Os 9 times das Séries A, B, C e D que se manifestaram no aniversário do golpe militar

Seis times da Série A, um da Série B, um da Série C e um da Série D se posicionaram pela democracia no aniversário de 61 anos do golpe militar que iniciou a ditadura no Brasilda Região Norte, o Remo foi o único clube a se manifestar

Por Rafael Cyrne – No Ataque

Foto de Evandro Teixeira (JB) de repressão policial contra estudante no dia 21 de junho de 1968, escolhida pelo Sousa, único time da Série D que se manifestou.

No dia 1º de abril de 2025 marcou o aniversário de 61 anos de uma das maiores manchas da história do Brasil: o golpe militar de 1964, que depôs o presidente João Goulart e deu início à longa e truculenta Ditadura Empresarial-Militar. No entanto, a grande maioria dos clubes de futebol do país – instituições que são polo da identidade cultural e social brasileira – escolheu ignorar a data. Apenas nove times das Séries A, B, C e D se manifestaram.

A maior parte das equipes que se posicionaram é da Série A do Campeonato Brasileiro. Foram seis: Vasco, Botafogo, Bahia, Corinthians, Sport e Internacional. Embora baixo, o número é maior do que o do ano passado, quando apenas quatro se lembraram da data.

As três outras divisões têm cada uma um representante. Na Série B, o Remo; na Série C, o Náutico e, na Série D, o Sousa-PB. Veja, abaixo, como cada clube se manifestou.

VASCO DA GAMA

O clube carioca se manifestou ainda no dia 31 de março – data que divide com o dia 1º de abril o posto de “aniversário” do golpe, pois o movimento para a retirada de João Goulart do poder teria começado no dia 31 e acabado no dia 1º do mês seguinte.O Vasco fez um post com a cruz de malta e o lema “Ditadura nunca mais”. Na legenda, escreveu: 31 de Março. Lembrar para não se repetir. #DemocraciaSempre”.

BAHIA

O clube baiano destacou estrofe da música “Para não dizer que não falei das flores”, música lançada em 1968 que foi um dos ícones da resistência contra a Ditadura.

“Os amores na frente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinanro uma nova lição”

Na legenda, o Bahia escreveu: “Democracia! #NuncaMais”.

BOTAFOGO

O Botafogo fez post destacando o mesmo lema do rival Vasco: “Ditadura nunca mais”. Abaixo, ainda havia os dizeres: 61 anos do Golpe de Estado no Brasil e, ao fundo do letreiro, imagens de jornais na época da Ditadura. Na legenda, o alvinegro escreveu: “Pela Democracia!”.

CORINTHIANS

O Corinthians foi, talvez, o clube brasileiro mais ativo na resistência à Ditadura. Lá, na década de 1980, grupo de jogadores encabeçados pelo meia Sócrates, grande ídolo do time alvinegro, iniciaram o movimento “Democracia Corinthiana”, que criou uma espécia de “autogestão” do time e promoveu diversos atos pelo fim do regime militar.

O clube escolheu destacar justamente isso no dia 1º de Abril, publicando foto de braço erguido com punho cerrado e tatuagem de Sócrates. O meia fazia esse movimento com o braço para comemorar seus gols como um símbolo da luta contra a Ditadura. A imagem veio com os seguintes dizeres: ganhar ou perder, mas sempre com democracia.

Na legenda, o Corinthians escreveu: “A Democracia Corinthiana é um dos capítulos mais poderosos da nossa história. E é por isso que fazemos questão de lembrar: memória é resistência. Hoje, relembramos os dias 31 de março e 1º de abril de 1964 — quando um Golpe de Estado deu início à Ditadura Militar no Brasil. Ditadura nunca mais. Democracia, sempre”.

SPORT

O clube pernambucano também publicou arte com o lema “Ditadura nunca mais”, além dos seguintes dizeres: “Para que nunca se esqueça, para que nunca se repita”.

INTERNACIONAL

Além do slogan “Ditadura nunca mais” estilizado em arte com o estádio Beira-Rio ao fundo, o Inter escreveu na legenda do post nas redes sociais: “Há 61 anos, o Brasil vivia um período sombrio de sua história. Em memória às vítimas e em respeito à liberdade, o Clube do Povo reitera o seu compromisso com a democracia e os direitos humanos: ditadura nunca mais!”.

CLUBE DO REMO

O Remo também destacou o slogan “Ditadura nunca mais”, além da frase: “Em memória às vítimas e em defesa da democracia!”. Na legenda do post, o clube paraense escreveu: Lembrar para nunca esquecer, para nunca se repetir”.

NÁUTICO

Único representante da Série C na lista, o clube pernambucano publicou foto de protesto, em que há destaque para faixa com a frase: “Abaixo a Ditadura. Povo no poder”. À frente da imagem, o Náutico colocou outra frase: “Não há futebol sem torcida, nem país justo sem democracia. #DitaduraNuncaMais” e, na legenda, escreveu: “Pela democracia e pela liberdade”.

SOUSA-PB

O Sousa escolheu publicou famosa foto de um evento específico da Ditadura, em que dois policiais correm atrás e derrumam um estudante que protestva contra o regime: “No dia 21 de Junho de 1968 estudantes foram às ruas protestar contra ditadura militar naquela que ficou conhecida como a “sexta feira sangrenta”, apenas um episódio entre tantos outros desse período nefasto! Que não se repita nunca mais! Democracia sempre”.

Pouco tempo para treinar e “jogo atrás de jogo”: as queixas de autor do gol do Papão

A sequência de jogos do PSC neste começo de temporada foi um ponto destacado pelo volante Leandro Vilela para justificar a derrota na estreia diante do Atlético-PR, na noite de sexta-feira (4), no estádio Mangueirão. “Jogo atrás de jogo”, reclamou o autor do único gol dos bicolores na partida. Ele se referia ao fato de que o Papão teve pouco tempo para se preparar, pois jogou contra o Águia na terça-feira pela semifinal do Campeonato Paraense.

Vilela observou ainda que o Furacão é um time qualificado, postulante ao acesso. “É o nível da Série B. A gente pegou uma equipe muito qualificada, postulante ao acesso junto com a gente, que teve mais tempo para trabalhar. A gente vem de jogo atrás de jogo, bate o cansaço, vínhamos de sequência de 10 jogos sem perder, mas não podemos desanimar”, disse.

Contra o Atlético, o PSC perdeu uma invencibilidade de nove partidas sob o comando do técnico Luizinho Lopes. Na quarta-feira, 9, o Papão volta a campo para disputar a primeira partida da decisão da Copa Verde contra o Goiás, no Mangueirão.

(Foto: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)

Os melhores momentos do jogo na voz de Claudio Guimarães, narrador da Rádio Clube do Pará.

Um choque de realidade

POR GERSON NOGUEIRA

O que mais se temia em relação à Série B era a diferença de nível técnico entre os representantes paraenses e os clubes mais tradicionais dentro da competição. Egresso da Série A e com estrutura de 1ª Divisão, o Atlético-PR é um dos times cotados para conquistar o acesso e a partida realizada no Mangueirão evidenciou a superioridade técnica do time.

A vitória obtida sobre o PSC confirmou o favoritismo atribuído ao Furacão. Dirigido por Maurício Barbieri, o rubro-negro paranaense foi dominante no 1º tempo e abriu o placar com bonito gol de Zapelli, em falha da defensiva alviceleste. Quase ao final, um cochilo de marcação permitiu ao Papão empatar, através do volante Leandro Vilela.  

Na segunda etapa, o equilíbrio prevaleceu, embora o Papão tenha se entusiasmado e conseguido competir melhor. Na reta final, o Furacão voltou a tomar a dianteira no placar, com Renan Peixoto tocando para o fundo das redes após rebote de Matheus Nogueira.

O importante é observar que a derrota está dentro do esperado. O PSC teve dificuldades sérias, embora previsíveis. O Atlético se posicionou num sistema que fechava bem o meio e liberava os atacantes para explorar as pontas, com Alan Kardec centralizado.

Apesar do forte domínio inicial, o Atlético errava nas finalizações e nas tentativas de jogo aéreo com Kardec. Aos 32′, em ação rápida pela direita, Velasco cruzou na área e Bryan Borges dominou mal. A bola sobrou para o meia Zapelli, que disparou uma bomba indefensável.

A superioridade do Furacão continuou e os problemas do Papão na marcação se acentuaram. Surpreendentemente, o empate veio no primeiro chute do ataque paraense, aos 41′. Contragolpe puxado por Marlon forçou rebote da zaga e Vilela bateu de chapa para igualar o placar.

Depois do intervalo, em cobrança de falta, Rossi fez o goleiro Mycael desviar com a ponta dos dedos. Em seguida, inversão de bola do próprio Rossi deixou Jorge Benitez na cara do gol. O atacante, que substituiu Nicolas, tentou encobrir o goleiro, mas a bola saiu à esquerda da trave.

A luta no meio se tornou mais intensa, com muitos passes tortos e pouco capricho nas ações de ataque. Aos 26’, em nova falha de Bryan, o Atlético atacou pela esquerda e a bola chegou a Felipinho, que chutou forte. Matheus espalmou nos pés de Renan Peixoto, que só tocou para as redes.

Ainda havia tempo para buscar o empate, mas o PSC se perdeu na afobação e nos erros de posicionamento, facilitando o trabalho defensivo do Furacão. Vitória justa do visitante e todos os alertas ligados no Papão. (Foto: Mauro Ângelo/DIÁRIO)

Bola na Torre

Giuseppe Tommaso comanda a atração, a partir das 23h, na RBATV. Participação de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Em debate, as estreias de PSC e Remo no Brasileiro da Série B. A edição é de Lino Machado.

Um teste de fogo para o novo Leão

Enfrentar a Ferroviária de Araraquara, no interior paulista, é uma prova de fogo para o novo Remo formatado por Daniel Paulista. É apenas a terceira apresentação do time desde a chegada do treinador. As mudanças na maneira de atuar já foram exibidas nas partidas contra o Santa Rosa e a Tuna, pelo Parazão.

Apesar das vitórias, a performance não convenceu a torcida, que continua desconfiada. Contra um adversário que disputa a Série A2 do Paulistão, o Remo terá que se desdobrar para evitar um tropeço logo na estreia na Série B.

Daniel Paulista já deixou claro que é adepto da cautela. Portanto, a torcida não deve esperar arroubos de audácia. O Remo será, acima de tudo, pragmático. Foi assim que o time se apresentou nos dois primeiros jogos.

A volta da linha de quatro zagueiros, com um volante de proteção (Caio Vinícius), simboliza bem a proposta de Daniel: evitar riscos e fazer um jogo de contra-ataque. Nesse sentido, Janderson pode ter um papel estratégico.

Rápido e bom finalizador, ele tem sido a válvula de escape pela direita, compondo o ataque com Ytalo (ou Felipe Vizeu) e Pedro Rocha, posicionado pela esquerda. Na meia-cancha, Dodô e Jaderson dividem a tarefa de municiar o ataque. Dodô, mais lento e dispersivo, pode perder lugar para Pavani, que era titular até a saída de Rodrigo Santana.

Peripécias da CBF ainda espantam pelo exagero

Reportagem da revista Piauí expõe as libertinagens financeiras da CBF na gestão de Ednaldo Rodrigues. A principal delas é o generoso aumento de 200% concedido aos presidentes de federações estaduais, cujo “mensalinho” saltou de R$ 50 mil para R$ 215 mil nos últimos anos.

A matéria detalha os bastidores da gestão, com o registro de gastos milionários, agrados individuais a dirigentes e alguns cortes orçamentários. O aumento no dinheiro liberado para os dirigentes ajuda a explicar a unanimidade obtida por Ednaldo na recente eleição da entidade. 

(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 05/06)