Corregedoria investiga atos de violência policial contra um cidadão indefeso

Por Mailza Lisboa

Por volta de 21h30 de terça-feira (15 de outubro), o jovem Alexandre Azevedo Teles, de 25 anos, praticava sua costumeira caminhada na avenida Júlio César quando ao passar por um terreno deserto, entre as avenidas Brigadeiro Protásio e Almirante Barroso, decidiu parar para urinar. A infeliz decisão lhe levou a sofrer torturas físicas e psicológicas nas mãos de três policiais inescrupulosos. O pesadelo teve início quando um deles usando capuz preto sobre o rosto surgiu do meio do mato e o algemou, sob o pretexto de ter invadido o que seria uma área federal.

Alexandre foi arrastado para a parte mais escura do terreno, onde foi submetido a uma longa sessão de violência pelo primeiro policial e outros dois. O ataque incluiu chutes nas costelas e até um tiro disparado próximo ao ouvido do rapaz, a fim de desorientá-lo. E foi nessa situação que o jovem ainda foi obrigado a ligar para parentes para que lhe enviassem um pix no valor de R$ 1 mil. A quantia foi exigida para que saísse vivo dali. Como não conseguiu ligar para ninguém, Alexandre teve de entregar aos policiais o único bem que possuía: um aparelho IPhone 11 de cor preta, com a senha devidamente informada aos agressores.

A pressão psicológica ainda prosseguiu quando, sob a vigilância dos policiais, o jovem foi orientado a atrair uma nova vítima para o mesmo local para só então ser liberado. Mas, ao chegar na via pública, ele conseguiu fugir pedindo ajuda a um mototaxista que passava.

Aterrorizado, Alexandre já não dorme, tem dores pelo corpo. Sua única esperança é que a Corregedoria da Polícia investigue a fundo o caso, a partir de imagens de câmeras da redondeza e depoimentos de testemunhas do ocorrido, capazes de identificar os criminosos, a fim de que não façam com outros o que fizeram com ele.

Nota do editor:

A truculência empregada na abordagem ao Alexandre pelos três militares demonstra infelizmente que não foi o primeiro ataque contra pessoas indefesas naquela área, mal iluminada e que fica perto de prédios públicos, como o Hangar e a Delegacia da Receita Federal. Além da crueldade na abordagem ao rapaz, os três criminosos – sim, é o que são – intimidaram, ameaçaram e, por fim, assaltaram a vítima, ficando com o aparelho de iPhone, cujo valor deve ter sido a atração principal para a execução da “prisão” e emboscada. Simplesmente revoltante. Que o governo do Estado do Pará, através do Sistema de Segurança Pública, que sempre mostrou rigor nesse tipo de ocorrência, tome providências urgentes para extirpar os policiais-marginais de suas forças e assegure a integridade da vítima desse crime.

Nunca se deve esquecer que o papel dos policiais militares é proteger e garantir a segurança das pessoas. Quando esse propósito se inverte, transformando agentes de segurança em bandidos, é hora de excluir e punir adequadamente os criminosos de farda, até para que não tenhamos o dissabor de ver e ouvir lá na frente confissões de assassinatos impunes – como fez repetidamente um certo candidato à Prefeitura de Belém.

Para exorcizar fantasmas

POR GERSON NOGUEIRA

Sob a pressão dos outros resultados da rodada, envolvendo times que estão logo abaixo na classificação, o PSC encara o Operário neste domingo, em Ponta Grossa (PR), com um só objetivo: alcançar uma vitória para se afastar do Z4. As contas são bem conhecidas: com 36 pontos, o time de Márcio Fernandes precisa conquistar mais três vitórias para se salvar.

O Operário surge no horizonte como um adversário difícil de ser batido, principalmente porque voltou a acreditar na possibilidade de acesso à Série A. A vitória sobre o Sport fora de casa na rodada passada surpreendeu e entusiasmou a torcida, que deve lotar o estádio Germano Krüger.

Ao Papão resta brigar pela vitória, a fim de evitar entrar para o Z4 num momento delicado e decisivo da competição. Ao mesmo tempo, o empate não pode ser considerado um mau resultado, permitindo pelo menos manter a posição atual na tabela.

Sem poder contar com Nicolas (suspenso) e Jean Dias, lesionado, o técnico alviceleste optou por um ataque de perfil rápido, apto a explorar o contra-ataque. Paulinho Boia, Ruan Ribeiro e Borasi são jogadores que já atuaram juntos em situações específicas de jogo.   

No meio-de-campo, João Vieira, Netinho e Robinho terão a missão de controlar as ações do Operário, que conta com bons jogadores de aproximação e um ataque eficiente. Mostrou isso contra o Sport, na Ilha do Retiro, resistindo à pressão e saindo com perigo nos contragolpes.

Um dos trunfos do Papão é a movimentação pelos lados, com a dobra de laterais e ponteiros. Na direita, Edilson e Paulinho. Na esquerda, Bryan Borges e Borasi. Funcionou bem nos jogos recentes e pode ser uma arma poderosa para explorar os espaços permitidos pela defesa paranaense.

A ousadia tem sido premiada na Série B, que entrou definitivamente na fase de definição, o que vem proporcionando alguns resultados surpreendentes, causados pelo esforço de superação das equipes para alcançar o pelotão de cima ou escapar das últimas posições.

Para um jogo que é visto naturalmente como desfavorável, seria oportuno que o PSC optasse por um jogo mais agressivo, capaz de confundir o sistema de marcação do Fantasma. Contra o CRB, essa estratégia chegou a funcionar nos primeiros 25 minutos, perdendo força no decorrer da partida.

É uma possibilidade a considerar, mesmo para um técnico conhecido pela cautela, às vezes excessiva, como Márcio Fernandes. (Foto: Matheus Vieira/Ascom PSC)

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa neste domingo, a partir das 22h, na RBATV. Participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a rodada da Série B e os planos do Remo para o próximo ano. A edição é de Lourdes Cezar e Lino Machado.

Leão projeta folha de R$ 3 milhões na Série B

Em entrevista ao repórter Paulo Caxiado em seu festejado programa “Conversa com o Leão”, na Rádio Clube, o presidente Antônio Carlos Teixeira, o Tonhão, admitiu que trabalha com a ideia de uma folha salarial em torno de R$ 3 milhões para o Remo na Série B 2025.

Com um gasto mensal de R$ 1,2 milhão em salários na Série C deste ano, o clube avalia que precisará dobrar os custos para se apresentar condignamente na Série B.

É uma estimativa perfeitamente dentro da realidade da competição e coerente com os planos azulinos de brigar pelo acesso à Série A. Para ter condições de embalar esse sonho, o Leão terá primeiro que viabilizar uma receita suficiente para sustentar os gastos previstos.

Na Série B atual, com exceção do Santos, que tem um orçamento de Primeira Divisão, os demais times que concorrem diretamente ao acesso têm folhas na faixa de R$ 2,5 a R$ 5 milhões. É o caso, por exemplo, de Sport, Mirassol, Vila Nova, América-MG e Ceará.

O Grêmio Novorizontino, que mantém disputa direta com o Santos pelo título da competição, é um caso à parte. Clube pertencente a investidores, trabalha com receita controlada e abaixo da média da Segunda Divisão. Estimativas da imprensa esportiva de S. Paulo indicam que o Novorizontino tem folha salarial inferior a R$ 1,5 milhões.   

Mais do que o valor estimado pela diretoria, é importante observar o perfil dos jogadores que o Remo pretende contratar. Gastar R$ 3 milhões pode elevar a força competitiva do time, desde que as contratações sejam certeiras e criteriosas – coisa que não ocorreu em 2021.

Nesse sentido, cresce a responsabilidade do técnico Rodrigo Santana (que renovou contrato) e do executivo Sérgio Papellin, diretamente envolvidos na busca pelos reforços. Uma declaração do treinador acabou colocando na berlinda o nome de Alexandre Pato, jogador que atravessa longa inatividade e que há muito tempo deixou de ser atleta.

Ao falar para o podcast Eh Nóis Queiroz, Rodrigo comentou sobre jogadores que foram procurados pelo clube na Série C e não aceitaram vir jogar no Remo – Pato seria um deles. Segundo o técnico, a nova condição do clube deve facilitar a busca por reforços.

Espera-se, para o bem do Remo, que jogadores com o perfil de Pato não sejam priorizados, sob pena de tornar a projeção de gastos apenas um festival bizarro de dinheiro jogado fora.

(Coluna publicada na edição do Bola deste sábado/domingo, 19/20)

Alepa aprova proposta do Executivo e do Tribunal de Justiça

Os deputados da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) apreciaram e deram voto favorável a três Projetos de Lei da pauta do Legislativo Estadual nesta terça-feira (15). A primeira delas foi a proposta complementar nº 13/2024, do Poder Executivo, que altera a Lei Complementar Estadual nº 094, de 4 de abril de 2014.

Segundo a mensagem do governador Helder Barbalho enviada à Alepa, “o projeto busca eliminar a defasagem remuneratória e, por conseguinte, proceder à valorização da carreira de Delegado de Polícia Civil, autoridade policial prevista na Lei Complementar Estadual n° 022, de 15 de março de 1994, atendendo ao compromisso do Pará com as relevantes atribuições constitucionais da polícia judiciária”. Ainda de acordo com o chefe do Executivo, a matéria em pauta atende às exigências da Lei Complementar Federal n° 101, de 4 de maio de 2000.

“O governo do Pará entendeu a necessidade da categoria, mas ainda é preciso avançar mais.  A Polícia Civil tem muito o que caminhar, mas há um diálogo com o Governo do Estado, o que antes não havia. O meu muito obrigado a todos pela aprovação deste projeto”, afirmou o deputado delegado Nilton Neves, presidente da Comissão de Segurança da Alepa. A gratificação na remuneração e proventos dos delegados de Polícia ativos e inativos para todos os efeitos legais e será de 20% do vencimento-base do respectivo cargo.

Tribunal de Justiça

De autoria do Tribunal de Justiça do Estado (TJPA), a Alepa aprovou as seguintes propostas: o Projeto de Emenda Constitucional nº 4/2024, que altera o artigo 155 da Constituição do Estado do Pará, que trata da composição do Tribunal de Justiça do Estado do Pará.

Segundo o deputado Iran Lima (MDB), líder de governo na Alepa, “a Emenda Constitucional estabelece a possibilidade de aumentar o número de desembargadores no Pará de 30 para 36, mas a quantidade de desembargadores é estabelecida em Lei Complementar. Porém, a Constituição do Estado tem que prever que haverá um aumento para além dos 30 desembargadores que existem hoje. Hoje estamos fazendo uma análise da Emenda Constitucional para ver a possibilidade da apresentação de uma lei complementar que já está na Alepa”, disse.

Outro Projeto de Lei Complementar foi o de nº 10/2024. A matéria dispõe sobre a elevação à terceira entrância das comarcas de Ananindeua, Marabá e Santarém no âmbito do Poder Judiciário do Estado do Pará. As comarcas dos respectivos municípios são do mesmo nível da entrância da capital paraense, Belém. “Terá um aumento dos servidores nas comarcas de Ananindeua, Marabá e Santarém. Isso possibilitará maior agilidade no atendimento à população e valorização dos servidores”, garante Iran Lima, deputado estadual. O PL recebeu uma Emenda Modificativa no artigo 16. A proposta da emenda é da deputada Paula Titan (MDB).

Crédito/foto: Ozéas Santos/AID-Alepa

Escolhas que fazem a diferença

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo negocia com alguns atletas remanescentes da campanha do acesso à Série B. Sávio, Rafael Castro e Raimar interessam para compor o elenco de 2025, mas o ala esquerdo dificilmente ficará. Se não puder continuar no Baenão, será indiscutivelmente uma perda para o bem-sucedido sistema implantado por Rodrigo Santana na Série C deste ano, e que o técnico já emitiu sinais de que deseja preservar.  

É fundamental que o Remo faça uma depuração no elenco que terminou a temporada com os cuidados necessários para evitar escolhas equivocadas de mudança de estação. Clubes que conseguem subir de divisão frequentemente caem nessa armadilha.

O PSC, que conquistou o acesso em 2023, sofreu bastante com isso na Série B deste ano. Tudo porque a comissão técnica se sentiu compromissada com os jogadores e decidiu prestigiar quase 50% do elenco, o que comprometeu a qualidade e o nível de competitividade no Campeonato Brasileiro.

Pela importância que o critério de escolhas tem para o sucesso da equipe na próxima temporada, pode-se dizer que o início de tudo é justamente agora, quando o processo de definição do elenco começa a ser implementado.

Rodrigo Santana deixou claro que as dobras pelos lados, com Sávio-Raimar na esquerda e Diogo Batista-Rafael na direita, são os pilares do sistema de três zagueiros. Ninguém pode cravar que esse sistema será mantido em 2025, mas as convicções do treinador precisam ser respeitadas.

Logo depois do acesso, ainda no gramado do Mangueirão, o executivo Sérgio Papellin, afirmou que permaneceria no clube se o projeto da Série B fosse ambicioso, buscando o acesso à Primeira Divisão. Foi mal interpretado num primeiro momento, mas o conceito foi assimilado.

A diretoria trabalha com a ideia de montar um elenco qualificado, capaz de brigar na parte de cima da tabela, a fim de evitar a habitual luta contra o rebaixamento já a partir do início do returno da Série B – como ocorreu com o próprio Remo em 2021 e com o PSC nesta temporada.

Os cuidados que cercam esta importante fase do trabalho incluem a preocupação em selecionar bem as peças remanescentes, partindo do princípio de que não é viável contratar um elenco inteiramente novo. Até porque algumas peças, como Raimar, Sávio e Rafael, podem ser extremamente importantes nas competições da primeira parte do ano.

O caminho está esboçado e o Remo dispõe do tempo necessário para colocar em prática todos os pontos do planejamento para a Série B 2025.

Papão tem ataque pronto para batalha em Ponta Grossa

Para encarar mais uma decisão, o PSC deve escalar um ataque inédito diante do Operário-PR no próximo domingo, às 11h. Com as ausências de Nicolas e Jean Dias, o trio ofensivo será Paulinho Boia, Ruan Ribeiro e Borasi. A confirmação deve sair até sábado, mas os treinos mais recentes mostraram essa configuração.

Paulinho Boia e Borasi conquistaram a torcida com boas atuações nos últimos jogos. O primeiro foi decisivo no confronto com a Chapecoense. O argentino Borasi atua bem desde que estreou, impressionando pela intensidade de seu jogo.

No papel de centroavante, Ruan Ribeiro tem entrado eventualmente no segundo tempo das partidas, conseguindo contribuir com assistências para gols, como no confronto com o CRB, em Maceió, quando deu o passe para Borasi marcar o segundo gol.

Márcio Fernandes tem ainda a opção de utilizar Esli García, que tem sido relegado ao banco de reservas e ficado fora de alguns jogos, embora seja o artilheiro da equipe na Série B com 6 gols. É o melhor atacante do elenco, mas precisa convencer o treinador de que merece uma oportunidade.

Brasil inclui três técnicos entre os melhores do mundo

Elaborar listas de melhores ou piores é uma consagrada instituição inglesa. E a revista FourFourTwo é famosa pelas polêmicas acaloradas que suscita com suas publicações de rankings. Nesta semana, a publicação soltou a lista dos 50 melhores técnicos do mundo e incluiu dois treinadores que atuam no futebol brasileiro: Fernando Diniz e Abel Ferreira.

Diniz, hoje técnico do Cruzeiro, campeão da Copa Libertadores 2023 com o Fluminense e que recentemente comandou a Seleção Brasileira, sem muito sucesso, ocupa a 25ª colocação. Em 22º lugar, está o português Abel Ferreira, bicampeão da América e do Brasileirão à frente do Palmeiras.

Um outro brasileiro aparece melhor posicionado no ranking, que não atua no Brasil. É o ex-volante Thiago Motta, atual técnico da Juventus, que aparece na 16ª colocação.

No Top 5, três espanhóis e dois italianos. Para surpresa de ninguém, Pep Guardiola, do Manchester City, aparece em primeiro lugar. Em seguida, aparecem Carlo Ancelotti (Real Madrid), Xabi Alonso (Bayer Leverkusen), Mikel Arteta (Arsenal) e Simone Inzaghi (Internazionale).

Fenômenos como Guardiola nem deveriam participar dessas escolhas. Ele é simplesmente o melhor técnico de sua geração, léguas à frente dos demais, e um dos melhores de todos os tempos. O conceito de treinador estudioso, aplicado até irresponsavelmente em relação a outros nomes, se aplica fielmente a ele. Seu trabalho é contínuo, vencedor e muito criativo.

O técnico sul-americano melhor posicionado é Lionel Scaloni, da Argentina, campeão do mundo em 2022 no Qatar. Ficou em 7º lugar. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 18)

A incrível (e breve) carreira de John Cazale

Direto do canal do crítico musical André Barcinski, a história do grande ator John Cazale, o Fredo de “O Poderoso Chefão”, que teve uma carreira tão brilhante quanto breve. Vale a pena acompanhar.

Barcinski é jornalista, escritor, documentarista e roteirista.

Seminário na Alepa debateu a doação de órgãos no Pará

No encerramento do “Setembro Verde”, mês de conscientização e incentivo à doação de órgãos, a deputada estadual Lívia Duarte realizou, na sala multiuso da Assembleia Legislativa do Pará, o seminário “Políticas públicas e ações de fomento à doação de órgãos e tecidos”. O objetivo é estimular e orientar a realização de uma campanha permanente de mobilização, disseminação e sensibilização da sociedade para estimular o ato voluntário de se declarar doador de órgãos, medula óssea, sangue, dentre outros.

O debate também vai abordar a necessidade de políticas públicas em defesa do direito à saúde, com ações que serão intensificadas anualmente no mês de setembro, com o incentivo à doação de órgãos, sangue e congêneres.

O seminário vai reunir especialistas, gestores, profissionais da saúde e representantes da sociedade civil, que irão discutir estratégias para o aprimoramento das ações e políticas no campo da saúde mental e avanços significativos na conscientização e desenvolvimento da doação de órgãos e tecidos no estado do Pará.

“Eu sei o que é estar do lado das famílias que esperam na fila do transplante por um órgão para um familiar querido. Meu pai faleceu esperando por uma doação de pulmão, estava em primeiro lugar na fila de transplantes no Pará, mas não conseguiu”, relatou emocionada, a deputada. “Decidi transformar o luto em luta pelas outras pessoas que necessitam de órgãos doados para continuarem a viver. E o que mais me impactou foi a falta de informações sobre o processo da doação”, avaliou Lívia Duarte.

A parlamentar é autora de projetos nessa área: o Projeto Indicativo 123/2023 cria o Pacto Estadual Social para promover e apoiar a doação por meio de fóruns regionais, e o Projeto de Lei 512/2023 obriga as concessionárias de transportes públicos rodoviário e hidroviário de passageiros do estado a promover campanha permanente de estímulo à doação de sangue, medula óssea e órgãos.

Segundo estimativas do Ministério da Saúde, cerca de 43% das famílias recusam a doação depois que a pessoa falece, mesmo quando esta manifesta em vida a vontade de ser doador.

Juciara Farias, gerente de capacitação de doadores do Hemopa, lembra que o trabalho da instituição “só existe com a participação da população, com uma rede de voluntários que doam sangue, se registram para a doação de medula óssea ou querem doar seus órgãos após a morte”, lembra.

“Nosso trabalho é multiplicar conhecimento e esclarecer às pessoas sobre doação e transplante”, avalia Francisca Monteiro, da Rede Amazônica de Educação em Doações e Transplantes. “Quando uma família diz ‘sim’ para a doação, outra pessoa é beneficiada e tem a chance de viver”, avalia.

No seminário, foram definidos compromissos importantes: a Defensoria Pública do Estado do Pará e o Ministério Público do Estado do Pará se comprometeram em emitir recomendação para que os hospitais particulares estimulem a doação de órgãos e tecidos.

Outro compromisso da Defensoria foi a notificação da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) sobre a previsão de realização de Transplantes de pulmão no estado. “Foi muito importante chegar até aqui, neste fim de Setembro Verde, e defender essa pauta numa reunião com especialistas, representantes de órgãos públicos e da sociedade civil”, concluiu a deputada Lívia Duarte.

Estimativas
O Brasil é o segundo país com maior número de transplantes, atrás apenas dos Estados Unidos. De janeiro a setembro de 2023, foram realizados 6.766 transplantes no Brasil, sendo 440 no Pará. 

(Foto/crédito: Balthazar Costa/AID-Alepa)

Maratona testa força do Papão

POR GERSON NOGUEIRA

O PSC ganhou 10 dias para se preparar para uma verdadeira maratona na Série B, com três jogos em sete dias, a partir de domingo (20) até o sábado seguinte, dia 26. Esse tour de force irá testar as condições do elenco, cuja logística é dificultada pela localização no extremo Norte do país.

Amanhã, 18, os bicolores viajam para o Paraná a fim de enfrentar o Operário, em Ponta Grossa, domingo, dia 20, pela 32ª rodada da Segundona. Três dias depois, o Papão receberá o Coritiba no estádio Mangueirão. No sábado, 26, o Papão fecha a dura sequência, jogando contra o Ceará Sporting, em Fortaleza, pela 34ª rodada.

Uma situação que pode influir na caminhada bicolor é a condição dos próximos adversários dentro da tabela de classificação. Todos ocupam posições intermediárias, mas o Ceará, 6º colocado, com 48 pontos, ainda tem pretensões de entrar para o G4. O Coritiba, 8º, tem 44 pontos, e o Operário na 9ª posição, com 43 pontos, buscam apenas melhorar o desempenho na competição, já sem riscos de queda.

A vitória por 2 a 0 em cima da Chapecoense na rodada passada deu ao PSC um grau de tranquilidade que deve se refletir na partida como visitante em Ponta Grossa, apesar da ausência do centroavante Nicolas.

Para o lugar do camisa 11, a comissão técnica deve escalar Ruan Ribeiro, que tem entrado no decorrer das partidas para atuar no comando do ataque. Deverá ter como parceiros os pontas Borasi e Paulinho Boia, ambos com excelente atuação no confronto diante da Chapecoense.

No setor de meio-campo, o time deve continuar a ter João Vieira e Netinho na marcação, com Robinho mais adiantado, participando do processo criativo da equipe. Como visitante, o PSC não tem sido eficiente no returno da Série B, mais por seus erros do que por virtudes dos adversários. (Foto: Matheus Vieira/Ascom PSC)

Botafoguenses brilham e ajudam Seleção a avançar

Não há dúvida. O botafoguense Luiz Henrique despontou como o grande nome da Seleção Brasileira nos dois jogos desta data-Fifa, contra Chile e Peru. Com um gol nos minutos finais da primeira partida, ele garantiu a vitória de virada da Seleção em Santiago. Na terça-feira, no estádio Mané Garrincha, em Brasília, ele entrou no 2º tempo e voltou a se destacar.

Foi a partir de sua entrada em campo que o Brasil passou a ser mais agudo e a ameaçar a zaga peruana, explorando as investidas pela ponta direita. Logo na primeira arrancada, ele driblou os marcadores e cruzou na medida para Andreas Pereira finalizar, de sem-pulo, para marcar o terceiro gol.

Em seguida, em manobra individual, após ser lançado por Igor Jesus, ele caminhou com a bola até a zona de tiro e acertou um chute perfeito, colocado, no canto direito da trave defendida por Gallese.

Além dessas jogadas, ele deu um novo ânimo ao ataque brasileiro, até então anêmico e pouco contundente. As jogadas morriam em Savinho, que ficava sassaricando pela direita, sem qualquer objetividade.

Raphinha também pouco produzia, mas se beneficiou de uma jogada de Igor Jesus que resultou em pênalti. Raphinha pegou a bola e bateu a penalidade – bateria a segunda também.  

O fato é que o aproveitamento dos atacantes do Botafogo foi excelente nas duas partidas. Dos seis gols brasileiros, três foram marcados por Luiz Henrique (2) e Igor, com duas assistências para gol. A Estrela Solitária provou que está mais luminosa do que nunca.

Com as duas vitórias, o Brasil saltou do 6º para o 4º lugar, colado no Uruguai, que é o terceiro, e com quem vai jogar em novembro.    

LiBra negocia direitos televisivos com o Remo

A Liga do Futebol Brasileiro (LiBra) negocia com os dirigentes do Remo para ter o clube paraense como novo filiado ao grupo. Recém-promovido à Série B, o Leão foi procurado pela direção da Liga para discutir a comercialização dos direitos televisivos para 2025 e fechar acordo.

A LiBra tem acordo sacramentado com a Rede Globo para transmissão de jogos da Série A na casa dos R$ 6 bilhões. Apesar de ainda não ter a transmissão garantida na próxima temporada, especula-se que 3% desse montante será repassado aos clubes da Série B.

A negociação para 2025 tem sido conduzida de maneira separada. Atualmente, Sportv (TV fechada), Premiere (pay-per-view), Band e TV Brasil (aberta) e o Canal GOAT (streaming) partilham as 380 partidas do torneio da Segunda Divisão.

Além do Remo, os times promovidos para a Série B foram Athletic, Volta Redonda-RJ e Ferroviária-SP. O clube mineiro encaminha acordo com a LFU, enquanto Voltaço e Ferroviária ainda analisam ofertas.

A diretoria do Remo tem se mostrado cautelosa, evitando manifestar publicamente posicionamentos sobre as propostas recebidas.

Jogadores nativos devem ser cedidos para outros clubes

O Remo não deverá contar na próxima temporada com jogadores oriundos da base no elenco principal. Depois que os remanescentes do Parazão foram ignorados pelo técnico Rodrigo Santana na Série B, atletas como Ronald, Felipinho, Jonilson, Guti e Henrique devem ser emprestados a equipes que disputarão a Segundinha do Campeonato Paraense.

Para evitar que fiquem sem utilização nas competições mais importantes, o clube avalia a ideia de colocá-los em disponibilidade para ganharem rodagem. O volante Paulinho Curuá, também prata-da-casa, deve ser cedido ao São Bento de Sorocaba (SP).    

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 17)

A frase do dia

“Apagão em São Paulo por vários dias. Nenhuma capa da Veja e IstoÉ. Nenhuma manchete com letras garrafais no Estadão e Folha. Nenhum Jornal Nacional com imagem de esgoto ao fundo como faziam no governo Lula. Depois não sabem quem criou e alimentou o bolsonarismo”.

Pedro Ronchi, geógrafo

Rock na madrugada – Paul McCartney, “Junior’s Farm”

POR GERSON NOGUEIRA

Canção meio esquecida do vasto repertório de Paul McCartney, “Junior’s Farm” (Fazenda do Junior) abre os shows da turnê Got Back, ora em cena no Brasil desde terça-feira, 15. A música foi lançada como single em outubro de 1974, tendo “Sally G” no lado B. Foi gravada na meca da country music, Nashville (Tennessee), entre junho e julho de 1974, enquanto a banda passava uns dias hospedada na fazenda de Curly Putman Jr., que vem a ser o personagem citado no título. 

A letra brinca com situações bobas e alegres. O arranjo, do próprio Paul, dá um tom festivo e alto astral a um rock de formato básico e pegada juvenil. A música repetiu o sucesso do álbum Band on the Run. Chegou ao 16º lugar nas paradas do Reino Unido e em 3º nos EUA. Para conter custos, a Apple Records lançou o single sem uma capa produzida. Foi também o último lançamento dos Wings (e McCartney) pela gravadora.

“Junior’s Farm” foi lançada mais tarde na coletânea Wings Greatest, em 1978, e na versão americana da coletânea Sucessos dos Wings, em 1987. “Sally G” foi lançado em 1993 como faixa bônus do álbum Wings at the Speed of Sound da série The Paul McCartney Collection.

Um aspecto pouco lembrado nas biografias de Paul é que “Junior’s Farm” marcou a entrada na banda do guitarrista escocês Jimmy McCulloch, um dos melhores que tocou com McCartney ao longo de sua carreira. Os solos da canção são pilotados por Jimmy.

Um artilheiro em banho-maria

POR GERSON NOGUEIRA

Desafia o senso comum a ausência de Esli García como atacante efetivo do PSC na Série B. Impressiona o fato de que ele, principal artilheiro e melhor jogador de ataque do elenco, segue fora dos planos. Joga de vez em quando, sempre por 15 ou 20 minutos, sem ter chances de dar ao time aquilo que mais sabe fazer: gols.

Baixinho e sem a musculatura considerada ideal pelos técnicos e preparadores físicos, Esli é preterido desde que chegou ao PSC. Hélio dos Anjos aceitou sua contratação, mas jamais lhe deu as condições mínimas para se consolidar como titular.

Sem a confiança e o apoio do treinador, Esli viu-se obrigado a aproveitar os parcos minutos que lhe ofereciam para mostrar serviço. E conseguiu uma façanha tremenda: marcou gols no Parazão e, principalmente, na Série B.

Brilhou no período de melhor desempenho do Papão no Brasileiro, marcando 6 gols, um desempenho impressionante para quem só foi titular em oito partidas das 31 rodadas da Série B. Marcou gols belíssimos, como contra o Botafogo-SP e frente ao Goiás.

Em várias partidas, mesmo fora de sua posição preferida – o lado esquerdo do ataque –, foi importante em assistências e contribuições para os demais companheiros. O físico é mirrado, a altura é de um menino, mas Esli joga futebol de gente grande, e deu seguidas provas disso.

A compleição atlética foi um dos pontos mencionados por Hélio para barrar Esli, que, segundo ele, é um atacante de “lances ocasionais”. Soltou essa frase absurda e não foi sequer admoestado por seus superiores no clube.  

Quando se imaginava que o inferno astral dele havia terminado com a saída de Hélio dos Anjos, eis que o novo comandante também decidiu mantê-lo na geladeira. Márcio Fernandes, logo em sua estreia, escalou Esli como titular na vitória contra o Guarani. O atacante foi bem no 1º tempo, mas acabou substituído na etapa final.

Diante do Sport, um episódio emblemático. No final da partida, Esli foi peitado dentro de campo pelo goleiro Matheus Nogueira, irritado porque o atacante não teria ajudado na marcação. Foi como se Esli fosse responsável pela derrota. Ora, durma-se com um barulho desses.

A cena, obviamente, teve origem e estímulo no posicionamento hostil de Hélio dos Anjos em relação a Esli. Pelo visto, Márcio não fez por onde mudar esse estado de coisas, embora em entrevistas recentes o goleiro tenha se desculpado pelo gesto intempestivo.  

O fato é que, coincidência ou não, as entradas de Esli se tornaram ainda mais esporádicas. A última aparição foi na derrota frente ao CRB. Ele entrou nos 10 minutos finais, tempo insuficiente para que o futebol do habilidoso venezuelano possa aparecer.

Num elenco que padece da falta de qualidade no ataque, Márcio Fernandes prestigia Ruan Ribeiro e até Joel, insistindo em deixar de lado o mais qualificado e certeiro dos atacantes disponíveis. Uma pena. (Foto: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)

Tempos de Selefogo embalam os sonhos da torcida

As recentes atuações de Luiz Henrique e Igor Jesus pela Seleção Brasileira fizeram brotar de novo um sentimento de orgulho da torcida botafoguense em relação ao escrete canarinho. Quando os dois jogadores livraram o Brasil de uma derrota iminente contra o Chile, a alegria renasceu e fez lembrar tempos gloriosos, tanto do Botafogo quanto da Seleção.

Um recorte dessa história ocorreu no dia 7 de agosto de 1968, no Maracanã. A essência da Selefogo nascia ali. Perante 40 mil torcedores, oito jogadores do Botafogo vestiram a camisa da Seleção em amistoso contra a Argentina, a pedido da então CBD (CBF atual).

Campeão estadual de 1967, o Botafogo era o principal time carioca e um dos melhores elencos do país. Zagallo, técnico do clube, foi chamado para comandar o combinado de clubes cariocas, liderado pela base alvinegra.

No final, 4 a 1 para o Brasil, com direito a baile da Seleção. Todo o time titular do Botafogo foi convocado, e só não atuaram o goleiro Caio, o zagueiro Zé Carlos e o ponta-direita Rogério. O time entrou com Félix (Fluminense); Moreira (BFR), Brito (Vasco), Leônidas (BFR) e Valtencir (BFR); Carlos Roberto (BFR) e Gerson (BFR); Nado (Vasco), Roberto (BFR), Jairzinho (BFR) e Paulo César (BFR).

Os gols da vitória foram marcados pelos botafoguenses Valtencir, Roberto, Jairzinho e Paulo César. 

Denúncias do “rei do rebaixamento” seguem sem resposta

Completou ontem uma semana que o empresário William Rogatto, conhecido como “rei do rebaixamento”, admitiu a manipulação de jogos de futebol no Brasil e afirmou ter embolsado aproximadamente R$ 300 milhões, lucrando principalmente com o rebaixamento de times.

As denúncias foram feitas em depoimento à CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas, no Congresso Nacional. Rogatto declarou-se réu confesso e disse ter rebaixado 42 times, agindo nas federações de futebol de todos os Estados, no Distrito Federal e em nove países.

Ele mora em Portugal, onde será interrogado presencialmente pelos integrantes da CPI. Investigado na Operação Fim de Jogo, do MP do DF, e na Operação Jogada Ensaiada, da PF, Rogatto afirmou que o esquema existe há mais de 40 anos e que a “hipocrisia maior do mundo está em ter um clube de futebol hoje e ser patrocinado por uma casa de apostas”.

Entre outras declarações graves, Rogatto disse que só o fato de uma casa de apostas patrocinar um clube “já abre um gatilho para que tudo aconteça”. “Quando uma bet patrocina o seu clube, automaticamente o jogador se transforma em aposta”, disse.

Ao ser questionado se o esquema de manipulação que chefiava também teve a participação de árbitros das confederações e da Fifa, Rogatto respondeu: “Tinha árbitros também. Um árbitro oficial ganha em torno de R$ 7 mil por jogo e eu pagava R$ 50 mil para ele”.

Até o momento, CBF e clubes mantêm silêncio sobre as denúncias de Rogatto. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 16)