. Em casa, diante do América-MG, o Remo cumpriu sua melhor apresentação, unindo desempenho e resultado.

Daniel Paulista, apesar do pouco tempo – foram cinco jogos até agora, dois pelo Parazão – de trabalho, mostra ter cada vez mais conhecimento das características de seus jogadores. As escolhas para o time titular têm sido coerentes e isso é refletido em campo.

Contra o Botafogo-SP, na última rodada, a vitória esteve próxima, como na estreia diante da Ferroviária. Dois erros defensivos no início de cada tempo impediram o triunfo. A ausência de Caio Vinícius foi bastante sentida, principalmente pela falta de cobertura à frente da zaga.

Para a partida desta noite, ainda há dúvida sobre a escalação do volante. Caso não possa atuar, a meia-cancha deve ser formada por Pedro Castro, Jaderson e Pavani (ou Luan Martins). É um trio mais construtor do que marcador. O time tende a ficar mais rápido na transição ofensiva.

Janderson, Felipe Vizeu e Pedro Rocha são os homens de frente, desde a primeira rodada. Rocha vive um momento especial, liderando a artilharia (3 gols) do campeonato. É hoje o atacante mais produtivo, atento à movimentação dos companheiros e tomando decisões acertadas.

As laterais seguem com Marcelinho na direita e Alan Rodríguez na esquerda. O paraguaio conquistou definitivamente a titularidade, pelo apoio constante ao ataque e pelos cruzamentos bem encaixados. Marcelinho, em nível ligeiramente inferior, também virou titular na atual formação.

Um confronto naturalmente difícil, contra um adversário que vai exigir do Remo a capacidade de jogar em intensidade e aceleração constante. (Foto: Cléber Varela)

No pior jogo, Papão conquista melhor resultado

Quem ouve as entrevistas de Luizinho Lopes fica com a impressão de que o técnico do PSC enfatiza demais a questão dos deslocamentos como justificativa pela má campanha na Série B. É óbvio que os times nortistas sofrem mais na competição. O mapa do Brasil não vai mudar e, obviamente, as distâncias também não. Por isso, a lógica manda aceitar a realidade e encontrar formas de enfrentar (ou mitigar) o desgaste físico.

O Amazonas vive situação pior, pois a malha aérea é ainda mais desfavorável. O Remo encara o mesmo problema. Os três, em algum momento, vão sofrer as consequências dessa logística, mas reclamar – principalmente no começo da competição – é apenas chover no molhado.

Pior: evidencia falta de planejamento para encarar as dificuldades naturais da competição, devidamente conhecidas por todos que vivem de futebol no Brasil. Se não é possível reduzir distâncias, é necessário investir em elencos fisicamente bem preparados.

Sábado, em Ponta Grossa (PR), o PSC fez sua pior apresentação no campeonato, mas obteve o seu primeiro ponto. Com um time modificado em cinco posições, a ideia era garantir pelo menos o empate. A estratégia, mesmo sujeita a sustos, deu certo. E com a contribuição do Operário, atual campeão paranaense, que teve atuação pavorosa. 

Aos trancos e barrancos, com direito a um incrível chute de Eliel à la Potita, o PSC segurou o empate em 0 a 0, mostrando coerência e pragmatismo: se não consegue marcar gols (não sai do zero há quatro jogos), também não deixou que o adversário marcasse. É uma evolução.

Sem Rossi (lesionado) e com Nicolas na reserva, o PSC esperou mais de 20 minutos para sair de seu campo e ensaiar um tímido ataque. Passou o 1º tempo todo na encolha.

Na etapa final, Luizinho Lopes botou Nicolas, Borasi e Marcelinho no ataque. O Operário, pressionado pela torcida, cruzava bolas para o centroavante Daniel Amorim, que defendeu o PSC em priscas eras.   

Apesar da insistência, foram poucos os lances de perigo criados pelo Fantasma. O empate sem gols foi o placar mais adequado à baixa produção técnica dos times e um bom resultado para o Papão.

O pecado da manipulação ao alcance de todos

Transcrevo comentário de Juca Kfouri a propósito da influência das apostas no escândalo de manipulação que envolve Bruno Henrique, do Flamengo, um dos jogadores mais bem pagos do país (R$ 1,7 milhão por mês). Para ele, um problema previsível.

“Inevitável acontecer neste Brasileirão Betano, disputado pelo Atlético-MG H2 Bet, Bahia Viva Sorte Bet, Botafogo VBet, Ceará Esportes da Sorte, Corinthians Esportes da Sorte, Cruzeiro Betfair, Flamengo PixBet, Fluminense SuperBet, Fortaleza Cassino, Grêmio Alfabet, Inter Alfa, Juventude Stake.com, Palmeiras Sportingbet, Santos Blaze, S. Paulo Superbet, Sport Betnacional, Vasco Betfair e Vitória 7kBet.

Só Bragantino e Mirassol escapam de casas de apostas como patrocinadores master, embora contem com o apoio secundário da Betfast e 7kBet, respectivamente”. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 21)