FPF suspende o Parazão, após decisão do TJD e pedido de sete clubes

A novela da paralisação do Campeonato Paraense ganhou um novo capítulo no final da manhã desta sexta-feira, 7. A competição está suspensa até julgamento definitivo da situação dos clubes punidos por irregularidades pelo Tribunal de Justiça Desportiva. A decisão do TJD foi comunicada oficialmente à FPF e, diante disso, a rodada das quartas de final que iria acontecer neste fim de semana foi cancelada.

O presidente da FPF, Ricardo Gluck Paul, após receber os acórdãos das decisões, anunciou nesta sexta-feira (7) a suspensão temporária do Campeonato Paraense. Ele explicou que a medida se baseou em análise jurídica detalhada e em acolhimento a um documento assinado por sete dos 12 clubes participantes, solicitando a interrupção do torneio. Os clubes subscritores do pedido de paralisação são: Cametá, Castanhal, Águia, Independente, São Francisco, Santa Rosa e Caeté.

A informação foi divulgada com exclusividade por Guilherme Guerreiro durante o programa “Cube na Bola”, da Rádio Clube do Pará.

Com essa decisão, os jogos das quartas de final, que estavam programados para este fim de semana, estão adiados, incluindo a partida desta sexta-feira (7), às 20h, que seria disputado entre Clube do Remo e Santa Rosa. A competição será retomada somente após o julgamento do mérito pelo Pleno do Tribunal de Justiça Desportiva.

Os problemas surgiram na quinta-feira, 6, com o julgamento e condenação de Capitão Poço e Tuna, por descumprimento do regulamento do campeonato. Capitão Poço escalou o atleta Daniel (que tem menos de 20 anos e não possui contrato profissional) e acabou recebendo a pena mais rigorosa: 18 pontos perdidos e multa de R$ 30 mil.

A Tuna, por ter relacionado o atleta Henrico, mesmo sem utilização em jogos do Parazão, também foi condenada e perdeu 7 pontos, mais R$ 10 mil de multa. Remo e Bragantino estão na mesma situação da Tuna e serão julgados pela mesma 3ª Comissão Disciplinar do TJD que puniu Capitão Poço e Tuna.

Ontem, após o julgamento, a FPF se manifestou inicialmente suspendendo a competição, mas no final da noite comunicou a realização da rodada das quartas de final, argumentando que não havia recebido notificação oficial sobre a decisão do TJD. Na final da manhã desta sexta-feira, após a recusa do tribunal em conceder efeito suspensivo, a FPF decidiu paralisar o Parazão.

Vítimas de racismo no Paraguai, jogadores sub-20 do Palmeiras se revoltam e denunciam crime

O Palmeiras venceu o Cerro Porteño por 3 a 0 nesta quinta-feira (6), no estádio Gunther Vogel, na província de San Lorenzo, no Paraguai, pela Libertadores Sub-20. Durante a partida, um torcedor do clube paraguaio cuspiu e fez gestos racistas em direção aos jogadores brasileiros.

Aos 32 minutos, após o terceiro gol, quando o palmeirense Figueiredo foi substituído, um torcedor do Cerro Porteño, com uma criança no colo, foi flagrado fazendo gestos racistas em direção aos jogadores brasileiros. O jovem Luighi alertou a arbitragem e, aos prantos, precisou ser amparado pelos colegas no banco de reservas.

A transmissão da partida é feita diretamente pela Conmebol TV, que não repetiu o flagrante. O árbitro ativou o protocolo de racismo no momento, mas a partida prosseguiu normalmente após Luighi se encaminhar ao banco de reservas.

Após a partida, Luighi foi escolhido para a entrevista pós-jogo. O atacante de 18 anos, ao ser questionado sobre o jogo, demonstrou indignação e surpresa ao perceber que o caso de racismo não seria abordado.

“É sério? Vão deixar passar isso? O que fizeram comigo foi um crime, você não vai perguntar isso? Você não vai perguntar sobre o jogo mesmo? A Conmebol vai fazer o que sobre isso, CBF sei lá? Você não vai perguntar sobre isso? Você não ia, né? Foi um crime comigo, a gente é formação, aqui é formação, a gente tá aprendendo aqui”, disse o jogador chorando à transmissão oficial.

NOTA DE REPÚDIO

A Conmebol ainda não se manifestou oficialmente até o momento em que essa notícia foi publicada. O Palmeiras já comunicou que irá se pronunciar oficialmente em breve e pode tomar providências. Nas redes sociais, o Palmeiras disparou um comunicado pedindo punição ao criminoso envolvido.

“É inadmissível que, mais uma vez, um clube brasileiro tenha de lamentar um ato criminoso de racismo ocorrido em jogos válidos por competições da CONMEBOL. A Sociedade Esportiva Palmeiras presta toda solidariedade aos atletas do clube que estão disputando a Libertadores Sub-20 no Paraguai e comunica que irá até as últimas instâncias para que todos os envolvidos em mais esse episódio repugnante de discriminação sejam devidamente punidos.

Racismo é crime! E a impunidade é cúmplice dos covardes! As suas lágrimas, Luighi, são nossas! A Família Palmeiras tem orgulho de você!

Nas redes sociais, jogadores do Palmeiras como Marcos Rocha, Weverton e Piquerez se manifestaram em solidariedade ao atleta.

MINISTÉRIO SE MANIFESTA

Em nota oficial, o O Ministério do Esporte manifestou “indignação e repúdio aos atos de racismo sofridos pelos jogadores do Palmeiras Sub-20, em especial o atleta Luighi, durante a partida contra o Cerro Porteño pela Copa Libertadores Sub-20, realizada nesta quinta-feira (6), no Paraguai. Reiteramos que o racismo é crime e não será tolerado em hipótese alguma. Este Ministério exigirá, junto à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), uma investigação rigorosa do ocorrido e a aplicação das sanções cabíveis aos responsáveis, conforme as normas vigentes. É imperativo que as leis sejam cumpridas com rigor para coibir e erradicar qualquer manifestação discriminatória no esporte”. 

Finaliza, solidarizando-se com “os atletas afetados e com toda a comunidade esportiva brasileira, reafirmando nosso compromisso inabalável na luta contra o racismo e na promoção de um ambiente esportivo justo, inclusivo e respeitoso para todos”.

Parazão prossegue, sob risco

POR GERSON NOGUEIRA

O Tribunal de Justiça Desportiva, através da 3ª Comissão Disciplinar, puniu ontem Capitão Poço e Tuna por irregularidades em partidas do Campeonato Paraense. Com a mudança na pontuação dos times, a rodada das quartas de final, programada para este fim de semana, chegou a ser inicialmente suspensa pela Federação Paraense de Futebol. Mas, quando o Parazão corria o risco de mergulhar nas velhas lambanças que marcaram temporadas anteriores, eis que o bom senso prevaleceu.

A FPF emitiu nota, às 22h30, informando que não tinha sido comunicada oficialmente sobre a decisão do TJD e que iria “aguardar o inteiro teor do julgamento para avaliar seus impactos e adotar as medidas cabíveis”. Acrescentou que “até que haja a devida notificação e análise da decisão, a tabela do Campeonato Paraense segue mantida”.

Com isso, preservou o campeonato de uma paralisação que iria feri-lo de morte, com consequências imprevisíveis junto ao público torcedor. Evitou-se o pior cenário: a eventual suspensão dos jogos iria contribuir para incertezas e criar sérios problemas de calendário, com a possível superposição de datas com o Brasileiro da Série B.  

O julgamento no TJD resultou na condenação de Capitão Poço, que recebeu como punição a perda de 18 pontos por ter escalado em seis jogos o atleta Daniel, que não poderia atuar por ser menor de 20 anos e não ter vínculo profissional com o clube, o que descumpre o regulamento do Campeonato Estadual. De quebra, foi multado em R$ 30 mil.

Rebaixado automaticamente à Segunda Divisão, com saldo negativo de 7 pontos, Capitão Poço juntou-se ao Caeté, que era o lanterna da competição com 3 pontos e já havia sido rebaixado. Apesar disso, Capitão Poço foi mantido como adversário do PSC nas quartas de final.

A Tuna perdeu 7 pontos por relacionar (sem escalar) o atleta Henrico, levando multa de R$ 10 mil. Como conquistou 11 pontos, a Lusa ficaria com 4, livrando-se do rebaixamento.   

São decisões em primeira instância – e, portanto, passíveis de recurso. O julgamento de ontem foi provocado por denúncia contra Capitão Poço e Tuna, movida por Caeté e Independente, ambos rebaixados.

Pela nova ordem de classificação, os confrontos das quartas ficariam assim: Remo x São Francisco, Paysandu x Cametá, Bragantino x Santa Rosa e Castanhal x Águia. Isso poderia mudar se Remo e Bragantino também fossem punidos – a Procuradoria da 1ª Comissão Disciplinar do TJD entrou com ação contra os dois clubes por supostas irregularidades.  

Por outro lado, o entendimento de juristas é de que a irregularidade só é tipificada em caso de escalação de atleta menor de 20 anos e sem contrato profissional. Por essa interpretação, a punição da Tuna pode vir a ser anulada, e apenas a condenação do Capitão Poço seria mantida.

Sempre há, porém, a possibilidade de que no STJD a decisão regional seja invalidada. Basta lembrar o caso Yuri Ferraz, do Caxias, que atuou irregularmente na Série C 2024, mas o processo não prosperou, mesmo tendo sido comprovada a ilegalidade.

O certo é que a arenga judicial quase quebrou o clima das torcidas para as quartas de final. Caso não surja nenhum fato novo, o Remo enfrenta o Santa Rosa, hoje, às 20h, no Mangueirão; e o PSC joga amanhã (8) com o Capitão Poço, às 18h, no Mangueirão. Castanhal x Tuna e Bragantino x Águia se enfrentam no domingo, 9.

Neymar: a “novidade” que todo mundo já esperava

Até mesmo quando ensaia algum tipo de surpresa com a convocação para a Seleção, o técnico Dorival Júnior não consegue ir além do mais do mesmo. A grande “novidade” agora é Neymar, que vem atuando pelo Santos no Campeonato Paulista. Até os paralelepípedos em torno da Vila Belmiro sabiam que o jogador seria chamado.

Além do fato óbvio de que ainda é o mais respeitado jogador brasileiro em atividade, Neymar parece focado em jogar bola, disposto a voltar à forma que o consagrou no mundo. Quase um ano e meio distante do escrete, a meta do camisa 10, exposta em todas as entrevistas desde que voltou ao Brasil, é jogar sua quarta Copa, em 2026.

Um aspecto precisa ser considerado em relação a Neymar: as seguidas demonstrações públicas de humildade, como se o astro tivesse finalmente se dado conta da enorme rejeição que o cerca, após as temporadas dedicadas à curtição em baladas e cruzeiros. Precisa provar que ainda pode jogar a sério e que não é um craque ilusório forjado no mundo virtual.  

Para enfrentar Colômbia (dia 20, em Brasília) e Argentina (dia 25, em Buenos Aires), Dorival fez questão de convocar as figuras carimbadas de sempre, incluindo alguns muito questionados, como Danilo (Flamengo), João Pedro (Brighton), Bruno Guimarães e Joelinton (Newcastle). Todos já passaram pelo escrete e não deixaram boas lembranças.

Unânime é a aprovação a Raphinha, Vinícius Jr. e Rodrygo, atacantes que vivem momento excepcional no futebol espanhol. No gol, Alisson voltou a ser festejado depois da sensacional partida pelo Liverpool contra o PSG, na Liga dos Campeões.

Entre os novatos, os flamenguistas Léo Ortiz e Wesley, duas apostas com pinta de média com a torcida rubro-negra. Wesley até fez bons jogos recentemente, mas Ortiz é um beque pouco mais que mediano.

Os confrontos são importantes. O Brasil de Dorival Júnior precisa conquistar pelo menos quatro pontos nas duas partidas. Em quinto lugar na tabela das Eliminatórias, com 18 pontos, a Seleção não pode se distanciar da líder Argentina (25). 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 07)

FPF mantém jogos do Parazão, apesar da punição imposta pelo TJD a Capitão Poço e Tuna

O Parazão esteve ameaçado de suspensão, entre 19h e 22h30 desta quinta-feira (6), após o Tribunal de Justiça Desportiva do Pará (TJD) ter condenado o Capitão Poço com a perda de 18 pontos e uma multa de R$ 30 mil, causando o rebaixamento da equipe interiorana. Em outro julgamento, a Tuna foi condenada à perda de 7 pontos (R$ 10 mil de multa) e caiu na classificação da primeira fase da competição.

Caeté e Independente-PA, rebaixados para Série B1 do Paraense, são os responsáveis pela ação. As equipes denunciadas, Capitão Poço e Tuna, teriam escalado atletas abaixo de 20 anos e sem contrato profissional para disputar as partidas do Parazão, o que viola o regulamento.

A FPF se manifestou em nota oficial, por volta das 22h30, informando que ainda não tinha sido comunicada oficialmente sobre a punição aos clubes e que iria “aguardar o inteiro teor do julgamento para avaliar seus impactos e adotar as medidas cabíveis”. Acrescenta que “até que haja a devida notificação e análise da decisão, a tabela do Campeonato Paraense segue mantida”.

Desse modo, o jogo Remo x Santa Rosa, marcando para esta sexta-feira (6), às 20h, está confirmado para o estádio do Mangueirão, bem como os demais jogos das quartas de final.

A decisão do tribunal foi em primeira instância e ainda cabe recurso ao pleno do TJD. Com a punição sofrida por Capitão Poço, o principal beneficiado é o Independente, que escapa do rebaixamento.

A frase do dia

“Chamar Walter Salles de ‘psicopata cínico’ por mostrar no filme ganhador do Oscar ‘uma ditadura inexistente’ não sei se é escrotidão, torpeza, canalhice, maldade, ou tudo isso misturado. Só tenho certeza que vem de gente podre, abjeta e covarde”.

José Trajano, jornalista

Os números da primeira fase

POR GERSON NOGUEIRA

Com o final da fase classificatória do Parazão 2025, oito times estão classificados para os jogos das quartas de final, que começam amanhã, com o confronto Remo x Santa Rosa, no Mangueirão. As demais partidas serão no sábado e no domingo: Paysandu x Capitão Poço, Bragantino x Águia de Marabá e Castanhal x Tuna.

O encerramento da primeira fase permite também observar times e jogadores que se sobressaíram nas oito rodadas iniciais. Apesar da derrota para o Cametá na última rodada, o Remo se mantém em primeiro lugar – pela quantidade de gols marcados, 17 – com 17 pontos.

A maior goleada do campeonato (5 a 0) foi obtida pelos azulinos no confronto com o S. Francisco, logo na estreia. Dentre os atacantes do Leão, o maior destaque é Adailton, com quatro gols. Apesar das boas atuações, Adailton não é titular no time de Rodrigo Santana.

Goleador do Parazão 2024, com 11 gols, Nicolas também está na ponta da tabela deste ano, com cinco gols, embora as atuações tenham sido pouco brilhantes. Com média de 0,63 gols por partida, o camisa 11 é seguido por Adailton (Remo) e Peu (S. Francisco, eliminado), ambos com quatro gols.

Quanto ao papel importantíssimo de organização, função pouco destacada nos favoritos Remo e PSC, os melhores números cabem a Leleu (Cametá) e Germano (Águia). O armador do Azulão já tinha se destacado no ano passado, quando defendia a Tuna. Nesta temporada, ele é autor de quatro assistências, mesma marca de Leleu.

Curiosamente, os dois não conseguiram conduzir seus times a campanhas grandiosas – o Águia terminou em 6º lugar e o Cametá já está eliminado. Outro expoente do setor de meio-campo é o habilidoso Edicleber, do Bragantino.

Sem protagonistas e com times que precisam de mais afinação, a seleção da 1ª fase ficou assim: Marcelo Rangel (CR); Kadu (CR), Diego Macedo (Santa Rosa), Klaus (CR) e Hércules (Bragantino); Matheus Vargas (PSC), Jaderson (CR) e Edicleber (Bragantino); Borasi (PSC), Adailton (CR) e Rossi (PSC). Técnico: Robson Melo (Bragantino).

Fenômeno abre vantagem nas arquibancadas

A participação das duas maiores torcidas do Estado nos jogos do Parazão não foi acachapante como se esperava. A do Remo foi mais presente, embora com presença expressiva apenas em duas rodadas, a primeira e a sétima (do clássico Re-Pa). A Fiel Bicolor ficou devendo, recebendo críticas do próprio presidente do clube, Roger Aguilera.    

O fato é que, dos cinco maiores públicos da competição, quatro incluíram a participação da torcida azulina. A maior platéia (39.836 pagantes) ficou com o Re-Pa, da 7ª rodada. O segundo público foi o da abertura do campeonato, entre Remo 5 x 0 São Francisco: 22.017 pagantes.

O terceiro jogo de maior público foi Remo 2 x 2 Capitão Poço, na 4ª rodada, com público de 8.512 pagantes. Em seguida, Remo 1 x 0 Santa Rosa (6ª rodada) teve 6.590 pagantes. O 5º maior público ficou com a partida Paysandu 4 x 1 Capitão Poço (1ª rodada), com 6.664 pagantes.

Os preços estabelecidos para os jogos de Remo e PSC, R$ 50,00 (arquibancadas) e R$ 160,00 (cadeiras), também podem ter contribuído para refrear o ímpeto dos torcedores, principalmente num período do ano repleto de outras atrações, como o Carnaval.

Fifa abre o cofre para o Mundial de Clubes

Causou grande impacto ontem (5) o anúncio da premiação aos participantes do Mundial de Clubes. A Fifa vai distribuir US$ 1,1 bilhão (R$ 6,33 bilhões) aos times. Uma parte irá para equipes que nem estarão no torneio. A informação foi dada depois do Conselho técnico da entidade.

A fortuna mobilizada para o torneio está assegurada no orçamento da Fifa, aprovado na reunião. Botafogo, Flamengo, Fluminense e Palmeiras representam o Brasil na competição, que será disputada de 14 de junho a 14 de julho, nos EUA. Todo o dinheiro a ser arrecadado será reaplicado no próprio torneio, tanto na organização quanto na premiação.

O Mundial faturou US$ 2 bilhões, sendo US$ 1,5 bilhão na comercialização dos direitos de transmissão e marketing, e US$ 500 mil em ingressos e pacotes de hospedagem. Desse total, US$ 900 mil são apontados como custos do evento. O restante ficará com os clubes.

Para surpresa de muitos, a Fifa abandonou a habitual sovinice e avisou que premiará não apenas os 32 participantes do Mundial: vai distribuir ajuda, a título de solidariedade, para clubes que não se classificaram para a disputa. A intenção é minimizar as possíveis distorções nos continentes com o dinheiro extra a ser distribuído no torneio.

Mas, segundo a BBC, a Associação de Clubes Europeus está perto de fechar um acordo com a Fifa para garantir uma fatia maior de premiação para os seus clubes.

O Independent detalhou o pagamento aos participantes do Mundial da seguinte forma: US$ 575 milhões pela participação (em valor que varia de acordo com a confederação) e US$ 465 milhões por performance.

Segundo Gianni Infantino, presidente da Fifa, o Mundial vai passar à história como o ápice da excelência no futebol de clubes e como “demonstração viva de solidariedade” em benefício dos clubes. A conferir. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 06)

Além do Oscar: ‘Ainda Estou Aqui’ pode afetar Lei da Anistia, levando 18 ações a julgamento

Pelo menos 18 ações podem ser destravadas após discussão no STF que citou Ainda Estou Aqui, incluindo caso Rubens Paiva

Por Marcelo Oliveira – Agência Pública

O legado do filme “Ainda Estou Aqui” pode ser muito maior que as três estatuetas inéditas que a película pode garantir ao cinema brasileiro no Oscar neste domingo (2). O filme provocou ampla discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) e a Corte decidirá se a Lei da Anistia se aplica a casos de desaparecimento de vítimas da ditadura civil-militar brasileira (1964-1985). Um levantamento da Agência Pública mostra que das 56 ações criminais divulgadas pelo Ministério Público Federal (MPF) entre 2012 e 2024, 18 seriam destravadas, caso a Corte decida afastar a Lei de Anistia nestes casos.

No último dia 24 de fevereiro, o STF, por unanimidade, decidiu que vai analisar se a Lei de Anistia se aplica a casos de desaparecimento, mas ainda não há data para o julgamento. O STF analisou recursos do MPF, que tramitam na corte sobre as ações penais envolvendo os desaparecimentos de Rubens Paiva e Mario Alves e o assassinato de Helber José Gomes Goulart, cujo corpo ficou desaparecido por 19 anos. A Corte seguiu o relatório do ministro Alexandre de Moraes e entendeu que cabe a repercussão geral do assunto, ou seja, o que o STF vier a decidir vai se aplicar a casos semelhantes que tramitam na Justiça e que estão travados por diferentes motivos.

Ganhador de prêmios internacionais, o filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, conta como Eunice Paiva (viúva de Rubens Paiva, interpretada por Fernanda Torres) liderou a família em meio ao luto e se transformou em uma advogada respeitada na luta por direitos humanos no Brasil, e é baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, filho do deputado cassado que foi morto sob tortura em janeiro de 1971. O corpo do político jamais foi encontrado. 

POR QUE ISSO IMPORTA?

  • Popularidade do filme indicado ao Oscar jogou nova luz sobre a ditadura e, em um período em que a cessão de anistia volta a ser uma pauta, o Brasil ganha nova chance de responsabilizar e punir autores de crimes até então impunes, reforçar a importância da defesa da democracia e prestar respeito a familiares e vítimas do regime militar.

Entre 2012 e 2024, o MPF ajuizou ao menos 56 ações penais contra ex-agentes da repressão da ditadura. A instituição entende que a Lei de Anistia não se aplica para beneficiar os autores de violações de direitos humanos no período da ditadura militar brasileira, marcado por ataque sistemático a uma parcela da população que, com ou sem armas, se opunha ao regime. Os crimes praticados neste contexto seriam contra a humanidade e não prescreveriam, cabendo às autoridades brasileiras processá-los e julgá-los. 

A prescrição é o limite de tempo previsto no artigo 189 do Código Civil que define até quando uma ação judicial pode ser movida para que um direito seja assegurado – vale desde cobranças até para a punição por crimes.

Em dezembro, ao analisar um recurso em uma ação sobre um caso de ocultação de cadáver de uma vítima da campanha militar das Forças Armadas contra a Guerrilha do Araguaia na ditadura, o ministro do STF Flávio Dino citou o filme ao decidir que o tema era de repercussão geral.  

“No momento presente, o filme ‘Ainda Estou Aqui’ tem comovido milhões de brasileiros e estrangeiros. A história do desaparecimento de Rubens Paiva, cujo corpo jamais foi encontrado e sepultado, sublinha a dor imprescritível de milhares de pais, mães, irmãos, filhos, sobrinhos, netos, que nunca tiveram atendidos seus direitos quanto aos familiares desaparecidos. Nunca puderam velá-los e sepultá-los, apesar de buscas obstinadas como a de Zuzu Angel à procura do seu filho”, afirmou. 

O Tribunal Regional Federal da 3ª Região já decidiu afastar a Lei da Anistia para casos de desaparecimento ao julgar recurso sobre o desaparecido Carlos Zaniratto, um ex-soldado do Exército que desertou para seguir Carlos Lamarca na Vanguarda Popular Revolucionário (VPR), como mostrou a Pública.

ATÉ 200 NOVAS AÇÕES PODEM BUSCAR REPARAÇÃO

O levantamento feito pela reportagem da Pública apontou que, além dos casos de Rubens Paiva, Mario Alves e Helber Goulart, outras 15 ações penais poderão ser afetadas – 32% das ações propostas pelo MPF – e os acusados poderiam ser responsabilizados e punidos. Outros 15 casos permanecerão impunes, uma vez que os envolvidos faleceram ou as ações já transitaram em julgado.  

São 15 ações semelhantes às três já em discussão no STF: 

  • Oito são como o processo de Rubens Paiva, nos quais o MPF denunciou crimes como homicídio e incluiu a ocultação de cadáver, a exemplo de Virgílio Gomes da Silva, que participou do sequestro do embaixador dos EUA, Charles Burke Ellbrick, e que foi morto sob tortura, em 1969, mas o corpo, sepultado como desconhecido no cemitério de Vila Formosa, nunca encontrado;
  • Três são como o de Mário Alves, jornalista e dirigente do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, possivelmente morto em janeiro de 1970 e cujo corpo jamais foi encontrado. No caso de Alves, o MPF denunciou o desaparecimento como sequestro qualificado, por entender que não havia informações sobre o paradeiro do corpo e das circunstâncias da morte presumida. Outro caso semelhante é o do corretor de valores Edgar Aquino Duarte, preso que ficou por mais tempo no Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi) de São Paulo, entre 1971 e 1973, e cuja data da morte e desaparecimento é incerta;
  • Quatro são como o de Helber Goulart, ex-militante do PCB, e que foi preso quando integrava a ALN e morto por agentes do Doi-Codi em 1973. No caso dessas vítimas, o MPF denunciou ex-legistas, como Harry Shibata, que alterou informações no laudo de necropsia de Goulart, o que dificultou por 19 anos a localização de seus restos mortais, sepultados no Cemitério de Perus. 

Se a discussão no STF tivesse iniciado mais cedo, o número de casos poderia ser bem maior, uma vez que 33 das ações movidas pelo MPF (59% do total) são de desaparecimento. 

O Brasil perdeu a oportunidade de julgar os responsáveis pelo desaparecimento de 15 vítimas. Em nove casos, os réus já morreram e as ações se extinguem com a morte dos acusados (aqui se enquadram, por exemplo, quatro ações contra Sebastião Curió Rodrigues de Moura, que comandou a campanha de extermínio contra a Guerrilha do Araguaia, e morreu em 2022, aos 87 anos). Outros seis foram extintos por decisões da Justiça. O MPF não pode pedir reabertura de ações penais que transitaram em julgado. 

“Se as decisões que bloquearam a continuidade das ações penais transitaram em julgado  não tem muito o que fazer porque não há revisão penal em prol da acusação em nosso sistema de processo penal”, afirma o advogado Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça e ex-Vice-Procurador-Geral Eleitoral. 

Aragão ressalta, porém, que novas ações poderão ser propostas pelo MPF relativas a outros casos de desaparecimento, que giram em torno de 200 dos 434 registros apontados no relatório da Comissão Nacional da Verdade e essas ações “não terão qualquer obstáculo prescricional”. 

A procuradora regional da República Eugênia Augusta Gonzaga, presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, concorda: “tem muita gente viva ainda que não foi processada”, referindo-se a agentes da repressão autores de graves violações de direitos humanos na ditadura.

Ações criminais que podem ser destravadas caso o STF julgue que a Lei da Anistia não vale para casos de desaparecimento:

  1. Alex de Paula Xavier Pereira e Gelson Reicher;
  2. Ana Rosa Kucinski Silva, Armando Teixeira Frutuoso, David Capistrano da Costa, Eduardo Collier Filho, Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira, João Batista Rita, João Massena Melo, Joaquim Pires Cerveira, José Roman, Luiz Ignácio Maranhão Filho, Thomaz Antonio da Silva Meirelles Netto e Wilson Silva;
  3. André Grabois, João Gualberto Calatrone e Antonio Alfredo de Lima;
  4. Aylton Adalberto Mortati;
  5. Carlos Nicolau Danielli;
  6. Carlos Roberto Zanirato;
  7. Divino Ferreira de Souza;
  8. Edgar Aquino Duarte;
  9. Elson Costa;
  10. Helber José Gomes Goulart;
  11. Joaquim Alencar de Seixas;
  12. Manoel Lisboa de Moura e Emanuel Bezerra dos Santos;
  13. Mário Alves de Souza Vieira;
  14. Osvaldo Orlando da Costa (Osvaldão);
  15. Paulo de Tarso Celestino da Silva;
  16. Rubens Beyrodt Paiva;
  17. Sônia Maria de Moraes Angel Jones e Antônio Carlos Bicalho Lana;
  18. Virgílio Gomes da Silva.
Familiares de vítimas do período da ditadura militar ainda lutam por respostas e respostas do Estado quanto à punição dos responsáveis por desaparecimentos e mortes

Lei da Anistia: casos sem desaparecimento não podem ser revistos

Pela forma como os ministros do STF votaram para que os casos de desaparecimento sejam analisados na repercussão geral não é possível afirmar que a Lei de Anistia será afastada em plenário, mas já é possível observar que 23 ações (41% do total) ficariam de fora do entendimento, já que não envolvem desaparecimento. São casos em que os corpos das vítimas foram entregues às famílias ou em que não houve homicídio, como em denúncias de tortura feitas pelo MPF.

Não seriam atingidos pelo resultado da repercussão geral casos rumorosos como o do Atentado do Riocentro, o processo que apura os estupros sistemáticos sofridos por Inês Etienne Romeu, a única sobrevivente da Casa da Morte de Petrópolis (RJ), o processo que denuncia os acusados pela morte de Vladimir Herzog, ou processar os torturadores de Frei Tito, frade dominicano acusado de integrar a Aliança Nacional Libertadora, de Carlos Marighella, torturado por um mês e que, após ser trocado pela liberdade do embaixador suíço Giovanni Bucher, exilou-se na França, onde se matou aos 28 anos.  

Segundo o advogado Eugênio Aragão, uma vez analisada a repercussão e decidido que a Lei de Anistia não se aplica a casos de desaparecimento, o efeito de decisão é imediato e “poderão ter curso normal” as 18 ações. Um outro cenário é de que a decisão pode ser modulada, ou seja, aplicada a casos de desaparecimento, mas com ressalvas, a exemplo dos casos em que houve também ocultação de cadáver, crime entendido como contínuo até a localização do corpo – nesse caso, apenas nove ações poderiam prosseguir.

Uma outra possibilidade seria a de afastar a Lei da Anistia em casos de desaparecimento, mas também internalizar decisões de cortes internacionais sobre violações de direitos humanos no Brasil, permitindo que todas as ações penais em que os réus não morreram ou não foram arquivadas pela Justiça terminassem, o que destravaria 39 ações. 

“Quando vejo o número de processos que ainda teriam chance de punição a depender do resultado da repercussão geral, entendo que é mais um reflexo da não-Justiça”, reflete a procuradora Eugênia Gonzaga, que desde 2007 defende que crimes cometidos por ex-agentes da ditadura são passíveis de punição. 

Remo anuncia a contratação de volante revelado pelo Flamengo

O volante Daniel Cabral, 22 anos, é o mais novo reforço oficializado pelo Remo para a temporada. O atleta estava no Estrela Amadora (de Portugal). Veio por empréstimo para reforçar o Leão até o final da Série B. Nascido em Mesquita (RJ), é cria da base do Flamengo (RJ), onde começou no Sub-15. Atuou apenas seis partidas como profissional do rubro-negro carioca e foi negociado com o Estrela Amadora, onde foi aproveitado no elenco sub-23 para ganhar experiência.

Pelas categorias de base da Seleção Brasileira, Daniel Cabral disputou os Campeonatos Sul-Americanos Sub-15 e Sub-1717, além do Mundial Sub-17 em 2019, quando conquistou o título da competição.

Daniel já está incorporado ao elenco remista e tem participado dos treinos, após passar por exames médicos. Na atual temporada, participou de cinco jogos, sendo quatro pelo time Sub-23 do Estrela Amadora (Portugal). Sua última partida foi em janeiro.

PRAZOS DE REGULARIZAÇÃO

Regularizado, Daniel pode reforçar o Remo na partida contra o Santa Rosa, nesta sexta-feira, pelas quartas de final do Campeonato Paraense e também atuar contra o Criciúma, pela Copa do Brasil.

Os clubes poderão contratar também entre 10 de março (segunda-feira) e 11 de abril atletas que entraram em campo nos campeonatos estaduais. A medida beneficia atletas que ficarem livres no mercado após disputarem os certames estaduais por equipes sem calendário na sequência da temporada.

Há também autorização para contratações de jogadores que rescindiram contratos com os clubes até o dia 28 de fevereiro, no Brasil ou em outro país. Após 11 de abril, o mercado só terá nova janela de transferências no dia 2 de junho. 

Os perigos da indefinição

POR GERSON NOGUEIRA

Jogos como o de domingo diante do Cametá mostraram um Remo mesclado, com até seis alterações no time titular. O resultado foi ruim, como já havia sido diante do São Raimundo (RR), na Copa Verde. Duas situações frustrantes e negativas para o trabalho de Rodrigo Santana.

Foram experiências que trouxeram novas interrogações sobre a força e o potencial do elenco remista. Após um excelente começo de Campeonato Paraense, quando abriu vantagem na liderança, o Remo sofreu queda de rendimento a partir do empate com o Capitão Poço (2 a 2).

As vitórias sobre a Tuna e o Santa Rosa atenuaram os efeitos do tropeço. Mas, no clássico com o PSC, a má atuação voltou a criar incômodo no clube, reabrindo as cobranças sobre a definição de um time.

O fato é que a escalação tem mudado constantemente, e não apenas nos jogos contra Cametá e São Raimundo, em todos os setores. A defesa parece ter um trio definido: Rafael Castro, Klaus e Sávio. As alas também estão bem desenhadas com Kadu (Marcelinho) e Alan (Cauã).

No meio, porém, as frequentes entradas de Pedro Castro não resolvem o crônico problema de criatividade. Pavani, mesmo com atuações confusas, tem demonstrado mais utilidade, além do entrosamento com Jaderson.

Guty mostrou capacidade de surpreender nas duas oportunidades que teve, nos minutos finais contra o São Raimundo e frente ao Cametá, domingo, mesmo ainda em recuperação. A dúvida é se será uma peça exclusiva para uso em times mesclados ou terá oportunidades na equipe regular.

O problema é que até o conceito de titularidade ainda é impreciso. No ataque, Felipe Vizeu é o titular, com Ytalo como reserva imediato, mas nas demais posições reina muita indefinição. Fica sempre a dúvida sobre os atacantes de lado – Pedro Rocha, Maxwell, Adailton, Dodô e os novatos Janderson e Gabriel Martins.

Pode ser apenas uma impressão, mas Rodrigo Santana muitas vezes parece confuso em relação às escolhas. É como se a grande quantidade de opções gere uma dificuldade de determinar titulares e reservas. A dúvida é aceitável, mas a temporada já chegou a 10 jogos, quantidade suficiente para clarear as ideias do comando técnico.

Há quem considere que a demora em escalar uma equipe (e apostar nela) pode ser causada pelo receio de ferir vaidades e abrir crise no grupo. Se o caso aqui é não desagradar jogadores, o técnico acaba descontentando o torcedor, o que é sempre um mau negócio. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Segurança da defesa é destaque na era Luizinho

O PSC de Luizinho Lopes só tomou dois gols em cinco jogos – ambos em cobrança de pênaltis. A série invicta (três vitórias, dois empates; oito gols marcados, dois sofridos) atesta o bom início de trabalho, mas o fortalecimento do setor defensivo é o ponto alto da equipe neste momento.

Luizinho estreou contra o Manaus, na Curuzu, pela Copa Verde, obtendo um empate em 0 a 0. Na partida seguinte, no Mangueirão, venceu o Independente por 1 a 0, na 6ª rodada do Parazão.

No clássico contra o Remo, empate em 1 a 1, sendo que o gol azulino foi assinalado em cobrança de pênalti, por Adailton. No confronto com o Manaus, na Arena da Amazônia, o Papão goleou por 4 a 1. O único gol do Manaus foi marcado por Renanzinho, também batendo pênalti.

A última apresentação foi contra o Castanhal, domingo, com vitória bicolor por 2 a 0. “Não sofremos gols novamente. Os gols que levamos desde a nossa chegada foram de pênalti. Claro que é gol da mesma maneira, mas, com a bola rolando, ainda não sofremos gols”, avalia o técnico.

Não deixa de ter razão, apesar do argumento simplório. A zaga, que na gestão de Márcio Fernandes, era motivo de inquietação do torcedor, parece ter encontrado um ponto de equilíbrio. A título de comparação, nas cinco partidas finais de Márcio, o PSC levou seis gols.

Muito contestado no período de Márcio Fernandes, Quintana também evoluiu e continua como referência da defesa. Teve como companheiro mais frequente Ramón Martínez, mas o recém-chegado Joaquín Novillo, que ainda não estreou, pode ser uma sombra para o zagueiro uruguaio.

Lusa pode obter maior faturamento no século

Com desempenho apenas razoável no Campeonato Paraense, fechando em quinto lugar na primeira fase, a Tuna caminha muito bem na Copa do Brasil, onde iniciou participação superando o Sampaio Corrêa. Pela classificação à 2ª fase, já acumula premiação de R$ 1,8 milhão.

A missão agora é passar pelo CSA, em Maceió, no próximo dia 13. O jogo reserva dificuldades para a equipe paraense, mas há chance de vencer e aumentar o faturamento, que representaria um aporte de receita inédito para o clube neste século – R$ 4.145.000,00, caso avance à 3ª fase.

Formada por jogadores experientes, como Marlon, Jayme e Dedé, e algumas novidades como Tiago Bagagem e Edgo, a Lusa faz bem em priorizar o torneio nacional, mas terá que ficar atenta ao confronto com o Castanhal pelas quartas de final do Parazão, no fim de semana.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 05)

Rock na madrugada – Jimi Hendrix, “Day Tripper”

POR GERSON NOGUEIRA

A sessão de gravação de “Day Tripper” foi feita nos estúdios da BBC nos idos de 1968 e incluída em incontáveis discos piratas dos Beatles na era pré-streaming e de internet ainda iniciante. É impressionante a alegria e o vigor de Jimi neste clássico da banda inglesa, composto por Lennon-McCartney – ambos amigos de farra do guitarrista pelas ruas de Londres nos feéricos anos 60/70.

Fanzaço dos Beatles (e de Bob Dylan), Hendrix fez cover ao vivo de “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” em tempo recorde – um dia depois do lançamento oficial da obra-prima. No início desta gravação, é possível ouvir o dedilhado do riff de “I Want To Tell You”.

O arranjo mantém fidelidade à canção original, mas a guitarra áspera e crua de Hendrix acaba dando um tom punk rock à versão, enriquecida pelos vocais que unem talvez pela primeira vez os músicos Noel Redding (baixo) e Mitch Mitchel (bateria) do The Jimi Hendrix Experience.

“Day Tripper” foi lançada originalmente pelos Beatles no single que trazia “We Can Work It Out” como lado B, em dezembro de 1965. O termo ‘day tripper’ pode significar a saga de alguém que busca experiências rápidas e sem compromisso, uma espécie de turista de um dia que não se aprofunda nas coisas da vida. A expressão ‘one way ticket’ reforça essa ideia de algo temporário, sem retorno.

O Oscar tem que incomodar o fascismo

“O combate à extrema direita precisa saber usar a vitória em Los Angeles como arma contra a rearticulação do golpismo”

Por Moisés Mendes

A conquista do Oscar de melhor filme estrangeiro será um desperdício político se for exaltada apenas como um feito do cinema e uma afirmação da arte nacional para as vitrines mundiais. A conquista do Oscar precisa ser politizada, no seu sentido mais amplo, mais genuíno e mais legítimo. O Brasil antifascista precisa dar a essa vitória o alcance de um troféu que se transforma em arma em defesa da democracia.

O Oscar deve não só nos fortalecer para o resgate permanente de memórias do período da ditadura que o fascismo tenta esconder. Deve se tornar um incômodo para admiradores militantes de ditadores e torturadores.

O Oscar deve nos ajudar a lembrar, como Fernanda Torres disse sobre o filme antes da festa em Los Angeles, que a família de Rubens Paiva está viva entre nós de novo. Estão vivas todas as famílias perseguidas pela ditadura. 

O Oscar fortalece a luta que só começou no Supremo pela condenação dos torturadores que mataram e sumiram com os corpos dos que enfrentaram os ditadores, mesmo que a maioria dos assassinos já tenha morrido. 

Esse Oscar tem que acossar ainda mais o bolsonarismo e pautar os confrontos com a extrema direita. Para que o golpismo deixe de ser tão ativo e seja abalado pelo incômodo das atrocidades cometidas pelos militares.

Eles precisam ser atormentados pelo que o Oscar significa como exposição mundial das crueldades da ditadura e da tentativa de repetição, com Bolsonaro e seus generais, dos crimes cometidos a partir de 64.

O Oscar deve inspirar as escolas a levar a história da ditadura e da resistência a estudantes do Ensino Médio que pouco ouviram falar dos 20 anos de terror. O que Ainda Estou Aqui conta precisa ser tema de sala de aula.

O prêmio deve inspirar reações que ainda são contidas pelo medo de que eles podem voltar. A bravura de Eunice Paiva e de outras mulheres, como lembrou Walter Salles Júnior ao receber o Oscar, deve ser inspiradora de todas as mulheres que desejam fazer o que Eunice fez e que aguardavam um aceno forte para que sigam em frente.

As esquerdas terão de reaprender a tirar de feitos com essa grandeza tudo o que oferecem. Sem o falso pudor de que é uma obra de arte aberta às mais variadas abordagens.

Nada disso. Ainda Estou Aqui, pelo que seu diretor e seus intérpretes reafirmam, é um filme sobre tirania e resistência e por isso é uma obra política que nos convida a continuar combatendo.

Que a arte brasileira saiba aproveitar e dar continuidade às possibilidades abertas pelo filme, ao invés de ficar lamentando que essa seria apenas a história de uma família branca e rica. 

Que outros se mobilizem e contem também as histórias de negros, indígenas, camponeses e vítimas dos esquadrões da morte organizados pelos generais.

Vamos, sim, politizar o Oscar e fazer com que eles se sintam acossados. Vamos sorrir com Eunice Paiva. Vamos, pela imposição da resistência, impedir que eles continuem sorrindo.