Por Mailza Lisboa
Por volta de 21h30 de terça-feira (15 de outubro), o jovem Alexandre Azevedo Teles, de 25 anos, praticava sua costumeira caminhada na avenida Júlio César quando ao passar por um terreno deserto, entre as avenidas Brigadeiro Protásio e Almirante Barroso, decidiu parar para urinar. A infeliz decisão lhe levou a sofrer torturas físicas e psicológicas nas mãos de três policiais inescrupulosos. O pesadelo teve início quando um deles usando capuz preto sobre o rosto surgiu do meio do mato e o algemou, sob o pretexto de ter invadido o que seria uma área federal.
Alexandre foi arrastado para a parte mais escura do terreno, onde foi submetido a uma longa sessão de violência pelo primeiro policial e outros dois. O ataque incluiu chutes nas costelas e até um tiro disparado próximo ao ouvido do rapaz, a fim de desorientá-lo. E foi nessa situação que o jovem ainda foi obrigado a ligar para parentes para que lhe enviassem um pix no valor de R$ 1 mil. A quantia foi exigida para que saísse vivo dali. Como não conseguiu ligar para ninguém, Alexandre teve de entregar aos policiais o único bem que possuía: um aparelho IPhone 11 de cor preta, com a senha devidamente informada aos agressores.

A pressão psicológica ainda prosseguiu quando, sob a vigilância dos policiais, o jovem foi orientado a atrair uma nova vítima para o mesmo local para só então ser liberado. Mas, ao chegar na via pública, ele conseguiu fugir pedindo ajuda a um mototaxista que passava.
Aterrorizado, Alexandre já não dorme, tem dores pelo corpo. Sua única esperança é que a Corregedoria da Polícia investigue a fundo o caso, a partir de imagens de câmeras da redondeza e depoimentos de testemunhas do ocorrido, capazes de identificar os criminosos, a fim de que não façam com outros o que fizeram com ele.

Nota do editor:
A truculência empregada na abordagem ao Alexandre pelos três militares demonstra infelizmente que não foi o primeiro ataque contra pessoas indefesas naquela área, mal iluminada e que fica perto de prédios públicos, como o Hangar e a Delegacia da Receita Federal. Além da crueldade na abordagem ao rapaz, os três criminosos – sim, é o que são – intimidaram, ameaçaram e, por fim, assaltaram a vítima, ficando com o aparelho de iPhone, cujo valor deve ter sido a atração principal para a execução da “prisão” e emboscada. Simplesmente revoltante. Que o governo do Estado do Pará, através do Sistema de Segurança Pública, que sempre mostrou rigor nesse tipo de ocorrência, tome providências urgentes para extirpar os policiais-marginais de suas forças e assegure a integridade da vítima desse crime.
Nunca se deve esquecer que o papel dos policiais militares é proteger e garantir a segurança das pessoas. Quando esse propósito se inverte, transformando agentes de segurança em bandidos, é hora de excluir e punir adequadamente os criminosos de farda, até para que não tenhamos o dissabor de ver e ouvir lá na frente confissões de assassinatos impunes – como fez repetidamente um certo candidato à Prefeitura de Belém.







