Silvio de Almeida é demitido por Lula após acusações de assédio sexual e moral

O presidente Lula demitiu na noite desta sexta-feira (6) Silvio Almeida do cargo de ministro dos Direitos Humanos em razão das denúncias de assédio sexual e moral contra ele. A decisão foi tomada pelo presidente após reunião entre os dois no Palácio do Planalto. Durante o encontro, Lula perguntou ao auxiliar se ele desejava pedir exoneração do cargo. Silvio afirmou que é inocente e que, por isso, não pediria demissão. O presidente alegou que, em razão da gravidade das denúncias, não tinha como mantê-lo no ministério. Em seguida, recebeu a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, identificada como uma das vítimas do colega.

Ele ainda não anunciou quem assumirá a pasta.

Esse foi o desfecho de um dia de grande tensão no governo. Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou que nenhuma forma de violência contra as mulheres será tolerada: “O presidente considera insustentável a manutenção do ministro no cargo considerando a natureza das acusações de assédio sexual”.

Antes de demitir Silvio Almeida, Lula ouviu os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça), Vinicius de Carvalho (CGU), Jorge Messias (AGU), Esther Dweck (Gestão e Inovação) e Cida Gonçalves (Mulher). Àquela altura, Anielle já havia conversado com os mesmos colegas e confirmado ter sido vítima de importunação sexual por parte do ministro. Segundo o relato feito pela ministra, ele passou a mão entre as pernas dela, por baixo da mesa, durante uma reunião de trabalho.

Nota oficial do Governo sobre a demissão de Silvio:

“Diante das graves denúncias contra o ministro Silvio Almeida e depois de convocá-lo para uma conversa no Palácio do Planalto, no início da noite desta sexta-feira (6), o presidente Lula decidiu pela demissão do titular da Pasta de Direitos Humanos e Cidadania. O presidente considera insustentável a manutenção do ministro no cargo considerando a natureza das acusações de assédio sexual.

A Polícia Federal abriu de ofício um protocolo inicial de investigação sobre o caso. A Comissão de Ética Pública da Presidência da República também abriu procedimento preliminar para esclarecer os fatos.

O Governo Federal reitera seu compromisso com os Direitos Humanos e reafirma que nenhuma forma de violência contra as mulheres será tolerada.”

Após a divulgação das primeiras reportagens sobre o assunto, na noite de quinta-feira (5), Silvio Almeida divulgou nota em que dizia “repudiar com absoluta veemência as mentiras que estão sendo assacadas contra” ele. De acordo com ele, as denúncias não têm “materialidade” e são baseadas em “ilações”. As denúncias contra ele serão analisadas pela Polícia Federal e pela Comissão de Ética da Presidência da República.

Uma das referências do movimento negro no país, Silvio Almeida começou o dia isolado. Ainda ontem à noite a primeira-dama, Janja da Silva, publicou nas redes sociais uma foto em que ela aparece beijando a testa de Anielle. Ao longo da sexta-feira, parlamentares, lideranças ligadas ao governo e à defesa dos direitos humanos cobraram esclarecimentos. A Coalizão Negra por Direitos e o Ministério das Mulheres prestaram solidariedade às denunciantes e cobraram celeridade nas investigações. A Procuradoria Especial da Mulher no Senado também se solidarizou com Anielle.

O presidente Lula deu sinal de que demitiria o ministro ainda pela manhã, durante entrevista a uma rádio em Goiânia, onde participou da inauguração de uma obra. O petista disse que não aceitaria assediador em seu governo e antecipou que se encontraria com Silvio e Anielle.

“O que eu posso antecipar é que alguém que pratica assédio não vai ficar no governo. Eu só tenho que ter bom senso. É preciso que a gente permita o direito à defesa, a presunção de inocência. Nós vamos colocar Polícia Federal, Ministério Público e a Comissão de Ética da Presidência da República para investigar”, declarou.

As denúncias de abuso sexual foram recebidas pela organização Me Too Brasil, que acolhe vítimas de violência sexual. Segundo a organização, os episódios ocorreram em 2023 e vieram a público com a anuência das vítimas. Na tarde desta sexta-feira, uma professora que foi aluna e colega de Silvio Almeida divulgou vídeo em que relata ter sido vítima de violência sexual dele.

Professor universitário, advogado, filósofo Silvio Almeida é formado em direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). No discurso de posse como ministro,  comprometeu-se a “não esquecer os esquecidos” e a lutar por um país que ponha a vida e a dignidade em primeiro lugar.

Na quarta-feira (4), o UOL, parceiro do Congresso em Foco, publicou reportagem de Mateus Araújo revelando que o Ministério dos Direitos Humanos era alvo de uma série de denúncias de assédio moral e pedidos de demissão. O repórter relatou que as acusações deram origem, até janeiro deste ano, a dez procedimentos internos para apurar casos de assédio moral. Sete, já arquivados por “ausência de materialidade” e “três ainda estavam em aberto até julho deste ano”.

Veja a íntegra da nota de defesa do ministro:

“Repudio com absoluta veemência as mentiras que estão sendo assacadas contra mim. Repudio tais acusações com a força do amor e do respeito que tenho pela minha esposa e pela minha amada filha de 1 ano de idade, em meio à luta que travo, diariamente, em favor dos direitos humanos e da cidadania neste país.

Toda e qualquer denúncia deve ter materialidade. Entretanto, o que percebo são ilações absurdas com o único intuito de me prejudicar, apagar nossas lutas e histórias, e bloquear o nosso futuro.

Confesso que é muito triste viver tudo isso, dói na alma. Mais uma vez, há um grupo querendo apagar e diminuir as nossas existências, imputando a mim condutas que eles praticam. Com isso, perde o Brasil, perde a pauta de direitos humanos, perde a igualdade racial e perde o povo brasileiro.

Toda e qualquer denúncia deve ser investigada com todo o rigor da Lei, mas para tanto é preciso que os fatos sejam expostos para serem apurados e processados. E não apenas baseados em mentiras, sem provas. Encaminharei ofícios para Controladoria-Geral da União, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e Procuradoria-Geral da República para que façam uma apuração cuidadosa do caso.

As falsas acusações, conforme definido no artigo 339 do Código Penal, configuram “denunciação caluniosa”. Tais difamações não encontrarão par com a realidade. De acordo com movimentos recentes, fica evidente que há uma campanha para afetar a minha imagem enquanto homem negro em posição de destaque no Poder Público, mas estas não terão sucesso. Isso comprova o caráter baixo e vil de setores sociais comprometidos com o atraso, a mentira e a tentativa de silenciar a voz do povo brasileiro, independentemente de visões partidárias.

Quaisquer distorções da realidade serão descobertas e receberão a devida responsabilização. Sempre lutarei pela verdadeira emancipação da mulher, e vou continuar lutando pelo futuro delas. Falsos defensores do povo querem tirar aquele que o representa. Estão tentando apagar a minha história com o meu sacrifício.”

(Com informações do Congresso em Foco)

Papão demite Hélio dos Anjos após novo tropeço em casa

Em nota curta e direta, emitida no início da madrugada desta sexta-feira, 6, o Paysandu comunicou a dispensa do técnico Hélio dos Anjos, logo depois da derrota frente ao Amazonas por 1 a 0, na Curuzu:

“O Paysandu Sport Club informa que Hélio dos Anjos não é mais técnico da equipe masculina de futebol profissional bicolor. Além do treinador, também deixam o clube os auxiliares Guilherme dos Anjos e Marcelo Rocha. O clube agradece aos profissionais pelos seus serviços prestados”.

Hélio estava no clube desde julho do ano passado, quando assumiu o time na Série C e levou à conquista do acesso à Série B deste ano. Além do acesso, foi campeão paraense e da Copa Verde 2024. Na Série B, caiu em desgraça após 9 partidas sem vencer. Deixa o time na 15ª colocação.

O nome do novo treinador deve ser anunciado ao longo desta sexta-feira.

Amazonas vence na Curuzu e aumenta o drama no Papão

Com um gol de Matheus Serafim aos 15 minutos de jogo, o Amazonas derrotou o PSC por 1 a 0 na noite desta quinta-feira (5), no estádio da Curuzu. O resultado mantém o Papão na 15ª posição, mas sujeito à aproximação de CRB e Brusque. O Amazonas pulou para a 8ª colocação.

O primeiro tempo teve ampla presença ofensiva do PSC, que criou várias oportunidades de gol, com Robinho, Nicolas, Juninho e Edilson. Um gol marcado por Matheus Trindade foi anulado pelo árbitro Sávio Pereira Sampaio em lance e interpretação confusas.

Aos 15 minutos, após erro na saída de bola do PSC, o Amazonas retomou a posse e partiu em contra-ataque com Diego Torres. Ele foi até ao lado da área e cruzou na medida para um cabeceio perfeito de Matheus Serafim, no ângulo direito da trave de Diogo Silva.

O Papão seguiu pressionando com intensidade, embora errando na aproximação ou no arremate, o que foi transformando o jogo em duelo de ataque contra defesa.

No 2º tempo, apesar de várias mudanças no setor ofensivo, o PSC não conseguiu se organizar a ponto de furar o bloqueio defensivo do Amazonas. Em contragolpes, o time amazonense chegou a marcar o segundo gol, mas a arbitragem anulou por impedimento.

Ao final da partida, a torcida vaiou a comissão técnica, chamando o técnico Hélio dos Anjos de “burro”. Os jogadores saíram de campo de mãos dadas, recebendo os apupos dos torcedores que compareceram à Curuzu.

Dia da Amazônia: garimpo ilegal devasta áreas protegidas para além de terras indígenas

Levantamento do Greenpeace Brasil mostra que atividade ilegal extrapola territórios indígenas e já devastou 13 mil hectares em 15 Unidades de Conservação da Amazônia.

Um levantamento inédito do Greenpeace Brasil mostra que, além das terras indígenas, o garimpo ilegal ameaça um importante patrimônio natural brasileiro: as Unidades de Conservação (UCs) da Amazônia. A organização identificou atividade garimpeira em 15 UCs em três estados do bioma, Amapá, Amazonas e Pará, com uma área total devastada de 13.484 hectares. O novo levantamento sobre garimpo é publicado neste 5 de setembro, Dia da Amazônia.

“O garimpo tem sido um dos principais vetores de destruição da Amazônia. Com este novo levantamento, o Greenpeace alerta que não são apenas as Terras Indígenas que são devoradas pelo garimpo, mas também as Unidades de Conservação. O enfraquecimento da fiscalização e o afrouxamento de leis ambientais, ocorridos durante o governo Bolsonaro, assim como o aumento do preço do ouro no mercado externo, fizeram com que os números relativos a essa atividade crescessem exponencialmente, piorando um cenário que já era muito complexo no bioma”, explica o porta-voz da frente de Povos Indígenas do Greenpeace Brasil, Jorge Eduardo Dantas.

A Floresta Nacional do Amanã, que fica na divisa entre o Amazonas e o Pará, é a UC com a maior área destruída por garimpo ilegal na Amazônia. Nesta UC, o Greenpeace Brasil identificou 6,8 mil hectares de garimpo – quase metade da área total de garimpo identificado dentro de UCs. “Amanã” é um termo de origem indígena que significa “água que vem do céu”. O rio, de mesmo nome, o mais importante daquela Floresta Nacional, possui 156 quilômetros – desses, 56 km já foram afetados pelo garimpo, sem contar seus afluentes.

A segunda posição é da Floresta Nacional (Flona) de Urupadi, no sul do Amazonas. A Flona sofre com o garimpo ilegal desde 1985, quando foram identificados 162 hectares da atividade ilegal em seu interior. Em 2016, quando a Floresta Nacional foi criada, o tamanho da área devastada por garimpo já era de 303 hectares. Em 2024, o levantamento do Greenpeace encontrou 2.603 hectares de atividade garimpeira – um aumento de 759% em menos de 8 anos.

O Greenpeace também analisou os pedidos de Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) disponibilizados pela Agência Nacional de Mineração (ANM) dentro da UC. Foi feita a intersecção da área de garimpo com a área da PLG, e verificou-se que de 120 pedidos dentro da UC, 43 PLGs em diferentes fases estão sobrepostas à área de garimpo na UC.

Apesar da atividade garimpeira ser permitida em certas zonas da Floresta Nacional do Urupadi, o Plano de Manejo Florestal da Flona não foi localizado, o que seria de suma importância para verificar se os limites da exploração estão sendo respeitados.

Localização das Unidades de Conservação com registro de atividade garimpeira.

As 15 UCs identificadas pelo Greenpeace Brasil devastadas com garimpo:

Unidade de ConservaçãoÁrea de garimpo (ha)CategoriaUF
1Floresta Nacional do Amanã6.812Uso SustentávelPA
2Floresta Nacional do Urupadi2.613,03Uso SustentávelAM
3Floresta Nacional do Crepori1.172,49Uso SustentávelPA
4Parque Nacional do Jamanxin622,64Proteção IntegralPA
5Floresta Nacional de Altamira538,64Uso SustentávelPA
6Floresta Nacional do Jamari355,15Uso SustentávelPA
7Estação Ecológica do Alto Maués313,12Proteção IntegralAM
8Parque Nacional do Juruena289, 18Proteção IntegralAM/MT
9Floresta Nacional de Itaituba201,65Uso SustentávelPA
10Parque Nacional do Mapinguari164,34Proteção IntegralAM
11Parque Nacional dos Campos Amazônicos123Proteção IntegralAM
12Floresta Nacional de Itaituba II116Uso SustentávelPA
13Floresta Estadual do Amapá86,87Uso SustentávelAP
14Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio58,85Uso SustentávelPA
15Floresta Nacional do Trairão27,14Uso SustentávelPA

Fonte: Greenpeace Brasil

Tudo por uma vitória

POR GERSON NOGUEIRA

Quando o Brasileiro começou, as expectativas do PSC eram altas, como devem ser as expectativas de todo time que se prepara para uma competição importante. As muitas contratações realizadas foram pensadas para contemplar o objetivo de brigar pela “parte de cima” da tabela. A realidade é que, depois de 24 rodadas, o cenário é de desalento.

As ambições foram realinhadas ainda no 1º turno, quando em entrevista o técnico Hélio dos Anjos foi realista sobre as pretensões da equipe na Série B. Garantir a permanência é importante e significa muito diante dos investimentos de outros clubes, ele disse.

Desde então, o time só fez perder capacidade competitiva, acumulando oito jogos sem vitória e estacionando em posições próximas à zona de rebaixamento. Problemas internos vieram à tona, escancarando uma crise que se mantinha apenas submersa.

Para agravar as coisas, as últimas rodadas trouxeram uma sequência de lesões que enfraqueceram ainda mais a equipe. Contra o Goiás, na rodada passada, a quantidade de desfalques chegava a quase um time inteiro. É muita coisa, principalmente para um momento de pressão por resultados.

É o que ocorre hoje em escala menor para o confronto com o Amazonas (às 21h30, na Curuzu). Alguns titulares já estão disponíveis, mas o time ainda tem poucas alternativas para o ataque e sente a falta de jogadores importantes, como Nicolas, Kevyn e Jean Dias.  

Conquistar a vitória diante de um adversário que sempre criou problemas jogando em Belém é um grande desafio. O fato animador é que, nesta Série B, em situação semelhante no início da disputa, o PSC conseguiu derrubar o favorito América-MG dentro da Curuzu.

Diante da necessidade de gols, o time deve entrar com uma formação ofensiva, capaz de intimidar e prevalecer sobre o Amazonas. Yony Gonzalez é o mais adiantado, tendo a provável companhia de Juninho, como na última partida.

Esli García, artilheiro da equipe, segue como uma incógnita na escalação. Marcou um golaço contra o Goiás, mas, na opinião do técnico, não tem “sustentação” e vive de “lances isolados”, o que indica que seguirá como segunda ou terceira opção no banco de reservas.

A possibilidade mais interessante (e lógica) seria o aproveitamento de Esli como parceiro de ataque de Yony e Juninho, tornando a movimentação mais leve e rápida. O meio-de-campo deve contar com João Vieira, Matheus Trindade e Juan Cazares.

O Amazonas é o 12º colocado, cinco pontos à frente do Papão, em 15º. Como se vê, a vitória é o único resultado capaz de reabilitar o representante paraense na competição. (Foto: Jorge Luís Totti/Ascom PSC)   

Arrancada azulina tem a ver com papel de Pavani

Para alegria de seu torcedor, o Remo contrariou prognósticos e chegou ao quadrangular decisivo da Série C. Quem pregava que o mínimo necessário para classificar era marcar 28 pontos, teve que refazer as contas depois que o Leão passou com 26.

Acima desses aspectos, cabe enaltecer o bom momento vivido pelo time. A chegada ao quadrangular coincide com o melhor desempenho na competição. A performance da zaga é um dos pontos altos: nos últimos cinco jogos, o time sofreu apenas dois gols.

Com segurança defensiva, o Leão conseguiu garantir o empate necessário para a classificação diante do São José e parou o melhor time da etapa inicial do campeonato – o Botafogo-PB.

E um jogador encarna como ninguém a fase positiva vivida pela equipe de Rodrigo Santana: Pavani. Foi o atleta que mais evoluiu desde a entrada em cena do técnico, a partir da 5ª rodada. O esquema 3-4-3 foi liderado pelo volante/meia, que tem o posicionamento mais dinâmico e assertivo.

No plano ofensivo, o Remo tem se beneficiado sobremaneira dos passes curtos, da marcação forte e das saídas constantes para troca de ideias com Jaderson, Raimar, Diogo Batista e Pedro Vítor, principalmente.

É no campo defensivo, porém, que Pavani tem brilhado mais. Dá sempre o primeiro combate, mesmo com Bruno Silva em campo, e é importante também no jogo aéreo. Suas atuações têm sido tão boas que, contra o Botafogo-PB, a defesa nem sentiu as ausências de Ligger e Silva.  

Dorival sinaliza trio do Real, mas Estêvão pode estrear

As agruras da Seleção Brasileira nas Eliminatórias, amargando um inédito sexto lugar, contribuem para o clima de expectativa em torno do jogo de amanhã contra o Equador, em Curitiba. O time, agora treinador por Dorival Júnior, não despertava maior interesse, mas o risco de uma inédita ausência na Copa do Mundo fez tudo mudar de figura.

Até mesmo a burocrática convocação de jogadores tem mexido com as atenções da torcida. Quebrar o jejum de vitórias – um empate e três derrotas nas quatro rodadas recentes – é prioridade máxima.

Dorival vem ensaiando um time que poderá ter os três atacantes do Real Madrid na linha de frente. Alisson; Danilo, Éder Militão, Gabriel Magalhães e Guilherme Arana; André, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá; Rodrygo, Vini Junior e Endrick. Esta foi a formação titular do primeiro treino.

Estêvão, jovem atacante do Palmeiras e principal revelação da temporada, pode ser uma aposta no lugar de Endrick. Já o botafoguense Luiz Henrique também é cotado para reforçar o ataque com seus dribles em velocidade. Seria oportuno ver caras novas no time, para contrabalançar as mesmices de sempre – Paquetá e o incrível Danilo.   

O centroavante Pedro, que podia dar a Dorival a opção por um sistema mais conservador na frente, foi desligado ontem da Seleção devido a uma ruptura no ligamento do joelho, cujo tratamento leva de nove meses a um ano. Para a vaga, João Pedro (Brighton) foi chamado ontem.  

Com apenas sete pontos em seis jogos, o Brasil tenta sair do incômodo 6º lugar, última colocação que garante vaga direta no Mundial de 2026.

Deputados alertam sobre prevenção ao suicídio e adoção de políticas públicas de atenção à saúde mental

Os deputados, presididos pelo deputado Chicão (MDB) exploraram em seus pronunciamentos, na sessão desta terça-feira (3), as ações relacionadas à campanha “Setembro Amarelo”, mês dedicado à prevenção do suicídio. A iniciativa teve início no Brasil em 2015, com o objetivo de sensibilizar as pessoas sobre o suicídio, bem como evitar o seu acontecimento e discutir maneiras de prevenção. Além disso, a campanha visa a discussão em torno de políticas públicas que deem conta desses casos.

Para os parlamentares da Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), o suicídio é um problema de saúde pública que não pode ser visto como tabu. “Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos mais pessoas morrem como resultado de suicídio, mais do que HIV, malária ou câncer de mama – ou guerras e homicídios”, situou a gravidade da questão, o deputado Carlos Bordalo (PT).

“O Setembro Amarelo nos convida a refletir sobre como podemos contribuir para uma sociedade mais solidária, onde o cuidado com a saúde mental seja uma prioridade”, disse a deputada Maria do Carmo, vice-líder do governo na Casa. A deputada considera essencial promover o respeito e a empatia ao tratar desse assunto. “Piadas ou comentários desdenhosos sobre a saúde mental de alguém podem agravar ainda mais o quadro de uma pessoa vulnerável”, considerou. A parlamentar defendeu ainda a necessidade da prevenção dentro das escolas, com o apoio de psicólogos.
O deputado Fábio Freitas (PRTB) avalia que o suicídio é um mal que assola o Pará, o Brasil e o mundo. “Temos que considerar que o assunto é de extrema importância, seriedade e de muita sensibilidade. Para ele, temos que estabelecer programas para acolher essas pessoas que se encontram desamparadas e que por falta de apoio vão ao extremo atentando contra a própria vida”. Freitas lembrou de projeto de sua autoria, sancionado ano passado, determinando a afixação de placas nas escolas públicas e privadas do Estado alertando para o tema da prevenção ao suicídio.

Suicídios preocupam a OMS

“Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, e a cada 40 segundos uma pessoa tira a própria vida”, disse Maria.

Já o deputado Bordalo informou que a taxa de entre jovens cresceu 6% por ano no Brasil entre 2011 e 2022, enquanto as taxas de notificações por autolesões na faixa etária de 10 a 24 anos de idade evoluíram 29% ao ano no mesmo período. Os números apurados superam os registrados na população em geral, cuja taxa de suicídio apresentou crescimento médio de 3,7% ao ano e de autolesão de 21% ao ano, no período analisado.

“Trata-se de um fenômeno complexo, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, sexos, culturas, classes sociais e idades”, avaliou o parlamentar petista. Carlos Bordalo citou ainda estudos da Fiocruz, que já associaram o aumento do número de suicídios ao aumento das desigualdades sociais e da pobreza, e ao crescimento da prevalência de transtornos mentais, que causam um impacto direto nos serviços de saúde.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é uma instituição vinculada ao Ministério da Saúde, portanto, ligada ao governo federal, e que atua na pesquisa e no desenvolvimento científico e tecnológico da saúde brasileira.

Setembro Amarelo

A campanha começou nos EUA, quando o jovem Mike Emme, de 17 anos, cometeu suicídio, em 1994. Mike era um rapaz muito habilidoso e restaurou um automóvel Mustang 68, pintando-o de amarelo. Por conta disso, ficou conhecido como “Mustang Mike”. Seus pais e amigos não perceberam que o jovem tinha sérios problemas psicológicos e não conseguiram evitar sua morte.

No dia do velório, foi feita uma cesta com muitos cartões decorados com fitas amarelas. Dentro deles tinha a mensagem “Se você precisar, peça ajuda”. A iniciativa foi o estopim para um movimento importante de prevenção ao suicídio, pois os cartões chegaram realmente às mãos de pessoas que precisavam de apoio.

O drama dos times sem-torcida

POR GERSON NOGUEIRA

Não é fácil jogar futebol sem ter por trás o apoio de uma legião de torcedores. Clubes emergentes e controlados por empresas costumam se deparar com esse dilema ao longo do tempo. Alguns até conseguem contrariar a lógica e alcançar sucesso, mas é inegável que os bem-amados costumam levar vantagem em momentos decisivos.  

Um exemplo dramático disso é a notícia de que o São Bernardo está anunciando uma promoção inusitada: gratuidade de ingressos para o jogo com o Remo, na próxima segunda-feira (9) à noite, válido pelo quadrangular final da Série C.

O torcedor do time paulista poderá passar na sede do clube e pegar suas entradas, sem pagar nada por isso. Até os torcedores visitantes serão beneficiados, pagando um valor quase simbólico (R$ 5,00 e R$ 10,00) pelos ingressos no estádio Maião, em São Bernardo do Campo.

Resta confirmar se a ideia do São Bernardo tem amparo legal, pois a distribuição gratuita de ingressos pode estar sujeita a taxação de impostos. Nos torneios da Conmebol é expressamente proibido dar ingresso de graça. Muquirana, a entidade estabelece no Manual de Clubes que “em nenhum caso poderá ser estabelecido que o ingresso das partidas seja gratuito”.

De qualquer maneira, a simples disposição de dar ingresso para atrair torcedor é a admissão da falta que faz o incentivo que vem das arquibancadas. Depois de ver o espetáculo dos 44 mil torcedores do Leão, sábado, no estádio Mangueirão, a direção do São Bernardo deve ter decidido apostar na medida extrema.

O risco é acabar contribuindo para que o Remo ganhe uma torcida mais expressiva nas arquibancadas. Com preços tão convidativos, paraenses que vivem nas proximidades de São Bernardo certamente irão se sentir mais impelidos a comparecer para apoiar o Leão.

Rodrigo Alves, um acerto inesperado no Leão

Quando desembarcou em Belém para disputar as últimas rodadas da fase de classificação da Série C, no final de julho, Rodrigo Alves não foi celebrado como grande reforço. Apesar do histórico razoável de atuações no futebol do Paraná (defendeu o Cascavel na Série D), parecia ser mais uma daquelas contratações para compor elenco.

Era improvável até que fosse utilizado como titular. No entanto, foi lançado contra o CSA e mostrou boa movimentação, disciplina tática e presença de área. Na rodada seguinte, foi o melhor do ataque contra o Figueirense. Na sequência, entendeu-se muitíssimo bem com Pedro Vítor no jogo com o Confiança, em Sergipe.

Essas credenciais mudaram a percepção da torcida e da própria comissão técnica azulina. Para o decisivo confronto com o Londrina, ele entrou na etapa final e foi fundamental para a construção do placar. Cobrando falta com perfeição, marcou o terceiro gol do Remo na partida.  

Teve boa participação contra o São José no jogo da classificação, em Porto Alegre, e ganhou a titularidade para a estreia no quadrangular diante do Botafogo-PB. Escolha muito feliz do técnico Rodrigo Santana. Rodrigo foi peça de destaque ao longo do primeiro tempo, levando constante perigo em arrancadas pela esquerda.

Contribuiu diretamente para o primeiro gol, avançando até às proximidades da área e cruzando na medida para a finalização de Pedro Vítor. A jogada abriu caminho para a vitória sobre o time paraibano.

Com o desempenho ofensivo e a participação no trabalho de marcação pelo lado esquerdo, Rodrigo é figurinha carimbada para entrar de cara na segunda missão remista no quadrangular, na segunda-feira (9), contra o São Bernardo. Com total merecimento.

O olhar de Esli e a oportuna operação “desarma treta”

Justiça se faça, o menos culpado de todo o desassossego vivido pelo PSC nas últimas semanas é o atacante Esli García. Muito pelo contrário. A ele só se deve atribuir o lado bom da situação, pois cumpriu magistralmente seu papel como atleta do clube. Mesmo com poucos minutos em campo, é o artilheiro do time na Série B, com 6 gols.

É provável que, se tivesse merecido as mesmas oportunidades que alguns outros, podia ter assinalado mais gols. Talento, iniciativa, habilidade e capacidade de finalização são predicados de Eslí. O que lhe falta é um pouco mais de cartaz junto ao treinador, Hélio dos Anjos, que desde os tempos de Parazão relega o atacante à condição de opção de banco.

Foto: Jorge Luís Totti/Ascom PSC

Nem mesmo depois do golaço salvador marcado domingo à noite contra o Goiás, no estádio da Serrinha, o artilheiro mereceu comentários elogiosos por parte do técnico. Certamente irritado com o olhar flamejante lançado por Esli após balançar as redes de Tadeu, o comandante repetiu a análise de sempre sobre o atleta.

Segundo ele, Esli é um jogador de lances isolados e sem resistência suficiente para uma partida inteira. Esqueceu apenas de admitir que o venezuelano é o melhor (levando em conta a minutagem e os gols assinalados) atacante e provavelmente o principal jogador do time – embora não seja devidamente reconhecido por isso.

Em entrevista, ontem, Esli foi cirúrgico. Disse que o olhar que todo mundo notou, direcionado à comissão técnica após o gol, foi apenas “um desabafo para mim depois de tantas partidas sem marcar gol”.

Sem dúvida, foi um belo drible na polêmica e a melhor saída para todos. Esli evitou o choque direto com um técnico que nunca o teve como fã e colaborou para debelar mais um foco de crise na Curuzu, às vésperas do importante confronto com o Amazonas.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 04)

Um torcedor paraibano encantado com a força do Fenômeno Azul

Canal Um Torcedor pelo Mundo, de um influencer paraibano fã de futebol e admirador das torcidas de Remo e PSC – já esteve aqui em 2023, cobrindo o jogo PSC x Botafogo, na Série C. Destaque para o tom sempre alto astral, equilibrado e carinhoso com o Pará e os paraenses, apesar de torcedor apaixonado do Belo.

“Black power verde-amarelo”: CIA monitorou racismo no Brasil durante ditadura militar

Por Lucas Pedretti | Agência Pública

“Meias-verdades e distorções históricas.” Com essas palavras, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) definiu em um relatório de 1981 do que era composto o mito da inexistência de racismo no Brasil. O documento inédito é intitulado “Brasil: raça e suas implicações para a estabilidade política” e foi localizado pela Agência Pública no acervo do projeto Opening the Archives, da Universidade Brown, em Rhode Island (EUA).

Para atestar a existência de discriminação racial, ao longo de 37 páginas, o documento examina dados, expõe gráficos e traz uma bibliografia atualizada com sociólogos brasileiros que trabalhavam o tema à época. Mais que apontar a existência de racismo, a agência norte-americana buscou analisar os impactos de uma “crescente consciência negra” no país.

Por que isso importa?

  • A descoberta do relatório da CIA mostra como os EUA historicamente acompanharam de perto as dinâmicas sociais internas do Brasil e a relação política com seus adversários e em que medida ignorou o discurso oficial dos militares durante o regime ditatorial.

“Se as tendências que identificamos se mantiverem, as relações raciais ganharão maior importância política, e o descontentamento racial pode atingir proporções sérias até o final da década. Incidentes raciais, casos de brutalidade policial, boicote econômico e esporádicas manifestações de larga escala poderiam facilmente ocorrer”, chegou a prever a agência norte-americana.

“Um oficial do Consulado dos Estados Unidos no Rio Grande do Sul informou que, em outubro de 1980, ocorreu o Primeiro Encontro Estadual da Comunidade Negra”, atesta o primeiro tópico de uma lista de atividades monitoradas. “Alguns dos temas discutidos foram a segregação racial nos níveis local, estadual e nacional, a discriminação nos trabalhos na indústria e o problema do desenvolvimento da consciência negra”, descreve o documento.

Documento foi localizado pela Agência Pública na Universidade de Brown em Rhode Island (EUA)

Entre as manifestações antirracistas listadas no relatório estão a criação de uma organização do movimento negro em Santa Catarina; um protesto após um jovem negro ser impedido de entrar no elevador de um shopping de São Paulo; a atuação da Escola de Samba Quilombo; atividades de celebração do 350º aniversário do Quilombo dos Palmares; desfiles dos blocos afro no carnaval de Salvador e as discussões sobre a questão negra durante reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). 

O documento mergulhou na principal expressão da reorganização do movimento negro da década de 1970: a criação do Movimento Negro Unificado (MNU), em 1978. O ato de fundação do MNU, que reuniu 5 mil pessoas em São Paulo, bem como seus líderes, “importantes porta-vozes da população negra”, e pontos do programa político foram destacados no trabalho. “Embora a liderança do MNU seja de esquerda, seu primeiro diretor tenha sido um autoproclamado marxista, e os agentes de segurança brasileiros acusem o grupo de ter proximidade com o comunismo, a organização foi autorizada a continuar suas atividades”, descreveu o relatório. 

“O interesse dos EUA pela questão racial no Brasil é muito anterior ao contexto da ditadura militar, uma vez que essa era uma questão explosiva no contexto norte-americano”, analisa a socióloga e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) Flavia Rios, que destaca ainda como intelectuais estrangeiros visitavam o país desde a década de 1920 para pesquisar sobre o tema, uma vez que o Brasil era usado como exemplo de relações harmoniosas. “E sempre esses intelectuais e pesquisadores tinham uma interação com as agências norte-americanas”, destaca.

Desfiles dos blocos afro no carnaval de Salvador integram relatório de manifestações antirracistas da CIA

“A imagem do Brasil como um paraíso racial é bem antiga”, explica o professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Luiz Augusto Campos. “Com a derrocada do nazismo e o fim da Segunda Guerra [Mundial], os recém-formados organismos internacionais passaram a enquadrar o Brasil como exemplo de relações raciais.” 

Segundo Campos, nos anos 1970 a ideia começou a “perder legitimidade de fora para dentro”. O relatório da CIA, por exemplo, se diferenciava de modo significativo do que era relatado em documentos da ditadura. Mergulhados profundamente no mito da democracia racial, os militares brasileiros seguiram até o final do regime apostando na ideia de que o Brasil seria um país sem racismo.

Em 1988, por exemplo, já sob o primeiro governo civil pós-ditadura, o Centro de Informações do Exército [atual Centro de Inteligência do Exército (CIE)] produziu um relatório sobre as mobilizações sobre o centenário da abolição da escravidão, em que era descrito que “a miscigenação se processou sem traumas ao longo dos dois últimos séculos” e que as críticas do movimento negro buscavam “semear o germe da discórdia” explorando um “pretenso racismo”.  

A consciência negra como “preocupação”

Da relação dos nascentes partidos políticos com lideranças negras aos efeitos da crise econômica, passando pelas relações do Brasil com países africanos e pela atuação de esquadrões da morte nas periferias do país, o relatório da CIA demonstrava a preocupação de tentar antever o quanto essas questões poderiam levar a um aumento da consciência racial na população negra brasileira e o que isso poderia significar politicamente no país. 

O documento sugeria um modelo de checklist para futuros observadores, com perguntas como: “os centros de cultos afro-brasileiros, as escolas de samba ou outras associações negras, hoje apolíticas, estão se tornando centros de agitação política e propaganda?” e “Cuba ou qualquer outra nação comunista estão tentando exacerbar a situação racial no Brasil?”. 

“No imaginário norte-americano, a possibilidade de race riots, levantes baseados em questões raciais, estava muito à flor da pele, especialmente entre os brancos de classe média”, explica o historiador da Universidade Brown e criador do projeto Opening the Archives,James Green. Conhecedor do universo das agências norte-americanas, ele explica que o corpo diplomático dos EUA no Brasil era o terceiro maior em recursos e número de funcionários, dado o imaginário sobre o país criado após a Revolução Cubana.

A pesquisadora Flavia Rios lembra que nos EUA havia a luta dos Panteras Negras, organização marxista e maoísta que, na percepção da CIA, dada a “perspectiva imperialista dos EUA”, encontraria no Brasil “solo fértil”, em razão da ditadura militar. “A gente já vinha ali de um contexto de guerrilhas, de muitas mobilizações. […] Imagina se essas duas coisas se comunicam? Um debate racial em sentido mais amplo, mais forte, mais denso, mais conflitivo, junto a grupos marxistas, revolucionários? Então se tem uma preocupação com esse potencial explosivo”, avalia.

O documento sugeria que os centros de cultos afro-brasileiros, que na época eram apolíticos, poderiam estar se tornando centros de agitação política

Realidade mais particular que semelhante

Espiões norte-americanos se aproximavam da visão dos militares brasileiros quanto ao receio de manifestações antirracistas. “A publicação pela imprensa de artigos, pesquisas, análises, debates e pronunciamentos de quem quer que seja sobre preconceito e discriminação racial só servirá para criar um clima propício a efervescências e agitações sociais que poderão culminar com a implantação, no Brasil, de distúrbios raciais, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos da América do Norte”, aponta relatório do Centro de Informações da Aeronáutica (Cisa) de 1970. 

Para os agentes da Aeronáutica, não seria surpresa se, diante dessas efervescências, surgisse no país um “Black Power verde e amarelo”. Os militares, em geral, usavam as menções aos norte-americanos na tentativa de reduzir a agenda dos militantes negros brasileiros, como fica evidente em relatório do Serviço Nacional de Informações (SNI) de 1977 que se refere aos bailes soul brasileiros como iniciativa de negros que estariam tentando “plagiar os blacks norte-americanos”.

Um dos líderes militantes do movimento negro monitorados pelos órgãos repressivos da ditadura militar foi o doutor em história, tradutor dos livros de Zygmunt Bauman e autor do livro Na lei e na raça, Carlos Alberto de Medeiros. O pesquisador, que integrou o Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN) no início da década de 1980, disse imaginar que a luta era monitorada, mas se surpreendeu com a produção do relatório pelos norte-americanos. “A gente não percebia esse impacto internacionalmente”, sintetizou Medeiros ao saber do documento. 

Para Medeiros, as manifestações antirracistas nos EUA eram uma fonte de inspiração, ao lado das lutas por independência na África. A influência dizia respeito à questão da luta pela afirmação da identidade negra, incluindo aspectos como o cinema negro e a soul music

“Mas nós não percebíamos a possibilidade de ter os tipos de confronto que eles [militantes norte-americanos] tinham, já que antes nós precisávamos ampliar essa coisa da consciência negra”, reflete o pesquisador. “Nós tínhamos uma cultura, uma história, que, em muitos aspectos, é muito mais rica que a deles. Então nós fomos descobrir e valorizar nossas próprias particularidades.”

Leão vence a primeira batalha

POR GERSON NOGUEIRA

Foi uma estreia em grande estilo na fase de grupos da Série C. Jogando bem, o Remo superou o Botafogo paraibano por 2 a 1, na tarde-noite de sábado, no estádio Mangueirão, diante da vibrante presença de 44 mil torcedores. Dois belos gols de Pedro Vítor garantiram o triunfo azulino. Sillas, ex-remista, descontou na cobrança de um pênalti.

Sobrou emoção e intensidade. O Remo impôs um ritmo forte, ocupando os espaços e avançando pelos lados, sob o incentivo dos torcedores. Com isso, enfileirou várias chances logo nos primeiros minutos, deixando o Botafogo acuado em seu campo de defesa.

Diogo Batista e Raimar impulsionaram as ações, contribuindo para a pressão de Pedro Vítor e Rodrigo Alves sobre a última linha do Botafogo. Aos 15 minutos, veio o primeiro lance polêmico. Pedro Vítor cruzou e a bola tocou na mão do zagueiro Romércio. O pênalti foi marcado, mas o árbitro Lucas Casagrande (PR) anulou após revisar a jogada.

A maneira consistente como o Remo se organizou na defesa, no meio e no ataque garantiu ao time o controle do jogo, em total sintonia com os gritos da torcida. Por volta dos 20’, Ytalo desviou rasteiro dentro da área e Pedro Vítor disparou por cima do gol de Dalton.

Seis minutos depois, uma explosão de alegria sacudiu o Mangueirão. O gol que abriu caminho para a vitória nasceu de uma arrancada de Rodrigo Alves, que foi à linha de fundo e cruzou à meia-altura. Pedro Vítor fechava pela direita e desviou com um toque sutil, encobrindo o goleiro alvinegro.

O Remo quase ampliou em seguida. Ytalo recebeu passe de Jaderson na marca penal e mandou um chute forte que bateu no travessão, após um leve desvio na zaga. 

Uma manobra que envolveu Raimar, Pavani e Ytalo resultou em passe sob medida para Pedro Vítor chutar de sem-pulo com o pé esquerdo no canto do gol. Outro bonito gol para aumentar a festa azulina no Mangueirão.

O placar fazia justiça ao melhor futebol apresentado pelo Remo, que não permitia espaços ao Botafogo e levava constante perigo nas subidas ao ataque. O único momento de baixa aconteceu entre os 30 e os 38 minutos, quando o visitante avançou suas linhas e criou três boas chances.

Jô e Pipico mandaram chutes à esquerda do gol de Marcelo Rangel após dois escanteios seguidos. O lance que mais assustou a torcida foi a bola rebatida na perna de Jaderson que quase enganou o goleiro.

Aos 40′, uma manobra rápida envolvendo Diogo Batista, Pavani e Ytalo resultou em passe sob medida para Pedro Vítor chutar de sem-pulo com o pé esquerdo no canto esquerdo do gol, cravando Remo 2 a 0. Delírio no Mangueirão.

Na segunda etapa, o jogo reiniciou com forte movimentação do Botafogo, buscando chegar ao gol com cruzamentos em direção à área do Leão. Aos 11 minutos, Romércio cabeceou e a bola tocou na zaga do Remo. O árbitro Lucas Casagrande marcou pênalti e o VAR não recomendou revisão, apesar dos protestos do time azulino. Sillas bateu e diminuiu.

Em dois lances agudos, o Remo quase ampliou. No primeiro, Ribamar recebeu passe de Pedro Vítor, invadiu a área e chutou sobre o goleiro Dalton, desperdiçando grande oportunidade. Logo em seguida, Marco Antônio driblou um marcador e bateu cruzado para boa defesa de Dalto.

Os minutos finais se limitaram aos cruzamentos do Botafogo em busca do empate, mas a zaga azulina se manteve firme. O triunfo foi festivamente saudado pela multidão no estádio e com a participação dos jogadores. 

Principais nomes no Leão: Pedro Vítor, Pavani, Diogo, Raimar e Rodrigo Alves. No Botafogo, Dalto e Jô foram os que mais se destacaram. (Foto: Mauro Ângelo/DIÁRIO)

Esli García ajuda Papão a arrancar empate

Ninguém entende direito como Esli García é reserva no PSC. É o melhor atacante do elenco e o artilheiro do time na Série B (6 gols), mesmo atuando apenas por poucos minutos na maioria das partidas em que entrou. Para o técnico Hélio dos Anjos, o venezuelano é apenas uma alternativa na formação do time. Para a torcida, ele é uma espécie de talismã.

Ontem, em Goiânia, o pequenino Esli mostrou outra vez o seu valor. Na reta final de uma partida difícil, com nova derrota se desenhando, a entrada do atacante fez total diferença. Em lance individual, ele recebeu na área e desferiu um chute perfeito, sem chances para o goleiro Tadeu.

No fim das contas, o empate fez justiça ao bom desempenho do PSC na primeira etapa, quando conseguiu controlar o ímpeto do Goiás e andou cercando a área adversária, através de Yony González e Juninho.

Muito desfalcado – nove baixas –, o PSC formou um time diferente do meio para a frente, com a presença de Matheus Trindade ao lado de João Vieira e a dupla Robinho e Netinho cuidando da armação de jogadas. No ataque, Juninho funcionava como o jogador de aproximação com Yony, o atacante mais avançado.

O PSC teve uma boa chance, no final do primeiro tempo, em cobrança de falta de Netinho, que obrigou Tadeu a uma boa defesa.

Na segunda etapa, o Goiás fez substituições e voltou mais agressivo nas investidas de ataque. Tiago Galhardo e Paulo Baya passaram a se aproximar, criando situações de perigo. Até que, aos 17 minutos, uma rápida troca de passes culminou com o gol de Rafael Gava.

Por alguns minutos, o Goiás mostrou mais desenvoltura e tentou forçar em busca de outro gol, mas errou nas finalizações. Aos 32’, Esli recebeu um passe pelo lado esquerdo da área, limpou a jogada e bateu cruzado, vencendo Tadeu. Um belo gol, bem ao estilo de outros que o atacante já marcou com a camisa bicolor.

O Goiás entrou então em desespero e perdeu ainda duas oportunidades. Na primeira, Galhardo errou a passada na hora de finalizar. Depois, Paulo Baya bateu falta com perigo à direita da trave de Diogo Silva.

Nas circunstâncias, um resultado positivo para o PSC, que escapou de uma derrota em território inimigo. O empate mantém a equipe em 15º, com 27 pontos. O Papão terá agora uma sequência de dois jogos na Curuzu, contra o Amazonas (na quinta-feira, 5) e o Guarani (sábado, 14). 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 02)

Baixas desafiam o Papão diante do Goiás

POR GERSON NOGUEIRA

Com um time completamente desfigurado, cheio de baixas por lesões e suspensões, o PSC enfrenta o Goiás neste domingo (01) em Goiânia, pela Série B disposto a retomar as vitórias, distantes há sete rodadas. A tarefa é mais complicada porque o time goiano também tenta se firmar na competição e encara o jogo como a chance de uma arrancada.

A boa notícia é que, nos confrontos contra times credenciados na disputa, o PSC conseguiu obter bons resultados na parte inicial do campeonato. A dificuldade está nos problemas existentes para a formação da equipe. Sem peças fundamentais, como Nicolas e Cazares, impõe-se a necessidade de uma postura mais cautelosa e fechada.

A situação pode levar a uma formação nos moldes da que iniciou o jogo com o Mirassol, com quatro homens no meio. Para compor o setor, a provável formação terá Leandro Vilela, Matheus Trindade, João Vieira e Robinho (ou Juninho). No ataque, Yony González e Esli García.

Em função da escassez de opções, não há muitas variações a serem testadas. Ainda assim, a qualidade individual dos jogadores permite esperar uma atuação de bom nível.

O fato de jogar fora de casa, distante da pressão normal do torcedor, pode contribuir para que o PSC tenha mais tranquilidade para desenvolver um jogo mais estratégico, amparado na segurança da zaga formada por Quintana e Carlão (Lucas Maia).

Nas últimas partidas, a presença de Matheus Trindade como titular do meio-campo gerou estranheza pela falta de maior entrosamento com os companheiros e por erros pontuais na troca de passes. Mais espanto ainda causa a barração de Leandro Vilela, o ex-titular. Pela familiaridade com João Vieira, espera-se que volte ao time para o desafio frente ao Goiás.

Leão inicia a caça ao acesso

O Remo volta a disputar diretamente o acesso à Série B depois da decepção pela queda em 2021. O rebaixamento deixou um trauma pesado na alma do torcedor azulino, até hoje inconformado com a maneira destrambelhada como o time entregou a vaga na Segunda Divisão nacional.

A classificação para a fase de grupos, conquistada no último sábado, dá ao time uma nova chance de brigar pelo acesso. Tudo começa neste sábado à tarde, no estádio Jornalista Edgar Proença, diante de 50 mil azulinos.

O clima é totalmente favorável, o alto astral toma conta da torcida e a confiança é cada vez mais forte entre os torcedores. A questão agora é encarar a partida de maneira resoluta, entendendo que é uma decisão, como todos os demais cinco jogos da atual fase.

No formato do quadrangular, em que todos atuam contra todos, é fundamental vencer os confrontos disputados em casa, a fim de acumular uma pontuação que permita sonhar com o acesso. Em edições recentes, alguns times chegaram à Série B apenas com os bons resultados obtidos como mandante.

Contra o Botafogo-PB, o Remo terá pela frente o melhor time da competição, recordista de pontos (41) na primeira fase e um dos melhores ataques da competição. Obviamente, tudo isso fica em segundo plano no momento do confronto direto, visto que a segunda fase zera a pontuação.  

Ao Remo cabe encarar a partida com a mesma fúria com que jogou diante do Londrina e a aplicação demonstrada diante do São José. Não pode haver descuido ou hesitação. É uma partida que vale como final de campeonato e deve ser jogada exatamente assim, com foco máximo e gana de vencer.

A massa humana que vai superlotar o Mangueirão à tarde terá um papel fundamental na partida. Além do fato óbvio de precisar incentivar o tempo todo, a torcida precisa ter a paciência necessária para entender as dificuldades naturais de um clássico do Norte-Nordeste.

Jaderson, Pavani e Pedro Vítor têm funções bem definidas no Remo atual. Os dois primeiros são homens de construção, o atacante é a válvula de escape pela direita. Com Pedro Vítor, a equipe ganhou em ações individuais e jogadas de habilidade entre as linhas. Dependerá muito desse trio o sucesso do Leão neste primeiro duelo do quadrangular.

Bola na Torre

Giuseppe Tommaso apresenta o programa, a partir das 22h, na RBATV, com participações de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Em pauta, os jogos das Séries B e C do Campeonato Brasileiro. A edição é de Lourdes Cezar e Lino Machado.   

Jogos Abertos movimentam mais de 900 atletas

Castanhal sedia a 8ª fase da XIII Edição dos Jogos Abertos do Pará (Joapa), promovida pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer. O evento, realizado na noite de quinta-feira, 29, na regional Guamá/Guajará, envolveu mais de 900 atletas, dos municípios de Bragança, Benevides, Castanhal, Colares, Curuçá, Igarapé-Açu, Marabá, Maracanã, Marituba, Ponta de Pedras, Santa Isabel do Pará, São Domingos do Capim e Vigia de Nazaré, abrangendo as modalidades de basquetebol, voleibol, futsal, handebol, futebol de areia e tênis de mesa.

A cerimônia aconteceu no ginásio municipal Loiola Passarinho com a presença de autoridades, estudantes e grande público. A secretária titular da Seel, Ana Paula Alves, destacou a importância da competição: “Esse momento é de integração e fomento do esporte amador promovido pelo governo do Pará, por meio da Seel”.

As partidas da fase regional Guamá/Guajará iniciaram na manhã de sexta-feira, 30, com todas as modalidades em disputa. A competição termina no domingo, 01, com a definição das equipes classificadas para a etapa estadual e a premiação ao campeão do Troféu Eficiência.

(Coluna publicada na edição do Bola deste sábado/domingo, 01/02)

Deputada pede providências para amenizar as consequências da seca nos rios do Pará

A deputada Maria do Carmo solicitou, nesta terça-feira (27), no plenário Newton Miranda, que o governador Helder Barbalho se antecipe à seca nos rios da Amazônia e tome providências imediatas com a instalação de um Comitê de Enfrentamento às Estiagens. A vice-líder do governo também solicita que seja decretada a “Situação de Emergência Ambiental”, principalmente na Região do Oeste do Pará, em especial nos municípios de Itaituba, Jacareacanga, Aveiro e Santarém.

“O auge da seca no Estado é em novembro, então é necessário que o governador intervenha com o decreto de situação emergencial agora em setembro, para que em outubro os povos e comunidades, no oeste do Pará, principalmente, possam recorrer ao governo federal para acessar recursos e projetos desenvolvidos no Ministério de Desenvolvimento Social”, solicitou Maria.

A parlamentar informou que os rios de acesso a diversas comunidades e povos tradicionais e isolados nestes municípios já estão em níveis inferiores à seca do ano passado no mesmo período. “O ano passado tivemos que trabalhar em cima da hora e muitas das comunidades e os povos tradicionais, principalmente os isolados, não puderam acessar recursos do governo federal. Agora estamos pedindo que seja feito o que o governo do Amazonas já fez esse ano”, explicou.

No Amazonas, foi assinado um protocolo de intenções entre o Governo do Estado, Universidade Federal do Amazonas e outros órgãos de pesquisa, formalizando a composição do Comitê de Enfrentamento à Estiagem para assessoramento técnico ao governo estadual. A deputada Maria, que também é presidente da Comissão Permanente de Meio Ambiente, pede que seja garantido aos municípios que venham enfrentar esse período de seca, água de qualidade, potável, e cestas básicas.

“É preciso que sejam realizadas obras, como dragagem de alguns rios, porque a maioria das comunidades ficam totalmente isoladas, e se fizerem uma dragagem agora, é possível manter um canal de comunicação entre aquela região e a cidade, senão acabam até três meses isolados, sem nenhuma ajuda, só podendo receber mantimentos por via aérea através de helicópteros”, disse Maria.

No próximo dia 5 de setembro será realizada, em Santarém, uma audiência pública convocada pela Comissão Permanente de Meio Ambiente da Alepa para debater as queimadas e todas as exigências climáticas que se avizinham. Já no dia 6 também do próximo mês, o ministro Alexandre Padilha e o governador Helder Barbalho estarão em solo santareno para falar sobre as providências que o governo do Estado e o governo federal tomarão a respeito da seca que se abaterá nos rios do Estado.