As incertezas que rondam o Campeonato Paraense, paralisado há duas semanas, deixam de ser apenas um mero problema de acomodação de datas. A partir de agora, passam a significar um sério prejuízo financeiro aos times interioranos, cujos contratos com atletas se encerram nos próximos dias. Para estender o vínculo, teriam que contratar os jogadores por um novo período mínimo de três meses.
Não há receita que cubra esse prejuízo. As finanças dos clubes emergentes dependem das verbas concedidas pelo Governo do Estado. Daí a importância de cumprimento dos prazos de disputa da competição. Qualquer atraso gera um problema de grandes proporções.
Até o momento, a Justiça Desportiva estadual não julgou os recursos dos clubes condenados por desrespeito às normas do regulamento do campeonato. Só depois disso virá o julgamento pelo Pleno do TJD, com possibilidade de reforma das penas aplicadas ou até mesmo uma provável extinção.
O julgamento final não significará o término da confusão, pois os quatro clubes – Capitão Poço, Tuna, Remo e Bragantino –, dependendo da decisão do TJD, poderão recorrer e levar a questão às barras do STJD, retardando ainda mais o recomeço do Parazão.
Segundo as previsões mais otimistas, a bola só voltará a rolar no final de março, a poucos dias do início da Série B. Na melhor das hipóteses, as quatro datas que permitiram decidir a disputa invadirão o Brasileiro, com os previsíveis danos à campanha da dupla Re-Pa.
Na sexta-feira, o setor jurídico do Remo interpôs um recurso tentando excluir (por ilegítimo) o artigo 31 do regulamento específico do Parazão, causador de todo o imbróglio. Medida tão desesperada quanto inócua: o TJD rejeitou de forma enfática.
Em face da incompetência de quatro clubes, a competição está irremediavelmente esvaziada, com prejuízos de grande monta para todos. Pobre futebol do Pará.
Um feito sem defeitos do craque das narrações
Guilherme Guerreiro, oriximinaense da mais alta estirpe, completou na sexta-feira (14) cinquenta anos de narração esportiva. Como bem disse mestre Carlos Castilho, fazer 50 anos de idade já é admirável, mas completar meio século de profissão é uma façanha e tanto.
Bem ao seu estilo, Guerreiro não comentou nada com ninguém, ficou na moita, mas a história veio à tona, para alegria de seus amigos e companheiros de trabalho. As palavras de reconhecimento por parte de fãs e personalidades do mundo esportivo fazem justiça ao profissional que ele é.
Brilhante em seu ofício, rigoroso e disciplinado, Guerreiro é exemplo e referência para todos que militam no rádio. É um locutor em permanente evolução. Jamais se acomoda, busca novos caminhos, lança ideias e exercita a veia visionária. Alia a isso uma generosidade ímpar.
Elogiar companheiros de profissão não constitui adulação. É um direito/dever que todos temos, ainda mais quando é questão de justiça. E sei o que digo, pois o conheço há pelo menos 40 luas, como amigo e parceiro de trabalho.
Por isso, faço minhas as palavras de Mestre Cacá: “Ao parabenizá-lo, exalto o seu papel no jornalismo esportivo do Pará. Sacode, balança e estremece o nosso futebol, caríssimo colega e amigo!”.
Bola na Torre
O programa começa às 23h, na RBATV, com o comando de Guilherme Guerreiro e participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a participação dos times paraenses na Copa Verde e Copa do Brasil. A edição é de Lourdes Cezar e Lino Machado.
Fofoqueiro entrega e Neymar é barrado na Seleção
Quase Dorival Júnior endossou a malandragem de Neymar. Depois de passar como um turbilhão pela Marquês de Sapucaí e pular fora do clássico com o Corinthians, o mais célebre baladeiro do futebol brazuca aprontou uma festa de arromba pós-carnaval, com direito à presença de um time de modelos.
Como costuma fazer, Neymar Sênior saiu em defesa do filho, garantindo que “ele não fez nada”. Foi aí que Dorival quase caiu. Neymar havia sido convocado para os jogos das Eliminatórias, mesmo ainda se recuperando de um incômodo muscular.
A festa nababesca, porém, provou que ele pode estar pronto para tudo, menos para jogar bola em alto nível. Falta comprometimento, como já havia alertado o técnico Jorge Jesus quando Neymar ainda era atleta do Al-Hilal.
Ainda surgiu um esboço de desculpa, mas as informações reveladas pelo fofoqueiro Léo Dias derrubaram as chances de Neymar voltar à Seleção. Ainda não será desta vez: foi desconvocado ontem, junto com Danilo e Ederson, ambos realmente lesionados.
(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 15/16)
Bob Dylan nunca foi (ou será) suficientemente desvendado. Canções poderosas permitem montar um mosaico do pensamento e da obra do bardo de Minesotta, mas não há como sinalizar com clareza quem de fato ele é. Por isso, “A Complete Unknown”(Um Completo Desconhecido) é um filme maravilhosamente honesto sobre o cantor/compositor que revolucionou a música nos 20 anos iniciais de sua carreira. Permanece até o fim fiel à história de Dylan, um completo e genial desconhecido.
Thimothée Chalamet, mais conhecido pela presença no blockbuster “Duna”, dá vida a um Dylan que avança altivo e determinado sobre as pedras da previsibilidade. Canta, toca harmônica, sola guitarra e violão com um esmero que torna o filme ainda mais verdadeiro. Detalhe: Chalamet passou cinco anos estudando o personagem e aprendendo a tocar/cantar exatamente como Dylan.
Ninguém espere ver no filme aqueles trejeitos ridículos de outras cinebiografias, como a caricata representação de Freddie Mercury, dublado no oscarizado “Bohemian Rhapsody” (2018).
A cinebiografia que está em cartaz no mundo todo é cirúrgica e generosa na abordagem dos cinco anos da iniciante saga de Dylan. Captura o alvorecer do gênio, quando florescem as canções que iriam moldar o caráter definitivo e revolucionário de sua obra. (Depois disso, ele ainda iria compor vários outros clássicos, mas aí já é um outro papo).
Impressiona como o diretor James Mangold conseguiu sintetizar em 2h20 de narrativa hipnotizante a essência daquele pós-adolescente caminhando pelas ruas do Village em Nova York e percorrendo bares enfumaçados nos primórdios de seu perfil errático, caracterizado desde sempre por um traço permanentemente subversivo: o de desafiar/contrariar o coro dos contentes. Fantástica reconstituição de época, em alguns momentos flertando com tons em sépia.
Em entrevista recente, Mangold conta que passou “vários dias maravilhosamente encantadores” conversando apenas com Dylan: “Tenho um roteiro que foi anotado pessoalmente por ele. Ele adora filmes. A primeira vez que me sentei com Bob, uma das primeiras coisas que ele me disse foi: ‘Eu amo Cop Land, cara’.”
Cabe dizer que é de Mangold uma outra cinebiografia respeitável, “Walk the Line” (Johnny & June), de 2005, sobre o cantor de country rock Johnny Cash e sua mulher, June Carter. No filme de Dylan, Cash é retratado brilhantemente por Boyd Holbrook. Aliás, vamos combinar, todos estão muitíssimo bem, o que atesta a qualidade da obra.
Quando todos, inclusive seu mentor Pete Seeger, vivido magistralmente por Edward Norton, imaginavam um Dylan amestrado pelo fundamentalismo do folk americano, eis que ele emerge, raivoso e torto, impondo guitarras elétricas distorcidas no sacrossanto Festival de Newport, em 1965, ponto culminante e mais rock’n’roll de “A Complete Unknown”. O som e a fúria.
As imagens do público dividido, vaiando no começo e depois rendendo-se em aplausos, revelam fielmente o turbilhão que Dylan precisou enfrentar naqueles trepidantes anos 60, lutando para tentar ser ele mesmo e confrontar quem desejava conduzi-lo a outras frentes sonoras. Sem jamais deixar de lado a fúria politizada de sua poesia.
Chalamet como Dylan merece todos os aplausos – e premiações – pela atuação espetacular. Monica Barbaro, como Joan Baez, está impecável, cantando como se fosse a própria e intensa como a namorada do cantor. Sobre Norton já falei ali em cima.
Elle Fanning, a mocinha de “Um Dia de Chuva em Nova York” (filme de Woody Allen, de 2018, com Chalamet como par romântico), enche a tela como Sylvie. Na verdade, ela faz o papel de Suze Rotolo, a musa maior de Dylan, inspiradora de várias canções e com quem ele dividiu a capa do LP “TheFreewheelin’ Bob Dylan”, de 1963. O nome foi trocado no filme a pedido do homenageado.
Assisti “A Complete Unknown” por duas vezes e certamente encaro uma terceira. Fui logo na estreia em 27 de fevereiro, dando-me um presente pessoal pelo aniversário de 67 anos – costumo, sempre que possível, rasgar a folhinha com trilha sonora de responsa; foi assim em 2018, no Maraca, com um show catártico do Pearl Jam carimbando meus 60 anos.
Com apenas 2 minutos de filme rolando, eu já estava abduzido pela atmosfera dos 60/70. Um punhado de músicas geniais pontuando a narrativa, a poesia áspera e cortante saltando na tela e fazendo entender o Nobel de Literatura a ele outorgado em 2016. Impossível não se deixar seduzir, principalmente para um fiel devoto da obra de Dylan.
Saí do cinema entorpecido, compartilhando de cara minhas impressões a amigos muito especiais, como Edyr Augusto, Regina Alves, Nelson Maués e Edgar Augusto. Uma semana depois, ainda impactado, voltei para atestar a veracidade da coisa. E, confesso, fiquei ainda mais impactado. Óbvio que este texto, que entrega o fã que sempre fui, não pretende ser imparcial, nem poderia.
Dylan personifica o astro pop ideal, aliando talento e destemor. John Lennon e Jim Morrison eram do mesmo jeito, mas se foram espertamente antes do Apocalipse. Moleque ainda, eu ouvia o disco “Bob Dylan’s Greatest Hits” (1967), tentando decodificar as camadas de gigantismo por baixo daquela voz fanha e do inconfundível som de harmônica.
Passei a entender bem mais a partir de “Blood on the Tracks”, discaço de 1975. A partir daí, a imersão foi se completando, desaguando em “Real Live”, álbum ao vivo da turnê europeia de 1984, quando o mito (este, sim!) dividiu palco com os craques Mick Taylor, Nicky Hopkins e Colin Allen.
Resumo da ópera: somos todos agradecidos (ou devíamos ser) pela contemporaneidade com o gênio Dylan, nosso mais brilhante desconhecido. Que sorte imensa.
A contratação de Daniel Paulista para substituir Rodrigo Santana trouxe uma sensação de seis-por-meia-dúzia para grande parte da torcida azulina, que esperava um nome de mais impacto e prestígio. A rigor, nada muito diferente do que aconteceu por ocasião do anúncio de Santana, durante a Série C do ano passado.
O movimento é parecido. O Remo buscou no mercado um profissional cujo salário se encaixe no orçamento. Acertou com Daniel Paulista porque não há dinheiro suficiente para contratar um técnico mais experiente e cascudo, como Vágner Mancini, Lisca ou Claudio Tencati (que optou pelo Atlético-GO).
Como também não há ousadia para observar a vida por cima do muro e trazer um técnico português ou argentino, inovação que talvez fizesse bem ao atual momento do futebol paraense.
O fato é que a opção por Daniel Paulista tem mais semelhanças do que diferenças em relação à escolha de Rodrigo Santana. Talvez por isso a reação discreta ao anúncio do novo técnico. O torcedor esperava um nome pronto, respaldado por conquistas e experiências.
Como Rodrigo, Daniel está há 10 anos trabalhando como técnico e tem um currículo modesto. Viveu seus melhores momentos no Sport, CRB e Confiança, todos nordestinos. Conseguiu acesso pelo Confiança e um título pelo CRB. Treinou também o Guarani de Campinas, mas com passagem pouco relevante.
O novo comandante tem pela frente desafios complicados. Precisa dar forma a um time que treina há três meses, mas não tem uma escalação definida. Terá que ganhar a confiança do torcedor, desconfiado ao extremo e carregando mais dúvidas que certezas. Esse processo exigirá acertos imediatos, principalmente se o Parazão reiniciar logo.
Um outro aspecto vai exigir habilidade por parte de Daniel. O elenco azulino é recheado de atletas experientes, acostumados a controlar o vestiário e a impor vontades. Rodrigo Santana enfrentou nas últimas semanas resistências ao colocar alguns jogadores na reserva.
Ytalo deixou o gramado do Mangueirão irritado com uma substituição diante da Tuna. Fez questão de demonstrar publicamente sua insatisfação. Outros jogadores também manifestaram contrariedade, principalmente com a indefinição nas escolhas.
Por isso, o primeiro passo é botar as cartas na mesa e escalar a equipe considerada titular. João Saldanha é até hoje o melhor exemplo sobre como lidar com cobras criadas. Ao assumir o escrete canarinho em 1968, escalou o time titular logo na primeira entrevista coletiva. E fim de papo.
Daniel traz de volta Eudes Pedro como auxiliar técnico
Com Daniel Paulista, vem o auxiliar Eudes Pedro, que treinou o Remo em 2019, num período extremamente conturbado da vida azulina. Eudes obteve resultados pífios, não deixou saudades e saiu com a imagem arranhada em sua primeira experiência como técnico.
Acompanhando Daniel, o ex-treinador tem feito seguidos trabalhos e parece ter se encontrado numa função mais recuada. Pode contribuir com o trabalho pela experiência vivida em Belém, principalmente por conhecer os humores da exigente torcida remista.
Acaba em vexame o sonho tunante na Copa do Brasil
O CSA foi absoluto e arrasador no 1º tempo, conseguindo abrir caminho para uma goleada de 5 a 0 sobre a Tuna, ontem à noite, no estádio Rei Pelé, em Maceió. Enquanto o time alagoano avançou à 3ª fase da Copa do Brasil, a Águia Guerreira ficou pelo caminho. E podia ter sofrido um massacre. O goleiro Lucão evitou o pior.
Foram necessários apenas 23 minutos para o CSA definir o jogo. Logo aos 2 minutos, o atacante Guilherme Cachoeira entrou livre e disparou para fazer 1 a 0. Aos 6’, Jayme deu uma arrancada em direção ao gol, mas parou no goleiro Georgemy.
O segundo gol do CSA não tardou a acontecer. Aos 16’, Klenisson ajeitou com tranquilidade e disparou um chute sem defesa para Lucão. Estava muito fácil para os donos da casa. Desarvorada, a zaga da Tuna falhava seguidamente, oferecendo chances ao ataque alviceleste.
Foi assim que o CSA chegou ao terceiro gol, após Guilherme Cachoeira driblar um marcador e colocar Tiago Marques livre para finalizar, aos 19’. O primeiro tempo fechou com outro gol de Tiago Marques, aos 23’, após nova assistência precisa de Cachoeira.
Veio a segunda etapa e o panorama não se alterou. A Tuna seguiu atrapalhada, com poucas jogadas de ataque e muita insegurança defensiva. O CSA até diminuiu o ritmo, cozinhando o jogo no meio-campo e exagerando nas firulas.
Ainda assim, aos 15 minutos, chegou ao quinto gol. Tiago Marques fez uma boa jogada pelo lado esquerdo, investiu em direção à área, driblou Lucão e deu o passe para Brayann tocar para as redes.
Depois disso, o CSA se dedicou a administrar o resultado, fazendo substituições para poupar titulares. Nos 15 minutos finais, a Tuna melhorou e tentou impor pressão e até criou algumas chances, embora sem objetividade na definição. Fim do sonho luso na Copa do Brasil.
(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 14)
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcou para os dias 25 e 26 de março o julgamento da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre o plano golpista. A análise terá início na manhã do dia 25 e deve se encerrar no dia 26. Para isso, o presidente da Primeira Turma previu três sessões. A Primeira Turma é formada pelos ministros Cristiano Zanin, Carmen Lúcia, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Luiz Fux.
Tanto o procurador-geral da República, Paulo Gonet, quanto o relator do caso no STF, ministro Alexandre de Moraes, foram céleres nos procedimentos formais do processo. As defesas dos acusados tinham até sexta-feira para enviar suas manifestações.
Nas primeiras horas da manhã de sábado, o ministro já as havia despachado para a PGR que, por sua vez, devolveu a manifestação a um dia antes do prazo. Gonet dividiu a denúncia em núcleos, seguindo os eixos de atuação na trama golpista apontados pela Polícia Federal (PF). O Supremo também deve realizar os julgamentos seguindo essa divisão.
Bolsonaro está no primeiro grupo, considerado o mais relevante por incluir os supostos líderes da organização criminosa. Entre eles, o ex-ministros Walter Braga Netto (Casa Civil), Anderson Torres (Justiça) e Paulo Sérgio Nogueira (Defesa).
A denúncia da PGR envolve um total de 34 pessoas, porém, neste primeiro momento, a Primeira Turma avaliará a conduta do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de mais sete pessoas.
Veja quem são:
Mauro Cid, tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro;
Walter Braga Netto, general que foi ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Bolsonaro, além de ter sido candidato a vice-presidente em 2022;
Alexandre Ramagem, ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Bolsonaro;
Almir Garnier, almirante de esquadra que comandou a Marinha no governo de Bolsonaro.
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça no governo Bolsonaro;
Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo Bolsonaro;
Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro.
Os denunciados enfrentam acusações pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado por violência e grave ameaça contra o patrimônio da União, com considerável prejuízo para a vítima, e deterioração de patrimônio tombado.
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o julgamento da denúncia sobre suposta tentativa de golpe de Estado deve ser realizado no plenário da Corte, e não na Primeira Turma, como tramita atualmente.
Os advogados também reclamaram de restrições ao acesso a provas do inquérito e apontaram suposto cerceamento de defesa. Por fim, a defesa nega que o presidente tenha cometido qualquer irregularidade.
As alegações estão na defesa apresentada ao STF no caso da tentativa de golpe, em que Bolsonaro, militares e aliados foram denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Nesta atual etapa, o STF vai julgar se aceita ou não a denúncia oferecida pela PGR. Se for aceita, os denunciados passam a responder a um processo.
(Com informações da CNN Brasil, G1 e Agência Brasil)
Daniel Paulista é o novo técnico do Remo. Ele foi anunciado nesta quinta-feira (13) para substituir Rodrigo Santana, que foi demitido na quarta-feira à noite. A troca foi causada pelo insucesso do Remo na Copa do Brasil, derrotado pelo Criciúma (2 a 1), na última terça-feira, no Mangueirão.
Ex-jogador de futebol com atuação no Corinthians e no Sport, Daniel integra a nova geração de técnicos do futebol brasileiro. Vai assumir o Remo com a missão de conduzir o time na Série B e tentar a conquista do título paraense.
Grande parte da carreira de Daniel como treinador se passou no Nordeste, onde dirigiu CRB, Sport e Confiança. Trabalhou ainda no Guarani de Campinas e no Boa Esporte.
O anúncio feito pelo Remo horas depois da demissão de Rodrigo Santana mostra que a contratação estava encaminhada desde o início da semana, conforme foi especulado.
Daniel está há 10 anos como técnico. Começou no Sport, em 2015, clube onde trabalhou por duas vezes. A grande conquista ocorreu em 2019, quando obteve o acesso inédito à Série B comandando o Confiança (SE). Daniel também foi campeão alagoano com o CRB.
Rodrigo Santana se antecipou e anunciou a saída do comando técnico do Remo, em nota divulgada nas redes sociais na noite desta quarta-feira (12). O desgaste pelas atuações ruins aumentou com a eliminação do time na Copa do Brasil, derrotado pelo Criciúma por 2 a 1, no Mangueirão. A pressão da torcida era cada vez mais forte sobre a diretoria, exigindo a troca de técnico.
Santana não comandou o Remo à beira do gramado contra o Criciúma, pois cumpria suspensão. Foi substituído pelo auxiliar Neto Pajola. Ele também não atuou na eliminação do time na Copa Verde para o São Raimundo-RR, no Baenão. A última participação do técnico foi no dia 2 de março, contra o Cametá, quando o Remo perdeu pela primeira vez na temporada: 1 a 0, pela última rodada da fase de classificação do Parazão.
AGRADECIMENTO NAS REDES SOCIAIS
Elegante, Rodrigo publicou mensagem nas redes sociais, onde agradeceu à diretoria, aos funcionários e à torcida remista: “Passando para agradecer de coração! Neste clube, vivi momentos inesquecíveis, de muita entrega, luta e felicidade. Sou grato a cada membro da comissão técnica, aos funcionários do Baenão que estiveram ao nosso lado no dia a dia, aos atletas que batalharam junto comigo, à Diretoria da Base e à comissão que nos deu todo o suporte com a garotada do Sub-20 e Sub-17. Um obrigado especial à Diretoria, Minha Jóia, ao Glaubão, Dr. Gustavo, Guto e Tonhão! Também quero agradecer à imprensa pelo respeito e pela cobertura do nosso trabalho, ajudando a levar informação e emoção ao torcedor. E, claro, meu mais profundo agradecimento ao Fenômeno Azul, a essa torcida que faz a diferença, a Belém e a todo o Estado do Pará! Levarei cada momento no coração. Obrigado!“.
Rodrigo Santana foi contratado no ano passado para dirigir o time na Série C. Conquistou o acesso à Série B e permaneceu no comando em 2025. Em 30 jogos, obteve 15 vitórias, sete empates e oito derrotas. Deixa o Remo classificado para as quartas de final do Campeonato Estadual.
O clube busca um substituto para comandar a equipe no restante do Parazão e na Série B. Claudio Tencati é um dos nomes especulados. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)
O PSC foi do céu ao inferno entre um tempo e outro da semifinal com o São Raimundo-RR, ontem à noite, em Boa Vista. No início, mostrou desenvoltura e objetividade, com dois gols assinalados por Marlon e Nicolas, mas a segunda etapa revelou um time confuso, que terminou cedendo o empate ao time da casa. O resultado deixa a decisão da vaga em aberto para o confronto em Belém, no próximo dia 19 de março.
Ofensivo desde os primeiros minutos, o PSC se impôs ao São Raimundo, que errava muitos passes. Com amplo domínio, os bicolores pressionavam sem encontrar resistência. Rossi era o mais produtivo, com seguidas investidas pela direita e bons cruzamentos na área.
Nicolas teve a primeira grande oportunidade aos 11 minutos. Bateu de voleio da entrada da área, mas Carlos Henrique defendeu bem. O São Raimundo só equilibrou as ações a partir dos 20 minutos.
Mais plantado em seu campo, o São Raimundo passou a dificultar a movimentação ofensiva do PSC. Mas, aos 30’, Rossi cobrou escanteio na cabeça de Quintana, que desviou para dentro da pequena área. No bate-rebate, Marlon aproveitou para balançar as redes.
Ainda havia tempo para mais um. Com o controle das ações, o PSC voltou a cerca a área roraimense. Leandro Vilela lançou Rossi, que cruzou para Nicolas cabecear e ampliar para 2 a 0. Nos acréscimos, Rossi acertou um tiro de longa distância acertando o travessão.
Depois do intervalo, o São Raimundo mudou completamente a maneira de se posicionar e partiu para o ataque logo de cara. Com menos de um minuto, descontou o marcador: em lance agudo, Railson balançou as redes de Mateus Nogueira.
Confuso, o PSC recuou excessivamente e passou a ser pressionado. Pedro Delvalle foi substituído por Cavalleri após sofrer lesão muscular. Para diminuir o sufoco, os bicolores tentavam explorar o contra-ataque, mas não conseguia encaixar boas saídas.
O atacante Luan tentou encobrir Matheus Nogueira, mas a bola saiu pelo fundo. O goleiro, porém, se contundiu e foi substituído por Alisson. Instantes depois, após várias investidas do São Raimundo, Kanté recebeu passe próximo à grande área e foi derrubado por Quintana, que foi expulso. Por sorte, Belão também recebeu o cartão vermelho por agressão.
Apesar disso, o São Raimundo continuou melhor e mais agressivo. Acabou conquistando o empate, através de Raí. Definição fica para o Mangueirão. (Foto: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)
Rodrigo Santana: a crônica da queda anunciada
O Remo demitiu o técnico Rodrigo Santana, condutor da exitosa campanha realizada na Série C 2024, mas que não conseguiu repetir o êxito com o elenco formado para 2025. O excesso de opções parece ter atrapalhado sua capacidade de definição de um time titular. Apesar dos bons resultados no Parazão, fracassou nas duas primeiras competições da temporada: Copa Verde e Copa do Brasil.
A derrota diante do Criciúma foi apenas a gota d’água. A insatisfação da torcida já se manifestava desde a eliminação para o São Raimundo-RR na Copa Verde e cresceu de intensidade no Re-Pa, quando o Remo atuou mal e saiu do Mangueirão com um empate sofrido no minuto final.
Algumas decisões desgastaram Rodrigo. A insistência no sistema de três zagueiros (que ele insistia que não era uma linha de três), mostrou-se contraproducente. Quando mudou, anteontem, o resultado foi desastroso, escalando Dener como uma espécie de quarto zagueiro ou primeiro volante.
Quando chegou ao Evandro Almeida, Rodrigo teve o mérito de adaptar o grupo de jogadores a uma forma de jogar eficiente. Não tinha muitas alternativas, mas conseguiu transformar limão em limonada.
Deixou ali a impressão de que poderia fazer muito mais caso pudesse contar com um elenco de qualidade. Não foi o que se viu. Com um grupo mais qualificado à disposição, o pragmatismo da Série C virou indecisão crônica, fato que contribuiu decisivamente para sua queda.
A expectativa se concentra agora no perfil de substituto a ser buscado no mercado. Rodrigo Santana foi uma escolha que deu certo, embora tenha sido contratado por falta de opções melhores. Desta vez, o clube tem um mínimo de tempo (22 dias) até o começo da Série B para encontrar o técnico considerado à altura de suas ambições.
Comoção por Dieguito, 4 anos após sua morte
A Argentina está mobilizada em torno do julgamento que deve esclarecer as circunstâncias da morte do ídolo Diego Maradona, um mito (este, sim) que cultuado pela população mesmo hoje, quatro anos depois de sua morte. A equipe médica que cuidava dele é acusada de homicídio. O julgamento entrou ontem no terceiro dia e deve seguir até julho.
A morte informada oficialmente foi de ataque cardíaco, no dia 25 de novembro de 2020. Dieguito tinha 60 anos e se recuperava de uma cirurgia delicada, para retirada de um coágulo no cérebro.
Os médicos, agora réus, dizem que Maradona negligenciou o tratamento indicado, preferindo se recuperar em casa, ao lado da família. Se condenados, os médicos podem ser sentenciados entre oito e 25 anos.
Pelo clima de comoção que reina no país, novamente unido em torno do ídolo maior, dificilmente a equipe médica escapará da cadeia.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 13)
Foi relativamente fácil a missão do Criciúma no confronto de ontem à noite, no Mangueirão. Nem tanto por exibir grande superioridade técnica, mas principalmente pelas falhas de organização exibidas pelo Remo. Com dois gols, um em cada tempo, o visitante se impôs e levou a melhor, conquistando a vaga à terceira fase da Copa do Brasil.
Sem ter a posse de bola e obrigado a correr sempre atrás do adversário, o Remo foi envolvido desde o começo da partida. Logo aos 4 minutos, o Criciúma chegou com o meia Felipe Mateus, que disparou um chute forte por cima do gol de Marcelo Rangel.
Em seguida, Neto Pessoa arriscou da entrada da área e Marcelo Rangel defendeu parcialmente, mandando a escanteio. Na sequência, novo arremate de Marcelo Hermes, criando dificuldades para o goleiro azulino. Sustos que evidenciaram a melhor presença do Criciúma em campo.
Apesar de alguns lances isolados de Dodô e Pedro Rocha, o Criciúma tinha mais consistência, avançando de forma organizada até a área do Remo. Ao ficar com a bola, o Remo se perdia nas tomadas de decisão, como quando Dodô desferiu chutes fracos, quando podia tabelar ou avançar mais.
O Criciúma chegou ao gol após insistir e prevalecer nos duelos aéreos. O gol acabou confirmando isso. Aos 26 minutos, em escanteio cobrado por Marcelo Hermes, a bola atravessou a pequena área do Remo e foi testada por Luciano Castan, levando a melhor sobre Klaus e Rangel.
Ainda no 1º tempo, a configuração usada pelo Remo (inicialmente no 4-3-1-2) sofreu uma alteração importante. Dener, muito mal, errando todas as saídas, foi substituído por Adailton, que adicionou vibração ao time. Nos acréscimos, aproveitando escanteio cobrado por Sávio, Ytalo testou para as redes e recolocou o Remo na disputa.
Apesar da animação que tomou conta do torcedor (mais de 14 mil espectadores) nas arquibancadas, o Criciúma voltou melhor na 2ª etapa. Logo de início, Juninho perdeu boa chance. Depois, Rodrigo cabeceou com extremo perigo para boa defesa de Rangel.
Aí o auxiliar Neto Pajola, que substituiu Rodrigo Santana (suspenso) à beira do campo, trocou Pedro Rocha e Dodô por Janderson e Guty. Houve a mesma movimentação vista quando Adailton foi lançado na partida.
Aos 25 minutos, Janderson mandou no ângulo, mas Caíque espalmou. Dois minutos depois, Guty lançou Ytalo, que chutou cruzado. O Criciúma trocou Neto Pessoa por Eric Popó e passou a explorar o contra-ataque.
Aos 36’, o gol que eliminou o Leão. Caíque deu um chutão em direção ao ataque. Eric Popó disputou a bola com Klaus, mas Marcelo Rangel saiu estabanado do gol, errou o bote e a bola ficou livre para o centroavante, que tocou para as redes.
Apesar do esforço de Guty, Gabriel e Maxwell, que entraram depois, o Remo não conseguiu chegar a um novo empate. Ficou pelo caminho na Copa do Brasil, como havia ficado na Copa Verde. (Foto: Celso da Luz/Ascom Criciúma)
Dúvidas quanto ao futuro do comando técnico
Depois da segunda eliminação da temporada, a pressão do torcedor é no sentido de mudanças no comando técnico do Remo. As reações começaram ontem à noite ainda, com explícita irritação pela atuação descalibrada frente ao Criciúma no jogo mais importante da temporada até aqui.
Rodrigo Santana tem a seu favor o fato de ter conduzido o Remo ao acesso à Série B, mas o trabalho desenvolvido neste ano deixa mais dúvidas do que certezas. As contratações que reforçaram o elenco são consideradas acertadas, mas não se vê um time pronto.
As hesitações nas escolhas são provavelmente o ponto mais destacado nas críticas ao treinador, embora não sejam a única causa dos problemas. A definição de uma escalação custou a sair e, quando se materializou, veio acompanhada de uma alteração na forma de jogar.
Do 3-5-2 usado desde o ano passado, o Remo jogou ontem num inesperado 4-3-1-2, cujo objetivo parecia ser o de surpreender o Criciúma. Devido aos muitos erros cometidos, os efeitos da mudança não foram observados. Pelo contrário, a entrada de Dener comprometeu a atuação no 1º tempo.
A derrota para o Criciúma não é um acontecimento desastroso. Afinal, o adversário é um time de Série B, recém-saído da Série A. O problema não é o jogo de hoje, mas o conjunto da obra, muito abaixo das expectativas.
Arbitragem erra (de novo) em benefício do Palmeiras
Um novo erro escandaloso de arbitragem virou assunto em todo o país: o pênalti marcado pelo árbitro Flávio Rodrigues de Souza, em falta inexistente do são-paulino Arboleda sobre o palmeirense Vítor Roque. Raphael Veiga cobrou e fez o único gol da semifinal do Paulistão.
Ontem, a gravação do VAR adicionou mais pimenta à destrambelhada marcação. Durante o diálogo, Rodrigo Guarizo do Amaral, árbitro do VAR, conclui que houve falta do zagueiro no atacante. “Ele faz o calço com a perna esquerda na perna esquerda do adversário”, diz, convicto.
As imagens desmentem Guarizo e o pênalti entra para a galeria das muitas penalidades que beneficiaram o Palmeiras nos últimos cinco anos. Não dá para acreditar em simples coincidência. John Textor tinha total razão.
(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 12)
O Remo enfrenta o Criciúma, hoje à noite (19h30), no estádio Mangueirão, com a responsabilidade de garantir presença na 3ª fase da Copa do Brasil. Muito além da importância técnica da classificação, há o fator financeiro. Caso passe pelos catarinenses, o Leão vai acumular uma premiação de R$ 2.921.000,00. Na 3ª fase, mais R$ 2.315.000,00.
A Copa do Brasil é extremamente valiosa pela premiação que paga. Tropeços como o do ano passado, quando o Remo foi eliminado na 1ª fase, representam prejuízos irrecuperáveis. O duelo com o Criciúma é, portanto, fundamental para reforçar a receita da temporada.
Para avançar, o Remo terá que jogar muito mais do que tem jogado no Campeonato Paraense. A falta de criatividade demonstrada pela equipe em jogos contra adversários tecnicamente inferiores, como o Capitão Poço e Cametá, não pode se repetir hoje.
O Criciúma disputou o Brasileiro da Série A em 2024, fazendo uma campanha de recuperação na reta final, mas a pontuação foi insuficiente para se manter na elite. Tem um time do mesmo nível da equipe azulina.
É enganoso considerar que o Remo é superior levando em conta que o Criciúma foi eliminado do Campeonato Catarinense. Ocorre que a eliminação veio na primeira partida eliminatória depois de liderar a fase inicial.
Os riscos representados pelo Criciúma têm a mesma envergadura dos problemas que o Remo exibe. Se na Série C 2024, Rodrigo Santana baseou a força de seu sistema no apoio dos alas, neste ano a dificuldade de encontrar uma solução eficiente no lado esquerdo enfraquece as ações ofensivas.
Para hoje, o paraguaio Alan Rodriguez deve ser novamente o titular, depois da má impressão deixada no Re-Pa. Uma opção mais palatável seria Edson Cauã, que perdeu espaço após se lesionar. Na direita, o jovem Kadu tem feito um Parazão de alto nível, contribuindo bastante nas jogadas ofensivas, com Dodô ou Maxwell, hoje na suplência.
Ytalo será o centroavante, pois Felipe Vizeu está lesionado. Terá ao seu lado Pedro Rocha e Dodô. O problema é que o esperado movimento de flutuação entre meio e ataque só foi bem-sucedido na estreia, diante do S. Francisco.
Curiosamente, a esperança da torcida se concentra num atacante que segue na suplência: Adailton, artilheiro na temporada com 5 gols, até hoje só foi titular contra o Cametá. É um reserva de luxo, arma de Rodrigo Santana para o 2º tempo. É o melhor reforço azulino até agora.
Renascimento de PK é mérito de Luizinho Lopes
Jogador mais hostilizado pela torcida bicolor nas primeiras rodadas do Parazão, o lateral-esquerdo PK chegou a pintar como o grande engodo da temporada. De jogador que foi alvo da cobiça do rival e acabou contratado num lance de bastidores, ele passou a ser visto como mau negócio.
Atuou mal e acabou expulso no clássico com a Tuna, mas se reabilitou a partir da chegada de Luizinho Lopes, que passou a posicionar o lateral como um terceiro zagueiro no transcurso de várias partidas.
Apesar da evolução, ainda sofreu com vaias da Fiel no jogo contra o Independente. Mesmo fazendo o cruzamento para Nicolas marcar o gol da vitória, PK foi apupado o tempo todo. Virou o alvo preferencial da insatisfação da torcida com o time.
Contra o Remo, no empate de 1 a 1, PK começou a mostrar utilidade, participando muito bem do bloqueio armado por Luizinho. Atuou bem contra o Manaus e teve personalidade para seguir em frente, sem se preocupar com a desconfiança dos torcedores.
As coisas foram mudando para melhor. Na semifinal da Copa Verde diante do São Raimundo, em Boa Vista, PK desfruta da condição de titular indiscutível pelo lado esquerdo, consolidado no sistema adotado pelo técnico. A sonhada compactação envolve o papel de PK como marcador.
Com o súbito renascimento dele, o Papão ganhou um titular experiente e que pode contribuir muito para a maturidade técnica do time.
Conmebol passou pano para o racismo paraguaio
Com uma punição pecuniária muito abaixo do que era esperado (50 mil dólares, cerca de R$ 290 mil), a Conmebol confirmou a fama de condescendência com atos racistas no futebol sul-americano. A entidade, presidida por um cartola paraguaio, costuma agir com excessiva brandura em relação a torcedores xenófobos e intolerantes.
Luighi e seus companheiros do Palmeiras sub-20 foram insultados com gestos vindos de torcedores imitando macacos. As lágrimas amargas e indignadas do atacante comoveram o país, mas não convenceram a Conmebol.
Além da multa, que não foi a maior já aplicada pela entidade, a decisão incluiu a proibição de público em jogos do Cerro Porteño na Libertadores Sub-20, medida absolutamente inútil e até ridícula, pois o time já foi eliminado do torneio.
Caberá à CBF agir com um mínimo de coragem e cobrar da Conmebol uma revisão de pena, além de acionar a Fifa, que também não é muito de se importar com cenas de racismo – Vini Jr. que o diga.
O fato é que a CBF é hoje a confederação mais poderosa da América do Sul, reunindo clubes que dominam as competições continentais. Está na hora de abandonar a tibieza e fazer valer esse poderio.
(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 11)
André Corrêa do Lago divulga documento com visões e objetivos do Brasil para o evento. Diplomata pede um mutirão contra as mudanças climáticas
Do Nexo Jornal
O embaixador André Corrêa do Lago, que preside a 30ª Conferência do Clima da ONU, a COP30, divulgou nesta segunda-feira (10) uma carta que traz a visão e os objetivos do país para o evento, que será realizado em Belém, em novembro. Mais do que metas ou uma agenda concreta, porém, o documento traz, ao longo de 12 páginas, um apelo para que países, sociedade civil, empresários não desistam da luta contra o que ele chamou de inimigo comum a todos: as mudanças climáticas.
O Brasil faz um chamado a uma mobilização geral diante do complexo cenário internacional, em que os Estados Unidos, sob Donald Trump, estão provocando mudanças no tabuleiro geopolítico; e a ameaça de uma nova grande guerra vem redirecionando os esforços de muitos países, antes voltados para o clima, para estratégias de defesa. É o que Corrêa do Lago chama de “banalidade da inação”, em sua carta.
“Este ano marca o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial e de nossa aliança na criação das Nações Unidas. A filósofa germano-americana Hannah Arendt denunciou a ‘banalidade do mal’ como a aceitação do que era inaceitável. Agora, estamos enfrentando a ‘banalidade da inação”, uma inação irresponsável e também inaceitável”, escreve.
“Nesta década crítica, o Brasil convoca novamente nossa aliança de povos para, mais uma vez, deixarmos nossas diferenças de lado e nos unirmos para vencer o inimigo comum: a mudança do clima”, continua.
Logo no primeiro parágrafo da carta, Corrêa do Lago pede que a comunidade internacional reflita sobre os valores “que nos mantêm unidos: paz e prosperidade, esperança e renovação, consideração e gratidão, unidade e conexão, resiliência e otimismo, generosidade e bondade, diversidade e inclusão”. Serão necessários “em um século que testará a capacidade de adaptação e inovação de nossa espécie na construção de um futuro comum”.
Para o embaixador, que desde 2023 é o negociador chefe do Brasil nas negociações climáticas, o momento demanda uma mudança inevitável, “seja por escolha ou por catástrofe”.
Nos últimos anos o aquecimento global tem se agravado. 2024 foi o mais quente do registro histórico, superando o recorde de 2023, e foi o primeiro em que a temperatura média do planeta ultrapassou em mais de 1,5 °C a que era registrada antes da Revolução Industrial. A consequência tem sido um aumento de eventos extremos e tragédias em todo o mundo, como as chuvas que devastaram o Rio Grande do Sul e as queimadas na Amazônia e no Pantanal.
“Se o aquecimento global não for controlado, a mudança nos será imposta, ao desestruturar nossas sociedades, economias e famílias. Se, em vez disso, optarmos por nos organizar em uma ação coletiva, teremos a possibilidade de reescrever um futuro diferente. Mudar pela escolha nos dá a chance de um futuro que não é ditado pela tragédia, mas sim pela resiliência e pela agência em direção a uma visão que nós mesmos projetamos”, aponta a carta.
É o mesmo tom que ele já havia adotado, na quarta passada (5), durante reunião informal na Assembleia Geral da ONU. “Diante da urgência, a complexidade da nossa tarefa é fortalecer a governança climática e proporcionar agilidade, preparação e antecipação tanto na tomada de decisões quanto na implementação”, disse.
Em conversa com alguns veículos de imprensa na sexta-feira (7), da qual fez parte a Agência Pública, Corrêa do Lago e Ana Toni, secretária de Mudança do Clima, do Ministério do Meio Ambiente, e diretora-executiva da conferência, explicaram que a ideia da carta foi realmente fazer um chamado à mobilização que vá além da própria conferência.
“Nós estamos vendo muito claramente os limites de tratar do tema de mudança do clima apenas entre países negociando num acordo internacional cheio de regras extremamente complexas”, afirmou o embaixador.
No documento, a presidência brasileira da COP se vale do conceito tão brasileiro de mutirão. “Todo brasileiro entende essa palavra, e agora o mundo vai descobrir que existe, que todo mundo tem que se juntar para um bem comum”, disse ele na entrevista.
“Não apenas os países. Nós temos que juntar a sociedade, o setor privado, a juventude. Nós temos que juntar todos em torno de um movimento que nos parece tão urgente, mas que nós não estamos tendo no mundo, neste momento: um foco sobre clima como deveria ser”, complementou.
Este não-foco ganhou escala a partir da vitória de Trump nas eleições americanas. E não somente pela postura anti-climática do republicano, que além de ter iniciado o processo de mais uma vez retirar os EUA do Acordo de Paris, defende uma exploração maior de petróleo, tem agido contra incentivos à transição energética e vem promovendo um desmonte da área ambiental e de pesquisas de clima.
O impacto ainda maior é pela desestabilização da ordem mundial que ele vem provocando por exemplo, em relação à guerra entre Rússia e Ucrânia e que faz com que países europeus direcionem o foco para uma eventual guerra no continente.
Na carta, Corrêa do Lago cita isso, de modo indireto. “A falta de ambição será julgada como falta de liderança, pois não haverá liderança global no século 21 que não seja definida pela liderança climática (…). Ao reconhecermos que somos todos interdependentes na luta contra a mudança do clima, devemos reconhecer que a comunidade internacional é tão forte quanto seu elo mais fraco.”
Na entrevista, ele foi mais enfático. “[É um momento em que] os maiores, ou o que se espera que sejam os maiores, entre aspas, doadores [para a ação climática]… um está saindo de Paris e não parece ter muita intenção de colocar recursos para isso, e os outros estão tendo que desviar os recursos para outras coisas também, um pouco por causa das circunstâncias mundiais hoje”, resumiu.
A visão é que é preciso traduzir melhor às pessoas o que significam as negociações climáticas e qual é a relação delas com a vida real. “Acho que o mundo entende que a gente está assinando várias coisas importantes e tal [no âmbito das conferências do clima], mas não está entendendo muito bem. A gente tem que traduzir o resultado dessas negociações para o público em geral, para que ele volte a acreditar que a gente tem que entrar nessa agenda para o bem comum”, explica.
Uma ideia que precisa ser combatida, diz, é que investir em combate à mudança do clima é ruim para a economia. “Não é. Eu acho que nós temos que chegar com muitíssimos exemplos do quanto pode ser bom, se bem feito, e há vários exemplos. É mostrar que o combate à mudança do clima não piora a vida das pessoas. Ao contrário, melhora”, diz.
“Porque há essa percepção, por exemplo, em alguns países europeus, que o combate à mudança do clima está aumentando o custo da energia. Então as pessoas acham que não têm que pagar por isso. A ideia é fazer um movimento que dê um novo impulso ao combate à mudança do clima, com novos argumentos e com novos atores.”
A presidência da COP30 e o governo brasileiro, em especial na figura da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, têm defendido, desde o ano passado, que esta deve ser a conferência da implementação de tudo o que já foi decidido ao longo dos últimos anos. Que o que precisa ser feito para combater a mudança do clima já está posto, agora é preciso pôr em prática. A carta traz essa ideia. De que a COP30 seja o “momento da virada”.
Questionados sobre como esperam ser possível fazer essa virada justamente diante do diagnóstico, que eles mesmos fizeram, de que as preocupações neste momento de todo o mundo são outras, como a guinada da extrema direita, um discurso anti-ambiental e a iminência de uma guerra mais ampla, tanto o presidente da COP quanto a diretora-executiva fizeram um chamado à razão.
“A gente tem de perceber que o tema da mudança do clima vai continuar conosco. As guerras vêm, vão. Ficam aí um ano, dois, três… Muita destruição e vão embora. A mudança do clima, ela fica. Vai ficar por muitos anos. A gente sabe disso”, respondeu Ana Toni.
Na carta, eles propõem que outros atores atuem como “alavancas” das soluções que já estão disponíveis e já estão acontecendo: “A presidência recrutará agentes entre as partes interessadas não estatais para se associarem como ‘alavancas’, ajudando a aplicar soluções em ‘pontos de alta alavancagem’, onde pequenas mudanças podem resultar em grandes impactos no comportamento de sistemas complexos”.
De acordo com Ana Toni, uma dessas alavancas precisa ser sobre a transição energética. “É inevitável, ela vai acontecer. O que a gente precisa agora é dar velocidade e escala a essa mudança. Já tem soluções em muitos setores. Já tem tecnologia. A gente já sabe que os recursos existem. Eles precisam ser colocados. Se a gente olhar para soluções, olhar para essa alavanca, pensando nesse mutirão, não só os negociadores, mas a sociedade como um todo, setor privado, governo multinacional, governos subnacionais, a gente tem uma oportunidade incrível de avançar neste combate à mudança do clima”, afirma.
“Temos sim esse inimigo comum e temos já soluções na mesa. [A carta traz] essa esperança de fazer com que a próxima década seja essa década de mutirão, de trabalhar juntos, de pensar nesse bem comum, sabendo que as soluções já existem, a gente só precisa dar velocidade e escala para ela”, complementa.
Não chega a ser uma novidade no futebol paraense a ocorrência de irregularidades no registro e utilização de atletas. A atual situação de paralisia do Campeonato Estadual já ocorreu pelo menos três vezes desde 2010. Por distração ou amadorismo, os clubes tratam com desleixo os artigos dos regulamentos, levando a penalizações como as que castigam Capitão Poço e Tuna no atual campeonato.
Um pequeno item do regulamento, que proíbe a utilização de jogadores de 20 anos sem vínculo profissional, causou um verdadeiro terremoto no Parazão 2025. Além do alto custo institucional, com o adiamento das quartas de final, há a incerteza quanto à continuação da competição.
Os trâmites exigidos pela Justiça Desportiva podem deixar o certame parado por mais de 20 dias, o que comprometeria o calendário dos clubes na Copa do Brasil e Copa Verde, e até no Brasileiro da Série B, que se inicia em abril.
O comprometimento da preparação para as competições mais importantes da temporada é apenas um dos aspectos a ser levado em conta. A suspensão imposta pelo TJD torna-se mais problemática ao desgastar a imagem do campeonato, descredibilizado e sabotado pelos próprios clubes.
A qualidade técnica será afetada pela necessidade de arranjar datas para as etapas decisivas, o que pode obrigar Remo e PSC a utilizarem times mesclados para não comprometer a caminhada na Série B.
Há também os danos causados aos patrocinadores – com ênfase na participação do Governo do Estado, principal parceiro e garantidor da sobrevivência do torneio. Os clubes não se mostram preocupados com as graves consequências, que começam pela perda de interesse do torcedor.
O maior constrangimento fica por conta da reincidência em trapalhadas. A lambança se repete há anos sem que os clubes se preocupem em ao menos ler corretamente o regulamento, atitude que revela negligência e pouco caso com o principal produto do futebol regional.
O novo imbróglio pode servir para uma firme tomada de atitude e para a adoção de atitudes saneadoras há muito necessárias, começando pela redução do número de participantes, de 12 para 10 (ou 8) clubes. Isso, porém, já é uma outra história.
Remo ganha tempo de preparação para a Copa BR
O único efeito positivo da súbita paralisação do Campeonato Paraense foi o tempo de preparação que o Remo terá para enfrentar o Criciúma, na terça-feira (11) à noite, em disputa da vaga à 3ª fase da Copa do Brasil, competição que paga os maiores prêmios do futebol brasileiro.
É justamente de olho na premiação de R$ 2,3 milhões e na participação na renda do jogo que o Remo treina há uma semana. Quase todos os titulares estão à disposição do técnico Rodrigo Santana.
Ytalo, goleador do time na Série C, será o centroavante, tendo como parceiros de ataque Pedro Rocha e Dodô (ou Maxwell). Adailton, Janderson e Gabriel Martins são opções para o 2º tempo.
Bola na Torre
O programa começa às 23h, na RBATV, com apresentação de Guilherme Guerreiro e participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a crise que causou a paralisação do Campeonato Paraense. A edição é de Lourdes Cezar e Lino Machado.
Lágrimas de indignação contra o racismo no futebol
O garoto Luighi, atacante do Palmeiras, foi agredido com insultos racistas por torcedores paraguaios do Cerro Porteño na quinta-feira (6), em jogo da Libertadores Sub-20. Desta vez, a Conmebol não poderá passar pano.
As imagens mostram torcedores xingando Luighi e seus companheiros de time. Um dos animais racistas carregava um bebê no colo. À TV oficial, Luighi cobrou providências e derramou lágrimas de indignação.
Como bem disse o presidente Lula, em mensagem ao jogador, racismo significa o fracasso da humanidade. Até Gianni Infantino se manifestou. Vini Jr., vítima contumaz de neofascistas na Espanha, se solidarizou com Luighi.
Que o crime seja devidamente punido e sirva de lição para racistas do mundo inteiro, inclusive do Brasil, onde muitos criticam as vítimas, alegando provocação aos algozes. O ódio não pode vencer.
Dr. Sócrates é o novo projeto do ganhador do Oscar
Vencedor do Oscar de Filme Internacional com “Ainda Estou Aqui”, o botafoguense Walter Salles já trabalha em novo projeto: a série documental “Sócrates Brasileiro”, que narra a trajetória do Doutor, contando com a participação do craque Raí e de vários amigos do ídolo corintiano.
Paraense de nascimento, Sócrates foi um gigante dos gramados e um ícone da luta pela democracia. Morto em 2011, merecia um registro digno. O documentário de Walter vai apresentar Sócrates às novas gerações.
(Coluna publicada na edição do Bola deste sábado/domingo, 08/09)
Uma das sete proposições aprovadas no plenário da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) nesta terça-feira (25) garantirá verba indenizatória aos servidores do fisco e determinará uma reforma na administração pública tributária do Estado. Enviada pelo Poder Executivo, a matéria, segundo o líder do governo na Casa, deputado Iran Lima (MDB), define novas diretrizes no setor e vai possibilitar um aumento expressivo da arrecadação estadual. O PLC segue agora para sanção governamental.
O projeto propôs a alteração de dispositivos da Lei Complementar Estadual nº 78/2011, que institui a Lei Orgânica da Administração Tributária do Estado do Pará e disciplina as carreiras que a integram. A intenção é modernizar e valorizar as carreiras da administração tributária, assegurando os recursos prioritários para suas atividades e reforçando sua contribuição ao equilíbrio fiscal e às políticas públicas.
Entre as mudanças previstas está a atribuição exclusiva do poder de polícia fiscal à administração tributária, essencial para equilibrar interesses e assegurar direitos. Além disso, a proposta prevê novas diretrizes para a gestão do Fundo de Investimento Permanente da Administração Tributária (Fipat), com o objetivo de fortalecer as carreiras e estimular a arrecadação estadual. Iran Lima afirma que, com a nova Lei Orgânica da Administração Tributária (Loat), haverá um crescimento de no mínimo 8% além do que está previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA/2025) – a previsão desse percentual girava em torno de 3,5% a 4%.
“Então temos um crescimento de cerca de R$ 2,5 bilhões além do que está previsto na LOA. Com isso, o governo do estado do Pará vai incentivar e valorizar esse aumento da arrecadação por meio da valorização dos servidores da Secretaria de Estado da Fazenda. Ou seja, a Lei traz um ganho de produtividade, com uma verba indenizatória aos servidores além dos seus salários que já recebem hoje. Então, fortalece a economia e valoriza o servidor da Sefa estadual”, justifica o deputado.
Saúde pública
De autoria do deputado Rogério Barra (PL), o Projeto de Lei nº 393/2023, que dispõe sobre o controle da reprodução de cães e gatos de rua no estado, também foi aprovado. A intenção do parlamentar é contribuir com o controle reprodutivo de animais em situação de rua, definindo diretrizes e medidas que visem à proteção desses animais, por meio de identificação, registro, esterilização cirúrgica, adoção e campanhas educacionais de conscientização pública.
Entre outras determinações, o PL garante a proibição do extermínio de cães e gatos pelos órgãos de controle de zoonoses, canis públicos e estabelecimentos oficiais congêneres, à exceção das universidades e dos institutos com fins de ensino, pesquisa e estudos científicos. A eutanásia, permitida nos casos de enfermidades em situação de irreversibilidade, será justificada por laudo do responsável técnico pelos órgãos e estabelecimentos referidos no caput deste artigo, precedido de exame laboratorial, facultado o acesso aos documentos por entidades de proteção dos animais.
“Constata-se que o crescimento populacional de cães e gatos que vivem em situação de rua tem aumentado significativamente. Essa tendência é impulsionada também pelo abandono promovido por seus responsáveis legais, o que resulta em um cenário preocupante. Nesse contexto, a presente propositura constitui uma medida destinada a fomentar uma convivência mais harmoniosa entre os animais e a sociedade, mediante a implementação de técnicas eficazes para o controle populacional dos animais em situação de rua”, justificou o autor da matéria.
Já a deputada Maria do Carmo (PT) é autora do Projeto de Lei nº 552/2023, que altera a Lei Estadual nº 8.914/2019 e institui a Política de Diagnóstico e Tratamento da Depressão nas redes públicas e privadas de saúde. Segundo dados da matéria, a depressão é um transtorno mental frequente, que afeta mais de 300 milhões de pessoas no mundo, segundo a OMS. No Brasil, estima-se que cerca de 15% da população sofra com esse transtorno ao longo da vida. Para ela, é preciso construir uma política estadual para enfrentar a depressão, considerada um grave problema de saúde pública.
“A legislação federal sobre a depressão é escassa e insuficiente para atender às demandas da população. O projeto de lei em análise busca preencher essa lacuna normativa, definindo conceitos, diretrizes, direitos e deveres relacionados à depressão, com base em evidências científicas e nas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS)”, explica a deputada, na justificativa da proposição.
Maria ressalta que o PL está alinhado ao Plano Nacional de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas (2011-2020), que estabelece medidas como ampliação do acesso aos serviços, promoção da saúde mental na atenção primária e capacitação de profissionais.
Patrimônio e Segurança Pública
De autoria do deputado Iran Lima, foi aprovado o Projeto de Lei nº 355/2023, que declara o Círio de Nossa Senhora de Nazaré de Moju patrimônio cultural e artístico imaterial do Estado do Pará. Com mais de 100 anos de tradição, a festividade é referência na cidade, e a santa é padroeira da comunidade da Campina, na zona rural do município.
Os deputados também apreciaram e votaram a favor do PL nº 150/2019, de autoria do deputado Ângelo Ferrari (MDB), que dispõe sobre o pagamento de monitoramento eletrônico para apenados e/ou sentenciados. De acordo com o parlamentar, a intenção é que o Estado garanta a disponibilização dos equipamentos para cumprimento da pena nos regimes aberto, semi-aberto e medidas cautelares restritivas judiciais em um momento que ele considerou “tão delicado para o nosso Estado democrático de direito”.
“Muitos apenados que usam tornozeleiras eletrônicas desafogam um pouco a superlotação do sistema prisional. É responsabilidade do Estado fornecer o equipamento a todos, porém, alguns dispõem de condições financeiras de arcar com os custos do equipamento bem como de sua manutenção, desonerando assim, o Órgão Estatal dessa despesa”, diz. “O projeto, além de assegurar o direito do preso ou apenado da progressão do regime ou ao cumprimento de pena restritiva, desonera o Estado e o sistema prisional, assegurando inclusive as garantias e a preservação dos direitos humanos”, justifica Ângelo Ferrari.
Mesa Diretora
Por fim, durante a sessão desta terça-feira, foram aprovados os projetos de Decreto Legislativo nº 2 e nº 3 de 2025, enviados ao plenário pela Mesa Diretora da Casa. As matérias dispõem, respectivamente, sobre a ratificação dos Convênios ICMS nº 149/24, nº 150/24, nº 151/24, nº 160/24 e nº 172/24; e nº 135/24, nº 136/24, nº 143/24 e nº 146/24, celebrados pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).