EUA usaram a Lava Jato para conseguir R$ 20 bilhões da Petrobras

Os R$ 2,7 bilhões recebidos pelo Ministério Público Federal de Curitiba das multas aplicadas à Petrobras nos Estados Unidos foram uma recompensa dada à “Lava Jato” por ter ajudado autoridades americanas a conseguir R$ 20,1 bilhões da estatal brasileira, e não “recuperação de dinheiro público”, como venderam os procuradores do Paraná.

Essa é a conclusão da tese de doutorado “A Hegemonia Estadunidense e o Combate à Corrupção no Brasil: O caso da Operação Lava Jato”, de autoria de Arthur Pinheiro de Azevedo Banzatto, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Grande Dourados, em Mato Grosso do Sul.

A primeira sanção contra a Petrobras ocorreu em janeiro de 2018, quando a empresa fechou um acordo de US$ 2,95 bilhões (R$ 9,6 bilhões, na cotação da época) para encerrar uma disputa judicial com acionistas privados americanos que ingressaram com uma ação coletiva nos Estados Unidos. Eles alegaram prejuízos por causa de esquemas de corrupção ocorridos no Brasil. Todo o valor foi destinado aos acionistas.

O segundo acordo, de US$ 853,2 milhões (R$ 3,4 bilhões), foi fechado em setembro de 2018 com o Departamento de Justiça por suposta violação ao Foreign Corrupt Practices Act (FCPA, na sigla em inglês), norma que permite que autoridades dos EUA investiguem e punam fatos ocorridos em outros países.

O único valor da Petrobras que voltou ao Brasil foi parte dessa multa: 80% do valor, ou US$ 682 mil (R$ 2,7 bilhões), foram destinados ao MPF brasileiro. Os 20% restantes foram divididos entre o Tesouro dos Estados Unidos e a Comissão de Valores Mobiliários americana (SEC, na sigla em inglês).

Também em setembro de 2018, a Petrobras foi multada em US$ 1,78 bilhão (R$ 7,1 bilhões) em um processo administrativo da SEC. Todo o valor foi destinado à própria Comissão de Valores Mobiliários.

Os dados estão na tese de doutorado de Banzatto, publicada em outubro de 2023 e produzida com o apoio do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina. Todos os valores referentes às multas têm como base a cotação do dólar na época em que as sanções foram aplicadas.

Em entrevista à revista eletrônica Consultor Jurídico, o pesquisador afirma que, embora a “lava jato” tenha tratado os R$ 2,7 bilhões como um valor recuperado, trata-se, na verdade, de uma espécie de recompensa pela ajuda dada pelos procuradores às autoridades americanas.

A atuação do MPF parece contraintuitiva: se por um lado os Estados Unidos viram uma oportunidade de punir a Petrobras e garantir seus interesses ao atuar em favor de empresas americanas, por outro os procuradores de Curitiba prejudicaram a estatal fora do Brasil deliberadamente para tentar colher uma parcela do dinheiro e criar a famigerada “fundação” da “lava jato”.

A entidade privada, que seria gerida pelos procuradores, só não foi adiante por ter sido barrada pelo Supremo Tribunal Federal. Foi só a partir da decisão do STF que os R$ 2,7 bilhões foram, de fato, para a União.

“O MPF adotou um discurso em que afirmou que esse é um dinheiro ‘recuperado’. Quando, na verdade, não é. É uma multa que foi aplicada com a ajuda do MPF e ele recebeu um valor por ter ajudado. E esse era o dinheiro que iria para a fundação ‘lava jato’”, afirma Banzatto.

Segundo ele explica, a parceria da “lava jato” com as autoridades dos EUA se deu toda de forma irregular, fora dos canais oficiais. Colaborações regulares devem ser feitas por meio do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), órgão vinculado ao Ministério da Justiça.

A atuação ilegal do MPF se deu com o compartilhamento de provas com autoridades dos EUA. Investigadores do FBI chegaram a ser recebidos no Brasil a partir de 2015, sem autorização do Ministério da Justiça. No ano seguinte, os americanos conduziram interrogatórios de ex-diretores da Petrobras e fizeram acordos, também sem qualquer autorização.

“O MP intermediou esse acordo da Petrobras com o DoJ (Departamento de Justiça dos EUA), compartilhou provas e conteúdos de delação, fora dos canais oficiais. O MP foi fundamental, tanto que foi beneficiado.”

De acordo com o pesquisador, existe, de fato, uma cifra que pode ser classificada como “recuperada”: a dos acordos fechados no Brasil entre o MPF e colaboradores, em que parte de valores que teriam sido obtidos por meio de corrupção foi devolvida por investigados.

Já nos EUA, diz Banzatto, o que houve foi uma recompensa, uma vez que o MPF topou ajudar uma estatal brasileira a ser punida fora do Brasil em troca da parcela de uma das multas.

“O Ministério Público, que em tese deveria atuar pelo interesse nacional, atuou contra o patrimônio brasileiro. É o contrário do que ocorre no restante do mundo, em que os Estados usam seus sistemas jurídicos para alavancar suas empresas, para gerar dinheiro e emprego para seu próprio Estado.”

RASTRO DE DESTRUIÇÃO

A pesquisa de Banzatto apresenta dados, com base em levantamentos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), sobre os efeitos da “lava jato” na Petrobras e em outras empresas brasileiras, como a Odebrecht.

A construtora e a Braskem foram multadas no final de 2017 em US$ 3,6 bilhões (R$ 11,6 bilhões), também com a ajuda da “lava jato”. O acordo feito à época previu a devolução de 80% do valor ao MPF. Os 20% restantes foram divididos igualmente entre autoridades dos EUA e da Suíça. Trata-se da maior multa aplicada por meio do FCPA até hoje.

No caso da Petrobras, o volume de investimento em exploração e produção era de US$ 48,1 bilhões em 2015. No ano seguinte, no auge da “lava jato”, caiu para US$ 15,8 bilhões.

A partir dali, o crescimento do investimento em exploração, produção, refino, biocombustíveis e ciência e tecnologia deu lugar ao modelo exclusivo de exploração e produção que existia antes do pré-sal, em 2006.

“A Petrobras passou por uma mudança radical em sua política. Ela abriu mão de ser uma empresa estratégica, de investir em conhecimento local, ciência e tecnologia e refino, e voltou ao modelo dos anos 90, quando só havia exploração”, explica o pesquisador.

O mesmo fenômeno ocorreu com a Odebrecht, segundo o levantamento de Banzatto. Em 2014, a empresa tinha uma receita bruta de US$ 107 bilhões; em 2019, ela caiu para US$ 78 bilhões.

O número de empregados da companhia diminuiu, nos mesmos anos, de 168 mil para 35 mil. E a presença internacional também despencou: em 2014, a Odebrecht atuava em 27 países; cinco anos depois, em 14.

Por Tiago Angelo, é correspondente da revista Consultor Jurídico em Brasília.

Um artilheiro questionado

POR GERSON NOGUEIRA

Ytalo marcou 10 gols na temporada, cinco deles na Série C, mas o torcedor azulino ainda manifesta dúvida quanto à avaliação do artilheiro azulino. Pelas expectativas criadas com a sua contratação, ficou a sensação de que ele podia render mais e contribuir para uma caminhada mais tranquila do Remo, principalmente no Brasileiro.

Talvez se não tivesse chegado ao Baenão com a credencial de goleador da Série B 2023 pelo Sampaio Corrêa, com 13 gols, o desempenho no Remo talvez fosse mais reconhecido. Sim, porque em comparação com outros centroavantes da competição ele se saiu razoavelmente bem.

Com os cinco gols marcados, terminou bem situado na tábua de artilheiros, mesmo tendo ficado várias partidas sem atuar em função de lesões. Na comparação interna, foi muito superior ao outro camisa 9 do elenco. Ribamar, em constante desavença com o gol, ficou devendo muito mais.

Ainda assim, Ytalo terá que justificar a presença no elenco da próxima temporada. Será fundamental na campanha de busca pelo título estadual paraense e na Copa Verde, duas obsessões do Remo para 2025. Antes mesmo do Brasileiro, ele terá que passar pelo crivo de duas competições consideradas relativamente fracas.

A presença está confirmada porque ele tinha uma cláusula de renovação automática em caso de acesso à Série B. Aos que questionam a permanência do experiente atacante, o Parazão e a CV podem servir como resposta. Não custa lembrar o exemplo de Nicolas, que fez a festa nos dois torneios iniciais, garantindo artilharia para o resto do ano.

É preciso entender, porém, que o exemplo de Nicolas desfavorece Ytalo. O centroavante do PSC marcou muitos gols contra defesas fracas, mas encontrou muita dificuldade para balançar as redes contra adversários mais poderosos na Série B – marcou somente três gols.

Herói do jogo do acesso, Ytalo terá que aproveitar as competições regionais para manter a titularidade, rendendo mais do que neste ano – fez apenas quatro gols no Parazão e um na Copa Verde –, para entrar firme na Série B, buscando reproduzir a grande performance exibida no Sampaio em 2023. (Foto: Thiago Gomes/Jornal O Liberal)

Duas dispensas que surpreendem a quase ninguém

O PSC fez um investimento de risco ao contratar Juan Cazares para tomar conta do setor de criação do time na Série B. O jogador, com passagens pelo Atlético-MG e o Santos, veio avalizado pelo técnico Hélio dos Anjos, mas sob desconfiança de quem acompanha sua carreira.

De técnica refinada, especialista em lançamentos e bolas paradas, o bom futebol de Cazares garantiu um lugar na seleção do Equador. Como nos clubes de ponta que defendeu, ele não conseguiu sustentar presença no escrete de seu país em função das oscilações e problemas extracampo.

No Papão, teve início animador, dando passe perfeito para Nicolas marcar contra o Ceará Sporting, na 15ª rodada da Série B. Do entusiasmo despertado inicialmente, Cazares foi aos poucos caindo de rendimento.

Passou de maestro da equipe a opção no banco de reservas, perdendo espaço para o veterano Robinho e para o garoto Juninho. No começo do returno, em meio à crise técnica do time, que ficou nove jogos sem vencer, Cazares simplesmente desapareceu.

Deixou de ser relacionado até para a suplência desde que Márcio Fernandes assumiu o comando. Sua presença no elenco começou a causar incômodo, até pelo alto salário. Ao mesmo tempo em que sumiu do noticiário esportivo, passou a circular diariamente na rede de fofocas da internet.

Ao lado de Yony Gonzalez, outro que só fez figuração no clube, era apontado como frequentador da noite e adepto das famosas barcas da capital paraense. Quando o atleta rende, ninguém liga para o que faz na vida pessoal, mas se não entrega futebol passa a ser marcado em cima.

Uma coisa é certa: ninguém pode alegar surpresa diante do desfecho anunciado pela diretoria na sexta-feira. Os dois atletas esgotaram as chances dadas pelo clube e foram dispensados. Antes tarde do que nunca.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa neste domingo, às 22h, na RBATV, com a participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a campanha do PSC na Série B e as projeções do Remo para 2025. A edição é de Lourdes Cezar e Lino Machado.

Honrando as cores do Brasil de nossa gente

Os jornais sul-americanos de sexta-feira renderam-se ao papel de dois atacantes do Botafogo na vitória do Brasil, de virada (2 a 1), sobre o Chile na véspera. Fazia tempo, bote tempo nisso, que botafoguenses não faziam a diferença com a camisa da Seleção. A última vez foi na Copa de 1998, quando Bebeto marcou diante da Dinamarca.

Na noite chilena, em pleno estádio Nacional, palco de atuações lendárias de Mané Garrincha, Amarildo e Nilton Santos na Copa de 1962, Igor Jesus empatou a partida no crepúsculo do 1º tempo e Luiz Henrique garantiu o triunfo na reta final do confronto.

Ambos são astros no Botafogo líder do Brasileiro e semifinalista da Libertadores. Não são casos exclusivos no elenco alvinegro. Outros cinco jogadores foram convocados na atual data-Fifa: Gatito (Paraguai), Bastos (Angola), Almada (Argentina) e Savarino (Venezuela). Detalhe importante: todos titulares de suas seleções.

O fato é que, como disse o poeta Cazuza, o futuro repete o passado na roda da história do futebol brasileiro com a ascensão do Botafogo. E isto é uma excelente notícia. Com jogadores do Glorioso, clube que mais cedeu atletas à Seleção Brasileira, o Brasil conquistou suas três primeiras Copas.

(Coluna publicada na edição do Bola deste sábado/domingo, 12/13)

Rock na madrugada – The Beatles, “She Said She Said”

POR GERSON NOGUEIRA

“She Said She Said” (Ela Disse, Ela Disse) é uma intrigante canção que os Beatles incluíram no aclamado álbum Revolver (1966). Creditada por contrato a Lennon–McCartney, a letra foi escrita por John Lennon com a ajuda de George Harrison. Descrita como “uma canção ácida” por Lennon, referindo-se a comentários do ator Peter Fonda durante uma viagem de LSD, em agosto de 1965. Estavam na roda os quatro Beatles e os músicos dos Byrds.

Hospedados numa casa em Los Angeles (EUA), eles convidaram alguns amigos para passar o fim de semana. Um deles era Peter Fonda, engajado na luta pelos direitos civis e um militante da contracultura. Enquanto tomavam LSD, Fonda começou a contar sobre um ferimento de bala que ele teria se autoinfligido quando criança. Disse que chegou a ser declarado tecnicamente morto na mesa de cirurgia. Lennon ficou assustado e fascinado pela história. Dali para transformar a ótima história em canção ainda melhor foi apenas um pulo.

“She Said She Said” foi a última faixa gravada para o disco Revolver e, devido a uma discussão áspera sobre o arranjo musical da canção, Paul McCartney saiu do estúdio irritado e não contribuiu para a gravação. Por outro lado, a música mostra um Ringo Starr no melhor da forma, confirmando a fama de metrônomo humano, mantendo o tempo perfeito e nunca sobrecarregando as batidas. Um show à parte.

A canção surpreendeu os fãs, pois era claramente uma música de John & George e não de Lennon & McCartney, e era brilhantemente irresistível e climática. Um rock poderoso, com aquela aura de mistério que a letra pesada exigia, tudo valorizado pela guitarra solo de Harrison, que também auxilia (como segunda voz) a interpretação elegante de John. Soa atual, embora tenha sido gravada há 58 anos.

No fim das contas, “She Said” virou uma das músicas mais incríveis da discografia dos Beatles, apesar de frequentemente subestimada. É um dos poucos trabalhos que inclui apenas o trio John, George e Ringo. Abaixo, um trecho da letra de Lennon:

Ela disse: eu sei como é estar morto
Eu sei como é estar triste.
E ela está me fazendo sentir como
Se eu nunca tivesse nascido.
Eu disse

Quem colocou essas coisas na tua cabeça?
Coisas que me fazem sentir como se estivesse louco
E você está me fazendo sentir como
Se eu nunca tivesse nascido
.
Ela disse: Você não entendeu o que eu disse
Eu disse: Não, não, não, você está errada
Quando eu era um garoto
Tudo estava de boa
Tudo estava de boa
Eu disse
.
Apesar de você saber o que você sabe
Eu sei que estou pronto para partir
Porque você está me fazendo sentir como
Se eu nunca tivesse nascido
.

Re-Pa (quase) certo na Série B

POR GERSON NOGUEIRA

O jogo encantou a torcida bicolor. E havia bons motivos para isso. O time desencantou quanto ao velho problema de finalizações desperdiçadas e, acima de tudo, mostrou alma. A velha gana de vencer, característica do PSC ao longo de tantas jornadas. A vitória sobre a Chapecoense por 2 a 0, com um jogador a menos, provou que o sonho de permanecer na Série B é plenamente possível.

As primeiras ações da partida indicaram um PSC excessivamente tenso diante da imensa responsabilidade de vencer a primeira das quatro decisões em casa. Perante 13 mil torcedores, o time encontrou dificuldades para encaixar seu jogo contra um adversário insinuante e perigoso.

O perigo surgiu logo no primeiro minuto, quando o volante João Vieira saiu jogando errado e a bola caiu em poder do meio-de-campo da Chape. A bola foi lançada ao ponta Ítalo e este cruzou rasteiro para a pequena área do PSC. Entre a indecisão do goleiro Matheus Nogueira e dos zagueiros, Tomás e Mário Sérgio perderam a chance de tocar para as redes.

Um minuto depois, nova saída defeituosa e o ex-bicolor Mário Sérgio foi dividir a bola com Matheus Nogueira na linha da grande área. Um tremendo susto para a torcida nas arquibancadas. 

As coisas só começaram a mudar aos 9 minutos, quando Nicolas foi lançado na área e finalizou em cima do goleiro Léo Vieira. Aos 18’, Nicolas apareceu outra vez, desviando um cruzamento de Bryan Borges. Ele testou para baixo e a bola tomou a direção do canto esquerdo, mas o goleiro espalmou para escanteio.

Finalmente, depois de grande pressão bicolor, o gol saiu aos 40’. A jogada saiu de um escanteio, envolveu uma caprichada troca de passes e foi complementada por um passe primoroso do meia Robinho para Paulinho Boia, que havia entrado minutos antes no lugar de Jean Dias, lesionado.

Boia aprumou o corpo, dominou a bola e encheu o pé. A bomba foi no ângulo superior esquerdo da trave de Léo Vieira. Papão 1 a 0 e início oficial da grande festa na Curuzu.

Instantes depois, Nicolas foi expulso. Acertou o rosto do zagueiro Jonathan, que caiu ensanguentado no gramado. O árbitro Wagner Magalhães aplicou o cartão vermelho corretamente. Não foi um lance intencionalmente violento, mas foi um ato de imprudência e força excessiva.

Com um a menos, o PSC voltou para a segunda etapa com Luan Freitas e Ruan Ribeiro em substituição a Netinho e Robinho, e com uma tática simples e certeira: continuar atacando. Aos 4 minutos, após escanteio cobrado por Paulinho Boia, Luan Freitas cabeceou e fez o segundo gol.

A vitória começava a se desenhar, sustentada no sólido bloqueio defensivo montado pelo técnico interino Marcinho Fernandes. O goleiro Matheus Nogueira se constituiu na principal figura da partida, com quatro defesas portentosas, e Paulinho Boia quase marcou o terceiro gol. A bola caprichosamente tocou o poste esquerdo e saiu.

Grande vitória, excelente resultado e esperanças concretas de permanência. Com mais 9 pontos, o Papão garante dois clássicos Re-Pa na Série B 2025. (Foto: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)

Desafio de Rodrigo Santana é passar no “vestibular” 

O Remo praticamente definiu a permanência do técnico Rodrigo Santana para a próxima temporada. Faltam poucos detalhes para sacramentar a renovação. Uma decisão acertada depois do excelente trabalho dele na Série C, conquistando um acesso que parecia pouco provável.

Depois de chegar desacreditado em função da carreira pouco vitoriosa, Santana inverteu as expectativas e conseguiu dar organização e eficiência a um time que já havia perdido quatro partidas no Brasileiro.

A aposta certeira no esquema de três zagueiros fez total diferença na virada de chave comandada por ele no Leão. A quase perfeita campanha no quadrangular garantiu ao Remo o retorno à Série B, depois do fracasso representado pelo rebaixamento em 2021.

O técnico, a partir de agora, precisa ter em mente que as cobranças irão se acentuar, principalmente porque antes do Brasileiro serão disputadas competições que podem cortar cabeças. O Remo entra em duas – Parazão e Copa Verde – com ambições de títulos.

A permanência para a Série B vai depender dessa espécie de “vestibular” futebolístico. Nesta temporada, por exemplo, Ricardo Catalá perdeu o cargo em função de um vexame na fase inicial da Copa do Brasil.

Santana precisa estar bem atento a essas intempéries próprias do calendário regional. Para se resguardar, terá que montar um time competitivo e capaz de dar conta das três primeiras competições do ano para o Leão.     

Uma rotina histórica: Botafogo salvando a Seleção

Em partida fraca do ponto de vista técnico, o Brasil derrotou o Chile ontem à noite, em Santiago, com dois gols marcados pelos botafoguenses Igor Jesus e Luiz Henrique. Quem acompanha a história do futebol sabe que não é mera coincidência. Na verdade, é a reprodução de uma rotina histórica.

O Botafogo sempre salvou a Seleção Brasileira, e até vestiu o manto canarinho para conquistar a Copa do Mundo de 1962, lá mesmo no Chile, com Mané Garrincha, Nilton Santos, Amarildo e Zagallo.

Desta vez, a bordo de um time fraco e sem criatividade, os dois avançados botafoguenses fizeram a diferença. Logo a um minuto, Vargas marcou para o Chile, que sufocou durante todo o primeiro tempo. No final, o estreante Igor Jesus empatou o jogo, cabeceando bola cruzada por Savinho.  

Foi o primeiro gol de um jogador do Fogão em 26 anos – o último havia sido marcado por Bebeto, em 1998. O gol da vitória foi marcado por Luiz Henrique, aos 43’ da segunda etapa.

Com o resultado, Dorival respira aliviado. A Seleção saltou para o 4º lugar, com 13 pontos. O próximo compromisso será na quarta-feira (15), em Brasília, contra o Peru. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 11)

Papão vence a Chape e dá um grande passo para fugir do rebaixamento

POR GERSON NOGUEIRA

Foi emocionante e tenso, mas o final foi recompensador e comemorado festivamente pela torcida alviceleste. Com um jogador a menos no segundo tempo, o Paysandu conseguiu derrotar a Chapecoense por 2 a 0, na noite desta quarta-feira (9) na Curuzu lotada, afastando-se da zona do rebaixamento da Série B. O placar foi construído com gols de Paulinho Boia e Luan Freitas. A vitória coloca momentaneamente o PSC em 13º lugar, agora com 36 pontos.

No primeiro tempo, a Chape teve um início melhor, perdendo duas boas chances antes dos 3 minutos, em arrancadas de Ítalo, Tomás e Mário Sérgio. A zaga bicolor parecia tensa e errou bastante, principalmente Lucas Maia.

Os primeiros 15 minutos tiveram uma movimentação melhor da equipe catarinense. O Papão se mostrava confuso, sem conectar meio e ataque. O setor ofensivo custou a funcionar. A melhor chance foi aos 9 minutos, quando Nicolas foi lançado na área e chutou em cima do goleiro Léo Vieira.

A substituição forçada de Jean Dias, lesionado, permitiu ao técnico interino Marcinho lançar Paulinho Boia no ataque, o que acabou sendo positivo para o time. Aos 29′, um grande momento do Papão no jogo: o lateral Bryan Borges cruzou da esquerda e Nicolas saltou para desviar de cabeça. A bola tocou o chão e ia no canto esquerdo, mas o goleiro desviou para escanteio.

Com Paulinho Boia juntando-se a Nicolas e Borasi, o PSC cresceu em campo e passou a sufocar a defensiva da Chape. Aos 40′, finalmente, o Papão furou o bloqueio adversário. Após cobrança de escanteio, Paulinho Bóia trocou passes com o meia Robinho e recebeu uma assistência preciosa para finalizar no ângulo esquerdo de Léo Vieira. PSC 1 a 0.

Os 13 mil bicolores presentes à Curuzu entraram em suspense com a expulsão de Nicolas, aos 43′. Ele recebeu o cartão vermelho por atingir o rosto do zagueiro Jonathan, da Chape. O atleta caiu no gramado com a boca ensanguentada e teve que ser levado a uma clínica para atendimento. Nicolas deixou o campo sob vaias da Fiel.

No 2º tempo, inferiorizado numericamente, o PSC trouxe Luan Freitas e foi para cima da equipe adversária. Nos cincos primeiros minutos da etapa derradeira, a pressão surtiu efeito. Paulinho Bóia cobrou escanteio e Luan Freitas e Ruan Ribeiro, substituindo Netinho e Robinho. Deu certo, mais uma vez. Em escanteio cobrado por Paulinho Boia, aos 4 minutos, Luan ganhou a disputa com os zagueiros e tocou de cabeça para o fundo das redes. PSC 2 a 0.

A partir daí, a torcida tomou conta de vez do espetáculo, incentivando os jogadores e aplaudindo cada lance bem sucedido. A Chape sentiu o golpe e, mesmo em vantagem (11 contra 10) não conseguiu impor um jogo de pressão eficiente. Quando chegou com mais perigo, em finalizações de Marlone e Marcelinho, o goleiro Matheus Nogueira apareceu para operar pequenos milagres, além de acompanhar com os olhos uma bomba desferida por Neilton na trave.

Ainda houve tempo para o ataque bicolor perder uma grande oportunidade, aos 41′. Paulinho Bóia saiu em contra-ataque e bateu rasteiro, aproveitando a saída desesperada do goleiro Léo Vieira. A bola, porém, tocou no poste esquerdo e saiu pela linha de fundo.

Um grande resultado para o PSC, que afasta o princípio de crise instalada na Curuzu e parte agora com mais confiança para o confronto com o Operário-PR, no domingo, 20, em Ponta Grossa (PR).

A resistência não é apenas um direito dos palestinos; é uma necessidade

O fracasso da comunidade internacional em frear a política genocida de “israel” contra o povo palestino culminou no 7 de outubro.

Por Marcos Feres – Intercept_Brasil

Em 7 de outubro de 2023, o mundo assistiu atônito à operação conduzida pela Resistência Palestina, batizada “Dilúvio de Al-Aqsa”. Nas primeiras horas deste dia que se tornaria histórico, palestinos tomaram seu destino com as próprias mãos, quebrando — literalmente — as grades do maior campo de concentração da história: Gaza. 

Se muitos ficaram incrédulos com o que aconteceu, para nós, palestinos, e para qualquer pessoa que acompanhava a realidade da ocupação ilegal sionista na Palestina antes do 7 de outubro, o que aconteceu não é uma surpresa; é um desdobramento previsível e até óbvio.

Também não surpreendeu ver a maneira como a imprensa ocidental — aqui no Brasil, em especial, o Grupo Globo — retratou palestinos e sua operação de resistência em 7 de outubro. Mal haviam sido derrubados os muros que aprisionam mais de 2,3 milhões de palestinos e já estavam a postos na GloboNews os agentes do lobby sionista apresentados como “especialistas” ou o que valha, prontos para desumanizar palestinos e preparar o terreno para legitimar aos olhos do público o genocídio que viria a seguir e que completou seu primeiro ano.

O expediente não é novo: a cartilha racista e orientalista é seguida à risca. O palestino é o não-sujeito. Aquele que não tem história. Não tem nome. É desprovido de humanidade. Desinformação, mentiras e propaganda constroem a imagem de palestinos como “terroristas árabes malvados, bárbaros e perversos” que atacaram sem motivo ou razão o “pobre e inocente ‘estado judeu’”.

Até nossos mortos são deslegitimados. O âncora do telejornal mais popular do país, repete, como um mantra, que os dados sobre palestinos assassinados são do “Ministério da Saúde do Hamas e não puderam ser verificados de forma independente”.

No Jornal da Globo, o número exorbitante de crianças palestinas assassinadas “pode ser explicado por um fator estrutural”: a alta taxa de natalidade em Gaza. Um gráfico moderno e uma pitada de eugenia para sugerir que a maior matança proporcional de crianças registrada na história não tem a ver com os bombardeios indiscriminados de “israel” contra áreas civis, escolas, hospitais, abrigos, campos de refugiados, mas para inferir que “morrem muitas crianças em Gaza porque mulheres palestinas têm muitos filhos”.

Nada é por acaso. Jornalismo é léxico. Cada palavra escolhida ajuda a costurar a narrativa pensada cuidadosamente para servir aos interesses de quem financia a máquina de propaganda que se finge “jornalística”. Palavras-chave para entender a questão palestina são proibidas: ocupação, genocídio, limpeza étnica, apartheid e… resistência.

RESISTÊNCIA TRATADA COMO TERRORISMO

De todas as palavras proibidas nas redações ocidentais para se referir à Palestina, talvez a mais importante seja justamente a palavra resistência. Afinal, quem resiste, resiste a algo. E não interessa à propaganda sionista informar ao público sobre contra o que os palestinos estão resistindo. É mais fácil simplesmente trocar “resistência” por “terrorismo”. O termo “terrorismo” não exige complemento, contexto ou motivação. 

Retratar as ações palestinas como “terrorismo” elimina a necessidade de explicar a que os palestinos estão reagindo e ajuda a perpetuar a imagem racista e orientalista construída ao longo de séculos pelos colonizadores ocidentais: de que seriam bárbaros, violentos, irracionais. Aqueles que precisam ser colonizados e civilizados por uma “raça superior”.

A palavra resistência é tão importante para compreender a questão palestina que temos até uma palavra em árabe para descrever a insistência palestina em resistir: sumud, que significa firmeza, perseverança inabalável. Sumud é a resistência palestina frente à brutal ocupação racista, supremacista, colonial e genocida de “israel” na Palestina.

E para entender a resistência palestina, é preciso entender ao que os palestinos estão reagindo.

O sionismo, uma ideologia racista, supremacista e genocida, e seu empreendimento colonial de nome fantasia “israel” se autoproclamam na Palestina por meio do genocídio e do terror. A limpeza étnica da Palestina foi iniciada em 18 de dezembro de 1947, quando colonos europeus judeus tomaram à força 78% da Palestina Histórica.

Cerca de 90%  da população palestina originária desta parcela de terra foi expulsa, mais de 750 mil palestinos, incluindo a família do autor deste texto. Mais de  15 mil palestinos foram assassinados e 500 cidades e vilarejos palestinos foram destruídos. Esse episódio inaugura, a um só tempo, a mais brutal ocupação da história moderna e também a mais longa crise de refugiados contemporânea. 

Em 1967, os sionistas “terminam o serviço” ocupando os 22% da Palestina Histórica que não havia sido roubada entre 1948 e 1951. Outros 300 mil palestinos expulsos de suas casas e a formalização do mais obsceno sistema de apartheid vigente no mundo hoje. “israel” é o único “país” no mundo a prender e julgar crianças — só as palestinas, evidentemente — a partir de 12 anos em tribunais militares, com taxa de condenação superior a 99%.

Na Cisjordânia Ocupada e em Jerusalém Oriental, igualmente submetida a ocupação ilegal e colonial, “israel” impõe aos palestinos uma limpeza étnica continuada, com a demolição forçada de casas, destruição de vilarejos e uma campanha de extermínio e expulsão perene. 

A construção dos assentamentos judaicos nos territórios palestinos ocupados, em violação ao Direito Internacional, são uma política de estado. Os colonos judeus supremacistas e messiânicos se multiplicam vertiginosamente na Palestina Ocupada e, armados pelo estado de “israel”, aterrorizam e assassinam palestinos para expulsá-los de suas terras. 

Não há um único governo na história de “israel”, da “esquerda” à direita, que não tenha fomentado a política de assentamentos ilegais e o roubo de terras palestinas. Hoje, são mais de 700 mil colonos judeus invadindo território palestino sob proteção das tropas israelenses e da burocracia estatal, jurídica, econômica e política sionista.

CAMPO DE CONCENTRAÇÃO VIROU ÁREA DE EXTERMÍNIO

Em Gaza, igualmente ocupada, como reconheceu a Corte Internacional de Justiça em decisão de julho de 2024, a realidade, anterior ao 7 de outubro, é ainda pior. Não há outra forma de descrever Gaza senão um campo de concentração. O maior da história. E, a partir de outubro de 2023, transformado no maior campo de extermínio que a humanidade já viu. 

Dos 6,2 milhões de refugiados palestinos que esperam há 76 anos que se faça cumprir o Direito de Retorno, estabelecido pela resolução 194 da ONU, de 1948, cerca de 1,7 milhão estão em Gaza. Em outras palavras, 73% dos 2,3 milhões de palestinos de Gaza são refugiados da Nakba, a Catástrofe Palestina, que durou de  1947 a 1951.

Em 2022, estudo da ONG Save The Children apontou que 95% das crianças palestinas em Gaza apresentavam sintomas de depressão e estresse pós-traumático. 800 mil não conhecem a vida fora do bloqueio imposto por “israel” ao enclave palestino há quase 20 anos. 97% da água no enclave palestino é imprópria para consumo.

A taxa de pobreza pré-7 de outubro era de 61%; a insegurança alimentar, 63%. Uma criança nascida em Gaza em 2007, início do bloqueio criminoso de “israel” contra a população palestina, enfrentou ao menos seis campanhas genocidas, em 2002, 2004, 2008, 2012, 2014 e 2021, conduzidas por “israel”.

Agora, com esse brevíssimo contexto, afinal, são 77 anos de violência colonial e genocida contra o povo palestino que não caberiam em um único artigo, podemos começar a falar sobre a resistência palestina.

Antes de 7 de outubro, palestinos tentaram todas as formas de diplomacia e resistência popular e pacífica. Os esforços diplomáticos de Oslo, em 1993, trouxeram aos palestinos nada além do que o agravamento do apartheid e das políticas violentas da ocupação, a expansão dos assentamentos judaicos ilegais e o roubo massivo de terras palestinas. Yitzhak Rabin, primeiro-ministro israelense saudado como “humanista” por sentar à mesa com palestinos em Oslo era ele próprio um criminoso de guerra responsável direto pelos massacres e limpeza étnica das cidades de Lydda e Ramle em 1948, e conhecido pela política de “quebrar ossos” de palestinos durante a Primeira Intifada (1987-1993).

Aliás, foi no contexto dos Acordos de Oslo que Netanyahu pavimentou seu caminho ao poder, eleito primeiro-ministro de “israel” em 1995 com uma plataforma anti-palestina e contrária a toda e qualquer forma de negociação ou acordo de paz com os palestinos. Plataforma essa referendada pela maioria da sociedade israelense nas urnas nos últimos 30 anos.

Sobre a resistência popular e pacífica, talvez o exemplo mais emblemático seja a Grande Marcha do Retorno, entre 2018 e 2019. Na ocasião,  palestinos de Gaza caminharam semanalmente ao longo de 18 meses rumo às cercas que fazem de Gaza o maior campo de concentração da história, clamando pelo direito de retornar a suas terras, de onde foram expulsos na Nakba. Clamando por seus direitos pacificamente, palestinos foram recebidos a tiros por snipers israelenses todos os dias. Mais de 300 palestinos foram assassinados e 30 mil feridos, sendo 8.800 deles crianças. “Atirei em 42 joelhos em um dia”, se gabou um sniper israelense falando sobre quantos palestinos mutilou durante as manifestações.

É nesse contexto que o 7 de outubro acontece. A resistência, inclusive armada, é um direito garantido aos palestinos e a todo povo em condição de ocupação e colonização à luz do Direito Internacional. Dezenas de resoluções da ONU garantem o direito à resistência armada. A mais enfática delas é a resolução 37/43, da Assembleia Geral da ONU, de 1982, que afirma, citado especificamente a situação dos palestinos, que a legitimidade da luta pela independência, integridade territorial, unidade nacional e libertação da dominação e ocupação estrangeira por todos os meios disponíveis, incluindo a luta armada, e reconhece abertamente o direito ao uso da força contra a ocupação ilegal estrangeira.

Mais do que um direito legítimo, a resistência palestina é uma necessidade. Uma questão de sobrevivência. Se “israel” não reconhece a linguagem da diplomacia, os Estados Unidos fornecem armas, dinheiro e cobertura diplomática para os crimes israelense contra o povo palestino e a comunidade internacional é incapaz de fazer “israel” cumprir uma única resolução da ONU e suas obrigações à luz do Direito Internacional ao longo de 77 anos, o que restou aos palestinos, a não ser a resistência armada?

Não é o mundo que vai libertar a Palestina. É a Palestina que está libertando o mundo.

O povo palestino é uma população originária cuja presença naquela terra remonta há mais de 11 milênios e que enfrenta há quase um século um genocídio continuado, limpeza étnica, apartheid, ocupação, colonização, dominação, racismo e supremacismo. O que o mundo espera dos palestinos? Que sejamos as vítimas perfeitas, que aceitam o próprio extermínio em silêncio?

O esgotamento das tentativas diplomáticas, o sufocamento das formas de resistência popular pacífica, e o fracasso da comunidade internacional em frear a máquina de morte sionista e a política genocida de “israel” contra o povo palestino culminam no 7 de outubro. E como resposta, “israel” perpetrou o mais flagrante genocídio que a humanidade já testemunhou,  transmitido ao vivo nas televisões, computadores, smartphones do mundo inteiro pelas próprias vítimas, esperando, em vão, que o mundo os ajude. Há exatos 367 dias.

Palestinos têm o direito de se defender e resistir a seus algozes. Nem mesmo a campanha massiva de propaganda para desumanizar palestinos e o bombardeio midiático tentando deslegitimar a resistência foram capazes de minar o apoio popular à luta palestina e o reconhecimento de sua legitimidade ao redor do mundo. A Palestina é o epicentro global da luta anticolonial. Entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo, se vê o espelho dos genocídios coloniais do passado e o futuro reservado aos povos que ousarem se rebelar contra a dominação imperialista das metrópoles ocidentais, que financiam e comandam o genocídio executado por “israel” na Palestina.

Que povo se libertou do jugo colonial sem enfrentar e resistir a seus colonizadores? A resistência palestina é a vanguarda dos povos oprimidos na luta contra o colonialismo. A heróica resistência palestina está naqueles que pegam em armas para quebrar os muros de sua prisão e retornar às casas de que seus pais e avós foram expulsos; nos palestinos que insistem em cultivar suas oliveiras e pastorear suas ovelhas sob a mira dos rifles dos colonos judeus e soldados israelenses; nas crianças que enfrentam tanques de guerra com pedras; nos palestinos em refúgio e diáspora que se recusam a abandonar o sonho de retorno à terra de seus ancestrais. A resistência dos palestinos está na  insistência em viver diante do genocídio.

Não é o mundo que vai libertar a Palestina. É a Palestina que está libertando o mundo. E a Palestina será livre, em nosso tempo de vida, do genocídio, do racismo, do supremacismo, do apartheid. Em nosso tempo de vida. Do Rio ao Mar.