Um novo Papão vem por aí

POR GERSON NOGUEIRA

O PSC está estruturando um novo time para a sequência da Série B. As mudanças podem começar a ser notadas amanhã, na Curuzu, no confronto com o Ceará Sporting. São mexidas pontuais, no setor de criação e no ataque. Juan Cazares, Borasi e Keffel devem ser os primeiros a entrar em cena, com o objetivo de impor modificações posicionais e táticas.

O lateral-esquerdo Keffel, de 25 anos, foi anunciado ontem. Ele estava no futebol português desde 2020. O jogador chega na segunda janela de transferências da Série B com credenciais para ser titular. Mineiro de nascimento, começou no S. Caetano-SP e passou pelo Retrô, de onde saiu para o Torreense. Em Portugal, fez 50 partidas.

Não é novidade para ninguém que a lateral-esquerda é um dos problemas crônicos do PSC na Série B. Bryan Borges foi titular ao longo da temporada, mas no Brasileiro perdeu o lugar para Kevyn. Ao contrário da lateral-direita, onde Edilson é unanimidade, pela esquerda o rendimento não é o mesmo, o que vinha preocupando a comissão técnica.

A óbvia intenção é fazer com que o time ganhe velocidade e qualidade nas extremas. O modelo de jogo exige a intensa participação dos laterais na movimentação do ataque. Sempre que a equipe teve presença forte pelos lados conseguiu levar a melhor sobre os adversários, principalmente fora de casa.

Pouco efetivo na construção de jogadas, o meio-campo é o setor que deve ser mais afetado após a janela de transferência. Cazares certamente vai ocupar um lugar entre os volantes e os atacantes, ficando responsável pela condução de jogo e distribuição de passes naquela faixa de campo.

A habilidade do meia equatoriano deve fazer com que o PSC ganhe mais rapidez e qualidade quando parte rumo à área adversária. Além disso, Cazares tem um bom chute de média distância e é especialista em cobrança de faltas. Tem muito a contribuir.

Outra opção para o setor ofensivo é Paulinho Bóia (foto). A ele irá se juntar Benjamín Borasi, argentino anunciado anteontem. Aos 25 anos, Paulinho já defendeu São Paulo, Juventude, América-MG e Mirassol.

Desde o dia 12 de junho em Belém, ele teve a oportunidade de acompanhar os jogos do PSC na Curuzu, sentindo o calor da torcida alviceleste. Deve estar disponível para entrar contra o Ceará.

James faz sua parte e Colômbia avança para a final

Foi uma partida marcada por lances bruscos, entrechoques e muita imposição física. Nenhuma surpresa. O Uruguai jogou com a disposição mostrada diante do Brasil, deixando de lado a preocupação com o controle técnico do jogo. Do lado colombiano, havia Luiz Díaz e James Rodriguez, o que faz uma imensa diferença.

Os primeiros movimentos ofereceram boas oportunidades a Darwin Nuñez, mas o centroavante do Liverpool desperdiçou todas. Com cautela para neutralizar o contra-ataque, a Colômbia foi se instalando no campo de defesa uruguaio e chegou ao gol numa jogada quase sempre letal.

Uma falta pela direita foi cobrada por James. Expert nesse tipo de cobrança, ele mandou no segundo pau, onde Lerma subiu para marcar. O camisa 10 agora detém o recorde de assistências (6) na Copa América.

Ainda no primeiro tempo, a Colômbia perdeu Muñoz, que aplicou uma cotovelada em Ugarte. Melhor lateral-direito do torneio, Muñoz é um desfalque e tanto para a final de domingo contra a Argentina.

Na segunda etapa, o jogo passou a ser de ataque contra defesa, embora a seleção de Marcelo Bielsa não tenha repetido as atuações da fase de classificação. Luizito Suárez conseguiu acertar uma bola na trave.

A Celeste sufocou até o final. Arrascaeta quase empatou, mas o goleiro Vargas fez grande defesa. A essa altura, James Rodríguez já estava à beira do campo, mas tinha feito sua parte com extrema competência.

O meia que despontou há 10 anos na Copa do Mundo no Brasil mostrou ao longo dos jogos uma dedicação própria dos que querem a consagração. Aos 32 anos, sabe que dificilmente terá nova chance daqui a quatro anos.

Arbitragem ajuda e Inglaterra vai decidir a Euro

Não se pode ignorar alguns erros grosseiros de arbitragem que a Eurocopa vem mostrando. Depois de prejudicar a Alemanha diante da Espanha, com um pênalti não marcado, o apito atrapalhou a vida da Holanda na semifinal de ontem contra a Inglaterra, em Dortmund.

O duelo foi muito disputado, com poucas chances de gol. A Holanda saiu na frente com Xavi Simons. O empate do English Team veio logo a seguir, após interpretação errada do árbitro para uma bola dividida entre Kane e Dumfries. Na revisão do VAR, o apitador entendeu que Kane foi solado.

Na cobrança da penalidade, o camisa 9 da Inglaterra bateu rasteiro para empatar. A segunda etapa foi equilibrada e o gol de Ollie Watkins saiu aos 45 minutos. O atacante havia substituído o ídolo Harry Kane.

Vôlei feminino movimenta a Tuna neste fim de semana

A ideia é fazer com que o vôlei contribua para mudar vidas. A Co-League aposta no esporte como potencial para transformar pessoas. O Festival de Vôlei, que será realizado nas dependências da Tuna no sábado (13) e no domingo (14), vai possibilitar que meninas e jovens possam trocar experiências e aperfeiçoar técnicas e práticas da modalidade.

O Festival de Vôlei é gratuito e será um excelente aperitivo para as Olimpíadas, mostrando como o esporte pode ser importante socialmente. Além disso, a competição vai abordar como as empresas podem ajudar por meio da Lei do Incentivo ao Esporte.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 11)

Decisivo, Ronald pede passagem

POR GERSON NOGUEIRA

Ronald foi o melhor atacante do Remo na sequência dos quatro clássicos com o PSC antes do Campeonato Brasileiro. Chegou a fazer gol na decisão do Parazão. Talvez tenha sido barrado justamente por esse motivo – vá entender a cabeça dos técnicos de futebol. Gustavo Morínigo, o comandante à época, ignorou o bom momento do ponta-esquerda e deixou ele de fora dos primeiros jogos do Remo na Série C.

Até o incrível Cachoeira teve direito à titularidade, enquanto Ronald era esquecido jogo após jogo. Morínigo saiu de cena após três derrotas nas primeiras rodadas do Brasileiro, mas a chegada de Rodrigo Santana não significou de imediato a ascensão de Ronald.

Muitos foram testados, mesmo entrando no 2º tempo, mas o ágil e velocista ponteiro continuou sem chances. Entrou duas vezes apenas, a 15 minutos do final das partidas. Para sorte do Remo, no jogo com o Caxias, segunda-feira à noite, na Serra Gaúcha, Ronald entrou a 22 minutos do fim.

Acostumado ao tempo escasso para mostrar utilidade, Ronald entrou e participou do lance do terceiro gol, com uma assistência perfeita para Jaderson. Nos instantes finais, quando era intensa a pressão do Caxias em busca do empate, ele teve o desprendimento de pressionar o goleiro Zé Carlos, roubar a bola e marcar o quarto gol azulino.

Sem dúvida, uma participação decisiva na partida que reabriu as esperanças do Remo quanto à chance de classificação – time foi a 16 pontos e ficou a dois apenas do último colocado do G8.

Ronald, mesmo seguidamente preterido pelos técnicos forasteiros, continua a ser um dos melhores atacantes do elenco, merecedor há tempos de uma oportunidade real de ser titular. No time que Rodrigo Santana vem utilizando, no 3-4-3, talvez fosse interessante experimentar Ronald na vaga de Marco Antônio, cujo desempenho está abaixo do esperado. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Argentino aumenta cota de estrangeiros no Papão

Depois da ousadia de trazer o meia equatoriano Juan Cazares, apresentado na semana passada, o PSC anunciou mais uma negociação internacional. O alvo agora é o atacante argentino Benjamín Borasi, de 26 anos. Sua aquisição foi formalizada ontem, após negociação rápida.

Borasi já está em Belém e fez todos os exames de praxe no estádio da Curuzu. Não joga futebol desde março, mas os vídeos sobre os melhores momentos da carreira dele são empolgantes. Para quem já conta com o arisco Eslí García, a chegada de Borasi é um tempero ofensivo a mais.

Na entrevista ao site oficial do clube, ele não poupou entusiasmo. Lembrou, inclusive, a vitória do Papão sobre o Boca Juniors na Bombonera, em 2003. Seu acordo contratual vai até o fim da temporada.

Benjamín Borasi, que ultimamente defendia o São Luiz (RS) terá o nome publicado no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF nos próximos dias. Depois disso, ficará à disposição da comissão técnica do clube.

Um garoto espanhol com pinta de super craque

Enquanto a Copa América se arrasta com jogos desinteressantes, incluindo aquele pavoroso Brasil x Uruguai, a Eurocopa confirma que é o principal torneio de seleções do mundo, superior à própria Copa do Mundo repleta de times zebrados do 4º mundo do futebol.

Ontem, a Espanha ratificou as boas atuações anteriores e derrotou a França, de virada, com direito ao brilho especial de um moleque de 16 anos: Lamine Yamal (Barcelona). O 1º tempo foi eletrizante. A França abriu o placar, mas os espanhóis viraram para 2 a 1, cravando lugar na final.

O gol de Kolo Muani logo aos 9 minutos não intimidou a Espanha. Yamal driblou Rabiot e mandou um chute de fora da área na gaveta, aos 21’.  Olmo, outro jovem talento, marcou o segundo gol. Foi o suficiente para chegar à final, domingo, contra Holanda ou Inglaterra, que duelam hoje.

Yamal impressiona pela maturidade nas tomadas de decisão e o fino futebol que exibe em campo. Há um outro aspecto a considerar em torno do brilho dele: talvez com um ídolo negro, a fatia racista das torcidas espanholas aprenda a conter a fúria fascista e discriminatória.

Fator Textor inspira defesa de fair play financeiro

A hipocrisia dá o tom nas discussões sobre fair play financeiro, defendido por dirigentes de Flamengo e Palmeiras nas últimas semanas, motivados pelas ousadias de John Textor à frente do Botafogo. A contratação de Thiago Almada, meia-atacante campeão do mundo com a Argentina em 2022, é a maior já realizada por um clube brasileiro.

O negócio saiu por R$ 137 milhões e, desde então, irrompem na mídia esportiva os defensores do limite de gastos, supostamente preocupados com a desvantagem dos clubes menos endinheirados no momento de reforçar seus times. Preocupação que nunca existiu de verdade.

Tudo seria coerente se, nos últimos anos, Flamengo e Palmeiras não tivessem adquirido atletas caros no futebol internacional. Como o gringo louco do Botafogo entrou no mercado, os gastadores de antes agora recomendam contenção e correm para criar leis que imponham freios a Textor. 

Parece piada, mas é apenas a ópera bufa do futebol no Brasil.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 10)

Dez anos depois, onde estão os jogadores do histórico 7 a 1

A terça-feira (8/7) marca os 10 anos de uma data histórica: a vitória da Alemanha por 7 x 1 contra o Brasil, na semifinal da Copa do Mundo de 2014, disputada em terras tupiniquins. Mas afinal, onde estão os jogadores que fizeram parte daquela partida histórica?

Dos 44 jogadores que participaram do 7 x 1, metade está aposentada. Entre os mais recentes está o histórico meio-campista Toni Kroos, que se retirou dos gramados após eliminação da Alemanha na Eurocopa.

Vale lembrar que Thiago Silva, atualmente no Fluminense, estava fora do confronto por suspensão, após tomar o segundo cartão amarelo no jogo contra a Colômbia, nas quarta de final da Copa do Mundo. Neymar, lesionado, também não jogou.

Confira como estão os jogadores de Brasil 1 x 7 Alemanha

Brasil – titulares
Júlio Cesar (44 anos) – aposentado
Maicon (42 anos) – aposentado
David Luiz (37 anos) – em atividade no Flamengo
Dante (40 anos) – em atividade no Nice
Marcelo (36 anos) – em atividade no Fluminense
Fernandinho (39 anos) – em atividade no Athletico-PR
Luiz Gustavo (36 anos) – em atividade no São Paulo
Bernard (31 anos) – em atividade no Atlético-MG
Oscar (32 anos) – em atividade no Shanghai Port
Hulk (37 anos) – em atividade no Atlético-MG
Fred (40 anos) – aposentado

Reservas:
Paulinho (35 anos) – em atividade, mas sem clube
Ramires (37 anos) – aposentado
Willian (35 anos) – em atividade no Fulham
Victor (41 anos) – aposentado
Jefferson (41 anos) – aposentado
Henrique (37 anos) – em atividade, mas sem clube
Maxwell (42 anos) – aposentado
Hernanes (39 anos) – aposentado
Daniel Alves (41 anos) – aposentado e em liberdade provisória
Jô (37 anos) – em atividade no Amazonas

Alemanha – titulares
Manuel Neuer (38 anos) – em atividade no Bayern de Munique
Philipp Lahm (40 anos) – aposentado
Jérôme Boateng (35 anos) – em atividade no LASK
Mats Hummels (35 anos) – em atividade, mas sem clube
Höwedes (36 anos) – aposentado
Bastian Schweinsteiger (39 anos) – aposentado
Sami Khedira (37 anos) – aposentado
Toni Kroos (34 anos) – aposentado
Thomas Muller (34 anos) – em atividade no Bayern de Munique
Miroslav Klose (46 anos) – aposentado
Mesut Ozil (35 anos) – aposentado

Reservas:
Mertesacker (39 anos) – aposentado
Schurrle (33 anos) – aposentado
Julian Draxler (30 anos) – em atividade no Al-Ahli SC
Robert Zieler (35 anos) – em atividade no Hannover 96
Weidenfeller (43 anos) – aposentado
Matthias Ginter (30 anos) – em atividade no Freiburg
Erik Durm (32 anos) – aposentado
Mustafi (32 anos) – em atividade no Levante
Großkreutz (35 anos) – aposentado
Kramer (33 anos) – em atividade no Borussia Mönchengladbach
Mario Gotze (32 anos) – em atividade Eintracht Frankfurt
Podolski (39 anos) – aposentado

(Com informações de Lance e Metrópoles)

Leão supera o Caxias em jogo confuso e sob forte neblina na Serra Gaúcha

POR GERSON NOGUEIRA

No jogo mais aleatório do ano, o Remo derrotou o Caxias por 4 a 2 nesta segunda-feira à noite, no estádio Centenário, em Caxias (RS), pela 12ª rodada da Série C do Brasileiro. A neblina tornou a transmissão do jogo uma verdadeira aventura visual, mas em campo o Leão teve uma atuação segura na defesa e determinada no ataque, abrindo vantagem desde o 1º tempo.

Em bola cruzada por Marco Antônio na área do Caxias, o zagueiro Bruno Bispo desviou de cabeça para abrir o placar logo aos 6 minutos. O time da casa tentou reagir, mas a zaga remista estava firme e segurou a pressão. O segundo gol veio aos 19′, o meia Pavani disparou um chute de longa distância e acertou o ângulo direito da trave do Caxias. Um golaço.

O Caxias seguiu pressionando e quase diminuiu nos minutos finais. Marcelo bateu falta e a bola acertou o travessão de Marcelo Rangel. O goleiro remista acabou se lesionando e foi substituído por Léo Lang no intervalo.

Nem bem o jogo recomeçou e o Caxias marcou o primeiro gol, com Gabriel Silva. Ele chutou da entrada da área e encobriu o goleiro remista, aos 4 minutos. Aos 13′, pênalti para o Caxias. A bola desviou na mão de Rafael e o árbitro assinalou a infração. Álvaro cobrou, Léo Lang defendeu parcialmente, mas Galván empurra para as redes. O árbitro anulou o gol, apontando invasão da área na cobrança da penalidade.

Aos 29′, Kelvin foi substituído por Ronald e o Remo ganhou qualidade e rapidez nos contra-ataques. Apesar da pressão do Caxias, o Leão se protegia bem. Aos 42′, Ronald avançou pela esquerda e cruzou na medida para Jaderson fazer o terceiro gol, escorando para o fundo das redes. Para espanto geral, o árbitro deu 17 (depois, mais 2) minutos de acréscimos.

O time da casa se lançou ao ataque e conseguiu diminuir, aos 51′. Vitor Feijão chutou, a bola desviou e sobrou para Álvaro finalizar para o gol. Ainda assim, o Remo não se acomodou. Aos 63′, Ronald pressionou o goleiro, ficou com a bola e marcou 4 a 2, fechando em definitivo o marcador. Ronald foi um dos melhores da equipe remista, juntamente com Pavani e Jaderson.

Uma vitória importante, que deixou o Remo em 10º lugar, com 16 pontos, a seis pontos de se livrar do risco de rebaixamento. O próximo jogo será contra a Ferroviária, em Mirassol (SP), na segunda-feira (15).

Marco temporal é discutido na SBPC Afro e Indígena

Segundo a cosmologia Guarani, a Terra foi criada das caminhadas de Nhanderu Vussu, o Deus Criador. Para cuidar e conservar a Mãe Terra, foi criado o Guarani – que tem a permissão de usufruir os recursos naturais, porém precisa respeitar os seus limites. Neste sentido, a Terra é uma pessoa, é viva e possui personalidade jurídica. O seu estatuto, no entanto, não é definido pelo Código Civil, uma vez que se trata de uma propriedade coletiva que não tem preço, mas valor. Isto significa que a Terra não é posse particular, e sim constitucional. “Dependendo da natureza das ações em relação à Mãe Terra, há o risco de profanação do sagrado”, explica o professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) Almires Martins Machado, pertencente à etnia Guarani-Terena.

Esta compreensão do mundo choca-se com a tese jurídica do marco temporal, segundo a qual os povos indígenas têm direito apenas às terras que ocupavam ou já disputavam em 5 de outubro de 1988, data de promulgação da Constituição. De acordo com a Câmara dos Deputados, a tese surgiu em 2009, em parecer da Advocacia-Geral da União sobre a demarcação da reserva Raposa-Serra do Sol, em Roraima. 

Os principais embates entre as duas argumentações jurídicas é tema da Conferência “Terra indígena versus marco temporal, segundo a ótica Guarani”, que será apresentada em 8 de julho de 2024 pelo professor Almires Machado durante a 76ª Reunião Anual (RA) da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A sessão, que será mediada pelo professor André de Avila Ramos, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), faz parte da SBPC Afro e Indígena. Maior evento científico da América Latina, a SBPC ocorre de 7 a 13 de julho, no Campus Guamá da UFPA, em Belém.

“Nossa disputa é, na verdade, com a Frente Parlamentar da Agricultura, com o agronegócio, em sentido lato”, afirma Machado. Representando quase 13% do território nacional, a maior parte das terras indígenas regularizadas localiza-se na Região Norte (Amazônia), é agricultável e/ou rica em minérios. “A Amazônia é a nova frente de expansão do agronegócio. Por isso as terras indígenas geram incômodos, já que estão fora do mercado imobiliário. Além disso, fogem do que é previsto no Direito Civil como propriedade particular, porque a questão indígena é uma posse constitucional, não uma posse do Direito Civil.” 

Segundo o professor da UFPA, até a Constituição Federal de 1988, os indígenas não tinham capacidade postulatória, portanto não poderiam sequer defender suas terras, conforme argumenta a tese do marco temporal. O embate jurídico atinge não apenas o povo Guarani, mas também todas as comunidades tradicionais (terras indígenas e quilombolas) do Brasil. “Estamos falando de vidas, milhares de vidas. A depender de como vai ser aplicado ou interpretado esse marco temporal, pode haver um novo genocídio ou pode estar se formando um novo grupo de pessoas sem terras – agora, indígenas”, comenta Machado. “A contradição é esta: sem terras na sua própria terra ou no que foi a terra um dia criada e dada a um Guarani Kaiowá pelo seu Deus Criador.”

Sobre – Parte da programação da Reunião Anual da SBPC, o Selo SBPC Afro e Indígena contempla questões relacionadas à cultura e à trajetória afro e/ou indígena. Além das atividades científicas tradicionais – conferências, mesas- -redondas, minicursos e painéis –, estão previstas exposições na Maloca (antiga Capela Universitária) e em uma tenda de 400 m², em frente ao prédio da Reitoria da UFPA. Com o tema “Ciência para um futuro sustentável e inclusivo: por um novo contrato social com a natureza”, a 76ª RA da SBPC é uma realização da SBPC e da UFPA.

Mocotó

Por Heraldo Campos

Para não “enrolar” o possível leitor deste texto, logo de cara, vamos recomendar duas receitas de mocotó “para levantar defunto”. A primeira é uma clássica receita de pata de boi ou de vaca e, nesse caso, não se leva em conta o gênero do bovino. Por isso, se seu açougueiro for aquele das antigas, peça para ele que corte na serra de mesa a pata do animal em pedaços de dois dedos de espessura. Depois junte água numa panela de pressão e cozinhe até a cartilagem ficar mole. Para temperar use os temperos básicos, como alho, cebola, cheiro verde, coentro, pimenta dedo de moça, dando uma refogada no óleo nesses ingredientes antes de acrescentar o mocotó em pedaços para o cozimento e o arremate final.
De procedimento semelhante, mas com menos tempo de fogo, vamos aos pés de galinha. Dificilmente seu açougueiro vai querer dar uma de manicure na poda das unhas da penosa mas,
convenhamos, não é uma incumbência gastronômica muito difícil. Uma tesourinha “tchan” ou uma faca de serra comum resolvem o problema cutâneo. Para acompanhar essas duas nobres
receitas uma salada de alface com tomate, arroz branco e mandioca cozida seriam ótimos
parceiros. Antes disso tudo, para quem não tem restrição nenhuma, uma boa cachacinha para
abrir o apetite seria um tiro certo. De sobremesa, uma gelatina de mocotó seria uma boa pedida. Mas aí é uma outra história.
Pensando nessas duas baratas receitas, para quem gosta desse tipo de comida, lembrei da canção “Eu também quero mocotó”, composta pelo Jorge Ben e cantada pelo maestro Erlon Chaves e sua Banda Veneno, no Festival Internacional da Canção de 1970, num Maracanãzinho lotado. Assisti ao vivo, em preto e branco, numa TV provavelmente ainda que funcionava a válvulas. A canção provocou maior buchicho naquela época da ditadura de 64 e um pequeno trecho dela diz o seguinte: “Eu cheguei e tô chegando / Tô com fome e sou pobre coitado / Me ajudem por favor / Botem mocotó no meu prato”.
Não é preciso dizer que depois de uma boa caminhada, como num mapeamento geológico, por
exemplo, esse tipo de comida, com muita sustança, recupera as forças, aumenta a energia para o dia seguinte e, sem dúvida, um passo importante para a resistência. Deveria, no meu modesto modo de entender, fazer parte da cesta básica para a população. Por que não? Mocotó! – deixando claro que aqui não se pretende fazer qualquer apologia à matança de animais e muito menos à gastronomia carnívora; são apenas receitas caseiras e de família.
Em tempo: a cantora de norte-americana de soul music e embaixadora da boa vontade da FAO
(Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), Dionne Warwick, vem aí aos 83 anos. O povo merecia um show da cantora ao vivo, gratuito, e em praça pública. Será possível?

*Heraldo Campos é geólogo (Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Unesp, 1976),
mestre em Geologia Geral e de Aplicação e doutor em Ciências (Instituto de Geociências da
USP, 1987 e 1993) e pós-doutor em hidrogeologia (Universidad Politécnica de Cataluña e
Escola de Engenharia de São Carlos da USP, 2000 e 2010).

França diz não à extrema direita

Os franceses deram as costas à extrema direita. Em um resultado surpreendente, o bloco de esquerda Nova Frente Popular (NFP) obteve a vitória no segundo turno das eleições legislativas, seguido do grupo centrista do presidente Emmanuel Macron, deixando em terceiro os radicais do Reunião Nacional (RN), de Marine Le Pen, partido vencedor do primeiro turno. Segundo os dados finais do Ministério do Interior, o NFP conquistou 182 assentos, à frente da coligação governamental (168) e do RN, que obteve 143 cadeiras juntamente com os Republicanos.

A esquerda francesa disse estar pronta para formar um novo governo. “Nosso povo rejeitou claramente o pior cenário”, disse Jean-Luc Mélenchon, líder da coalizão vencedora. No primeiro turno, em 30 de junho, o partido de Le Pen terminou em primeiro (33%), seguido do NFP (28%). Já a coalizão governamental ficou em terceiro (20%). Macron dissolveu o parlamento e convocou eleições antecipadas depois de a extrema direita derrotar sua aliança centrista nas eleições de 9 de junho para o Parlamento Europeu. (France24 e Le Monde)

Sem um único grupo obtendo a maioria absoluta de 289 dos 577 assentos, as eleições parecem destinadas a lançar o país num período de turbulência política. O premiê Gabriel Attal já anunciou que vai entregar sua renúncia hoje. Ele destacou que “nenhum dos extremos pode reivindicar a maioria” e isso dá crédito ao “espírito francês”. (BBC)

O líder do RN, Jordan Bardella, que esperava ser o próximo premiê, criticou a “aliança antinatural” e “desonrosa” de centro-esquerda que “privou o povo francês” de uma vitória de seu partido. E destacou que seu grupo político ficou em primeiro lugar nas eleições europeias, no primeiro turno das eleições parlamentares e duplicou seu número de deputados. “Estas são as pedras angulares da vitória de amanhã.” (BBC)

Jon Henley: “Embora o vencedor tenha sido uma surpresa, o resultado é o esperado: um parlamento dividido com três blocos opostos, com plataformas extremamente diferentes e sem tradição de trabalho conjunto – e, nos termos da Constituição francesa, sem novas eleições durante um ano”. (Guardian)

Antes mesmo da confirmação, a vitória da esquerda alegrou o presidente Lula. No X, ele se disse “muito feliz com a demonstração de grandeza e maturidade” da França, que se uniu “contra o extremismo nas eleições legislativas”. (Meio)

E a derrota da extrema direita foi celebrada nas ruas de Paris. A Place de la République foi tomada por milhares de pessoas. (CNN)

Com show de Meindl, Brasil atropela a Letônia e garante vaga na Olimpíada de Paris

Vaga carimbada! O basquete masculino do Brasil está nos Jogos Olímpicos de Paris. Jogando neste domingo (07) em Riga, a equipe do técnico Aleksandar Petrovic venceu a Letônia por 94 a 69, conquistou seu grupo no Pré-Olímpico e garantiu classificação para a Olimpíada de 2024. A classificação brasileira teve como grande destaque o ala Léo Meindl, que comandou a vitória com 20 pontos, 1 assistência e 9 rebotes.

A vaga em Paris “apaga” a frustração com os Jogos de Tóquio, quando o Brasil não conseguiu um lugar na disputa. A vaga brasileira passou por vitórias sobre Montenegro, Filipinas e agora Letônia, perdendo apenas para Camarões. Apenas o campeão de Pré-Olímpico garante vaga em Paris.

Com o resultado, o time do Brasil confirmou sua entrada no grupo B do basquete masculino, e enfrentará Japão, França e Alemanha. O torneio masculino de basquete nos Jogos Olímpicos de Paris começará a ser disputado em 27 de julho. A grande final está marcada para 10 de agosto, o sábado que antecede o encerramento da Olimpíada.

Mesmo diante da pressão das arquibancadas em Riga, o Brasil começou a partida dominando a partida e mostrando que estava em quadra para buscar a vaga olímpica.

E contou com jogo mais do que inspirado de Leo Meindl, Bruno Caboclo e Georginho, que comandaram a equipe. Agressivo na marcação e sem dar opções livres para o ataque letão, o time brasileiro flertou com a perfeição em quadra no começo da partida.

O ala cria do Pinheiros, que defendeu Toronto Raptors, Sacramento Kings e Memphis Grizzlies na NBA, fechou o primeiro quarto com uma cesta espetacular arremessando com distância do meio da quadra para colocar 34 a 11 no placar.

Com a vantagem no placar, o time brasileiro soube trabalhar o relógio e a ansiedade da equipe da casa para administrar o resultado e seguir pontuando com eficiência, deixando a Letônia sempre “correndo atrás”, principalmente com bolas de três pontos, com o aproveitamento na casa dos 57%.

O Brasil abriu o último quarto com vantagem de 26 pontos no marcador, para o desespero dos torcedores na Arena Riga. O time da casa subiu o tom das faltas na reta final, mas nada que pudesse impedir a rotação de Aleksandar Petrovic de garantir o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris.

Veja o calendário do Brasil no basquete masculino em Paris

  • Brasil x França – 27 de julho
  • Brasil x Alemanha – 30 de julho
  • Brasil x Japão – 02 de Agosto

Valente, Papão merecia vitória

POR GERSON NOGUEIRA

Desde os primeiros movimentos, o jogo parecia sob feição para um novo triunfo do PSC fora de casa. Confuso, errando muito, o Coritiba não exercia a pressão esperada. Com Nicolas bem adiantado, como todo mundo quer ver, o ataque bicolor ameaçava constantemente. Parecia mais perto do gol, e foi isso que realmente ocorreu. Ainda no 1º tempo, porém, veio o empate. O resultado final não foi ruim, mas o Papão merecia vencer.

O excesso de erros marcou os primeiros 45 minutos. A saída do meio para o ataque era o maior problema do PSC, mas nos avanços em contra-ataque Nicolas e Esli García criaram um alvoroço na defensiva paranaense.

Duas chances, com Frizzo e Figueiredo, fizeram o Coritiba se animar e levantar a torcida. Do lado bicolor, Lucas Maia finalizou na pequena área e Pedro Morisco fez grande defesa. Em seguida, Netinho bateu falta pelo alto e Nicolas se antecipou ao goleiro para abrir o placar.

O Coxa pressionou e até fez o gol de empate, com Robson, mas o lance foi anulado por impedimento. O mesmo Robson voltou ao ataque pelo centro, ganhou de Wanderson na corrida e tocou para Lucas Ronier, livre na área, chutar no canto esquerdo e igualar o marcador.

A segunda etapa começou com o Papão melhor em campo. Logo nos primeiros minutos, Nicolas aproveitou um passe de Esli e mandou rasteiro para o fundo das redes. A jogada foi anulada após revisão do VAR, que apontou falta de Esli no goleiro Pedro Morisco.

A partir daí, o Coritiba prevaleceu com ataques sucessivos e perigosos, mas a defesa do Papão se portou bem e evitou o gol. No fim das contas, a boa atuação bicolor foi festejada pela Fiel no Couto Pereira, enquanto o Coritiba sofria com os apupos de sua torcida.

Em todos os aspectos, um bom resultado para o PSC, que segue em 15º lugar, mas em ascensão – está invicto há cinco jogos. A próxima partida será contra o Ceará Sporting, sexta-feira, na Curuzu.

Um vexame repleto de bizarrices  

Ainda atordoado com a eliminação na Copa América, Dorival Júnior teve a pachorra de afirmar que a Seleção Brasileira deu um “um passo muito grande” na competição e que tudo agora é “questão de tempo”. Platitudes que remetem a Sebastião Lazaroni e Dunga, mas que pegam mal no atual estágio do futebol brasileiro, reduzido a coadjuvante no continente.

Para Dorival, confirmado na Seleção até a Copa de 2026, o setor defensivo evoluiu e a escolha de jogadores foi positiva. Contra o Uruguai fez seu 8º jogo no comando. O problema é que, mesmo com o processo em fase inicial, os métodos e critérios geram muitos questionamentos – e receios.  

O tropeço diante dos uruguaios não é o pior dos cenários. Problema mesmo é o que espera o Brasil nas Eliminatórias. Ocupando a constrangedora 6ª colocação no torneio de acesso à etapa principal da Copa do Mundo, a Seleção não inspira confiança em absolutamente ninguém.

A atropelada atuação em Las Vegas deixou claro que o Brasil ofensivo e destemido de antes deu lugar a um time medroso, que se defende dando chutão e é débil nas ações ofensivas. Endrick, a revelação palmeirense, substituiu Vini Jr., ocupando a faixa central do ataque. Partia sempre com a bola em disparada rumo à zaga uruguaia, armada até os dentes. Demonstrou coragem, mas pouca objetividade.

Depois de um jogo extremamente violento, sob a omissão criminosa do árbitro argentino Daniel Herrera, o Brasil partiu para as penalidades entregue à própria sorte. A rodinha de jogadores, rezando em voz alta, enquanto Dorival tentava timidamente pedir passagem, evidenciou o menosprezo do grupo em relação ao técnico.

A cena rodou o mundo e foi destacada pelo jornal Marca, que mencionou a cena de Dorival deixado no vácuo: “Dorival teve de disfarçar coçando a cabeça depois de nenhum jogador dar atenção”. Comparou com a atenção total que os uruguaios davam às instruções de Marcelo Bielsa.

Na Copa América mais estranha de todos os tempos, com campos reduzidos (5 metros mais curtos e 4 metros mais estreitos), a passagem do Brasil pelos EUA se insere entre as mais vexatórias da história da Seleção. Doeu porque não estamos acostumados, mas é hora de cair na real.

Provocação besta deixou o clássico mais pilhado

Como se não bastasse a má qualidade do time, o volante Andreas Pereira deu um jeito de botar mais lenha na fogueira ao dizer que o Uruguai “sonha” em ter uma seleção igual à do Brasil. Atiçou a ira da Celeste e ajudou a transformar o jogo num verdadeiro duelo de artes marciais.

A cretinice foi, obviamente, respondida à altura depois da partida. Luizito Suárez desdenhou da bizarra declaração e lembrou que Andreas era reserva de Arrascaeta (“o melhor jogador do Brasil”) no Flamengo.

Uma bobagem sem tamanho que injetou altas doses de adrenalina em um confronto já pilhado o suficiente. Além do mais, Andreas – mais conhecido por entregar uma Libertadores para o Palmeiras – não tem estofo para provocar ninguém. Um bobalhão.

Devia se basear no exemplo dos grandes craques brasileiros, que jamais recorreram ao expediente de provocar adversários gratuitamente. A ignorância em relação à história e às tradições do escrete é apenas mais um item da pobreza técnica e mental da atual Seleção.

Leão encara o frio em busca de nova vitória

Diante do Caxias, hoje à noite, o Remo tem como meta conquistar três pontos para recuperar a 10ª posição e seguir acreditando na classificação à próxima fase. Será o sexto jogo sob o comando de Rodrigo Santana, que acumula três vitórias e duas derrotas.

O time terá o retorno de João Afonso à linha de zagueiros, recompondo a formação mais utilizada por Santana desde que assumiu o Leão. Além de um Caxias em baixa, o time vai enfrentar o frio (em torno de 10 graus) da Serra Gaúcha. Para os azulinos, é vencer ou vencer.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 08)

“Pobre futebol sul-americano”

POR GERSON NOGUEIRA

O Brasil tem cinco títulos mundiais, o Uruguai tem dois. Uma das mais longevas rivalidades do futebol entra em campo novamente neste sábado à noite, valendo pelas quartas de final da Copa América. As lembranças da histórica final de 1950 no Maracanã também volta à cena, como acontece sempre que as duas seleções se enfrentam.

Vários duelos já foram travados nesses 74 anos e o Brasil venceu quase todos, mas o cenário atual favorece o tradicional rival. Com bons jogadores, um time renovado e um técnico de alto calibre, o Uruguai é favorito no confronto marcado para Las Vegas.

A dúvida de Dorival Junior quanto à escalação foi dissipada na sexta-feira, quando ele anunciou que Endrick entra na vaga de Vinícius Jr. (suspenso). A escolha era mais ou menos óbvia, mas um certo suspense foi criado.

Não há muito o que esperar do time brasileiro, ainda em construção e sujeito a oscilações em campo, como nas tímidas apresentações contra Costa Rica e Colômbia. Ocorre que um clássico é sempre motivador para todos, principalmente para um time em busca de afirmação.

Nas entrevistas, o Brasil perdeu feio. Não por culpa de Dorival, que tem um discurso tedioso, sem surpresas. O problema é o nível de seu oponente. Marcelo Bielsa é um pensador do futebol. Um dos melhores.   

Afirmou, com expressão entristecida, que a América do Sul se acomodou ao papel de vítima do poder econômico europeu. Ele então fez uma comparação com o São Paulo de Telê Santana, a quem enfrentou na final da Libertadores de 1992.  

“Isso sim era outro futebol (risos)… Veja que interessante: se você relembrar a escalação do São Paulo, que tinha um treinador monumental, é uma formação de vários jogadores da Seleção Brasileira ainda jogando no futebol local. Então, pense no que aconteceu ao pobre futebol sul-americano…”, observou.

Citou quase todo o time do São Paulo daquele período. “Eram todos jogadores europeus. Só que, antes de irem para a Europa, a maior parte jogou duas finais de Libertadores (pelo São Paulo)”.

“Então, imagine o que aconteceu com o futebol. O futebol é uma propriedade popular. Essencialmente, os pobres têm poucas capacidades de terem acesso à felicidade, porque não possuem dinheiro para ‘comprar’ felicidade. O futebol é gratuito e de origem popular”, acrescentou.

“Então, o futebol agora é algo que os mais pobres já não têm mais, porque, aos 17 anos, já vendem o Endrick, já vendem o outro garoto do Palmeiras [Estêvão, que vai para o Chelsea]…”.

Mandou bem, Bielsa, que sempre tem algo relevante a dizer.

Desafio matinal para o Papão em Curitiba

O PSC conquistou duas vitórias fora de casa, jogando bem contra Ituano e Chapecoense. Jogar bem aqui significa se lançar ao ataque, executar imposição no campo inimigo. Deve ser o caminho para driblar as dificuldades que o Coritiba vai criar dentro de seus domínios.

Esli García, o artilheiro do Papão na Série B, passou em branco nas últimas rodadas. Dispersivo, distante dos acontecimentos junto à área, pouco contribuiu. Está na hora de reagir e voltar a marcar. A oportunidade se apresenta neste domingo, pela manhã, em Curitiba.

Um desafio para ele e para o meio-campo, desfalcado de João Vieira e Wesley Fraga. Tudo o que o PSC precisa é se organizar para ser reativo, explorando os avanços de um Coxa pressionado pela necessidade de uma vitória depois do tropeço (1 a 1) diante do Vila Nova na rodada passada.

Arbitragem brasileira não cansa de dar vexame

Não resta qualquer dúvida. Wilton Pereira Sampaio é o pior árbitro brasileiro em atividade, superando até os notórios Anderson Daronco e Rafael Claus. Depois da participação bizarra na Copa do Mundo de 2022, quando fez lambança em todas as partidas que apitou, ele vem fazendo estragos na atual Copa América.

Esteve a pique de complicar o jogo Venezuela x Canadá, irritando as duas equipes com decisões equivocadas, principalmente na aplicação de cartões amarelos. Ignorou faltas gritantes, carrinhos violentos e até uma ação antijogo do goleiro venezuelano atrapalhando a reposição de bola.

Desatento, longe dos lances, sem critério. Diante de tantas ocorrências constrangedoras, impressiona a costa larga de Wilton junto à Comissão Nacional de Arbitragem e da própria Conmebol. Passou da hora. Já é caso de afastamento sumário por maus serviços prestados.

Bola na Torre

O programa tem apresentação de Guilherme Guerreiro e participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, a participação dos clubes paraenses nas séries B, C e D do Campeonato Brasileiro. A edição é de Lourdes Cezar. Na RBATV, às 22h.

Melhores mesatenistas na Copa Brasil em agosto

Belém vai receber a Copa Brasil de Tênis de Mesa edição 2024/Challenge Plus 14ª edição, de 2 a 4 de agosto, na Arena Guilherme Paraense (Mangueirinho). O evento integra a agenda do calendário nacional da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa – CBTM, reunindo os melhores mesatenistas do país.

Ao longo de três dias, com apoio da Secretaria de Esporte e Lazer (Seel), Belém será a capital brasileira do tênis de mesa, o que representa um grande incentivo à prática e expansão da modalidade no Pará.

(Coluna publicada na edição do Bola de sábado/domingo, 06/07)